
LUSO-BRASILEIRA
REVISTA DO VILLA
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- Quando o silêncio adoece: a dor que homens e pessoas LGBTQIA+ escondem tem nome
Em pleno século XXI, falar sobre saúde mental tornou-se mais comum, mas isso não significa que todas as pessoas se sintam autorizadas e confortáveis a falar sobre o que vivem. Entre homens e pessoas LGBTQIA+, o silêncio ainda é uma das formas mais presentes de sofrimento. Foto: Google/IA Durante muito tempo, a masculinidade foi construída sobre ideias de força, controle e resistência. Demonstrar fragilidade, pedir ajuda ou expressar emoções foi, para muitos, interpretado como sinal de fraqueza. Ao mesmo tempo, pessoas LGBTQIA+ frequentemente cresceram lidando com o medo da rejeição, da discriminação e da necessidade constante de corresponder às expectativas de outras pessoas. Essas experiências deixam marcas que nem sempre aparecem de forma evidente. Ansiedade, depressão, sensação de inadequação, dificuldades nos relacionamentos, baixa autoestima e solidão podem ser apenas algumas das formas pelas quais esse sofrimento se manifesta. A psicanálise oferece um caminho diferente. Em vez de buscar respostas rápidas ou enquadrar histórias em modelos prontos, ela propõe um espaço de escuta onde cada pessoa pode compreender sua própria trajetória, reconhecer seus conflitos e construir novos sentidos para aquilo que vive, no seu tempo e do seu próprio jeito. Mais do que tratar sintomas, trata-se de compreender o sujeito em sua singularidade. Nos últimos anos, cresce também a procura de homens por acompanhamento psicológico. Esse movimento revela uma mudança cultural importante: reconhecer que vulnerabilidade não é o oposto da força, mas parte da experiência humana. Cuidar da saúde mental significa desenvolver relações mais saudáveis consigo mesmo, com a família, com os afetos e com a sociedade. Na comunidade LGBTQIA+, a clínica também ocupa um papel fundamental. Muitas pessoas chegam ao consultório carregando histórias marcadas por preconceito, invisibilidade, violência simbólica ou conflitos relacionados à aceitação da própria identidade. Encontrar um espaço livre de julgamentos pode representar o início de um processo de reconstrução da autoestima e do pertencimento. É nesse contexto que desenvolvo meu trabalho como psicanalista, com foco no atendimento de homens e da população LGBTQIA+. Também integro a equipe do Instituto da Mente Ricardo Mello, em Campinas (SP), onde participo de um projeto de atendimentos com valores sociais, ampliando o acesso ao cuidado emocional para pessoas de diferentes realidades econômicas. José Gabriel Almeida - Divulgação Foto: IA Os atendimentos on-line também fazem parte dessa proposta de inclusão, permitindo acompanhar pacientes em diversas regiões do Brasil e brasileiros que vivem no exterior. A tecnologia aproxima pessoas, rompe barreiras geográficas e amplia o acesso a um espaço de escuta qualificada. Além da clínica, compartilho reflexões sobre saúde mental, psicanálise, masculinidades e diversidade no perfil profissional @jgalmeida.psi, acreditando que informação de qualidade também é uma forma de cuidado e prevenção. Ainda há muito a ser feito para que homens e pessoas LGBTQIA+ sintam que podem buscar ajuda sem medo, vergonha ou preconceito. Promover saúde mental é também promover direitos, inclusão e dignidade. Afinal, toda pessoa merece um lugar onde possa falar de sua história sem precisar esconder quem é. Mais do que nunca, a escuta deixou de ser apenas um recurso terapêutico. Tornou-se um compromisso social com a construção de comunidades mais humanas, diversas e emocionalmente saudáveis. Porque, quando o silêncio se prolonga, ele deixa de ser apenas ausência de palavras e passa a falar através da dor, da ansiedade, do medo e da solidão. Dar nome a esse sofrimento é o primeiro passo para transformá-lo. É por isso que compreender, acolher e escutar não são apenas gestos de cuidado, mas também de liberdade. Quando o silêncio adoece, a dor que homens e pessoas LGBTQIA+ escondem tem nome e também pode encontrar um caminho de escuta, elaboração e mudança. Adilson Henrique, José Gabriel
- Val Guimarães faz história ao levar o nome do Brasil ao cenário internacional em premiação na França
A trajetória de sucesso da cearense Val Guimarães ultrapassa fronteiras e ganha reconhecimento internacional. Val Guimarães - Foto: Divulgação Em novembro, a especialista em finanças será homenageada em Paris com a Medalha de Honra ao Mérito, concedida pela tradicional Société d’Encouragement au Progrès, tornando-se a primeira profissional do setor financeiro a receber essa distinção da instituição francesa. A solenidade ocorrerá na elegante Maison des Polytechniciens, um dos espaços mais tradicionais da capital francesa para eventos de alto prestígio. A programação reunirá convidados de diferentes países em um coquetel de recepção, seguido por um jantar de gala, ocasião em que personalidades e profissionais de destaque serão condecorados por suas contribuições ao desenvolvimento, à inovação e à excelência em suas áreas de atuação. Val Guimarães - Foto: Divulgação Natural do Ceará, Val Guimarães construiu uma carreira consolidada no mercado financeiro por meio da combinação entre conhecimento técnico, ética profissional e constante aprimoramento. Com formação em instituições de referência, como FGV e IBMEC, ela se tornou uma profissional reconhecida pela credibilidade e pelos resultados alcançados ao longo de sua jornada. O reconhecimento internacional representa mais do que uma conquista individual. A homenagem evidencia a capacidade de profissionais brasileiros conquistarem espaço em ambientes altamente competitivos, reforçando o protagonismo feminino e destacando a determinação de uma cearense que transformou dedicação e competência em uma carreira admirada dentro e fora do país. Escolhida como palco da cerimônia, Paris simboliza tradição, cultura, inovação e valorização do conhecimento. É nesse cenário que a trajetória de Val Guimarães ganha um novo capítulo, marcado pelo reconhecimento de uma instituição centenária que prestigia personalidades comprometidas com o progresso da sociedade. A homenagem reforça que realizações construídas com seriedade, ética e excelência permanecem como referências duradouras. Ao receber essa importante distinção, Val Guimarães consolida seu nome no cenário internacional e inspira novas gerações de profissionais que acreditam no trabalho, na qualificação e na busca constante pela excelência como caminhos para alcançar reconhecimento global. Divulgação Rio
- Angola: Pedro Ramos defendeu em Luanda “liderança centrada nas pessoas” durante o “Carreira International Summit 2026”
Imagem: Pedro Ramos, CEO da Dale Carnegie Training Portugal e da Rharo by Group Talent. Foto: divulgação Pedro Ramos, CEO da Dale Carnegie Training Portugal e da Rharo by Group Talent, participou, em Luanda, Angola, no “Carreira International Summit 2026”, realizado no passado dia 8 de julho, no Epic Sana Luanda. O encontro, organizado pela “Revista Carreira”, em parceria com a “Dale Carnegie Training Portugal” e a “Rharo by Group Talent”, foi apresentado como um “espaço internacional de reflexão sobre o futuro do trabalho, da liderança e das organizações”. Sob o tema “Pessoas Reais (RE)Inventam o Futuro Artificial”, Pedro Ramos fez a palestra de abertura do evento, centrando a sua intervenção na necessidade de colocar as pessoas no centro da transformação organizacional, num tempo marcado pela aceleração da inteligência artificial, pela redefinição das carreiras e pelas novas exigências da liderança. Imagem: Pedro Ramos, CEO da Dale Carnegie Training Portugal e da Rharo by Group Talent. Foto: divulgação A agenda do summit foi orientada para as dinâmicas emergentes do mercado laboral, a transformação organizacional e as trajectórias de carreira em contexto global. O evento reuniu líderes empresariais, decisores públicos, especialistas e representantes institucionais de Angola, Portugal, Brasil, Moçambique e Líbano, reforçando Luanda como “espaço de diálogo lusófono e internacional sobre gestão de pessoas, tecnologia, inovação e desenvolvimento humano”. A organização avalia que o summit foi o primeiro encontro internacional em Angola inteiramente dedicado a esta agenda, com a ambição de “aproximar lideranças e gestores de pessoas de diferentes geografias”. A presença de Pedro Ramos em Angola confirma a expansão da sua agenda internacional e o posicionamento da “Dale Carnegie Training Portugal” e da “Rharo by Group Talent” em mercados lusófonos estratégicos. “Num contexto em que as organizações procuram responder à pressão tecnológica sem perder vínculo humano, a minha intervenção em Luanda destacou uma mensagem central: o futuro pode tornar-se mais artificial, mas continuará a depender de liderança, consciência, confiança e capacidade de mobilizar pessoas”, disse Pedro Ramos. Ígor Lopes
- Mulheres Preciosas: Cláudia Joy compartilha experiências que transformam
Cláudia Joy já participou duas vezes do programa Mulheres Preciosas e, em cada encontro, trouxe reflexões que vão muito além da estética e da saúde. Empresária, esteticista e futura biomédica, ela compartilha experiências que convidam à mudança de perspectiva e ao cuidado integral com a vida. Imagem: Cláudia Joy - Foto: Reprodução instagram @joy.studiobeauty Cláudia Joy já participou duas vezes do programa Mulheres Preciosas e, em cada encontro, trouxe reflexões que vão muito além da estética e da saúde. Empresária, esteticista e futura biomédica, ela compartilha experiências que convidam à mudança de perspectiva e ao cuidado integral com a vida. Durante a conversa, uma de suas falas chamou a atenção pela profundidade: com a maturidade, entendemos que, antes de tentar mudar o mundo, precisamos olhar para o nosso mundo interior. Essa reflexão nos leva a questionar nossos próprios hábitos, escolhas e motivações. Afinal, por que fazemos o que fazemos? Qual é o verdadeiro sentido por trás das nossas decisões? O diálogo reforça a importância do autoconhecimento, do amor-próprio e da responsabilidade consigo mesmo. Antes de querer transformar o outro, é preciso cuidar de si, compreender os próprios limites e construir uma vida com mais consciência e equilíbrio. Claudia Joy em entrevista ao Podcast Mulheres Preciosas Ao lado das apresentadoras Fran Romeiro e Samara Maiza, Cláudia também abordou temas que despertam grande interesse do público, como drenagem linfática, limpeza do organismo, emagrecimento e o tão comentado Mounjaro. Mais do que apresentar tendências, a conversa buscou esclarecer dúvidas e incentivar decisões mais conscientes sobre saúde e qualidade de vida. Claudia Joy ao lado de Fran Romeiro e Samara Maiz, apresentadoras do podcast Mulheres Preciosas Foi um encontro marcado por informação, experiências reais e reflexões que permanecem mesmo após o fim da entrevista. Um conteúdo que inspira quem busca viver com mais propósito, equilíbrio e bem-estar. Contato: Instagram @joy.studiobeauty / entrevistada @franciely_romeirooficialsjc / idealizadora e apresentadora do projeto @samara_porvoce / socia apresentadora @bmcchanneloficial / estúdio gravação Fran Romeiro, Samara Msiza
- Adeus a Peppino di Capri: a despedida de um dos maiores ícones da música italiana
Intérprete de clássicos como Champagne e Roberta, o cantor deixa um legado de mais de seis décadas e uma influência que ultrapassou as fronteiras da Itália. Foto: Getty images - Edição: Revista do Villa O cantor, pianista e compositor italiano Peppino di Capri, um dos maiores nomes da música popular italiana do século XX, morreu neste sábado (11), aos 86 anos, em sua ilha natal, Capri, no sul da Itália. A morte foi confirmada pela família e por veículos da imprensa italiana. Até o momento, a causa oficial da morte não foi divulgada. A imprensa local informou apenas que o artista enfrentava uma doença havia algum tempo. Nascido Giuseppe Faiella, em 27 de julho de 1939, Peppino di Capri iniciou sua relação com a música ainda na infância. Aos quatro anos, já tocava piano para soldados norte-americanos estacionados na ilha de Capri durante a Segunda Guerra Mundial. Na década de 1950, formou o grupo Peppino di Capri e i suoi Rockers, tornando-se um dos primeiros artistas italianos a incorporar o rock'n'roll e o twist à tradicional canção napolitana. Sua carreira ganhou projeção internacional com sucessos como Roberta, Champagne, Saint Tropez Twist, Un grande amore e niente più, Mai e Non lo faccio più. Ao longo da trajetória, venceu o tradicional Festival de Sanremo duas vezes, em 1973 e 1976, além de representar a Itália no Festival Eurovisão da Canção, em 1991, interpretando Comme è ddoce 'o mare, em dialeto napolitano. Imagem: Reprodução Instagram: @peppinodicapri_official Uma carreira que atravessou gerações Peppino di Capri permaneceu ativo por mais de 60 anos, lançando dezenas de álbuns e mantendo uma agenda de apresentações até os últimos anos de vida. Um dos momentos marcantes de sua carreira foi ter sido escolhido como ato de abertura dos Beatles durante a passagem da banda britânica pela Itália, em 1965, evidenciando o prestígio que já possuía na cena musical europeia. Além de modernizar a música italiana ao fundir elementos do rock, do twist e da canção napolitana, Peppino também gravou músicas em diferentes idiomas e ajudou a popularizar a cultura italiana em diversos países. Suas canções tornaram-se presença constante em rádios, trilhas sonoras, festas e celebrações, especialmente Champagne, considerada um dos maiores clássicos da música romântica italiana. Imagem: Reprodução Instagram: @peppinodicapri_official Em janeiro de 2025, Peppino di Capri lançou sua primeira e única autobiografia, intitulada Un grande amore e niente più – La mia vita, la mia musica, i miei amori ("Um Grande Amor e Nada Mais – Minha vida, minha música, meus amores"). A obra foi publicada pela Compagnia Editoriale Aliberti e escrita em colaboração com Alessandro Di Nuzzo e Fulvio Iannucci. Segundo a apresentação oficial da obra, o objetivo de Peppino não era apenas contar sua carreira, mas mostrar como sua trajetória se confundia com a de milhões de italianos. O artista parte de suas lembranças pessoais para reconstruir um período marcante da história do país, defendendo que seus "primeiros 85 anos", de certa forma, também pertencem ao público que acompanhou sua música ao longo das gerações. Última apresentação Embora tenha reduzido o ritmo de trabalho por causa da saúde, Peppino di Capri fez uma de suas últimas apresentações públicas no verão europeu de 2025, quando surpreendeu o público ao interpretar Champagne em um evento realizado na Certosa di San Giacomo, na ilha de Capri, acompanhado pela banda liderada por seu filho, Edoardo Faiella. A apresentação foi recebida com uma longa ovação. Sua última aparição pública ocorreu em maio de 2026, em um encontro familiar realizado em Capri, durante a comemoração dos 90 anos de sua irmã, Margherita. Um legado além da Itália Poucos artistas italianos conseguiram construir uma carreira tão duradoura quanto Peppino di Capri. Seu trabalho ajudou a renovar a música italiana ao aproximá-la das tendências internacionais sem abandonar suas raízes. Essa combinação fez dele um dos principais embaixadores da cultura italiana no exterior. Na Europa, foi reconhecido como um dos grandes intérpretes da canção romântica italiana. Na América Latina, especialmente no Brasil, conquistou um público fiel, realizando diversas turnês ao longo da carreira e tornando sucessos como Champagne e Roberta familiares a várias gerações. Sua influência também alcançou músicos interessados em unir tradição e modernidade, consolidando-o como uma referência da música popular europeia. Peppino Di Capri canta seus sucessos 'Champagne', 'Roberta' e 'Un Grande Amore' Com sua morte, a Itália perde uma de suas vozes mais emblemáticas. O artista deixa filhos, netos, uma discografia que atravessa mais de seis décadas e um repertório que continua a emocionar ouvintes em diferentes partes do mundo. Seu legado permanece vivo como um dos capítulos mais importantes da história da música italiana. Redação
- Pedro Ramos: Turistando na Minha Cidade
Em um fim de semana de sol, o colunista redescobre Lisboa como se fosse um destino inédito e mostra que, por vezes, a viagem mais transformadora acontece no lugar que sempre chamamos de casa. Foto: Pedro Ramos - Turistando em Lisboa Viajo com frequência. Por trabalho, por curiosidade, por paixão. Já caminhei por cidades que nos esmagam pela sua dimensão e por outras que nos conquistam pela subtileza. De Luanda a São Paulo, do Rio de Janeiro a Maputo, há um fio invisível que me liga a cada uma delas: a língua, a cultura, a forma como habitamos os lugares. Mas, curiosamente, foi em Lisboa (a minha cidade!) que decidi, neste fim de semana de sol pleno, fazer uma das viagens mais inesperadas: olhar para ela como se fosse a primeira vez. Saí de casa cedo neste sábado, com o mesmo espírito com que chego a qualquer destino novo. Sem pressa. Com atenção. Com abertura. Subi as colinas de sempre, mas com um olhar diferente. Alfama, Mouraria, Castelo... nomes familiares, quase íntimos, revelaram-se como territórios a descobrir. Foto: Pedro Ramos Há algo de profundamente lusófono em Lisboa. Não apenas na língua que se escuta, mas na forma como o tempo acontece. Uma cadência própria, um equilíbrio entre intensidade e contemplação que reconheço noutras geografias que também são minhas. Lisboa não é apenas europeia. Lisboa é uma gigante ponte. E talvez por isso, ao percorrer as suas ruas estreitas, senti ecos de outras cidades que já vivi. Nos azulejos, nas cores gastas pelo tempo, nos sons que se cruzam entre o tradicional e o contemporâneo, há uma familiaridade que transcende fronteiras. Os cheiros trouxeram-me memórias. O café forte, o pão quente, o peixe grelhado; tão nossos, tão partilhados. Há uma identidade sensorial que une o mundo lusófono e que, em Lisboa, ganha uma expressão única. E depois, as pessoas. Sempre as Pessoas... Enquanto viajante, aprendi que são sempre as pessoas que definem um lugar. Em Lisboa, encontrei aquilo que tantas vezes procuro noutras cidades: autenticidade. Um sorriso genuíno, uma conversa que começa sem esforço, uma hospitalidade que não é encenada. No Castelo de São Jorge, parei. Como já parei em tantos miradouros pelo mundo. Mas este é diferente. Talvez por ser meu.Lá de cima, o Tejo impõe-se com uma serenidade que nos obriga a desacelerar. Olhei para a cidade e, por momentos, vi-a como vejo qualquer outro destino: com curiosidade, respeito e encantamento. s depois reconheci-me nela. Foto: Pedro Ramos Ser turista na minha Lisboa foi mais do que um exercício de observação. Foi um reencontro. Um lembrete de que, mesmo para quem viaja tanto, há viagens que só acontecem quando paramos. Neste fim de semana de sol, calor e cores, percebi que Lisboa continua a ensinar-me, não como ponto de partida, mas como lugar de regresso. E talvez seja isso que a torna tão especial. Lisboa não é apenas a cidade de onde parto. É, cada vez mais, a cidade à qual volto com um novo olhar. Pedro Ramos
- Sesc RJ apresenta: “É O FIM! LTDA” transforma o rito de passagem em celebração na comédia musical inédita da CiaFaláCia
A montagem é a sétima peça da Cia que foi criada em 2008 "É o fim! LTDA'"- Foto: Daniel Barboza O fim da vida, um dos temas mais universais e, ao mesmo tempo, mais evitados da experiência humana, ganha contornos de humor, música e afeto em “É O FIM! LTDA”, novo espetáculo da CiaFaláCia, que estreia em 23 de julho, no Sesc Tijuca. O espetáculo é uma comédia musical inédita que combina sátira, ritmos populares brasileiros e uma relação direta com o público para refletir sobre a finitude de forma leve e divertida. O projeto foi selecionado no edital Sesc Pulsar. A trama acompanha três personagens empreendedores que criam a empresa “É O FIM! LTDA”, especializada em planejar e executar “gurufins” personalizados. No dia do lançamento do negócio, a plateia é recebida como cliente VIP e convidada a conhecer o inovador serviço “Teste Drive Gurufim!”, que permite experimentar diferentes modelos de velório antes da “derradeira hora”. Entre apresentações corporativas, planos funerários e situações inusitadas, o público é conduzido por uma narrativa repleta de humor e surpresas. O que os personagens não sabem é que sofreram um acidente a caminho do evento e já estão mortos. Aos poucos, a apresentação da empresa se mistura à própria despedida dos protagonistas, transformando o espetáculo em uma reflexão sensível sobre a vida, os encontros e a inevitabilidade do fim. A dramaturgia de É O FIM! LTDA nasceu do desejo do dramaturgo e ator Alexandre Dantas de revisitar o clássico de Edmond Ronstadt, Cyrano De Bergerac, a partir de uma perspectiva brasileira, musical e contemporânea. Inspirado pela musicalidade dos versos da obra original e pelas tradições afro-brasileiras ligadas aos ritos de despedida, o artista desenvolveu uma narrativa inédita que mistura tempos, memórias e canções para refletir sobre a vida, a passagem para outro plano e os encontros humanos. "Quando li sobre a busca de uma musicalidade mais próxima da língua portuguesa, entendi o caminho que queria seguir. Decidi criar um musical inspirado nos ritmos brasileiros e na força poética da palavra", explica o dramaturgo Alexandre Dantas. A partir dessa pesquisa, Dantas encontrou no gurufim, celebração marcada pela música, pela comida e pela confraternização em torno da partida de alguém, o ponto de partida para a construção da peça. A tradição inspirou uma abordagem que transforma o luto em encontro e celebração. "A ideia do gurufim me encantou porque apresenta outra forma de olhar para a despedida. A passagem não precisa ser apenas tristeza; ela também pode ser celebração, memória e convivência", acrescenta Dantas. O processo de escrita também foi marcado pela experimentação dramatúrgica. A montagem alterna diferentes tempos narrativos, cruzando a história dos personagens com os acontecimentos que antecedem o lançamento de um empreendimento, em uma estrutura que se constrói como um quebra-cabeça cênico e musical. "Fui escrevendo histórias paralelas e encontrando os pontos onde elas se cruzavam. A peça nasceu dessa mistura de tempos, dessa vontade de interromper uma narrativa para que a outra pudesse iluminá-la", comenta o dramaturgo. Para Alexandre, a experiência foi ainda mais especial por escrever diretamente para os intérpretes Hugo Germano e Sara Hana, artistas com quem mantém uma longa relação profissional e afetiva. "Escrever para artistas que conheço tão bem foi um prazer enorme. Enquanto criava os personagens, eu conseguia ouvir suas vozes e imaginar suas intenções dentro de cada cena", celebra Dantas. Além de estar em cena , Alexandre Dantas assina a dramaturgia de É o Fim! LTDA, experiência que ampliou sua relação com a palavra escrita e com a responsabilidade de construir um texto que também serviria de base para seu próprio trabalho como intérprete. O processo fez com que o artista aprofundasse sua atenção à estrutura dramatúrgica, às intenções presentes na escrita e às múltiplas possibilidades de leitura que surgem no encontro entre texto e cena. "Assinar a dramaturgia me fez olhar para o texto com ainda mais responsabilidade. Sempre acreditei que o ator não deve ser escravo das palavras, mas, para transformá-las, é preciso primeiro compreendê-las profundamente. Quando o texto é seu, essa responsabilidade se torna ainda maior”, finaliza Alexandre Dantas. O diretor André Paes Leme destaca a importância de integrar mais uma produção da CiaFaláCia, ressaltando a parceria construída ao longo dos anos com os idealizadores do projeto, Alexandre Dantas e Claudia Ventura. Segundo ele, a experiência de trabalhar ao lado da dupla representa não apenas um encontro profissional, mas também uma oportunidade constante de aprendizado. “Trabalhar com dois profissionais de altíssimo nível, que sabem combinar afeto, dedicação, profissionalismo, firmeza e gentileza é gratificante. Alexandre Dantas e Claudia Ventura são parceiros de vida e de uma trajetória profissional muito intensa. São muitos trabalhos juntos e, a cada novo projeto, sinto que aprendo um pouco mais. Sou muito grato pelo convite para integrar este espetáculo e espero que muitos outros venham pela frente”, afirma. O artista também ressalta o ambiente colaborativo encontrado na montagem de É o Fim! LTDA, destacando o comprometimento de toda a equipe envolvida na criação do espetáculo. Para ele, o engajamento coletivo contribui diretamente para a qualidade da obra e para a experiência que será oferecida ao público. “É uma oportunidade de trabalhar com uma equipe muito generosa e dedicada, todos os profissionais envolvidos demonstram um grande comprometimento com o trabalho. Isso faz toda a diferença no processo de criação”, disse. Além da equipe, o diretor chama atenção para a proposta artística da montagem, que aposta em uma comédia com forte apelo popular e uma relação próxima com a plateia. “É uma comédia diferente, com uma comunicação muito fluida com o público e que envolve diretamente a plateia. Tenho certeza de que as pessoas vão se emocionar em alguns momentos, mas, acima de tudo, vão se divertir muito. É um espetáculo que certamente vai surpreender”, conclui. A atriz, roteirista e diretora Claudia Ventura destaca a importância do humor em sua trajetória artística e pessoal, ressaltando que a linguagem cômica sempre esteve presente em sua vida como ferramenta de compreensão do mundo e de construção da própria identidade. Ao longo da carreira, ela ampliou sua atuação para além dos palcos, desenvolvendo trabalhos como redatora e roteirista. Segundo ela, a experiência acumulada ao longo de quase quatro décadas de atuação tem sido fundamental em seu trabalho de direção, principalmente na condução dos atores. “O humor tem uma relação temporal muito próxima da música, do andamento. O que eu empresto dessa minha experiência como atriz é uma escuta, um ouvido treinado para esse tempo”, afirmou. Claudia também destacou a parceria com o diretor André Paes Leme, a quem definiu como uma referência na comédia física e na construção cênica. “Tenho aprendido muito nessa parceria com o André. Enquanto ele atua na criação e na solução da dramaturgia cênica, eu fico nesse trabalho mais minucioso, de refinamento da atuação”, explica a diretora assistente. Ela também relembrou a trajetória da CiaFaláCia, com foco na pesquisa da linguagem narrativa e no trabalho do ator com a palavra. A aproximação mais intensa com a comédia ocorreu em 2010 no espetáculo Amor Confesso, dirigido por Inez Viana. “Ela pegou nosso princípio de pesquisa e deu uma sacudida na gente. Passamos a lidar com o texto de uma forma mais despudorada, explorando o exagero, a caricatura e a distorção cômica”, recorda. Após experiências que incluíram uma comédia física inspirada no universo da Bossa Nova e diversos espetáculos com forte diálogo com o drama e a tragédia, a companhia retorna agora ao humor como eixo central de sua pesquisa artística. Para a diretora, o novo espetáculo representa uma reconexão com as origens do grupo. “Tenho a sensação de que estamos fazendo um caminho de volta, retomando essa raiz da linguagem do humor que estudamos há tanto tempo. É um reencontro com uma vocação que sempre esteve presente na história da companhia”, conclui. A direção musical e a trilha sonora original do espetáculo É o Fim! LTDA são assinadas por Alfredo Del-Penho, que compôs especialmente para a montagem doze canções inéditas. As músicas foram criadas para dialogar diretamente com a narrativa da peça, ampliando a potência dramática das cenas e contribuindo para a construção da atmosfera poética e bem-humorada que marca o espetáculo. "É o fim! LTDA'"- Foto: Daniel Barboza Sinopse: Como seria o seu velório se você pudesse experimentá-lo antes da “derradeira hora”? Três personagens têm a ideia de fazer uma empresa que prepara velórios personalizados – a “É O FIM! LTDA”. Na plateia selecionam pessoas para serem as primeiras a conhecer o empreendimento e fazer o “TESTE DRIVE GURUFIM!”, mas o final dessa história pode ser surpreendente! Ficha Técnica Direção: André Paes Leme Diretora assistente: Claudia Ventura Direção musical e músicas originais: Alfredo Del-Penho Elenco: Sara Hana, Hugo Germano e Alexandre Dantas Iluminação: Renato Machado e Diego Diener Cenário: Teresa Abreu Figurino: Marah Silva Produção executiva: Christina Carvalho e Natália Dias Dramaturgia: Alexandre Dantas Coordenação de comunicação e fotografia: Daniel Barboza | incerta Mídia sociais e produção de conteúdo: Fabiana Bugard Design gráfico: Allan Brandão Assessoria de imprensa: Alessandra Costa Idealização e realização: CiaFaláCia Sobre a CiaFaláCia A CiaFaláCia foi criada em 2008 por Alexandre Dantas e Claudia Ventura para investigar a Linguagem Narrativa utilizando-se de obras de importantes autores da literatura em língua portuguesa, como Machado de Assis, Arthur Azevedo, Rubem Fonseca, João de Mancelos e Ronaldo Correia de Brito. Ao longo de sua trajetória, a dupla também expandiu sua pesquisa para outras linguagens, incluindo adaptações de clássicos e o teatro musical. A montagem marca um novo momento para a companhia ao apresentar seu primeiro texto autoral. Para a direção, a CiaFaláCia convidou André Paes Leme, parceiro artístico de longa data. O espetáculo celebra ainda os 36 anos de parceria entre Claudia Ventura e Alexandre Dantas e os 18 anos de atuação da companhia, reunindo humor, música e forte identidade brasileira. Serviços: Espetáculo “É O FIM! LTDA” Data: entre os dias 23 de julho a 16 de agosto de 2026 Dias da semana: de quinta a domingo Horário: de quinta a sábado às 19h e domingo às 18h Local: Teatro II do Sesc Tijuca Ingressos: GRÁTIS (PCG), R$21 (habilitado Sesc), R$15 (meia-entrada), R$27 (conveniado), R$30 (inteira) Endereço: Rua Barão de Mesquita, 539, Rio de Janeiro - RJ Vendas online através do site da Ingresso.com Vendas na bilheteria - Horário de funcionamento: Terça a sexta - de 8h às 20h Sábados - de 9h às 19h Domingos - de 9h às 18h. Classificação indicativa: 16 anos Duração: 70 minutos Lotação: Sujeito à lotação Gênero: Comédia Musical Alex Varela, Alessandra Santos
- José Gabriel Almeida: o psicanalista brasileiro que transforma a escuta em uma ponte entre saúde mental, inclusão e diversidade.
Em uma época em que a saúde mental ocupa um lugar de destaque nas discussões globais sobre qualidade de vida, diversidade e direitos humanos, o psicanalista brasileiro José Gabriel Almeida vem se destacando por desenvolver uma atuação clínica voltada ao acolhimento de homens e da população LGBTQIA+, unindo escuta humanizada, compromisso social e acessibilidade. Foto: Rodrigo Marconatto (@marconatto) Pedagogo e professor, José Gabriel encontrou na psicanálise uma oportunidade de compreender sua própria história após enfrentar desafios relacionados à depressão e à ansiedade. Essa vivência despertou a missão de oferecer a outras pessoas o mesmo espaço de acolhimento e reflexão que foi fundamental em sua trajetória. Hoje, sua prática clínica é direcionada especialmente a homens e pessoas LGBTQIA+, públicos que ainda convivem com barreiras culturais para falar sobre emoções, vulnerabilidades e sofrimento psíquico. Além de seu consultório, José Gabriel integra a equipe do Instituto da Mente Ricardo Mello, em Campinas (SP), onde participa de um projeto que amplia o acesso à saúde mental por meio de atendimentos com valores sociais. A iniciativa busca tornar o cuidado emocional mais acessível, permitindo que pessoas de diferentes realidades econômicas possam iniciar e manter um acompanhamento terapêutico com qualidade, ética e respeito. Outro diferencial de sua atuação são os atendimentos on-line, que conectam pacientes em diversas regiões do Brasil e também brasileiros residentes no exterior. A modalidade amplia o alcance da clínica, elimina barreiras geográficas e reforça a ideia de que o cuidado emocional pode chegar a qualquer lugar do mundo, tornando a psicanálise mais próxima de quem precisa de um espaço seguro de escuta. Foto: Rodrigo Marconatto (@marconatto) Além da prática clínica, José Gabriel utiliza as plataformas digitais como uma extensão de seu compromisso com a promoção da saúde mental. Por meio do perfil profissional @jgalmeida.psi, compartilha reflexões sobre psicanálise, masculinidades, diversidade, relações afetivas e desenvolvimento emocional, traduzindo conceitos da clínica para uma linguagem acessível. Seu objetivo é ampliar o diálogo sobre saúde mental, incentivar o autoconhecimento e contribuir para reduzir o estigma que ainda envolve a busca por acompanhamento psicológico. Ao reunir experiência de vida, formação acadêmica e compromisso social, José Gabriel Almeida representa uma nova geração de profissionais brasileiros que compreendem a saúde mental como um direito fundamental. Sua atuação ultrapassa os limites do consultório, promovendo inclusão, pertencimento e desenvolvimento humano por meio de uma escuta ética, acolhedora e transformadora. Em um mundo cada vez mais conectado, seu trabalho reafirma que cuidar da saúde emocional também é construir sociedades mais empáticas, conscientes e humanas. Adilson Henrique, José Gabriel Almeida.
- Canadá: Autarca de Barcelos reforça laços com a diáspora lusa durante visita oficial a Ottawa
Visita a Ottawa incluiu encontros com representantes da comunidade luso-canadense e iniciativas voltadas ao fortalecimento das relações culturais e institucionais. Foto: divulgação - Câmara Municipal de Barcelos O presidente da Câmara Municipal de Barcelos, Mário Constantino Lopes, visitou Ottawa, no Canadá, entre os dias 3 e 6 de julho, acompanhado pelo vereador Carlos Eduardo Reis, no âmbito das comemorações do 70.º aniversário da Associação Portuguesa do Canadá e da presença, na capital canadiana, da exposição itinerante "Expressões de Barcelos - Arte e Criatividade", dedicada à promoção do figurado barcelense junto da comunidade luso-canadiana e do público local. Durante a deslocação, os dois autarcas participaram em diversos momentos de contacto com a comunidade portuguesa residente em Ottawa, reforçando os laços entre Barcelos e a diáspora portuguesa nesse país da América do Norte, numa visita que evidenciou ainda a importância da cultura como instrumento de aproximação entre os territórios e as comunidades emigrantes. A visita incluiu uma passagem pela exposição "Expressões de Barcelos - Arte e Criatividade", onde também marcaram presença o embaixador de Portugal no Canadá, Bernardo Lucerna, e o embaixador de Espanha, Alfredo Martínez Serrano. A mostra encontra-se atualmente em Ottawa, depois de ter passado por Toronto, prosseguindo uma digressão iniciada em outubro do ano passado. O projeto pretende divulgar o figurado tradicional e o artesanato de Barcelos em várias cidades canadianas, “promovendo o contacto direto entre os artesãos, as comunidades portuguesas e o público em geral”. Paralelamente à exposição, têm sido dinamizados workshops, ações de pintura e atividades de modelagem em barro, envolvendo escolas e participantes de diferentes idades em experiências ligadas às tradições artesanais barcelenses. A iniciativa é promovida pela Associação Migrante de Barcelos, contando com o apoio da Câmara Municipal de Barcelos, da Câmara de Toronto, da Associação Comercial do Little Portugal de Toronto, da Aliança dos Clubes e Associações Portuguesas do Ontário (ACAPO) e do Conselho da Diáspora Portuguesa, numa parceria que procura “valorizar o património cultural de Barcelos e fortalecer os vínculos entre Portugal e as comunidades portuguesas estabelecidas no Canadá” Ígor Lopes
- De Apolo a Dionísio: uma tarde no Solar das Palmeiras
Há lugares que não se limitam a receber convidados; eles parecem suspender o tempo e convidar seus visitantes a atravessar diferentes épocas da história. O Solar das Palmeiras Rio, foi um desses lugares. Foto: Luciano Santos Na tradição da Grécia Antiga, a polis constituía muito mais do que um espaço urbano, era o centro da vida política, filosófica, econômica e cultural, onde o debate, a arte e os ritos conviviam em permanente diálogo. Não por acaso, duas das mais emblemáticas divindades do panteão grego sintetizam forças aparentemente opostas, mas profundamente complementares, Apolo e Dionísio. Filhos do mesmo pai, Zeus, foram criados em universos distintos e passaram a representar diferentes maneiras de experimentar a existência. Apolo é a medida, a razão, a beleza serena, a harmonia traduzida pelo som delicado da harpa. Dionísio, por sua vez, manifesta o êxtase, o vinho, o ritmo, a celebração da vida que explode em música, dança e encontros, é justamente nesse aparente paradoxo que a tarde vivida no Solar das Palmeiras encontrou sua mais bela tradução. Logo na chegada, os convidados eram recebidos pelas notas elegantes de um saxofone interpretando clássicos de Frank Sinatra. O ambiente, ornamentado por esculturas, porcelanas e uma arquitetura que evocava a grandiosidade das antigas civilizações mediterrâneas, remetia imediatamente ao universo apolíneo, equilíbrio, contemplação e sofisticação. Foto: Luciano Santos Mas havia algo mais, quase imperceptível no início, como se aguardasse o momento exato para se revelar, o banquete cuidadosamente preparado, os vinhos compartilhados entre amigos, a presença de elegantes felinos circulando pelo jardim e a atmosfera de descontração anunciavam que Dionísio também havia sido convidado para a celebração. À medida que a tarde avançava, a transformação acontecia naturalmente. O saxofone cedia espaço ao DJ instalado à beira da piscina, e a serenidade inicial dava lugar ao ritmo contagiante que conduziu os presentes à pista de dança. Sem rupturas, apenas uma transição quase ritualística, como se a própria casa revelasse suas diferentes faces ao longo das horas. Sob a condução elegante e generosa do anfitrião, a celebração alcançou um de seus momentos mais simbólicos, a homenagem aos aniversariantes presentes, incluindo o próprio anfitrião, transformando a confraternização em um verdadeiro rito de amizade e pertencimento. Entretanto, talvez o aspecto mais interessante do encontro não estivesse apenas na música ou na estética, mas naquilo que tradicionalmente distingue as grandes reuniões desde a Antiguidade, a conversa. Entre taças de vinho e sorrisos, surgiram reflexões sobre economia, cultura, cidade e seus desafios contemporâneos. E, como não poderia deixar de ser em um debate sobre o Rio de Janeiro, as favelas ocuparam lugar central nas discussões, reafirmando seu papel como território indispensável para compreender o presente e imaginar o futuro da cidade. Fotos: Luciano Santos Talvez o maior encanto daquela tarde tenha sido justamente esse, ninguém parecia perceber exatamente quando Apolo deu lugar a Dionísio ou talvez eles jamais tenham estado separados. Afinal, ordem e celebração, razão e emoção, contemplação e festa sempre caminharam lado a lado na construção das grandes civilizações. Ao final, restou a sensação de que alguns encontros não terminam quando os convidados vão embora, permanecem vivos na memória, como antigas narrativas que insistem em ser revisitadas e fica a expectativa de que o Solar das Palmeiras continue sendo palco de novas tardes em que filosofia, cultura, política e amizade se encontrem sob o mesmo teto, renovando, a cada encontro, o eterno diálogo entre Apolo e Dionísio. Fotos: Luciano Santos Gê Coelho









