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  • Terceira edição gratuita do Cinemanouche, com curadoria de Flora Camolese, traz o filme "O Grande Circo Místico", de Cacá Diegues

    Jesuíta Barbosa em cena do filme "O Grande Circo Místico" – foto Divulgação Jesuíta Barbosa em cena do filme "O Grande Circo Místico" – foto Divulgação O CineManouche já é um sucesso, com suas duas primeiras edições lotadas e um público atento e interessado. E promete assim continuar nesta terceira sessão com o filme “O Grande Circo Místico”, de Cacá Diegues, no dia 22 de outubro, quinta, seguido de debate com a produtora, viúva do diretor e primeira mulher a presidir a Academia Brasileira de Cinema Renata Magalhães, o diretor de fotografia Gustavo Hadba e a atriz Marina Provenzanno. Esta data é excepcional por conta do Festival de Cinema do RJ no início do mês, quando também acontecem as sessões do CineManouche. A aposta na experiência coletiva de assistir a um filme do CineManouche, que estreou no mês de agosto no Manouche, com sessões mensais gratuitas na primeira quinta-feira de cada mês, veio com força pra fortalecer os cineclubes no Rio de Janeiro nessa era de streaming. Idealizado pela atriz e produtora Flora Camolese, o projeto já apresentou o filme “Sem Coração”, dirigido por Nara Normande e Tião em agosto e em setembro o “Malu”, com roteiro e direção de Pedro Freire – ambos com um bate-papo após a sessão com o diretor(a) e outros envolvidos com a obra. Agora é a vez do moderno musical brasileiro “O Grande Circo Místico”, de 2018, de Cacá Diegues, filme baseado no poema homônimo do alagoano Jorge de Lima, que originou as músicas escritas por Edu Lobo e Chico Buarque para um balé, incluindo canções belíssimas como “Beatriz” e “Ciranda da Bailarina”. Filmado em um circo em Portugal, conta a história de 5 gerações de uma mesma família circense desde a sua inauguração em 1910 aos dias de hoje. Através de Celavi (Jesuíta Barbosa), o mestre de cerimônias do Grande Circo Knieps que nunca envelhece, acompanhamos as aventuras e amores dos Knieps, do apogeu à decadência, até o surpreendente final onde a realidade e a fantasia se encontram num universo místico. Candidato brasileiro ao Oscar em 2019, com roteiro de Carlos Diegues e George Moura e produção de Renata de Almeida Magalhães, viúva do diretor Cacá Diegues, o filme teve também no elenco, além de Jesuíta Barbosa já citado, Mariana Ximenes, Antonio Fagundes, Bruna Linzmeyer, Juliano Cazarré, o polonês David Ogrodnick, a francesa Catherine Mochet, participação especial de Vincent Cassel e, ainda, de Luiza Mariani, Rafael Lozano, Marcos Frota, Flora Diegues, Amanda e Louise Britto. Ganhador de prêmios nos festivais de Gramado e de Cannes em seu ano de lançamento, destaca-se a fotografia inovadora de Gustavo Hadba, maquiagem espetacular de Emmanuele Fèvre, assim como os figurinos expressivos de Kiko Lopes e o som de Christhophe Penchenat. A exibição de mais este filme vem reforçar a proposta do CineManouche: criar um espaço permanente dedicado ao cinema como experiência compartilhada e transformar a ida ao cinema em uma experiência coletiva de troca entre espectadores, artistas e realizadores. Em cada edição, o público assiste a um filme cuidadosamente selecionado e, em seguida, participa de um debate com convidados ligados à obra ou ao universo audiovisual, entre diretores, roteiristas, atores, montadores, críticos e outros profissionais do cinema. Assim, o CineManouche se soma a uma nova geração de iniciativas culturais que enxergam a experiência coletiva como parte essencial da formação de espectadores. Reúne cinema, conversa e convivência em um mesmo espaço num projeto que cria uma programação contínua voltada tanto para cinéfilos quanto para quem deseja ampliar seu contato com o audiovisual. A curadoria privilegia obras brasileiras de grande relevância artística, reunindo desde clássicos até produções contemporâneas premiadas em importantes festivais. Em parceria com distribuidoras e produtoras, o CineManouche também promove sessões especiais de filmes recentes, muitas vezes ainda em circulação, ampliando o acesso do público carioca a obras que movimentam o debate cinematográfico. Sinopse “O Grande Circo Místico” Um circo, uma família, um século e muitas histórias. O filme conta a história de 5 gerações de uma mesma família circense que fundaram um circo que foi passando de geração para geração. Da inauguração do Grande Circo Místico em 1910 aos dias de hoje, acompanharemos, através de Celavi (Jesuíta Barbosa), o mestre de cerimônias que nunca envelhece e único personagem que permanece por todo o filme, as aventuras e os amores dos Knieps, do apogeu à decadência, até o surpreendente final, num filme em que realidade e fantasia se encontram em um universo místico. Em meio ao universo de uma tradicional família austríaca, que é dona do Grande Circo Knieps, nasceu um improvável romance entre um aristocrata e uma acrobata. Este é o retrato dos 100 anos de existência do Grande Circo e das cinco gerações do clã à frente do espetáculo e suas histórias fantásticas. De forma suave e no tom certo, com doses de sensualidade, “O Grande Circo Mís­tico” vai mostrando uma gama variada de personagens. Começa com o apaixonado Fred (Rafael Lozano), que monta o circo por conta de sua paixão pela artista Beatriz (Bruna Linzmeyer), passando pelo frio Jean Paul (Vincent Cassel), o conservador Oto (Juliano Cazarré) e a forte Margarete (Mariana Ximenes), responsável por algumas das cenas mais fortes. SERVIÇO: Filme: CineManouche apresenta o filme “O Grande Circo Místico”, de Cacá Diegues Data: dia 22 de outubro, quinta Local: Manouche (Rua Jardim Botânico, 983, - subsolo da Casa Camolese/Jd. Botânico) Horários: •⁠ ⁠19h – Abertura do espaço •⁠ ⁠19h30 – Exibição de “O Grande Circo Místico” (1h45) •⁠ ⁠21h – Conversa pós-filme (45min/1h) Sessões mensais gratuitas Mary Debs

  • 1ª Mostra dos Jardins do Vale do Café e do Vale das Videiras abre espaços à visitação no Rio de Janeiro

    Jardins históricos e espaços privados do Vale do Café e do Vale das Videiras abrem as portas ao público em mostra que valoriza a natureza, o patrimônio cultural e os saberes de mulheres que preservam esses ambientes. Divulgação Rio De 31 de outubro a 21 de novembro de 2026, jardins do Vale do Café e do Vale das Videiras, no estado do Rio de Janeiro, estarão abertos ao público para a realização da 1ª Mostra dos Jardins do Vale do Café e do Vale das Videiras. Cuidados e administrados por mulheres, os espaços revelam histórias, experiências e conhecimentos construídos ao longo dos anos, valorizando a cultura dos jardins e a relação entre patrimônio, natureza e turismo. Idealizada pelo Instituto Uana Etê para Artes e Meio Ambiente, a iniciativa aproxima os dois vales de uma tradição consolidada em países europeus: a abertura de jardins particulares à visitação, com eventos dedicados à arte, à natureza e à cultura do paisagismo. A mostra reúne jardins de diferentes características, incluindo espaços históricos, culturais e voltados à preservação ambiental. Participam a Casa Ecotudo e o Viveiro Muda Tudo, a Fazenda das Palmas, o Uaná Etê Jardins Culturais, a Fazenda Cachoeira Grande, a Fazenda Floresta, o Vale Zirá, com a Flor Gourmet, a Fazenda São Pedro da Jurea, o Sítio Santa Maria, a Casa de Campo Orleans e Bragança e a Fazenda Velha de Santa Rita. A programação inclui aulas, conversas realizadas nas casas e nos jardins e visitas dedicadas ao conhecimento das espécies vegetais. Os encontros abordarão temas como aproveitamento de recursos, memória afetiva, manejo dos jardins, soluções criativas e saberes acumulados por quem cultiva e preserva esses ambientes. Outro destaque será a abertura excepcional de jardins privados, proporcionando ao público a oportunidade de conhecer espaços normalmente restritos. A experiência será acompanhada por amuse-bouches, pequenas preparações gastronômicas servidas como aperitivos, e refrescos de flores, integrando sabores, paisagens e ambientes ligados à natureza. Ao compartilhar práticas de cultivo e abrir espaços particulares à visitação, a mostra amplia o acesso a paisagens, histórias e conhecimentos que fazem parte da identidade cultural dos vales. Entre espécies, técnicas de manejo, memórias e sabores, os visitantes poderão descobrir a diversidade ambiental e cultural de cada jardim e vivenciar uma experiência turística diferenciada. Com a valorização do trabalho das mulheres na conservação e na administração desses espaços, a iniciativa também destaca a importância dos saberes transmitidos ao longo das gerações e da preservação de ambientes que conectam natureza, cultura e história. Serviço: 1ª Mostra dos Jardins do Vale do Café e do Vale das Videiras Data: de 31 de outubro a 21 de novembro de 2026. Valor: ingressos a partir de R$ 180 por pessoa. Programação, horários e inscrições: informações e reservas disponíveis pela plataforma Sympla clicando aqui Monica Alvarenga - Divulgação Rio

  • Brasileira Eliane Alves transforma experiências de superação em literatura e apresenta novos projetos na Suíça

    Eliane da Silva Alves, brasileira de 49 anos e residente na Suíça há 15 anos, esteve em Lausanne entre 25 e 27 de setembro para participar no “Conexão Global Suíça”. Cozinheira de formação e com experiência como aide en cuisine e responsável por equipas de limpeza, Eliane levou ao encontro uma nova dimensão do seu percurso: a de autora, escritora, palestrante e mentora, apresentando ao público uma trajetória construída entre trabalho, imigração, escrita e desenvolvimento pessoal. Eliane da Silva Alves, escritora. Foto: Agência Incomparáveis Foi em 2025 que publicou o primeiro livro, “Superação”, lançado em maio pela Editora Legado, de Salvador, obra autobiográfica que marcou a entrada da autora no universo literário. Em Lausanne, Eliane apresentou também “Vida com Abundância” e partilhou reflexões sobre recomeço, identidade, fé, propósito e valorização da vida, num evento que reuniu escritores, terapeutas, empresários e profissionais de diferentes áreas. Em entrevista à Agência Incomparáveis, Eliane sublinhou a sua presença na Suíça e reforçou o objetivo de levar os livros, as palestras e o movimento “O Renascer do Lótus com Propósito” a novos públicos e contextos internacionais. Eliane, como começou o seu percurso pessoal e profissional até chegar à escrita? Que experiências da sua vida foram determinantes para assumir a literatura como uma forma de partilha, reflexão e transformação? O meu percurso até chegar à escrita não começou no mundo literário. Na verdade, durante muitos anos, nunca imaginei que um dia me tornaria escritora. A minha trajetória começou muito cedo, marcada pela necessidade de lutar e trabalhar. Venho de uma família muito simples e conheci de perto a pobreza e as dificuldades. Por isso, aprendi desde cedo a procurar caminhos para mudar a minha realidade. Ao longo da minha vida profissional, trabalhei em diferentes áreas. Fui cozinheira, trabalhei na área da limpeza, inclusive em clínicas, cheguei a ser responsável por uma equipa e também tive experiências como empreendedora. Cada trabalho teve importância na construção da mulher que sou hoje, porque me ensinou responsabilidade, disciplina, coragem e, principalmente, a não desistir perante as dificuldades. Um dos momentos mais importantes da minha trajetória foi a decisão de sair do Brasil e vir para a Suíça. Deixar o meu país e, principalmente, ficar longe das minhas filhas foi uma decisão muito difícil. Vim à procura de trabalho e de melhores condições de vida, mas a imigração também me trouxe desafios, aprendizagens e uma grande transformação pessoal. A escrita surgiu muito mais tarde, quando comecei a perceber que havia uma história dentro de mim que precisava de ser contada. Durante muitos anos, tinha aprendido a trabalhar, a lutar e a sobreviver, mas ainda não tinha aprendido a colocar em palavras tudo aquilo que carregava. Quando comecei a escrever “Superação”, algo mudou. Percebi que a escrita não era apenas uma forma de registar a minha história. Estava também a ajudar-me a compreender a minha própria trajetória e a dar voz a experiências que permaneceram em silêncio durante muitos anos. Foi assim que nasceu a escritora. Não foi algo que planeei desde a infância. A escrita encontrou-me no momento em que eu estava preparada para transformar a minha história numa mensagem. Depois de “Superação”, compreendi que aquilo que vivi poderia ir além de mim. A escrita abriu caminho para uma nova etapa da minha vida, que hoje passa também pelas palestras e pela mentoria. As experiências mais determinantes foram precisamente aquelas que, durante muitos anos, tive dificuldade em compreender e expressar. A infância marcada pela pobreza, pela violência e pelo abuso, os desafios da vida adulta, a distância das minhas filhas quando vim para a Suíça, a imigração, os períodos de medo, depressão e crises de pânico fizeram com que acumulasse muitas perguntas e sentimentos ao longo da vida. Acredito que o ponto decisivo aconteceu quando percebi que já não queria apenas sobreviver à minha história. Precisava de compreendê-la, resinificá-la e descobrir quem poderia tornar-me depois de tudo o que tinha vivido. Foi nesse processo que a escrita ganhou um significado muito maior para mim. Quando comecei a escrever “Superação”, percebi que colocar as minhas experiências no papel permitia-me olhar para o passado de outra forma. Já não escrevia apenas sobre a dor. Refletia sobre aquilo que a dor me tinha ensinado, sobre as escolhas que fiz, sobre a minha fé e sobre a possibilidade de reconstrução. A partir daí, compreendi que a literatura poderia ser uma ponte entre a minha história e a história de outras pessoas. Aquilo que durante tantos anos foi silêncio passou a ser voz. E aquilo que um dia foi uma ferida pessoal começou a transformar-se numa mensagem capaz de gerar identificação, reflexão e esperança. Foi isso que me levou a assumir a literatura como parte da minha missão. Hoje, não escrevo apenas para contar o que vivi. Escrevo para transformar experiência em reflexão, dor em aprendizagem e palavras em possibilidades de recomeço. Quando um leitor se reconhece em alguma parte da minha história e percebe que também pode mudar a direção da própria vida, é nesse momento que a literatura, para mim, cumpre o seu verdadeiro papel de transformação. Eliane da Silva Alves, escritora. Foto: Agência Incomparáveis Um dos seus livros tem como título “Superação”. Que história está por detrás desta obra, que episódios ou desafios pessoais estiveram na origem do livro e qual é a principal mensagem que pretende transmitir aos leitores? “Superação” nasceu da minha própria história. É uma obra autobiográfica e, para compreender a origem deste livro, é preciso voltar à minha infância. Cresci numa realidade de muita pobreza, fome, medo e violência dentro de casa. O meu pai era alcoólico e presenciei muitas situações de violência contra a minha mãe. Ainda criança, vivi também uma das experiências mais dolorosas da minha história: fui vítima de abuso sexual cometido pelo meu próprio pai. Foram acontecimentos que deixaram marcas profundas e que, durante muitos anos, carreguei em silêncio. Na vida adulta, outros desafios se juntaram à minha história. Vivi uma relação marcada pela violência, enfrentei grandes dificuldades emocionais e precisei de tomar decisões muito dolorosas. Uma delas foi deixar as minhas filhas no Brasil e vir para a Suíça à procura de trabalho e de uma oportunidade de construir uma vida melhor para elas. A distância, a saudade e a responsabilidade de continuar, mesmo quando emocionalmente estava fragilizada, também fizeram parte desse processo. Durante muitos anos, fui uma mulher que, por fora, continuava a caminhar, a trabalhar e a lutar, mas, por dentro, ainda carregava muitas feridas. Cheguei a enfrentar períodos de depressão, medo e crises de pânico. Houve momentos em que simplesmente sobrevivia. Foi depois de tantos anos a guardar a minha história que nasceu a necessidade de escrever. Quando comecei a colocar no papel aquilo que tinha vivido, percebi que não estava apenas a escrever um livro. Estava finalmente a dar voz à menina e à mulher que permaneceram caladas durante tanto tempo. Por isso, “Superação” não nasceu de uma história que alguém me contou. Nasceu da história que vivi. Cada capítulo carrega uma parte da minha trajetória, desde a menina que conheceu muito cedo a dor e o medo até à mulher que decidiu enfrentar o passado, romper o silêncio e reconstruir a própria vida. Escrever “Superação” foi, para mim, transformar anos de silêncio em palavras e perceber que a minha história não precisava de terminar no lugar onde a dor tinha começado. A principal mensagem que quero transmitir com “Superação” é que a nossa história pode explicar muitas das nossas feridas, mas não precisa de determinar o nosso destino. Durante muitos anos, pensei que superar significava simplesmente continuar a viver apesar de tudo o que me tinha acontecido. Hoje compreendo que “Superação” é muito mais do que sobreviver. É ter coragem para olhar para a própria história, romper o silêncio, enfrentar os medos, procurar a cura e permitir-se recomeçar. Quero que cada pessoa que leia o meu livro compreenda que, por mais difícil que tenha sido o seu passado, ainda é possível escrever um novo capítulo. Não podemos mudar aquilo que aconteceu, mas podemos decidir o que faremos a partir daquilo que vivemos. Também quero mostrar que pedir ajuda não é sinal de fraqueza. Muitas vezes, passamos anos a tentar ser fortes sozinhos, quando o verdadeiro ato de coragem é reconhecer que precisamos de apoio para nos levantarmos. A minha fé em Deus ocupa igualmente um lugar fundamental nesta mensagem. Foi através da fé, das decisões que tomei e do processo de reconstrução da minha vida que comecei a compreender que as minhas feridas não precisavam de ser o fim da minha história. Por isso, quando alguém termina de ler “Superação”, gostaria que levasse consigo uma certeza: a dor pode fazer parte da sua história, mas não precisa de ter a palavra final. É possível levantar-se, reencontrar a própria voz e transformar aquilo que um dia nos feriu em força para construir uma nova história. Se a minha trajetória conseguir despertar esperança numa única pessoa e fazê-la acreditar novamente que também pode recomeçar, então “Superação” já cumpriu o seu propósito. Em “Superação”, trabalha a ideia de que o passado não precisa de determinar aquilo que uma pessoa será no presente ou no futuro. Como foi transformar experiências pessoais, dificuldades e aprendizagens em literatura e o que espera provocar em quem se reconhece nessas páginas? Sim. Em “Superação”, uma das ideias centrais é precisamente mostrar que o passado faz parte da nossa história, mas não precisa de determinar quem somos no presente nem quem nos tornaremos no futuro. Não posso mudar aquilo que vivi. Não posso apagar a pobreza, a violência, os abusos, os medos ou as perdas que fizeram parte da minha trajetória. Durante muito tempo, essas experiências influenciaram a forma como me via e como me posicionava perante a vida. Mas chegou um momento em que compreendi que, embora não pudesse mudar o meu passado, podia decidir o que faria com ele. Para mim, superar não significa esquecer ou fingir que nada aconteceu. Significa reconhecer a própria história sem permitir que ela continue a comandar a nossa vida. Foi quando comecei a olhar para o meu passado dessa maneira que percebi que não precisava de continuar a viver como vítima daquilo que me aconteceu. Poderia transformar as minhas experiências em aprendizagem, encontrar novamente a minha voz e construir uma nova história. Hoje, quando olho para a mulher em que me tornei, compreendo que sou muito mais do que aquilo que me aconteceu. O meu passado explica algumas das minhas cicatrizes, mas não define a minha identidade, o meu valor nem o meu destino. Essa é uma das mensagens que desejo deixar através de “Superação”: não escolhemos muitas das coisas que nos aconteceram, mas podemos escolher não lhes entregar o poder de decidir quem seremos daqui para a frente. Transformar as minhas experiências pessoais em literatura foi um processo muito profundo. Escrever significou regressar a lugares da minha história que, durante muitos anos, preferi manter em silêncio. Houve momentos em que precisei de parar, respirar, chorar e continuar, porque cada lembrança trazia consigo sentimentos que fizeram parte da minha vida. Ao mesmo tempo, a escrita permitiu-me olhar para essas experiências com uma nova consciência. Não queria simplesmente relatar as dificuldades que enfrentei. Queria compreender o que me ensinaram e mostrar que existe uma pessoa para além daquilo que lhe aconteceu. Quando coloquei a minha história no papel, percebi que estava a transformar silêncio em voz. As experiências continuavam a fazer parte do meu passado, mas já não ocupavam o mesmo lugar dentro de mim. Passei a vê-las não apenas pela dor que causaram, mas também pela mulher em que me fui tornando ao longo do caminho. Por isso, espero que quem se reconheça nas páginas de “Superação” não encontre apenas a minha história. 2Quero que encontre um espaço para refletir sobre a sua própria vida e, principalmente, para perceber que ainda existem possibilidades. Não quero provocar pena pelo que vivi. Quero provocar coragem, reflexão, esperança e decisão. Quero que alguém que esteja preso ao medo, ao silêncio ou às feridas do passado possa terminar uma página e pensar: “A minha história ainda não terminou. Eu também posso recomeçar”. Se a minha experiência puder ajudar uma pessoa a encontrar a própria voz, procurar ajuda, reconhecer o seu valor ou dar o primeiro passo em direção a uma nova vida, então transformar a minha história em literatura terá valido a pena. Porque, para mim, escrever “Superação” foi exatamente isso: transformar aquilo que um dia me silenciou numa voz capaz de alcançar outras pessoas. O seu segundo livro, “Vida com Abundância”, apresenta uma proposta distinta, embora ligada ao desenvolvimento pessoal. Sobre o que fala esta obra, como surgiu o projeto e que significado atribui ao conceito de abundância para além da dimensão material? “Vida com Abundância” nasceu como uma continuação natural da transformação que começou em “Superação”. Se no primeiro livro conto a história de uma mulher que precisou de enfrentar o passado, romper o silêncio e aprender a levantar-se, em “Vida com Abundância” surge uma nova pergunta: depois de superar, como aprender verdadeiramente a viver? Foi dessa reflexão que nasceu o projeto. Compreendi que superar a dor era fundamental, mas não era o ponto final. Depois de vencer tantas batalhas, precisava de descobrir como viver de forma plena, equilibrada e com propósito. Por isso, “Vida com Abundância” trabalha cinco áreas que considero fundamentais na construção de uma vida plena: a vida espiritual, emocional, física, os relacionamentos e o propósito. O livro convida o leitor a olhar para cada uma dessas áreas e perceber onde existe equilíbrio, onde é necessário cuidar, restaurar ou tomar novas decisões. Quando falo de abundância, não estou a falar simplesmente de dinheiro, bens ou sucesso profissional. Para mim, uma pessoa pode possuir muitas coisas materialmente e, ainda assim, sentir um enorme vazio interior. Abundância é plenitude. É ter paz dentro de si. É cuidar das emoções e do corpo, construir relações saudáveis, fortalecer a vida espiritual, reconhecer o próprio valor e compreender que a nossa existência possui um propósito. A minha fé em Deus está profundamente ligada a esse conceito. Para mim, viver com abundância é também compreender que fomos chamados não apenas para sobreviver aos nossos dias, mas para viver com sentido, fé, equilíbrio e propósito. Existe uma frase que resume muito bem a relação entre os meus dois livros: “Superação ensinou-me a vencer. Vida com Abundância ensinou-me para que venci”. “Superação” fala sobre sair de um lugar de dor. “Vida com Abundância” fala sobre aquilo que fazemos com a vida depois de decidirmos sair desse lugar. É esse o significado de abundância que desejo transmitir: não ter tudo, mas aprender a viver por inteiro, com Deus, connosco próprios, com as nossas emoções, com o corpo, com as relações e com o propósito que dá sentido à nossa caminhada. Quando coloca lado a lado “Superação” e “Vida com Abundância”, que relação existe entre os dois livros? Podemos dizer que representam diferentes etapas do seu próprio percurso, primeiro o confronto com a dor e a “Superação” e, depois, a construção de uma nova forma de viver? Quando coloco “Superação” e “Vida com Abundância” lado a lado, vejo dois livros diferentes, mas profundamente ligados. Para mim, representam duas etapas de uma mesma jornada. “Superação” é o livro do passado, do enfrentamento e do rompimento. Nele, conto a minha história, as dores que vivi, os desafios que precisei de enfrentar e o processo que me levou a compreender que aquilo que me aconteceu não precisava de determinar o resto da minha vida. É o momento de sair do silêncio, reconhecer as feridas e decidir levantar-se. Já “Vida com Abundância” nasce depois dessa decisão. Representa uma nova etapa: não apenas vencer aquilo que ficou para trás, mas aprender a construir aquilo que está pela frente. Foi quando compreendi que existe uma grande diferença entre sobreviver e viver. Durante muitos anos, sobrevivi. “Superação” representa a decisão de romper com esse lugar. “Vida com Abundância” representa a descoberta de que, depois de superar, também precisava de aprender a viver de forma inteira, espiritualmente, emocionalmente e fisicamente, assim como nas minhas relações e no meu propósito. Por isso, costumo dizer: “Superação ensinou-me a vencer. Vida com Abundância ensinou-me para que venci”. Um livro fala sobre não permitir que o passado determine o futuro. O outro fala sobre aquilo que podemos construir quando assumimos a responsabilidade pelo presente e descobrimos um propósito para o futuro. Se tivesse de resumir os dois numa única trajetória, diria: “Superação” é o levantar; “Vida com Abundância” é o caminhar. Um mostra que é possível sair da dor. O outro mostra que, depois de sair dela, também é possível florescer e viver com propósito. Os dois livros representam diferentes etapas do meu próprio percurso e, de certa forma, mostram a mulher que fui e a mulher que escolhi tornar-me. “Superação” representa o confronto com a minha história. Foi o momento de olhar para as dores que carreguei durante tantos anos, romper o silêncio, enfrentar medos e compreender que o passado fazia parte de mim, mas não precisava de continuar a determinar a minha vida. “Vida com Abundância” nasce noutro momento. Depois de aprender a levantar-me, surgiu uma pergunta muito importante: como quero viver daqui para a frente? Foi então que percebi que superar não era o fim da caminhada. Precisava de construir uma nova forma de viver, cuidando da minha vida espiritual, das minhas emoções, do meu corpo, das minhas relações e, principalmente, compreendendo o meu propósito. Por isso, vejo “Superação” como uma passagem da dor para a cura, do silêncio para a voz e do medo para a coragem. Já “Vida com Abundância” representa a passagem da sobrevivência para uma vida consciente, equilibrada e com propósito. Os dois livros contam, portanto, uma transformação. Primeiro, precisei de compreender que a dor não tinha o direito de escrever o final da minha história. Depois, precisei de compreender que vencer também trazia uma responsabilidade: decidir o que faria com a vida que estava diante de mim. Hoje, compreendo que não venci apenas para continuar a viver. Venci para encontrar a minha voz, descobrir o meu propósito e transformar a minha experiência numa forma de alcançar outras pessoas. No “Conexão Global Suíça”, em Lausanne, apresentou os seus livros e participou como autora, palestrante e mentora. Que temas levou ao público durante a sua intervenção e que aspetos da sua própria história considerou importante partilhar num encontro dedicado à valorização da vida, saúde emocional e desenvolvimento pessoal? No “Conexão Global Suíça”, em Lausanne, a minha intervenção esteve muito ligada à valorização da vida, à saúde emocional, ao desenvolvimento pessoal e, principalmente, à importância de encontrarmos força para recomeçar. Levei ao público temas que fazem parte não apenas dos meus livros, mas também da minha própria trajetória: superação, medo, silêncio, identidade, coragem, posicionamento, fé e propósito. Falei sobre a diferença entre simplesmente sobreviver e tomar a decisão de reconstruir a própria vida. Para mim, era importante não subir ao palco apenas como autora, palestrante ou mentora. Queria estar ali também como mulher, partilhando uma história real. Por isso, falei sobre momentos em que eu própria perdi a minha voz e passei anos a carregar dores em silêncio. Partilhei que enfrentei experiências muito difíceis desde a infância e que, na vida adulta, também atravessei períodos de medo, depressão e crises de pânico. Houve uma época em que estava viva, cumpria as minhas responsabilidades e continuava a trabalhar, mas interiormente percebia que não estava a viver plenamente. Esse foi um dos aspetos que considerei mais importante partilhar naquele encontro: existe uma grande diferença entre estar vivo e sentir-se verdadeiramente vivo. Também falei sobre a importância de pedir ajuda, de não guardar a dor em silêncio e de compreender que procurar apoio não diminui ninguém. Eliane da Silva Alves, escritora. Foto: Agência Incomparáveis Pelo contrário, pode representar o início de uma mudança. A minha própria história mostra que é possível sair de um lugar de dor, reconstruir a identidade, encontrar novamente a própria voz e descobrir um propósito. Foi precisamente essa transformação que deu origem aos meus livros e, posteriormente, ao trabalho que hoje desenvolvo com outras mulheres. A mensagem que procurei deixar naquele encontro foi a de que a nossa vida tem valor, a nossa voz tem valor e pode sempre existir um novo começo. Enquanto existe vida, existe a possibilidade de tomar uma decisão diferente, procurar ajuda, reconstruir caminhos e voltar a sonhar. Não subi àquele palco para mostrar uma mulher que nunca sofreu. Subi para mostrar uma mulher que sofreu, caiu, precisou de ajuda, se levantou e decidiu transformar a própria experiência numa forma de encorajar outras pessoas a escolherem também a vida. Como avalia a experiência de participar neste evento na Suíça, num ambiente que reuniu escritores, terapeutas, empresários e profissionais de diferentes áreas? Participar neste evento na Suíça foi uma experiência muito enriquecedora. Estar num ambiente com escritores, terapeutas, empresários e profissionais de diferentes áreas proporcionou uma troca muito especial de conhecimentos, experiências e histórias. Para mim, foi também uma oportunidade de apresentar os meus livros, partilhar a minha trajetória e perceber como histórias diferentes podem encontrar-se em torno de um mesmo propósito: inspirar, transformar e contribuir para a vida de outras pessoas. Saí desse encontro com novas ligações, aprendizagens e ainda mais certeza da importância de criar espaços onde as pessoas possam partilhar conhecimento, experiências e propósito. Que contactos, testemunhos ou momentos ficaram dessa passagem por Lausanne e que importância têm encontros desta natureza para autores que procuram chegar a novos públicos? Ficaram as ligações, os testemunhos e o carinho das pessoas que se identificaram com a minha história. Mas ficou também um despertar pessoal: percebi que sou capaz de ir mais longe e que preciso de continuar a aprender e a preparar-me. Esse encontro despertou em mim o desejo de aprofundar os meus conhecimentos, especialmente em áreas ligadas ao comportamento humano e à saúde emocional, para acrescentar cada vez mais ao trabalho que desenvolvo com mulheres no movimento “O Renascer do Lótus com Propósito”. Para mim, crescer também significa estudar, evoluir e estar mais preparada para servir. Depois da publicação de “Superação” e “Vida com Abundância”, quais são atualmente as suas principais preocupações enquanto escritora e mentora? Depois de “Superação” e “Vida com Abundância”, a minha principal preocupação é continuar a crescer e a preparar-me para que a minha mensagem tenha cada vez mais responsabilidade e propósito. Como escritora, quero produzir conteúdos que provoquem reflexão e transformação. Como mentora, quero aprofundar os meus conhecimentos sobre desenvolvimento pessoal e saúde emocional para estar mais preparada para acompanhar e orientar mulheres. Hoje, o meu propósito não é apenas contar a minha história, mas usar aquilo que aprendi para contribuir com outras mulheres através de “O Renascer do Lótus com Propósito”, ajudando-as a encontrar a sua voz, fortalecer o seu posicionamento e construir novos caminhos. Está a preparar novos livros, palestras, projetos ou iniciativas internacionais, e que mensagem gostaria de deixar às pessoas que atravessam momentos difíceis e procuram reconstruir a própria trajetória? Os meus projetos estão a crescer comigo. Depois do lançamento de “Superação”, em 24 de maio de 2025, nasceu “Vida com Abundância”, que já apresentei no “Conexão Global Suíça”, em Lausanne, e que ainda será oficialmente lançado. Também recebi com muita gratidão o convite da Raíssa para participar no livro “Conexão Global: O Legado, O Ciclo Acaba em Mim!”. Hoje sou embaixadora da “Conexão Global em Lausanne”, palestrante e estou a preparar-me cada vez mais para atuar como mentora, porque quero desenvolver o meu trabalho com responsabilidade. Quero levar os meus livros, as minhas palestras e o movimento “O Renascer do Lótus com Propósito” mais longe. O meu desejo é que a minha história ultrapasse fronteiras, toque vidas e gere uma transformação que não alcance apenas mulheres, mas também as suas famílias, as suas casas e, consequentemente, a sociedade. Ver este trabalho a ser reconhecido tem sido muito gratificante. Participar no Salão do Livro e receber reconhecimentos por “Superação”, incluindo a homenagem que receberei no dia 17 de outubro no “Força, o Seu Nome é Mulher”, confirma para mim que uma história que nasceu de momentos tão difíceis pode transformar-se numa mensagem de esperança para outras pessoas. Acima de tudo, vejo tudo isto como uma missão que Deus colocou nas minhas mãos. Acredito que Ele transformou a minha história em propósito e que, a cada nova oportunidade, estou a ser preparada para cumprir essa missão: levar uma mensagem de fé, perdão, renascimento e transformação cada vez mais longe. A mensagem que deixo para quem atravessa momentos difíceis é: não permita que uma fase difícil se transforme na definição da sua vida. O passado faz parte da sua história, mas ainda pode escolher os próximos capítulos. Procure ajuda, continue a aprender, encontre a sua voz e tenha coragem para construir a sua própria trajetória. Ígor Lopes

  • Estreia “Boca de Ouro” – investigação sobre a obra de Nelson Rodrigues, a guerra de narrativas e as tragédias cariocas, dia 29 de outubro, no Sesc Copacabana.

    Tuca Andrada protagoniza montagem de Sergio Módena para clássico de Nelson Rodrigues. O espetáculo também traz no elenco Gustavo Wabner, Maria Clara Aquino, Ana Velloso, Jessé Scarpellini, Antonio Gonzalez e Cássia Sanches. Crédito fotográfico - Claudia Ribeiro Escrita em 1959, a peça Boca de Ouro, de Nelson Rodrigues (1912-1980), ganha uma nova montagem dirigida e idealizada por Sergio Módena e protagonizada por Tuca Andrada, com estreia prevista para 29 de outubro na Arena do Sesc Copacabana onde fica em cartaz até 22 de novembro. A inspiração para escrever a peça, segundo relato do jornalista e biografo Ruy Castro, veio de um motorista da linha do ônibus que Nelson pegava na Central do Brasil quando ia visitar sua mãe diariamente, um pernambucano que quando chegava no ponto final, em Laranjeiras, gostava de ostentar os 27 dentes de ouro que tinha na boca, dizendo, “Pode contar, um por um! E não é coroa, é maciço! Ouro 24!” Nelson combinou este com outro personagem real do submundo carioca, o bicheiro Arlindo Pimenta, e com esse material, escreveu Boca de Ouro. Aproveitou para mais uma vez fazer sua crítica à imprensa sensacionalista da época e questionar a moral burguesa e as condições de pobreza e violência à que estão submetidos os moradores dos subúrbios cariocas. “Nelson Rodrigues é o grande modernizador do Teatro Brasileiro no século XX. Foi o primeiro autor brasileiro a subverter a relação de tempo versus espaço nos palcos nacionais e escancarar as relações familiares, dissecando as classes média e pobre do país com uma crueza nunca antes vista”, afirma Tuca, que interpretou o personagem Pedro na montagem comemorativa dos 50 anos de Vestido de Noiva dirigida por Luiz Arthur Nunes com Malu Mader no papel de Alaíde, em 1993, há 33 anos atrás! Ao lado de Tuca Andrada, os atores Gustavo Wabner, Maria Clara Aquino, Ana Velloso, Jessé Scarpellini, Antonio Gonzalez e Cássia Sanches compõem o universo de Boca de Ouro. Nesta montagem de Boca de Ouro, Sergio Módena aprofunda sua investigação cênica sobre a obra de Nelson Rodrigues, iniciada na recente montagem que dirigiu de A Falecida, com Camila Morgado, no papel da protagonista Zulmira (2023-2025). A atriz circulou com o espetáculo por várias cidades de Norte a Sul do país, em sessões sempre lotadas. Ambas as peças de Nelson Rodrigues foram classificadas pelo crítico Sábato Magaldi como “tragédias cariocas”. De certa forma, podemos dizer que Zulmira e Boca de Ouro são anti-heróis suburbanos. “Em Boca de Ouro, Nelson Rodrigues constrói ainda um personagem que representa, em última instância, a divinização do dinheiro e do poder, em torno dos quais todos os demais personagens gravitam. À medida que a trama avança, percebemos que ninguém está imune à sedução do dinheiro e à promessa de transformação da própria realidade. Princípios, valores e convicções morais tornam-se frágeis diante da possibilidade de ascensão social e dos benefícios que o poder pode oferecer.” (Sergio Módena) Sobre a peça Nelson conta a história do bicheiro Boca de Ouro, uma figura mítica pertencente ao mundo da contravenção – o “Drácula de Madureira”, como propagandeava a imprensa. Boca de Ouro foi parido num reservado de gafieira e seu primeiro berço foi uma pia de banheiro onde a mãe o deixou, sob a torneira aberta, num batismo cruel e pagão. O menino cresce e se torna bicheiro temido e respeitado – uma figura quase mitológica na comunidade onde vive. Boca manda arrancar todos os dentes e implanta novos, feitos de ouro, daí o seu “nome”. Acreditava que seria enterrado em um caixão todo de ouro. Diziam que ficava com as mulheres de homens casados e derretia suas alianças para fazer o tal caixão. Poderoso e carismático, mantinha o autocontrole desde que não falassem de sua mãe e de como nasceu numa pia de gafieira. Tem um fim trágico: Boca de Ouro é assassinado e encontrado na sarjeta, sem os seus dentes de ouro. 1 O jornalista Caveirinha, ao apurar o caso para o jornal “O Sol”, procura uma ex-amante do criminoso, Dona Gugui, em busca de um “furo” de reportagem, um “crime bacana” do contraventor para sair na primeira página. Boca de Ouro é então descrito por Dona Gugui através de três relatos diferentes, que refletem seu estado emocional. “A obra mostra-se absolutamente atual ao questionar a própria noção de verdade, cada vez mais sujeita a interpretações, distorções e manipulações de acordo com interesses, convicções e ideologias. Afinal, somos todos criadores e recriadores da realidade quando recordamos e narramos os acontecimentos.” (Sergio Módena) No primeiro momento, sem saber que Boca de Ouro está morto, Dona Guigui o descreve como um homem cruel e insensível, capaz de matar um pobre diabo, o inofensivo e covarde, Leleco, para lhe tomar a mulher Celeste, menina sonhadora, fiel ao marido. Ao saber que o ex-amante está morto, Dona Guigui chora e passa a elogiá-lo. Passa a falar dele como um homem rigoroso que mata, mas não sem motivo, ao mesmo tempo em que despreza seu atual marido, incomparavelmente inferior ao “Boca”. Conta a mesma história, mas, desta vez, revela uma Celeste nada fiel e um Leleco não tão inofensivo e viciado em jogo, capaz de vender a própria mulher. A forma elogiosa como Dona Guigui passa a tratar o Boca de Ouro irrita o marido, que faz as malas e decide deixar a casa. Com a interferência do repórter Caveirinha, que se sente responsável pela separação, os dois se reconciliam. Dona Guigui conta, então, uma terceira versão da mesma história do casal Leleco e Celeste e revela não só o poder e crueldade do ex-amante, mas também suas inseguranças e vulnerabilidades. Na terceira versão há um conflito entre Celeste e uma ex-colega dos tempos de escola, a grã-fina Maria Luísa que visitava Boca de Ouro com frequência, em busca de donativos para os filhos dos cancerosos, e via nele figura exótica, irreverente, uma espécie de “Deus Asteca”. “Em Boca de Ouro, Nelson Rodrigues nos lembra que a ideia de uma verdade absoluta é uma invenção. Todos nós somos vistos, avaliados e julgados a partir da subjetividade do olhar de quem nos observa. Ao narrar a trajetória do mítico Boca de Ouro, o autor apresenta ao público três versões de um mesmo personagem, contraditórias, porém igualmente possíveis, construídas a partir dos sentimentos de uma narradora cuja percepção se transforma ao longo da ação. Assim, as diferentes facetas de um mesmo homem se revelam, se sobrepõem e se confundem.” (Sergio Módena) Embora o diretor Sergio Módena reconheça traços fortes do universo suburbano em Boca de Ouro, a montagem não reproduz realisticamente a Madureira do final da década de 50. Segundo o diretor, a encenação propõe uma estética atemporal. O cenário de Aurora dos Campos e a iluminação de Tomás Ribas criam um ambiente asséptico, uma espécie de antessala da morte, onde é preciso continuamente limpar o sangue e guardar cadáveres. É neste espaço que os diversos planos da ação se estabelecem. O subúrbio pode ser identificado mais pela condição de pobreza, exclusão, abandono, violência e frustração em que se movem as personagens do que pela composição realista presente em alguns filmes baseados na peça. Mesmo tendo sido escrita no final dos anos 1950, Boca de Ouro continua atual em um país ainda regido pela falsa moralidade e hipocrisia que alimentam a violência, a pobreza, a exclusão e a manipulação do pensamento nas periferias das grandes cidades. “Para mim Boca de Ouro é antes de tudo um estudo sobre o que é a "verdade". Qual é a "verdade" que mais nos interessa quando somos personagens daquela história? Qual é a "verdade" que lemos numa notícia da imprensa? É uma "verdade" ou só está servindo aos interesses de alguém? Num mundo esfacelado e de pós-verdades me parece uma discussão bastante oportuna.”, adverte Tuca Andrada ao falar sobre a peça. Também a memória humana é apresentada na montagem como um campo em contínua reconstrução, sujeita às vivências que vão se somando e transformando a visão que se tem sobre o passado, quer se trate de memória individual ou coletiva. Os figurinos de Karen Brusttolin não buscam a reprodução histórica da década de 50. Ao contrário, parecem apenas evocar um tempo passado esmaecido e impreciso na memória. A trilha sonora, composta por Guilherme Gila, explora o conflito, a temperatura emocional e por vezes o tom melodramático das cenas. “Boca de Ouro me parece um personagem extremamente difícil porque o autor não dá ao público dados concretos sobre ele. Você assiste o personagem sendo modificado pelo estímulo emocional de outro personagem, que é quem narra a história, e esse relato toma formas diferentes ao longo da peça. É um texto com muitas armadilhas para qualquer ator.”, conclui Tuca Andrada, ao falar sobre seu personagem. Sobre Nelson Rodrigues Nelson Rodrigues foi jornalista, cronista, romancista e um dos maiores dramaturgos brasileiros. Nascido no Recife, Pernambuco, mudou-se em 1916 para a cidade do Rio de Janeiro. Quando maior, trabalhou no jornal A Manhã, de propriedade de seu pai, Mário Rodrigues. Foi repórter policial durante longos anos, de onde acumulou uma vasta experiência para escrever suas peças a respeito da sociedade. Sua primeira peça foi A Mulher sem Pecado, que lhe deu os primeiros sinais de prestígio dentro do cenário teatral. O sucesso veio com Vestido de Noiva, que trazia, em matéria de teatro, uma renovação nunca vista nos palcos brasileiros. Com seus três planos simultâneos (realidade, memória e alucinação), as inovações estéticas da peça iniciaram o processo de modernização do teatro brasileiro. A consagração seguiu com vários outros sucessos, transformando-o no maior dramaturgo brasileiro do século XX. Em 1962, começou a escrever crônicas esportivas, deixando transparecer toda a sua paixão por futebol. Grandes atores e encenadores continuam a revisitar suas obras, visto que esta parece jamais se esgotar e permanece relevante ainda hoje. Nelson morreu no Rio de Janeiro no ano de 1980, deixando um legado literário reconhecido internacionalmente. Sobre Sergio Módena Bacharel em Artes Cênicas pela Unicamp é também formado pela École Philipe Gaulier em Londres, onde realizou especializações em Shakespeare, Tchecov e Melodrama. Seus trabalhos mais recentes como diretor são “Piaf – Eu não me arrependo”, de Newton Moreno e Alessandro Toller, “Olhos nos Olhos”, dramaturgia e direção de Sergio Modena, “A Falecida”, de Nelson Rodrigues “Longa Jornada Noite Adentro, de Eugene O’Neill, “As Cangaceiras Guerreiras do Sertão”, de Newton Moreno, “Diários do Abismo” (com Maria Padilha) e “O Musical da Bossa Nova” (Aventura Entretenimentos) “Os Vilões de Shakespeare”, de Steven Bercoff (com Marcelo Serrado), “Estes Fantasmas!” de Eduardo De Filippo, “Esse Vazio”, de Juan Pablo Gomez, “Como Me Tornei Estúpido”, adaptação da obra de Martin Page feita por Pedro Kosovski, "O Último Lutador”, de Marcos Nauer e Tereza Frota, “Janis”, de Diogo Liberano, “Ricardo III” de William Shakespeare, “A Arte da Comédia”, de Eduardo De Filippo, “Politicamente Incorretos”, “Forró Miudinho” “Bossa Novinha- A Festa do Pijama” e “Sambinha”, musicais de Ana Velloso, “A Revista do Ano - O Olimpo Carioca”, de Tânia Brandão, “As Mimosas da Praça Tiradentes”, de Gustavo Gasparani e Eduardo Rieche e o show “Paletó de Lamê – os grandes sucessos (dos outros)”. Seus espetáculos receberam mais de trinta indicações e treze prêmios nas principais premiações do Rio de Janeiro e São Paulo. Ficha Técnica Texto: Nelson Rodrigues Direção: Sergio Módena Elenco: Tuca Andrada, Gustavo Wabner, Maria Clara Aquino, Ana Velloso, Jessé Scarpellini, Antonio Gonzalez e Cássia Sanches Direção Musical: Guilherme Gila Cenário: Aurora dos Campos Iluminação: Tomás Ribas Figurino: Karen Brusttolin Preparação Corporal: Toni Rodrigues Programação Visual: Gustavo Wabner Fotos: Claudia Ribeiro Assessoria de Imprensa: Alessandra Costa Coordenação de Redes Sociais: Fernanda Portela Assistentes de Produção: Clara Rente e Tiago Lobão Produção Executiva: Ana Velloso e Vera Novello Direção de Produção: Lúdico Produções Artísticas Produtores Associados: Lúdico Produções e Trupe Fabulosa Realização: SESC Sinopse O temido e lendário bicheiro de Madureira, Boca de Ouro é assassinado e encontrado morto na sarjeta. O Jornal O Sol envia seus repórteres para apurar o crime. Caveirinha vai entrevistar a ex-amante de Boca de Ouro, Dona Guigui para tentar descobrir um crime “bacana” do bicheiro, um furo de reportagem para estampar na primeira página. Dona Guigui apresenta três versões contraditórias sobre um crime cometido por “Boca”. Na primeira versão, sem saber ainda da morte do ex-amante e movida pelo rancor de ter sido abandonada, ela descreve Boca de Ouro como um bandido cruel e violento. Ao descobrir que o bicheiro foi morto, ela sofre e passa a falar dele como um amante extraordinário e um homem generoso, revelando o quanto ainda o ama. Na terceira versão, Dona Guigui fala em traição, ciúmes e em uma mistura de sentimentos, procurando preservar o casamento com Agenor, o marido que a acolheu quando Boca de Ouro a “chutou”. A obra faz uma crítica à imprensa sensacionalista e estimula uma reflexão sobre a impossibilidade de uma verdade absoluta. O mito e a realidade se fundem em função de falhas morais, de desejos frustrados e da fragilidade da memória humana. Serviço: Boca de Ouro, de Nelson Rodrigues, com direção de Sergio Módena Temporada: de 29 de outubro a 22 de novembro Dias e horários: quintas e sextas – às 20hs; sábados e domingos – 19hs Local: Arena do Sesc Copacabana Ingressos na bilheteria do Teatro ou pelo site ingresso.com R$ 40 (inteira); R$36 (conveniados), R$31 (conveniados empresários), R$28 (credencial plena Sesc); R$ 20 (meia entrada); Gratuito (público PCG) Endereço: Rua Dias Ferreira, 160 – Copacabana – Rio de Janeiro, RJ Informações: (21) 3180-5226 Bilheteria - Horário de funcionamento: Terça a sexta - das 9h às 20h; Sábados, domingos e feriados - das 13h às 19h. Classificação indicativa: 16 anos Capacidade: 250 lugares] Acessibilidade: A peça terá acessibilidade em Libras e Audiodescrição. O Teatro é acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida na plateia Duração: 90 minutos Alex Varela

  • Grupo Meu Samba É Assim volta ao palco do Rio Scenarium no dia 23 de outubro

    Liderado pelo cantor Wandinho, grupo apresenta repertório de samba e pagode em três sets; DJ Polly Black completa a programação da noite "Meu Samba É Assim" O grupo Meu Samba É Assim volta a se apresentar no Rio Scenarium, na próxima sexta-feira, 23 de outubro. A partir das 19h, o público poderá conferir mais uma noite dedicada ao samba e ao pagode, com três sets de aproximadamente uma hora cada. Nos intervalos e no encerramento, o DJ Polly Black assume as pick-ups, garantindo a música ao longo de toda a programação. Ingressos a R$25 (meia-entrada), R$35 (antecipado) e R$50 (inteira). Formado em dezembro de 2019, em Jacarepaguá, na Zona Sudoeste do Rio, o Meu Samba É Assim tem à frente o cantor Wandinho, que comanda um time de músicos dedicado a celebrar o samba e o pagode. Com uma trajetória marcada por apresentações que valorizam a interação com o público, o grupo reúne em seu repertório sucessos e clássicos dos dois gêneros, em shows que resgatam o clima das tradicionais rodas de samba cariocas. A voz marcante e a presença de palco de Wandinho são algumas das características do Meu Samba É Assim, que aposta na energia das apresentações ao vivo e na proximidade com a plateia. SERVIÇO: Rio Scenarium R. do Lavradio, 20 – Centro – RJ @rioscenarium Meu Samba É Assim Data: sexta-feira, 23 de outubro, a partir das 19h. Ingressos: a partir de R$25 (meia-entrada), R$35 (antecipado) e R$50 (inteira). Contato: (21) 96550-0002 (WhatsApp) e faleconosco@rioscenarium.com.br Programação e ingressos: https://site.bileto.sympla.com.br/rioscenarium Mais informações: www.rioscenarium.com.br / @rioscenarium Teresa Tavares - Arteiras

  • Exposição “Amazônicas: poéticas femininas”, no CCBB RJ, terá performance e palestra no dia 31 de outubro

    Palestra com Sissa Aneleh e Cristiane Martins debate ancestralidade amazônica e protagonismo feminino no CCBB RJ, seguida da performance “Cirandas Matriarcais”. Cristiane Martins. Série Revoltosas. Foto Ana Paula Amorim Com o objetivo de ampliar as discussões em torno da exposição “Amazônicas: poéticas femininas”, em cartaz até o dia 16 de novembro, no Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro (CCBB RJ), será realizada no dia 31 de outubro de 2026, às 15h, no Auditório do 3º andar, a palestra “Arqueologia do Feminino: Escultura Arqueológica Contemporânea”, com a curadora Sissa Aneleh e a artista paraense Cristiane Martins, uma das 21 integrantes da exposição. Logo após a palestra, às 16h30, a artista realizará a performance “Cirandas Matriarcais”, na rotunda do CCBB RJ. Ambas as atividades são gratuitas e abertas ao público e irão girar em torno da instalação As Revoltosas, da artista Cristiane Martins, que integra a exposição. A palestra apresentará o processo criativo das obras, que percorre os eixos da memória, tradição, inovação e criatividade, utilizando a cultura material pré-colonial amazônica como ferramenta de experimentação artística, design decolonial, ancestralidade e ativação do protagonismo feminino. Enquanto a exposição reúne obras contemporâneas de artistas amazônicas, As Revoltosas oferece um estudo de caso específico de como a cultura material arqueológica pode ser reativada como processo criativo e político — traçando um percurso que vai da cerâmica ancestral à escultura contemporânea e ampliando, a partir de outro ponto de vista, as questões de ancestralidade e visualidade amazônica que atravessam a mostra. Auá Mendes. Ruuyárixé - fotografia digital/2023 Auá Mendes. BUYAPUSANU Série Sesá Pirári. Olhos Abertos - fotografia digital/2022 Auá Mendes. SESÁPIRÁRI Série Sesá Pirári .Olhos Abertos - fotografia digital/2022 A performance será realizada pela artista Cristiane Martins e uma convidada, que estarão caracterizadas como duas personagens da série As Revoltosas, usando vestimentas e cabeças/máscaras escultóricas. Durante a performance, elas irão interagir com objetos biográficos de mulheres da atualidade. “Há dois recortes de tempo na performance: As Revoltosas, que são mulheres ancestrais, e esses objetos contemporâneos, das famílias atuais e suas linhagens matriarcais”, ressalta Cristiane Martins. SOBRE A ARTISTA Cristiane Martins é paraense e investiga e recria formas, símbolos e imaginários das culturas arqueológicas amazônicas, articulando arte contemporânea e ancestralidade. Trabalha com escultura, máscaras e objetos corporais, utilizando madeira, porcelana fria, urucum, folhas de ouro e fibras naturais. Suas obras ativam o corpo como território de memória, ritual e pertencimento, aproximando passado e presente por meio de uma poética simbólica e insurgente. SOBRE A CURADORA Sissa Aneleh é fundadora e diretora do Museu das Mulheres, Mestra e Doutora em Artes, historiadora de arte, diretora artística, curadora e produtora executiva. Trabalha há mais de 15 anos na área artística, dirigiu projetos aprovados pela Petrobras, CCBB, Caixa Cultural, Fundo de Apoio à Cultura do DF e Goethe Institut. Faz a direção executiva e artística da programação expositiva, audiovisual e educativa do museu, além da coordenação editorial da editora do Museu das Mulheres. Realizou a curadoria de mais de 17 exposições, incluindo 2 circulações internacionais de exposição do museu com artistas brasileiras na Alemanha, passando pelo Museu de Arte de Bochum, Centro de Cultura de Manheim, Bienal de Arte de Bochum e Festival de Berlim. Diretora Artística e Curadora da exposição Vetores-Vertentes: Fotógrafas do Pará no CCBB São Paulo, Belo Horizonte, Brasília e Rio de Janeiro - 2025 a 2026. Possui pesquisas de arte voltadas para história da arte, mulheres artistas, arte brasileira, arte decolonial, cinema autoral feminino e poéticas curatoriais. Cristiane Martins. Série As Revoltosas 2024 Foto - Micaela Mesant SOBRE A EXPOSIÇÃO AMAZÔNICAS: POÉTICAS FEMININAS Idealizada pelo Museu das Mulheres (Museu DAS), a exposição “Amazônicas: poéticas femininas” está sendo apresentada até o dia 16 de novembro de 2026 no CCCBB RJ. Com curadoria e direção artística de Sissa Aneleh, a mostra reune 80 obras de 21 artistas contemporâneas da região Norte do país e ocupa todas as salas do segundo andar do CCBB RJ, depois de ter sido apresentada em Belém, Fortaleza e Brasília. Um espaço imersivo no metaverso, com realidade aumentada, amplia a experiência do público, através de óculos 3D. A exposição foi aprovada na Seleção Petrobras Cultural e conta com patrocínio da Petrobras, via Lei Rouanet, com realização do Ministério da Cultura e apoio do CCBB. A exposição apresenta um amplo panorama da arte produzida por mulheres da região amazônica, desde a década de 1970 até os dias de hoje. São trabalhos feitos em diferentes suportes, como pintura, escultura, fotografia, gravura, objeto, arte digital e videoarte, das artistas Auá Mendes, Bárbara Savannah, Cristiane Martins, Diná Oliveira, Elaine Arruda, Elieni Tenório, Keila-Sankofa, Lise Lobato, Lúcia Gomes, Maria Auxiliadora Zuazo, Nina Matos, Rafa Bqueer, Rafaela Kennedy, Rafaela Moreira, Renata Aguiar, Rita Huni Kuin, Rita Loureiro, Sanchris, Val Sampaio, Wɨra Tini e Yaka Huni Kuin. Dividida em quatro núcleos temáticos – Materialidades Ancestrais, Gravura Feminina, Amazônia Pictórica e Performáticas –, a mostra traz trabalhos cujas temáticas abordam questões de gênero, regionalismo, identidade nacional e diversidade. “O conceito da exposição, com base temática e histórica, tece interpretação de gêneros das obras de arte demonstrando os estilos e as temáticas predominantes nas artes de mulheres que constroem historicamente a arte produzida no Norte do Brasil. A pluralidade das temáticas e narrativas abordam o artivismo, o corpo como obra, culturas amazônica-indígena-afrobrasileira, pré-história e tecnologias amazônicas, arte do afeto, biografias e ancestralidades femininas, completando-se com a História das Mulheres”, diz a curadora. A exposição conta com recursos de acessibilidade, como obra tátil, audiodescrição de obras e intérprete de libras. Ao longo do período da mostra, serão realizadas visitas guiadas com a curadora e palestra com algumas artistas. Além disso, também será lançado o catálogo da mostra. Cristiane Martins. Série As Revoltosas 2024 Foto - Micaela Mesant Ampliando a experiência do público, a exposição conta com o Espaço Petrobras Amazônicas, um espaço imersivo com realidade aumentada, que amplia a experiência do público, por meio de uso do óculos 3D com sala expositiva e exibição de filme em realidade virtual do acervo do Museu das Mulheres. Como parte da exposição, há, ainda, a obra coletiva em vídeo “Mensagem para a Amazônia”, que está sendo construída ao longo da itinerância da exposição com a participação do público. “É um convite para deixar uma mensagem do público sobre a importância da preservação ambiental”, diz a curadora. SOBRE A PETROBRAS O Programa Petrobras Cultural tem a brasilidade como eixo central, refletida nas temáticas, origens, curadorias e narrativas dos projetos apoiados em todo o país. A exposição tem patrocínio exclusivo da Petrobras e apresentação do Ministério da Cultura. SOBRE O CCBB RJ Inaugurado em 12 de outubro de 1989, o Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro marca o início do investimento do Banco do Brasil em cultura. Instalado em um edifício histórico, projetado pelo arquiteto do Império, Francisco Joaquim Bethencourt da Silva, é um marco da revitalização do centro histórico da cidade do Rio de Janeiro. São 35 anos ampliando a conexão dos brasileiros com a cultura com uma programação relevante, diversa e regular nas áreas de artes visuais, artes cênicas, cinema, música e ideias. Quando a cultura gera conexão ela inspira, sensibiliza, gera repertório, promove o pensamento crítico e tem o poder de impactar vidas. A cultura transforma o Brasil e os brasileiros e o CCBB promove o acesso às produções culturais nacionais e internacionais de maneira simples, inclusiva, com identificação e representatividade que celebram a pluralidade das manifestações culturais e a inovação que a sociedade manifesta. Acessível, contemporâneo, acolhedor, surpreendente: pra tudo que você imaginar. SOBRE O MUSEU DAS MULHERES O Museu das Mulheres (Museu DAS), sediado em Brasília, é o primeiro museu brasileiro dedicado a valorizar e dar visibilidade à produção artística, cultural e histórica de mulheres. Com execução de projetos diversos em espaços físicos no Brasil e no mundo, lança experiências em ambientes espaciais e interativos – com Realidade Expandida (XR), Realidade Aumentada (RA) e Realidade Virtual (RV) – e, por extensão, tem salas expositivas no Metaverso. Possui programação em artes plásticas e visuais, cinema, eventos, além de programa educativo, área de pesquisa, acervo e editora própria. Vista geral, II espaço petrobras - Fotografia: Nailana Thiely Serviço: Palestra Arqueologia do Feminino: Escultura Arqueológica Contemporânea, com Sissa Aneleh e Cristiane Martins Dia 31 de outubro, das 15h às 16h CCBB RJ | 3º andar Capacidade: 100 lugares (mediante inscrição via formulário disponível na bio do Instagram do Museu das Mulheres @museudasmulheres e no site do CCBB: bb.com.br/cultura) Performance Cirandas Matriarcais Artista: Cristiane Martins Dia 31 de outubro, às 16h30 CCBB Rio de Janeiro | Térreo – Rotunda Vagas: conforme lotação do espaço Exposição Amazônicas: Poéticas Femininas Até 16 de novembro de 2026 Curadoria: Sissa Aneleh CCBB Rio de Janeiro Rua Primeiro de Março, 66, Centro, Rio de Janeiro (RJ) (21) 3808-2020 | ccbbrio@bb.com.br De quarta a segunda, das 9h às 20h (fecha às terças). Entrada gratuita. Ingressos retirados no site bb.com.br/cultura ou na bilheteria do CCBB Classificação indicativa: Livre Acesso para pessoas com deficiência Mais informações em bb.com.br/cultura Siga o CCBB nas redes sociais: facebook.com/ccbb.rj | instagram.com/ccbbrj |tiktok.com/@ccbbcultura Patrocínio: Petrobras Apoio: CCBB Rio de Janeiro Coordenação e produção do Museu das Mulheres Realização: Ministério da Cultura Imagens divulgação: https://drive.google.com/drive/u/1/folders/157w0F9ILQUzh_8J0fwUWubbYTM8P2mkM ATENÇÃO Domingos, das 8h às 9h - horário de atendimento exclusivo para visitação de pessoas com deficiências intelectuais e/ou mentais e seus acompanhantes, conforme determinação legal (Lei Municipal nº 6.278/2017). Inscrições e informações: Instagram: @museudasmulheres Site: www.museudasmulheres.com.br Alex Varela

  • De Carregal do Sal para o mundo: “Vila Romana Branco 2024” entra no top 4 dos vinhos portugueses com “influências” luso-brasileiras

    O “Domínio do Açor Dão Vila Romana Branco 2024” foi classificado como o quarto melhor vinho de Portugal em 2026 pela equipa do crítico internacional “James Suckling”. A referência recebeu 94 pontos e entrou no “Top 100 Wines of Portugal 2026”, divulgado a 14 de outubro, numa seleção que reuniu vinhos de várias regiões portuguesas. Sócio-gerente do Domínio do Açor, Otacilio Soares, com os sócios, o regisseur, Guilherme Corrêa, o enólogo, Luís Lopes e Joana Gonçalves, da equipe administrativa da vinícola. Foto: divulgação Produzido em Carregal do Sal, na região demarcada do Dão, o “Vila Romana Branco 2024” destacou-se entre os primeiros lugares de uma lista marcada pela presença de vinhos do Douro, Bairrada, Dão e Vinho Verde. Segundo a avaliação divulgada, o vinho apresenta notas de limão seco, flores e fruta, tendo sido valorizado pela “precisão e pelo equilíbrio”. A classificação assume particular relevância por se tratar de uma referência posicionada como vinho de entrada do produtor. Apesar desse enquadramento, a equipa de “James Suckling” destacou o facto de o “Vila Romana” receber os mesmos cuidados na vinha e na adega que os vinhos de gama superior da casa, conjugando “qualidade, disponibilidade comercial e um posicionamento mais acessível dentro do portefólio”. A produção tem origem em vinhas conduzidas em solos graníticos de Carregal do Sal. O projeto “Domínio do Açor” conta com Luís Lopes na enologia e tem vindo a ganhar reconhecimento em avaliações nacionais e internacionais, contribuindo para reforçar a visibilidade do Dão num momento em que a região volta a ocupar posições de destaque entre os vinhos portugueses. No ranking de 2026, o primeiro lugar foi atribuído ao Niepoort Vintage Port 2024, seguindo-se o Palmirinha Loureiro Portugal 2024 e o Fonseca Vintage Port 2024. O “Vila Romana Branco 2024” surge imediatamente depois, na quarta posição, colocando um vinho branco do Dão entre as referências portuguesas com maior destaque na seleção deste ano. O reconhecimento acrescenta projeção ao trabalho desenvolvido pelo “Domínio do Açor”, que junta portugueses e brasileiros, e chama também a atenção para Carregal do Sal enquanto território vitivinícola. Num setor em que a afirmação internacional depende cada vez mais da consistência das avaliações, da identidade regional e da capacidade de chegar a diferentes mercados, a presença no “Top 100 de James Suckling” reforça a posição do produtor e do Dão no panorama dos vinhos portugueses. Ígor Lopes

  • Abertura da exposição" A Ordem Sensível” de Rodrigo de Castro-Galeria Patricia Costa- Shopping Cassino Atlântico-Fotos Vera Donato

    Sob curadoria de Vanda Klabin, artista retoma a pintura a partir da experiência tridimensional em nova exposição na Galeria Patrícia Costa. Rodrigo de Castro Há três anos, ao apresentar suas esculturas na Galeria Patrícia Costa, Rodrigo de Castro experimentava pela primeira vez a passagem da pintura para a tridimensionalidade. A experiência, no entanto, não representou uma ruptura, muito pelo contrário: a abertura de um novo campo de investigação. Agora, na exposição “Rodrigo de Castro: A Ordem Sensível”, que abre no dia 15 de outubro, o artista percorre o caminho inverso. “As esculturas nasceram, num primeiro momento, da observação das telas. A vontade de fazer com que a cor ocupasse o espaço me levou a pesquisar uma maneira de construir essa cor como escultura. Então, as esculturas se alimentavam, vamos dizer assim, do pensamento das pinturas. Eu percebo que agora acontece um diálogo no sentido inverso: a observação das esculturas me levou a trazer para o plano as complexidades que as esculturas criaram no espaço. Complexidades no sentido de que o espectador não consegue observar a escultura apenas com um olhar, é necessário se deslocar ao redor dela. A obra vai se revelando nas suas diferentes formas e incidências de luz que modificam completamente a ocupação da cor naquele espaço. Então, essas observações das esculturas abriram um caminho diferente, um novo caminho de pesquisa para levar como fonte daquela cor no espaço as maneiras de realizar isso na pintura. Há uma convergência maior entre cor, espaço e luz, fazendo fluir um diálogo mais intenso entre o que é pintura e o que é escultura porque na verdade é tudo fruto de um mesmo pensamento”, diz Rodrigo de Castro. Com curadoria assinada, mais uma vez, por Vanda Klabin, a mostra reúne trabalhos em que Rodrigo de Castro amplia sua pesquisa sobre estrutura, equilíbrio, ritmo e percepção. Se na escultura a pintura encontrou o espaço, agora é a pintura que parece carregar consigo algo da experiência tridimensional, como se planos, linhas, cores e formas passassem a se relacionar a partir de uma nova consciência do espaço. As pinturas recentes revelam um diálogo diferente da exposição anterior: as linhas que antes criavam novos espaços dividindo as áreas de cor passam a gerar um movimento na tela, um tempo diferente de observação da obra. Percebe-se uma nova maneira de se alcançar o equilíbrio, pela harmonia entre as cores que formam a obra. E como há uma dinâmica maior entre o diálogo das diversas áreas de cor da obra, o tempo de observação também se modifica. “A exposição de Rodrigo de Castro apresenta uma seleção de sua produção mais recente e explora a articulação espacial da geometria e da cor. A relação fluida entre os campos cromáticos e a ordenação geométrica rigorosa do espaço constitui um campo permanente de investigação do artista. Sua gramática pictórica, construída ao longo de décadas de atividade contínua, transformou-se em um fértil território de pesquisa, no qual a cor não cumpre função descritiva nem decorativa: ela é o próprio agente estruturante da obra. Cada superfície resulta de um jogo rigoroso de derivações geométricas, em que planos, linhas e áreas cromáticas são dispostos segundo uma lógica que se afasta deliberadamente da comodidade da simetria e dos esquemas matemáticos preestabelecidos. Mineiro de Belo Horizonte e radicado em São Paulo, Rodrigo de Castro formulou um vocabulário visual próprio, herdeiro das tradições construtivas brasileiras, sem jamais se submeter a filiações estritas. Sua obra dialoga com a economia formal do legado construtivista, mas opera de modo autônomo, em uma temporalidade que lhe é peculiar, atenta à manipulação sensível dos meios plásticos que elegeu. Cores e estruturas geométricas constituem o centro gravitacional de sua produção artística. Seus acordes cromáticos irradiam uma singular combinação que inunda o nosso olhar”, explica a curadora, Vanda Klabin. Saiba mais sobre Rodrigo de Castro Nascido em Belo Horizonte e formado em Engenharia, Rodrigo de Castro atualmente vive e trabalha em São Paulo, onde mantém seu ateliê, tendo realizado sua última individual no Rio de Janeiro em 2023. Ao longo de sua trajetória, participou de diversas coletivas e tem no currículo cerca de dez exposições solo, uma delas em Lisboa, em 2019. Atuou como curador em algumas mostras de seu pai, o artista e escultor Amílcar de Castro. Serviço: “Rodrigo de Castro: A Ordem Sensível” Curadoria: Vanda Klabin Abertura: dia 15 de outubro, das 18h às 21h Visitação: até dia 14 de novembro de 2026 Funcionamento: de segunda a sexta, das 11h às 19h; sábados, das 11h às 17h Local: Galeria Patricia Costa Endereço: Av. Atlântica, 4.240/lojas 224 e 225 – Copacabana – RJ Telefone: (21) 2227-6929/98868-1993 Classificação livre Entrada franca Contatos: www.galeriapatriciacosta.com.br/@galeriapatriciacosta www.rodrigodecastro.art.br/@rodrigodecastro.arte Marcela de Castro e Vanda Klabin Marcela de Castro e Rodrigo de Castro Rock Fagundes e Ronnie Paskin Cesar Viegas, Patricia Costa e Rodrigo da Costa Marcela de Castro, Andrea Donner e Lydia Cavalcanti Eduardo Alonso e Rogerio Cavalcanti Diego Cosac, Bia Sampaio e Cesar Gabriel de Almeida Fernanda Torres e Moises Zylberberg Rodrigo da Costa e Raquel Saliba Raquel Saliba, Selmo Marino, Patricia Costa e Rodrigo da Costa Bia Sampaio, Raquel Saliba, Luiz Aquila e Vania Castro Eduardo Alonso entre Andrea Donner e Marcela de Castro Dudu Garcia Vanda Klabin, Marcelo Lima, Patricia Quentel e Gisele Taranto Rodrigo de Castro e Patricia Quentel Ralph Camargo, Ana Luiza, Luiz Aquila, Vanda Klabin e Vania Castro Claudia Castro Barbosa Vania Castro e Luiz Aquila Vania Castro, Rodrigo de Castro, Luiz Aquila e Bia Sampai Vanda Klabin, Rodrigo de Castro, Luiz Aquila e Patricia Costa Rodrigo de Castro e Luiz Aquila Ana Masque, Patricia Costa e Mecedes Masque Bia Sampaio Adriana e Araken Hipolito da Costa Lucia Lanner, Marcelo Monteiro e Gisele Taranto Vanda Klabin, Fernando Lanner e Marcelo Lima Mercedes Masque e Ana Masque Bia Sampaio, Vanda Klabin, Franklin Toscano e Jose Antonio Macdowell Elso Arruda Juana Elizabet Ramirez Selmo Marino, Patricia Costa, Rodrigo de Castro, Vanda Klabin e Marcela de Castro Gisele Taranto Beto Bardawill, Erica Rosa e Samantha Conde Rodrigo de Castro Vera Danato

  • Morre Benito di Paula, ícone do samba, aos 84 anos

    Cantor, compositor e pianista enfrentava um câncer e deixa uma trajetória marcada por sucessos como “Retalhos de Cetim” e “Meu Amigo Charlie Brown”, além de um legado que atravessou gerações. Benito di Paula se despede aos 84 anos - Crédito fotográfico - Henrique Pinheiro A música popular brasileira perdeu, neste domingo, dia 18 de outubro, um de seus nomes mais emblemáticos. O cantor, compositor e pianista Benito di Paula morreu aos 84 anos, em São Paulo, onde estava internado no Hospital 9 de Julho para tratar um câncer de próstata, doença que enfrentava havia cerca de um ano. A informação foi confirmada pela assessoria do artista. Nascido Uday Vellozo, em Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio de Janeiro, em 28 de novembro de 1941, Benito construiu uma carreira singular ao unir a tradição do samba a elementos românticos, influências de outros gêneros musicais e arranjos marcados pelo piano. Sua interpretação intensa, a voz característica e a presença de palco ajudaram a consolidar uma identidade musical reconhecida em todo o país. Benito Di Paula - Divulgação Uma trajetória marcada por grandes sucessos Benito ganhou projeção nacional sobretudo nas décadas de 1970 e 1980, quando conquistou o público com canções que se tornaram parte da memória afetiva brasileira. Entre seus maiores sucessos estão “Retalhos de Cetim”, “Meu Amigo Charlie Brown”, “Mulher Brasileira”, “Vai Ficar na Saudade”, “Se Não For Amor” e “Tudo Está no Seu Lugar”. Associado ao chamado samba-joia, estilo que aproximava o samba de arranjos populares e românticos, o artista desenvolveu uma sonoridade própria, sem se limitar às convenções tradicionais do gênero. Ao piano, instrumento que se tornou uma de suas marcas registradas, Benito imprimiu personalidade às composições e conquistou diferentes gerações de admiradores. Sua obra também ultrapassou as fronteiras brasileiras, com músicas que ganharam versões em outros idiomas e ampliaram o alcance de seu repertório. A família e a continuidade da música A família ocupou um lugar importante na trajetória pessoal e artística de Benito. Pai de três filhos, ele viveu uma perda profunda em 2019, com a morte de André Vellozo, aos 36 anos. Na ocasião, a família pediu privacidade e não divulgou a causa do falecimento. Outro filho, Rodrigo Vellozo, também músico, manteve uma parceria artística com o pai. Os dois dividiram projetos, gravações e apresentações, aproximando gerações por meio da música. Em 2021, lançaram o álbum “O Infalível Zen”, e, em 2022, seguiram juntos em turnê, compartilhando com o público não apenas o repertório, mas também a relação entre pai e filho. Benito Di Paula com o filho Rodrigo Vellozo — Foto: Edilson Dantas Rodrigo também prestou homenagens ao pai após a notícia da morte, em uma demonstração de afeto que repercutiu entre admiradores do artista. Benito deixa ainda familiares, netas e uma história construída entre a vida pessoal, a criação musical e a relação duradoura com seu público. Até a divulgação das primeiras informações sobre a morte, os detalhes do velório e do sepultamento ainda não haviam sido anunciados oficialmente. Benito di Paulo - Reprodução/Instagram Um legado que permanece A partida de Benito di Paula encerra uma trajetória de mais de cinco décadas de contribuição à música brasileira, mas não apaga a força de sua obra. Suas composições, interpretações e o diálogo singular entre samba, romantismo e piano ajudaram a renovar a linguagem da música popular e a ampliar as possibilidades do gênero. Em 2025, o artista recebeu uma homenagem da escola de samba Águia de Ouro, no Carnaval de São Paulo, com um enredo inspirado em sua vida e obra — reconhecimento da dimensão de sua contribuição cultural. Benito di Paula parte, mas sua música permanece viva nos discos, nos palcos, nas rodas de samba e na lembrança de milhões de brasileiros. Seu legado seguirá sendo transmitido também por artistas que encontram em suas canções inspiração, identidade e emoção. Mais do que um repertório de sucessos, ele deixa uma assinatura musical inconfundível e uma obra que continuará fazendo parte da história do samba e da música popular brasileira. Ah! Como eu Amei Redação Revista do Villa

  • Mônica Maciel destaca em Genebra a importância do posicionamento para a internacionalização dos negócios

    A especialista brasileira Mônica Maciel esteve em Genebra, na Suíça, onde participou, no dia 11 de outubro, na 9.ª edição do “Summit Estética by Lu Pires”, realizada no Hotel Royal. Convidada como palestrante VIP, levou ao encontro o seu trabalho na área da comunicação estratégica, oratória, posicionamento e desenvolvimento de negócios, numa programação que reuniu profissionais da estética, beleza, saúde, moda, empreendedorismo e comunicação. Mônica Maciel, especialista em comunicação estratégica, oratória, posicionamento e desenvolvimento de negócios. Foto: Agência Incomparáveis A passagem por Genebra integrou uma agenda internacional iniciada semanas antes em Milão, onde realizou, dia 23 de setembro, o “Destrave Business Milano”, encontro dedicado a empresários, empreendedores e profissionais interessados em comunicação, negócios e criação de redes de contacto. A iniciativa decorreu durante um período em que a cidade italiana concentrava profissionais de diferentes áreas por ocasião da “Milano Fashion Week” e marcou mais uma etapa da expansão do trabalho desenvolvido pela especialista brasileira na Europa. Em entrevista à Agência Incomparáveis, realizada em Genebra, esta empresária afirmou que esta foi a sua segunda passagem pela Suíça em 2026 e associou o crescimento da agenda internacional ao trabalho de posicionamento desenvolvido nos últimos anos. Segundo ela, a participação no “Summit Estética” resultou também de uma estratégia baseada na “criação de ligações profissionais e na colaboração entre projetos”. “Estar na Suíça hoje pela segunda vez, no mesmo ano, acredito que não é para qualquer um. É realmente para as pessoas que se posicionam. O posicionamento trouxe-me até aqui, um posicionamento forte em relação à comunicação, às estratégias de negócio e às empresas”, afirmou. Mônica Maciel, especialista em comunicação estratégica, oratória, posicionamento e desenvolvimento de negócios. Foto: Agência Incomparáveis Mônica Maciel é especialista em comunicação e oratória estratégica para negócios e desenvolve o “Método 3Rs”, baseado nos conceitos de “rapport, repertório e retórica”. Ao longo do percurso, participou em mais de 200 eventos e palestras e trabalhou com milhares de alunos em diferentes países. A sua atuação tem sido direcionada para empresários e profissionais que procuram melhorar a comunicação, a presença pública e o posicionamento das suas marcas. Durante a passagem pela Suíça, defendeu que comunicar de forma estruturada se tornou uma componente do posicionamento empresarial. Para Mônica, a forma como uma empresa ou um profissional se apresenta ao mercado interfere diretamente na perceção do público, na construção de autoridade e na criação de novas oportunidades. “Você precisa realmente posicionar o seu negócio. Existe uma inclinação do negócio para o público e precisamos expandir. O posicionamento governa os próximos passos que vamos fazer”, explicou, sublinhando que “talvez eu não tivesse a oportunidade de estar em Milão se não me tivesse conectado com as pessoas certas. A conexão certa, dentro do ambiente certo, pode gerar um grande resultado”, referiu. Depois da passagem por Itália, Mônica regressou a Belo Horizonte, em Minas Gerais, onde realizou uma imersão que reuniu mais de 150 participantes. Poucos dias depois, voltou à Europa para integrar a programação do “Summit Estética” em Genebra. Esta sequência de compromissos faz parte de uma agenda que, de acordo com a nossa entrevistada, já inclui projetos previstos para 2027 e 2028. Mônica Maciel, especialista em comunicação estratégica, oratória, posicionamento e desenvolvimento de negócios. Foto: Agência Incomparáveis Nova agenda na Europa A etapa seguinte acontece em Portugal. No dia 25 de outubro, Mônica Maciel realiza, no Hotel Vila Galé Ópera, em Lisboa, a segunda edição do “Destrave Sua Voz Summit”. A iniciativa é apresentada como uma imersão de um dia dedicada à comunicação, oratória, posicionamento e criação de ligações entre empresários e profissionais. “O principal objetivo dessa imersão é conectar empresários na mesa certa. Primeiro vem a conexão. Depois, fazer com que haja realmente um destravo da voz e do processo de comunicação”, explicou. A programação internacional de outubro inclui ainda encontros com “mentorados” e ações profissionais em diferentes cidades europeias. A agenda divulgada pela especialista prevê, além de Lisboa e Genebra, atividades em Paris, Madrid e novos encontros com participantes dos seus programas de mentoria. Para esta profissional, a comunicação permanece como eixo central dessa expansão. “Você precisa destravar a sua voz para destravar os seus resultados, a sua comunicação e também o seu negócio. O principal objetivo de estar na Europa hoje é mostrar o potencial que cada pessoa carrega”, finalizou. Ígor Lopes

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