Revista do Villa
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Revista luso-brasileira de conteúdo sobre cultura, gastronomia, moda, turismo,
entretenimento, eventos sociais, bem-estar, life style e muito mais...
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- Conde Sebastião de Pinho: glória e opróbrio
Muito antes de Eike Batista e sua proliferação de empresas Xis, o Brasil viveu uma euforia empresarial com final melancólico semelhante. Sebastião Lopes da Costa Pinho, natural da cidade de Braga, em Portugal, chegou à Bahia em 1872. Era apenas um garoto de 17 anos com disposição para o trabalho duro. O jovem começou no mundo dos negócios com a compra e venda de fumo, iniciando uma pequena fortuna. Mudou-se para o Rio Grande do Sul ainda na mesma década, onde, em outubro de 1875, casou-se, em segundas núpcias, com Josefina Amália de Almeida. Foto 1. O Conde Sebastião de Pinho. Sem data. jornal O Paiz. 1914. Arte sem autor. Acervo Bilioteca Nacional do Rio de Janeiro Já na Corte Imperial, abriu um escritório de comissões e consignações de gêneros, principalmente de café, na rua da alfândega, número 11. Sendo aceito e registrado pela Junta Comercial do Rio de Janeiro, em agosto de 1886. Comprou um palacete na rua São Clemente, número 102, no bairro de Botafogo. O casarão se tornou um ponto de encontro cultural. Ficaram na memória as 32 sonatas para piano solo, que o renomado pianista Arthur Napoleão realizou no palacete de Botafogo, tida como a primeira audição completa do Beethoven no Brasil Foto 2. Arthur Napoleão. Revista O Album. Fototipia J. Gutierrez. 1893. Acervo BNRJ Os ventos políticos e econômicos começaram a mudar radicalmente no Brasil. Em maio de 1888, foi abolida definitivamente a escravidão, liberando parcela significativa de capitais então atrelados ao setor escravagista. No final do mesmo ano, foi feita uma reforma bancária, gerando maior liquidez dos ativos no mercado e revogando partes da “Lei dos Entraves”, de 1860. Em 15 de novembro de 1889, foi dado o golpe que derrubou a Monarquia e, com ela, suas diretrizes econômicas. A política econômica do novo ministro da economia, Rui Barbosa, gerou um boom de criação de empresas, visando à industrialização do Brasil e, para isso, permitiu a proliferação de bancos emissores de moeda, dentre outros equívocos. Foto 3. O jovem Ministro da Fazenda Ruy Batbosa. Jornal Illustrado. 1895. Acervo BNRJ Foto 3.a. Charge criticando Ruy Barbosa. Jornal Cidade do Rio.1890. Acervo BNRJ O empresário Sebastião Pinho tornou-se um dos businessmen do momento, junto ao conselheiro Francisco de Paula Mayrink e ao conde de Figueiredo. Convidava, via chamadas públicas nos jornais, os futuros acionistas a subscreverem 20% do capital da firma a ser criada. O futuro conde sempre aparecia como incorporador da nova firma. Entre os anos de 1890 e 1891, se envolveu na criação de uma penca de empresas: da Companhia de Terras e Colonizações, da Companhia de Curtumes pela Eletricidade, da empresa Industrial do Norte e Oeste do Brasil, da Companhia Centros Pastoris do Brasil, da Companhia União Industrial dos Estados Unidos do Brasil, da Empresa Industrial e Construtora do Rio Grande do Sul. De ferrovias: Companhia Estrada de Ferro Estreito e São Francisco ao Chopim, e do Peçanha ao Araxá, para falar de algumas. E, finalmente, do banco de Crédito Móvel e do prestigioso Banco Paris e Rio, de 50 mil contos de réis de capital aberto, com filiais em Paris e Londres. Tudo parecia um esquema de captação de dinheiro do público, então farto pela livre emissão, criando projetos de empresas, que eram “instaladas” em uma reunião no seu escritório, na rua da Alfândega número 11. Foto 4. Largo da Alfândega. 1863. Gravura de Luis Schlappriz. Acervo Brasiliana Iconografica Por um decreto de 29 de julho de 1891, o rei Dom Carlos I de Portugal concedeu o título de conde em favor de Sebastião Pinho. Era o reconhecimento do seu prestígio e de sua bondade, não se pode esquecer. Foi um grande benemérito, ajudou a sustentar asilos para idosos, orfanatos, fundou escolas e foi grande amigo das artes, no Brasil e em Portugal. Entretanto, os sinais já estavam claros. Em um jantar no Hotel Globo, no dia 7 de janeiro de 1891, com a presença de autoridades e cobertura da imprensa, o deputado Sr. Annibal Falcão fez críticas fortes ao governo provisório, ao ministro da fazenda e sua política. Na mesma ocasião, para piorar, o capitão Saturnino Cardoso classificou o movimento comercial da praça do Rio de Janeiro como “jogatina”. Era a chamada "Crise do Encilhamento”, que criou um clima de desconfiança geral no mercado. Milhares de brasileiros despreparados para o ramo da compra e venda de ações gastaram suas economias em companhias cujo valor era quase nulo na esperança de enriquecimento rápido. Foto 5. As bombas da especulação e os boatos. Revista Illustrada 1890. Acervo BNRJ A queda foi rápida e desmoralizante. Em primeiro de junho de 1892, o chefe de polícia da capital ordenou a prisão do Conde Sebastião de Pinho. O Dr. Bernardino Pereira da Silva denunciara fraudes na Empresa Industrial e Colonizadora do Brasil e conduzido um inquérito em segredo de justiça. O Conde foi preso na saída do Banco Paris e Rio e interrogado na repartição de polícia. Terminado o interrogatório, ele foi recolhido ao quartel da rua dos Barbonos, atual rua Evaristo da Veiga. Foto 6. Prédio da Praça do Commercio com suas caritatides. Assoc. Commercial. Posterioremente Banco do Brasil e CCBB. Rua Direita. C.911. Foto Marc Ferrez. Acervo Brasiliana Fotográfica O empresário era incorporador da companhia Norte-Oeste do Brasil, que se fundiu com a Terras e Colonização, formando a Empresa Industrial e Colonizadora do Brasil. Mas quais foram os crimes? Falsidade e estelionato. Basicamente, falsificação dos estatutos e da relação de acionistas. Supostamente, o conde fez parecer, falsamente, que tinha um número de ações subscritas, suficientes para cumprir o número legal de dois terços, para a instalação de uma empresa. Um ano antes, teria também desviado recursos. Pagou por telas devolutas, doadas à empresa, ficando em poder do valor da transação. Comprou outras terras em Santa Catarina, Espírito Santo e Minas Gerais, sem apresentar o recibo. Para a polícia, isso seria estelionato, desvio delituoso do fundo social. Tudo sem aprovação da assembleia dos acionistas. Porém, em 7 de junho de 1892, o Conselho Supremo da Corte de Apelação concedeu habeas corpus ao conde. Foto 7. Propaganda do Banco Paris e Rio. Jornal O tempo. 1891. Acervo BNRJ O movimento de desconfiança gerou um longo processo de esfarelamento das empresas, que levou cerca de uma década. Sebastião não caiu sozinho, diretores das companhias, deputados, senadores, advogados, banqueiros foram acusados de se beneficiarem do montante de dinheiro das entradas de ações. Em 1895, o conde foi acusado, e posteriormente sentenciado, por suposta subtração do traslado do processo no cartório do escrivão responsável. Porém, foi absolvido, por unanimidade de votos, em novembro de 1900. Dona Josefina de Almeida pediu divórcio e tentou, sem sucesso, um inventário por divórcio, em 1897. No mesmo ano, o conde fez a cessão dos seus bens aos credores, para pagamento de 18 mil contos de réis do seu passivo. Em fevereiro de 1913, foi executado o alvará de venda dos últimos “papéis podres” das empresas do conde. Foram vendidas quase 17.500 ações de bancos e companhias que fizeram sucesso na época do Encilhamento, mas só arrecadaram pouco mais de cinco mil e duzentos réis. Ações de 15 companhias, incluindo bancos e estradas de ferro, simplesmente não encontraram interessados. Foto 8. Conde Sebastião de Pinho. Jornal O Mequetrefe .1891. Acervo BNRJ O conde faleceu em sua residência, após 4 meses doente, aos 59 anos de idade, na rua Alice, número 92, bairro das Laranjeiras, em 28 de dezembro de 1914. Foi enterrado no cemitério de São João Baptista, bairro de Botafogo, Rio de Janeiro. Seus desafetos o descreviam, em seus últimos anos de vida, como uma silhueta conhecida do Rio de Janeiro que despertava comentários benevolentes, normalmente guardados aos que foram vencidos e humilhados. #encilhamento #economia #empresas #historia #historiadobrasil #bolsadevalores #industria #buybarbosa #condesabastiaodepinho #portugal #coloniaportuguesa #imperio #republica #ministériodafazenda Flavio Santos
- Loboboy, Cantor Sertanejo
Encontro de Visões: Música, Empreendedorismo e Network. Hoje, o CEO do grupo Jean Carlo Exclusive, recebe o cantor e empreendedor Loboboy, um artista multifacetado que já percorreu o Brasil e conquistou espaço em diversas entrevistas nacionais e internacionais, sempre levando o nome de Santa Catarina, Balneário Camboriú aonde mora para o cenário global. Reconhecido por unir música, atitude e visão de negócios, Loboboy consolida sua imagem como um jeito de fazer network sofisticado e contemporâneo que a região representa. LOBOBOY quer muito abrir as portas para o público europeu, principalmente Portugal aonde tem grandes parceria os a conhecerem o litoral catarinense. E fazer essa ligação entre Brasil e Europa. Em um momento de expansão de sua carreira, o artista se prepara para lançar sua própria marca, que inclui relógios, tênis e uma linha home, traduzindo seu estilo autêntico para além dos palcos. O encontro simboliza mais do que uma reunião: marca o fortalecimento de uma parceria construída sobre amizade, visão estratégica e propósito, com o objetivo comum de posicionar Balneário Camboriú, de forma permanente, entre os destinos mais desejados e valorizados no Brasil no mercado imobiliário. Quando talento, empreendedorismo e identidade se encontram, o resultado é influência, inovação e protagonismo. João Paulo Penido
- Incubadora de luso-brasileiro celebra ano de “crescimento, impacto e afirmação” com “forte aposta” na imigração e nos jovens desde Lisboa
Foto: divulgação “A Sheree – The Startup Place encerra 2025 com um balanço marcado por avanços consistentes na capacitação de empreendedores, na incubação de projetos inovadores e na afirmação da sua dimensão internacional”. É esta a avaliação de Higor Ferro Esteves, luso-brasileiro responsável pela incubadora localizada em Lisboa, que aposta na formação e no empreendedorismo, sobretudo junto do público jovem e imigrante residente em Portugal, como forma de valorizar o país. Segundo apurámos, ao longo do ano, a incubadora desenvolveu um conjunto alargado de iniciativas que consolidaram a sua missão de transformar ideias em negócios sustentáveis, com “impacto social, inovação prática e ligação efetiva ao mercado”, envolvendo empreendedores, especialistas, investidores e parceiros institucionais num ecossistema “ativo e colaborativo”. Entre os principais resultados do ano destaca-se a realização do Sheree Bootcamp, programa intensivo e gratuito que reuniu 25 empreendedores em três dias de imersão dedicados à estruturação de ideias, finanças, desenvolvimento digital e apresentação de projetos. A iniciativa traduziu-se na seleção de startups para incubação e na criação de parcerias entre participantes, reforçando o compromisso da Sheree com o apoio prático a projetos em fase inicial. “O bootcamp mostrou que quando juntamos conhecimento acessível, mentoria e comunidade, conseguimos acelerar ideias com potencial real de mercado”, afirmou Higor Ferro Esteves, sublinhando que o foco esteve sempre na aplicação concreta do conhecimento. “protocolo de cooperação” A internacionalização assumiu igualmente um papel central nos resultados de 2025, com a assinatura e consolidação do protocolo de cooperação com a University of Saint Joseph, de Macau. Esta parceria estratégica visa criar pontes entre a Europa, a Ásia e os países lusófonos, promovendo a mobilidade de startups, talento e conhecimento. A colaboração traduziu-se em encontros institucionais e participação conjunta em fóruns internacionais, reforçando o posicionamento da Sheree enquanto incubadora com visão global. “A ligação a Macau permite-nos pensar o empreendedorismo português numa lógica verdadeiramente internacional, sobretudo no espaço lusófono”, referiu este responsável. A presença ativa em eventos nacionais de referência, como o IncubX e a SIM Conference, colocou a Sheree em diálogo com mais de uma centena de incubadoras e stakeholders do ecossistema de inovação português, permitindo a troca de experiências sobre financiamento, políticas públicas e cooperação entre estruturas de apoio ao empreendedorismo. Este contacto direto com o setor contribuiu para reforçar a rede institucional da incubadora e a sua visibilidade a nível nacional. No plano da comunicação e criação de conteúdo, o lançamento do podcast Sheree Talks constituiu outro marco de 2025. O programa trouxe para o debate temas como comportamento do consumidor, migração, adaptação de marcas a novos mercados, transformação de setores tradicionais e o papel das incubadoras no desenvolvimento económico, através de conversas com especialistas e empreendedores. A iniciativa reforçou a proximidade da Sheree com a comunidade e a sua aposta na partilha de conhecimento aplicado. “Em termos de resultados diretos, a Sheree encerra o ano com mais de 15 startups incubadas ativamente e três novos projetos em fase de negociação para entrada no programa, abrangendo áreas como tecnologia, turismo, comunicação, e-commerce, saúde e inovação social. Para além do espaço físico, a incubadora assegura acompanhamento estratégico, mentoria especializada, formação contínua e acesso a uma rede de contactos e parceiros. O nosso objetivo é criar condições para que cada projeto evolua com estrutura, visão e ligação ao mercado”, destacou Higor Ferro Esteves. “Com este percurso, a Sheree – The Startup Place fecha 2025 afirmando-se como um espaço estratégico, inclusivo e orientado para a ação, onde ideias encontram ferramentas, comunidade e acompanhamento para se transformarem em negócios sustentáveis, reforçando o seu papel no ecossistema empreendedor português”, finalizou o responsável pela incubadora. Ígor Lopes
- Vamos estrear "Las Choronas", dia 08 de janeiro - temporada de quinta a domingo no CCBB, com elenco formado por importantes coletivos de Belo Horizonte
A peça possui dramaturgia crítica instigante, pensada para provocar o público transitando entre o teatro do absurdo e o surrealismo, tratando de temas bem contemporâneos. Com dramaturgia assinada e dirigida por Byron O’Neill, nome de destaque da cena mineira contemporânea, criada para ser construída de maneira colaborativa, a partir de improvisações dirigidas, partituras gestuais, fragmentos poéticos, fábulas e notícias de jornal, a montagem possui referências fortíssimas em trabalhos com temática surrealista, como os do cineasta norte-americano David Lynch (Mulholland Drive), e no teatro do absurdo, presente em obras do dramaturgo Samuel Beckett (Esperando Godot). No palco, o elenco manipula bonecos e também é manipulado por eles, em um jogo visual desafiador, chamando a atenção do público para as fronteiras entre humano e objeto, entre som e gesto, entre ouvir e ver. A montagem conta com o intérprete de Libras e Libras musical e bailarino Uziel Ferreira, o que proporciona uma linguagem dramatúrgica central para além do recurso de tradução e propõe, ainda, uma experiência sensorial e acessível, que integra teatro de bonecos, dança, música, concebida aqui como linguagem dramatúrgica central. Juntos eles transformaram a cena vencedora e mais votada do Festival de Cenas Curtas do Galpão Cine Horto 2022 em um espetáculo teatral de aproximadamente 60 minutos. Ainda segundo Byron, incluir Libras no espetáculo, foi pensado para ser também uma expressão do que acontece em cena para pessoas não ouvintes. O intérprete está integrado à cena, e os demais artistas dançam em diálogo com sua expressão corporal e linguística, transformando a Libras em matéria coreográfica e poética, também” . SERVIÇO “ Las Choronas ” Teatro II Temporada: 08 de janeiro a 08 de fevereiro de 2026 Quinta-feira a sábado às 19h e domingos às 18h Classificação Indicativa: 12 anos Duração:60 minutos Ingressos à venda na bilheteria física e site do CCBB Inteira: R$ 30 | Meia-entrada: R$ 15 Estudantes, maiores de 65 anos, demais beneficiários de leis de acesso e usuários de cartões Banco do Brasil pagam meia-entrada. Centro Cultural Banco do Brasil Rua Primeiro de Março, 66 - Centro – Rio de Janeiro - RJ Tel. (21) 3808-2020 | ccbbrio@bb.com.br Informações sobre programação, acessibilidade, estacionamento e outros serviços: bb.com.br/cultura Confira a programação completa também nas redes sociais: x.com/ccbb_rj | facebook.com/ccbb.rj | instagram.com/ccbbrj | tiktok.com/ccbbcultura Funcionamento: De quarta a segunda-feira, das 9h às 20h (fecha às terças-feiras). ATENÇÃO: Domingos, das 8h às 9h - horário de atendimento exclusivo para visitação de pessoas com deficiências intelectuais e/ou mentais e seus acompanhantes, conforme determinação legal (Lei Municipal nº 6.278/2017) RELEASE: Em janeiro, o Centro Cultural do Banco do Brasil Rio de Janeiro (CCBB Rio), realiza o espetáculo “Las Choronas”, com elenco formado por artistas de importantes coletivos teatrais de Belo Horizonte - Pigmalião Escultura que Mexe, Cia 5 Cabeças e Mulher que Bufa. A peça possui dramaturgia crítica instigante, pensada para provocar o público transitando entre o teatro do absurdo e o surrealismo, tratando de temas bem contemporâneos. A temporada em palcos cariocas, após sucesso na capital mineira no ano de 2025, será de 08 de janeiro a 8 de fevereiro de 2026, de quinta a domingo – de quinta a sábado às 19h, e aos domingos às 18h . A peça é apresentada pelo Ministério da Cultura e conta com investimento do Banco do Brasil por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet). Com dramaturgia assinada e dirigida por Byron O’Neill, nome de destaque da cena mineira contemporânea, criada para ser construída de maneira colaborativa, a partir de improvisações dirigidas, partituras gestuais, fragmentos poéticos, fábulas e notícias de jornal, a montagem possui referências fortíssimas em trabalhos com temática surrealista, como os do cineasta norte-americano David Lynch (Mulholland Drive), e no teatro do absurdo, presente em obras do dramaturgo Samuel Beckett (Esperando Godot). No palco, o elenco manipula bonecos e também é manipulado por eles, em um jogo visual desafiador, chamando a atenção do público para as fronteiras entre humano e objeto, entre som e gesto, entre ouvir e ver. Segundo O’Neill, “não é uma peça linear, com princípio, meio e fim, é uma peça que traz provocações necessárias para a nossa contemporaneidade, tratando de assuntos como amor, identidade, abandono, marginalidade e é também uma crítica política, diante do atual cenário nacional e mundial e a busca por sentido em tudo isso” , afirma o dramaturgo e diretor do espetáculo. A montagem conta com o intérprete de Libras e Libras musical e bailarino Uziel Ferreira, o que proporciona uma linguagem dramatúrgica central para além do recurso de tradução e propõe, ainda, uma experiência sensorial e acessível, que integra teatro de bonecos, dança, música, concebida aqui como linguagem dramatúrgica central. Juntos eles transformaram a cena vencedora e mais votada do Festival de Cenas Curtas do Galpão Cine Horto 2022 em um espetáculo teatral de aproximadamente 60 minutos. Ainda segundo Byron, incluir Libras no espetáculo, foi pensado para ser também uma expressão do que acontece em cena para pessoas não ouvintes. O intérprete está integrado à cena, e os demais artistas dançam em diálogo com sua expressão corporal e linguística, transformando a Libras em matéria coreográfica e poética, também” . Sinopse: Nothing to be done.Nada a fazer. Esto es una grabación. Não há banda! E assim mesmo escutamos o nada. Se quiserem ouvir um alfinete, ouçam! Um choro de bebê tocando cuíca... Ouçam, ouçam o som da cuíca tocada pelo bebê que chora. No hay nene! There is no baby! Apenas lágrimas e Las Choronas. Don't worry, this too shall pass. Mañana vai ser outro dia. Sobre Las Choronas O nome Las Choronas Companheiras Teatrais vem do encontro de pessoas que fazem teatro há muito tempo, mas não haviam trabalhado juntas. Essa é a primeira vez que as companhias Pigmalião Escultura que Mexe, Cia 5 Cabeças e Mulher que Bufa se unem para um espetáculo inédito. Outra explicação para o nome Las Choronas vem da cena curta, no qual o espetáculo é baseado. Ela é referenciada numa cena do filme Mulholland Drive, onde a atriz Rebeca Del Rio aparece cantando a música “Llorando” O espetáculo também conta com uma cena em que as duas meninas, Liz e Carol, são manipuladas pela Aurora, “aí eu brinco que elas são as choronas, que são as bonecas manipuladas”, brinca Byron O’Neill, diretor e dramaturgo. Ainda de acordo com O’Neill, a mistura de idiomas durante o espetáculo se dá devido à quantidade de atores que se apresentam fora do Brasil, além de atores estrangeiros que fazem parte das companhias, como, por exemplo, Aurora, que é italiana, fala português e francês, além do seu idioma nativo. “Essa mistura de idiomas foi uma coisa natural, não foi de propósito, mas ela foi tomando conta da dramaturgia e eu não tive como escrever apenas em português e também tem uma mistura com a Libras. É uma peça em que, às vezes, a pessoa que é ouvinte não entende absolutamente tudo o que está sendo dito, por isso tem momentos em que ela é dita que a peça acontece apenas em Libras, em outros momentos que a peça está sendo dita em italiano e temos tradução para Libras mas que não temos tradução para o português, por exemplo”, explica O’Neill. Ficha técnica "Las Choronas": Apresentação: Ministério da Cultura e Banco do Brasil Direção e dramaturgia: Byron O'Neill Assistência de direção e direção de manipulação: Igor Godinho Elenco : Aurora Majnoni, Carol Oliveira, Eduardo Felix, Joyce Malta, Liz Schrickte, Uziel Ferreira e Tom Forato Intérprete de libras: Uziel Ferreira Assistente em tradução de libras : Victor Daniel Trilha sonora: Las Choronas Edição musical: Rafael Nelvam Trilha cuíca: Daniel Guedes Captação, edição, mixagem trilha cuíca: Fillipe Glauss - Estúdio Nascente Técnico de som: Vinicius Alves Criação de luz: Marina Arthuzzi e Wellington Santos Cenografia e figurinos: Eduardo Felix Cabelo e maquiagem: Camila Polatscheck e Iara Drumond Bonecos: Aurora Majnoni, Eduardo Felix, Mauro Carvalho e Tom Forato Cenotécnico : Nilson Santos Costureira : Elaine do Carmo e Endira Drumond Coreografia: Uziel Ferreira, Guilherme Morais e Liz Schrickte Operação de luz: Marina Arthuzzi e Wellington Santos Assessoria de imprensa: Alessandra Costa Social Media: Flávia Moreira Arte gráfica: Liz Schrickte Fotos: Guto Muniz, Tom Forato e Byron O’Neill Coordenação de produção: Luisa Rosa Produção: Carol Oliveira Assistente de produção: Vina Amorim e San Marino Gestão de Objeto : Cris Moreira Gestão financeira: Graziane Monteiro Contabilidade: Ambar Contabilidade Realização: Governo do Brasil e Centro Cultural Banco do Brasil AGRADECIMENTOS: Galpão Cine Horto, Márcio Miranda, Matheus Carvalho, Paula Ribas, Marlene Imaculada Cota, O’Neill Byron, Clarissa Amorim Hortélio, Gustavo Djalva, Márcio Gouvea, Carô Rennó, João Corgozinho, Iara, Lira e Lucca. SERVIÇO “ Las Choronas ” Teatro II Temporada: 08 de janeiro a 08 de fevereiro de 2026 Quinta-feira a sábado às 19h e domingos às 18h Classificação Indicativa: 12 anos Duração:60 minutos Ingressos à venda na bilheteria física e site do CCBB Inteira: R$ 30 | Meia-entrada: R$ 15 Estudantes, maiores de 65 anos, demais beneficiários de leis de acesso e usuários de cartões Banco do Brasil pagam meia-entrada. Centro Cultural Banco do Brasil Rua Primeiro de Março, 66 - Centro – Rio de Janeiro - RJ Tel. (21) 3808-2020 | ccbbrio@bb.com.br Informações sobre programação, acessibilidade, estacionamento e outros serviços: bb.com.br/cultura Confira a programação completa também nas redes sociais: x.com/ccbb_rj | facebook.com/ccbb.rj | instagram.com/ccbbrj | tiktok.com/ccbbcultura Funcionamento: De quarta a segunda-feira, das 9h às 20h (fecha às terças-feiras). ATENÇÃO: Domingos, das 8h às 9h - horário de atendimento exclusivo para visitação de pessoas com deficiências intelectuais e/ou mentais e seus acompanhantes, conforme determinação legal (Lei Municipal nº 6.278/2017) Assessoria de Imprensa CCBB RJ: Giselle Sampaio | (21) 3808-0142 | (21) 99972-6933 gisellesampaio@bb.com.br Alessandra Costa
- Sucesso internacional, ‘JOB’ chega ao Teatro Adolpho Bloch, com Bianca Bin e Edson Fieschi no elenco
Fernando Philbert dirige texto de Max Wolf Friedlich que conquistou a Broadway ao debater ética, saúde mental e o submundo do universo digital no mundo contemporâneo Link para imagens: https://drive.google.com/drive/u/0/folders/1pk9l7rW8VJzySFIe9Y0X1i_YzE3drwce Jane ( Bianca Bin ) é especialista em filtrar conteúdo impróprio na internet, funcionária exemplar de uma grande empresa de tecnologia. Após acumular anos e anos sendo testemunha do ambiente tóxico das redes, ela tem um colapso na firma em que trabalha, acaba sendo afastada de seu cargo e obrigada a frequentar o consultório de um terapeuta ( Edson Fieschi ). A partir deste encontro, a trama de ‘ Job ’ se desenrola em um thriller psicológico que arrebatou a Broadway desde a sua estreia em 2023 e chega agora ao Rio, a partir de 10 de janeiro no Teatro Adolpho Bloch , após uma temporada de sucesso em São Paulo. A montagem tem direção de Fernando Philbert (‘Três Mulheres Altas’, ‘Todas as Coisas Maravilhosas’) e a mesma dupla de produtores do fenômeno ‘ Prima Facie ’, Luciano Borges e Edson Fieschi, desta vez também em cena como ator. ‘ Job ’ estreou em setembro de 2023 no teatro Soho Playhouse em Nova York, protagonizada por Peter Friedman (da série ‘Succession’) e Sydney Lemmon. A peça foi indicada a inúmeros prêmios e em junho de 2024 chegou à Broadway. O The New York Times classificou a obra como ‘ Um thriller sofisticado e implacável ’. Teatro Adolpho Bloch Localizado no histórico Edifício Manchete, na Glória, Rio de Janeiro, projetado por Oscar Niemeyer e com paisagismo de Burle Marx, o Teatro Adolpho Bloch é palco de momentos célebres da cultura brasileira. Desde maio de 2019, o Instituto Evoé é responsável por devolver ao Rio de Janeiro esse espaço icônico, transformado num complexo cultural moderno. Graças à genialidade de Niemeyer, que criou um palco reversível, tornou-se possível, mesmo em períodos desafiadores como a pandemia, promover espetáculos e eventos tanto na área externa, ao ar livre, quanto na interna, ou nas duas ao mesmo tempo, em formato arena, proporcionando múltiplas formas de criar e consumir arte e entretenimento. Único teatro na cidade do Rio de Janeiro com palco reversível, permitindo que o público se acomode na área externa, o Teatro Adolpho Bloch ganhou, em 2021, o formato arena, com capacidade para 359 lugares internos e 120 externos, e palco de 140 m², equipado com a melhor estrutura. O espaço abriga ainda o bistrô Bettina Café & Arte. JOB Texto: Max Wolf FriedlichElenco: Bianca Bin e Edson FieschiDireção: Fernando Philbert Cenografia: Natália Lana Figurinos: Ronald Teixeira Iluminação: Vilmar Olos Trilha Sonora: Marcelo Alonso Neves Assessoria de comunicação: Pedro Neves / Clímax Design gráfico: Bárbara Lana Direção de Produção: Lilian BertinCoordenador Geral de Produção: Luciano BorgesRealização: Borges & Fieschi Produções Culturais. Serviço: JOB Temporada: De 10 de janeiro a 22 de fevereiro Dias e horários : Sextas e sábados, às 20h Domingos, às 18h. Valor : Ingressos a R$ 150 Ingressos : https://www.ingresso.com/espetaculos/job-com-bianca-bin-e-edson-fieschi Duração : 75 minutos Classificação : 12 anos Alex Varela
- Casa dos Açores do Havai é oficialmente reconhecida em Hilo
Foto: divulgação “A Casa dos Açores do Havai concretiza finalmente uma intenção estratégica que remonta aos primeiros governos dos Açores, na década de oitenta do século passado”. Foi com estas palavras que o diretor regional das Comunidade do Governo dos Açores reagiu à oficialização da Casa dos Açores do Havai, no último dia 19 de dezembro, em Hilo, na ilha da Big Island. A entidade, que reforça agora a rede mundial das Casas dos Açores, reconhece institucionalmente, segundo o governo dos Açores, “uma das mais antigas e marcantes comunidades açorianas fora do Atlântico”. O reconhecimento oficial da Casa dos Açores do Havai foi formalizado através da assinatura de um protocolo de cooperação, tornando esta a vigésima Casa dos Açores no mundo e a terceira nos Estados Unidos da América, depois da Califórnia e da Nova Inglaterra. O protocolo foi assinado pelo secretário regional da Agricultura e Alimentação, António Ventura, em representação do presidente do governo dos Açores, José Manuel Bolieiro, com a presença de José Andrade. Segundo apurámos, “a nova instituição nasceu da iniciativa de um grupo de açordescendentes das ilhas de Hawai’i, Maui, O’ahu e Kaua’i, presidido pela professora universitária Marlene Andrade Hapai, e resultou de um trabalho desenvolvido ao longo do último ano pela Secretaria Regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades”. Concretizou-se, assim, uma aspiração antiga, reconhecida desde a década de 1980, de dar expressão institucional a esta diáspora no Pacífico. “Impressiona e orgulha encontrar a Açorianidade ainda tão presente nas ilhas do Havaí, a 12 mil quilómetros de distância e mais de 100 anos depois de concluída a nossa emigração. A nova Casa dos Açores simboliza a ligação açoriana do Atlântico ao Pacífico, recuperando do passado e potenciando para o futuro o destino mais distante e mais mítico da nossa diáspora”, mencionou José Andrade. Informações do governo açoriano indicam que “a criação da Casa dos Açores do Havai representa mais do que um ato administrativo, ou seja, traduz também uma aposta estratégica na valorização da diáspora como extensão viva do arquipélago”. Para Paulo Estêvão, secretário regional com a tutela das Comunidades, trata-se de “uma visão de futuro ancorada na identidade, na memória e na capacidade dos Açores se projetarem como um arquipélago com expressão global”. Este responsável descreveu os Açores como “o Havai do Atlântico”, destacando a origem vulcânica comum, a centralidade do oceano, a convivência intensa com a natureza e uma cultura de resiliência que moldou comunidades habituadas a transformar o isolamento em abertura ao mundo. Essa proximidade histórica e cultural tem criado, segundo o governante, “uma base sólida para uma cooperação inovadora e sustentável”. História valorizada e recordada Entre 1878 e 1913, mais de 14 mil açorianos emigraram para o Havai, maioritariamente para trabalhar nas plantações de cana-de-açúcar, levando consigo a língua, a fé, os valores comunitários e práticas culturais que perduram até hoje, como as Festas do Espírito Santo, a música e a gastronomia, símbolos de solidariedade, partilha e identidade. Atualmente, o arquipélago do Havai acolhe dezenas de milhares de açordescendentes, muitos com ascendência também madeirense, que mantêm uma ligação afetiva profunda às ilhas de origem. A preservação das tradições ao longo de várias gerações demonstra a capacidade de integração sem perda de identidade cultural. A Casa dos Açores do Havai integra uma visão mais ampla de um mundo açoriano global, com comunidades enraizadas na América do Norte e do Sul, formando uma verdadeira geografia humana que se estende do Atlântico ao Pacífico. Este património humano constitui, segundo o governo regional, um ativo estratégico para o futuro dos Açores. Sede será apresentada em 2026 Nesse contexto, têm sido abertas novas oportunidades de cooperação entre os Açores e o Havai, nomeadamente na partilha de conhecimento entre territórios insulares vulcânicos, na ciência do mar, na sustentabilidade, no turismo de identidade, no intercâmbio educativo e juvenil e na diplomacia cultural. A ambição da nova Casa materializa-se também na construção do Centro Cultural Saudades, a expensas da comunidade açordescendente, com inauguração prevista para 2026: implantado num terreno com cerca de quatro mil metros quadrados, o projeto representará um investimento estimado de dois milhões de dólares e será a sede da Casa dos Açores do Havai. Na sequência desta criação, vários grupos de havaianos já estão a programar viagens aos Açores, reforçando laços afetivos, promovendo o turismo de raízes e abrindo novas perspetivas de cooperação cultural, científica e económica. Nos últimos quatro anos, o governo dos Açores apoiou a criação de novas Casas dos Açores em Apiacá e Belo Horizonte (Brasil), Coimbra (Portugal) e agora Hilo, consolidando uma rede que valoriza uma ideia central: ser açoriano é pertencer a um arquipélago e a uma comunidade global, com história, presente e horizonte de futuro. “A vontade expressa dos açordescendentes do Havai em recuperarem e valorizarem as suas raízes açorianas, designadamente através de viagens de conhecimento ou mesmo de intenções de investimento, faz com que a fundação desta Casa dos Açores seja uma aposta ganha”, finalizou José Andrade. Ígor Lopes
- Estreia 08/01 no CCBB Coletivo de Belo Horizonte, pela 1a. vez no Rio "Las Choronas" - Teatro Aburdo Surrealismo
Em janeiro, o Centro Cultural do Banco do Brasil Rio de Janeiro (CCBB Rio), realiza o espetáculo “Las Choronas”, com elenco formado por artistas de importantes coletivos teatrais de Belo Horizonte - Pigmalião Escultura que Mexe, Cia 5 Cabeças e Mulher que Bufa. A peça possui dramaturgia crítica instigante, pensada para provocar o público transitando entre o teatro do absurdo e o surrealismo, tratando de temas bem contemporâneos. A temporada em palcos cariocas, após sucesso na capital mineira no ano de 2025, será de 08 de janeiro a 8 de fevereiro de 2026, de quinta a domingo – de quinta a sábado às 19h, e aos domingos às 18h . A peça é apresentada pelo Ministério da Cultura e conta com investimento do Banco do Brasil por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet). Com dramaturgia assinada e dirigida por Byron O’Neill, nome de destaque da cena mineira contemporânea, criada para ser construída de maneira colaborativa, a partir de improvisações dirigidas, partituras gestuais, fragmentos poéticos, fábulas e notícias de jornal, a montagem possui referências fortíssimas em trabalhos com temática surrealista, como os do cineasta norte-americano David Lynch (Mulholland Drive), e no teatro do absurdo, presente em obras do dramaturgo Samuel Beckett (Esperando Godot). No palco, o elenco manipula bonecos e também é manipulado por eles, em um jogo visual desafiador, chamando a atenção do público para as fronteiras entre humano e objeto, entre som e gesto, entre ouvir e ver. Segundo O’Neill, “não é uma peça linear, com princípio, meio e fim, é uma peça que traz provocações necessárias para a nossa contemporaneidade, tratando de assuntos como amor, identidade, abandono, marginalidade e é também uma crítica política, diante do atual cenário nacional e mundial e a busca por sentido em tudo isso” , afirma o dramaturgo e diretor do espetáculo. A montagem conta com o intérprete de Libras e Libras musical e bailarino Uziel Ferreira, o que proporciona uma linguagem dramatúrgica central para além do recurso de tradução e propõe, ainda, uma experiência sensorial e acessível, que integra teatro de bonecos, dança, música, concebida aqui como linguagem dramatúrgica central. Juntos eles transformaram a cena vencedora e mais votada do Festival de Cenas Curtas do Galpão Cine Horto 2022 em um espetáculo teatral de aproximadamente 60 minutos. Ainda segundo Byron, incluir Libras no espetáculo, foi pensado para ser também uma expressão do que acontece em cena para pessoas não ouvintes. O intérprete está integrado à cena, e os demais artistas dançam em diálogo com sua expressão corporal e linguística, transformando a Libras em matéria coreográfica e poética, também” . Sinopse: Nothing to be done.Nada a fazer. Esto es una grabación. Não há banda! E assim mesmo escutamos o nada. Se quiserem ouvir um alfinete, ouçam! Um choro de bebê tocando cuíca... Ouçam, ouçam o som da cuíca tocada pelo bebê que chora. No hay nene! There is no baby! Apenas lágrimas e Las Choronas. Don't worry, this too shall pass. Mañana vai ser outro dia. Sobre Las Choronas O nome Las Choronas Companheiras Teatrais vem do encontro de pessoas que fazem teatro há muito tempo, mas não haviam trabalhado juntas. Essa é a primeira vez que as companhias Pigmalião Escultura que Mexe, Cia 5 Cabeças e Mulher que Bufa se unem para um espetáculo inédito. Outra explicação para o nome Las Choronas vem da cena curta, no qual o espetáculo é baseado. Ela é referenciada numa cena do filme Mulholland Drive, onde a atriz Rebeca Del Rio aparece cantando a música “Llorando” O espetáculo também conta com uma cena em que as duas meninas, Liz e Carol, são manipuladas pela Aurora, “aí eu brinco que elas são as choronas, que são as bonecas manipuladas”, brinca Byron O’Neill, diretor e dramaturgo. Ainda de acordo com O’Neill, a mistura de idiomas durante o espetáculo se dá devido à quantidade de atores que se apresentam fora do Brasil, além de atores estrangeiros que fazem parte das companhias, como, por exemplo, Aurora, que é italiana, fala português e francês, além do seu idioma nativo. “Essa mistura de idiomas foi uma coisa natural, não foi de propósito, mas ela foi tomando conta da dramaturgia e eu não tive como escrever apenas em português e também tem uma mistura com a Libras. É uma peça em que, às vezes, a pessoa que é ouvinte não entende absolutamente tudo o que está sendo dito, por isso tem momentos em que ela é dita que a peça acontece apenas em Libras, em outros momentos que a peça está sendo dita em italiano e temos tradução para Libras mas que não temos tradução para o português, por exemplo”, explica O’Neill. Ficha técnica "Las Choronas": Apresentação: Ministério da Cultura e Banco do Brasil Direção e dramaturgia: Byron O'Neill Assistência de direção e direção de manipulação: Igor Godinho Elenco : Aurora Majnoni, Carol Oliveira, Eduardo Felix, Joyce Malta, Liz Schrickte, Uziel Ferreira e Tom Forato Intérprete de libras: Uziel Ferreira Assistente em tradução de libras : Victor Daniel Trilha sonora: Las Choronas Edição musical: Rafael Nelvam Trilha cuíca: Daniel Guedes Captação, edição, mixagem trilha cuíca: Fillipe Glauss - Estúdio Nascente Técnico de som: Vinicius Alves Criação de luz: Marina Arthuzzi e Wellington Santos Cenografia e figurinos: Eduardo Felix Cabelo e maquiagem: Camila Polatscheck e Iara Drumond Bonecos: Aurora Majnoni, Eduardo Felix, Mauro Carvalho e Tom Forato Cenotécnico : Nilson Santos Costureira : Elaine do Carmo e Endira Drumond Coreografia: Uziel Ferreira, Guilherme Morais e Liz Schrickte Operação de luz: Marina Arthuzzi e Wellington Santos Assessoria de imprensa: Alessandra Costa Social Media: Flávia Moreira Arte gráfica: Liz Schrickte Fotos: Guto Muniz, Tom Forato e Byron O’Neill Coordenação de produção: Luisa Rosa Produção: Carol Oliveira Assistente de produção: Vina Amorim e San Marino Gestão de Objeto : Cris Moreira Gestão financeira: Graziane Monteiro Contabilidade: Ambar Contabilidade Realização: Governo do Brasil e Centro Cultural Banco do Brasil AGRADECIMENTOS: Galpão Cine Horto, Márcio Miranda, Matheus Carvalho, Paula Ribas, Marlene Imaculada Cota, O’Neill Byron, Clarissa Amorim Hortélio, Gustavo Djalva, Márcio Gouvea, Carô Rennó, João Corgozinho, Iara, Lira e Lucca. SERVIÇO “ Las Choronas ” Teatro II Temporada: 08 de janeiro a 08 de fevereiro de 2026 Quinta-feira a sábado às 19h e domingos às 18h Classificação Indicativa: 12 anos Duração:60 minutos Ingressos à venda na bilheteria física e site do CCBB Inteira: R$ 30 | Meia-entrada: R$ 15 Estudantes, maiores de 65 anos, demais beneficiários de leis de acesso e usuários de cartões Banco do Brasil pagam meia-entrada. Centro Cultural Banco do Brasil Rua Primeiro de Março, 66 - Centro – Rio de Janeiro - RJ Tel. (21) 3808-2020 | ccbbrio@bb.com.br Informações sobre programação, acessibilidade, estacionamento e outros serviços: bb.com.br/cultura Confira a programação completa também nas redes sociais: x.com/ccbb_rj | facebook.com/ccbb.rj | instagram.com/ccbbrj | tiktok.com/ccbbcultura Funcionamento: De quarta a segunda-feira, das 9h às 20h (fecha às terças-feiras). ATENÇÃO: Domingos, das 8h às 9h - horário de atendimento exclusivo para visitação de pessoas com deficiências intelectuais e/ou mentais e seus acompanhantes, conforme determinação legal (Lei Municipal nº 6.278/2017) Alex Varela
- “Os meus heterónimos vivem todos na mesma casa”, disse escritor português durante entrevista à revista árabe
Imagem: João Morgado, escritor/divulgação O escritor português João Morgado é o protagonista de uma extensa entrevista conduzida pela jornalista e romancista egípcia Nesrein El-Bakhshawangy para a prestigiada revista Al Majalla, publicação de referência dirigida ao público árabe. A conversa aprofunda os diferentes géneros literários, temáticas e estilos que caracterizam a obra multifacetada do autor. “Os meus heterónimos vivem todos na mesma casa e olham o mundo da mesma varanda”. É desta forma que João Morgado define o seu percurso literário. Com uma trajetória profissional que passou pela indústria têxtil, jornalismo, marketing, política e escrita de guiões, o autor transporta para a literatura essa multiplicidade de experiências. Romance histórico, narrativa intimista, literatura infantil, poesia e teatro coexistem na sua bibliografia sem hierarquias. “A identidade literária não precisa de ser una para ser autêntica”, afirmou. Heróis humanizados: a História sem pedestais Na linha de Alexandre Herculano, mas com uma abordagem mais crítica e menos alinhada com versões oficiais, João Morgado dedica-se a retratar figuras históricas nas suas dimensões humanas – virtudes e falhas incluídas. Na sua Trilogia dos Navegantes (Índias / Dust in the Gale, Vera Cruz e Fernão de Magalhães e a Ave-do-Paraíso), Vasco da Gama, Pedro Álvares Cabral e Fernão de Magalhães emergem como homens de carne e osso, confrontados com dilemas morais, ambições desmedidas e decisões impossíveis. “Ser herói de um povo não é o mesmo que ser santo", escreveu o autor, rejeitando tanto a deificação como o julgamento anacrónico. A opção por humanizar personagens históricas nem sempre é consensual, mas Morgado defende que “o debate literário saudável enriquece a compreensão histórica”. Da epopeia à intimidade: explorar o não dito Se nos romances históricos João Morgado recupera os grandes movimentos marítimos dos séculos XV e XVI, na Trilogia da Intimidade (Diário dos Infelizes, Diário dos Imperfeitos, Diário dos Infiéis) mergulha no território oposto: o desgaste do quotidiano, o envelhecimento, a desilusão. “E se a vida não cumprir a promessa do 'felizes para sempre'?", questionou. São narrativas que começam onde outras terminam – depois da paixão, no silêncio da imperfeição. Sobre João Morgado Autor de uma vasta obra que inclui romance, conto, poesia, teatro e crónica, João Morgado tem-se destacado pela capacidade de transitar entre géneros e registos com absoluta naturalidade. Entre os seus trabalhos contam-se também um romance biográfico sobre Camões e Praia di Bunitas, livro infantil com passagens em crioulo cabo-verdiano que aborda a preservação dos oceanos e foi oferecido a escolas em Cabo Verde. “Uma literatura viva não deve confortar certezas, mas despertar questões”, comenta Morgado, definindo a frase como o lema que atravessa toda a sua produção literária. Ígor Lopes
- Carne exposta, do céu ao asfalto: as imagens de humilharam o Brasil em 2025
O ano de 2025 ficará registrado na memória coletiva brasileira não por grandes avanços sociais, mas por imagens que escancararam a fragilidade da dignidade humana e o abismo da empatia. Duas cenas, em particular, tornaram-se símbolos de um Brasil que parece lutar contra seus próprios demônios: a barbárie do feminicídio na Marginal Tietê e o polêmico "show de caridade" aéreo em Aparecida de Goiânia. O empresário Leandro Nóbrega, proprietário do Frigorífico Goiás, protagonizou uma cena que dividiu opiniões e gerou uma onda de indignação nacional. Ao sobrevoar áreas periféricas de Aparecida de Goiânia (GO) em um helicóptero, o empresário e sua esposa foram filmados lançando peças de carne diretamente para a população que se aglomerava abaixo. Para muitos, a cena não foi um ato de filantropia, mas sim um espetáculo de humilhação. A dinâmica — pessoas correndo e disputando alimento que caía do céu — evocou paralelos sombrios com cenários de guerra ou crises humanitárias extremas, como a distribuição de suprimentos por soldados em zonas de refúgio ou na Faixa de Gaza. A Crítica: Ativistas e sociólogos apontaram que a caridade, quando despojada de respeito e organização, fere a dignidade do receptor. O ato foi visto como uma autopromoção política e empresarial que utilizou a fome alheia como cenário para um vídeo de redes sociais. A Defesa: Por outro lado, defensores do empresário argumentaram que o "importante é ajudar" e que a intenção era aliviar a carência alimentar de famílias em situação de vulnerabilidade, independentemente da estética do método utilizado. O Contraste da Barbárie: A Tragédia na Marginal Tietê O impacto da cena de Goiás foi potencializado pelo choque de outra imagem terrível que marcou o período: o feminicídio brutal ocorrido em São Paulo. A cena da jovem Tainara de Souza, que foi atropelada e arrastada por cerca de um quilômetro por seu ex-companheiro na Marginal Tietê tornou-se o retrato máximo da misoginia e da violência desenfreada. Essas duas imagens, embora de naturezas diferentes — uma de violência física direta e outra de violência simbólica e social — convergem para um ponto comum: a coisificação do ser humano. "Em uma imagem, a vida é descartada no asfalto; na outra, a dignidade é jogada do alto. Ambas revelam um país onde o 'outro' é reduzido a um objeto de fúria ou de exibicionismo." As repercussões desses eventos em 2025 mostram que o Brasil vive um momento de profunda introspecção e polarização. O gesto de Leandro Nóbrega, frequentemente associado ao seu posicionamento político bolsonarista, inflamou ainda mais os debates sobre como a elite brasileira enxerga a pobreza. Dizer que essas imagens "mancharam" o ano é um eufemismo. Elas servem como um espelho incômodo. A comparação com refugiados e crianças em zonas de guerra não é gratuita; ela ressalta que, mesmo em tempos de paz oficial, a desigualdade brasileira impõe condições de sobrevivência que beiram o desespero.A caridade que não reconhece o próximo como um igual é apenas uma forma de exercer poder. O episódio em Aparecida de Goiânia, somado à violência de gênero que segue sangrando as avenidas do país, deixa um alerta claro: não há desenvolvimento possível sem a preservação da dignidade humana básica. "O ano de 2025 será lembrado como o ano em que a carne — seja a que alimenta, seja a que sofre a violência — foi exposta da maneira mais crua possível diante das câmeras." Gilson Romanelli
- Brigitte Bardot — A Musa que Transformou Búzios em História
Brigitte Bardot é mais do que um ícone do cinema francês: ela é símbolo de liberdade, beleza autêntica e ruptura cultural. Nos anos 1950 e 60, seu talento e personalidade arrebatadora encantaram o mundo, tornando-a uma das mulheres mais admiradas do planeta. No auge dessa fama, Bardot encontrou no Brasil um refúgio inesperado. Em 1964, acompanhada do namorado da época, Bob Zagury, ela se apaixonou por uma pequena vila de pescadores ainda pouco conhecida: Armação dos Búzios. A tranquilidade, a natureza preservada e o encanto do lugar marcaram profundamente sua passagem. O efeito foi imediato: a presença da estrela projetou Búzios internacionalmente e a transformou para sempre em destino desejado e sofisticado. Como gesto de gratidão, a cidade eternizou essa relação com a criação da Orla Bardot e com a famosa escultura de bronze, obra da artista Christina Motta. Desde 1999, ela permanece ali, olhando o mar, como memória viva desse encontro histórico entre uma estrela do cinema mundial e um pedaço especial do Brasil. Hoje, Bardot continua iluminando não só a história do cinema, mas também a paisagem cultural brasileira. Sua passagem foi breve — mas eterna. Delcio Marinho










