Revista do Villa
Revista do Villa
Revista do Villa
Revista luso-brasileira de conteúdo sobre cultura, gastronomia, moda, turismo,
entretenimento, eventos sociais, bem-estar, life style e muito mais...
Resultados encontrados para busca vazia
- Núcleo da Ideia (NDI) conquista o Jacaré de Bronze no Prêmio Caio 2025, considerado o “Oscar dos Eventos”
Agência carioca, que celebra 20 anos no mercado à frente da criação, produção e realização de projetos na área da cultura e turismo, se destaca pelas ações de brand experience para marcas e instituições. O ano de 2025 tem sido especial para a Núcleo da Ideia (NDI). Além de celebrar 20 anos de atuação no mercado publicitário, a agência de comunicação acaba de conquistar o Jacaré de Bronze, troféu recebido pelo Prêmio Caio 2025, realizado ontem (08/12) em São Paulo. Considerado o “Oscar dos eventos”, a premiação nomeou a NDI como vencedora na categoria evento promocional com o case Verão #TônoRio 2025, que traz um legado para a cidade do Rio de Janeiro. O projeto foi realizado pelo quarto ano na praia de Copacabana e transformou a orla carioca em um grande palco de promoção do turismo, da cultura e da cidadania, com experiências culturais e ativações institucionais, que dialogavam diretamente com visitantes nacionais e internacionais. Criado e produzido pelos sócios-diretores da NDI, Flávio Bidoia e Luciane Araújo, para a Secretaria de Estado de Turismo do Rio de Janeiro (Setur-RJ) e TurisRio, o Verão #TônoRio 2025 contou, este ano, com um estande de dois andares com mais de 300 metros, que, em 10 semanas de programação contínua e gratuita, apresentou 50 shows de artistas regionais e DJs, ações sociais e iniciativas que destacaram o potencial turístico do Rio, com informações sobre as 12 regiões turísticas do Estado. O ambiente interativo, que também trazia o Cristo Redentor em um telão de led de 50 m² e ativações digitais, deu lugar a um espaço diferenciado de celebração, convivência e pertencimento para cariocas e turistas de mais de 80 países e 165 cidades do Brasil, que estiveram no local. “Receber um troféu do Prêmio Caio 2025 é um reconhecimento da criatividade e dedicação a ideias inovadoras destes 20 anos de histórias e comemorações da NDI”, destaca Luciane Araújo. Certificada pela ISO 9001, a agência tem em seu portfólio a conquista de outros três troféus do Prêmio Caio, de edições anteriores. “Estamos muito felizes com esta nova premiação. Nesta quarta edição do projeto Verão #TônoRio, tivemos o desafio de transformar uma estrutura de estande em um evento de grande porte e longa duração, capaz de gerar impacto promocional, visibilidade institucional e experiência real de engajamento com o público, reforçando o compromisso com a valorização do interior do Estado e o fortalecimento da marca #TônoRio”, explica Flávio Bidoia. O lançamento da 5° edição do projeto #TônoRio acontece na próxima quinta-feira, 18/12, em Copacabana, no Rio, e a NDI já prepara novidades para o evento. A agência, que atua como um hub de criação na concepção, produção e realização de projetos proprietários na área da cultura e turismo, ativações de marca e comunicação empresarial, foi condecorada em 2024 com dois Jacarés de Prata, com os cases ExpoRio Turismo, a maior feira do setor no Estado do Rio, e Viva Carmem, exposição sobre a vida e obra de Carmem Miranda, que marcou a reabertura do Museu Carmen Miranda, e em 2016, ganhou o Jacaré de Bronze com a produção de Estande em Ilha para a Actavis. Outras premiações também destacam o ineditismo e potencial criativo dos projetos desenvolvidos. Entre eles, o Prêmio Aberje, um dos mais prestigiados da comunicação corporativa no país; e o AMPRO Globes Awards, que celebra os melhores cases de brand experience - em 2025, a NDI foi finalista entre as mais de 100 agências participantes. Alex Varela
- Manobra ou Fato? O anúncio de Flávio e a estratégia por detrás da pré-candidatura "Negociável"
O cenário político nacional ganhou um novo e significativo desenvolvimento com o anúncio feito pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de sua pré-candidatura à Presidência da República nas próximas eleições. O movimento, confirmado pelo senador em suas redes sociais após uma visita ao seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, na carceragem da Polícia Federal em Brasília, posiciona o primogênito da família como o herdeiro político e o principal nome da extrema-direita para a disputa. A escolha de Flávio Bolsonaro, endossada publicamente por lideranças do Partido Liberal (PL), como o presidente Valdemar Costa Neto, que declarou "Bolsonaro falou, está falado. Estamos juntos", representa uma tentativa de manter o capital político do clã familiar na linha de frente da política nacional, após a prisão e a inelegibilidade do ex-presidente. A Escolha e o Perfil de Flávio Bolsonaro A decisão de Jair Bolsonaro em lançar o filho mais velho para a corrida presidencial está sendo vista por analistas e aliados como uma estratégia para preservar a identidade e a influência do bolsonarismo no pleito de 2026. Dentro do núcleo familiar, o senador Flávio Bolsonaro é frequentemente apontado como o membro mais articulado e "moderado", com maior capacidade de diálogo com o chamado centro-direita e outras legendas. Abertura para o Diálogo: Seu perfil como senador, com experiência em articulações no Congresso, pode ser um fator crucial para tentar angariar o apoio de partidos como o PP, União Brasil e Republicanos, que são essenciais para a formação de uma chapa competitiva. Legado Familiar: Flávio assume a "missão" de dar continuidade ao projeto político de seu pai, buscando capitalizar o apoio fiel dos eleitores bolsonaristas. Em seu anúncio, ele expressou o compromisso de não se conformar com o rumo atual do país e de lutar pela esperança e pela democracia. Apesar do endosso familiar e partidário imediato, a viabilidade da candidatura de Flávio Bolsonaro no cenário nacional ainda é alvo de análise, com pesquisas apontando que ele pode enfrentar desafios para atingir o mesmo patamar de popularidade de seu pai entre o eleitorado conservador. O Impacto no Campo da Direita O anúncio de Flávio Bolsonaro, ainda que esperado por alguns, lança um balde de água fria nas articulações de outros nomes da direita e centro-direita que vinham pavimentando suas pré-candidaturas e disputando o espólio político de Jair Bolsonaro. Governadores de estados chave, como Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Romeu Zema (Novo-MG), Ratinho Junior (PSD-PR) e Ronaldo Caiado (União Brasil-GO), que eram vistos como potenciais sucessores naturais na ausência do ex-presidente, agora enfrentam um dilema: Tarcísio de Freitas: Com o lançamento de Flávio, a tendência para o governador de São Paulo pode ser a de focar em sua reeleição em 2026, consolidando sua base em um dos maiores colégios eleitorais do país. Zema e Ratinho Junior: Os governadores de Minas Gerais e Paraná podem ter seu horizonte político reajustado. Há especulações de que poderiam compor como vice na chapa de Flávio ou mirar na disputa por vagas no Senado Federal, dependendo de suas avaliações políticas. Ronaldo Caiado: O governador de Goiás, União Brasil, que reafirmou suas aspirações presidenciais, pode ser forçado a recalibrar sua estratégia. A possível mudança de legenda (como Solidariedade ou Podemos) poderia ser uma forma de buscar um caminho alternativo para manter a disputa presidencial, embora com um peso eleitoral menor em um cenário já polarizado. A decisão de Bolsonaro indica uma preferência clara pela continuidade do projeto dentro do círculo íntimo, minimizando o risco de entregar seu capital político a um terceiro, mesmo que aliado. A movimentação centraliza o debate eleitoral da direita e extrema-direita em torno do nome de Flávio, forçando os demais concorrentes a redefinirem suas posições e estratégias para 2026. A pré-candidatura de Flávio Bolsonaro marca, portanto, uma nova fase na política brasileira, com a direita buscando reorganizar suas forças em torno do nome escolhido pelo ex-presidente. Esse seria o cenário, caso não fosse logo em seguida tomados pela declaração sobre a possibilidade de desistência mediante um "preço" geraram grande repercussão no cenário político. A fala de Flávio Bolsonaro sobre a Desistência dois dias após o anúncio de sua pré-candidatura, o senador Flávio Bolsonaro admitiu publicamente que existe a possibilidade de ele não levar o projeto até o fim. A frase que marcou sua declaração foi: "Olha, tem uma possibilidade de eu não ir até o fim. Eu tenho um preço para isso. Eu vou negociar. Eu tenho um preço para não ir até o fim." Ele afirmou que sua candidatura não é um "balão de ensaio" e que foi uma decisão consciente, mas ressaltou a disposição para a negociação. O senador foi questionado diversas vezes sobre o que seria esse "preço" para que ele abrisse mão de sua pré-candidatura. As declarações mais diretas de Flávio Bolsonaro indicaram que o valor da negociação está ligado à situação de seu pai. O "preço" seria: "Bolsonaro livre, nas urnas." "Justiça com quase 60 milhões de brasileiros que foram sequestrados, estão dentro de um cativeiro, nesse momento, junto com o presidente Jair Messias Bolsonaro." Embora ele tenha sido irônico ao ser questionado se o preço seria a anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro ("Tá quente, tá quente"), ele posteriormente deixou claro que o foco principal é a reversão da inelegibilidade de Jair Bolsonaro e a sua liberdade, para que ele possa se candidatar. A fragmentação da direita é um ponto de debate no cenário político. O anúncio da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, feito pelo ex-presidente, foi visto por analistas e parte do mercado financeiro como um fator de instabilidade, especialmente porque havia outros nomes com maior competitividade nas pesquisas, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. O anúncio inicial de Flávio, com a ideia de ser um nome "puro-sangue" do bolsonarismo, causou reações negativas no mercado, com queda no Ibovespa e alta no dólar. A sinalização de que ele pode desistir mediante negociação gerou um alívio posterior. O seu comentário sobre "negociar" e o foco na liberdade/elegibilidade do pai reforçaram a percepção de que a candidatura de Flávio poderia ser um movimento tático para aumentar a pressão política, com o objetivo final de abrir espaço para um nome mais competitivo da direita (como Tarcísio de Freitas) se os objetivos não fossem alcançados. Sua entrada também forçou uma reavaliação de candidaturas já colocadas, como as de Tarcísio, Ronaldo Caiado e Romeu Zema. Flávio Bolsonaro tem se reunido com líderes de partidos da direita e do Centrão para discutir o cenário, o que também corrobora a tese de que sua candidatura inicial tem um forte componente de negociação e articulação política. Os próximos meses serão cruciais para avaliar a capacidade do senador em unir o vasto e, por vezes, fragmentado campo da direita e extrema-direita. Gilson Romanelli
- Escritor português João Morgado nomeado para o “Dublin Literary Award 2026”
Foto: divulgação O escritor português João Morgado foi nomeado para o prestigiante Dublin Literary Award 2026, uma das mais importantes distinções literárias internacionais, com a edição em inglês do romance biográfico Dust in the Gale – The turbulent life of Vasco da Gama, publicado nos Estados Unidos pela Underline Publishing. A obra nomeada trata-se da tradução de Índias (Clube do Autor), um romance biográfico sobre Vasco da Gama, e conta com a tradução de José Godinho e com o apoio do Instituto Camões e da Volf Entertainment. João Morgado, de 60 anos, natural da Covilhã, considera que esta primeira nomeação internacional representa “não apenas o reconhecimento de um projeto literário, mas também a projeção internacional da história e cultura portuguesas", acrescentando que "é uma honra extraordinária ver o meu trabalho sobre Vasco da Gama atravessar oceanos, tal como o próprio navegador o fez há mais de cinco séculos". Com uma carreira literária consolidada, Morgado soma já nove prémios literários nacionais, incluindo o Prémio Literário Santos Stockler 2024, o Prémio Nacional de Conto Manuel da Fonseca 2020 e o Prémio Literário Ferreira de Castro 2019, e várias das suas obras já foram traduzidas para inglês, russo, sérvio, indonésio e chinês. Doutorando em Comunicação na Universidade da Beira Interior e mestre em Estudos Europeus e Direitos Humanos, o autor é membro do Centro de Investigação Joaquim Veríssimo Serrão e integra o Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina, tendo também já recebido a Grã-Cruz da Ordem do Mérito Cívico e Cultural pela investigação sobre Pedro Álvares Cabral. Autodenominando-se um “autor plural”, Morgado transita entre géneros como romance histórico, poesia, teatro e conto, tendo participado em diversos festivais literários na Europa, Brasil e Indonésia. Neste sentido, o livro de José Morgado integra uma lista de 69 títulos nomeados por 80 bibliotecas de 36 países, refletindo o melhor da ficção contemporânea mundial. Dos 69 livros, seguir-se-á uma longlist de até 20 títulos, que será divulgada a 17 de fevereiro de 2026, seguida da shortlist de 6 obras a 7 de abril. O vencedor do 31º Dublin Literary Award, patrocinado pelo Dublin City Council, é o prémio literário mais valioso do mundo para obras de ficção individual, com um valor de €100.000, e será anunciado a 21 de maio de 2026 no âmbito do International Literature Festival Dublin (ILFD). Ígor Lopes
- Z42 Arte inaugura a exposição “Coletiva Z”, com 64 obras inéditas
Pocket exposição apresentará a mais recente produção dos artistas Benoit Fournier, Cláudia Lyrio, Fernanda Leme, Ilana Zisman, Kakati de Paiva, Laura Fragoso, Marcio Atherino e Maria Raeder, que possuem ateliê no espaço Imagens divulgação Reunindo 64 obras inéditas, será inaugurada neste sábado, dia 13 de dezembro, a exposição “Coletiva Z”, que apresentará a mais recente produção dos artistas Benoit Fournier, Cláudia Lyrio, Fernanda Leme, Ilana Zisman, Kakati de Paiva, Laura Fragoso, Marcio Atherino e Maria Raeder, na Z42 Arte, no Cosme Velho. A mostra apresentará pinturas, esculturas, instalação e fotografias, que pensam o eu, o outro, a sociedade e a natureza, e mostram ao público, de maneira acessível, um pouco das pesquisas autorais que os artistas vêm desenvolvendo. Em comum, todos os artistas possuem ateliê no espaço. “A Coletiva Z nasce do desejo de reunir vozes singulares que investigam identidades, relações e paisagens. Cada artista apresenta um recorte único de sua pesquisa, construindo um panorama acessível e potente da produção contemporânea. É uma oportunidade especial de revelar ao público a riqueza da criação dos artistas da casa, cujas poéticas, em diálogo, se encontram e se complementam”, diz Zyan Zein, diretora da Z42 Arte. Grande parte da mostra será composta por pinturas, em diferentes técnicas. Cláudia Lyrio, cujo trabalho traz como tema o tempo cíclico da vida, através da observação da paisagem e do contexto ambiental, apresentará aquarelas da série Simbiose e pinturas da série de pássaros em grisalha e paisagens. Também tendo a natureza como tema, Benoit Fournier apresentará a série de pinturas “Paisagens metabólicas”, nas quais minhocas, fluxos de argila, minerais e água traçam linhas vivas nas obras, em um processo que revela dinâmicas ecológicas reais e um solo em transformação contínua. Além das pinturas, o artista apresentará duas esculturas em cerâmica também ligadas à agrofloresta, que reconhece o solo como um organismo vivo e regenerativo. Já Fernanda Leme mostrará pinturas nas quais pesquisa a imagem na contemporaneidade, traçando um paralelo entre a efemeridade das imagens e das relações. Entre as obras apresentadas, estará "Três Ursulinas", baseada em uma foto dos anos 1970, que traz a imagem de três moças com camadas gráficas formando um espelho estilhaçado. Márcio Atherino também apresentará uma série de pinturas feitas este ano, na fronteira entre o figurativo e o abstrato, que dialogam entre si através das cores, do material e do movimento das pinceladas. A obra "Desconstrução", por exemplo, sugere rostos que se desfazem. As relações de poder presentes nas imagens midiáticas são analisadas pela artista Maria Raeder, que investiga como essas imagens selecionam, ocultam e organizam narrativas. Na exposição, ela apresentará obras da série “Primaveras”, na qual fotografias jornalísticas de protestos recebem camadas de tinta que ocultam os manifestantes. O apagamento funciona como metáfora da invisibilização dos corpos em luta, e as imagens destacam vestígios de presença e ausência, evidenciando as formas de silenciamento e violência simbólica produzidas pelo poder e reproduzidas pela mídia. As camadas de tinta também tem um papel importante na obra de Kakati de Paiva. O objetivo principal de suas pinturas é representar os sentidos do ser humano através de camadas em cor, sendo cada uma referente a um sentido. A sincronização dos alinhamentos desenvolvidos nessas camadas de tinta remetem a relações e diálogos existentes nos nossos sentidos. Composta por diversas obras, a instalação "Arquivo: Britcheva", da artista Ilana Zisman, parte de uma pesquisa sobre o massacre ocorrido em 1941, em Tiraspol, na Moldávia, cidade para onde a família da artista tentou fugir durante a Segunda Guerra Mundial. Após o massacre, os corpos foram enterrados em uma fossa comum, impossibilitados de reconhecimento. A partir desse episódio, perguntando-se sobre como elaborar uma memória sem corpo, a artista criou a instalação com pinturas, esculturas e lâminas de microscópio que pensa nesses corpos implicados pela terra e pela violência e sua possível sobrevivência no presente. Já Laura Fragoso apresentará esculturas e fotografias da série “ Crisálida”, que representa a necessidade humana de retorno ao casulo, fechando-se para o mundo. Nas esculturas, os casulos se formam em diferentes lugares, com identidades diversas; nas fotografias, a cola de isopor arrancada da pele, representa o doloroso e libertador processo de expansão. SOBRE A Z42 ARTE A Z42 é um espaço de arte que integra ateliês, salões expositivos, workshops e performances, fomentando à produção e à circulação da arte contemporânea na cidade do Rio de Janeiro. Localizada em um casarão histórico da década de 1930, o espaço possui arquitetura eclética e generosos salões expositivos. SOBRE OS ARTISTAS Benoit Fournier é um artista plástico francês radicado no Brasil desde 2006, cuja prática emerge da relação profunda entre natureza, matéria e paisagem. Estudou na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, investiga, por meio de instalações, pinturas, esculturas e fotografias, modos de habitar e interagir com o ambiente. Inspirado pela sintropia e por processos biológicos, concebe sua obra como um sistema vivo em constante transformação. Seu trabalho já foi apresentado em instituições no Brasil e no exterior e integra coleções públicas e privadas. Cláudia Lyrio é artista carioca cujo trabalho busca entrelaçar Arte, Literatura e Natureza. Ficções e fabulações formam a linha recorrente de sua poética que tem como núcleo temático o tempo cíclico da vida, com observação da paisagem e do contexto ambiental. Sua produção mais recente, um livro manuscrito sobre tela, apresentado este ano no Paço Imperial/RJ, dá à força gráfica da escrita o protagonismo da visualidade. Lyrio é doutoranda do PPGAV UFRJ na linha de Poéticas Interdisciplinares. Fernanda Leme é uma artista plástica carioca, sua obra parte de apropriação e edição de imagens de diversas origens, como arquivos pessoais, mídias e memória. Discute temas da contemporaneidade como a sociedade líquida, a fugacidade das imagens enfatizando a relação entre pintura e fotografia, explorando a duração e a efemeridade das imagens na era digital. Ilana Zisman é artista visual, psicóloga e educadora. Parte da sua memória familiar do Holocausto para trabalhar com as heranças e silêncios da violência histórica, operando nos campos do trauma intergeracional, da memória e do arquivo. Kakati de Paiva nasceu no Rio de Janeiro em 1957. Vem participando de exposições individuais e coletivas onde em sua poética abstrata fica muito claro uma procura por um olhar pictórico figurativo, nas quais suas representações geométricas/informais apresentam características que o levam a uma denominação de um artista colorista vibrante. Seus trabalhos percorrem um diálogo constante entre seus planos de pintura onde se desenvolvem num pensamento que permeia momentos sempre ligados a limites, espaços que dialogam entre si e que de alguma forma disputam em conflitos atemporais, ritmos e descansos nessas ligações. Laura Fragoso é alagoana, mestre em Artes Visuais pela UFRJ desde 2018, suas principais ferramentas são a fotografia, o vídeo e a projeção. Sua pesquisa discute a relação entre o ser e o espaço e do indivíduo com o lugar. Marcio Atherino é formado em Economia. A partir de 1997, deixou de atuar no Mercado de Capitais para se dedicar integralmente às Artes Plásticas. Fez cursos na EAV do Parque Lage, entre outros, além de diversas exposições nacionais e internacionais. Maria Raeder r vive e trabalha no Rio de Janeiro. É Pós-graduada em Arte e Filosofia pela PUC-Rio e formada em Arquitetura. Realizou cursos em instituições como EAV-Parque Lage, Paço Imperial e Glassell School of Art (EUA). Sua pesquisa investiga as relações de poder e os regimes de visibilidade das imagens midiáticas por meio de subtrações, apagamentos e sobreposições que desestabilizam a percepção e questionam os modos de ver. Participou de diversas exposições em instituições culturais como Paço Imperial (RJ), Centro Cultural dos Correios, com obras em coleções particulares e no acervo da Z42 Arte. Serviço: Coletiva Z Abertura: 13 de dez de 2025, sábado, das 16h às 20h Exposição: até 21 de dezembro, de 12h às 18h Z42 Arte Rua Filinto de Almeida, 42 – Cosme Velho Telefone: (21) 98148.8146 Entrada gratuita AlexVarela Gonçalves
- Solar dos Abacaxis celebra aniversário de dez anos com a maior exposiçãode sua trajetória, nova identidade institucional e inauguração da Sala de Leitura
“Irradiar: para construir instituições da gente” aprofunda a reflexão sobre a importância das instituições de arte para a sociedade justamente no momento em que o instituto adota oficialmente seu novo nome — agora apenas Solar — e torna público o primeiro acervo editorial de sua Sala de Leitura. Em cartaz a partir do dia 6 de dezembro, mostra apresenta cerca de 40 trabalhos de mais de 30 artistas, incluindo Ailton Krenak, Ana Maria Tavares, Anna Bella Geiger, Antonio Dias, Emanoel Araujo, Marcela Cantuária, Maxwell Alexandre, Paulo Nazareth, Ricardo Basbaum e Vik Muniz. Fotos de divulgação No ú ltimo ato das comemoraço es pelo seú aniversa rio de dez anos, o Solar (dos Abacaxis) fecha a temporada de 2025 com a abertúra da exposiça o “Irradiar: para construir instituições da gente”. Em cartaz a partir do dia 6 de dezembro, a mostra reú ne cerca de 40 trabalhos de mais de 30 artistas e ocúpa integralmente os tre s andares de súa sede na Rua do Senado, no Centro do Rio. O projeto marca ainda úm novo ciclo do institúto, qúe lança seú projeto de rebranding — agora atende apenas pelo nome Solar — e abre ao pú blico súa primeira Sala de Leitura, ampliando o programa edúcativo e compartilhando o acervo inicial qúe orienta súas pesqúisas. Cristina Granato
- Autores lusófonos cruzam-se em Londres este sábado
Foto: Evento ocorrido em dezembro de 2024/divulgação A segunda edição da Feira do Livro Letras Lusas em Londres realiza-se amanhã, sábado, 6 de dezembro, nas instalações do Centro Comunitário Português, em Kennington, e volta a afirmar o papel da literatura em português junto da diáspora. Entre 11h e 20h, vinte autoras e autores de vários países de língua portuguesa, residentes no Reino Unido e em Portugal, participam num encontro que pretende aproximar escritores e leitores num ambiente dedicado aos livros, às narrativas lusófonas e ao estímulo da leitura. A programação inclui uma seleção alargada de géneros literários, sessões de autógrafos e momentos de contacto direto com o público. Os organizadores sublinham que esta edição reforça a intenção de criar um espaço anual de encontro da comunidade lusófona em Londres, promovendo a circulação de obras e a afirmação da língua portuguesa no contexto britânico. Esta iniciativa é organizada por Alcino Francisco, que destaca a importância de proporcionar aos leitores a possibilidade de conhecer novas autorias e adquirir livros num período em que a oferta cultural em português ganha particular relevância. O encontro integra uma homenagem póstuma a Gilberto Ferraz, jornalista, escritor e comendador que marcou várias décadas da imprensa em língua portuguesa no Reino Unido. Nascido em Tonda, Tondela, em 1934, iniciou carreira no quinzenário Espada do Senhor antes de se mudar para Londres, em 1965, para integrar a secção portuguesa da BBC. Ferraz, que morreu em 2017 aos 83 anos, será recordado pelo contributo que deixou no jornalismo e pela ligação que manteve com a comunidade portuguesa residente na capital britânica. A organização inclui ainda uma iniciativa solidária de corte de cabelo para doação à Cancer Research, introduzindo uma dimensão social no programa do evento. Para informações adicionais, os interessados podem contactar o organizador através do endereço de e-mail: alcino.g.francisco@gmail.com Ígor Lopes
- Christmas Carioca com Katherine Monroe
A artista abre as festividades de fim de ano no Teatro Gláucio Gill Katherine Monroe abre oficialmente as celebrações de fim de ano, com o show Christmas Carioca, no teatro Gláucio Gill. Para muitos, seu nome e seu brilho já compõem a memória afetiva da cena carioca. Katherine arrebatou sorrisos e fez história em suas aparições caracterizadas como Madonna e Lady Gaga , quando Rio de Janeiro voltou a dialogar com o universo pop em escala internacional. O espetáculo Christmas Carioca chega ao Teatro Glaucio Gil, em Copacabana, com um repertório que mistura clássicos do Natal americano a versões brasileiras de canções tradicionais. A cantora Katherine Monroe, neta da atriz Marilyn Monroe e moradora do Rio há 21 anos, interpreta músicas como Amazing Grace, Silent Night e Feliz Navidad em arranjos que vão do piano à bossa nova. A direção artística é de Vinícius Bertoli, que criou uma narrativa marcada por textos sobre fé, memórias da infância e a força das mulheres. O show também inclui momentos mais pop e festivos com Jingle Bells, Santa Baby e Christmas Tree. Norte-americana de coração brasileiro, Katherine vive no país há mais de duas décadas e construiu aqui uma trajetória singular. Isso faz dela a nossa “ California-Carioca ” com uma presença que canta e encanta. Seu próximo show já tem dia e hora marcados no Cabaré do Gláucio - Teatro Gláucio Gill. Katherine apresenta um espetáculo que transborda presença cênica e elegância vocal que abraça do pop ao clássico, em um repertório natalino repleto de personalidade. Vale lembrar também que 2025 foi marcado pelo lançamento de seu álbum Conversations with an Angel , obra que consolida a maturidade da artista que encontrou no Brasil seu lugar, sua voz e sua estética. É Christmas, é Rio, é Califórnia! Uma fusão envolvente em que só Katherine sabe fazer. Vem curtir essa magia. Christmas Carioca 09/12 – 21h30Teatro Gláucio Gill (Praça Arcoverde)Preço popular: R$ 5,00 Nando Andrade
- O Grupo BFW abriu as portas do D’Praça para um pré-lançamento que movimentou Ipanema
O Grupo BFW abriu as portas do D’Praça para um pré-lançamento que movimentou Ipanema. O novo restaurante passa a integrar o portfólio gastronômico do grupo em um dos endereços mais emblemáticos do bairro. Instalado em um casarão histórico preservado desde os anos 1930, o espaço fica na Rua Barão da Torre, 358, bem no coração da Zona Sul carioca e vizinho à Praça Nossa Senhora da Paz. O encontro intimista contou com o presente do Grupo BFW, Paulo Pacheco, como anfitrião para apresentar a casa, antecipando a atmosfera que o público encontrará em sua abertura oficial. O almoço de degustação foi harmonizado com vinhos da Viña Cobos e reuniu convidados em uma experiência especial. A presença de Paul Hobbs, um dos enólogos mais celebrados do mundo e considerado pela Forbes como “Steve Jobs of the Wine”, trouxe ainda mais brilho ao evento. Eleito “Personalidade do Ano” pela Wine Enthusiast e “Personalidade do Vinho do Ano” pelo renomado crítico Robert Parker, Hobbs apresentou diversos rótulos premiados da vinícola argentina Viña Cobos, uma das primeiras e mais prestigiadas marcas de seu portfólio. O D’Praça une história, gastronomia e elegância. O novo restaurante abrirá para o público a partir da segunda semana de dezembro e promete se tornar um dos pontos mais charmosos da cidade. O Grupo BFW abriu as portas do D’Praça para um pré-lançamento que movimentou Ipanema. O novo restaurante passa a integrar o portfólio gastronômico do grupo em um dos endereços mais emblemáticos do bairro. Instalado em um casarão histórico preservado desde os anos 1930, o espaço fica na Rua Barão da Torre, 358, bem no coração da Zona Sul carioca e vizinho à Praça Nossa Senhora da Paz. O encontro intimista contou com o presente do Grupo BFW, Paulo Pacheco, como anfitrião para apresentar a casa, antecipando a atmosfera que o público encontrará em sua abertura oficial. O almoço de degustação foi harmonizado com vinhos da Viña Cobos e reuniu convidados em uma experiência especial. A presença de Paul Hobbs, um dos enólogos mais celebrados do mundo e considerado pela Forbes como “Steve Jobs of the Wine”, trouxe ainda mais brilho ao evento. Eleito “Personalidade do Ano” pela Wine Enthusiast e “Personalidade do Vinho do Ano” pelo renomado crítico Robert Parker, Hobbs apresentou diversos rótulos premiados da vinícola argentina Viña Cobos, uma das primeiras e mais prestigiadas marcas de seu portfólio. O D’Praça une história, gastronomia e elegância. O novo restaurante abrirá para o público a partir da segunda semana de dezembro e promete se tornar um dos pontos mais charmosos da cidade. RELEASE Grupo BFW inaugura restaurante em casarão histórico de Ipanema Após restauração que preserva elementos dos anos 1930 e a memória da antiga “Casa de Dona Chiquita”, o Grupo BFW inaugura em dezembro seu novo projeto gastronômico, D’Praça O casarão da Rua Barão da Torre, 358, um dos endereços mais emblemáticos de Ipanema e parte do conjunto preservado como Sítio Cultural do bairro, inicia neste fim de ano um novo capítulo que dialoga diretamente com sua história e com a memória afetiva da região. Construído nos anos 1930 por encomenda de Carmen Mota de Lima e durante décadas residência de Francisca Cunha de Lima, a inesquecível Dona Chiquita, o imóvel foi restaurado para receber o restaurante D’Praça, projeto do Grupo BFW cuja inauguração está prevista para 12 de dezembro. A casa, que atravessou quase um século mantendo sua relação íntima com a Praça Nossa Senhora da Paz, preserva agora elementos originais como vitrais, pisos, madeiras e a escada central. A trajetória da casa está profundamente ligada à história do bairro e à forma como Ipanema se constituiu enquanto espaço urbano. Dona Chiquita, mineira de Matias Barbosa e figura conhecida por sua generosidade, transformou o endereço em um ponto conhecido por toda a vizinhança. Sua cozinha, marcada por raízes mineiras e influências italianas, atraía parentes e amigos da localidade, que encontravam ali um gesto de acolhimento, um prato pronto ou simplesmente o afeto que ela distribuía com naturalidade. A casa refletia esse espírito em cada canto: portas abertas, encontros e refeições preparadas com ingredientes escolhidos pessoalmente na feira da praça. A relação de Dona Chiquita com o bairro, e do bairro com ela, tornou o número 358 parte de uma paisagem humana que vai além da arquitetura. Com a chegada do D’Praça, essa herança não é apagada, mas retomada como ponto de partida. A restauração do imóvel procurou preservar não apenas a estrutura física, mas a atmosfera que sempre o caracterizou. O projeto arquitetônico optou por uma intervenção que não sobrepõe o novo ao antigo, mas estabelece um diálogo entre tempos distintos, respeitando proporções, texturas e materiais originais. A cenografia e o desenho dos ambientes reforçam essa sensação de continuidade: luzes, objetos, materiais e circulações foram pensados para que a experiência do visitante transite entre memória e contemporaneidade. O restaurante se organiza em diferentes níveis, com salões que mantêm a ambiência doméstica da antiga residência, dois bares e um terraço aberto para a Praça Nossa Senhora da Paz, de onde é possível observar a vida cotidiana do bairro, uma vida que sempre foi característica do endereço. A integração com a loja Grand Cru, que disponibiliza mais de oito mil rótulos sem cobrança de rolha, acrescenta outra dimensão ao projeto: a liberdade de compor a própria experiência, gesto coerente com o caráter da casa, que historicamente acolheu sem formalidades. A gastronomia segue um caminho semelhante. O cardápio, desenvolvido sob a curadoria do Grupo BFW, apresenta uma cozinha contemporânea que privilegia ingredientes de qualidade e processos precisos, mas sem perder a dimensão afetiva que a história do lugar inspira. A proposta une rigor técnico e simplicidade bem executada, evitando ostentação e priorizando sabor, leveza e significado, uma interpretação atualizada da ideia de comer bem como gesto de comunhão. O serviço acompanha essa linha, orientado pela escuta e pela sensibilidade: um atendimento que se ajusta ao ritmo do visitante e busca oferecer conforto sem interferência desnecessária. O D’Praça nasce, portanto, como uma continuidade. Ele reinterpreta a relação entre arquitetura, vizinhança, gastronomia e memória que sempre definiu o casarão da Barão da Torre. Ao abrir suas portas diariamente a partir de 12 de dezembro, o espaço se apresenta não apenas como um novo restaurante, mas como uma forma de devolver à cidade um endereço que pertence à história de Ipanema, só que agora renovado, mas ainda reconhecível por quem sempre o viu como parte viva do bairro. Vera Donato
- Entrevista: Juliana Torres
Apresentação Juliana Torres é Mentora e Professora de Direito Ambiental, Advogada e Mediadora. Atua na área socioambiental e migratória no Brasil e em Portugal. É Co-fundadora e Diretora do Instituto Brasileiro de ESG, Coordenadora Financeira da APRODAB — Associação dos Professores de Direito Ambiental no Brasil — e Consultora do IBAP — Instituto Brasileiro de Advocacia Pública. Trabalha também no CESUC — Centro de Estudos Superiores da Universidade de Coimbra, preside a Comissão de Direito Ambiental na OAB-SP Santana e é Conselheira na Sociedade de Excelência Luso-brasileira. Mestre e graduada pela PUC-SP, é pesquisadora do GPTC-USP e do Grupo Fashion Law da FAAP. 1. Como sua formação e vivência entre Brasil e Portugal influenciam sua atuação no Direito? Minha formação e vivência entre os dois países me permitem atender clientes de culturas diversas, explicando direitos, deveres e oportunidades em ambos os ambientes jurídicos. Essa troca me expõe a práticas diferentes e me possibilita internacionalizar métodos eficientes de Portugal para o Brasil. 2. Quais temas ou causas mais despertam sua dedicação na prática jurídica? A defesa ambiental e a governança socioambiental (ESG) são os pilares da minha atuação. São áreas que exigem estudo contínuo, responsabilidade coletiva e visão de longo prazo. 3. O que você destacaria como diferencial no exercício da advocacia em contextos culturais distintos? O principal diferencial é acessar formas eficientes de trabalho e incorporá-las — com adaptações inteligentes — à rotina profissional, mesmo diante das grandes diferenças culturais. Integrar esses dois mundos e transmitir isso com segurança ao cliente ou ao aluno é uma responsabilidade que assumo com alegria. 4. Quais são os desafios mais frequentes enfrentados por mulheres advogadas hoje — e como você lida com eles? Um dos maiores desafios é aprender a vender o próprio serviço e desenvolver estratégias voltadas à cultura de paz. Não fomos preparadas pela academia nem pela vida social para essas habilidades. Isso exige mais estudo, dedicação e consciência no cotidiano. 5. Que conselhos daria a jovens profissionais que desejam seguir uma carreira jurídica com propósito e ética? Estudem de forma correta, busquem bons professores e instituições sérias. Cerquem-se de pessoas éticas. Fiquem longe de práticas ilegais. Abandonem o amadorismo. Seguir seus valores é o caminho mais sustentável. Ter um mentor ao lado garante segurança e acolhimento. E, se fizer sentido ao seu propósito, estou disponível no meu grupo de estudos e redes sociais: @julianadireitoambiental @juliana.assessoriaemportugal Grupo de Estudos (WhatsApp): https://chat.whatsapp.com/HvPntW8SHfBLmLCO9xfGPC Crédito Texto produzido por Delcio Marinho & ChatGPT para a Revista do Villa. Delcio Marinho
- “Essa convivência natural com a diáspora moldou a forma como sinto ritmo, palavra e expressão”
Foto: divulgação A trajetória de Eddie, nome artístico do português Edgar Pinto, tem sido marcada por um percurso consistente entre Portugal, Espanha, a Lusofonia e a América Latina. Cantautor, produtor musical e membro votante da Recording Academy e da Latin Recording Academy, integra ainda a Academia de la Música de España e a Sociedade Portuguesa de Autores. Com mais de 20 anos de carreira, construiu um caminho que o posiciona como artista ibérico de raízes lusófonas e afinidade latino-americana, identidade reforçada pela criação da EP-Produções Musicais, em 2006, estúdios que receberam nomes como Prince, Ivan Lins, Madredeus, Mariza, Rodrigo Leão, Anna Maria Jopek, Camané, Paulo de Carvalho, Sara Tavares e Tito Paris. A música acompanha-o desde sempre e tornou-se o território onde compõe, produz e interpreta as próprias histórias, num cruzamento que absorve influências ibéricas, afro-lusófonas e latino-americanas, sempre guiado pelo princípio de seguir o que sente e o que a música lhe pede. O percurso recente consolidou um reconhecimento internacional crescente, com distinções em Los Angeles, Nova Iorque, Miami, Madrid e Hollywood, além do convite para integrar o GRAMMY U Mentorship Program em 2025, apoiando jovens talentos no Florida Chapter da Recording Academy. Passagens por Cabo Verde, Angola e Macau, bem como o eco da sua obra em rádios de São Tomé e Príncipe e Moçambique, reforçaram uma convivência natural com a diáspora que moldou o modo como sente ritmo, palavra e expressão. Com o novo álbum Todo a Su Tiempo, gravado entre Lisboa, Madrid, Andaluzia e Los Angeles, e com uma deslocação ao Brasil prevista para 2026, Eddie entra numa fase em que procura aprofundar a presença nos meios lusófonos, espanhóis e latino-americanos, num momento em que a música brasileira faz parte do quotidiano português e em que o diálogo entre mercados se intensifica. Em entrevista à nossa reportagem, Eddie mergulha neste universo criativo feito de fronteiras que se cruzam e de uma expressão que nasce de uma necessidade permanente de dizer e de construir pontes. Quais as suas influências musicais na América Latina? A música latino-americana sempre me interessou pela forma como cruza história, identidade e modernidade. Gosto de partir das raízes, como o son cubano, a cumbia original e ritmos andinos como o huayno, porque trazem essa mistura de influências afro-indígenas e europeias que marcou profundamente o continente. Depois há linguagens muito próprias de cada região: o mariachi no México, o merengue e a bachata nas Caraíbas ou o tango no Cone Sul, sobretudo na Argentina e no Uruguai. Sempre olhei para estes estilos pela construção, harmonia e pela forma como se tornaram verdadeiras assinaturas culturais. Interessa-me também o que hoje é praticamente pan-latino, ritmos que já não pertencem a um só país. A cumbia moderna é um bom exemplo: nasceu na Colômbia, mas vive no México, na Argentina e no Chile. A salsa segue um perc urso semelhante entre Cuba, Porto Rico e Nova Iorque. E acompanho as fusões atuais. O reggaeton e o dembow, com o dembow entendido como o padrão rítmico dominicano que sustenta grande parte do reggaeton moderno, os corridos tumbados e toda a estética urbano-latina. Gosto de perceber como estes estilos absorvem influências afro-caribenhas, eletrónicas e pop inspira a minha própria linguagem musical. O que motiva a sua carreira? A música acompanha-me desde sempre. Não é uma motivação exterior, faz parte da forma como existo e interpreto o mundo. Sempre senti a necessidade de transformar o que vivo em algo que pudesse ser partilhado. Gosto de trabalhar todas as dimensões da criação: a palavra, a melodia, a harmonia, a produção e a estética visual. A escrita é onde procuro verdade, a produção é onde desenho o meu universo sonoro e o palco é onde encontro o outro. Valorizo muito o diálogo com outros artistas, por isso as colaborações têm um papel especial no meu percurso. A música também traz clareza e ilumina. Dá-me liberdade para dizer coisas que talvez não dissesse noutros contextos. Canções como “Outra Noite de Solidão”, “Tempo” ou “Oração” nasceram desse lugar. Uma canção pode ajudar alguém a atravessar um momento ou simplesmente a sentir-se acompanhado. Essa utilidade emocional dá sentido ao meu caminho e reforça a vontade de continuar a criar com verdade. No fundo, o que me move é esta necessidade de expressão, de autenticidade e de diálogo honesto entre o que sou e quem me ouve. Por que essa paixão pelos países latinos? A minha ligação ao universo latino-americano começou pelas pessoas. Sempre senti familiaridade na forma como comunicam, sentem e transformam a vida em expressão. Acredito que viver entre Portugal e Espanha tornou esta proximidade natural. Em Madrid sente-se diariamente a presença da América Latina. Essa cultura foi entrando em mim: nas ruas, nos bares e restaurantes onde a música latina faz parte do ambiente, em clubes, concertos e festivais, nas conversas e nas amizades que fui construindo ao longo dos anos. Essa convivência marcou-me e tornou estes universos uma parte real da minha vida. A música acabou por ser a continuação dessa vivência. Tenho afinidade pela diversidade e pela forma como cada país transforma a sua identidade em som. Quanto mais conheço estes universos, mais identifico pontos de encontro com aquilo que procuro artisticamente. Estive no México e mantenho contacto regular com o universo latino através da “Latin Recording Academy” e da “Recording Academy”. Tenho recebido convites para regressar ao México e para visitar países como a Colômbia, Argentina e Porto Rico. No próximo ano, além do Brasil, voltarei ao México e passarei por Miami para avançar colaborações que já estão em desenvolvimento. Esta relação foi crescendo e tornou-se uma parte sólida do meu percurso. Quando falamos em artistas ou cantores portugueses pensamos logo no fado ou noutras denominações. Que estilo é mais característico na tua carreira e porque seguiste por esse caminho? Quando se fala em artista português fora de Portugal é natural que muitos pensem primeiro no fado. Respeito profundamente essa tradição e ela faz parte da minha história. O mesmo acontece com o cante alentejano e com o universo musical andaluz. Tudo isso marcou a minha infância no Alentejo e acompanha-me até hoje, mesmo quando não é o meu ponto de partida. Já integrei elementos do fado na canção “A Luz Dentro de Mim”, com Cristiana Águas e guitarra portuguesa. A afinidade com a sonoridade andaluza levou-me a gravar “El Otro Lado de Mí”. E tenho ainda uma canção inspirada no cante em pré-produção. A minha identidade vive no cruzamento, não numa fronteira. A diversidade sempre esteve presente na minha vida. Os meus avós maternos viveram quatro décadas em Moçambique, tenho família moçambicana, família que viveu em França e na Suíça, muitos amigos de Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Macau e Brasil, e a minha mulher nasceu em Angola. Essa convivência natural com a diáspora moldou a forma como sinto ritmo, palavra e expressão. Por isso, não me vejo como cantor de um género específico. Sou produtor e cantautor multicriativo, alguém que compõe, produz e interpreta as suas próprias histórias. Diria que sou um artista ibérico com raízes lusófonas e afinidade latino-americana. Que projetos tem pela frente? Nos próximos meses quero aprofundar o percurso que tenho vindo a construir entre Portugal, Espanha, Lusofonia, América Latina e nas comunidades portuguesas no mundo. Tenho novas músicas em andamento, algumas colaborações já alinhadas com artistas destes universos e a continuação da apresentação do meu álbum “Todo a Su Tiempo”. Estou a reformular o meu espetáculo, aproximando-o da minha identidade atual, e a preparar o lançamento de “Sueño”, um single com uma ligação forte à Andaluzia que dá continuidade à estética que iniciei em “El Otro Lado de Mí”. Em 2026 regressarei ao México, passarei por Miami para avançar colaborações e terei também uma fase importante no Brasil. Será igualmente o meu quarto ano ligado à Academia Latina de Gravação e quero aprofundar a relação com a Recording Academy, dando continuidade ao trabalho que tenho vindo a desenvolver. Paralelamente, estou a estruturar novas edições dos meus programas de mentoria e formação avançada para artistas e criadores que procuram desenvolver identidade, direção artística, escrita, produção e estratégia internacional. O meu papel recente como mentor no GRAMMY U ajudou a consolidar esta área. Quero continuar a reforçar a minha presença nos meios lusófonos, espanhóis e latino-americanos. Há uma abertura real para o que faço e isso dá espaço para narrativas mais profundas e para deixar a música crescer com liberdade. O objetivo é simples: continuar a criar, surpreender e permitir que esta etapa chegue a quem me acompanha da forma mais honesta possível. Em que trabalhos está focado neste momento? Neste momento, grande parte da minha energia está centrada no estúdio. Tenho várias músicas em fases diferentes e gosto de dar tempo ao processo até que cada canção encontre a sua verdade. Paralelamente, estou a desenvolver o conceito do videoclip de “Sueño”, que aprofunda a estética que iniciei com “El Otro Lado de Mí” e reforça a ligação natural ao universo andaluz. Há um lado visual e emocional que estou a trabalhar com cuidado. Ao mesmo tempo, há um trabalho discreto, mas decisivo, a acontecer nos bastidores: reuniões de planeamento, decisões estratégicas, coordenação criativa com equipas em Portugal, Espanha, na Lusofonia e na América Latina, além de algumas parcerias que estão a ganhar forma e que, para já, ainda não posso revelar. No fundo, estou a preparar terreno. Quando tudo chegar ao público, seja música, espetáculo, colaborações ou os próximos capítulos, acredito que vai fazer sentido com verdade, direção e consistência. Como foi estar presente nos Latin Grammy em Las Vegas? Estar nos Latin GRAMMYs foi muito especial e um dos pontos altos do ano. É a semana mais importante da música latina e vive-se tudo com uma intensidade própria. Respira-se música, criatividade e um espírito de comunidade único, onde circulam profissionais de toda a indústria. Encontram-se artistas, produtores, músicos, gestores, promotores e criadores de vários pontos do mundo. Para mim, que navego nesse encontro entre Portugal, Espanha, a lusofonia e o universo latino-americano, estar ali faz todo o sentido. Há também a dimensão do evento em si, com uma produção impecável e cuidada ao detalhe, que celebra tanto a inovação e as novas tendências como as linguagens que carregam história e identidade. Da homenagem à Personalidade do Ano, passando pela Premiere e pela gala principal, até à after-party, tudo contribui para uma atmosfera mágica, onde nascem conversas, afinidades e ligações que só ali acontecem. Sentir o evento ao vivo e observar o impacto das diferentes propostas artísticas é muito enriquecedor. Dá contexto, amplia a visão e reforça a importância de manter um caminho pessoal com identidade. São momentos que alimentam a criatividade e funcionam como um barómetro natural da música atual. Volto sempre dessas viagens com uma energia renovada e com a sensação clara de que há espaço real para aprofundar esta ligação entre universos. É um privilégio fazer parte desta família global e, ao mesmo tempo, um impulso para continuar a trabalhar com verdade e consistência. Como avalia a música entre o Brasil e Portugal? A relação musical entre o Brasil e Portugal é antiga, viva e cheia de movimento, mas continua marcada por uma forte assimetria. O Brasil é hoje um dos mercados que mais crescem no mundo, com o streaming a dominar praticamente tudo. Portugal, apesar de ser um mercado menor, tem avançado de forma consistente e adotou o digital com bastante rapidez. Este contexto acabou por abrir um terreno novo, mais interligado e com mais pontos de encontro. Na prática, o fluxo Brasil-Portugal é o mais evidente. A música brasileira faz parte do quotidiano português: das rádios aos bares, dos concertos aos festivais. Há circuitos estáveis de samba, MPB e forró em Lisboa e no Porto. O público português reconhece estas linguagens com naturalidade, pela língua e pela história que partilhamos. O caminho inverso, Portugal-Brasil, ainda é estreito, mas começa a ganhar alguma tração. Já há artistas portugueses a surgir em playlists brasileiras e colaborações nas áreas pop, urbana e eletrónica. O fado continua a ser a porta de entrada para muitos brasileiros, mas já não é a única referência. A Lusofonia tem aqui um papel essencial. Angola, Cabo Verde e Moçambique aproximam Portugal e Brasil há décadas e Lisboa tornou-se um ponto de encontro natural onde África, Brasil e Portugal convivem diariamente. Essa mistura influencia a forma como criamos e consumimos música e abriu novas possibilidades de diálogo entre estes universos. No conjunto, existe uma relação viva e em transformação. A influência brasileira em Portugal continua maior, mas a troca tende a tornar-se mais equilibrada com a digitalização e as colaborações. É uma relação em evolução, com muito por descobrir dos dois lados. E como enxerga o mercado musical no Brasil e na América do Sul? O que mais chama a atenção? O mercado musical no Brasil e na América do Sul atravessa um momento particularmente forte. A região tornou-se uma das que mais crescem no mundo em música gravada, impulsionada pelo consumo digital. O streaming passou a ser o principal motor de circulação. No Brasil, a dimensão populacional e a diversidade de géneros com impacto comercial criam um mercado interno impressionante. Sertanejo, funk, pagode, pop ou MPB convivem e conseguem alcançar audiências massivas dentro do próprio país. Quando uma música explode, atinge milhões em pouco tempo. Na América do Sul, países como Argentina, Chile e Colômbia também apresentam mercados estáveis e profissionalizados, impulsionados por uma população jovem e altamente conectada. Géneros como a cumbia contemporânea, o pop argentino ou o reggaeton colombiano têm ganho projeção. Há um ponto que vários relatórios sublinham: a capacidade destes mercados renovarem tradições e projetá-las para o universo latino mais amplo. O que mais me chama a atenção é a vitalidade criativa destes países. Há identidade, risco, mistura e um público que consome música com intensidade e curiosidade. No conjunto, o que se vê é um ecossistema vibrante, digitalizado e em crescimento contínuo, com uma circulação interna muito maior do que há uma década. Quem é hoje artisticamente o Eddie? Quando penso no que sou hoje como artista, vejo um percurso feito de camadas ao longo dos anos, fruto de trabalho contínuo e curiosidade real. Sou produtor e cantautor multicriativo, alguém que compõe, produz e interpreta as suas próprias histórias. A minha expressão nasce naturalmente do encontro entre Portugal, Espanha, a Lusofonia e a América Latina. Vejo-me como alguém que constrói pontes. Crio com liberdade e sigo a intuição, procurando sempre equilíbrio entre a verdade de cada canção e aquilo que faz sentido para os meus álbuns e concertos. O trabalho em estúdio, as colaborações e o contacto com diferentes realidades deram-me uma visão mais ampla sobre música. A produção ensinou-me como diferentes linguagens podem conversar e reforçar-se mutuamente. Cada estética tem o seu espaço. O acústico, o pop, o urbano ou a eletrónica convivem naturalmente com momentos mais poéticos, introspectivos ou de raiz, como influências do fado, do flamenco e de outras expressões que fazem parte da minha identidade. Como produtor, procuro perceber como cada cor sonora serve uma emoção; como cantautor, transformo essa emoção em narrativa. Em palco, acredito que essa diversidade é essencial, porque diferentes atmosferas constroem uma mesma história. Hoje vejo-me como um artista ibérico com raízes lusófonas e afinidade latino-americana. Ígor Lopes










