Revista do Villa
Revista do Villa
Revista do Villa
Revista luso-brasileira de conteúdo sobre cultura, gastronomia, moda, turismo,
entretenimento, eventos sociais, bem-estar, life style e muito mais...
Resultados encontrados para busca vazia
- Personalidades: Narjara Turetta
Muito bom começar o mês de maio escrevendo esta coluna sobre uma pessoa que tem tudo a ver com o mês neste momento. No auge de seus 58 anos, ela completa este mês 54 anos de carreira, está em cartaz com a peça As Loucas de Copacabana, um texto de Gugu Olimecha, no Teatro Dulcina, mas depois te dou maiores detalhes. Este grande talento, chama-se Narjara Aparecida Turetta, uma paulista que aos quatro anos e meio, deu o ar de sua graça na TV Record de São Paulo, apresentando o programa A Grande Gincana com palhaços e monólogos do Diretor Durval de Souza. Mas foi aos nove anos, na TV Tupi que, a estrelinha começava a brilhar nas novelas, a primeira foi Papai Coração. Narjara Turetta deslanchou a sua carreira em 1979, na Rede Globo, no Seriado Malu Mulher, ficando dois anos no ar como a lindíssima Elisa, filha da protagonista Malu, interpretada por Regina Duarte. Este seriado gerou um maravilhoso especial de música, com as nossas divas da MPB, Mulher 80, onde Narjara teve a sua participação como cantora, juntamente com o Quarteto em Cy, muito bom. Pronto! Daí para frente, foram papeis bem diversificados, desde a boazinha até a mais pura vila e algumas personagens de época que fizeram a Narjara crescer dentro da televisão e do teatro, sempre ao lado de outros grandes talentos, como nas novelas Baila Comigo, O Homem Proibido, Amor com amor se paga e Direito de Amar. Os altos e baixos na carreira, também tiveram espaços na vida da atriz, que não se fez de rogada, arregaçou as mangas e partiu para a praia, vendeu muitas águas de coco, sempre guerreira, mas nunca desamparada por grandes amigos, principalmente, a atriz Gloria Pires nunca soltou a sua mão e Narjara se diz sempre grata por tudo, e a carreira foi fluindo em O Salvador da Pátria, Gente Fina, Páginas da Vida, Morde e Assopra, Salve Jorge, O Outro lado do Paraiso e Jezabel, entre outros. Voltando um pouco no tempo para falar de teatro, aos quatorze anos, precisamente em 1981, ao lado do saudoso Laurinho Corona, Narjara Turetta fez a sua estreia na peça infanto juvenil Sinbad, o Marujo. E como prometi no início, As Loucas de Copacabana, texto de Gugu Olimecha, direção de Pia Manfroni, produção de Guilherme Del Rio, com Narjara Turetta e grande elenco, está em cartaz no Teatro Dulcina, sexta e sábado às 19h e domingo às 18h, durante todo o mês de maio. Projetos novos estão em andamento pela atriz, sem data ainda definida, mas posso adiantar que será um monologo sobre a sua vida, escrito por Aloisio de Abreu, com direção da querida Gloria Pires. Narjara também está escrevendo a sua biografia pela Rubi Editora. Entenderam por que a escolhida do mês de maio foi a Narjara Turetta? Simples, início de carreira, peça em cartaz e uma vida inteira dedicada ao mundo das artes. Uma vida que muitos puderam acompanhar desde a sua infância, com muito entretenimento envolvido e os mais novos, que só conhecem a Narjara de hoje, podem pesquisar sobre os seus belíssimos trabalhos, alguns, inclusive, já foram reprisados no Canal Viva. Obrigado, Narjara Turetta! Nilson Netto - Colunista da Revista do Villa Formado em Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda pela Faculdade de Comunicação Hélio Alonso, Teatro, Televisão e Moda nos Anos 80. Com cidadania americana, tendo vivido mais de 16 anos nos Estados Unidos. Gerente de bar, eventos. Empresa de Mudanças para o Brasil. Colunista do Jornal Brazilian Press Social Press Connecticut. Caravanista do Brazilian Day em New York por 16 anos.
- Fundação espanhola garante acesso a banco de dado de DNA à Academia Portuguesa de Fibromialgia
Foto: divulgação A Academia Portuguesa de Fibromialgia, Síndrome de Sensibilidade Central e Dor Crónica conta já com acesso ao banco de dados de amostras genéticas do Banco de ADN de doentes com Fibromialgia, organizado e mantido pela Fundación de Afectados y Afectadas de Fibromialgia y Síndrome de Fatiga Crónica (Fundación FFC), com sede em Espanha. O objetivo é “impulsionar a pesquisa científica e melhorar abordagens no diagnóstico e tratamento desta condição”. Uma iniciativa que decorre fruto do acordo de cooperação para a investigação biomédica em Portugal, através da assinatura de um memorando de entendimento que prevê a colaboração na cedência e utilização desse banco de dados. A assinatura oficial do acordo aconteceu entre o presidente da Academia Portuguesa de Fibromialgia, Prof. Dr. José Luis Arranz Gil, e a presidente do Conselho de Administração da Fundación FFC, Emilia Altarriba Alberch, durante uma cerimónia no último dia 12 de julho no Anfiteatro Amarelo da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade da Beira Interior, Covilhã. Nesta oportunidade, a Dra. Emilia Altarriba Alberch, doutorada em Antropologia, apresentou uma palestra destacando a relevância histórico-científica das amostras genéticas para a investigação biomédica no campo da Fibromialgia, o que recebeu elogios da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade da Beira Interior. A referida Fundação destaca-se por ser uma Organização Não Governamental (ONG) sem fins lucrativos, inscrita no Registo de Fundações da Generalitat da Catalunha em 2002 com o número 1799 e classificada como Fundação de caridade de bem-estar, com finalidade cultural e científica. Programa académico Além do anúncio público do acordo, que representa, segundo fontes, um “passo significativo na colaboração internacional em saúde, sem precedentes em investigação biomédica na área da fibromialgia e síndrome de fadiga crónica”, o evento também ficou marcado pela homenagem a Alfred Blasi Escude que foi empossado como Académico de Mérito da Academia Portuguesa de Fibromialgia, Síndrome de Sensibilidade Central e Dor Crónica. O homenageado apresentou a comunicação “Experiências de Autocura de um Doente com Fibromialgia: O Valor do Doente Experiente”, num momento bastante emotivo. Alfred Blasi Escude é considerado uma das figuras mais destacadas e de reconhecido mérito na área da fibromialgia e da sensibilidade central, sendo autor da obra “Mi Lucha Contra la Fibromialgia”. A sessão foi encerrada com discursos de Mário Lino Barata Raposo, Reitor da UBI. Ígor Lopes
- Festival Mais Solidário “superou expetativas” e reforçou espírito de união em Castelo Branco
O presidente da Associação Quatro Corações, Hélder Martins, que promoveu mais uma edição do Festival Mais Solidário em Castelo Branco, Portugal, qualificou de “excelente” o convívio à volta do evento e apelou para a continuidade deste espírito de união e solidariedade que marcou a terceira edição do certame. Foto: Margarida Mattos “O convívio foi excelente”, disse Hélder Martins, destacando a importância solidária do festival, que decorreu de 02 a 04 de agosto e “superou as expetativas logo nos dois primeiros dias, graças ao trabalho conjunto e à dedicação de todos os envolvidos”. “Quando as coisas são feitas com carinho, com equipa, com a envolvência de todos, acontece um milagre em Castelo Branco”, disse o presidente da Associação Quatro Corações, para quem o festival reflete uma sinergia de vontades em prol, mais uma vez, daquilo que é a missão da instituição: “ajudar quem ajuda”. O Festival Mais Solidário é considerado um importante promotor turístico da região, não só a nível nacional, mas também internacional, alcançando países como Estados Unidos, França, Luxemburgo e Brasil. Além de fortalecer laços comunitários, o festival também tem um impacto significativo na economia local, beneficiando diretamente o distrito de Castelo Branco. O Festival Mais Solidário ofereceu uma programação diversificada que incluiu concertos de artistas de renome como LON3R, Wet Bed Gang, Bispo, Carolina Deslandes, Karetus, Van Zee, Fernando Daniel e Rich & Mendes (RFM). Além da música, o festival apresentou uma variedade de atividades, incluindo demonstrações, exposições de artesanato, espaços ao ar livre e áreas dedicadas às crianças, bem como a presença de associações parceiras locais. O festival é, de resto, um ponto de encontro para diversas comunidades, incluindo estrangeiros e refugiados que residem na região, o que, para Hélder Martins, demonstra que o festival pode “trazer pessoas de fora para dentro”, aliás, “é o que faz também que o festival seja um bocadinho diferente.” O festival, que contou com a colaboração de mais de 120 empresas, 400 voluntários e 23 Associações do concelho de Castelo Branco, atraiu cerca de 20 mil visitantes nos dois primeiros dias. Em termos de espaço, dinâmica, participação das empresas e das associações, o festival também operou mudanças, mais “no sentido de que queríamos estar mais próximos uns dos outros para poder interagir mais. Este ano, colocamos tudo numa zona mais aconchegante, mantendo essa interação com maior facilidade entre as pessoas e podendo desfrutar, da mesma forma, de um espaço lindíssimo, mas com menos tempos de vazio entre mudanças de palco. Hoje, é tudo muito mais contínuo. Reconhecido pelo Turismo de Portugal na rubrica “Portugal Events”, o festival refletiu a sua capacidade de atrair visitantes e promover o turismo local. Segundo Anabela Freitas, vice-presidente do Turismo do Centro de Portugal, o evento tem demonstrado uma significativa capacidade de atrair visitantes para a região. Já Leopoldo Rodrigues, presidente da Câmara Municipal de Castelo Branco, sublinhou o empenho em garantir o sucesso social do festival e promover o concelho. Para o próximo ano, a organização antecipa o interesse em dar continuidade ao evento, com reuniões marcadas para setembro a fim de avaliar os pontos positivos e prontificar futuras edições, mantendo o festival como um marco de solidariedade e união na região. “Agora em setembro, vamos sentar todos em conjunto e fazer um apanhado das coisas”, prometeu Hélder Martins. Ígor Lopes
- Empresário português premiado pela “EU Business News”
Pedro Ramos, CEO da KEEPTALENT Portugal, foi o vencedor da primeira edição dos Prémios Europeus de CEO do Ano na categoria “Best Communications CEO Portugal 2024”, uma iniciativa promovida pela EU Business News, com sede no Reino Unido, e que visa “destacar os melhores profissionais europeus que apostam em inovação e que têm conquistado destaque nas suas áreas de atuação”. Segundo apuramos, os prémios europeus de CEO do ano “reconhecem e homenageiam CEOs de alto nível que demonstraram qualidades de liderança excecionais, visão estratégica e um impacto profundo nas suas organizações e indústrias, celebrando a liderança empresarial exemplar, a visão estratégica e as contribuições incomparáveis destes indivíduos”. Pedro Ramos refere que “é um enorme privilégio ser reconhecido num processo que não depende de qualquer interferência ou votação pública, mas apenas assente numa avaliação séria e isenta, sobre a forma como atuamos como líderes num contexto digital, multicanal, neste caso enquanto “bons comunicadores” de ideias, conhecimento e partilha de boas práticas e experiências”. “É muito bom sentir que outros se inspiram e avaliam a nossa forma de ser, atuar e experienciar este momento de grande transformação e mudança organizacional. Para mim, que passei toda uma vida ao serviço das empresas, e que agora passei “para o outro lado”, para o lado de quem pode ajudar os outros a fazer diferente... este Prémio tem um sentido e um “sabor” muito melhor”, comentou Ramos. De acordo com os responsáveis pela EU Business News, “uma proporção considerável de CEOs europeus está otimista quanto às perspetivas financeiras das suas respetivas organizações no próximo ano”, esta classe é conhecida também por encontrar formas de incorporar os avanços tecnológicos nas suas estratégias empresariais na Europa, sendo a IA “um alicerce crucial para o futuro”, que “moldará as políticas a nível empresarial e nacional”. “Um CEO de sucesso deve priorizar com confiança a inovação e o planeamento estratégico para se manter à frente do jogo. (…) Para ter sucesso como CEO no mundo de hoje, é crucial possuir as habilidades para superar obstáculos, superar dificuldades e planear o futuro”, comentaram os responsáveis pelo prémio, que acreditam que “os Prémios Europeus de CEO do Ano não são apenas uma cerimónia de reconhecimento, representam uma homenagem aos líderes que, através do seu compromisso inabalável, se tornaram arquitetos do sucesso, moldando a trajetória das suas organizações e inspirando outras a alcançar novos patamares”. Currículo internacional Pedro Ramos é PhD em Economia de Empresa, Mestre em Sociologia do Emprego e Licenciado na área das Ciências da Educação. É atualmente CEO da KEEPTALENT Portugal, tendo anteriormente desempenhado os cargos de Administrador Executivo e de Diretor de Recursos Humanos em empresas de grande porte, nos últimos 30 anos. É professor universitário nas áreas de Liderança e Gestão de RH (Coimbra Business School, ISCTE Executive Education e ISLA Santarém) e é orador/palestrante internacional nas áreas de Liderança e Gestão de Pessoas com múltiplas intervenções em Portugal, no Brasil, em Angola, Moçambique, Cabo Verde, Espanha e México. É, atualmente, Membro do Board do IFTDO (The International Federation of Training and Development Organization). Foi Presidente da Associação Portuguesa de Gestão das Pessoas (APG) até final de 2023, é Membro do Conselho Estratégico da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH Brasil) e foi Embaixador para a Lusofonia da Associação DCH – Diretivos de Capital Humano em Portugal. Exerceu nos últimos anos também o cargo de Vice-Presidente da Associação Lusofonia Digital. Enquanto DRH foi um dos mais influentes em Portugal, no Brasil e em África e é referido em vários fóruns e estudos internacionais na área de Gestão de Pessoas. É, ainda, autor de várias obras sobre Liderança e Gestão de Pessoas. Publicou obras recentes como a obra “Liderança – Para onde vamos a partir daqui?”, “PESSOAS & NEGÓCIOS – Mobilizar para a Obtenção de Resultados”, bem como é coautor das obras “Conta-me Estórias – Storytelling na Gestão de Pessoas” (2 volumes já publicados) e “Sharing My Change – Viagem pela Gestão da Mudança” publicados em Portugal e no Brasil. Coordenador da obra “Gestão de Empresas com Pessoas a Bordo” (2022) e autor da recente “Gestão das Pessoas de A a Zen” (2023 e 2024), no Brasil e em Portugal. Recebeu ao longo da sua carreira vários prémios e distinções de excelência pelo seu exercício de funções enquanto Gestor de Pessoas. Recebeu o Prémio CARREIRA RH pelos mais de 27 anos de gestão de topo enquanto DRH, assim como o reconhecimento de “Personalidade de Gestão de Pessoas da Lusofonia 2021”, bem como vários prémios de Excelência RH individuais e coletivos pela sua intervenção enquanto Líder e Gestor de Pessoas. Já em 2024 recebeu a Medalha de Ouro da IFTDO (na cidade do Cairo) pelo trabalho realizado no Mundo na Área da Gestão de Pessoas. Em 2023 foi homenageado pela Academia de Filosofia e Ciências Humanísticas Lucentina, com sede no Brasil. Ígor Lopes
- Covilhã: Feira de São Tiago reuniu empresários brasileiros que têm apostado na região
A cidade da Covilhã, localizada aos pés da Serra da Estrela, na região Centro de Portugal, promoveu mais uma edição da centenária Feira de São Tiago, um evento histórico, com 613 anos de tradição, entre os dias 12 e 28 de julho. O certame, conhecido pelo seu diversificado cartaz musical e pela variedade de expositores, é organizada pela Câmara Municipal da Covilhã em parceria com a Associação Empresarial da Covilhã, Belmonte e Penamacor (AECBP). Este ano, a Feira contou com as atuações de artistas de peso, como Xutos e Pontapés, Marisa Liz e António Zambujo, entre outros, atraindo um grande público. Segundo José Miguel Ribeiro de Oliveira, vereador da Câmara Municipal da Covilhã com os pelouros do Associativismo, Desporto e Feiras e Eventos, e um dos responsáveis pela Feira, o longo percurso histórico da Feira de São Tiago serve também como motor de promoção e desenvolvimento da região. “A Feira de Feira de São Tiago tem 613 anos, começou por ser uma feira ligada à venda da lã, dos lanifícios, e depois foi evoluindo, passou também por um período da Feira do Queijo. E, na década de 1990, início do século XXI, foi decrescendo do ponto de vista de impacto e de peso económico na região. Foi perdendo o seu espaço. E nós, desde 2015, até esta parte, temos feito uma aposta no sentido de revitalizar este certame. E é uma aposta que eu acho que está conseguida. Obviamente que tem as suas complexidades, não é fácil”, frisou este responsável, que destacou que o local contou com um grande espaço comercial e empresarial. Este vereador considera que a Feira tem auxiliado também na integração das comunidades migrantes residentes na região, que “têm sabido se instalar, inclusive, neste momento, são promotores até de empresas e de negócios e ajudam o nosso tecido económico. Estão perfeitamente inseridos. Isto faz com que, do ponto de vista da feira, seja fácil, entre aspas, trazer essas pessoas, fazer com que tragam também um pouco daquilo que são os seus produtos, porque também temos aqui um cantinho da Angola, temos um cantinho do Brasil, portanto, temos aqui uma grande multiculturalidade”. José Miguel Oliveira disse acreditar que a Feira de Santiago ajuda no crescimento do número de interessados em investirem na região. “Hoje em dia, um investidor que procura um local para investir, procura um local para alojar a família ou trabalhar. (..) Portanto, nós, quando vamos à procura do sítio por onde queremos ficar, hoje em dia, devemos ter em conta a questão da saúde, a questão da educação, entre outros temas. (…) Eu sou suspeito, pois adoro a nossa região como um todo, Covilhã, especialmente, mas nós, quando falamos da parte turística, não podemos nos restringir apenas ao nosso concelho. Temos que olhar para a região e as potencialidades que ela oferece”, reconheceu este responsável, que sublinhou que “a comunidade brasileira, a comunidade angolana, a comunidade dos países de língua oficial portuguesa são uma grande maioria dos migrantes que nós temos, mas também temos uma comunidade de argentinos que vieram através dos nômadas digitais, e eu acho que cada vez mais esta multiculturalidade se vai verificar nas nossas cidades”. Um dos pontos altos deste certame foi a valorização empresarial, com uma grande aposta no envolvimento dos empresários locais na demonstração dos seus produtos, mas também no desenvolvimento de projetos nacionais e internacionais com foco no território do Interior de Portugal. Na opinião do empresário Rhaxwell Nascimento, que é também CEO da Associação e-DNA, participar na Feira de São Tiago é uma forma de promoção de negócios e criação de network de qualidade. “Desde que viemos para Portugal, há cinco anos, a nossa intenção é trazer negócios para o Interior do país. Os negócios que nós trouxemos para a região culminaram em alguns outros frutos. Hoje temos aqui na Feira de São Tiago alguns desses resultados, como a e-TAG, que é um sistema digital; a Mais Media, que trata da venda de publicidade em Mupi’s e ecrãs digitais; além da Covilhã Web TV, num estúdio da BMAX, entre outros, como o guia de investimento, por exemplo, que está a ser criado em parceria com o grupo de comunicação brasileiro “O Povo”. Tudo isto em prol do desenvolvimento do Interior de Portugal, da região das Beiras”, contou este responsável. Ainda de acordo com Rhaxwell Nascimento, toda esta movimentação valoriza o território e abre possibilidades para os investidores nacionais e estrangeiros. “Do interior de Portugal, a gente vem tendo essa possibilidade de colocar definitivamente os investidores do mundo com o olhar nesta região, para mostrar que Portugal é muito mais do que litoral, é muito mais do que Lisboa, do que Porto, é muito mais do que vinho, do que ovelha, do que queijo. É isto tudo também, mas é mais do que isto, tem oportunidades empresariais importantes”, adiantou Rhaxwell Nascimento, que avança que a estratégia utilizada para esta dinâmica vai muito além do mercado brasileiro. “O nosso foco hoje vai além do Brasil. Claro que a gente tem muita facilidade, porque a adesão dos nossos negócios junto dos brasileiros é muito forte. Mas nós hoje avançamos para outros povos, como África, China, Estados Unidos, mostrando a essas pessoas o potencial de recursos para se instalarem no Interior de Portugal, com a possibilidade de acesso a benefícios fiscais e a apoios governamentais e projetos europeus”, considerou, enaltecendo o baixo custo de vida numa região distante dos grandes centros, com grande infraestrutura, qualidade de vida aumentada e acessos de qualidade. Ígor Lopes
- Portugal terá primeiro curso sobre Fibromialgia
A Universidade da Beira Interior (UBI), na Covilhã, região Centro de Portugal, vai sediar o primeiro “Curso de Formação e Atualização sobre Fibromialgia, Síndrome de Sensibilidade Central e Dor Crónica”, um evento organizado em colaboração com o Centro Académico Clínico das Beiras, a Faculdade de Ciências da Saúde da UBI e a Academia Portuguesa de Fibromialgia. Este curso inovador, com início marcado para o dia 9 de novembro, será realizado no Anfiteatro Amarelo da Faculdade de Ciências da Saúde da UBI. A formação, que terá uma carga horária de 30 horas, sendo 25 horas letivas e cinco para a realização de um trabalho de investigação, está sob a responsabilidade dos professores doutores Miguel Castelo-Branco, José Luis Arranz Gil e José Martinez de Oliveira, todos professores na UBI. O curso, que confere 1 ECTS, contará com a participação de especialistas de renome nacional e internacional na área da fibromialgia. Mário Raposo, Reitor da UBI, destacou a importância desta iniciativa. “Acolhemos a decisão de realizar este curso em cooperação com a Academia de Fibromialgia, promovendo um evento de extrema relevância numa área inovadora do conhecimento. Este curso reforça o reconhecimento da nossa Faculdade de Ciências da Saúde como uma instituição pioneira em novas áreas de tratamento na saúde”, frisou. Já o Prof. Dr. Miguel Castelo-Branco, presidente da Faculdade de Ciências da Saúde, sublinhou a pertinência da formação. “A fibromialgia é uma doença que afeta muitas pessoas e necessita de avanços tanto no conhecimento como nos aspetos terapêuticos. Este evento será marcante por reunir especialistas de renome, proporcionando uma atualização vital para os profissionais interessados neste tema crucial”, avaliou. Por sua vez, o Prof. Dr. José Martinez de Oliveira reforçou a visão institucional sobre o curso. “A organização deste primeiro curso sobre fibromialgia e as suas conexões representa um passo significativo no avanço do conhecimento universitário. Abordar a Síndrome Fibromiálgica exige uma interação profunda e a participação de todo o conhecimento disponível, visando sempre ao benefício do doente”, comentou. O presidente da Associação de Socorros Mútuos Mutualista Covilhanense, Nelson Silva, elogiou a parceria com a UBI após criar-se “a primeira e única unidade de fibromialgia em Portugal, promovendo mais de duas mil consultas e acompanhando cerca de 300 doentes”, na primeira unidade de Fibromialgia criada no país pelo Prof. Dr. José Luis Arranz Gil, que está instalada na sede da Mutualista Covilhanense. “Esta colaboração com a Faculdade de Ciências da Saúde permitirá a formação de técnicos mais qualificados para responder à procura de soluções para a fibromialgia”, avançou. Por fim, o Prof. Dr. José Luis Arranz Gil, presidente fundador da Academia Portuguesa de Fibromialgia e professor na UBI, destacou a missão do curso manifestando o desejo em “aumentar o reconhecimento e a compreensão sobre a fibromialgia, melhorando a abordagem e os tratamentos para os nossos doentes”. Este responsável considera que “este é um passo essencial para assegurar que ninguém desconheça esta doença, promovendo um maior acolhimento e compreensão entre os doentes e os profissionais de saúde”. As candidaturas ao “Curso de Formação e Atualização sobre Fibromialgia, Síndrome de Sensibilidade Central e Dor Crónica” decorrem de 9 de setembro a 18 de outubro no site da UBI, em www.ubi.pt . O público-alvo do “Curso de Formação e Atualização sobre Fibromialgia, Síndrome de Sensibilidade Central e Dor Crónica” são os profissionais e estudantes da área da Saúde e pacientes interessados em conhecer mais sobre esta doença. Esta formação contará com 15 professores doutorados, sendo seis académicos. Fontes da área da Saúde, ligados à Universidade da Beira Interior, acreditam que, através deste curso, haverá um “reforço do seu compromisso com a inovação e a excelência no campo da saúde, proporcionando uma formação de qualidade e atualizada para profissionais de saúde e contribuindo significativamente para o avanço do tratamento da fibromialgia em Portugal”. Acordo internacional O curso marca também um novo capítulo na colaboração internacional em saúde, como exemplificado pelo recente acordo de cooperação assinado entre a Academia Portuguesa de Fibromialgia e a Fundación FFC, com sede em Espanha, que visa “impulsionar a pesquisa biomédica e melhorar o diagnóstico e o tratamento da fibromialgia em Portugal, através da utilização de uma base de dados de amostras genéticas de doentes com fibromialgia”. O evento de assinatura do acordo, que aconteceu no dia 12 de julho, na Faculdade de Ciências da Saúde da UBI, contou com a presença de destacadas figuras da área da saúde e da academia, incluindo Emilia Altarriba Alberch, presidente do Conselho de Administração da Fundación FFC, e Alfred Blasi Escude, homenageado como Académico de Mérito pela Academia Portuguesa de Fibromialgia, que foi declarado por todos “doente experiente”. Ígor Lopes
- Entrevista com a poeta Portuguesa Mónica Mesquita
Mónica Mesquita é natural de Paranhos, no Porto, cidade onde vive. O apreço pela escrita acompanha-a desde que aprendeu a escrever. Grande amante das artes, costuma aprender por conta própria, seja arte literária, artística, musical ou audiovisual. Autora de 5 livros publicados, também atua como organizadora do evento “Tertúlia Poética dos Afetos”, que é realizado com regularidade no Auditório da Junta de Freguesia de Campanhã. 1 – Em sua visão, quem é Mónica Mesquita? Mónica Mesquita é amor. Poderia descrever várias características, contudo, gosto de ser misteriosa e deixar que quem vier até mim, me vá conhecendo. No entanto, em inúmeros poemas dos meus livros descrevo-me, quer explicitamente, quer nas entrelinhas. 2 - Como surgiu o seu gosto pela poesia? O meu gosto pela poesia surgiu na adolescência, quando em estado de graça, apaixonada, escrevia quadras de amor na escola. 3 - Cada poeta sente o mundo e se expressa à sua maneira. De onde você busca inspiração para criar seus versos? Na minha modesta opinião, a inspiração é algo que vem do alto. Quiçá um dom, talento Divino e, no meu caso, vem espontâneamente em qualquer momento. Concordo que cada poeta vê e sente o mundo à sua maneira. Eu vejo poesia em tudo. E não é uma utopia, mas sim a magia da vida. Eu costumo dizer: “Se eu conseguir mudar o meu mundo e através das minhas mensagens, poesias, pensamentos, prosas, histórias consigo mudar o mundo de alguém, sinto-me feliz e que já valeu a pena escrever e viver. 4 - Você já lançou os livros De Alma E Coração Na Poesia , A-mar Infinito , Nudez , Harmonia entre Prosa e Poesia e Doces Intimidades. Como foi escrever cada um deles? E onde podemos adquiri-los? O 1º “De Alma E Coração Na Poesia” foi maravilhoso e sublime. O primeiro é sempre o primeiro. Um sonho tornado realidade, bem como um marco na minha vida, uma vez que inicio a minha carreira de escritora e porque contém os meus primeiros poemas, prosas, pensamentos e reflexões. Foi quase como dar-à-luz um potencial 1º filho poético de papel, que é eternizado. Isto porque quando se cria algo, se é mãe dessa ideia ou trabalho concretizado. O 2º “A-MAR INFINITO” foi também uma emoção e evolução. Emoção porque é um livro dedicado a cada membro da minha família mais chegada, contendo poemas e acrósticos dedicados a eles, a mim, às minhas amizades e aos leitores. Evolução, porque eu sinto que evoluí, quer como pessoa, quer como escritora. E mais um filho poético de papel. O 3º “NUDEZ” é um livro onde dispo as palavras, a alma, o espírito e o corpo, para falar de tudo que a vida contém, inclusivamente de sensibilidade, sensualidade, erotismo e sexualidade, com o intuito de fazer com que as pessoas voem e se sintam, deixem as emoções saírem. Este livro também contém poemas de humor com amor. Eis que surge o 4º livro “HARMONIA ENTRE PROSA E POESIA”, este em coautoria com o presidente do NALAP - Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal, professor Diamantino Bártolo, onde escrevo a poesia e prosa poética também e o Diamantino a prosa. Decidi convidar o amigo proseador, porque gosto imenso de escrever duetos e pensei em colocar essa ideia sui géneris em prática em livro. Ele aceitor e a obra nasceu. O feedback dos leitores foi excelente, tal como nos meus 3 primeiros livros, que já vão nas 2ª e 3ª edições. O 5º livro “DOCES INTIMIDADES” é um livro intenso de sentires e emocionante… Uma boa terapia para casais, porque falo mais abertamente sobre Intimidades doces em todos os aspectos. Onde a mulher se liberta, como a metamorfose. Os poemas podem ser declamados como um elixir que desperta a libido ao casal. Embora também aborde outras Intimidades, visto que, para mim, a maior intimidade é quando alguém se despe emocionalmente (alma nua) perante outra pessoa. Porém considero que este livro é mais focado para o erotismo. Os 3 primeiros livros: “De Alma E Coração Na Poesia”, “A-MAR INFINITO” e o “NUDEZ” publiquei com edição de autor nas Edições O Declamador e estão esgotados, contudo estou a cogitar colocá-los brevemente nas plataformas Online para que qualquer leitor no mundo os possa adquirir. Os livros “HARMONIA ENTRE PROSA E POESIA” e “DOCES INTIMIDADES” foram publicados simultaneamente em Portugal e no Brasil com a editora PRIMEIRO CAPÍTULO do grupo Editorial Atlânticbooks e podem ser pedidos Online ou ao balcão das livrarias que trabalham com o grupo. Em Portugal: Wook.pt , Bertrand.pt , FNAC, CTT, Continente, Auchan, livraria Martins e no Brasil através da editora Ipé das Letras. https://www.livrariaipedasletras.com/pd-968e12--ebook-doces-intimidades-monica-mesquita.html?ct=&p=1&s=1 https://www.livrariaipedasletras.com/pd-968e11-doces-intimidades-monica-mesquita.html?ct=&p=1&s=1 Ou a quem dezejar assinado e com dedicatória personalizada, pode-me contactar por email : monicaraquelmesquita3@gmail.com ou através das minhas redes sociais: Mónica Mesquita e Mónica Mesquita Escritora Poetisa. Cartão de visita Digital: https://linktr.ee/monicaraquelmesquita 5 - Para se escrever bem, é necessário ler bem também. Partindo disso, quais autores você mais gosta de ler? Algum deles influenciou na sua escrita? Para ser sincera, escrevo o que sinto e deixo-me levar pela inspiração, contudo, na escola tive já conhecimento de grandes escritores e poetas de antigamente e contemporâneos. Camões, Eça de Queiroz, Camilo Castelo Branco, Antero de Quintal, Florbela Espanca, Natália Correia, Maria Teresa Horta, Carlos Drummond de Andrade, Cora Carolina, Cecília Meireles, Mia Couto, Manuel Alegre, Bocage, José Saramago, Fernando Pessoa, entre outros, até estrangeiros que gosto de ler, como Gabriel Garcia Marques, etecetera… ARTISTA DE ALMA ERÉCTIL O artista nasce artista... Artista que descobre o amor e o coloca em prática. Faz arte a amar o que faz, além de colocar amor nessa mesma aptidão. E, nunca é exclusivamente só para si. Mas sim para dividir e repartir com a multidão que comunga desse mesmo gosto, prazer e gozo que dá ser artista. Realmente não é exibicionismo, mas sim um sentir dos sentidos, da alma, espírito e coração que se pretende partilhar amor, com quem deseja ser amado, sentir o calor humano na arte de amar com arte. Na verdade, são orgasmos múltiplos espirituais, intuídos, vividos artisticamente, espaciais e especiais. Que se consegue sentir e usufruir em doação de sentires com o próximo, o aficionado por artes e momentos felizes que nos elevam ao mais alvo e alto patamar dos diferentes estádios da vida. A arte é a prática da cultura do amor expresso com amor pelo amor à arte e ao ser humano. Por isso o artista é um ser Divino. A sua alma está sempre em erecção numa cumplicidade inspiradora com o céu dos céus. Desvenda mistérios, destapa véus... Por isso os artistas querem e precisam de voar, demonstrar sentires em plena harmonia com o cosmos e com o universo. Não para se exibirem, mas para evoluírem e se expandirem pelo mundo, algozes imundos, escasso de afetos. Claro que se houver receptividade, então é sinal de que não se é artista em vão. Jamais se cresce sozinho. Sempre de mãos dadas se prossegue, adiante, de alma reluzente, a amar profundamente, iluminada e contente. Confiante de que o artista é de e para toda a gente, numa adição de amor constante. Do livro NUDEZ. 6 - Você vive em Porto, uma cidade riquíssima em cultura, história, belezas naturais e costumes populares. A cultura portuguesa te inspira de alguma forma? Como? A cultura portuguesa realmente é fantástica e inspiradora em todos os aspectos, e é curioso porque comecei a escrever e publicar nas redes sociais, conheci o artista plástico Paulo Gonçalves (Fonseca) que me desafiou, através das suas telas, a inspirar-me em algumas delas e escrever poemas. Assim impulsionando-me a aguçar a criatividade e aprimorar a inspiração poética e prosaica, bem como reflexões e Pensamentos harMónicas/os. Então a ilustração da capa do meu primeiro livro De Alma E Coração Na Poesia é da sua autoria, sendo assim um marco na vida de ambos que fica eternizado. Gosto de aliar a arte à poesia através das capas dos meus livros, optando por fazer sempre parcerias com artistas plásticos portugueses, para já. Adoro ver exposições de pintura e fotografia. A natureza também é imensamente inspiradora para mim e, desde quintas, matas, parques, jardins, fontes, pontes, praias, rios e mar, quando visito, fico profundamente inspirada e retempero energias. Costumo participar de tertúlias/saraus de poesia, o que também é muito enriquecedor culturalmente, aliado aos afetos e amizades do meio artístico, e que também preso de coração. Sou uma poeta de sentires afetuosos. 7 – Você é organizadora do evento Tertúlia Poética dos Afetos , que é realizado na Freguesia de Campanhã, Porto. Conte-nos mais sobre esse projeto. A TERTÚLIA POÉTICA DOS AFETOS foi criada com o intuito de recriar as tertúlias de antigamente, do tempo dos grandes poetas, como Bocage e Fernando Pessoa, entre outros e inspirar, não só poetas, a participar com uma arte que desejarem, conversar sobre temas atuais e pertinentes e aliar aos afetos, por forma a promover a sã convivência entre todas as faixas etárias, a múltipla culturalidade e artes diversificadas. É uma tertúlia mensal e conta com o apoio do pelouro da Cultura da Junta de Freguesia de Campanhã no Porto. 8 – Como os leitores reagem aos seus escritos? Os leitores gostam imenso, modéstia à parte, e dizem sentir amor, paz, carinho, alegria, entre outras emoções e sensações, ao lerem os meus escritos/trabalhos/livros. Tenho também um canal no YouTube onde declamo os meus poemas, duetos poéticos, as filmagens da TERTÚLIA POÉTICA DOS AFETOS e eventos que participo, entre outros vídeos. 9 – Além da poesia, quais são suas outras paixoões? Apaixonada por natureza pela vida e vivê-la da melhor forma possível, tenho também outros hobbes/paixões como viajar, passear, ir à praia, fotografar, filmar, fazer rádio, criar conteúdos digitais e conviver presencialmente. Imensamente grata pela oportunidade, bem-hajam pela iniciativa da divulgação da cultura universal. Sucesso e felicidades a todos. Abraço de afetos. TODO O POETA DESEJA Infinito é o amar Ora doce, ora salgado O importante é desfrutar E ser pelo (a)mar acariciado Todo o poeta deseja ser amado Ter uma flor, bela companhia Para fazerem amor, furor e poesia Mas também quer ser livre e inspirado Ser feliz e voar como gaivota Viver ao pé do imenso mar Sorrir e profundamente suspirar Vivo se sentir, sem viver vida morta Caminhar devagar pela areia molhada Ser humano/divino de aura abençoada. (Do livro DOCES INTIMIDADES) Douglas Delmar
- Entrevista: Escritora e Engenheira Florestal Joema Carvalho
Escritora e engenheira florestal, membro da Academia Poética Brasileira e colunista do Facetubes. Autora do Luas & Hormônios (Secretaria do Estado da Cultura, 2010; Selo Marianas, 2020) e do Crônicas de Uma Jornada Florestal (Grupo Caravana Editorial, 2024); coautora do Entre Botânicas Decoloniais: As frutas silvestres de H. D. Throreau e frutas brasileiras (Appris, 2022), organizadora e autora da coletânea Tuíra (Amazon, 2020; Uiclap, 2022) e 4° lugar (prosa) do 1° EKOPOLIS- Prêmio TILDEN SANTIAGO de Ecologia e Política. 1 – Em sua visão, quem é Joema Carvalho? A Joema é uma pessoa em constante processo de mudança, que teve que aprender a lidar com as suas polaridades e paradoxos. 2 - Como iniciou a sua trajetória pela escrita? E quais temas te inspiram a escrever? Comecei a escrita antes de saber escrever, meus pais escreviam os meus poemas. Tive poeminhas desta época, década de 80, publicados no caderno “Jornalzinho” da Folha de São Paulo, um dos poemas era “Peixes”, o contexto do poema era a poluição do mar, já tinha preocupação com meio ambiente. Durante o segundo grau, tive o primeiro contato com os termos técnicos e adorei estas palavras, a sonoridade delas, eram incomuns. Passei a escrever poemas utilizando termos de biologia, matemática, química e de física. Como o vocabulário do meu dia a dia é o da minha formação, engenharia florestal, passei a utilizá-lo na minha escrita. Em 2019, descobri a ecocrítica, que é uma linha da literatura relacionada ao meio ambiente. Participei de uma disciplina como ouvinte e dando suporte técnico de engenharia florestal para o professor. Isto ampliou a possibilidade de textos, dentro da linha do que, intuitivamente, ja vinha fazendo. Hoje faço parte do Grupo de Ecocritica – GECO da UFPR. Fui convidade pelo coordenador para ser coautora do livro Entre Botânicas Decoloniais: As frutas silvestres de H. D. Throreau e frutas brasileiras (Appris, 2022). A questão ambiental é algo natural e gostoso para mim. Não escrevo só isto, mas é o que caracteriza o que escrevo. 3 - Você também é Engenheira Florestal. O que a levou a escolher essa profissão? Conte-nos um pouco sobre seu trabalho nessa área. Então, chegou a hora de decidir o que eu queria ser quando crescesse, mas eu estava confusa. Em função da escrita, o óbvio seria Letras, Jornalismo ou Direito, mas não quis. Fiz um teste vocacional e o resultado foi que eu tinha habilidade para qualquer área. Assim, o meu critério foi definir um curso que misturasse as ciências. Defini arquitetura e engenharia florestal. Descobri no Manual do Estudante o curso de engenharia florestal, um mês antes da inscrição do vestibular. Acabei fazendo engenharia florestal porque não passei na previa de arquitetura. Trabalho em parceria com arquitetos, hoje sei que não teria perfil para ser arquiteta... Fiz então, engenharia florestal e também mestrado e doutorado em engenharia florestal, direcionei para ecologia e minha pesquisa foi com dinâmica de ecossistemas, o que achei fantástico. Aprofundei o olhar para como os ambientes naturais se organizam, como os elementos e fatores se adaptam as adversidades naturais que o próprio ambiente impõe. Trabalhei em projetos de pesquisa, tenho artigos nacionais e internacionais publicados e atuo como consultora ambiental, tenho minha empresa a Elo Soluções Sustentáveis. 4 – Você é autora dos livros Luas & Hormônios e Crônicas de Uma Jornada Florestal . Como foi o processo de criação das suas obras? E onde podemos adquiri-las? O Luas & Hormônios foi selecionado e editado através de um projeto da Secretaria do Estado da Cultura em 2010, ainda tenho alguns exemplares impressos que podem ser adquiridos diretamente comigo, através de contato por email ( joemacarvalho@gmail.com ), Instagram e Facebook (@joemacarvalho_literatura). O livro também foi editado pelo selo Marinas, em 2020, eBook disponível na Amazon: https://www.amazon.com.br/Luas-Horm%C3%B4nios-Joema-Carvalho-ebook/dp/B08P1Z987P . Este livro contem poemas desde quando comecei a escrever. Arrisquei submeter ao projeto da Secretaria e fui selecionada. Para agrupar os poemas de diferentes épocas, dividi o livro em canteiros/capítulos: Flores de Ervas Cheirosas; Flores do Cerrado, da Caatinga, do Deseto, do Lodo; Flores da Infancia e Flores do Amor. Em relação ao livro atual, eu seguia a editora Caravana Grupo Editorial no meu Instagram e vi o projeto desta editora com edital aberto para seleção de livros para serem traduzidos para o espanhol, com lançamento em Buenos Aires. Enviei o Luas & Hormônios. Após primeira reunião, fiz contato com o editor, disse que tinha outros livros. Ele sugeriu lançarmos um livro inédito em portugues e em espanhol. Achei excelente a ideia, assim nasceu o Crônicas de Uma Jornada Florestal, disponivel no site da editora na versão em portugues e em espanhol: https://caravanagrupoeditorial.com.br/produto/cronicas-de-uma-jornada-florestal/ e https://caravanagrupoeditorial.com.br/produto/cronicas-de-una-jornada-florestal/ . As crônicas são resultados de viagens, principalmente, pelo Brasil, onde abordo detalhes das paisagens, conflitos humanos, o nosso tamanho e a nossa capacidade de controle sobre os elementos e fatores ambientais. O sentir enquanto uma forma de comunicação entre os seres não-humanos. O tempo do planeta e nosso tempo, o processo de construção e desconstrução inerentes ao processo geomorfologico do planeta, as mudanças climáticas como parte integrada aos processo naturais dos quais fazemos parte, o paradoxo de nossa existência, compôem as crônicas. 5 - Crônicas de Uma Jornada Florestal também teve uma versão publicada em língua espanhola, em Buenos Aires. Como foi lançar seu livro em um país estrangeiro? E qual foi a recepção do público? Foi uma experiência incrível ter o livro traduzido para outra língua. Dei trabalho para o tradutor, meu livro possui várias notas de rodapé dele. Para nós é simples entender o que é um caiçara, quilombola, um guanandi, uma peroba, o Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, o Parque Nacional do Descobrimento; rios Tibagi, Paraná, Guaíba, São Francisco, Solimões, entre outros. Através da tradução, senti que através do Crônicas de Uma Jornada Florestal contribuo com a divulgação do nosso país, da sua diversidade de ambientes e de paisagens, que refletem a diversidade de espécies, ecossistemas e etnias. Em Buenos Aires foi excelente. A Caravana organizou uma programação ótima. Participamos de mesa redonda. Estivemos na livraria Ateneu, que é lindíssima e tradicional de Buenos Aires. Fizemos o percurso do Jorge Luis Borges, em San Telmo e estivemos na 48° Feria Internacional del Libro de Buenos Aires participando de um sarau no stand do Brasil. Estou tendo um retorno ótimo de quem está lendo, inclusive pessoas têm adquirido outros exemplares para dar para conhecidos. O livro está sendo prestigiado por colegas e professores da engenharia florestal também. Para o autor, lançar um livro é uma incerteza, o retorno tem sido muito bom. CHEIRO DE CEDRELA a densidade vem do tempo casca grossa essência se faz no vento brisa que escorre seiva elabora expele bruta xilema do floema minerais caminham pelo corpo cristais refletem dinâmica e clorofila donde transmuto oxigênio sou várias com as estações recolho-me no frio sou galhos e ramos descolorida retomo minha função quando tudo é nascente findo em flor frutifico por meses não me canso capto a luz que chega em feixes dispersas entre as folhas busco como posso os raios que me nutri deixo de ser ombrófila chego ao dossel e me espalho plena de quem sou 6 – Você exerce a função de Diretora da Elo Soluções Sustentáveis, empresa de consultoria socioambiental localizada em Curitiba, no Estado do Paraná. Fale-nos um pouco sobre a sua atuação na empresa. Atuo com licenciamento ambiental de obras de empresas, indústrias e pessoas físicas. Meu trabalho depende da anuência de órgãos públicos. Atuo com soluções, gestão, regularização e alinhamento ambiental de empreendimentos. 7 – Para escrever bem, é necessário ler bem também. Partindo disso, quais autores você mais gosta de ler? Algum deles influenciou na sua escrita? Concordo, a escrita é dependente da leitura. São vários os autores que gosto de ler, mas os que influenciam o que escrevo, dentro da linha que sigo são Mia Couto, Clarice Lispector, Guimarães Rosa, Manoel de Barros, João Cabral de Melo Neto e Shakespeare (principais). Gosto de ler Isabel Allende e Umberto Eco também, além vários outros. 8 - A sustentabilidade ambiental sempre foi um tema de suma importância, visto que a natureza tem sido fortemente impactada pelas ações humanas. Na sua opinião, quais ações podemos praticar para manter o equilíbrio do ecossistema natural? Vou colocar o que considero a nível de indivíduo (“nós”). Considero que adotar a prática de ser um indivíduo que busca a melhoria física, mental, emocional e espiritual é fundamental neste processo. Alimentação saudável é diretamente relacionada a questão ambiental, por exemplo. Veja a quantidade de embalagem, aditivos, corantes, conservantes de um fastfood, congelado ou processado. Isto implica em processo industrial pesado, uso de energia e de água em excesso. O que faz mal para o humano faz mal para o meio ambiente. Um ser humano que pratica esporte regularmente, reduz a necessidade de uso de remédios, o que também implica em um processo industrial enorme e gera dependentes químicos. Ter a consciência do limite e do não limite saudáveis, do até onde posso expandir e do até onde devo respeitar o espaço do outro, independente da espécie, assim como, a consciência do “para quê” são fundamentais para o equilíbrio do ambiente. A consciência do relativo e do incerto, diretamente relacionados ao nosso tempo, a nossa proporção, a necessidade do controle do outro e do todo, estão diretamente relacionados a questão ambiental e a sustentabilidade pessoal e a do Planeta. Colocar na rotina um “banho de floresta” ou shinrin-yoku nos integra a essência e a ideia de sustentável. No Japão, é a prática para quem deseja ter contato mais próximo com a natureza ou simplesmente passar um tempo em uma floresta para relaxar, tendo como objetivo o bem-estar físico e mental. DECÍDUA O outono chega Como as outras estações Sem pedir licença Deixa-me nua Ao vento que começa se tornar gélido Correntes que vêm do Sul Vejo-me em tons de marrom Tonalidades secas Vou direto ao chão Camuflo-me com o substrato E não me reconheço mais Em meio ao que fica na superfície Decomponho-me Mantenho o ciclo A fertilidade continua Só penso em entregar-me Angústia diante do processo que se inicia Que ainda não é o pior Desfaço-me Contenho minha energia Vejo todo o plano recolhendo-se O vento é mais forte Sementes aladas completam o que vejo Minha seiva elabora Expele o que é bruto Vou passar nua e inteira Pelo momento adverso Em essência, entendo O que vou expor na primavera Douglas Delmar
- Entrevista com a Poeta Carmen Vervloet
Carmen Vervloet é natural de Santa Teresa (ES). Poeta autodidata, costuma expressar suas emoções e desejos mais profundos através da escrita. Porém, Carmen não se restringe a falar só de si mesma, mas dirige seu olhar para os problemas sociais existentes, buscando enfatizar a importância da paz mundial. Publicou o livro De Mulher Para Mulher - Obrigatório para os Homens e contribui em diversas antologias poéticas do Brasil, compartilhando seus escritos nas redes sociais. ORIGEM Sou de lá onde as montanhas circundam a cidade e as matas se pintam em cor... Sou de lá onde os pássaros revoam por cima de tudo e seus gorjeios são sinfonias para qualquer ouvido... Sou de lá onde o luar revela o brilho do sonho e o sonho se multiplica entre as infinitas estrelas... Sou de lá onde as rosas desabrocham em poemas e a terra do coração é fértil em amor... Sou de lá onde a comida tem cheiro e sabor de infância e faz renascer a menina feliz por um instante... Sou de lá onde soa o sino da igreja matriz anunciando que Deus está presente... Sou de lá daquela terra santa, de céu azul turquesa, sou da minha nobre e bucólica Santa Teresa. 1 – Em sua visão, quem é Carmem Vervloet Carmen Vervloet, uma jovem senhora de 81 anos, com olhos atentos para o momento, sensível, destemida, arrojada, feliz e que continua sonhando e que vê seus sonhos se realizarem um por um, pois em tudo que faz coloca amor e paixão. Uma mulher que preza o respeito e a liberdade. 2 - Como iniciou a sua trajetória pela poesia? Comecei a escrever na adolescência incentivada por minha professora de Português. Nesta época, com doze anos de idade, escrevi meu primeiro poema que se intitulou “O Câncer”, uma homenagem a minha tia e madrinha que havia falecido desta doença. E daí em diante nunca mais parei, pois fiquei perdidamente apaixonada pela poesia. 3 - Muitos dos seus poemas possuem uma abordagem romântica e alegre. Além disso, quais outros temas te inspiram a escrever? Gosto de escrever sobre tudo que me traz o cotidiano, onde a emoção toca, nasce poesia. A preservação do meio ambiente é um assunto que sempre me atrai, além das mazelas do nosso povo tão sofrido, quando gosto de questionar nossos governantes. Atualmente tenho escrito muito sobre o anseio de todos pela paz mundial. 4 - Você nasceu em Santa Teresa (ES), uma cidade riquíssima em cultura, história, belezas naturais e costumes populares. Sua terra natal te inspira de alguma forma? Como? Sim, nasci na bucólica e histórica Santa Teresa. Cresci entre verdes matas, flores multicoloridas e bailarinos colibris e com certeza nunca me afastei de minhas raízes, embora tenha saído de minha terra natal aos onze anos de idade para vir estudar na capital, nossa pequenina ilha de Vitória, (ES), cidade que me adotou com todo o amor e carinho. Ambas as cidades me inspiram, uma com o seu bucolismo, com sua cultura italiana preservada, outra com seu mar tranquilo onde barquinhos navegaram tantos sonhos por mim realizados. Em Vitória vivi toda minha juventude, estudei, trabalhei, casei-me, constituí família e onde vivo até hoje. Tive a felicidade de ter passado minha infância subindo em pés de jabuticaba, correndo entre canteiros de flores, cercada de muito afeto e amigos em Santa Teresa e depois vivido minha juventude nesta ilha linda onde desabrochei para a vida e plantei sementes. POESIA Desde sempre guardada nas minhas entranhas Como um gorjeio sutil de pássaro nas madrugadas Vem das nuvens dos céus por trás das montanhas Meu destino coberto por suas coloridas pinceladas. Em seus versos delicados eu me entrego totalmente Há um ritmo divino em seus amorosos compassos Encontro partículas de Deus em suas sementes E definitivamente enleada caio em seus braços. Liberto em seus fonemas os sentimentos represados Como pétalas de flor feitas de sedas e fragilidades Revelo ao mundo meus segredos mais guardados Semeando em solo fértil a humana realidade. Porque não sou eu que escrevo e sim o coração E ele pela poesia transborda toda sua infinda emoção O amor que tem pela vida e tudo que ela oferece E escreve como se estivesse fazendo à Deus uma prece. 5 – Para se escrever bem, é necessário ler bem também. Partindo disso, quais autores você mais gosta de ler? Algum deles influenciou na sua escrita? Gosto muito de ler e sempre tenho uma pilha de novos livros à minha espera. Leio autores de muitas nacionalidades diferentes, dos portugueses amo Florbela Espanca, Fernando Pessoa, Maria Teresa Horta, José Saramago, Eça de Queiroz e muitos outros. Creio que sempre sofremos influências de todos os autores lidos, cada um com sua peculiaridade. Cada leitura é a abertura de um novo horizonte sob a ótica daquele autor com a qual podemos ou não concordar, mas não me vejo influenciada por nenhum em especial. 6 - Você já lançou o livro De Mulher para Mulher - Obrigatório para os Homens e participou de algumas antologias poéticas. Fale-nos um pouco sobre suas obras. Pretende publicar um novo livro? Sim, participei de muitas antologias em vários Estados brasileiros, na maioria das vezes com poemas selecionados em concursos ou convidada pelos organizadores daquelas antologias. Quanto ao meu livro De Mulher para Mulher – Obrigatório para os Homens, é um livro que fala do universo feminino, da mulher e seus amores, suas decepções, da mulher mãe, avó, amiga, companheira, da mulher e seu cotidiano e seu olhar sobre a vida, sobre o mundo. Por isto coloquei o subtítulo Obrigatório para os Homens, para que chamasse a atenção deles sobre este universo tão rico e subjetivo. Já estou, sim, selecionando poemas para um próximo livro, ainda sem data para ficar pronto. 7 – Eu soube que você viajou para alguns países da Europa. Conte-nos como foi essa experiencia. Gosto muito de viajar, afinal sou uma sagitariana sempre com a mala na mão, tenho conhecido muitos países da Europa e das Américas. Não conheço nada do Oriente, mas ainda pretendo conhecer, se Deus me permitir. Nesta última viagem fui apenas a Portugal e à Itália, dois países onde respiramos história, cultura, dois museus a céu aberto. Quando viajo gosto de conhecer os lugares frequentados por seus habitantes, ver de perto como aquele povo vive, gosto de conhecer os museus, as igrejas, os restaurantes, suas praças, seus locais de diversão, caminhar pelas ruas, descobrir os anseios de cada povo. E posso garantir que esta minha última viagem cumpriu todas as minhas expectativas, foi realmente muito proveitosa e gratificante. 8 - Infelizmente, a leitura de poesia não faz parte do cotidiano de muitas pessoas. Na sua opinião, como poderíamos incentivar (não só a poesia, mas por outros gêneros literários) esse gosto pela leitura? Creio que tudo na vida passa pela educação e se os pais, as escolas e os ativistas culturais não cumprirem este papel, incentivando desde os primeiros anos nossas crianças, nada de diferente vai acontecer, o que é muito triste, já que a internet oferece tantas outras possibilidades de distração, que a leitura sempre fica para segundo plano ou nem existe. Também os governos têm que cumprir sua parte oferecendo oportunidades para todos. Agradeço a você a oportunidade desta entrevista e o parabenizo por estar divulgando a poesia sempre tão esquecida. UM GRITO POR PAZ Amplas ruas, altos muros, tristes dias... A alma se desespera, mas o coração é humilde. A mente procura cultivar os momentos de alegria O corpo cansado de guerras se tomba em apatia. Desperta corpo cansado e vá à luta por paz Grita para o mundo que o amor é o senhor Na reciprocidade que o bem sempre leva e traz Limpe o sangue inocente derramado pelo açoitador. A sorte que nos espera não é nada auspiciosa Afinal todos somos feitos da mesma frágil argila Somos filhos desta mesma terra sempre generosa Vamos ficar atentos para onde o gemido sibila. Só o amor seca o sangue das horas violentas e tristes Paz, empatia, reciprocidade jamais tem dedo em riste. Fotos: Arquivo pessoal Douglas Delmar
- Entrevista: Karene Vilela, da Câmara Portuguesa de Comércio de São Paulo
“Portugal é, com certeza, o país na Europa que tem a forma de interagir e pensar nos negócios mais parecida com a dos brasileiros”, defendeu Karene Rodrigues Vilela, presidente da Câmara Portuguesa de Comércio de São Paulo. A Câmara Portuguesa de Comércio de São Paulo, no Brasil, conta com uma nova liderança. Após a saída de Nuno Rebelo de Sousa, a presidência da entidade passa a ser ocupada por Karene Rodrigues Vilela, brasileira, de 37 anos, CEO da Portus Cale, formada em Propaganda e Marketing e detentora de pós-graduação em business. Com origem nos Açores, esta empresária é ainda enófila e tem à frente um grande trabalho numa das instituições de maior conexão entre Brasil e Portugal, que conta hoje com cerca de 550 associados em vários setores da economia. Karene afirma estar ligada à Câmara Portuguesa “há muitos anos por meio da empresa na qual estou à frente hoje - a Portus Cale”, uma importadora de vinhos com foco em Portugal, “o que me fez ficar cada vez mais próxima da Câmara por questões comerciais”, há cerca de uma década. Desde 2020, atua como conselheira nessa Câmara, tendo, em 2023, sido eleita vice-presidente. Alcançou maior protagonismo na entidade ao liderar o Comité de Mulheres e Cultura, onde realizou “muitos eventos interessantes”. Para perceber os caminhos que pretende seguir nesta nova jornada associativa e empresarial, numa das mais importantes Câmaras Portuguesas do mundo, conversamos com Karene Vilela, que destacou os projetos nos quais está a trabalhar, ressaltou o esforço da entidade na interação comercial entre Brasil e Portugal, sublinhou aspetos comerciais e de relação entre os dois países e mencionou que papel pretende desempenhar sendo uma líder, no feminino, neste novo cargo. Como vê a sua chegada à Presidência da Câmara Portuguesa de Comércio de São Paulo? Vejo como um grande statement da Câmara. A nossa Câmara sempre respeitou muito as tradições, mas teve sempre um DNA de muita inovação. Na pandemia, destacou-se entre as câmaras europeias, liderando eventos on-line e realizando muitas atividades no ambiente digital, mesmo com todas as dificuldades que o mundo viveu. Estar na presidência hoje demonstra que a Câmara quer passar uma mensagem de juventude, diversidade, futuro, mas nunca esquecendo os passos que já trilhamos para chegarmos até aqui. O facto de ser uma mulher a gerir uma das principais Câmaras de Comércio portuguesas no mundo, que responsabilidades lhe traz? Eu vejo que o papel de presidente da Câmara deveria ser igual para qualquer género, raça e orientação. No entanto, é inegável que nós, mulheres, precisamos nos provar pelo menos duas vezes mais para estarmos na posição em que estamos. O machismo estrutural é silencioso, mas implacável. Estar como presidente da Câmara hoje tem o bônus de abrir portas para mais mulheres seguirem os meus passos no futuro. No entanto, sei que o holofote e a pouca margem para errar são o destino de uma mulher em uma posição como esta. Vou dar o meu melhor para que os acertos sejam portas abertas para mais mulheres pertencerem e que os erros não sejam motivo para generalizar quem somos como mulheres. Qual a sua ligação a Portugal? A minha ligação começou com os vinhos e foi em Portugal que comecei a minha carreira vínica. Depois de alguns anos, descobri os meus antepassados que habitaram os Açores e, cada dia mais, descubro mais ligações com a terrinha. Como avalia a conexão entre Brasil e Portugal do ponto de vista comercial e económico? Brasil e Portugal, na minha opinião, sempre tiveram e sempre vão ter uma conexão comercial forte. Temos a cultura e a língua muito similares. Além disso, ambos os países têm um capital intelectual importante para aportar nas relações comerciais bilaterais. Que papel tem desempenhado, neste sentido, a Câmara Portuguesa de São Paulo? Atualmente, tenho investido bastante na autonomia dos comités de trabalho da Câmara. Temos comité de relações internacionais, jurídico, mulheres e cultura, associados, e a ideia é começarmos um comité de novos negócios que esteja focado no desenvolvimento das relações bilaterais entre os dois países. As interações que a Câmara já faz entre os associados já geraram centenas de negócios entre empresas brasileiras e portuguesas e o objetivo é continuarmos o bom trabalho que já estava sendo bem feito. Que áreas de negócio são, neste momento, de importante atenção para os empresários portugueses que desejam investir no Brasil? Sem dúvida alguma, a transformação digital e a economia verde. Existem milhares de oportunidades entre startups portuguesas e brasileiras, e muitos investimentos no setor de energias renováveis, economia circular e o futuro da economia verde. No caminho contrário, que interação cria a vossa Câmara entre o mercado brasileiro e o português? Muitas indústrias (farmacêutica, pet, alimentos, saneantes) procuram Portugal como porta de entrada para os seus produtos na Europa. Testar produtos brasileiros em Portugal para depois escalar para toda a Europa é uma prática comum para a indústria, uma vez que pode contar com a língua, dimensão do tamanho e entendimento mais prático das legislações. Que agenda pretende implementar agora que está a liderar a entidade e que ações estão previstas para os próximos meses? Quero incluir na nossa agenda mais espaço para as startups e trazer mais transformação digital e IA para as nossas pautas. Estamos vivendo um momento único de revolução na forma de trabalho e de como fazer negócios e pretendo deixar os nossos associados mais informados sobre essa revolução que estamos vivendo. A diferença da cultura empresarial entre Brasil e Portugal tem colocado dificuldades no processo de investimento mútuo entre os empresários das duas nações? Com certeza existem algumas diferenças culturais entre os brasileiros e os portugueses, mas eu ouso dizer que Portugal é, com certeza, o país na Europa que tem a forma de interagir e pensar nos negócios mais parecida com a dos brasileiros. Temos milhares de brasileiros vivendo em Portugal e o mesmo acontece aqui - milhares de portugueses empreendendo no Brasil. Hoje, vejo pouca dificuldade cultural para empreendermos juntos. Onde existe respeito e admiração mútua, as dificuldades são mais facilmente ultrapassadas e o que vejo entre Brasil e Portugal é isso: respeito e admiração, apesar de problemas isolados que às vezes são noticiados. Qual a vossa relação com as demais Câmaras portuguesas no Brasil e com a Federação das Câmaras no país? Somos bastante próximos e trabalhamos constantemente juntos. A Federação abre portas para discussões e soluções comuns. Com certeza, existem associados nossos que fazem parte de outras câmaras portuguesas no Brasil por conta dessa interação constante. E quem é Karene Vilela? Enófila por paixão, Karene Vilela (@kvilela) é publicitária formada pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). Imersa nos vinhos pela ABS (Associação Brasileira de Sommeliers) e sommelier formada pela Court Master Sommelier (@court_of_ms_europe). É detentora do título DipWSET (Nível 4 da escola Wine & Spirit Education Trust @wsetglobal), certificada pela Wine Scholar Guild (SWS, IWS e FWS) e CEO da Portus Cale (@portuscalevinhos). Além disso, é sócia idealizadora do projeto Got Wine? (@gotwinesp) e educadora da WSET na The Wine School Brasil (@thewineschoolbrasil). Atualmente, é uma das poucas brasileiras a ser aceita e se tornar estudante do Instituto Master of Wine (@masterofwine). Por fim, de que forma pretende atuar junto da Câmara e desenvolver ações concretas de aproximação empresarial entre Brasil e Portugal? A minha atuação vai ser marcada por muita cooperação e protagonismo de quem mais importa para nós, que é nosso associado. Vejo a minha atuação com muita colaboração e empenho de todos para que as relações de negócios aconteçam propriamente. Ígor Lopes










