Revista do Villa
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- Neste sábado: conversa e lançamento do catálogo da exposição Fullgás no CCBB RJ
CCBB - Fullgás Foto: Rafael Salim CCBB - Fullgás Foto: Rafael Salim CCBB - Fullgás Foto: Rafael Salim CCBB - Fullgás Foto: Rafael Salim CCBB - Fullgás Foto: Rafael Salim CCBB - Fullgás Foto: Rafael Salim Ana Paula Guimaraes Alexandre Dacosta - imprensa Rosângela Renno - Foto: Marie Rouge - imprensa Ricardo Basbaum Imagens divulgação: https://drive.google.com/drive/folders/15VUhAju2duqqnGVVdz7cvG62wjuew3OM?usp=sharing Vista por mais de 300 mil pessoas e eleita como uma das melhores exposições do ano, a mostra “ Fullgás – artes visuais e anos 1980 no Brasil ” está em cartaz até o dia 27 de janeiro de 2025 no Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro. Como parte da exposição, neste sábado , dia 25 de janeiro, às 18h , no Auditório do 3° andar do CCBB RJ , será realizada a palestra “80’s Fullgás: entre mídias e massas”, com a participação da diretora audiovisual e ex-paquita Ana Paula Guimarães , da Dupla Especializada, formada pelos artistas Alexandre Dacosta e Ricardo Basbaum , e da artista Rosângela Rennó , que conversarão sobre suas trajetórias nos anos 1980 em um contexto de experimentações de linguagem, mídias e cultura de massa. Com mediação do curador-adjunto Tálisson Melo, a palestra será gratuita, aberta ao público e haverá distribuição de senhas 1 hora antes na bilheteria física e digital do CCBB RJ. Na ocasião também será lançado e distribuído o catálogo da exposição , que terá 360 páginas, fotos de Rafael Salim e textos de Raphael Fonseca, Flavia Rios, Vera Cepeda, Leo Felipe, Tálisson Melo, Eduardo de Jesus, Braulio Tavares, Ima Célia Guimarães Vieira, Divino Sobral e Amanda Tavares. SOBRE OS PALESTRANTES Ana Paula Guimarães (diretora audiovisual): integrante da primeira geração das paquitas, assistentes de palco da apresentadora Xuxa Meneghel, Ana Paula dirigiu o documentário "Para sempre paquitas" (2024), além de atuar na direção de produções da Rede Globo, como as telenovelas "Volta por cima" (2024) e "Êta, mundo bom" (2016) e seriados como "Vicky e a musa" (2023). Dupla Especializada: formada pelos artistas Alexandre Dacosta e Ricardo Basbaum, a dupla começou em 1981 com o projeto de “Intervir em meios de comunicação de massa”. No contexto da abertura política dos anos 1980, buscou alternativas ao circuito de artes fechado da época. Entre suas atividades estavam cartazes, pinturas colaborativas, textos, manifestos, fotografias, vídeos e performances. Sempre com posições independentes e críticas, abordou temas como a “ideologia do sucesso” e a “volta à pintura” Rosângela Rennó: nos anos 80, a artista cria suas primeiras obras, que têm como base fotografias de álbuns de família. Em suas fotografias, objetos, vídeos e instalações, a artista aborda discussões acerca da natureza da imagem. SOBRE A EXPOSIÇÃO A grande exposição “Fullgás – artes visuais e anos 1980 no Brasil” está em cartaz até o dia 27 de janeiro de 2025, no Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro, como parte das comemorações pelos 35 anos do CCBB RJ. Com Raphael Fonseca como curador-chefe e Amanda Tavares e Tálisson Melo como curadores-adjuntos, a mostra, inédita, apresenta mais de 300 obras de quase 250 artistas de todas as regiões do país, mostrando um amplo panorama das artes brasileiras na década de 1980. Completam a mostra cerca de 400 elementos da cultura visual da época, como revistas, panfletos, capas de discos e objetos icônicos, ampliando a reflexão sobre o período. O projeto é patrocinado pela BB Asset, gestora de fundos do Banco do Brasil, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Mário Perrone, diretor comercial e de produtos da BB Asset, destaca que a responsabilidade da gestora vai além da administração de ativos. “Patrocinar a exposição ´Fullgás´ reforça nosso compromisso com o futuro, investindo não apenas em resultados, mas também naquilo que transforma uma sociedade: a cultura e arte. Como a maior gestora de fundos do Brasil, temos a honra de contribuir para a preservação do legado cultural do país, inspirando novas gerações e promovendo um Brasil mais vibrante e consciente da sua rica história e expressão artística. Este é o tipo de investimento que gera valor para todos.” “’Fullgás’, assim como a música de Marina Lima, deseja que o público tenha contato com uma geração que depositou muito de sua energia existencial não apenas no fazer arte, mas também em novos projetos de país e cidadania. Uma geração que, nesse percurso, foi da intensidade à consciência da efemeridade das coisas, da vida”, afirmam os curadores. A exposição ocupa todas as oito salas do primeiro andar do CCBB RJ, além da rotunda, e é dividida em cinco núcleos conceituais cujos nomes são músicas da década de 1980: "Que país é este" (1987), "Beat acelerado" (1985), "Diversões eletrônicas" (1980), "Pássaros na garganta" (1982) e "O tempo não para" (1988). Na rotunda do CCBB há uma instalação com um grande balão do artista paraense radicado no Rio de Janeiro Paulo Paes. “O balão é um objeto efêmero, que traz uma questão festiva, de cor e movimento”, dizem os curadores. Ainda no térreo, uma banca de jornal com revistas, vinis, livros e gibis publicados no período, com fatos marcantes da época, fará o público entrar no clima da exposição. A mostra aborda o período de forma ampla, entendendo que seus questionamentos e impulsos começaram e terminaram fora do marco temporal de dez anos que tradicionalmente constitui uma década. Desta forma, a exposição abrange o período entre 1978 e 1993, tendo como marcos o final do Ato Institucional 5 e o ano posterior ao impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Mello. “Consideramos para a base de reflexões este arco de quinze anos e todas as suas mudanças estruturais e culturais para pensarmos o Brasil: do fim da ditadura militar ao retorno a uma democracia que, logo na sequência, lidará com o trauma de um impeachment”, contam os curadores, que selecionaram para a exposição obras de artistas cujas trajetórias começaram neste período. Nas artes visuais, a Geração 80 ficou marcada pela icônica mostra "Como vai você, Geração 80?", realizada no Parque Lage, em 1984. A exposição no CCBB entende a importância deste evento, trazendo, inclusive, algumas obras que estiveram na mostra, mas ampliando a reflexão. “Queremos mostrar que diversos artistas de fora do eixo Rio-São Paulo também estavam produzindo na época e que outras coisas também aconteceram no mesmo período histórico, como, por exemplo, o ‘Videobrasil’, realizado um ano antes, que destacava a produção de jovens videoartistas do país”, ressaltam os curadores. Desta forma, “Fullgás – artes visuais e anos 1980 no Brasil” tem nomes de destaque, como Adriana Varejão, Beatriz Milhazes, Daniel Senise, Leonilson, Luiz Zerbini, Leda Catunda, entre outros, mas também nomes importantes de todas as regiões do país, como Jorge dos Anjos (MG), Kassia Borges (GO), Sérgio Lucena (PB), Vitória Basaia (MT), Raul Cruz (PR), entre outros. Para realizar esta ampla pesquisa, a exposição contou, além dos curadores, com um grupo de consultores de diversos estados brasileiros. Além das obras de arte, a exposição traz, ainda, diversos elementos da cultura visual da década de 1980, como revistas, panfletos, capas de discos e objetos, que fazem parte da formação desta geração. “Mais do que sobre artes visuais, é uma exposição sobre imagem e as obras de arte estão dialogando o tempo inteiro com essa cultura visual, por exemplo, se apropriado dos materiais produzidos pelas revistas, televisões, rádios, outdoors e elementos eletrônicos. Por isso, propomos incorporar esses dados, que quase são comentários na exposição, que vão dialogando com os elementos que estão nas obras de fato”, ressaltam Raphael Fonseca, Amanda Tavares e Tálisson Melo. Para Sueli Voltarelli, Gerente Geral do Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro, “é muito representativo realizarmos essa mostra no ano em que o CCBB comemora seus 35 anos. Ter esse olhar mais amplo sobre a produção artística dos anos 1980, se coaduna com o trabalho do próprio Centro Cultural, um equipamento que nasceu na nesta mesma década, com o compromisso de valorizar e amplificar as vozes de artistas de todo o Brasil, contribuindo para o acesso e para o processo de identificação e aproximação do público com a arte, promovendo a conexão de todos os brasileiros com a cultura”. Depois da temporada no CCBB RJ, onde fica até o dia 27 de janeiro de 2025, a exposição será apresentada no Centro Cultural Banco do Brasil Brasília, de 18 de fevereiro a 27 de abril de 2025, no Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo, de 21 de maio a 04 de agosto de 2025 e no Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte, de 27 de agosto a 17 de novembro de 2025. SOBRE O CCBB RJ Inaugurado em 12 de outubro de 1989, o Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro marca o início do investimento do Banco do Brasil em cultura. Instalado em um edifício histórico, projetado pelo arquiteto do Império, Francisco Joaquim Bethencourt da Silva, é um marco da revitalização do centro histórico da cidade do Rio de Janeiro. São 35 anos ampliando a conexão dos brasileiros com a cultura com uma programação relevante, diversa e regular nas áreas de artes visuais, artes cênicas, cinema, música e ideias. Quando a cultura gera conexão ela inspira, sensibiliza, gera repertório, promove o pensamento crítico e tem o poder de impactar vidas. A cultura transforma o Brasil e os brasileiros e o CCBB promove o acesso às produções culturais nacionais e internacionais de maneira simples, inclusiva, com identificação e representatividade que celebram a pluralidade das manifestações culturais e a inovação que a sociedade manifesta. Acessível, contemporâneo, acolhedor, surpreendente: pra tudo o que você imaginar. SOBRE A BB ASSET A BB Asset, empresa do Banco do Brasil, é responsável pela gestão de mais de 1200 fundos de investimento para quase 3 milhões de pessoas que buscam realizar seus sonhos. Líder nacional no setor de fundos de investimento, detém aproximadamente 20% do mercado e administra um patrimônio líquido de cerca de R$ 1,6 trilhão*. Além disso, é reconhecida pela qualidade de sua gestão com as maiores notas das agências de classificação de risco Fitch Rating e Moody's. Nossas soluções de investimento estão disponíveis para atender a ampla variedade de objetivos de nossos clientes. Como líder de mercado, entendemos nossa responsabilidade na atuação em prol dos desenvolvimentos ambiental, social, de governança corporativa e cultural. Com o objetivo de agregar valor à sociedade, a BB Asset patrocina iniciativas como a exposição Fullgás – artes visuais e anos 1980 no Brasil . Porque, além de gerir ativos financeiros, investir em arte e cultura - para a maior gestora de fundos do Brasil - também é melhorar a vida das pessoas! E esse é o nosso propósito! BB Asset: busque mais para seus investimentos! *Dados do ranking da ANBIMA de julho de 2024. Serviço: Palestra 80’s Fullgás: entre mídias e massas 25 de janeiro de 2025, às 18hAuditório do 3º andar Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro Endereço: Rua Primeiro de Março, 66 - Centro - Rio de Janeiro – RJ Informações: (21) 3808.2020 | ccbbrio@bb.com.br Gratuito, com distribuição de senhas 1 hora antes do início da palestra nas bilheterias física e virtual do CCBB RJ Exposição até 27 de janeiro de 2025 Funcionamento: De quarta a segunda, das 9h às 20h. Fechado às terças-feiras. Classificação indicativa: livre Entrada gratuita Ingressos disponíveis na bilheteria física ou pelo site do CCBB - bb.com.br/cultura . Para seguir o CCBB RJ nas redes sociais: x.com/ccbb_rj | facebook.com/ccbb.rj | instagram.com/ccbbrj / tiktok.com/@ccbbcultura Alex Varela
- Os "Amigos da Treta" chegam ao Porto em Maio
Os “Amigos da Treta” chegam finalmente ao Porto esta Primavera, depois de uma temporada de sucesso em Lisboa, com consecutivas apresentações esgotadas e cerca de 30 mil espectadores. De 9 a 25 de Maio a dupla encabeçada por Aldo Lima e José Pedro Gomes aterra no Teatro Sá da Bandeira para o muito esperado regresso da treta à invicta. SINOPSE Os influencers, os gurus do coaching e do lifestyle, a inteligência artificial e a estupidez natural - as novas tretas que se juntam à treta de sempre, e fazem crescer este mundo da treta onde cada vez mais se fala... treta. Jóni, amigo de Zézé que se ausentou para fazer Erasmus numa terra distante — aventura que o obrigou a fazer a maior viagem da sua vida e até a ter de atravessar a ponte sobre o Tejo para nunca mais ser visto — regressa agora ao bairro vindo das entranhas da terra. Literalmente. Até porque, mal chega, cai no buraco das obras de expansão do metropolitano e faz uma rotura parcial do ligamento cruzado do cigarro electrónico. Jóni, auto-proclamado guru da espiritualidade hashtag-deus-no-comando, e das medicinas à base de batidos com raspas de kombucha, é recebido por um emocionado Zezé, que nunca esqueceu o amigo... exceptuando o nome, a cara, a voz, o penteado e o local propriamente dito onde ele morava. Vão agora pôr a conversa em dia, recordar o passado que ambos concordam ser uma espécie de futuro que ficou pelo caminho, comentar o presente que os dois entendem ser um passado que está a acontecer naquele preciso momento, e prever o futuro, que mais não é que um passado que teima em ser presente mas chega sempre atrasado porque tem a mania. De Filipe Homem Fonseca, Mário Botequilha e Rui Cardoso Martins Com José Pedro Gomes e Aldo Lima Encenação José Pedro Gomes e Aldo Lima Desenho de luz Luís Duarte Música Alexandre Manaia Assistente de encenação Diana Vaz Produção Força de Produção Teatro Sá da Bandeira, Porto 9 a 25 de Maio Sexta e Sábado às 21h Domingos às 16h Bilhetes 10€ - 22€ M14 Descarregar Imagens Revista do Villa | Teresa Sequeira - Força de Produção
- Entrevista: DR. André Márcio Murad – Especialista em Oncologia e Oncogenética
A vida do Ser Humano é um paradigma para alguns estudiosos enquanto em vida... para alguns estamos vivendo aqui um período de tempo para marcar os ciclos da melhor forma existencial, fazendo da vida uma espécie de qualidade de vida individual ou em grupos, seja familiar, amigos ou indiferente. Podemos notar que na realidade o tempo vai passando e ficamos experientes para contar histórias boas e positivas para nossas gerações. Ainda que algum momento não deparamos no inesperado dia que, pessoas podem ser diagnosticada com uma doença terrivelmente e popularmente conhecida como o “Câncer”! Muito se atinge, mas não estamos preparados ainda para um assunto tão delicado e aqui estou com Dr. André Murad, médico especialista em Oncologia e Oncogenética para nos deixar mais esclarecidos com o tema e de certa forma aprender mais e poder aceitar de alguma forma, refletindo que nem tudo está perdido, porque além da Fé em Deus, nos deixou excelentes médicos para cuidar, tratar e ajudar na cura desta doença. 1- Comente referente sua admiração pela medicina no segmento de Oncologia... e se já tinha esta vontade de ser médico desde a época do ensino fundamental? Sempre almejei ser médico, desde criança. Acho que nasci com alma de médico. Certa feita escrevi: “amo sublimemente a Medicina e não saberia viver sem ela. Esta ciência está entranhada em meus poros, meus neurônios, meu coração. Nasceria médico até, se no mundo em que eu habitasse, não houvesse doenças. Seria assim um médico das almas dos imortais. Almas não tem doenças, mas podem sofrer carências”… Meus pais me contavam que muito pequeno, quando perguntado certa vez por eles, o porquê desse desejo, respondi que gostaria de ser médico para “descobrir um remédio nunca os deixassem morrer”. O interesse pela área de Oncologia surgiu já na minha Residência em Clínica Médica, no Hospital das Clínicas da UFMG, quando comecei efetivamente a interagir com o tratamento de pacientes com leucemia aguda, em meados da década de 1980. Me impressionei com a extraordinária mudança propiciada pelo tratamento quimioterápico de pacientes que se internavam muitas vezes sangrando e muito anêmicos, por vezes infectados, complicações estas provocados pela invasão da medula óssea pelas células leucêmicas, mas que se recuperavam espetacularmente após a quimioterapia, seguida por um período delicado de recuperação da produção das células normais do sangue. Aí entendi que o câncer era a única doença crônica com o potencial de total reversão e encarei isso como um desafio profissional, quando então me decidi por me especializar em Hematologia, e posteriormente em Oncologia, já nos Estados Unidos, onde fiz um “Fellowship” (especialização) em Oncologia e Hematologia no Fox Chase Câncer Center e no Temple University Hospital na Filadélfia, Pensilvânia. E o desafio nesses 38 anos de prática oncológica tem sido absolutamente fascinante, pois em todos esses anos que se seguiram, pude ser não só testemunha ocular, mas também agente ativo de toda essa revolução científica e dos extraordinários avanços que obtivemos na prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer de uma forma geral, como oncologista e também como pesquisador. Nos últimos 25 anos essa revolução se estendeu para a Genética de uma forma geral, mas principalmente no entendimento da Genômica do câncer e, como consequência, no desenvolvimento de poderosas ferramentas que propiciaram enormes avanços no diagnóstico molecular e no tratamento oncológico, o que me motivou a me subespecializar nessa área (Oncogenética, Oncogenômica e Oncologia de Precisão), através de meu Pós-Doutorado em Genética pela UFMG, com estágios no Instituto Zayed Al Nahyan de Oncologia Personalizada do MD Anderson Câncer Center dos EUA e no Hospital Vall d'Hebron de Barcelona, Espanha. 2- Tivemos alguma evolução, falando no tratamento do Câncer de 10 anos pra cá? Extraordinária. Além dos exames diagnósticos que avançaram de forma impressionante, a caracterização genética e molecular dos tumores tem evoluído rapidamente, através de exames sofisticados, como o sequenciamento genético de próxima geração (NGS), que nos permitem avaliar a assinatura genética de milhares de genes do tumor, identificando sua caracterização genômica. Cada tumor tem uma identidade genética própria e isso tem implicações fundamentais no seu prognóstico e no seu tratamento, fazendo com que ele seja individualizado para cada paciente. Com o desenvolvimento das modernas drogas alvo-moleculares, torna-se fundamental importância a caracterização genético-molecular dos tumores para a correta escolha das medicações a serem empregadas no tratamento. Hoje conseguimos identificar o perfil molecular, as mutações gênicas e a assinatura genética dos tumores, classificando-os em subtipos moleculares, e atribuindo a eles um correto índice prognóstico e as consequentemente as melhores opções terapêuticas, de forma individual. Chegamos então à fase da Oncologia Personalizada ou Customizada. As drogas cada vez mais são escolhidas baseando-se no perfil genético-molecular de cada tumor. Mais recentemente, inúmeros estudos demostraram que é podemos extrair DNA tumoral circulante do sangue periférico dos pacientes para se estudar molecularmente os tumores, o que permite o monitoramento do câncer por meio de exames de sangue e, talvez, num futuro, a detecção superprecoce de tumores pequenos demais para serem percebidos pelos métodos de diagnóstico convencionais. Apelidada de biópsia líquida, a estratégia é baseada na análise de pedaços de DNA que vazam dos tumores para a corrente sanguínea, chamados de DNA tumoral circulante (ou ctDNA, na sigla em inglês). Eles funcionam como impressões digitais da doença, que analisamos para que possamos extrair informações genéticas essenciais para a caracterização do tumor e a seleção do melhor curso de tratamento. Avanços no tratamento Os inúmeros avanços alcançaram todas as formas de tratamento. O cirúrgico, cada vez menos agressivo e mais seguro e preciso, resulta em uma maior preservação dos órgãos envolvidos, graças às cirurgias vídeo assistidas e robóticas. A radioterapia igualmente tem se tornado cada vez mais precisa, eficiente e menos sujeita a riscos, como queimaduras a órgãos vizinhos à área tratada, graças às tecnologias de 3D, 4D (três dimensões ou quatro dimensões, IMRT e IGRT) e a radioterapia estereotáxica. Já o tratamento sistêmico foi o que alcançou o maior volume de avanços. Novos quimioterápicos têm sido desenvolvidos, o que proporciona tratamentos mais seguros, eficazes e menos tóxicos. Entretanto, a Oncologia moderna experimentou uma real mudança de paradigma, com o desenvolvimento e aplicação das chamadas drogas "alvo-moleculares" ou "alvo-específicas". O câncer ocorre quando a célula tumoral sofre mutação genética nos genes responsáveis pelo controle da multiplicação celular e há, então, a produção de proteínas que estimulam seu crescimento e sua multiplicação desordenada. Os medicamentos de tecnologia alvo-molecular têm atuação mais direcionada, atacando especificamente as células doentes. Eles identificam os genes doentes e suas proteínas e agem sobre eles. A quimioterapia convencional ataca células tumorais e as saudáveis também. As drogas alvo-moleculares são mais específicas no combate às células tumorais. Inúmeras drogas foram desenvolvidas com este perfil, e várias já estão disponíveis comercialmente, inclusive no Brasil e na rede pública. Já a imunoterapia antitumoral, cada vez mais utilizada, é um tipo de tratamento para o câncer que promove a estimulação do sistema imunológico, por meio do uso de substâncias denominadas de modificadoras da resposta biológica. A finalidade do tratamento é aumentar a resposta do sistema imune às células agressoras, fazendo com que o próprio organismo combata a doença. Mais recentemente passamos a contar também com a terapia celular (como o tratamento com CAR-T) e a terapia genética e pela tecnologia do RNA mensageiro. Conseguimos agora modificar geneticamente as nossas células de defesa imunológica, treinando-as para atacar células tumorais específicas. 3- Quais as dificuldades que a medicina encontra no tratamento e o que pode ser feito para qualificar o paciente? Sem dúvida alguma, enfrentamos sérios problemas de financiamento da saúde. Os avanços em toda a medicina foram extraordinários, mas a um custo muito elevação. Até mesmo nos países de primeiro mundo, todos os avanços tecnológicos que vem sendo incorporados à prática médica estão muito inviabilizando o seu custeio, tanto privado quanto público. No Brasil, essas dificuldades ao ainda mais marcantes, até pela universalidade da cobertura médica, proporcionada pelo Sistema Único de Saúde. Nos próximos anos, teremos que discutir e encontrar novas formas de financiamento para que todos esses extraordinários avanços sejam democratizados e alcancem todo o conjunto da população. 4- No Brasil existe algum medicamento que retarda o desenvolvimento de algum câncer inicial no paciente e qual percentual de cura? Não há atualmente qualquer diferença nos tratamentos oncológicos realizados no Brasil ou em qualquer país mais avançado no mundo. Contamos exatamente com os mesmos recursos, o mesmo arsenal medicamentoso e as mesmas tecnologias propedêuticas, cirúrgicas ou radioterápicas. Mesmo as terapias mais recentes, como a terapia celular e o tratamento com CAR-T já estão disponíveis no país. Adicionalmente, vários centros de pesquisa clínica em várias instituições brasileiras estão associados e interligados aos melhores centros de pesquisa do mundo, realizando variados protocolos de experimentação de novos tratamentos. Durante a minha carreira como pesquisador pude contribuir com a montagem de centros de pesquisa em hospitais públicos acadêmicos (como o Hospital das Clínicas da UFMG) e hospitais privados. Mas desde 2016 conduzo minhas pesquisas em clínica privada (Personal - Oncologia de Precisão de BH, MG). Atualmente temos 52 diferentes estudos clínicos sendo conduzidos e para variados tipos de cânceres. A boa notícia é que a grande maioria dos pacientes alocados nessas pesquisas são oriundos de serviços e hospitais públicos. A pesquisa clínica exerce um importante papel na democratização do atendimento médico, uma vez que oferece gratuitamente os melhores e mais inovadores tratamentos aos pacientes, além de exames e acompanhamento médico, desafogando e desonerando assim a demanda da rede pública e do SUS. 5- A iniciação cientifica em todas as áreas é muito importante para chegar alguma tese de aproveitamento e descobertas... você já conseguiu ter este êxito em alguma pesquisa? Sim. Nosso grupo já faz pesquisa clínica desde o final da década de 1980. Posso afirmar com muito orgulho que fomos pioneiros no Brasil na condução de estudos clínicos oncológicos. Nosso Centro de Oncologia do Hospital das Clínicas da UFMG em 1993, pela primeira vez na literatura, demonstrou a superioridade de um regime quimioterápico em pacientes portadores de câncer gástrico avançado em comparação com melhor tratamento de suporte clínico. Estes dados foram posteriormente reproduzidos por mais 2 outros estudos randomizados, estabelecendo-se assim de forma definitiva o benefício da poliquimioterapia no tratamento do câncer de estômago avançado. Por essa contribuição, considerada como um enorme avanço na época, fui agraciado com o título de um dos 2 mil cientistas que mais contribuíram para a Ciência do Século XX, pelo Centro de Biografia de Cambridge, Inglaterra. 6- É admirável na minha opinião um ser humano estudar medicina e chegar no topo de conhecimento com base na sua experiência profissional... acreditar em cura! O que pensa referente a Espiritualidade dentro da medicina? Já teve algum milagre observado? Comente por favor. Lidando e trabalhando por cerca de 38 anos com o diagnóstico e o tratamento do câncer em pacientes oncológicos, pude passar por duas fases distintas na minha prática profissional e na maneira de cuidar e interagir com meus pacientes portadores de câncer em fase avançada. Numa primeira fase, fui excessivamente tecnicista e científico, mas pouco humanista, talvez movido pela imaturidade, pelo ímpeto da presunção do saber e pela carência da presença de Deus e da concepção Cristã em minha vida. Já numa segunda fase, passei a interagir com meus pacientes fazendo-os entender que a Ciência nos faz crer que há chances matemáticas calculadas para cada paciente para prever se eles vão ser curados ou sucumbidos pela doença, mas que a fé efetivamente pode ser utilizada para romper a inércia fria dos números e a estática das probabilidades, devolvendo então aos que padecem a saúde e a vida. Tal postura me faz colocar a mim mesmo como um instrumento de Deus para que Ele possa agir mediante a fé daquele doente e também na maneira como interajo com aquele ser, o qual passo a ter como irmão, adotando assim uma relação movida pela compaixão e pelo amor Cristão, como tanto nos ensinou Jesus Cristo. Hoje, os benefícios da fé, das orações e da meditação na atenuação dos efeitos adversos do tratamento do câncer são muito bem estabelecidos pela ciência, além de contribuir para aceitação do diagnóstico pelos pacientes, fazendo com que sua jornada de tratamento seja mais leve e confortável. Respondendo a outra parte da pergunta, sim! Durante esses longos anos de prática oncológica já presenciei vários casos de cura em situações críticas nas quais, pelo avanço da doença, não encontrei justificativa para desfecho favorável do caso apenas pelo tratamento instituído, atribuindo assim o sucesso obtido às orações e à fé, não só do paciente, mas também dos familiares e amigos. A fé é um poderoso instrumento de cura, conforto e encorajamento no enfrentamento da jornada oncológica e na obtenção da paz espiritual e do equilíbrio emocional. 7- Nos tempos de folga o que costuma fazer na vida pessoal para distrair? Me refúgio no interior, sul de Minas, onde tenho uma casa na beira de uma represa. O verde da natureza, o espelho d’água e o cheiro de mato aumentam ainda mais a minha disposição para a leitura, oração e meditação. Sou um leitor assíduo da literatura clássica: autores brasileiros (de Machado de Assis a Clarice Lispector, de Carlos Drummond a Guimarães Rosa, de Mário Quintana a Adélia Prado) e estrangeiros, como os russos Tólstoi, Dostoiévski e Púchkin, além de filosofia e mitologia grega e obviamente a Bíblia Sagrada. Também me interesso muito por música (clássica, rock, MPB e bossa nova), artes plásticas, dramaturgia e cinema. Acho que esse interesse é atávico: sou filho de uma dedicada professora de piano. Também me exercito regularmente. Adoro nadar. 8- Acredito que tenha ganho algum presente ou palavras de gratidão de pacientes... conte algum momento, por favor. Foram inúmeras vezes, advindas de incontáveis pacientes e familiares e das mais variadas formas e atitudes que tanto me emocionaram e confortaram. Afinal, são quase 4 décadas de uma jornada diuturna e tão intensa, estressante e envolvente. Mas posso citar um exemplo que foi um dos mais marcantes para mim: um jovem que tratei no início do meu ciclo profissional. Ele desenvolveu uma forma avançada de linfoma (Linfoma de Hodgkin - câncer do sistema linfático). Foi tratado e curado da doença pelo uso da quimioterapia. Na época ele era noivo e suas óbvias e pertinentes preocupações eram se ele sobreviveria, se se casaria e se teria filhos, em função dos efeitos adversos dos quimioterápicos utilizados na fertilidade. Naquela época, final da década de 1980, as técnicas de criopreservação (congelamento) de sêmen ainda eram precárias e muito caras. Pois bem, qual não foi a minha satisfação e extrema emoção quando fui convidado, não só para padrinho de casamento, mas também para padrinho do seu primeiro filho, que nasceu 2 anos após o casamento, e para todos os aniversários do paciente, curadíssimo e esbanjando saúde até hoje, que se sucederam desde então! É um sentimento tão grandioso de gratidão, pertencimento e do dever cumprido, para um profissional que lida com doenças graves e mortes com tanta frequência como eu! Glória a Deus por isso! 9- Qual mensagem de iniciativa motivacional poderia compartilhar para estudantes que estão começando medicina? A mensagem de que vale a pena todo o esforço, estudos, dedicação e sacrifícios para se tornar um profissional maiúsculo, humano, competente, íntegro e comprometido com os princípios basilares do juramento hipocrático: “eu prometo solenemente consagrar minha vida ao serviço da humanidade”… A melhor relação médico-paciente se faz pela premissa da confiança. Como escreveu Dostoievski: “um ato de confiança dá paz e serenidade”. Outro conselho que sempre dou: apesar de todos os avanços tecnológicos, a principal ferramenta do médico é seu exame clínico (fui professor de Semiologia Médica por décadas na UFMG). A longa e completa entrevista (anamnese), o contato, o tato, o olho no olho, o escutar com paciência, o toque, o exame físico detalhado, o trato interpessoal, humanista e individual fazem toda a diferença no sucesso diagnóstico e na construção de uma relação médico-paciente sólida. Os exames laboratoriais e as imagens, tão tecnológicas, são complementares e nunca substituirão o exame clínico! Parafraseio o grande escritor e educador Rubem Alves: “todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir. Pensei em oferecer um curso de escutatória. Mas acho que ninguém vai se matricular. Escutar é complicado e sutil”. 10- Com todo seu conhecimento como imagina a medicina no futuro próximo 10 anos aqui no Brasil? Vivenciaremos nos próximos anos, uma verdadeira revolução tecnológica, graças aos extraordinários avanços na genômica, imunologia, engenharia e terapia genéticas, terapia celular, telemedicina, inteligência artificial, computacional e a robótica! Entraremos definitivamente na era dos medicamentos e vacinas desenvolvidos pelo RNA mensageiro, além da terapia genética e imunoterapia personalizada, baseadas na edição gênica. Células de defesa do nosso próprio organismo serão cada vez mais treinadas geneticamente para eliminar agressões, como tumores e agentes infecciosos, Todas as áreas da medicina serão enormemente beneficiadas, desde a prevenção, diagnóstico precoce e tratamento de precisão e personalizado das doenças em geral, especialmente as degenerativas e hoje incuráveis. Curaremos mais e melhor! Vamos prevenir com enorme precisão e rastrear de forma muito mais acurada e inteligente. Só espero sinceramente que todos esses avanços democraticamente alcancem e beneficiem todo o conjunto da população e que sejam empregados conjuntamente com uma medicina mais humanizada e inclusiva. Termino com uma máxima do fundador da Psicologia Analítica Carl Jung que tem sido meu mote profissional: "conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana seja apenas outra alma humana." João Paulo Penido
- Abertura da Exposição da Artista Plástica Dorys Daher
A artista plástica Dorys Daher inaugurou hoje dia 22 de janeiro. A sua exposição A Obra é o Jogo , no Centro Cultural Correios Rio de Janeiro. O Grupo dos Embaixadores do Rio se fez presente de forma atuante, estando presente Alex Varela, Chico Vartulli, Bayard Boiteux, Viviane Fernandes, entre outros. A vernissage da exposiçao foi badalada e requintada. A exposição será exibida até o dia 08 de março. Legenda das fotos : O historiador Alex Varela, do grupo Embaixadores do Rio, prestigiando a artista plástica Dorys Daher. Alex Varela
- A exposição de Dorys Daher nos Correios
A artista plástica e arquiteta Dorys Daher abriu no Centro Cultural dos Correios sua nova exposição. A obra é o jogo. Com curadoria de Aline Reis, a nova mostra conseguiu integrar num único ambiente, o amor pela sinuca, as origens libanesas e a criatividade, que mistura tacadas e até uma verdadeira experimentação do mundo lúdico da mesa de sinuca. Veja quem passou por lá nas fotos de Messias Martins. Aline Reis e Ana Cristina Carvalho O artista plástico Alexandre Damião Lígia Teixeira ,Gilsse Campos e Marcelo Daher Dorys Daher e Martina Farmbauer Alex Varela ,Luiz Otávio Pinheiro e Rosane Chalom Matheus Oliveira ,Viviane Fernandes e Bayard Boiteux Marcelo Antunes ,Dorys Daher e Willians Haubrichs Dorys Daher ,Chico Vartulli e Rosane Chalom Thelma Innecco e Dorys Gilsse Campos ,Sumaya Neves,Chico Vartulli e Zizi Magalhães O mundo lúdico da sinuca Dorys e Renan Ferreira Dorys Daher e as amigas arquitetas O consul da República Dominicana Roberto Rubio com os Haubrichs Revista do Villa | Divulgação Rio
- Cultura Popular, Memória, Tradição e Ancestralidade
Estreou a Mostra Carroça de Mamulengos. Três Gerações de Arte Brincante, no teatro do CCBB RIO 2. A mostra tem como objetivo encenar a representação da história da companhia Carroça de Mamulengos em três espetáculo: História de Teatro e Circo; o Babauzeiro; Janeiros. O primeiro espetáculo apresentado foi Histórias de Teatro e Circo. A apresentação exibe a tradição de uma trupe de artistas que segue uma tradição familiar e um modo de vida que atravessa o tempo e a memória. O início de tudo se deu em Brasília, em 1977, quando o artista Carlos Gomide criou a Carroça, tomando como base as manifestações da cultura popular nordestina do teatro de bonecos. Três anos depois, ele conheceu a atriz Schirley França, se casaram e constituíram família. A partir desse momento, passaram a realizar inerrância por esse Brasil, convivendo com os brincantes da cultura popular pelas regiões por onde passavam. E, nesses quase cinquenta anos, formaram uma linda família, constituída por filhos, netos e netas, primos e primas, sobrinhos e sobrinhas, que estão sobre os palcos representando, e passando a arte da Carroça de geração a geração, perpetuando viva a tradição. O primeiro espetáculo consagra o nascimento e a arte dos filhos de Carlos Gomide e Schirley França. A peça tem início com uma abertura triunfal, com todo o elenco sobre o palco, cantando, e apresentando a bandeira do Divino Espírito Santo como guia da trupe. A seguir, Ana, que nasceu brincando com bonecos no seio da trupe, anuncia que é neta do vovô Carlos e da vovó Shirley, os fundadores da Carroça. E, a partir desse momento, passa-se a narrar um conjunto de saberes e tradições da cultura popular, da pedagogia brincante, que a Carroça tem difundido por esse Brasil. O texto, dirigido e roteirizado por Maria Gomide, é alegre, vibrante, arrebatador, poético, emocionante, da família, é poesia e cultura popular pura! No palco assistimos várias gerações de uma família de artistas que mantem viva as suas tradições, que preserva os legados da ancestralidade, e nos apresentam de forma notável o que é o teatro de mamulengos, manifestação da legítima da cultura popular. Sobre a ribalta teve boi, pássaro, bode, onça, palhaço, caçador, veado, luta de espadas, personagens do imaginário nordestino, cantos e cantigas populares, causos, poesia, num espetáculo que deixa o público emocionado e com olhos marejados. Os brincantes interpretam, narram, cantam, dançam, tocam instrumentos, e ensinam também. Eles transmitem saberes e tradições, de geração a geração, da arte de teatro de bonecos popular do nordeste, que a trupe Carroça se apropriou e difunde pelos quatro cantos do Brasil. A marca da tradição atravessa todo o espetáculo. Maria Gomide narra que seu pai e fundador da trupe Carlos Gomide lhe deu uma boneca e ela entrou no espetáculo encenando com a mesma. A seguir, passou para a sua filha, e no espetáculo atual, a mesma boneca entra em cena outra vez com a décima terceira brincante da família. É a tradição viva da burrinha fumacinha! O texto narra que Carlos Gomide, o fundador, teve como mestre Antonio Alves Pequeno, o Antonio Babau, artista criador de bonecos. Das suas mãos, Carlos recebeu o boneco Benedito, que entra em cena desde a origem da Carroça. Outra tradição viva! O espetáculo é sublime, mas, no nosso ponto de vista, há dois momentos que se destacam: o aparecimento inesperado de Miota, querendo um lugar na encenação, e canta um happy; e os palhaços de perna-de-pau, mantendo viva a tradição do circo. Os figurinos criados por Isabel Gomide são bonitos, adequados, coloridos, e apresentam estampas diversificadas. Por sua vez, a cenografia criada pela Carroça de Mamulengos é simples e criativa. Apresenta uma estrutura com tecidos estampados floridos em forma de tiras e "teia de aranha". Há também um isolador em cada lado de pano em tom azul que delimita o palco e o espaço onde fica a banda de músicos e os artistas que não estão em cena. Os bonecos são criação e construção de Carlos Gomide, criativos, bonitos e adequados ao espetáculo. A direção musical é de Beto Lemos, que nos brindou com belas cantigas e cantos populares, expressões ricas do imaginário brincante. A iluminação criada por Joao Gioia apresenta um bonito desenho de luz, realça a cenografia e os figurinos, bem como a interpretação dos atores em suas diversas cenas. A Mostra Carroça de Mamulengos é um espetáculo alegre e que encanta, com um texto que mescla cultura popular, tradição, ancestralidade, e memória; apresenta um notável elenco de brincantes, que associa técnica interpretativa e emoção; criativos, de bom gosto, e adequados figurinos, cenografia, e bonecos. Excelente produção teatral! Crédito das fotografias: Bené França; Gabriela Mendes; Davi Mello Alex Varela
- “Women 3.0 Awards” celebrou 13 mulheres e reconheceu o trabalho de um homem pela “redução da disparidade de género”
A entrega dos prémios do “Women 3.0 Awards” foi realizada na última sexta-feira (17), na Quinta do Roseiral, na Ericeira, Portugal, durante um jantar de reconhecimento às “líderes femininas que estão a moldar o futuro”. Num evento feminino e com 13 premiadas, destacou-se o CEO da KEEPTALENT Portugal, Pedro Ramos, aclamado na categoria “Ele por Ela”, pelo seu “trabalho em empoderar mulheres”. Organizado pelo Clube G100, da Communication e pela Advocacy & Mediation Wing, a entrega dos prémios em diversas áreas de atuação foram separadas por 13 categorias. Ramos observou que “foi o único prémio entregue a um homem”. E para ele, como único destaque masculino, pode revelar o seu contentamento, descrevendo a noite da premiação como “extraordinária”, quando pode partilhar “estórias e percursos incríveis de mulheres que contribuíram para o trabalho de afirmação do papel das mulheres na sociedade, na política, na academia, nas empresas”. Com um corpo de jurados formado por 21 mulheres, o reconhecimento a Ramos, conforme grafado no Diploma de Mérito, foi devido ao “notável empenho e dedicação demonstrados ao longo do ano de 2024 na redução da disparidade de género, demonstrando uma capacidade especial para partilha de conhecimento e solidariedade”. O CEO da KEEPTALENT Portugal partilhou nas suas páginas sociais “duas palavras fortes e profundamente mágicas: orgulho por ter sido distinguido nestes prémios destinados a reconhecer e celebrar os grandes sucessos nacionais realizados por mulheres notáveis em 2024”. A outra palavra partilhada foi “responsabilidade, pois, ao receber esta primeira distinção como um ‘agente’ na promoção da redução da disparidade de género aceito-a como um compromisso grande, pelo que ainda muito que tem de ser feito nesta dimensão da diversidade”. Ainda sob o impacto da premiação, Pedro Ramos comparou a vida a um elevador: “se algum mérito eu possa ter é o facto de considerar a vida como um elevador. Há uma grande diferença entre os que ‘apanham’ o elevador no piso 0 com os (ou as) que têm de apanhar no piso −5. A distância entre o piso 0 e o piso 20 é bem menor para quem não está no piso −5, ou seja, estamos a falar de equidade. O que faço é promover, ‘dar palco’, desafiar todos (homens e mulheres) para estarem no mesmo piso, e subamos juntos até o piso onde cada um quer ou deseja subir”. Ramos ainda disse que recebeu “muitos prémios ao longo da vida” e, “de longe”, o “Ele por Ela” foi o “mais importante”. Este responsável revelou sentir “vivo o orgulho e a satisfação das minhas duas filhas num pai que sempre acreditou que todos juntos superamos todos os desafios! O maior prémio é saber que as minhas filhas um dia (quando já não será necessário haver este tipo de prémios) se lembrarão de que o pai foi o primeiro homem a receber este reconhecimento”. Os organizadores ressaltaram que o reconhecimento às mulheres, “verdadeiras agentes de transformação”, são merecedoras de um evento firmado “na filosofia de que ‘não se pode ser o que não se pode ver’. Mulheres que, mesmo sendo conhecidas, continuam muitas vezes invisíveis, negligenciadas pela indiferença social” e marcadas “pela eficiência, serenidade e um impacto positivo que transcende”. Para os organizadores, elas “demonstram uma liderança excepcional e realizações notáveis na sua contribuição para o avanço da economia, da sociedade e da transição da tecnologia, da indústria e da sustentabilidade, conforme os ODS [Objetivos de Desenvolvimento Sustentável] e a sociedade equitativa”. As treze mulheres premiadas foram distinguidas, cada uma, numa categoria específica: Academia, Agricultura, Associativismo, Ciência e Tecnologia, Comunicação, Empresária, Indústria, Política, Saúde, Turismo, Ele por Ela (exceção do ano, pela primeira vez dado a um homem), Mulher do Ano e Mulher da Década. Ígor Lopes
- Marcelo Moutinho retorna às crônicas em “O último dia da infância” pela editora Malê
Vencedor do Prêmio Jabuti 2022 na categoria Crônicas , Marcelo Moutinho retorna ao gênero com "O último dia da infância" , livro que inaugura as comemorações dos 10 anos da Editora Malê , e s erá lançado nos dias 25 e 30 de janeiro com eventos no Rio e em São Paulo. Nesta obra, Moutinho traça uma etnografia emocional das cidades e das relações humanas com textos rápidos nos quais explora territórios afetivos e urbanos. O autor reúne em suas crônicas a tradição literária de nomes como João do Rio e Rubem Braga, dialogando com contemporâneos como Antonio Prata e Eliana Alves Cruz. Entre as emoções do luto, o lirismo da paternidade e a leveza do cotidiano, o livro reafirma a crônica como um gênero essencial para retratar a vida como ela é. Dividido em quatro partes, o livro transita entre as memórias afetivas da pandemia e o olhar curioso do flâneur pelas ruas do Rio e outras cidades, como São Paulo, Salvador, Montevidéu e Buenos Aires. Com humor, lirismo e reflexões sobre as dores e delícias da vida, Moutinho explora desde temas íntimos, como a perda da mãe, até registros culturais de bares, sambas e personagens urbanos. Um convite a se perder pelas esquinas da literatura e dos sentimentos. Lançamento : Rio de Janeiro 25/01, sábado, a partir das 14h, no Alfa Bar ( R. do Mercado, 34 - Centro, Rio de Janeiro ) Roda de samba com o grupo Sambachaça São Paulo 30/01, quinta-feira, a partir das 19h, na Livraria Simples (R. Rocha, 259 - Bela Vista, São Paulo) - bate-papo do autor com Fabrício Corsaletti, mediação de Ana Lima Cecílio e sessão de autógrafos. Alex Varela
- Companhia aérea brasileira terá novos voos entre Recife e a cidade do Porto, em Portugal
Foto: Eduardo Oliveira/MPor Os novos voos, com três frequências semanais entre Recife e Porto, em Portugal, serão operacionalizados pela Azul Linhas Aéreas em junho deste ano, mas as passagens poderão ser compradas a partir de 30 de janeiro. A nova rota foi oficializada na quarta-feira, 15, na sede do Ministério do Turismo, em Brasília, e reuniu a Prefeitura do Recife, através da Secretaria de Turismo e Lazer (Setur-L), em parceria com o Ministério de Portos e Aeroportos, a Câmara Federal, o Ministério do Turismo e a Azul. Com a regularização, a Setur-L afirmou em nota à imprensa que “Recife se torna o maior hub aéreo do Nordeste e a única capital da região a oferecer um voo direto de uma companhia nacional para a Europa”. Também informou ser “o primeiro voo direto para o Porto, tornando Recife pioneira no Nordeste na oferta desta rota. Atualmente, Recife conta com 13 voos semanais para Lisboa, operados pela TAP. A nova opção amplia a ligação do Brasil com a Europa e fortalece os laços entre Recife e Portugal”. O prefeito do Recife, João Campos, reforçou a nota: “A rota fortalece o papel do Recife como o principal hub da Azul no Nordeste e um dos principais do país, promovendo o turismo, impulsionando nossa economia e facilitando o intercâmbio cultural entre Brasil e Portugal. Esta é mais uma demonstração do potencial estratégico da nossa capital, que continua avançando como porta de entrada para o país e para o mundo”. Por sua vez, o diretor de Relações Institucionais da Azul Linhas Aéreas, Fábio Campos, afirmou que a companhia aérea “está se consolidando cada vez mais como uma companhia global, conectando destinos importantes tanto no Brasil quanto no exterior. A rota Recife-Porto reforça o compromisso da empresa com a expansão das suas operações internacionais e a criação de novas possibilidades de conexões para os Clientes, em especial aqueles que utilizam nossa malha regional”. A Setur-L lembrou da “relação histórica de cooperação desde 1981” entre as cidades. Na ocasião, “foi firmado um acordo de geminação entre as duas cidades”, que “prevê colaborações nas áreas científica, tecnológica, económica, política, social e cultural”. Com a nova rota, estreita-se a ligação entre as cidades para “impulsionar o turismo e a economia da região, conectando o Recife a um dos principais destinos europeus. A nova conexão é vista como um marco para o turismo e a economia local, consolidando o Recife como um ponto estratégico de ligação entre o Brasil e o exterior”. Conforme dados da Setur-L, “Recife está conectado a 44 rotas aéreas, sendo 36 nacionais e oito internacionais, com uma rota sazonal para Assunção durante a alta temporada”. Com relação a Azul, ela “opera quatro rotas internacionais a partir do Recife (Orlando e Fort Lauderdale, nos Estados Unidos; Montevidéu, no Uruguai; e Assunção, no Paraguai)”. Ígor Lopes
- III Gala Beneficente da Associação Mais Lusofonia vai recordar ações
Evento é considerado uma “celebração da solidariedade e união das comunidades lusófonas”. A Associação Mais Lusofonia, com sede em Castelo Branco, Portugal, vai promover a III Gala Beneficente no próximo dia 25 de janeiro de 2025, no Restaurante Quinta das Olelas, localizado na Serra das Olelas, às 19h30. O evento é uma “celebração da solidariedade e união entre as comunidades lusófonas”, com uma homenagem especial a parceiros e entidades que têm contribuído significativamente para o trabalho da associação. A III Gala Beneficente surge como uma oportunidade concreta para fortalecer as relações entre os membros da associação e os seus parceiros, reforçando o apoio mútuo em prol das comunidades lusófonas. Diversos elementos portugueses e da comunidade luso-brasileira integram o projeto. A homenagem às entidades nacionais e internacionais reflete o reconhecimento da Associação Mais Lusofonia pelo trabalho conjunto que tem permitido alcançar resultados significativos na promoção da língua e cultura portuguesas. “Nesta noite singular, homenagearemos os nossos estimados parceiros e entidades oficiais, nacionais e internacionais, cuja dedicação e colaboração têm sido pilares fundamentais para a realização de nossa missão. Trata-se de uma oportunidade única para fortalecer laços, promover o intercâmbio cultural e celebrar os valores que nos unem enquanto comunidade”, indica a organização do evento, assinalando que esta iniciativa, organizada com grande atenção aos detalhes, é limitada a um número restrito de participantes. Desta forma, a presença deve ser confirmada previamente, garantindo a exclusividade de uma noite dedicada à valorização dos laços lusófonos e ao reconhecimento do impacto positivo gerado pelos esforços coletivos. “Para garantir a sua presença neste marco tão significativo, solicitamos que efetue a sua confirmação da sua reserva através do endereço de e-mail presidenciamaislusofonia@gmail ou com a nossa equipa MAIS LUSOFONIA”, disse a presidente da Associação, a empresária Sofia Lourenço, que foi recentemente distinguida como Personalidade do Ano de 2024 num evento em Lisboa. Entidades, líderes e governantes nacionais e internacionais já confirmaram presença. Reconhecida pelo seu contributo para a cultura, literatura e saúde, Sofia Lourenço tem se destacado também pelo seu compromisso com a comunidade lusófona. “É uma grande responsabilidade, isto porque ser destacada por toda a ação humanitária entre os países de língua portuguesa enche o meu coração de orgulho. De forma alguma alimenta egos, mas sim aumenta a força para continuar”, afirmou esta responsável recentemente. Sofia Lourenço não apenas lidera a Associação, mas também desempenha um papel essencial na área da saúde como responsável pela Clinibeira, em Castelo Branco, clínica com mais de 22 anos de experiência. A empresária tem sido amplamente reconhecida também no âmbito literário, com a recente publicação, no formato de co-autoria, do livro “Mulheres Extraordinárias” e várias distinções, como a “Comenda Luís Vaz de Camões”. Foto: Agência Incomparáveis Ígor Lopes










