Revista do Villa
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Revista luso-brasileira de conteúdo sobre cultura, gastronomia, moda, turismo,
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- Empresário português premiado pela “EU Business News”
Pedro Ramos, CEO da KEEPTALENT Portugal, foi o vencedor da primeira edição dos Prémios Europeus de CEO do Ano na categoria “Best Communications CEO Portugal 2024”, uma iniciativa promovida pela EU Business News, com sede no Reino Unido, e que visa “destacar os melhores profissionais europeus que apostam em inovação e que têm conquistado destaque nas suas áreas de atuação”. Segundo apuramos, os prémios europeus de CEO do ano “reconhecem e homenageiam CEOs de alto nível que demonstraram qualidades de liderança excecionais, visão estratégica e um impacto profundo nas suas organizações e indústrias, celebrando a liderança empresarial exemplar, a visão estratégica e as contribuições incomparáveis destes indivíduos”. Pedro Ramos refere que “é um enorme privilégio ser reconhecido num processo que não depende de qualquer interferência ou votação pública, mas apenas assente numa avaliação séria e isenta, sobre a forma como atuamos como líderes num contexto digital, multicanal, neste caso enquanto “bons comunicadores” de ideias, conhecimento e partilha de boas práticas e experiências”. “É muito bom sentir que outros se inspiram e avaliam a nossa forma de ser, atuar e experienciar este momento de grande transformação e mudança organizacional. Para mim, que passei toda uma vida ao serviço das empresas, e que agora passei “para o outro lado”, para o lado de quem pode ajudar os outros a fazer diferente... este Prémio tem um sentido e um “sabor” muito melhor”, comentou Ramos. De acordo com os responsáveis pela EU Business News, “uma proporção considerável de CEOs europeus está otimista quanto às perspetivas financeiras das suas respetivas organizações no próximo ano”, esta classe é conhecida também por encontrar formas de incorporar os avanços tecnológicos nas suas estratégias empresariais na Europa, sendo a IA “um alicerce crucial para o futuro”, que “moldará as políticas a nível empresarial e nacional”. “Um CEO de sucesso deve priorizar com confiança a inovação e o planeamento estratégico para se manter à frente do jogo. (…) Para ter sucesso como CEO no mundo de hoje, é crucial possuir as habilidades para superar obstáculos, superar dificuldades e planear o futuro”, comentaram os responsáveis pelo prémio, que acreditam que “os Prémios Europeus de CEO do Ano não são apenas uma cerimónia de reconhecimento, representam uma homenagem aos líderes que, através do seu compromisso inabalável, se tornaram arquitetos do sucesso, moldando a trajetória das suas organizações e inspirando outras a alcançar novos patamares”. Currículo internacional Pedro Ramos é PhD em Economia de Empresa, Mestre em Sociologia do Emprego e Licenciado na área das Ciências da Educação. É atualmente CEO da KEEPTALENT Portugal, tendo anteriormente desempenhado os cargos de Administrador Executivo e de Diretor de Recursos Humanos em empresas de grande porte, nos últimos 30 anos. É professor universitário nas áreas de Liderança e Gestão de RH (Coimbra Business School, ISCTE Executive Education e ISLA Santarém) e é orador/palestrante internacional nas áreas de Liderança e Gestão de Pessoas com múltiplas intervenções em Portugal, no Brasil, em Angola, Moçambique, Cabo Verde, Espanha e México. É, atualmente, Membro do Board do IFTDO (The International Federation of Training and Development Organization). Foi Presidente da Associação Portuguesa de Gestão das Pessoas (APG) até final de 2023, é Membro do Conselho Estratégico da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH Brasil) e foi Embaixador para a Lusofonia da Associação DCH – Diretivos de Capital Humano em Portugal. Exerceu nos últimos anos também o cargo de Vice-Presidente da Associação Lusofonia Digital. Enquanto DRH foi um dos mais influentes em Portugal, no Brasil e em África e é referido em vários fóruns e estudos internacionais na área de Gestão de Pessoas. É, ainda, autor de várias obras sobre Liderança e Gestão de Pessoas. Publicou obras recentes como a obra “Liderança – Para onde vamos a partir daqui?”, “PESSOAS & NEGÓCIOS – Mobilizar para a Obtenção de Resultados”, bem como é coautor das obras “Conta-me Estórias – Storytelling na Gestão de Pessoas” (2 volumes já publicados) e “Sharing My Change – Viagem pela Gestão da Mudança” publicados em Portugal e no Brasil. Coordenador da obra “Gestão de Empresas com Pessoas a Bordo” (2022) e autor da recente “Gestão das Pessoas de A a Zen” (2023 e 2024), no Brasil e em Portugal. Recebeu ao longo da sua carreira vários prémios e distinções de excelência pelo seu exercício de funções enquanto Gestor de Pessoas. Recebeu o Prémio CARREIRA RH pelos mais de 27 anos de gestão de topo enquanto DRH, assim como o reconhecimento de “Personalidade de Gestão de Pessoas da Lusofonia 2021”, bem como vários prémios de Excelência RH individuais e coletivos pela sua intervenção enquanto Líder e Gestor de Pessoas. Já em 2024 recebeu a Medalha de Ouro da IFTDO (na cidade do Cairo) pelo trabalho realizado no Mundo na Área da Gestão de Pessoas. Em 2023 foi homenageado pela Academia de Filosofia e Ciências Humanísticas Lucentina, com sede no Brasil. Ígor Lopes
- Covilhã: Feira de São Tiago reuniu empresários brasileiros que têm apostado na região
A cidade da Covilhã, localizada aos pés da Serra da Estrela, na região Centro de Portugal, promoveu mais uma edição da centenária Feira de São Tiago, um evento histórico, com 613 anos de tradição, entre os dias 12 e 28 de julho. O certame, conhecido pelo seu diversificado cartaz musical e pela variedade de expositores, é organizada pela Câmara Municipal da Covilhã em parceria com a Associação Empresarial da Covilhã, Belmonte e Penamacor (AECBP). Este ano, a Feira contou com as atuações de artistas de peso, como Xutos e Pontapés, Marisa Liz e António Zambujo, entre outros, atraindo um grande público. Segundo José Miguel Ribeiro de Oliveira, vereador da Câmara Municipal da Covilhã com os pelouros do Associativismo, Desporto e Feiras e Eventos, e um dos responsáveis pela Feira, o longo percurso histórico da Feira de São Tiago serve também como motor de promoção e desenvolvimento da região. “A Feira de Feira de São Tiago tem 613 anos, começou por ser uma feira ligada à venda da lã, dos lanifícios, e depois foi evoluindo, passou também por um período da Feira do Queijo. E, na década de 1990, início do século XXI, foi decrescendo do ponto de vista de impacto e de peso económico na região. Foi perdendo o seu espaço. E nós, desde 2015, até esta parte, temos feito uma aposta no sentido de revitalizar este certame. E é uma aposta que eu acho que está conseguida. Obviamente que tem as suas complexidades, não é fácil”, frisou este responsável, que destacou que o local contou com um grande espaço comercial e empresarial. Este vereador considera que a Feira tem auxiliado também na integração das comunidades migrantes residentes na região, que “têm sabido se instalar, inclusive, neste momento, são promotores até de empresas e de negócios e ajudam o nosso tecido económico. Estão perfeitamente inseridos. Isto faz com que, do ponto de vista da feira, seja fácil, entre aspas, trazer essas pessoas, fazer com que tragam também um pouco daquilo que são os seus produtos, porque também temos aqui um cantinho da Angola, temos um cantinho do Brasil, portanto, temos aqui uma grande multiculturalidade”. José Miguel Oliveira disse acreditar que a Feira de Santiago ajuda no crescimento do número de interessados em investirem na região. “Hoje em dia, um investidor que procura um local para investir, procura um local para alojar a família ou trabalhar. (..) Portanto, nós, quando vamos à procura do sítio por onde queremos ficar, hoje em dia, devemos ter em conta a questão da saúde, a questão da educação, entre outros temas. (…) Eu sou suspeito, pois adoro a nossa região como um todo, Covilhã, especialmente, mas nós, quando falamos da parte turística, não podemos nos restringir apenas ao nosso concelho. Temos que olhar para a região e as potencialidades que ela oferece”, reconheceu este responsável, que sublinhou que “a comunidade brasileira, a comunidade angolana, a comunidade dos países de língua oficial portuguesa são uma grande maioria dos migrantes que nós temos, mas também temos uma comunidade de argentinos que vieram através dos nômadas digitais, e eu acho que cada vez mais esta multiculturalidade se vai verificar nas nossas cidades”. Um dos pontos altos deste certame foi a valorização empresarial, com uma grande aposta no envolvimento dos empresários locais na demonstração dos seus produtos, mas também no desenvolvimento de projetos nacionais e internacionais com foco no território do Interior de Portugal. Na opinião do empresário Rhaxwell Nascimento, que é também CEO da Associação e-DNA, participar na Feira de São Tiago é uma forma de promoção de negócios e criação de network de qualidade. “Desde que viemos para Portugal, há cinco anos, a nossa intenção é trazer negócios para o Interior do país. Os negócios que nós trouxemos para a região culminaram em alguns outros frutos. Hoje temos aqui na Feira de São Tiago alguns desses resultados, como a e-TAG, que é um sistema digital; a Mais Media, que trata da venda de publicidade em Mupi’s e ecrãs digitais; além da Covilhã Web TV, num estúdio da BMAX, entre outros, como o guia de investimento, por exemplo, que está a ser criado em parceria com o grupo de comunicação brasileiro “O Povo”. Tudo isto em prol do desenvolvimento do Interior de Portugal, da região das Beiras”, contou este responsável. Ainda de acordo com Rhaxwell Nascimento, toda esta movimentação valoriza o território e abre possibilidades para os investidores nacionais e estrangeiros. “Do interior de Portugal, a gente vem tendo essa possibilidade de colocar definitivamente os investidores do mundo com o olhar nesta região, para mostrar que Portugal é muito mais do que litoral, é muito mais do que Lisboa, do que Porto, é muito mais do que vinho, do que ovelha, do que queijo. É isto tudo também, mas é mais do que isto, tem oportunidades empresariais importantes”, adiantou Rhaxwell Nascimento, que avança que a estratégia utilizada para esta dinâmica vai muito além do mercado brasileiro. “O nosso foco hoje vai além do Brasil. Claro que a gente tem muita facilidade, porque a adesão dos nossos negócios junto dos brasileiros é muito forte. Mas nós hoje avançamos para outros povos, como África, China, Estados Unidos, mostrando a essas pessoas o potencial de recursos para se instalarem no Interior de Portugal, com a possibilidade de acesso a benefícios fiscais e a apoios governamentais e projetos europeus”, considerou, enaltecendo o baixo custo de vida numa região distante dos grandes centros, com grande infraestrutura, qualidade de vida aumentada e acessos de qualidade. Ígor Lopes
- Portugal terá primeiro curso sobre Fibromialgia
A Universidade da Beira Interior (UBI), na Covilhã, região Centro de Portugal, vai sediar o primeiro “Curso de Formação e Atualização sobre Fibromialgia, Síndrome de Sensibilidade Central e Dor Crónica”, um evento organizado em colaboração com o Centro Académico Clínico das Beiras, a Faculdade de Ciências da Saúde da UBI e a Academia Portuguesa de Fibromialgia. Este curso inovador, com início marcado para o dia 9 de novembro, será realizado no Anfiteatro Amarelo da Faculdade de Ciências da Saúde da UBI. A formação, que terá uma carga horária de 30 horas, sendo 25 horas letivas e cinco para a realização de um trabalho de investigação, está sob a responsabilidade dos professores doutores Miguel Castelo-Branco, José Luis Arranz Gil e José Martinez de Oliveira, todos professores na UBI. O curso, que confere 1 ECTS, contará com a participação de especialistas de renome nacional e internacional na área da fibromialgia. Mário Raposo, Reitor da UBI, destacou a importância desta iniciativa. “Acolhemos a decisão de realizar este curso em cooperação com a Academia de Fibromialgia, promovendo um evento de extrema relevância numa área inovadora do conhecimento. Este curso reforça o reconhecimento da nossa Faculdade de Ciências da Saúde como uma instituição pioneira em novas áreas de tratamento na saúde”, frisou. Já o Prof. Dr. Miguel Castelo-Branco, presidente da Faculdade de Ciências da Saúde, sublinhou a pertinência da formação. “A fibromialgia é uma doença que afeta muitas pessoas e necessita de avanços tanto no conhecimento como nos aspetos terapêuticos. Este evento será marcante por reunir especialistas de renome, proporcionando uma atualização vital para os profissionais interessados neste tema crucial”, avaliou. Por sua vez, o Prof. Dr. José Martinez de Oliveira reforçou a visão institucional sobre o curso. “A organização deste primeiro curso sobre fibromialgia e as suas conexões representa um passo significativo no avanço do conhecimento universitário. Abordar a Síndrome Fibromiálgica exige uma interação profunda e a participação de todo o conhecimento disponível, visando sempre ao benefício do doente”, comentou. O presidente da Associação de Socorros Mútuos Mutualista Covilhanense, Nelson Silva, elogiou a parceria com a UBI após criar-se “a primeira e única unidade de fibromialgia em Portugal, promovendo mais de duas mil consultas e acompanhando cerca de 300 doentes”, na primeira unidade de Fibromialgia criada no país pelo Prof. Dr. José Luis Arranz Gil, que está instalada na sede da Mutualista Covilhanense. “Esta colaboração com a Faculdade de Ciências da Saúde permitirá a formação de técnicos mais qualificados para responder à procura de soluções para a fibromialgia”, avançou. Por fim, o Prof. Dr. José Luis Arranz Gil, presidente fundador da Academia Portuguesa de Fibromialgia e professor na UBI, destacou a missão do curso manifestando o desejo em “aumentar o reconhecimento e a compreensão sobre a fibromialgia, melhorando a abordagem e os tratamentos para os nossos doentes”. Este responsável considera que “este é um passo essencial para assegurar que ninguém desconheça esta doença, promovendo um maior acolhimento e compreensão entre os doentes e os profissionais de saúde”. As candidaturas ao “Curso de Formação e Atualização sobre Fibromialgia, Síndrome de Sensibilidade Central e Dor Crónica” decorrem de 9 de setembro a 18 de outubro no site da UBI, em www.ubi.pt . O público-alvo do “Curso de Formação e Atualização sobre Fibromialgia, Síndrome de Sensibilidade Central e Dor Crónica” são os profissionais e estudantes da área da Saúde e pacientes interessados em conhecer mais sobre esta doença. Esta formação contará com 15 professores doutorados, sendo seis académicos. Fontes da área da Saúde, ligados à Universidade da Beira Interior, acreditam que, através deste curso, haverá um “reforço do seu compromisso com a inovação e a excelência no campo da saúde, proporcionando uma formação de qualidade e atualizada para profissionais de saúde e contribuindo significativamente para o avanço do tratamento da fibromialgia em Portugal”. Acordo internacional O curso marca também um novo capítulo na colaboração internacional em saúde, como exemplificado pelo recente acordo de cooperação assinado entre a Academia Portuguesa de Fibromialgia e a Fundación FFC, com sede em Espanha, que visa “impulsionar a pesquisa biomédica e melhorar o diagnóstico e o tratamento da fibromialgia em Portugal, através da utilização de uma base de dados de amostras genéticas de doentes com fibromialgia”. O evento de assinatura do acordo, que aconteceu no dia 12 de julho, na Faculdade de Ciências da Saúde da UBI, contou com a presença de destacadas figuras da área da saúde e da academia, incluindo Emilia Altarriba Alberch, presidente do Conselho de Administração da Fundación FFC, e Alfred Blasi Escude, homenageado como Académico de Mérito pela Academia Portuguesa de Fibromialgia, que foi declarado por todos “doente experiente”. Ígor Lopes
- Entrevista com a poeta Portuguesa Mónica Mesquita
Mónica Mesquita é natural de Paranhos, no Porto, cidade onde vive. O apreço pela escrita acompanha-a desde que aprendeu a escrever. Grande amante das artes, costuma aprender por conta própria, seja arte literária, artística, musical ou audiovisual. Autora de 5 livros publicados, também atua como organizadora do evento “Tertúlia Poética dos Afetos”, que é realizado com regularidade no Auditório da Junta de Freguesia de Campanhã. 1 – Em sua visão, quem é Mónica Mesquita? Mónica Mesquita é amor. Poderia descrever várias características, contudo, gosto de ser misteriosa e deixar que quem vier até mim, me vá conhecendo. No entanto, em inúmeros poemas dos meus livros descrevo-me, quer explicitamente, quer nas entrelinhas. 2 - Como surgiu o seu gosto pela poesia? O meu gosto pela poesia surgiu na adolescência, quando em estado de graça, apaixonada, escrevia quadras de amor na escola. 3 - Cada poeta sente o mundo e se expressa à sua maneira. De onde você busca inspiração para criar seus versos? Na minha modesta opinião, a inspiração é algo que vem do alto. Quiçá um dom, talento Divino e, no meu caso, vem espontâneamente em qualquer momento. Concordo que cada poeta vê e sente o mundo à sua maneira. Eu vejo poesia em tudo. E não é uma utopia, mas sim a magia da vida. Eu costumo dizer: “Se eu conseguir mudar o meu mundo e através das minhas mensagens, poesias, pensamentos, prosas, histórias consigo mudar o mundo de alguém, sinto-me feliz e que já valeu a pena escrever e viver. 4 - Você já lançou os livros De Alma E Coração Na Poesia , A-mar Infinito , Nudez , Harmonia entre Prosa e Poesia e Doces Intimidades. Como foi escrever cada um deles? E onde podemos adquiri-los? O 1º “De Alma E Coração Na Poesia” foi maravilhoso e sublime. O primeiro é sempre o primeiro. Um sonho tornado realidade, bem como um marco na minha vida, uma vez que inicio a minha carreira de escritora e porque contém os meus primeiros poemas, prosas, pensamentos e reflexões. Foi quase como dar-à-luz um potencial 1º filho poético de papel, que é eternizado. Isto porque quando se cria algo, se é mãe dessa ideia ou trabalho concretizado. O 2º “A-MAR INFINITO” foi também uma emoção e evolução. Emoção porque é um livro dedicado a cada membro da minha família mais chegada, contendo poemas e acrósticos dedicados a eles, a mim, às minhas amizades e aos leitores. Evolução, porque eu sinto que evoluí, quer como pessoa, quer como escritora. E mais um filho poético de papel. O 3º “NUDEZ” é um livro onde dispo as palavras, a alma, o espírito e o corpo, para falar de tudo que a vida contém, inclusivamente de sensibilidade, sensualidade, erotismo e sexualidade, com o intuito de fazer com que as pessoas voem e se sintam, deixem as emoções saírem. Este livro também contém poemas de humor com amor. Eis que surge o 4º livro “HARMONIA ENTRE PROSA E POESIA”, este em coautoria com o presidente do NALAP - Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal, professor Diamantino Bártolo, onde escrevo a poesia e prosa poética também e o Diamantino a prosa. Decidi convidar o amigo proseador, porque gosto imenso de escrever duetos e pensei em colocar essa ideia sui géneris em prática em livro. Ele aceitor e a obra nasceu. O feedback dos leitores foi excelente, tal como nos meus 3 primeiros livros, que já vão nas 2ª e 3ª edições. O 5º livro “DOCES INTIMIDADES” é um livro intenso de sentires e emocionante… Uma boa terapia para casais, porque falo mais abertamente sobre Intimidades doces em todos os aspectos. Onde a mulher se liberta, como a metamorfose. Os poemas podem ser declamados como um elixir que desperta a libido ao casal. Embora também aborde outras Intimidades, visto que, para mim, a maior intimidade é quando alguém se despe emocionalmente (alma nua) perante outra pessoa. Porém considero que este livro é mais focado para o erotismo. Os 3 primeiros livros: “De Alma E Coração Na Poesia”, “A-MAR INFINITO” e o “NUDEZ” publiquei com edição de autor nas Edições O Declamador e estão esgotados, contudo estou a cogitar colocá-los brevemente nas plataformas Online para que qualquer leitor no mundo os possa adquirir. Os livros “HARMONIA ENTRE PROSA E POESIA” e “DOCES INTIMIDADES” foram publicados simultaneamente em Portugal e no Brasil com a editora PRIMEIRO CAPÍTULO do grupo Editorial Atlânticbooks e podem ser pedidos Online ou ao balcão das livrarias que trabalham com o grupo. Em Portugal: Wook.pt , Bertrand.pt , FNAC, CTT, Continente, Auchan, livraria Martins e no Brasil através da editora Ipé das Letras. https://www.livrariaipedasletras.com/pd-968e12--ebook-doces-intimidades-monica-mesquita.html?ct=&p=1&s=1 https://www.livrariaipedasletras.com/pd-968e11-doces-intimidades-monica-mesquita.html?ct=&p=1&s=1 Ou a quem dezejar assinado e com dedicatória personalizada, pode-me contactar por email : monicaraquelmesquita3@gmail.com ou através das minhas redes sociais: Mónica Mesquita e Mónica Mesquita Escritora Poetisa. Cartão de visita Digital: https://linktr.ee/monicaraquelmesquita 5 - Para se escrever bem, é necessário ler bem também. Partindo disso, quais autores você mais gosta de ler? Algum deles influenciou na sua escrita? Para ser sincera, escrevo o que sinto e deixo-me levar pela inspiração, contudo, na escola tive já conhecimento de grandes escritores e poetas de antigamente e contemporâneos. Camões, Eça de Queiroz, Camilo Castelo Branco, Antero de Quintal, Florbela Espanca, Natália Correia, Maria Teresa Horta, Carlos Drummond de Andrade, Cora Carolina, Cecília Meireles, Mia Couto, Manuel Alegre, Bocage, José Saramago, Fernando Pessoa, entre outros, até estrangeiros que gosto de ler, como Gabriel Garcia Marques, etecetera… ARTISTA DE ALMA ERÉCTIL O artista nasce artista... Artista que descobre o amor e o coloca em prática. Faz arte a amar o que faz, além de colocar amor nessa mesma aptidão. E, nunca é exclusivamente só para si. Mas sim para dividir e repartir com a multidão que comunga desse mesmo gosto, prazer e gozo que dá ser artista. Realmente não é exibicionismo, mas sim um sentir dos sentidos, da alma, espírito e coração que se pretende partilhar amor, com quem deseja ser amado, sentir o calor humano na arte de amar com arte. Na verdade, são orgasmos múltiplos espirituais, intuídos, vividos artisticamente, espaciais e especiais. Que se consegue sentir e usufruir em doação de sentires com o próximo, o aficionado por artes e momentos felizes que nos elevam ao mais alvo e alto patamar dos diferentes estádios da vida. A arte é a prática da cultura do amor expresso com amor pelo amor à arte e ao ser humano. Por isso o artista é um ser Divino. A sua alma está sempre em erecção numa cumplicidade inspiradora com o céu dos céus. Desvenda mistérios, destapa véus... Por isso os artistas querem e precisam de voar, demonstrar sentires em plena harmonia com o cosmos e com o universo. Não para se exibirem, mas para evoluírem e se expandirem pelo mundo, algozes imundos, escasso de afetos. Claro que se houver receptividade, então é sinal de que não se é artista em vão. Jamais se cresce sozinho. Sempre de mãos dadas se prossegue, adiante, de alma reluzente, a amar profundamente, iluminada e contente. Confiante de que o artista é de e para toda a gente, numa adição de amor constante. Do livro NUDEZ. 6 - Você vive em Porto, uma cidade riquíssima em cultura, história, belezas naturais e costumes populares. A cultura portuguesa te inspira de alguma forma? Como? A cultura portuguesa realmente é fantástica e inspiradora em todos os aspectos, e é curioso porque comecei a escrever e publicar nas redes sociais, conheci o artista plástico Paulo Gonçalves (Fonseca) que me desafiou, através das suas telas, a inspirar-me em algumas delas e escrever poemas. Assim impulsionando-me a aguçar a criatividade e aprimorar a inspiração poética e prosaica, bem como reflexões e Pensamentos harMónicas/os. Então a ilustração da capa do meu primeiro livro De Alma E Coração Na Poesia é da sua autoria, sendo assim um marco na vida de ambos que fica eternizado. Gosto de aliar a arte à poesia através das capas dos meus livros, optando por fazer sempre parcerias com artistas plásticos portugueses, para já. Adoro ver exposições de pintura e fotografia. A natureza também é imensamente inspiradora para mim e, desde quintas, matas, parques, jardins, fontes, pontes, praias, rios e mar, quando visito, fico profundamente inspirada e retempero energias. Costumo participar de tertúlias/saraus de poesia, o que também é muito enriquecedor culturalmente, aliado aos afetos e amizades do meio artístico, e que também preso de coração. Sou uma poeta de sentires afetuosos. 7 – Você é organizadora do evento Tertúlia Poética dos Afetos , que é realizado na Freguesia de Campanhã, Porto. Conte-nos mais sobre esse projeto. A TERTÚLIA POÉTICA DOS AFETOS foi criada com o intuito de recriar as tertúlias de antigamente, do tempo dos grandes poetas, como Bocage e Fernando Pessoa, entre outros e inspirar, não só poetas, a participar com uma arte que desejarem, conversar sobre temas atuais e pertinentes e aliar aos afetos, por forma a promover a sã convivência entre todas as faixas etárias, a múltipla culturalidade e artes diversificadas. É uma tertúlia mensal e conta com o apoio do pelouro da Cultura da Junta de Freguesia de Campanhã no Porto. 8 – Como os leitores reagem aos seus escritos? Os leitores gostam imenso, modéstia à parte, e dizem sentir amor, paz, carinho, alegria, entre outras emoções e sensações, ao lerem os meus escritos/trabalhos/livros. Tenho também um canal no YouTube onde declamo os meus poemas, duetos poéticos, as filmagens da TERTÚLIA POÉTICA DOS AFETOS e eventos que participo, entre outros vídeos. 9 – Além da poesia, quais são suas outras paixoões? Apaixonada por natureza pela vida e vivê-la da melhor forma possível, tenho também outros hobbes/paixões como viajar, passear, ir à praia, fotografar, filmar, fazer rádio, criar conteúdos digitais e conviver presencialmente. Imensamente grata pela oportunidade, bem-hajam pela iniciativa da divulgação da cultura universal. Sucesso e felicidades a todos. Abraço de afetos. TODO O POETA DESEJA Infinito é o amar Ora doce, ora salgado O importante é desfrutar E ser pelo (a)mar acariciado Todo o poeta deseja ser amado Ter uma flor, bela companhia Para fazerem amor, furor e poesia Mas também quer ser livre e inspirado Ser feliz e voar como gaivota Viver ao pé do imenso mar Sorrir e profundamente suspirar Vivo se sentir, sem viver vida morta Caminhar devagar pela areia molhada Ser humano/divino de aura abençoada. (Do livro DOCES INTIMIDADES) Douglas Delmar
- Entrevista: Escritora e Engenheira Florestal Joema Carvalho
Escritora e engenheira florestal, membro da Academia Poética Brasileira e colunista do Facetubes. Autora do Luas & Hormônios (Secretaria do Estado da Cultura, 2010; Selo Marianas, 2020) e do Crônicas de Uma Jornada Florestal (Grupo Caravana Editorial, 2024); coautora do Entre Botânicas Decoloniais: As frutas silvestres de H. D. Throreau e frutas brasileiras (Appris, 2022), organizadora e autora da coletânea Tuíra (Amazon, 2020; Uiclap, 2022) e 4° lugar (prosa) do 1° EKOPOLIS- Prêmio TILDEN SANTIAGO de Ecologia e Política. 1 – Em sua visão, quem é Joema Carvalho? A Joema é uma pessoa em constante processo de mudança, que teve que aprender a lidar com as suas polaridades e paradoxos. 2 - Como iniciou a sua trajetória pela escrita? E quais temas te inspiram a escrever? Comecei a escrita antes de saber escrever, meus pais escreviam os meus poemas. Tive poeminhas desta época, década de 80, publicados no caderno “Jornalzinho” da Folha de São Paulo, um dos poemas era “Peixes”, o contexto do poema era a poluição do mar, já tinha preocupação com meio ambiente. Durante o segundo grau, tive o primeiro contato com os termos técnicos e adorei estas palavras, a sonoridade delas, eram incomuns. Passei a escrever poemas utilizando termos de biologia, matemática, química e de física. Como o vocabulário do meu dia a dia é o da minha formação, engenharia florestal, passei a utilizá-lo na minha escrita. Em 2019, descobri a ecocrítica, que é uma linha da literatura relacionada ao meio ambiente. Participei de uma disciplina como ouvinte e dando suporte técnico de engenharia florestal para o professor. Isto ampliou a possibilidade de textos, dentro da linha do que, intuitivamente, ja vinha fazendo. Hoje faço parte do Grupo de Ecocritica – GECO da UFPR. Fui convidade pelo coordenador para ser coautora do livro Entre Botânicas Decoloniais: As frutas silvestres de H. D. Throreau e frutas brasileiras (Appris, 2022). A questão ambiental é algo natural e gostoso para mim. Não escrevo só isto, mas é o que caracteriza o que escrevo. 3 - Você também é Engenheira Florestal. O que a levou a escolher essa profissão? Conte-nos um pouco sobre seu trabalho nessa área. Então, chegou a hora de decidir o que eu queria ser quando crescesse, mas eu estava confusa. Em função da escrita, o óbvio seria Letras, Jornalismo ou Direito, mas não quis. Fiz um teste vocacional e o resultado foi que eu tinha habilidade para qualquer área. Assim, o meu critério foi definir um curso que misturasse as ciências. Defini arquitetura e engenharia florestal. Descobri no Manual do Estudante o curso de engenharia florestal, um mês antes da inscrição do vestibular. Acabei fazendo engenharia florestal porque não passei na previa de arquitetura. Trabalho em parceria com arquitetos, hoje sei que não teria perfil para ser arquiteta... Fiz então, engenharia florestal e também mestrado e doutorado em engenharia florestal, direcionei para ecologia e minha pesquisa foi com dinâmica de ecossistemas, o que achei fantástico. Aprofundei o olhar para como os ambientes naturais se organizam, como os elementos e fatores se adaptam as adversidades naturais que o próprio ambiente impõe. Trabalhei em projetos de pesquisa, tenho artigos nacionais e internacionais publicados e atuo como consultora ambiental, tenho minha empresa a Elo Soluções Sustentáveis. 4 – Você é autora dos livros Luas & Hormônios e Crônicas de Uma Jornada Florestal . Como foi o processo de criação das suas obras? E onde podemos adquiri-las? O Luas & Hormônios foi selecionado e editado através de um projeto da Secretaria do Estado da Cultura em 2010, ainda tenho alguns exemplares impressos que podem ser adquiridos diretamente comigo, através de contato por email ( joemacarvalho@gmail.com ), Instagram e Facebook (@joemacarvalho_literatura). O livro também foi editado pelo selo Marinas, em 2020, eBook disponível na Amazon: https://www.amazon.com.br/Luas-Horm%C3%B4nios-Joema-Carvalho-ebook/dp/B08P1Z987P . Este livro contem poemas desde quando comecei a escrever. Arrisquei submeter ao projeto da Secretaria e fui selecionada. Para agrupar os poemas de diferentes épocas, dividi o livro em canteiros/capítulos: Flores de Ervas Cheirosas; Flores do Cerrado, da Caatinga, do Deseto, do Lodo; Flores da Infancia e Flores do Amor. Em relação ao livro atual, eu seguia a editora Caravana Grupo Editorial no meu Instagram e vi o projeto desta editora com edital aberto para seleção de livros para serem traduzidos para o espanhol, com lançamento em Buenos Aires. Enviei o Luas & Hormônios. Após primeira reunião, fiz contato com o editor, disse que tinha outros livros. Ele sugeriu lançarmos um livro inédito em portugues e em espanhol. Achei excelente a ideia, assim nasceu o Crônicas de Uma Jornada Florestal, disponivel no site da editora na versão em portugues e em espanhol: https://caravanagrupoeditorial.com.br/produto/cronicas-de-uma-jornada-florestal/ e https://caravanagrupoeditorial.com.br/produto/cronicas-de-una-jornada-florestal/ . As crônicas são resultados de viagens, principalmente, pelo Brasil, onde abordo detalhes das paisagens, conflitos humanos, o nosso tamanho e a nossa capacidade de controle sobre os elementos e fatores ambientais. O sentir enquanto uma forma de comunicação entre os seres não-humanos. O tempo do planeta e nosso tempo, o processo de construção e desconstrução inerentes ao processo geomorfologico do planeta, as mudanças climáticas como parte integrada aos processo naturais dos quais fazemos parte, o paradoxo de nossa existência, compôem as crônicas. 5 - Crônicas de Uma Jornada Florestal também teve uma versão publicada em língua espanhola, em Buenos Aires. Como foi lançar seu livro em um país estrangeiro? E qual foi a recepção do público? Foi uma experiência incrível ter o livro traduzido para outra língua. Dei trabalho para o tradutor, meu livro possui várias notas de rodapé dele. Para nós é simples entender o que é um caiçara, quilombola, um guanandi, uma peroba, o Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, o Parque Nacional do Descobrimento; rios Tibagi, Paraná, Guaíba, São Francisco, Solimões, entre outros. Através da tradução, senti que através do Crônicas de Uma Jornada Florestal contribuo com a divulgação do nosso país, da sua diversidade de ambientes e de paisagens, que refletem a diversidade de espécies, ecossistemas e etnias. Em Buenos Aires foi excelente. A Caravana organizou uma programação ótima. Participamos de mesa redonda. Estivemos na livraria Ateneu, que é lindíssima e tradicional de Buenos Aires. Fizemos o percurso do Jorge Luis Borges, em San Telmo e estivemos na 48° Feria Internacional del Libro de Buenos Aires participando de um sarau no stand do Brasil. Estou tendo um retorno ótimo de quem está lendo, inclusive pessoas têm adquirido outros exemplares para dar para conhecidos. O livro está sendo prestigiado por colegas e professores da engenharia florestal também. Para o autor, lançar um livro é uma incerteza, o retorno tem sido muito bom. CHEIRO DE CEDRELA a densidade vem do tempo casca grossa essência se faz no vento brisa que escorre seiva elabora expele bruta xilema do floema minerais caminham pelo corpo cristais refletem dinâmica e clorofila donde transmuto oxigênio sou várias com as estações recolho-me no frio sou galhos e ramos descolorida retomo minha função quando tudo é nascente findo em flor frutifico por meses não me canso capto a luz que chega em feixes dispersas entre as folhas busco como posso os raios que me nutri deixo de ser ombrófila chego ao dossel e me espalho plena de quem sou 6 – Você exerce a função de Diretora da Elo Soluções Sustentáveis, empresa de consultoria socioambiental localizada em Curitiba, no Estado do Paraná. Fale-nos um pouco sobre a sua atuação na empresa. Atuo com licenciamento ambiental de obras de empresas, indústrias e pessoas físicas. Meu trabalho depende da anuência de órgãos públicos. Atuo com soluções, gestão, regularização e alinhamento ambiental de empreendimentos. 7 – Para escrever bem, é necessário ler bem também. Partindo disso, quais autores você mais gosta de ler? Algum deles influenciou na sua escrita? Concordo, a escrita é dependente da leitura. São vários os autores que gosto de ler, mas os que influenciam o que escrevo, dentro da linha que sigo são Mia Couto, Clarice Lispector, Guimarães Rosa, Manoel de Barros, João Cabral de Melo Neto e Shakespeare (principais). Gosto de ler Isabel Allende e Umberto Eco também, além vários outros. 8 - A sustentabilidade ambiental sempre foi um tema de suma importância, visto que a natureza tem sido fortemente impactada pelas ações humanas. Na sua opinião, quais ações podemos praticar para manter o equilíbrio do ecossistema natural? Vou colocar o que considero a nível de indivíduo (“nós”). Considero que adotar a prática de ser um indivíduo que busca a melhoria física, mental, emocional e espiritual é fundamental neste processo. Alimentação saudável é diretamente relacionada a questão ambiental, por exemplo. Veja a quantidade de embalagem, aditivos, corantes, conservantes de um fastfood, congelado ou processado. Isto implica em processo industrial pesado, uso de energia e de água em excesso. O que faz mal para o humano faz mal para o meio ambiente. Um ser humano que pratica esporte regularmente, reduz a necessidade de uso de remédios, o que também implica em um processo industrial enorme e gera dependentes químicos. Ter a consciência do limite e do não limite saudáveis, do até onde posso expandir e do até onde devo respeitar o espaço do outro, independente da espécie, assim como, a consciência do “para quê” são fundamentais para o equilíbrio do ambiente. A consciência do relativo e do incerto, diretamente relacionados ao nosso tempo, a nossa proporção, a necessidade do controle do outro e do todo, estão diretamente relacionados a questão ambiental e a sustentabilidade pessoal e a do Planeta. Colocar na rotina um “banho de floresta” ou shinrin-yoku nos integra a essência e a ideia de sustentável. No Japão, é a prática para quem deseja ter contato mais próximo com a natureza ou simplesmente passar um tempo em uma floresta para relaxar, tendo como objetivo o bem-estar físico e mental. DECÍDUA O outono chega Como as outras estações Sem pedir licença Deixa-me nua Ao vento que começa se tornar gélido Correntes que vêm do Sul Vejo-me em tons de marrom Tonalidades secas Vou direto ao chão Camuflo-me com o substrato E não me reconheço mais Em meio ao que fica na superfície Decomponho-me Mantenho o ciclo A fertilidade continua Só penso em entregar-me Angústia diante do processo que se inicia Que ainda não é o pior Desfaço-me Contenho minha energia Vejo todo o plano recolhendo-se O vento é mais forte Sementes aladas completam o que vejo Minha seiva elabora Expele o que é bruto Vou passar nua e inteira Pelo momento adverso Em essência, entendo O que vou expor na primavera Douglas Delmar
- Entrevista com a Poeta Carmen Vervloet
Carmen Vervloet é natural de Santa Teresa (ES). Poeta autodidata, costuma expressar suas emoções e desejos mais profundos através da escrita. Porém, Carmen não se restringe a falar só de si mesma, mas dirige seu olhar para os problemas sociais existentes, buscando enfatizar a importância da paz mundial. Publicou o livro De Mulher Para Mulher - Obrigatório para os Homens e contribui em diversas antologias poéticas do Brasil, compartilhando seus escritos nas redes sociais. ORIGEM Sou de lá onde as montanhas circundam a cidade e as matas se pintam em cor... Sou de lá onde os pássaros revoam por cima de tudo e seus gorjeios são sinfonias para qualquer ouvido... Sou de lá onde o luar revela o brilho do sonho e o sonho se multiplica entre as infinitas estrelas... Sou de lá onde as rosas desabrocham em poemas e a terra do coração é fértil em amor... Sou de lá onde a comida tem cheiro e sabor de infância e faz renascer a menina feliz por um instante... Sou de lá onde soa o sino da igreja matriz anunciando que Deus está presente... Sou de lá daquela terra santa, de céu azul turquesa, sou da minha nobre e bucólica Santa Teresa. 1 – Em sua visão, quem é Carmem Vervloet Carmen Vervloet, uma jovem senhora de 81 anos, com olhos atentos para o momento, sensível, destemida, arrojada, feliz e que continua sonhando e que vê seus sonhos se realizarem um por um, pois em tudo que faz coloca amor e paixão. Uma mulher que preza o respeito e a liberdade. 2 - Como iniciou a sua trajetória pela poesia? Comecei a escrever na adolescência incentivada por minha professora de Português. Nesta época, com doze anos de idade, escrevi meu primeiro poema que se intitulou “O Câncer”, uma homenagem a minha tia e madrinha que havia falecido desta doença. E daí em diante nunca mais parei, pois fiquei perdidamente apaixonada pela poesia. 3 - Muitos dos seus poemas possuem uma abordagem romântica e alegre. Além disso, quais outros temas te inspiram a escrever? Gosto de escrever sobre tudo que me traz o cotidiano, onde a emoção toca, nasce poesia. A preservação do meio ambiente é um assunto que sempre me atrai, além das mazelas do nosso povo tão sofrido, quando gosto de questionar nossos governantes. Atualmente tenho escrito muito sobre o anseio de todos pela paz mundial. 4 - Você nasceu em Santa Teresa (ES), uma cidade riquíssima em cultura, história, belezas naturais e costumes populares. Sua terra natal te inspira de alguma forma? Como? Sim, nasci na bucólica e histórica Santa Teresa. Cresci entre verdes matas, flores multicoloridas e bailarinos colibris e com certeza nunca me afastei de minhas raízes, embora tenha saído de minha terra natal aos onze anos de idade para vir estudar na capital, nossa pequenina ilha de Vitória, (ES), cidade que me adotou com todo o amor e carinho. Ambas as cidades me inspiram, uma com o seu bucolismo, com sua cultura italiana preservada, outra com seu mar tranquilo onde barquinhos navegaram tantos sonhos por mim realizados. Em Vitória vivi toda minha juventude, estudei, trabalhei, casei-me, constituí família e onde vivo até hoje. Tive a felicidade de ter passado minha infância subindo em pés de jabuticaba, correndo entre canteiros de flores, cercada de muito afeto e amigos em Santa Teresa e depois vivido minha juventude nesta ilha linda onde desabrochei para a vida e plantei sementes. POESIA Desde sempre guardada nas minhas entranhas Como um gorjeio sutil de pássaro nas madrugadas Vem das nuvens dos céus por trás das montanhas Meu destino coberto por suas coloridas pinceladas. Em seus versos delicados eu me entrego totalmente Há um ritmo divino em seus amorosos compassos Encontro partículas de Deus em suas sementes E definitivamente enleada caio em seus braços. Liberto em seus fonemas os sentimentos represados Como pétalas de flor feitas de sedas e fragilidades Revelo ao mundo meus segredos mais guardados Semeando em solo fértil a humana realidade. Porque não sou eu que escrevo e sim o coração E ele pela poesia transborda toda sua infinda emoção O amor que tem pela vida e tudo que ela oferece E escreve como se estivesse fazendo à Deus uma prece. 5 – Para se escrever bem, é necessário ler bem também. Partindo disso, quais autores você mais gosta de ler? Algum deles influenciou na sua escrita? Gosto muito de ler e sempre tenho uma pilha de novos livros à minha espera. Leio autores de muitas nacionalidades diferentes, dos portugueses amo Florbela Espanca, Fernando Pessoa, Maria Teresa Horta, José Saramago, Eça de Queiroz e muitos outros. Creio que sempre sofremos influências de todos os autores lidos, cada um com sua peculiaridade. Cada leitura é a abertura de um novo horizonte sob a ótica daquele autor com a qual podemos ou não concordar, mas não me vejo influenciada por nenhum em especial. 6 - Você já lançou o livro De Mulher para Mulher - Obrigatório para os Homens e participou de algumas antologias poéticas. Fale-nos um pouco sobre suas obras. Pretende publicar um novo livro? Sim, participei de muitas antologias em vários Estados brasileiros, na maioria das vezes com poemas selecionados em concursos ou convidada pelos organizadores daquelas antologias. Quanto ao meu livro De Mulher para Mulher – Obrigatório para os Homens, é um livro que fala do universo feminino, da mulher e seus amores, suas decepções, da mulher mãe, avó, amiga, companheira, da mulher e seu cotidiano e seu olhar sobre a vida, sobre o mundo. Por isto coloquei o subtítulo Obrigatório para os Homens, para que chamasse a atenção deles sobre este universo tão rico e subjetivo. Já estou, sim, selecionando poemas para um próximo livro, ainda sem data para ficar pronto. 7 – Eu soube que você viajou para alguns países da Europa. Conte-nos como foi essa experiencia. Gosto muito de viajar, afinal sou uma sagitariana sempre com a mala na mão, tenho conhecido muitos países da Europa e das Américas. Não conheço nada do Oriente, mas ainda pretendo conhecer, se Deus me permitir. Nesta última viagem fui apenas a Portugal e à Itália, dois países onde respiramos história, cultura, dois museus a céu aberto. Quando viajo gosto de conhecer os lugares frequentados por seus habitantes, ver de perto como aquele povo vive, gosto de conhecer os museus, as igrejas, os restaurantes, suas praças, seus locais de diversão, caminhar pelas ruas, descobrir os anseios de cada povo. E posso garantir que esta minha última viagem cumpriu todas as minhas expectativas, foi realmente muito proveitosa e gratificante. 8 - Infelizmente, a leitura de poesia não faz parte do cotidiano de muitas pessoas. Na sua opinião, como poderíamos incentivar (não só a poesia, mas por outros gêneros literários) esse gosto pela leitura? Creio que tudo na vida passa pela educação e se os pais, as escolas e os ativistas culturais não cumprirem este papel, incentivando desde os primeiros anos nossas crianças, nada de diferente vai acontecer, o que é muito triste, já que a internet oferece tantas outras possibilidades de distração, que a leitura sempre fica para segundo plano ou nem existe. Também os governos têm que cumprir sua parte oferecendo oportunidades para todos. Agradeço a você a oportunidade desta entrevista e o parabenizo por estar divulgando a poesia sempre tão esquecida. UM GRITO POR PAZ Amplas ruas, altos muros, tristes dias... A alma se desespera, mas o coração é humilde. A mente procura cultivar os momentos de alegria O corpo cansado de guerras se tomba em apatia. Desperta corpo cansado e vá à luta por paz Grita para o mundo que o amor é o senhor Na reciprocidade que o bem sempre leva e traz Limpe o sangue inocente derramado pelo açoitador. A sorte que nos espera não é nada auspiciosa Afinal todos somos feitos da mesma frágil argila Somos filhos desta mesma terra sempre generosa Vamos ficar atentos para onde o gemido sibila. Só o amor seca o sangue das horas violentas e tristes Paz, empatia, reciprocidade jamais tem dedo em riste. Fotos: Arquivo pessoal Douglas Delmar
- Entrevista: Karene Vilela, da Câmara Portuguesa de Comércio de São Paulo
“Portugal é, com certeza, o país na Europa que tem a forma de interagir e pensar nos negócios mais parecida com a dos brasileiros”, defendeu Karene Rodrigues Vilela, presidente da Câmara Portuguesa de Comércio de São Paulo. A Câmara Portuguesa de Comércio de São Paulo, no Brasil, conta com uma nova liderança. Após a saída de Nuno Rebelo de Sousa, a presidência da entidade passa a ser ocupada por Karene Rodrigues Vilela, brasileira, de 37 anos, CEO da Portus Cale, formada em Propaganda e Marketing e detentora de pós-graduação em business. Com origem nos Açores, esta empresária é ainda enófila e tem à frente um grande trabalho numa das instituições de maior conexão entre Brasil e Portugal, que conta hoje com cerca de 550 associados em vários setores da economia. Karene afirma estar ligada à Câmara Portuguesa “há muitos anos por meio da empresa na qual estou à frente hoje - a Portus Cale”, uma importadora de vinhos com foco em Portugal, “o que me fez ficar cada vez mais próxima da Câmara por questões comerciais”, há cerca de uma década. Desde 2020, atua como conselheira nessa Câmara, tendo, em 2023, sido eleita vice-presidente. Alcançou maior protagonismo na entidade ao liderar o Comité de Mulheres e Cultura, onde realizou “muitos eventos interessantes”. Para perceber os caminhos que pretende seguir nesta nova jornada associativa e empresarial, numa das mais importantes Câmaras Portuguesas do mundo, conversamos com Karene Vilela, que destacou os projetos nos quais está a trabalhar, ressaltou o esforço da entidade na interação comercial entre Brasil e Portugal, sublinhou aspetos comerciais e de relação entre os dois países e mencionou que papel pretende desempenhar sendo uma líder, no feminino, neste novo cargo. Como vê a sua chegada à Presidência da Câmara Portuguesa de Comércio de São Paulo? Vejo como um grande statement da Câmara. A nossa Câmara sempre respeitou muito as tradições, mas teve sempre um DNA de muita inovação. Na pandemia, destacou-se entre as câmaras europeias, liderando eventos on-line e realizando muitas atividades no ambiente digital, mesmo com todas as dificuldades que o mundo viveu. Estar na presidência hoje demonstra que a Câmara quer passar uma mensagem de juventude, diversidade, futuro, mas nunca esquecendo os passos que já trilhamos para chegarmos até aqui. O facto de ser uma mulher a gerir uma das principais Câmaras de Comércio portuguesas no mundo, que responsabilidades lhe traz? Eu vejo que o papel de presidente da Câmara deveria ser igual para qualquer género, raça e orientação. No entanto, é inegável que nós, mulheres, precisamos nos provar pelo menos duas vezes mais para estarmos na posição em que estamos. O machismo estrutural é silencioso, mas implacável. Estar como presidente da Câmara hoje tem o bônus de abrir portas para mais mulheres seguirem os meus passos no futuro. No entanto, sei que o holofote e a pouca margem para errar são o destino de uma mulher em uma posição como esta. Vou dar o meu melhor para que os acertos sejam portas abertas para mais mulheres pertencerem e que os erros não sejam motivo para generalizar quem somos como mulheres. Qual a sua ligação a Portugal? A minha ligação começou com os vinhos e foi em Portugal que comecei a minha carreira vínica. Depois de alguns anos, descobri os meus antepassados que habitaram os Açores e, cada dia mais, descubro mais ligações com a terrinha. Como avalia a conexão entre Brasil e Portugal do ponto de vista comercial e económico? Brasil e Portugal, na minha opinião, sempre tiveram e sempre vão ter uma conexão comercial forte. Temos a cultura e a língua muito similares. Além disso, ambos os países têm um capital intelectual importante para aportar nas relações comerciais bilaterais. Que papel tem desempenhado, neste sentido, a Câmara Portuguesa de São Paulo? Atualmente, tenho investido bastante na autonomia dos comités de trabalho da Câmara. Temos comité de relações internacionais, jurídico, mulheres e cultura, associados, e a ideia é começarmos um comité de novos negócios que esteja focado no desenvolvimento das relações bilaterais entre os dois países. As interações que a Câmara já faz entre os associados já geraram centenas de negócios entre empresas brasileiras e portuguesas e o objetivo é continuarmos o bom trabalho que já estava sendo bem feito. Que áreas de negócio são, neste momento, de importante atenção para os empresários portugueses que desejam investir no Brasil? Sem dúvida alguma, a transformação digital e a economia verde. Existem milhares de oportunidades entre startups portuguesas e brasileiras, e muitos investimentos no setor de energias renováveis, economia circular e o futuro da economia verde. No caminho contrário, que interação cria a vossa Câmara entre o mercado brasileiro e o português? Muitas indústrias (farmacêutica, pet, alimentos, saneantes) procuram Portugal como porta de entrada para os seus produtos na Europa. Testar produtos brasileiros em Portugal para depois escalar para toda a Europa é uma prática comum para a indústria, uma vez que pode contar com a língua, dimensão do tamanho e entendimento mais prático das legislações. Que agenda pretende implementar agora que está a liderar a entidade e que ações estão previstas para os próximos meses? Quero incluir na nossa agenda mais espaço para as startups e trazer mais transformação digital e IA para as nossas pautas. Estamos vivendo um momento único de revolução na forma de trabalho e de como fazer negócios e pretendo deixar os nossos associados mais informados sobre essa revolução que estamos vivendo. A diferença da cultura empresarial entre Brasil e Portugal tem colocado dificuldades no processo de investimento mútuo entre os empresários das duas nações? Com certeza existem algumas diferenças culturais entre os brasileiros e os portugueses, mas eu ouso dizer que Portugal é, com certeza, o país na Europa que tem a forma de interagir e pensar nos negócios mais parecida com a dos brasileiros. Temos milhares de brasileiros vivendo em Portugal e o mesmo acontece aqui - milhares de portugueses empreendendo no Brasil. Hoje, vejo pouca dificuldade cultural para empreendermos juntos. Onde existe respeito e admiração mútua, as dificuldades são mais facilmente ultrapassadas e o que vejo entre Brasil e Portugal é isso: respeito e admiração, apesar de problemas isolados que às vezes são noticiados. Qual a vossa relação com as demais Câmaras portuguesas no Brasil e com a Federação das Câmaras no país? Somos bastante próximos e trabalhamos constantemente juntos. A Federação abre portas para discussões e soluções comuns. Com certeza, existem associados nossos que fazem parte de outras câmaras portuguesas no Brasil por conta dessa interação constante. E quem é Karene Vilela? Enófila por paixão, Karene Vilela (@kvilela) é publicitária formada pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). Imersa nos vinhos pela ABS (Associação Brasileira de Sommeliers) e sommelier formada pela Court Master Sommelier (@court_of_ms_europe). É detentora do título DipWSET (Nível 4 da escola Wine & Spirit Education Trust @wsetglobal), certificada pela Wine Scholar Guild (SWS, IWS e FWS) e CEO da Portus Cale (@portuscalevinhos). Além disso, é sócia idealizadora do projeto Got Wine? (@gotwinesp) e educadora da WSET na The Wine School Brasil (@thewineschoolbrasil). Atualmente, é uma das poucas brasileiras a ser aceita e se tornar estudante do Instituto Master of Wine (@masterofwine). Por fim, de que forma pretende atuar junto da Câmara e desenvolver ações concretas de aproximação empresarial entre Brasil e Portugal? A minha atuação vai ser marcada por muita cooperação e protagonismo de quem mais importa para nós, que é nosso associado. Vejo a minha atuação com muita colaboração e empenho de todos para que as relações de negócios aconteçam propriamente. Ígor Lopes
- Carlos Eduardo Drummond apresentou “Tempos Modernos” no Rio de Janeiro
O escritor e pesquisador brasileiro Carlos Eduardo Drummond, que mantém interação com o público português no campo da literatura, apresentou, no dia 9 de maio, no Auditório da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, Brasil, o livro “ Tempos Modernos – o Rio metrópole, a Exposição de 1922 e a Incrível história do Palácio que desapareceu durante a Ditadura Militar ”. Um grande público esteve presente para conhecer mais uma obra deste autor já consagrado no Brasil, que explica, no âmbito da sua pesquisa literária, que durou três anos, os contornos que levaram à demolição de um ex-libris da arquitetura e da cultura carioca e brasileira, uma decisão influenciada pela Ditadura na qual estava “mergulhado” o país nessa altura. O livro, editado pela Litteris, conta com 12 capítulos e 296 páginas que percorrem um arco de tempo partindo da aquisição do território da Louisiana — comprado pelos EUA da França, em 1803 — e vai até a polémica demolição do Palácio Monroe, no Rio de Janeiro, em 1976, lançando luz em muitos eventos históricos entre uma ponta e outra, no Brasil e no mundo. Episódios que remontam no Rio de Janeiro no início do século XX, em pleno processo de modernização da cidade, com as obras da grande reforma urbana do prefeito carioca Pereira Passos em andamento, esse Pavilhão brasileiro, o referido Palácio Monroe, finalmente ganhou o seu nome definitivo em homenagem ao presidente norte-americano James Monroe, idealizador da famosa doutrina “A América para os americanos”. Em declarações à nossa reportagem, Carlos Drummond explicou que “a ideia do livro nasceu em 2007, quando cursava uma Pós-Graduação em Relações Internacionais. O primeiro ímpeto foi escrever um livro sobre o Barão do Rio Branco. Anos depois essa ideia foi abandonada e, no lugar dela, cresceu o desejo de pesquisar sobre o período fascinante abordado no livro, que inclui a tradição de montar grandes exposições, egressa do período industrial europeu e norte-americano, além da própria experiência brasileira de 1922 e, sobretudo, a indigesta demolição do Palácio Monroe”. “Eu sempre me encantei pelo universo das grandes exposições. Ao mesmo tempo, me junto ao coro daqueles que não se conformam com a demolição do Palácio Monroe. Abordar tudo no mesmo contexto, com uma clara correlação entre os temas relacionados, é um dos grandes méritos do livro. Especialmente o caso do Monroe é um tema que precisa ser lembrado de forma permanente. Mais do que ser lembrado, o erro pela demolição do Palácio precisa ser reparado. Gerações vêm sendo privadas desse bem público de imenso valor histórico e ninguém até hoje realizou qualquer compensação. Em algum momento, esse Palácio precisa ser reconstruído”, defendeu este escritor, que sublinhou que, na sua pesquisa, “percebi que não daria para contar a história do Palácio Monroe sem voltar no tempo para explicar a origem das Exposições Universais, grandes vitrines da modernidade que vinham sendo montadas na Europa e nos EUA, numa época em que o Brasil ainda não tinha se convertido em República, tampouco abolido totalmente a escravidão no seu território. A existência do Palácio Monroe se insere nesse contexto, pois a sua primeira versão serviu de Pavilhão Oficial do Brasil na Exposição Universal de Saint Louis (EUA), em celebração ao centenário da compra do território da Louisiana, onde recebeu um prémio”. Carlos Drummond conta que o livro demorou cerca de três anos para ser finalizado, de 2019 a 2021, já que a investigação exigiu o rastreamento de documentos raros em instituições de pesquisa e memória, no Brasil e no estrangeiro. Uma representante do Bureau International des Expositions (Paris – França) e o presidente da 1904 World’s Fair Society (Saint Louis – EUA) foram alguns dos colaboradores, além do norte-americano Jerry Miller, colecionador de itens da Feira de Saint Louis, que forneceu uma foto da sua coleção que está no livro. “Outro desafio foi dar andamento às pesquisas durante a Pandemia, com as muitas restrições impostas para a sociedade. Mas o resultado valeu a pena. Além de sustentar os factos narrados ao longo dos capítulos, o montante apurado enriqueceu o conteúdo do livro com informações curiosas e consistentes, além de uma rica iconografia (por volta de 150 imagens), que inclui fotos raras, como a série da construção do Pavilhão Brasileiro em Saint Louis, localizada nos EUA, com ajuda dos norte-americanos. Outro importante achado da pesquisa saiu do mergulho no arquivo Geisel, da Fundação Getúlio Vargas. Uma das atas das reuniões confidenciais do início dos anos 1970 revela que o presidente brasileiro Geisel fomentou uma campanha secreta, nos jornais da época, para criar artificialmente na opinião pública o desejo de demolir o Palácio Monroe. Mais uma herança funesta da Ditatura que vem a público no ano em que o golpe completa 60 anos. Essa informação sequer consta do volumoso processo do IPHAN que contém a farta documentação oficial produzida na época e que também foi esmiuçada por mim”, esclareceu este pesquisador. O autor afirma que, sobre as novidades que o trabalho apresenta ao público, destaca-se a história do Palácio Monroe e o rico contexto histórico em que estava inserido. “Revelo também fotos inéditas da construção do Pavilhão Brasileiro em Saint Louis (1903-1904) que foi a primeira versão do Palácio. Acerca da demolição, além de contar os debates intensos ocorridos nos bastidores, revelo uma informação crucial para que constatemos que a demolição do Palácio foi uma ilegalidade: a criação de uma campanha artificial por parte do Governo Geisel, com a conivência da imprensa da época, visando fomentar no imaginário da população que o Palácio deveria ser demolido. A cópia da ata da reunião confidencial sobre o assunto, localizada nos arquivos Geisel da Fundação Getúlio Vargas, é reproduzida no livro. Pautas raciais também são abordadas na obra, como a “Revolta da Chibata” e as muitas demonstrações de preconceito da elite mundial durante as Exposições Universais que, em tese, deveriam celebrar uma modernidade para ser desfrutada por todo mundo, em todos os sentidos”, revelou Drummond. Segundo o historiador João Daniel Almeida, que apresentou o livro no evento na cidade maravilhosa, em maio, “Carlos Eduardo Drummond reconstrói a história das Exposições Universais, desde 1851, em Londres, até 1922 no Rio de Janeiro, sem deixar de lembrar que, concomitantes às exposições, ocorriam até mesmo olimpíadas”. Segundo apurámos, a editora está a preparar uma programação para a apresentação da obra e do autor em futuras feiras literárias. São Paulo é um dos destinos na lista de futuras possíveis apresentações. Enquanto isso, a obra pode ser comprada em www.litteriseditora.com.br , uma versão e-book estará disponível em breve. “O livro cumpre o que promete. As muitas especulações e lendas que envolvem a história do Palácio Monroe são esclarecidas ao longo da obra, sobretudo no capítulo 12 (Monroe – a derrota), que é o momento mais dramático do livro. Nele, revelo nomes de heróis e vilões dessa história, e conto em detalhes todo embate ocorrido nos bastidores que culminou com a infeliz demolição do Palácio Monroe. Além disso, revele informações inéditas de movimentos realizado nas “sombras” que tinham o objetivo de legitimar algo que a população jamais aprovaria”, finalizou Drummond. O percurso do autor Além de escritor, Carlos Eduardo Drummond é também poeta e compositor, com grande ligação ao samba brasileiro e carioca. Trabalha na Fundação Nacional de Artes, uma entidade do governo brasileiro ligada ao Ministério da Cultura, e é conhecido também por ser autor do livro CAETANO - uma biografia, escrito em parceria com Márcio Nolasco. Um trabalho lançado em maio de 2017, sobre a vida e obra de Caetano Veloso, o mais Doce Bárbaro dos Trópicos, lançado no Rio de Janeiro, tronando-se na primeira biografia não-autorizada no Brasil, depois da decisão da Suprema Corte do país. Entre outros prémios literários, conquistou em 1996 o primeiro lugar no "Concurso Nacional de Contos e Poesias Poeta Nuno Álvaro Pereira", da Editora Valença. Em setembro de 2023, por iniciativa do vereador Vítor Hugo, recebeu da Câmara dos Vereadores da Cidade do Rio de Janeiro, uma "Moção de Congratulações e Aplausos", pelos relevantes serviços prestados à população do Rio de Janeiro, em prol da arte e da cultura do Samba. Ígor Lopes
- Ana Mendes Godinho defende: “Queremos mesmo que Portugal seja o melhor país para viver e trabalhar”
Nesta reta final da XV Legislatura, Portugal discute temas que preocupam os portugueses, como o desemprego, os apoios sociais existentes, as oportunidades de empregabilidade, a ajuda aos mais vulneráveis, o fluxo migratório para fora e para o País, mas também sobre os avanços que aconteceram, num exercício de reflexão para os próximos anos. Uma das pastas que atua diretamente com estes temas é o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social de Portugal (MTSSS), que tem apresentado resultados num campo em que os portugueses exigem cada vez mais ação governativa. Para entender o trabalho feito nos últimos meses, conversamos com Ana Mendes Godinho, ministra do MTSSS, que explicou como avalia a sua gestão à frente desta pasta, aponta o que mudou, sublinha as suas maiores preocupações e ressalta o papel de Portugal como país de acolhimento, mas, também, com o olhar focado para quem decide voltar a viver no país através do Programa Regressar. Qual a relevância dos cidadãos portugueses emigrados no contexto da Segurança Social? Qualquer cidadão português sabe que pode contar com a Segurança Social, onde quer que se encontre. Tendo em conta a mobilidade de trabalhadores, dentro e fora da União Europeia, Portugal tem tomado medidas para que todos beneficiem de um sistema de proteção social que é público e universal. O foco essencial é a garantia dos direitos adquiridos em casa país de trabalho na conciliação de uma carreira contributiva, com base na qual o trabalhador terá direito à sua pensão de reforma. Portugal tem reforçado a atenção a estes seus cidadãos. Uma das medidas com maior impacto, no último ano, foi a criação da figura do Adido da Segurança Social, a trabalhar em embaixadas ou postos consulares junto das maiores comunidades emigrantes. São quadros da Segurança Social que passam a garantir o acompanhamento de proximidade dos trabalhadores portugueses emigrados, nomeadamente para os sistemas em matéria contributiva para efeitos de aposentação. Já foram colocados adidos em Berlim, Berna, Londres, Luxemburgo, Newark e Paris, num processo que é para ser alargado progressivamente a outras partes do mundo. Esta mesma questão coloca-se em relação aos migrantes estrangeiros que chegam a Portugal. Como esse público está a auxiliar nas contas da Segurança Social? Não olhamos para os trabalhadores estrangeiros, nem para nenhum trabalhador, como números. Os trabalhadores estrangeiros legalmente autorizados a exercer uma atividade profissional em território nacional gozam dos mesmos direitos e estão sujeitos aos mesmos deveres que os trabalhadores portugueses. O que Portugal garante, a quem contribui para a Segurança Social, é um regime de proteção baseado num contrato social. São as contribuições dos trabalhadores que asseguram direitos, como o apoio à maternidade, o Abono de Família para crianças e jovens. Também salvaguardam a proteção em caso de doença ou desemprego. E, no final de uma vida de trabalho, a pensão de reforma é calculada em função da carreira contributiva. Dito isto, a importância dos trabalhadores estrangeiros é crescente. São aproximadamente 720 mil e representaram em 2023 cerca 11% das contribuições para a Segurança Social. Como explica o processo de integração desses migrantes em Portugal, do ponto de vista do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social? Portugal pugna por uma imigração com direitos, num combate sem tréguas à precariedade e na rejeição absoluta de todas as formas de indignidade e exclusão. Esta é a nossa preocupação primordial. As ações desenvolvidas têm em vista compatibilizar este princípio com a necessidade de trabalhadores, em muitos setores de atividade. É essencial que a procura de trabalhadores e a procura de trabalho sejam processos com a maior conciliação possível entre a oferta e a procura. Nesse sentido, o acordo de mobilidade de trabalhadores da Comunidade de Países de Língua Oficial Portuguesa, celebrado em 2021, é um instrumento poderoso, que tem vindo a ser progressivamente ratificado pelos estados-membros. E há outra medida com enorme impacto nesta nossa política de integração plena de trabalhadores oriundos do estrangeiro. Em 2023 o Governo colocou, pela primeira vez, Adidos dedicados às questões do trabalho e à mobilidade de trabalhadores em quatro países: Cabo Verde, Timor-Leste, Marrocos e Índia. Estes novos Adidos têm como missão estabelecer pontes de contacto entre as empresas portuguesas e as comunidades locais, para atrair e simplificar a vinda de Trabalhadores para Portugal, de forma regular e digna. Concretamente em Timor e em Cabo Verde, os Adidos têm ainda a missão de promover investimento na formação, nos países de origem, para garantir a capacitação e valorização dos trabalhadores. O Governo português tem realizado iniciativas e aprovado programas que visam auxiliar no retorno dos portugueses ao país. Que medidas concretas existem e como será possível “dizer” a estes cidadãos que Portugal é, hoje, um local diferente daquele país que os motivou a emigrar? O Programa Regressar tem exatamente este objetivo: apoiar os emigrantes, bem como os seus descendentes e outros familiares, de forma que tenham melhores condições para voltar a Portugal e para aproveitar as oportunidades que hoje existem no nosso país. Está no terreno desde 2019 e foi prorrogado até 2026, porque se revelou um programa de sucesso. Envolve todas as áreas governativas e inclui medidas concretas como um regime fiscal mais favorável para quem regressa, um apoio financeiro para os emigrantes ou familiares de emigrantes que venham trabalhar para Portugal e uma linha de crédito para apoiar o investimento empresarial e a criação de novos negócios em território nacional, entre outras. Até ao momento, já apoiou o regresso de mais de 20 mil pessoas a Portugal. Suíça, França, Reino Unido e Brasil são os países de emigração de onde provém a maior parte destes novos residentes. Quais as taxas de desemprego e de empregabilidade no país? Portugal tem, neste momento, um máximo histórico de população empregada, que ultrapassa os cinco milhões de trabalhadores. O desemprego estabilizou em mínimos do século, nos 6,5%. Isto apesar de termos atravessado uma pandemia e estarmos ainda a sofrer os efeitos da inflação. O nosso foco foi a proteção do emprego e a valorização dos salários. Resultado de políticas públicas diferentes das que foram adotadas em resposta à crise financeira global, há uma década, quando o desemprego em Portugal chegou ao 18%. Qual o papel do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) neste cenário? Como os estrangeiros e os portugueses que retornam podem aceder a este serviço público? Um papel essencial e determinante. O Instituto do Emprego e Formação Profissional tem como missão promover a criação e a qualidade do trabalho e combater o desemprego, através da execução das políticas ativas de emprego e formação profissional. Todas as políticas públicas de apoio ao emprego são geridas pelo IEFP, que desenha também soluções à medida de setores e necessidades específicas do mercado de trabalho. É um serviço público acessível e de proximidade, com estruturas descentralizadas em todo o território nacional e que articula diretamente com os já referidos Adidos de Trabalho colocados em várias representações consulares. Este é também o serviço ao qual os cidadãos estrangeiros devem dirigir-se, se pretenderem entrar e permanecer em Portugal para procurar trabalho. Antes de pedirem o visto de entrada, os cidadãos de um estado terceiro (fora da União Europeia) devem efetuar a manifestação de interesse e inscrever-se na área identificada para o efeito no portal do IEFP. Que medidas estão a ser implementadas para dar respostas à população sem-abrigo no país? Portugal lançou uma estratégia nacional de prevenção e intervenção, centrada nas pessoas em situação de sem-abrigo, para garantir que ninguém tenha de permanecer na rua por ausência de alternativas. Nos últimos anos, ganhámos uma maior consciência social do fenómeno. Como sociedade, estamos hoje muito mais sensíveis e atentos à questão das pessoas em situação de sem-abrigo e melhorámos o diagnóstico. Uma das ações mais importantes foi garantir que todos os concelhos do país fizessem um levantamento de situações. Com este trabalho, passámos a ter uma visão de conjunto, envolvendo também os municípios, o que fez com que se conhecessem mais casos. Mas não necessariamente novos casos. Com esta articulação e proximidade, aumentámos os núcleos de intervenção em todo o país. Mesmo com uma pandemia, desde 2020 saíram da condição de sem-abrigo mais de duas mil pessoas e conseguimos quase 500 novas colocações no mercado de trabalho, além de termos garantido mais de mil novas vagas em respostas de habitação, como o programa Housing First e os apartamentos partilhados. E é de assinalar que, em 2022, as maiores áreas metropolitanas (Lisboa e Porto) registaram uma redução dos casos de pessoas sem-abrigo. Até 2026, com financiamento do Plano de Recuperação e Resiliência, vamos reforçar significativamente as soluções de alojamento de emergência ou temporário. Em termos laborais, muitos dos problemas que afastam os jovens portugueses de Portugal e do mercado de trabalho no país, segundo este mesmo público, são a pouca valorização de quem precisa ingressar no mercado de trabalho, os baixos ordenados e a precariedade laboral… Como combateu este cenário? Nós queremos mesmo que Portugal seja o melhor país para viver e trabalhar. Nesse sentido, a valorização dos jovens no mercado de trabalho tem sido um objetivo crítico, e com resultados. Nos últimos oito anos, o número de jovens até aos 30 anos a trabalhar em Portugal aumentou 45% e o ganho médio desses jovens aumentou quase 50%. De 2022 para 2023, foi entre os jovens que o emprego mais cresceu. Há medidas ativas de apoio ao emprego que valorizam a contratação de jovens. Dou como exemplo o Programa Avançar, que apoia a contratação de jovens qualificados sem termo, com um salário mínimo garantido próximo dos 1.400 euros e com uma bolsa de autonomização para o jovem, no primeiro ano, de 150 euros mensais. As empresas têm redução ou até mesmo isenção dos custos contributivos. Portugal está empenhado em reter, valorizar e atrair talento. Cada vez mais o mundo do trabalho é aberto e global e os trabalhadores decidem as suas opções em função da forma como são valorizadas. Os jovens ficam onde se sentem bem e têm oportunidades. A mensagem que queremos passar é que há boas razões para ser jovem trabalhador em Portugal. As creches são gratuitas. Os estágios são pagos. Os direitos dos trabalhadores são respeitados. Estudar recompensa. Os salários crescem. A inovação é valorizada. Novas formas de trabalho são acolhidas. Sobre a Agenda do Trabalho Digno, o que prevê exatamente? A Agenda do Trabalho Digno é um poderoso instrumento, muito focado na valorização dos jovens no mercado de trabalho e no combate a todas as formas de precariedade. Fixa um conjunto de 70 medidas, já com forte impacto. Dou como exemplo a regulação das relações de trabalho nas plataformas digitais. Ou a obrigatoriedade de contrato declarado à Segurança Social no serviço doméstico. Ou a promoção da igualdade salarial entre géneros. Ou o fim dos estágios não remunerados. Ou a limitação do número de contratos a termo. Ou o combate ao falso trabalho independente. Ou a proibição de recurso ao outsourcing, durante um ano, após despedimento na mesma área. Ou o direito a desligar e a proibição de contactos fora do horário de trabalho. É uma agenda transformadora, que colocou Portugal também na vanguarda de novas formas de trabalho. Refiro-me à experiência-piloto em que 41 empresas, envolvendo mil trabalhadores, aderiram à semana dos quatro dias. Os resultados foram extraordinários, com ganhos evidentes em termos de produtividade e conciliação entre a vida pessoal, familiar e profissional. O Interior de Portugal tem sido bastante procurado por estrangeiros e lusodescendentes para a sua “nova morada”. Alguns chegam mesmo para investir. Como o seu ministério atua na promoção desse território, fora dos grandes centros, em termos de oferta laboral e incentivos? Há distritos no Interior do país onde não só o emprego tem vindo a subir como os salários estão a crescer acima da média nacional. Bragança, Viseu e Guarda são disso exemplo. Na Guarda e em Viseu o aumento do salário médio de 2015 para 2023 foi superior a 42 por cento. Há indústria, há tecnologia, há inovação. E isso gera emprego qualificado e grande procura de talento. Em todas as medidas de apoio à criação de emprego passámos a promover uma majoração em função da localização territorial. Quem abre uma empresa no Interior, quem cria postos de trabalho no interior, quem contrata no interior e quem se desloca para trabalhar no interior beneficia de uma discriminação positiva. Mas há uma medida que quero destacar: o programa Emprego Interior Mais. Temos, neste momento, sete mil pessoas abrangidas, incluindo o seu agregado familiar. Há alguns concelhos no Interior do país que não têm sequer esta população. Ter já a capacidade de atrair sete mil pessoas revela o quanto é importante continuarmos a promover políticas de discriminação positiva para apoio à fixação e à valorização de pessoas fora dos grandes eixos metropolitanos. Nos apoios para trabalhar no Interior existem majorações específicas para ajudar na deslocação de membros do agregado familiar e até para a deslocação de bens para a nova habitação. O Interior é oportunidade, é qualidade de vida, é uma vasta e riquíssima expressão de valores, causas e capacidades. Que balanço faz da sua gestão à frente do Ministério? Um balanço muito positivo naquilo que entendo ser a missão: melhorar a vida das pessoas. O emprego aumentou, o desemprego baixou e os salários cresceram. O salário mínimo teve um aumento de 62% desde 2015 e, apesar disso, o seu peso no conjunto dos salários diminuiu. Há mais população empregada, com maior remuneração média e melhores direitos. As pensões de reforma aumentaram acima da inflação. Os apoios sociais não deixam ninguém, em situação de vulnerabilidade, para trás. Atravessámos a pandemia, que foi o maior embate das nossas vidas. Mas é recompensador lembrar que apoiámos 2,3 milhões de pessoas e 152 mil empresas. Salvámos empregos, mesmo com a economia parada. A gratuitidade das creches é sem dúvida a grande medida que destaco. Promove a igualdade desde os primeiros anos. Ninguém terá diferentes oportunidades em função do berço. Isto é absolutamente transformador em termos de incentivo à natalidade, da libertação das Mulheres para o mercado de trabalho e da promoção da educação universal e gratuita desde a infância. Estamos a investir no futuro talento do nosso país. A Agenda do Trabalho Digno e o Acordo de Rendimentos são outros instrumentos poderosos, construídos em diálogo social, de que me orgulho. O combate à pobreza, principalmente à pobreza infantil, é outra das batalhas em curso. Assim como a aposta na valorização da economia social, a economia do cuidado, que emprega 300 mil pessoas em todo o país. Uma força de trabalho essencial na prossecução da Estratégia Nacional para o Envelhecimento Ativo e Saudável, que nos coloca mais uma vez na dianteira da resposta aos desafios demográficos. Tudo isto com um trabalho profundo de modernização e simplificação da Segurança Social, que é hoje mais rápida, mais próxima e mais eficiente na relação com o cidadão. Anos, meses e dias intensos, mas que valem a pena. Estamos a fazer a diferença na vida das pessoas. Ígor Lopes Jornalista, escritor e social media entre Brasil e Portugal. Licenciado em Comunicação Social, na vertente Jornalismo, pela FACHA Brasil; Mestre em Comunicação e Jornalismo pela Universidade de Coimbra; Especialista em Gestão de Redes Sociais e Comunidades para Jornalistas pela Universidade de Guadalajara; Especialista em Comunicação Mediática Contemporânea pela Universidade de Santiago de Compostela e Doutorando em Ciências da Comunicação pela Universidade da Beira Interior. Foi professor convidado de MBA em Hard News nas Faculdades Integradas Hélio Alonso (FACHA Brasil).
- Entrevista com o Poeta Português António Alves
(Fotos - Arquivo Pessoal) António Miguel Rosa Alves, Escritor e Poeta autodidata, é natural de Lisboa, Portugal. É na poesia que António mostra sua visão do mundo, exaltando o amor e a humanidade em sua essência mais íntima. Já possui quatro livros publicados e contribuiu para diversas antologias poéticas. Confira a entrevista concedida por esse poeta das terras portuguesas e conheça um pouco da sua belíssima trajetória literária! 1 - Como despertou a sua paixão pela poesia? Não lhe chamaria paixão, amor sim e esse nasceu por dom à nascença. Naturalmente foi-se desenvolvendo ao longo da vida, mas esteve lá sempre, na alma como uma voz que que necessita de se exprimir e partilhar com o mundo o que sente. No meu caso, em forma de poesia, arte metafórica de uma forma que possa ser assimilada por qualquer pessoa dentro da sua vivência. Costumo afirmar que a arte, qualquer delas, é a maior forma de expressão, pois parte de um mundo dentro das suas vivências e é assimilada por outros mundos, moldando-se a esses também, de acordo com as suas vivências. 2 - Cada poeta tem seu modo de sentir o mundo, expressando através da escrita as sensações que dominam seu coração. E de onde você busca inspiração para criar seus versos? Precisamente aos sentimentos. E esses são formados na base da minha essência, da forma como sinto e interpreto tudo e todos, numa constante inquietação da alma que sente de forma mais intensa e sensível cada pormenor da vida e tudo o que a rodeia, sendo algo natural e necessário ao meu equilíbrio emocional. SINTRA, MINHA CIDADE Na tua costa acolhes o oceano é teu o vento norte, saciando em gotas de orvalho, luxuriante fauna, adornando palácios e castelo, que a bruma tenta guardar para si, memórias de tesouros encantados Do teu ar respiraram os maiores poetas, escritores, és terra de amores, assolapadas paixões és Sintra, por ti, foi trocado o trono, pelos braços de uma amante, vivendo amor real em ninho de sonhos. Por riachos e cascatas descem águas de paixão, contornando as mais belas obras da criação humana, saciando desafortunados do amor, dando estas águas vida a eternos amores. Em ti eu nasci, encarnei alma de poetas, bebi das tuas águas, tornei-me um eterno amante das coisas belas, romântico como tu ó Sintra, bela, das mais belas maravilhas, fruto da humanidade. 3 - Dizem que a escrita é uma necessidade do poeta, para dar voz aos sentimentos humanos. E para você, qual é a importância da poesia? Efectivamente o que acabei de escrever anteriormente, é uma necessidade de alimentar a alma como o pão alimenta o corpo. A poesia e toda a arte no geral quando é utilizada somente no seu propósito de expressão de sentimentos, abre portas fechadas no subconsciente de outras pessoas, emoções que sentem, mas não tem forma de as exprimir e como sementes abrindo linhas de pensamento para que cada pessoa possa refletir e descobrir o seu dom de vida porque entendo que todas as pessoas são estrelas de ímpar brilho, não existindo duas iguais. E todas para se realizarem deverão ser criadoras de si, ser-se o que se é, por natureza. 4 - Você já lançou 4 livros de poesia intitulados Sublime Amor em Poesia, Alma de Poeta, Poeta Vadio e Inquietações. Como foi escrever cada um deles? E onde podemos adquiri-los? Curioso, e para colocar no contexto fui convidado para fazer parte de um grupo de poesia aqui em Portugal (Sorrisos Nossos) e comecei a postar poemas baseados em imagens que eram colocadas para serem poetizadas e assim fui fazendo. Entretanto, uma editora portuguesa , Poesia Fã Clube lançou um desafio para descoberta de novos autores e para tal era necessário enviar 50 poemas. Contei os meus poemas criados até ao momento e eram precisamente 50, enviei-os para a mesma e foram aceites e na íntegra editados, portanto, o meu primeiro livro reflete exactamente os meus 50 primeiros poemas criados. Os seguintes vêm de uma permanente escrita, mantendo a minha génese, mas refinando naturalmente a forma de expressão, como tudo se vai aprimorando com a prática. Somente o último, Sublime Amor em Poesia , decidi realizar uma apresentação numa forma de interação cultural onde como capa e contra capa do livro foram realizadas com fotos de quadros de gente amiga e grandes pintores Portugueses como Paulo Tanoeiro, António Macedo e António Dias, prefaciado por várias figuras nacionais e internacionais como a poetisa e multifacetada artista brasileira Silvia Maria Rocha, músicos muitos talentosos em início de carreira e com o submundo da poesia contemporânea portuguesa presente, declamando, num sítio para mim especial como Sintrense, na Biblioteca Municipal de Sintra. Podem ser adquiridos através da editora Poesia Fã Clube online ou enviar pedidos para o e-mail: geral@antonioalves.pt . MATEM O POETA Matem o poeta, com ele a poesia por ver a lucidez do mundo, criando utopias, vivendo a mesma realidade, uma dimensão tão diferente, é gente que sente além no presente, outra forma de vida. Clarividente, levando uma vida marginal, pensando diferente o que parece igual aos olhos das gentes, nessa forma de sentir, desnuda a farsa escondida, da sociedade indecente na forma de partilha. Matem o poeta, alma solta voando livremente por novos céus, deixando tópicos de novos mundos ameaçando o pré-estabelecido, introduzindo na mente das gentes as sementes do pensamento. Levando a cultura ao colo essa indigente, como corpo de uma criança, emanando luz levando ao coração na escuridão do povo, abrindo novos horizontes, criando pontes, jamais realizadas. 5 - Para se escrever bem, é necessário ler bem também. Partindo disso, quais autores portugueses você mais gosta de ler? Algum deles influenciou na sua escrita? Sim, é necessário ler e absorver tudo o que a vida nos dá como um simples brotar de uma flor e por adiante. Em termos de leitura o que me dá mais prazer de ler são livros de história e filosofia, a poesia leio pouco por não querer influenciar a minha forma de escrever. O que escrevo é puro das minhas emoções aliadas a tudo o que me rodeia. Escrevo a partir do que sou, mas não o escrevo para mim, e sim para o mundo, o universo de outras pessoas sempre na autenticidade do momento e no prazer que daí retiro e escrevendo de uma forma que entendo que todos possam aceder com facilidade à mensagem intrínseca e à beleza das palavras por assim entender a arte. Todos os meus poemas, mesmos os editados primeiramente, são partilhados no Facebook na minha página pessoal e de autor Antonioalvespoesia , por entender que arte deveria ser consumida por toda gente de uma forma gratuita, a fim de cada pessoa poder aprofundar o conhecimento do seu eu interior, através da vivência e forma que outros interpretam a vida, neste caso a poesia. Compreendo que os autores têm de viver e necessitam de rendimentos. Eu, ultrapassada a barreira da sobrevivência, sou feliz sendo quem sou, criador de mim, fiel aos meus princípios todos baseados nas raízes do amor, descobrindo novas verdades sempre que surjam novos factos que após os processar, os aceite como meus e constitua nova verdade. 6 – Você vive em Sintra, uma cidade riquíssima em cultura, história, belezas naturais e costumes populares. A cultura de Portugal te inspira de alguma forma? Como? Sim, grande parte, bebi sempre da cultura deste povo, dos seus costumes e os entendo perfeitamente como seres humanos que são, dos sítios por onde passei, os amores que tive, os momentos onde exaltei a felicidade, a parte moral foi assimilada, essa que vem dos hábitos e costumes de um povo, da sua identidade. Outra parte é a ética, essa é universal, não tem fronteiras e barreiras de qualquer espécie, é somente a diferença entre o bem e o mal e tenho encontrado por esses países fora a mesma ética, a humanidade intrínseca em cada ser. Somos todos diferentemente iguais, diferentes na sua individualidade, mas iguais na essência humana. No meu entender deve-se respeitar a identidade de cada povo e não existir barreiras e fronteiras. Na sociedade estabelecida, divide-se para reinar não para o bem comum de todos. 7 - Além da poesia, quais são suas outras paixões? A pintura, música, teatro, cinema, desporto, eventos culturais participativos, sol praia, campo, a vida no seu geral, no que tem de belo. 8 - Infelizmente, a leitura de poesia não faz parte do cotidiano de muitas pessoas. Na sua opinião, como poderíamos incentivar o gosto pela leitura de poemas e outros gêneros literários? Que a escrita não fosse um ato de egoísmo próprio, no sentido de se escrever para si, mas como dádiva para o mundo. Que não se queira tomar posse de nada e tudo o que se faça, parta de si. Se entregue aos outros num puro ato de dádiva, numa linguagem o mais entendida possível e nas entrelinhas, colocar lá toda a mensagem que se queira ser lida, como quem mostra o que sente ou o que os outros possam sentir, para que a leitura para além de prazerosa de se ler seja levada ao comum dos cidadãos e assim cultivando mentes e aprimorando a humanidade. Não me revejo na poesia extremamente elaborada e complexa de interpretação geral. A arte como disse, é para ser lançada ao mundo e ser assimilada por outros mundos dentro da sua vivência, uma bela forma de exprimir emoções, sentimentos, pensamentos. Por conteúdo e beleza no que escreve. (Capa dos livros Sublime Amor em Poesia, Poeta Vadio e Alma de Poeta - Arquivo Pessoal) Douglas Delmar Formado em Biblioteconomia e atualmente estudante de Design Gráfico, Douglas sempre teve paixão pela escrita e poesia, já participando de antologias poéticas e tendo alguns poemas seus lidos em rádios de Lisboa, Portugal. Amante das artes, da música e da escrita, gosta de conhecer pessoas que estejam inseridas nesse contexto artístico e incentivar novos talentos. No tempo livre, a escrita é seu hobby preferido, pois é através da criação de histórias que exercita sua imaginação e criatividade. Acredita que as palavras, aliadas com as ações, têm o poder de mudar a realidade.










