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REVISTA DO VILLA
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- O premiado espetáculo Professor Samba – Uma Homenagem a Ismael Silva realiza apresentação no SESC São João de Meriti, no dia 17 de julho de 2026, no âmbito do Edital SESC Pulsar
O espetáculo Professor Samba – Uma Homenagem a Ismael Silva estreou em 2024, em uma temporada de grande sucesso no Teatro de Arena do Sesc Copacabana. Em 2025 o sucesso de público e crítica se repetiu nas temporadas no Teatro Dulcina e Teatro Fashion Mall, e em uma circulação por várias localidades do Rio de Janeiro com apoio do projeto Giro Cultural da Funarj. Agora o musical faz circulação por 10 Unidades do SESC Rio, incluindo o SESC São João de Meriti. 'Professor Samba' - Foto: Cláudia Ribeiro O espetáculo Professor Samba – Uma Homenagem a Ismael Silva estreou em 2024, em uma temporada de grande sucesso no Teatro de Arena do Sesc Copacabana. Em 2025 o sucesso de público e crítica se repetiu nas temporadas no Teatro Dulcina e Teatro Fashion Mall, e em uma circulação por várias localidades do Rio de Janeiro com apoio do projeto Giro Cultural da Funarj. Agora o musical faz circulação por 10 Unidades do SESC Rio, incluindo o SESC São João de Meriti. A montagem saúda um dos nomes ilustres da música brasileira: Ismael Silva (1905 − 1978). Esse sambista carioca também é um dos fundadores da Escola de Samba Deixa Falar, em 1928 – a primeira agremiação desse tipo que, anos depois, se tornaria a tão conhecida Estácio de Sá. A trama se desenvolve com o personagem apresentando ao público uma roda de samba, ambientada nas Esquinas do Bairro do Estácio e na Lapa das décadas de 20 a 50, recheada de muitas histórias, muita música e a boa "malandragem", característica da boemia carioca, contando passagens da vida de Ismael passeando por fatos importantes da nossa cultura popular e do histórico cenário carioca da época. Com autoria de Ana Velloso, que dirige o espetáculo ao lado de Édio Nunes, a peça venceu o prêmio APTR de Coreografia (Édio Nunes e Milton Filho), e conta com três atores que se revezam dando vida ao personagem-título: Édio Nunes, que foi indicado como melhor ator no Prêmio Shell, Jorge Maya e Milton Filho. Com muita versatilidade, eles “reencarnam” Ismael Silva e ainda se desdobram em diversas outras figuras, contando a história do “Professor Samba”, transitando por fatos importantes da música e da sociedade brasileira, entre as décadas de 20 e 70, momento em que o Samba se renova, resiste, luta contra preconceitos e permanece vivo e forte, após sua saída da Casa da Tia Ciata (1854 – 1924), para conquistar o mundo. 'Professor Samba' - Foto: Cláudia Ribeiro “A transformação do samba, os blocos de carnaval, a virada para a criação da Escola de Samba, o pulsar da bateria, a criação da estrutura não só musical, mas de organização daqueles blocos, cordões, a evolução do maxixe para o samba, são sedimentações feitas a partir do envolvimento de Ismael e seus contemporâneos que transformaram o samba na potência do Rio, num estilo musical que transcende, que é estilo de vida, de cultura, e sociedade que desenha a figura da malandragem, da cabrocha, da cadência, do que se tornou símbolo não só do território fluminense, mas de um país. Assim como o futebol, o Brasil é a terra do samba a partir dele e de outros artistas representados na peça”, diz Édio Nunes. “A cultura do povo preto que foi abraçada, mas que este mesmo povo sempre foi colocado de lado. Vidas e histórias como a dele, merecem ser contadas, cantadas e reverenciadas’’, completa o co-diretor. O artista argumenta que a peça também é uma forma de chamar a atenção da sociedade para não esquecer de nomes tão importantes que ajudaram a transformar a cultura nacional, mesmo com o peso do estigma social e racial, batalhas travadas, ainda na atualidade. “Professor Samba – Uma Homenagem a Ismael Silva conta a história de um homem, artista, negro, favelado, que mostra que tem talento e que pode ter o espaço dele por merecimento, ser valorizado. Algo não tão distante da realidade atual. É o nosso caso. Somos três artistas pretos, transitamos de maneira multifacetada pela arte. Eu, Jorge e Milton possuímos uma carreira extensa com mais trinta anos fazendo isso, e todos os dias temos que provar que podemos, que somos capazes, nada vem fácil, nós criamos, produzimos, colocamos espetáculos nos palcos, temos outros trabalhos além viver da arte para nos mantermos. Estamos sempre na corda bamba, lutando para manter-se de pé, com trabalho, com dignidade. Os aplausos acontecem, mas como os sambistas que interpretamos, vivemos a instabilidade, à parte. Para os artistas pretos, a luta é contínua. Ismael e os demais sambistas, artistas que vieram antes nós, já travavam essa batalha, de ser e viver da arte e deixar um legado. Defender a cultura e o pão de cada dia. Brigar para não cair no esquecimento’’, acrescenta Édio. Para Ana Velloso, o espetáculo também tem como objetivo fazer uma reflexão sobre a descolonização dos corpos pretos. “Entendemos, Édio e eu, que precisávamos extrapolar o objetivo inicial, de contar a história do sambista do Estácio, que foi um dos criadores da primeira escola de samba. Queríamos traçar um paralelo entre passado, presente e futuro, discutir problemas humanos, enfatizar que corpos negros são corpos políticos, que não podem ser dissociados de sua realidade histórica, social e cultural. Para alcançar esse objetivo, inseri na dramaturgia traços da vida dos atores, que também compõem a cena, ajudando a contar a história de tantos ‘Ismaeis’, artistas brasileiros, negros, que dedicaram suas vidas à construção da nossa cultura”, pontua a autora e diretora. Ismael Silva (14/09/1905 −14/03/1978) Nascido em Niterói, Ismael Silva, caçula de um cozinheiro e de uma lavadeira, mudou-se com a mãe e os quatro irmãos para o Rio de Janeiro, após a morte precoce do pai. No Rio Comprido, bairro vizinho ao Estácio, o menino tornou-se o melhor aluno da escola. Começou na rua o interesse pelo samba. O primeiro, Já desisti, ele compôs aos 14 anos de idade. Muito jovem começou a frequentar os bares do Estácio, onde os sambistas se reuniam. Lá conheceu Francisco Alves, um dos principais cantores da época, que procurou o jovem para gravar seus sambas. O compositor aceitou e, ao lado de Nilton Bastos e Francisco Alves, integrou uma das mais famosas parcerias da música popular brasileira, o trio Os Bambas do Estácio. Ismael foi um dos fundadores da primeira Escola de Samba do Brasil, a Deixa Falar, em 1928, que depois virou a Estácio de Sá. Tornou-se parceiro frequente de Noel Rosa. Mas, após a morte do amigo, em 1937, Ismael passou por momentos de extrema dificuldade: foi preso por uma briga de bar, teve problemas financeiros e ficou um tempo isolado. A volta triunfal ocorreu em 1950, quando seu samba Antonico foi gravado por Alcides Gerardi, com grande sucesso. Nas décadas de 60 e 70, foi reverenciado por diversos artistas como Chico Buarque, Vinícius de Moraes e os integrantes do Zicartola. A vida de Ismael, cheia de altos e baixos, e sua obra genial, são a inspiração de nossa homenagem. O artista morreu em março de 1978, aos 73 anos, deixando mais de cem composições, que fazem parte da cultura musical brasileira. Autora premiada Atriz, produtora e autora, Ana Velloso participou de espetáculos como Dolores (direção De Bonis), Clara Nunes – Brasil Mestiço (Dir. Gustavo Gasparani), Estatuto da Gafieira e Vianinha (ambos dirigidos por Aderbal Freire Filho), Aurora da Minha vida (dir. Naum Alves de Souza), A Revista do ano (dir. Sergio Modena) e Sambra – 100 Anos de Samba (dir. Gustavo Gasparani) entre outros. Assinou, em parceria com Vera Novello, as peças: Você não passa de uma Mulher, Rio de que sempre Rio, Atlântida – O reino da Chanchada, Clara Nunes – Brasil Mestiço, Estatuto da Gafieira e É a Mãe. Idealizadora e autora da trilogia Sambinha, Bossa Novinha e Forró Miudinho, recebeu o prêmio de melhor autora por Sambinha e Forró Miudinho. Ganhou premiação similar, ao lado de Vera Novello, pelo musical O Choro de Pixinguinha. Foi indicada ao prêmio de melhor Autora por Kid Morengueira – Olha o Breque!, juntamente com Andrea Fernandes, e Atlântida – Uma Comédia Musical, com de Vera Novello. Autora da série Brasileirinho, estreou na TV em 2025. É autora e foi produtora do espetáculo Copacabana Palace – O Musical, com estreia em 2021, no Teatro Copacabana Palace. Édio Nunes, um grande artista dos musicais Como ator, cantor, bailarino, coreógrafo e diretor teatral, participou de mais de 130 montagens teatrais e trabalhos no audiovisual, ao longo de mais de 30 anos de carreira. É graduado em Licenciatura Plena em Teatro pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) e tem Pós-Graduação em Teatro Musicado, pela mesma instituição. É diretor, autor e professor de teatro na Fundação Real Grandeza, onde já montou 23 espetáculos. Diretor de montagens como: Joãosinho & Laíla: Ratos e urubus, larguem minha fantasia – 33º Prêmio Shell de Melhor Ator (2023); Luiza Mahin – Eu ainda continuo aqui, indicado ao Shell de Melhor Música (mesmo ano), Cabaré Dulcina – Prêmio Shell de Melhor Direção Musical (2014). Outras premiações: CBTJ 2017 – Melhor Coreógrafo, por O Choro de Pixinguinha; CBTJ 2015 – Melhor Coreógrafo, por Forró Miudinho; CBTJ 2014 – Melhor Coreógrafo, por Sambinha; FestartRJ 2014 – Melhor Direção, por Satã, o Show de Madame. Indicações a prêmios: Cesgranrio 2017 e Botequim Cultural 2017 – Melhor Ator de Musical, por Kid Morengueira; e Botequim Cultural 2017 – Melhor Ator, por O Choro de Pixinguinha. Jorge Maya, voz que encanta Ator, cantor, fonoaudiólogo, preparador vocal, músico e compositor, com mais de 40 anos de carreira, vem trabalhando em importante musicais, tais como: Theatro Musical Brasileiro II, South American Way, Gaiola das Loucas, É Samba Na Veia, é Candeia, O Homem de La Mancha, Beijo no Asfalto – O Musical, A cor Púrpura e Beetle Juice. Na TV, atuou nas novelas Pacto de Sangue, A Lua me Disse e Joia Rara; na minissérie Chiquinha Gonzaga; e em seis temporadas do Programa Tô de Graça, do Multishow. Milton Filho, nome em constante ascensão Ator, cantor, produtor, dançarino, e arte educador com mais de 25 anos de carreira, já foi dirigido por encenadores como Aderbal Freire Filho, Sergio Modena, André Paes Leme, Gustavo Gasparani, Ernesto Piccolo, Vilma Melo, Édio Nunes, Andrucha Waddington, José Ponte e Zé Henrique de Paula, e outros. Entre seus principais trabalhos no Teatro destacam se Chaves – Um tributo Musical, As Cangaceiras, Contos Negreiros do Brasil, Sambra – 100 Anos de Samba, Zeca Pagodinho – Uma História de Amor ao Samba, Chacrinha – O Musical , Orfeu, É Samba na Veia, é Candeia, Zé Keti – O Musical, Cabaré Dulcina, Trapalhões – O Musical e Joãozinho e Laíla: Ratos e Urubus Larguem minha Fantasia – 33º Prêmio Shell de Melhor Ator (2023). Na TV, atuou em Amor sem Igual (Record); Dom (Amazon) – Segunda temporada; Impuros (Star+); e Fuzuê (Globo). Ficha Técnica Texto: Ana Velloso Direção: Ana Velloso e Édio Nunes Direção Musical: Wladimir Pinheiro Elenco: Édio Nunes, Jorge Maya e Milton Filho/Leandro Melo Iluminação: Paulo Cesar Medeiros Cenário e Figurino: Wanderley Gomes Desenho de Som: Thiago Silva e Filipe Chagas Coreografias: Édio Nunes e Milton Filho Músicos: Leo Antunes, Fabio D’Lélis, Felipe D’Lélis, Marlon Júlio (Leandro Miguel) e Marcos Passos (Victor Hugo Rego) Assistente de Direção: Caio Passos Assistente de Iluminação: Yasmim Lira Equipe de Luz: Rodrigo Bispo e Anderson Bispo Fotos de divulgação: Ernani Pinho e Cláudia RibeiroDesigner Gráfica: Cacau Gondomar Assessoria de Imprensa: Alessandra Costa Direção de Produção: Ana Velloso e Vera Novello Produção Executiva: Leandro Melo Coordenação de Produção: Lúdico Produções 'Professor Samba' - Foto: Cláudia Ribeiro Serviço: Teatro Sesc São João de Meriti 17 de julho (sexta-feira), às 15 hsEndereço: Av. Automóvel Clube, 66 – Centro, São João de Meriti Duração: 80 minutos Classificação Indicativa: 14 anos Valores:*R$15,00 (inteira)*R$7,50 (meia entrada para casos previstos por lei, estendida a professores e classe artística mediante apresentação de registro profissional e programa Mesa Brasil)*R$ 7,50 (convênio)*R$5,00 (credencial plena)*Gratuito (crianças e adolescentes de até 16 anos e público PCG Fernanda Portella
- 'Liderança luso-brasileira' Mandar, inspirar ou fazer acontecer com os outros?
Entre autoridade e proximidade, a liderança revela que o verdadeiro desafio está em compreender pessoas antes de conduzir resultados. Imagem gerada por IA Há palavras que parecem universais até começarmos a usá-las a sério. Liderança é uma delas. Toda a gente fala de liderança, toda a gente diz que a valoriza, toda a gente a reclama para si. Mas entre Portugal e Brasil, como em tantas outras dimensões como temos vindo a aprofundar, a palavra é a mesma, mas o código pode não ser. E é precisamente aí que começa o ruído. Porque liderar, nos dois lados do Atlântico, nunca foi apenas decidir. É ser lido, aceite, testado, respeitado... ou, simplesmente, ignorado. E isso muda tudo. Em Portugal, a liderança tende a nascer da competência percebida, da consistência e da estrutura. O líder é frequentemente alguém que demonstra domínio, rigor e capacidade de sustentar decisões com lógica. Não precisa de ser carismático o tempo todo. Precisa, acima de tudo, de ser sólido e consistente na sua postura. Em Portugal, a autoridade organiza-se com mais verticalidade, mais contenção e mais peso simbólico. Não é necessariamente dura. Mas é clara. No Brasil, a liderança tende a ser mais relacional. O líder precisa de inspirar proximidade, mobilizar energia, criar confiança e fazer com que as pessoas queiram seguir e não apenas que entendam a direção ou orientação. A autoridade existe, claro, mas muitas vezes só funciona bem quando vem acompanhada de presença humana. No Brasil, o líder não é apenas quem manda. É quem consegue fazer com que os outros queiram participar. E aqui está uma grande provocação: talvez a verdadeira diferença entre liderança portuguesa e brasileira não esteja no grau de autoridade, mas na forma como essa autoridade ganha legitimidade. Em Portugal, muitos líderes acreditam que legitimidade vem do saber. Saber fazer, saber decidir, saber sustentar, saber corrigir, saber responder. Há um respeito estrutural pela competência. A liderança sai reforçada quando parece consistente, preparada e previsível. No Brasil, a legitimidade nasce muitas vezes da capacidade de gerar ligação e conexões. Saber fazer é importante, sim. Mas saber fazer com os outros, saber envolver, saber contagiar, saber criar fazem parte deste jogo. O problema é que cada cultura tende a considerar o seu modelo como o natural. O português pode achar que o brasileiro confunde liderança com simpatia. O brasileiro pode achar que o português confunde liderança com distanciamento. Um vê a objetividade do outro como frieza. O outro vê a proximidade como falta de estruturação e ambos estão, muitas vezes, a julgar a mesma função com critérios diferentes. Nas organizações, isto tem consequências diretas. Um líder português em contexto brasileiro pode acertar no plano e falhar na ligação. Pode ser tecnicamente irrepreensível, mas parecer demasiado frio, técnico ou distante. Um líder brasileiro em contexto português pode acertar na energia e falhar na estrutura. Pode ser carismático, mobilizador e próximo, mas ser percebido como pouco claro na delimitação de papéis ou excessivamente informal. E no meio disto ficam as equipas. Porque equipas não seguem apenas quem manda. Seguem quem traduz o mundo de forma convincente. Seguem quem lhes dá direção, mas também sentido. Seguem quem explica o quê, mas também o porquê. E essa tradução é cultural. Em Portugal, muitas equipas esperam orientação mais explícita, mais organizada e mais estável. No Brasil, muitas equipas esperam envolvimento, presença e capacidade de gerar movimento. Num caso, a equipa quer saber para onde vai. No outro, quer sentir que vai com alguém. Isso não significa que uma cultura aceite melhor a liderança e a outra a questione mais. Significa apenas que o contrato psicológico é diferente. Em Portugal, o líder ganha respeito pela consistência. No Brasil, ganha adesão pela relação. Em Portugal, o excesso de ambiguidade desgasta a confiança. No Brasil, o excesso de distância desgasta o compromisso. Um lado pede previsibilidade. O outro pede humanidade. E ambos têm razão suficiente para continuarem errados um sobre o outro. Há ainda outra diferença importante: a forma como o poder circula. Em Portugal, a liderança tende a ser mais hierárquica na forma como organiza responsabilidade. A cadeia de comando é mais visível, a posição pesa mais e a decisão costuma ter uma gravidade própria. No Brasil, a liderança tende a ser mais circular na forma como constrói adesão. Há mais diálogo aparente, mais dependência relacional e mais espaço para a negociação simbólica da autoridade. Mas atenção: isso não significa ausência de hierarquia. Significa apenas que o poder circula com outra linguagem. É por isso que tantos líderes atravessam o Atlântico e tropeçam no que julgavam ser detalhe. O português pode estranhar a informalidade brasileira e sentir que perdeu autoridade. O brasileiro pode estranhar a formalidade portuguesa e sentir que está a falar com uma parede elegante. Um lado interpreta proximidade como risco. O outro interpreta reserva como distância. E o que era apenas estilo torna-se julgamento. A provocação mais séria, no entanto, é esta: muita gente confunde liderança com estilo pessoal. Não é. Liderança é adaptação com intenção. Não é ser “mais simpático” ou “mais duro”. Não é ser “mais aberto” ou “mais formal”. Não é escolher entre mandar, inspirar ou agradar. É perceber o contexto e atuar de forma inteligente nele. No contexto português, liderar pode exigir mais clareza, mais estabilidade e menos ambiguidade. As pessoas querem perceber o quadro, os limites, a responsabilidade e a coerência. No contexto brasileiro, liderar pode exigir mais presença, mais escuta e mais capacidade de gerar movimento. As pessoas querem sentir energia, vínculo e abertura para participar. Um bom líder num lado não é automaticamente um bom líder no outro. Serve se souber ler o ambiente e não apenas repetir o seu próprio reflexo no espelho. Há também uma questão decisiva sobre o tipo de mobilização que cada cultura valoriza. Em Portugal, a legitimidade tende a vir de “saber fazer”. No Brasil, tende a vir de “fazer com os outros”. E aqui está uma diferença organizacional enorme. Um líder português pode conquistar respeito pela competência técnica, pela lucidez e pela estrutura. Um líder brasileiro pode conquistar adesão pela energia, pela capacidade de unir pessoas e pela forma como torna a liderança uma experiência coletiva. Nenhum dos modelos é inferior. Mas ambos se tornam limitados quando se fecham sobre si mesmos. Um excesso de contenção pode travar a adesão. Um excesso de informalidade pode diluir a autoridade. Um excesso de estrutura pode matar a iniciativa. Um excesso de mobilização pode enfraquecer o foco. E, no meio, o que se perde não é apenas eficiência. Perde-se confiança, compromisso e clareza sobre o que realmente se espera das pessoas. Talvez por isso a pergunta certa não seja “quem lidera melhor?”. A pergunta certa é outra: quem consegue liderar sem impor o seu próprio código como se fosse universal? Porque liderar, no fundo, não é ser seguido por obrigação. É conseguir que os outros se movam com vontade e com sentido. E isso, desse lado e deste lado do Atlântico, continua a ser o verdadeiro teste. Pedro Ramos
- Programa da “Fundação António Pargana” e da Universidade da Beira Interior reforça ligação dos jovens lusodescendentes às raízes portuguesas
Iniciativa reuniu estudantes lusodescendentes da Universidade da Beira Interior em uma formação que uniu identidade, cultura, memória e expressão artística para fortalecer os laços com Portugal. Foto: Divulgação/Fundação António Pargana A Fundação António Pargana e a Universidade da Beira Interior (UBI) concluíram mais uma edição do programa "Portugal Através dos Olhos da Diáspora Jovem", uma iniciativa dirigida a estudantes lusodescendentes de todos os ciclos de ensino da universidade, que decorreu entre 8 de abril e o início de julho, na Covilhã, com o objetivo de aprofundar a reflexão sobre a identidade portuguesa, a diáspora e a lusofonia através de uma abordagem académica e criativa Ao longo do programa, os participantes frequentaram 25 horas de formação presencial, distribuídas por cinco módulos temáticos, onde foram debatidas questões relacionadas com a cultura e a história de Portugal, a construção da identidade, a memória familiar, as comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo e o contributo da diáspora para a afirmação internacional do país. A componente formativa foi complementada pelo concurso "Retratos de Portugal", que desafiou os estudantes a traduzirem, através da fotografia, a sua visão sobre Portugal e a experiência da diáspora. Cada participante apresentou um portefólio constituído por, pelo menos, três fotografias, acompanhado por uma reflexão escrita que justificava a escolha das imagens e a respetiva ligação aos temas abordados durante a formação. A avaliação dos trabalhos incidiu sobre critérios como a pertinência temática, a qualidade técnica e artística das fotografias, a criatividade, a capacidade de reflexão crítica e a apresentação oral realizada pelos concorrentes. O regulamento prevê a atribuição de prémios aos melhores projetos e a possibilidade de integração das obras selecionadas numa exposição permanente na Biblioteca da Universidade da Beira Interior. Promovido em parceria pela Fundação António Pargana e pela UBI, o programa procurou criar um espaço de aprendizagem, partilha e valorização das experiências das novas gerações lusodescendentes, incentivando o conhecimento das suas origens e o fortalecimento dos laços com Portugal através da educação, da cultura e da expressão artística. Com o encerramento de mais uma edição, a iniciativa reafirma a aposta na formação de jovens ligados à diáspora portuguesa, reconhecendo o seu papel na preservação da identidade nacional e na construção de uma visão contemporânea da lusofonia, assente no diálogo cultural, territorial e geracional. Ígor Lopes
- Nunca é tarde para recomeçar: a história de Kátia Luzia Almeida mostra que os sonhos não têm prazo de validade
Há quem acredite que os grandes recomeços acontecem apenas na juventude. A trajetória de Katia Luzia Almeida prova justamente o contrário. Imagem: Kátia Luzia Almeida - Foto: Arquivo pessoal Aos 15 anos, ela descobriu que seria mãe. Enquanto muitos adolescentes ainda planejavam o futuro, Kátia precisou aprender, cedo demais, o significado da responsabilidade. A maternidade transformou completamente sua vida, mas nunca apagou seus sonhos. Ao lado do marido, Silvio, com quem é casada há 35 anos, construiu uma família baseada no trabalho e na perseverança. Dessa união nasceram José Felipe e José Gabriel, filhos que se tornaram parte da inspiração para cada etapa de sua caminhada. A base dessa história também foi construída com o apoio de seus pais, José Domingues e Maria Helena, que estiveram presentes nos momentos mais importantes de sua vida e ajudaram a fortalecer os valores que hoje orientam sua forma de acolher o outro: respeito, empatia e dedicação. Durante muitos anos, Kátia colocou os sonhos pessoais em segundo plano. Com apenas o Ensino Médio concluído, trabalhou como manicure e também com vendas, profissões que garantiram o sustento da família e lhe ensinaram algo que levaria para toda a vida: cada pessoa carrega uma história que merece ser ouvida. Depois de mais de três décadas dedicadas ao trabalho e à família, decidiu fazer algo que muitas mulheres acreditam não ser mais possível: voltar a estudar. O incentivo veio de dentro de casa. Foi ao acompanhar o interesse do filho, José Gabriel, pela psicanálise que Katia conheceu esse universo. Mãe e filho decidiram iniciar juntos a formação, transformando o aprendizado em uma experiência compartilhada. O que começou como um convite tornou-se um novo propósito de vida. Hoje, Katia Luzia Almeida atua como psicanalista e integra a equipe do Instituto da Mente Ricardo Mello, em Campinas (SP), onde participa de um projeto de atendimento com valores sociais. A iniciativa busca ampliar o acesso à saúde mental para pessoas que enfrentam dificuldades financeiras, reafirmando que o cuidado emocional deve ser um direito acessível a todos. Sua história também desafia antigos estereótipos sobre idade, maternidade e realização profissional. Em um tempo marcado por mudanças constantes, ela demonstra que nunca é tarde para aprender, reinventar-se e descobrir uma nova vocação. Além da atuação clínica, compartilha reflexões sobre saúde mental, acolhimento e autoconhecimento em seu perfil profissional, @kluziaalmeida.psi, aproximando a psicanálise do cotidiano e incentivando outras pessoas a acreditarem que recomeçar também faz parte da vida. Mais do que uma mudança de profissão, Katia encontrou uma nova forma de cuidar. Sua trajetória mostra que experiência, sensibilidade e escuta podem caminhar juntas e que os sonhos não desaparecem com o tempo; muitas vezes, eles apenas esperam o momento certo para florescer. Imagem: Kátia Luzia Almeida - Foto: Divulgação Nota de apresentação Katia Luzia Almeida é psicanalista e integra a equipe do Instituto da Mente Ricardo Mello, em Campinas (SP), onde participa de projetos voltados à ampliação do acesso à saúde mental por meio de atendimentos com valores sociais. Casada há 35 anos com Silvio, é mãe de José Felipe e José Gabriel. Após construir uma longa trajetória profissional como manicure e vendedora, retornou aos estudos e encontrou na psicanálise uma nova missão de vida. Atualmente, realiza atendimentos clínicos e compartilha conteúdos sobre saúde mental, acolhimento e autoconhecimento por meio do perfil @kluziaalmeida.psi, inspirando outras mulheres a acreditarem que nunca é tarde para recomeçar. Adilson Henrique, José Gabriel Almeida
- Com texto e direção de Tairone Vale, peça “Doce Árido” estreia em 16 de julho no Teatro Ipanema Rubens Corrêa
Pri Helena, Rebeca Figueiredo e Layla Paganini vivem mulheres que, ao longo de três gerações, enfrentam conflitos silenciosos enquanto sustentam a casa com a produção artesanal do doce de leite no interior de Minas Gerais 'Doce árido' - Foto: Marcella Calixto O que você seria capaz de fazer diante da chance de transformar a própria vida? É a partir dessa pergunta que nasce “Doce Árido”, espetáculo que estreia no Rio de Janeiro em 16 de julho de 2026, no Teatro Ipanema Rubens Corrêa. Com texto e direção de Tairone Vale, a peça reúne em cena as atrizes mineiras Pri Helena, Rebeca Figueiredo e Layla Paganini, que dão vida a três gerações de mulheres responsáveis por sustentar a casa em uma pequena roça no interior de Minas Gerais com a produção artesanal de doce de leite. Quando um inesperado pedido vindo do exterior surge como a chance de mudar suas vidas, a família mergulha em uma intensa rotina de trabalho para conseguir entregar a encomenda dentro do prazo. Mas o maior obstáculo para essas mulheres não é o tempo, e sim os segredos do passado. Entre as consequências de um parto complicado e a escassez que ronda a casa, mãe, filha e avó se equilibram entre o peso da tradição e o desejo de liberdade. Pressionada pelo prazo curto, Maria Antônia (Pri Helena) exige dedicação total à produção da encomenda. A jovem Maria Lúcia (Rebeca Figueiredo) se divide entre o tacho de doce e os cuidados com sua frágil recém-nascida, Maria Clara. Observando tudo pelas frestas, a matriarca Maria Quitéria (Layla Paganini) sabe que a fragilidade dessas relações pode colocar tudo a perder. Cartaz - 'Doce Árido' Apoiado numa plataforma móvel, o cenário da peça espelha a instabilidade das relações dessa família: à medida que a trama avança, ele tomba com o deslocamento das atrizes. A trilha sonora original, da cantora e compositora Laura Jannuzzi, evoca imagens e sensações que sublinham a aridez do ambiente. A viola caipira, que poderia remeter apenas ao regionalismo mineiro, ganha contornos opressores ao reforçar essa aridez, enquanto a flauta destaca a solidão que mães e filhas, mesmo juntas, não conseguem evitar. O diretor e autor Tairone Vale resgatou memórias da infância e os afetos construídos pelas matriarcas de sua família para criar uma história de ficção ambientada no interior de Minas Gerais. Escrito em 2013, o texto ganhou os palcos pela primeira vez no ano passado, em Juiz de Fora, e este ano foi apresentado no Festival de Curitiba. “Um dos motivadores para esse trabalho foi pensar no que aconteceria se uma mulher tivesse depressão pós-parto em um cenário isolado, rural, sem estrutura e recursos”, diz Tairone. A peça também dialoga com dados reais: segundo o Censo 2022 do IBGE, 49,1% dos lares brasileiros são chefiados por mulheres, que dedicam quase dez horas semanais a mais que os homens ao trabalho doméstico e de cuidado. Cerca de três em cada dez brasileiras já sofreram violência doméstica, com altos índices de estupro e feminicídio — realidade ainda mais grave entre mulheres rurais, que enfrentam menor acesso a serviços de saúde e proteção, mobilidade restrita e isolamento. 'Doce árido' - Foto: Marcella Calixto Ficha Técnica: Texto: Tairone Vale Colaboração Dramatúrgica: Layla Paganini, Léo Cunha, Pri Helena, Rebeca Figueiredo Direção: Tairone Vale Codireção: Léo Cunha Elenco: Pri Helena, Rebeca Figueiredo e Layla Paganini Stand in: Livia Gomes Direção de Arte: Cris Bourgeaiseau Cenário: Cris Bourgeaiseau Núcleo de Cenografia: Cris Bourgeaiseau, Rebeca Figueiredo, Tairone Vale, Marcella Calixto, Amanda Corrêa e Vitória Vargas Iluminação: Nitay Krishna Figurino: Cris Bourgeaiseau Trilha Sonora Original: Laura Jannuzzi Preparação Corporal: Letícia Nabuco Programação Visual: Marcella Calixto e Vitória Vargas Fotografia: Marcella Calixto Assessoria de imprensa: Paula Catunda e Catharina Rocha Mídias Sociais: Rebeca Figueiredo Costureira: Aline Azevedo Direção de Produção: Cris Bourgeaiseau Produção Executiva: Jhully BIOGRAFIAS PRI HELENA – “Doce Árido” marca o retorno de Pri Helena aos palcos depois de dar vida à Zezé, de “Ainda Estou Aqui”, e de Cacá, da novela “Volta por Cima”, da Rede Globo. Atriz, roteirista, diretora e produtora, Pri Helena compõe também o elenco da série “Os Outros” (2ª temporada) na Globoplay. Atuou nos longas “Turvo” (direção de Murillo Sued) e “Cabrito” (direção de Luciano de Azevedo); no média-metragem “Cyclone”, e nos curtas “Moscas Mortas, Trancinhas e Ondas”. Pri Helena encabeça o “Grilla!”, um coletivo de mulheres que exploram, em suas criações, o diálogo entre o teatro e o audiovisual. No teatro, destacam-se os espetáculos “O Rinoceronte” (indicado ao Prêmio Shell 2019), “Os Impostores”, “Nerium Park” e “Antes da Chuva”, sob direção de Rodrigo Portella. Atualmente, está no ar na novela “Quem Ama Cuida” (personagem Lyris), na Rede Globo. REBECA FIGUEIREDO – Atriz formada pela Escola de Teatro PUC Minas e graduada em Comunicação Social pela UFMG. Rebeca estudou Arte Dramática na Escola de Teatro Martins Penna, no Rio de Janeiro, e também atua nas áreas de produção e direção de arte. É uma das idealizadoras do “Grilla!”, coletivo artístico encabeçado por mulheres cujo foco principal é experienciar o diálogo entre teatro e o audiovisual a partir de perspectivas femininas. Seus trabalhos mais recentes são os curtas “Cadê Minha Filha, Bob?” e “Pão com Ovo” (Grilla!), e “Meio Éden” (Clara Estolano), exibido na 27ª Mostra de Cinema de Tiradentes. LAYLA PAGANINI – Formada pela Escola Técnica de Teatro Martins Penna e bacharel em Teatro pela Faculdade CAL, onde também concluiu sua pós-graduação em Direção Teatral, a atriz reúne sólida base técnica e ampla experiência cênica. Com passagem pelo Tablado e atuação em diversos musicais infantis de destaque como “Bituca”, “Tropicalinha”, “Raulzito Beleza” e “Pimentinha”, além da peça “Open Bar” e participação na novela “Verão 90”, ela constrói uma carreira versátil que transita com segurança entre teatro musical, dramaturgia contemporânea e televisão. TAIRONE VALE (Autor e Diretor) – Ator, produtor, diretor, roteirista e dramaturgo que, convidado pelo diretor Rodrigo Portella a protagonizar “As Bruxas de Salém” (2009), não parou mais. Com o diretor, coescreveu e atuou em “Uma História Oficial”, e atuou em “Alice Mandou um Beijo”, “Quase Nada é Verdade”, “4x Nelson”, “Insetos” (da Cia dos Atores e texto de Jô Bilac) e “Os Impostores”. Atualmente, circula com seu primeiro solo autoral, “Versão Demo”, dirigido por Suzana Nascimento. Na TV, participou de séries e novelas como “Justiça”, “O Outro Lado do Paraíso” e “Segundo Sol” (delegado Nolasco). O mais recente trabalho na Rede Globo foi no elenco principal de “Terra e Paixão” (espião Ruan Alves). Escreveu “Sinopse”, curta em que atuou ao lado de Maitê Proença e Gabriel Godoy, e “Aqueles Cinco Segundos”, vencedor de dois Kikitos em Gramado. Escreveu e dirigiu o infantil “Como Cozinhar uma Criança”. É roteirista e apresentador do canal de culinária e humor “Cozinha sem Paciência”. Escreveu o espetáculo “Big Bang’, publicado pela Universidade Federal de Ponta Grossa (2021) e escolhido para a montagem de celebração dos 50 anos do Grupo de Teatro Universitário da UEPG. Em 2025, escreveu e dirigiu “Doce Árido”. Assessoria de imprensa: Catharina Rocha catharocha@gmail.com (21) 99205-8856 Paula Catunda paula.catunda@gmail.com (21) 98795-6583 Alex Varela
- Portugal: “Eu Decido NextGen” reúne jovens líderes em debate sobre o futuro da nova geração
O evento aposta na participação ativa da juventude para inspirar mudanças e formar novas lideranças. Imagem Imagem: Auditório do Taguspark, no concelho de Oeiras. Foto: divulgação/Taguspark O auditório do Taguspark, no concelho de Oeiras, em Portugal, recebe, no dia 19 de setembro, entre as 09h e às 19h, o painel de debate especial "Eu Decido NextGen", uma iniciativa moderada pelo CEO da Dale Carnegie Portugal e especialista em gestão das pessoas, recursos humanos e liderança, Pedro Ramos, que reunirá sete jovens participantes para debater o papel da nova geração na construção do futuro. Esta iniciativa acontece no âmbito do evento “Faz a Tua Mudança”, organizado por Adriana Carneiro, mentora e coach de Liderança. Sob o lema "O futuro não está à espera", o encontro pretende “promover um espaço de reflexão e diálogo em torno dos desafios enfrentados pelos jovens, incentivando a participação ativa na definição das decisões que irão moldar a sociedade dos próximos anos”. O painel contará com a participação de Inês Siopa, Carolina Almeida, Laura Gomes, Afonso Almeida, Inês Moleiro, José Lages e Joana Ramos, jovens convidados para “partilhar experiências, perspetivas e propostas sobre temas ligados à liderança, participação, inovação e intervenção cívica”. A organização apresenta o evento como um “encontro entre diferentes vozes da mesma geração”, sintetizado na mensagem "7 vozes. 1 geração. 1 decisão.", procurando demonstrar que “os jovens não são apenas destinatários das mudanças, mas protagonistas da sua construção”. A filosofia da iniciativa é resumida na frase que acompanha o evento: "Enquanto muitos discutem o futuro, eles já o estão a construir”. Ígor Lopes
- A força dos bastidores na construção de um diálogo sobre saúde mental e diversidade
Adilson Henrique Narde de Oliveira Almeida transforma a comunicação em uma ponte entre saúde mental, diversidade e impacto social. Adilson Henrique - Foto: Divulgação Em um momento em que a saúde mental ocupa posição central nas discussões sobre qualidade de vida, diversidade e bem-estar, cresce a importância de iniciativas capazes de aproximar esse conhecimento da sociedade. É nesse contexto que se destaca Adilson Henrique Narde de Oliveira Almeida, cuidador social e estrategista de conteúdo, que atua nos bastidores de projetos dedicados à divulgação da psicanálise e à promoção do diálogo sobre questões humanas contemporâneas. Adilson Henrique - Foto: Arquivo pessoal Adilson construiu sua trajetória profissional tendo o cuidado como princípio. Como cuidador em um abrigo para crianças e adolescentes, convive diariamente com histórias de vulnerabilidade, superação e reconstrução, experiência que fortaleceu sua sensibilidade e seu compromisso com o acolhimento. Essa vivência também inspira sua atuação na comunicação digital. Ao lado de seu marido, o psicanalista José Gabriel Almeida, e de sua sogra, Katia Luzia Almeida, Adilson desenvolve estratégias de conteúdo, planejamento e identidade narrativa para projetos que aproximam a psicanálise do cotidiano. Seu trabalho contribui para tornar acessíveis reflexões sobre saúde mental de homens LGBTQIA+, masculinidades, diversidade, relações afetivas e desenvolvimento emocional. Mais do que gerenciar redes sociais, participa da concepção das pautas, cria conteúdos capazes de informar, provocar reflexão e estimular o diálogo. A parceria com José Gabriel reúne a experiência clínica do psicanalista à visão estratégica de Adilson, resultando em uma comunicação humanizada, acessível e alinhada às dinâmicas das plataformas digitais. Sua proposta parte da ideia de que comunicar também é uma forma de cuidar. Em vez de simplificar excessivamente temas complexos, aposta em conteúdos que unem profundidade, acolhimento e responsabilidade, contribuindo para reduzir estigmas e ampliar o acesso à informação sobre saúde mental. 'Adilson Henrique e José Gabriel' - Foto: Arquivo Pessoal A combinação entre sua atuação no acolhimento de crianças e adolescentes e o trabalho nos bastidores da comunicação evidencia uma trajetória pautada pelo compromisso social. Ao conectar experiência prática e estratégia digital, Adilson demonstra que transformações elevantes também começam fora dos consultórios, alcançando pessoas por meio da informação e do diálogo. O conteúdo desenvolvido por José Gabriel Almeida pode ser acompanhado no Instagram @jgalmeida.psi, enquanto Adilson compartilha seus projetos e bastidores no perfil @adil_son93. Informações para a imprensa Adilson Henrique Narde de Oliveira Almeida E-mail: adilson.140393@gmail.com Instagram: @adil_son93 José Gabriel Almeida E-mail: jgalmeida.psi@gmail.com Instagram: @jgalmeida.psi Adilson Henrique, José Gabriel
- Quando as telas ocupam o lugar dos pais: há consequências
A tecnologia continuará evoluindo, mas a presença, o diálogo e o afeto permanecem insubstituíveis. Em um mundo cada vez mais conectado, talvez o maior desafio seja fortalecer as conexões que acontecem dentro de casa. Getty images A tecnologia trouxe inúmeros benefícios para o dia a dia, aproximando pessoas e facilitando o acesso à informação e ao entretenimento. No entanto, ela também passou a ocupar um espaço que antes era reservado às relações familiares. Em muitos lares, o tempo de qualidade entre pais e filhos vem sendo substituído pelas telas dos celulares, pelos serviços de streaming, pelos jogos eletrônicos e pelas redes sociais. A rotina acelerada e as exigências do trabalho fazem com que muitos pais tenham cada vez menos tempo para conversar, brincar, ouvir e participar da vida dos filhos. Como consequência, dispositivos eletrônicos acabam assumindo o papel de companhia constante. Embora ofereçam entretenimento, essas ferramentas não substituem o afeto, o diálogo, a orientação e a presença que apenas a família pode proporcionar. Essa realidade pode enfraquecer os laços familiares, tornando a convivência mais superficial e distante. Crianças e adolescentes crescem cercados de estímulos digitais, mas, muitas vezes, carentes de atenção, escuta e momentos compartilhados com seus responsáveis. O resultado é uma comunicação cada vez mais limitada, em que cada integrante da família vive conectado ao próprio mundo, mesmo estando sob o mesmo teto. A autonomia precoce no ambiente digital também exige atenção. Sem o acompanhamento adequado, crianças e adolescentes podem compartilhar informações pessoais, interagir com desconhecidos ou consumir conteúdos inadequados para a idade sem perceber os riscos envolvidos. A internet oferece inúmeras oportunidades para aprender e se conectar, mas, como qualquer ambiente de convivência, também pode ser frequentada por pessoas mal-intencionadas que se aproveitam da ingenuidade ou da vulnerabilidade dos mais jovens. Outro aspecto que merece atenção é a crescente exposição de crianças e adolescentes em redes sociais por meio de vídeos que reproduzem coreografias, danças e tendências originalmente criadas para o público adulto. Em algumas situações, menores aparecem dançando músicas com letras de conteúdo sexual ou realizando movimentos sensualizados para obter visualizações e engajamento em plataformas como o TikTok. Especialistas em proteção da infância alertam que essa exposição pode favorecer a sexualização precoce, ampliar a circulação de imagens para públicos desconhecidos e aumentar a vulnerabilidade a abordagens inadequadas. Por isso, a supervisão dos responsáveis e o diálogo sobre o uso consciente das redes sociais são fundamentais. Os números reforçam a importância desse acompanhamento. Dados da SaferNet Brasil mostram que a exploração sexual de crianças e adolescentes permanece entre as principais denúncias recebidas pelo Canal Nacional de Denúncias. Até o fim de 2024, a entidade contabilizou mais de 2,1 milhões de denúncias relacionadas a links com imagens de abuso e exploração sexual infantil. Já entre janeiro e julho de 2025, foram registradas 49.336 denúncias, o equivalente a 64% de todas as notificações recebidas pela plataforma no período. O cenário exige atenção, mas não significa que a internet seja, por si só, um ambiente inseguro. Segundo a Childhood Brasil, cerca de 92% das crianças e adolescentes brasileiros, entre 9 e 17 anos, utilizam a internet, o que reforça a necessidade de educação digital e acompanhamento familiar. A entidade também destaca que o Brasil está entre os países com maior número de denúncias de abuso e exploração sexual infantil online, evidenciando a importância de orientar crianças e adolescentes sobre privacidade, exposição de informações pessoais, produção e compartilhamento de conteúdo e interação com desconhecidos. Mais do que fiscalizar, a presença dos pais representa orientação, diálogo e confiança. Acompanhar os conteúdos que os filhos assistem, as músicas que reproduzem, os desafios dos quais participam e o tipo de exposição nas redes sociais é uma forma de proteger sem impedir o acesso à tecnologia. Quando a família acompanha a vida digital dos filhos e mantém uma comunicação aberta, aumentam as chances de que crianças e adolescentes reconheçam situações de risco, façam escolhas mais conscientes e saibam pedir ajuda sempre que necessário. Banco de imagens, livre de direitos autorais Resgatar o convívio familiar não significa abandonar a tecnologia, mas encontrar um equilíbrio. Reservar momentos sem telas para conversar, fazer refeições juntos, brincar, passear ou simplesmente estar presente fortalece vínculos e cria memórias que nenhum aplicativo é capaz de oferecer. Afinal, o tempo dedicado aos filhos não é apenas um gesto de carinho, mas um investimento na formação de adultos emocionalmente mais seguros, preparados para lidar com os desafios do mundo real e do universo digital, e conectados às pessoas que realmente importam. Ígor Alcantara
- Ator Rui Rezende, famoso por Roque Santeiro, morre aos 88 anos e deixa legado marcante na dramaturgia brasileira.
Intérprete de personagens marcantes na TV e nos palcos, Rui Rezende construiu uma carreira de mais de 50 anos e deixa um legado que atravessa gerações. O ator Rui Rezende, morreu neste domingo (12), aos 88 anos, no Rio de Janeiro. A informação foi confirmada pelo Retiro dos Artistas, instituição onde o artista vivia desde 2019. Segundo a entidade, ele estava internado desde 2 de julho no Hospital São Francisco na Providência de Deus, na Tijuca. A causa da morte não foi divulgada. Ao comunicar o falecimento, o Retiro dos Artistas destacou a trajetória de Rui Rezende, lembrando sua dedicação ao teatro, ao cinema e à televisão ao longo de décadas de carreira. A homenagem ressaltou que seus personagens permanecerão vivos na memória de diferentes gerações. Colegas de profissão, como Ary Fontoura e Miguel Falabella, também prestaram homenagens nas redes sociais. Uma carreira de mais de cinco décadas Nascido em 1938, Rui Rezende construiu uma sólida carreira artística, iniciada nos palcos teatrais e posteriormente consolidada na televisão e no cinema. Ao longo de mais de 50 anos de profissão, participou de dezenas de espetáculos e produções audiovisuais, tornando-se um rosto conhecido do público brasileiro. O professor Astromar Junqueira (Rui Resende) era apaixonado por Mocinha (Lucinha Lins) - Foto: Divulgação: Tv Globo Na televisão, ficou especialmente lembrado pelo papel do professor Astromar Junqueira, personagem da clássica novela "Roque Santeiro" (1985), escrita por Dias Gomes e Aguinaldo Silva. Na trama, o professor escondia um curioso segredo: transformava-se em lobisomem, um dos personagens mais marcantes da obra. Sua trajetória também inclui participações em novelas como "O Bem-Amado", "Saramandaia", "Que Rei Sou Eu?", "Pedra sobre Pedra", "Explode Coração", "A Indomada", "O Cravo e a Rosa", "Senhora do Destino", "Pé na Jaca", "Caminho das Índias", "Ti Ti Ti", "Amor Eterno Amor", "Boogie Oogie", "Babilônia" e "Velho Chico", entre outras produções. Últimos trabalhos Nos últimos anos de carreira, Rui Rezende continuou ativo na televisão e nos palcos. Seu último trabalho em novelas foi uma participação em "Velho Chico" (2016), da TV Globo. No teatro, permaneceu em atividade por muitos anos, participando de montagens e projetos culturais até reduzir o ritmo profissional em razão da idade e da saúde. Vida no Retiro dos Artistas Desde 2019, Rui Rezende morava no Retiro dos Artistas, no Rio de Janeiro, instituição dedicada ao acolhimento de profissionais das artes. Durante esse período, participou de atividades promovidas pelo local e tornou-se uma figura querida entre moradores, funcionários e visitantes. A instituição acompanhou seus últimos anos de vida e confirmou oficialmente sua morte. Até o momento o Retiro dos Artistas limitou-se a manifestar solidariedade aos parentes, amigos e admiradores do ator. Legado Rui Rezende deixa um importante legado para a dramaturgia brasileira. Com interpretações marcadas pela versatilidade, transitou entre o drama, a comédia e o teatro clássico, conquistando respeito de colegas e do público. Sua carreira atravessou diferentes fases da televisão brasileira e ajudou a construir algumas das produções mais emblemáticas da TV Globo. Seu trabalho permanece preservado em novelas, filmes e registros teatrais, que seguem apresentando seu talento às novas gerações. Redação
- Lucas Oradovschi apresenta “Um pássaro não é uma pedra”, premiado espetáculo que faz reflexão poética sobre o papel da arte em tempos de extremismo
Montagem, apresentada às terças e quartas-feiras de julho no Teatro Poeira, é inspirada na história de duas mulheres, uma israelense e uma palestina, que se unem para afirmar a vida e o futuro diante das impossibilidades do ódio Lucas Oradovschi em cena do monólogo “Um Pássaro não é uma Pedra” | Foto: Íra Barillo O monólogo "Um pássaro não é uma Pedra", protagonizado por Lucas Oradovschi, que retronou aos palcos dia 07, segue em cartaz até 29 de julho, com apresentações às terças e quartas-feiras, às 20h. O espetáculo convida o público a refletir sobre o sentido de fazer arte em meio à guerra e, em um potente monólogo, aborda a complexidade das relações humanas na contemporaneidade, propondo um olhar sensível sobre os conflitos, a memória e a condição humana. “Um Pássaro não é uma Pedra” nasceu do encontro de artistas de ascendência árabe e judaica e da inquietação em relação à guerra. Com idealização do próprio ator e dramaturgia realizada de forma coletiva por ele com Adriana Schneider, Cátia Costa, Daniel Bueno e Mar Mordente, a montagem conta as histórias do Teatro de Pedra (Stone Theatre), criado nos anos 1980 em um campo de refugiados em Jenin, na Cisjordânia (Palestina), pela judia israelense Arna Mer e pela árabe palestina Samira Zubeidi. O teatro seria destruído anos depois. Lucas Oradovschi em cena do monólogo “Um Pássaro não é uma Pedra” | Foto: Íra Barillo As histórias são narradas pela perspectiva de uma pedra, um pedaço de escombro do teatro destruído. No ano 2000, o teatro seria reconstruído pelos filhos de Arna e Samira, como Teatro da Liberdade (The Freedom Theatre), indicado ao Nobel da Paz em 2024. “É um espetáculo contra a guerra, uma peça que afirma a vida, que se debruça sobre as complexidades das humanidades, seus povos, seus deslocamentos e entrecruzamentos, sobre diáspora e alteridade.” (Lucas Oradovschi) De ascendência judaica, Lucas, que assina o texto com Daniel Bueno, destaca a iniciativa comunitária do Teatro de Pedra, focada em crianças e adolescentes locais, utilizando as artes cênicas como ferramenta de cura para os traumas da guerra, ocupação e vulnerabilidade social, além de ter sido um centro de educação e resistência pacífica na época. Na direção de “Um pássaro não é uma pedra” estão Adriana Schneider, Cátia Costa e Mar Mordente. Quando estreou, em 2024, o espetáculo logo despontou como uma das mais fortes experiências cênicas do ano, recebendo, como consequência, o 19º Prêmio APTR de Melhor Direção Musical, de Azullllll, e a indicação ao 35º Prêmio Shell, por Melhor Direção. “A história nos mostra que criar é uma ação de solidariedade, de sobrevivência, de memória e de permanência. É urgente continuar falando sobre isso porque, enquanto o assunto vai desaparecendo das notícias, a realidade continua acontecendo todos os dias. E apresentar o nosso espetáculo é não aceitar o esquecimento”, completa a diretora Adriana. Lucas Oradovschi - Foto: Jorge Bispo BIOGRAFIA LUCAS ORADOVSCHI: Lucas Oradovschi é ator, diretor, pesquisador, arte educador e iluminador. Graduado em Artes Cênicas (UNIRIO e com Mestrado em Artes da Cena na UFRJ), tem extensa pesquisa junto a grupos e coletivos na cidade do Rio de Janeiro (Teatro de Operações, Cia dos Bondrés e Coletivo Bonobando). através dessas experiências vem investigando as relações entre arte e política, tendo como principais temas: máscara, cidade e práticas coletivas. Atualmente, dá vida ao personagem Alexandre Nardoni na série de sucesso “Tremembé”, da Prime Video, que em breve estreia sua segunda temporada. No teatro, Lucas tem mais de 20 anos de carreira, atuando em espetáculos como “O Balcão” (2022); “O Cão Gelado” (2022); “Por Detrás de O Balcão”; “Teatro do Saara” (2017); “In Comum” (2016); “A Feira das Maravilhas do Fantástico Barão de Munchausen” (2015); “Um de Nós” (2015); e “Deus é Química” (2009). Na TV, já participou de novelas como “Vai na Fé” (2023), “Além da Ilusão” (2022), “Insensato Coração” (2011), “Fina Estampa” (2011) e “Novo Mundo” (2017), na TV Globo; e em séries do streaming como “Feliz Ano Novo… De Novo” (2023), da Prime Video; “Bruxas de Assis” (2022), do Disney+; “Brasil Imperial” (2020), do Prime Video; “Fred & Lucy” (2014), do Multishow; entre outras. SINOPSE “UM PÁSSARO NÃO É UMA PEDRA”: Com idealização e atuação de Lucas Oradovschi, a peça, fruto do encontro de artistas de ascendência árabe e judaica, conta histórias do Teatro de Pedra e do Teatro da Liberdade, experiências reais de teatro comunitário no campo de refugiados de Jenin, na Palestina. FICHA TÉCNICA: Concepção e atuação: Lucas Oradovschi Direção: Adriana Schneider, Cátia Costa e Mar Mordente Dramaturgia: Adriana Schneider, Catia Costa, Daniel Bueno, Lucas Oradovschi e Mar Mordente Texto: Daniel Bueno e Lucas Oradovschi Direção musical: Azullllllll Cenografia: Camila Moussallem e Murilo Barbieri Figurino: Mel Akerman Iluminação: Nina Balbi Produção: Uplus Cultural e Daniel Uryon Filmagem e edição: Roberta de Lacerda Medina Edição de vídeo: Gustavo Guimarães Interlocução: Ana Rios, Julio Adrião e Flavia Lopes Assessoria de Imprensa: Passarim Comunicação & Sustentabilidade (Silvana C. Espírito Santo) e Marcelo Bartolomei SERVIÇO: “UM PÁSSARO NÃO É UMA PEDRA” Com Lucas Oradovschi Temporada: de 7 a 29 de julho de 2026 Dias: Às terças e quartas-feiras, às 20h | 7 e 8; 14 e 15; 21 e 22; e 28 e 29/7 Local: Teatro Poeira (Rua São João Batista, 104, Botafogo, Rio de Janeiro-RJ, telefone: (21) 2537-8053) Capacidade: 170 lugares Duração: 65 minutos Classificação indicativa: 16 anos Vendas: Sympla (venda on-line): https://bileto.sympla.com.br/event/122131 NAS REDES SOCIAIS: @um_passaro_nao_e_uma_pedra MAIS INFORMAÇÕES PARA A IMPRENSA: Passarim Comunicação www.passarimcomunicacao.com Silvana Cardoso do Espirito Santo | (21) 99249-0947 | silvana.cardoso@gmail.com Marcelo Bartolomei | (21) 97266-2221 | marcelobartolomei@gmail.com Juliana Feltz | (21) 97216-7851 | juliana.feltz@gmail.com Alex Varela









