Entrevista: Preto Viana
- Delcio Marinho

- 24 de dez. de 2025
- 3 min de leitura
PRETO VIANA
Arte, ancestralidade e protagonismo: um artista que transforma espaços e histórias.

DM – Preto, como você avalia esse momento da sua carreira e o que 2025 representou para você como artista?
PRETO VIANA:
2025 foi um ano de muitos ventos de mudança. Um período em que consegui plantar, projetar e viver muita coisa que desejava. Talvez não exatamente da forma como pensei, mas foi um ano de crescimento, amadurecimento e conquistas. Agora 2026 chega como o ano da colheita, da prosperidade e das oportunidades.
DM – Você fala muito sobre protagonismo do corpo negro e das oportunidades. Como isso atravessa sua trajetória?
PRETO VIANA:
Um corpo preto precisa de acesso e oportunidade. Nós já carregamos a potência, a riqueza cultural, histórica e afetiva que construiu esse país. Quando falamos de música, comida, ancestralidade, identidade… estamos falando do povo preto e indígena. Eu venho buscando o protagonismo da minha própria história — não apenas ser protagonista de um projeto, mas assumir a voz, a presença e a construção da minha trajetória. Nossos corpos são políticos, pensam, dançam, choram, amam e transformam.
DM – Sua trajetória artística começa muito cedo e passa por várias linguagens. Como tudo começou?
PRETO VIANA:
Entrei aos 17/18 anos para a Escola do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, onde tive minha primeira formação em ballet clássico. Depois passei pela Trape da Tupi, escola de circo, e logo fui para os musicais. Meu primeiro trabalho foi com Miguel Falabella em La Cage Aux Folles (A Gaiola das Loucas). Desde então, quase toda minha trajetória no teatro foi em musicais, incluindo grandes produções com nomes fortes da cena brasileira.
DM – Você vive um momento de transição importante: do teatro musical para o audiovisual. Como tem sido esse movimento?
PRETO VIANA:
É uma virada de chave. Hoje, junto com minha equipe, venho construindo uma imagem, estudando lugares e movimentos específicos para o audiovisual. Meu desejo para 2026 é continuar expandindo, trabalhando com cinema e TV, sem fechar portas para o teatro experimental, que também faz parte da minha essência.
DM – O “Stranger Things Experience” foi um marco na sua carreira. O que essa experiência internacional representou?
PRETO VIANA:
Foi uma experiência incrível e transformadora. Um outro jeito de fazer teatro, de viver a cena, em grande produção. O projeto rodou o mundo — passou por Austrália, Nova Iorque e agora está no México. Eu não segui com o elenco nessa fase porque já estou envolvido com um novo projeto, mas fico muito feliz de ver a obra crescendo com artistas locais e tenho certeza de que será um sucesso.
DM – Você também desenvolve um projeto pessoal muito potente, que trata de subjetividade preta. Pode falar sobre ele?
PRETO VIANA:
Sim, é meu projeto chamado “Subjetividade Preta”, em parceria com o roteirista Dimas — que hoje assina grandes trabalhos sobre negritude na Globo. É um trabalho de performance com roteiro, que fala da nossa subida, nossas relações, dores, alegrias e afetos. Questiona a repetição dos corpos pretos sempre colocados em lugares de subalternidade. Nosso objetivo é mostrar nossos corpos no poder, com voz, protagonizando, criando narrativa e ocupando espaços.
DM – E o que você deseja para esse novo ciclo?
PRETO VIANA:
Desejo continuidade. Desejo espaço para trabalhar, criar, dançar, pensar, existir artisticamente com dignidade e potência. 2026 é o ano de reafirmar tudo o que venho construindo.

CRÉDITOS
Entrevista: Delcio Marinho (DM)
Entrevistado: Preto Viana
Criação de Conteúdo Digital: ChatGPT
Publicação: Revista do Villa
Delcio Marinho

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