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Revista do Villa

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Revista luso-brasileira de conteúdo sobre cultura, gastronomia, moda, turismo,

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  • STP: “Precisamos fazer das escolas um lugar de esperança”, defendeu Pedro Sequeira de Carvalho, professor e escritor são-tomense

    Imagens: Pedro Sequeira de Carvalho, professor e escritor natural de São Tomé e Príncipe, enquanto ministra aulas no seu país. Foto: divulgação O docente e escritor Pedro Sequeira de Carvalho, natural de São Tomé e Príncipe, traz para esta entrevista uma leitura profunda do estado da educação no país, sustentada por mais de duas décadas de trabalho no ensino básico, secundário, liceal e universitário. A experiência acumulada em múltiplos contextos permitiu-lhe mapear, com precisão e sobriedade, as fragilidades e as potencialidades do sistema educativo são-tomense. Entre carências estruturais, bibliotecas inexistentes e currículos desajustados, o docente identifica uma realidade onde muitos alunos continuam sem ver a escola como um lugar capaz de transformar vidas. Os índices de literacia permanecem estagnados e, apesar de haver mais pessoas a saber ler e escrever, grande parte delas permanece longe de utilizar a leitura como ferramenta para a vida. Para este responsável, falta ao país a construção de um ambiente académico consistente, capaz de inspirar os estudantes e de devolver aos docentes o entusiasmo necessário para exercerem o seu papel.   As palavras de Pedro Sequeira de Carvalho evocam uma urgência que atravessa a sociedade são-tomense. Os estudantes precisam de referências sólidas e exemplos quotidianos, diz o professor, sublinhando que não se aprende a ler apenas com manuais, mas com o testemunho vivo de quem lê. Do lado dos docentes, a realidade é marcada por baixos salários, falta de recursos e ausência de condições que fortaleçam o espírito académico. A desmotivação generalizada e a crescente onda de emigração agravam um quadro já frágil. Para este entrevistado, só será possível inverter este cenário com uma política séria de formação académica, com escolas que se tornem viveiros de sonhos e espaços de luz, e com dirigentes capazes de pensar a educação como pilar estrutural do futuro do país. É neste ponto que o professor insiste: a educação é a ferramenta mais sublime de combate às desigualdades e o único caminho para um amanhã mais justo e sustentável.   Depois de mais de 20 anos de experiência no ensino, passando pelo ensino básico, secundário e liceal, como descreve a evolução da literacia em São Tomé e Príncipe e que mudanças concretas observou no domínio da leitura e da escrita entre os alunos que formou desde 2004?   A evolução da literacia tem sido muito parca. É verdade que há mais gente que sabe ler e escrever, mas muitas delas são, como se diz, “analfabetos funcionais”. Os alunos não têm a literacia como uma ferramenta para a vida. O telemóvel, o tablet e o computador vieram fazer com que nos tempos presentes os alunos leiam e escrevam mais do que nos tempos anteriores, mas têm escrito cada vez pior e têm lido sem refletir. Não fazem leituras organizadas e estruturadas. Em termos de mudanças, eu vejo um maior acesso aos livros. Nos tempos passados era mais raro ver-se livros, embora a escassez ainda seja gigantesca, mas é menos gigante que há 20 anos. Os antigos, sendo saudosista como tendencialmente são os seres humanos, dizem que em tempos liam-se mais e escreviam-se mais. Eu não acho isto. Das pessoas que liam e escreviam eram um núcleo bem fechado. Eu não consigo ver grandes mudanças durante este 20 anos, sobretudo as mudanças significativas para melhor, digo isto com alguma pena. Eu sinto que falta fazer algo para estimular as efetivações das mudanças concretas em termos da evolução da literacia em São Tomé e Príncipe.   Lecionou disciplinas como Português, História, Filosofia, Integração Social e Formação Cívica em três escolas secundárias, além de ter atuado em dois polos universitários. De que forma essa diversidade de contextos e níveis de ensino influenciou a sua visão sobre as fragilidades e potencialidades do sistema educativo são-tomense?   Dei aulas em três escolas secundárias e em dois polos universitários e consegui trabalhar com estudantes de diversos quadrantes e faixas etárias e isto foi uma experiência enriquecedora e gratificante. Hoje posso dizer, até certo ponto, que conheço as fragilidades e potencialidades do sistema educativo são-tomense. As fragilidades são muitas, desde dirigentes políticos que não sabem pensar politicamente a educação, professores mal preparados, currículos escolares inadequados, infraestruturas muito deficitárias, pais e encarregados de educação desarticulados com as escolas, etc.   Todavia, os alunos são-tomenses são, de uma forma geral, muito inteligentes, gostam de estar na escola e sente-se bem estando no ambiente escolar. Mas os alunos não veem a escola como um lugar onde podem mudar as suas vidas. Não há grandes certezas sobre os benefícios da educação escolar. Nós precisamos fazer das escolas um lugar de esperança, um espaço de luz para os alunos, um viveiro dos sonhos.   No ensino superior, já trabalhou com cadeiras como Direito, Noções de Direito e Cidadania, Relação de Ajuda e Ética e Deontologia Profissional. Que contributos acredita que estas unidades curriculares oferecem para a formação de jovens profissionais num país que procura melhorar os seus índices de literacia e reforçar as competências cidadãs?   A tradição universitária é bem recente no país. A universidade pública como tal nem tem uma década de existência e isto agrava ainda mais a nossa responsabilidade enquanto professor. As unidades curriculares que leciono têm contribuído para que os jovens profissionais estejam mais bem preparados como profissionais e também como cidadãos. São unidades curriculares que transmitem as responsabilidade cívicas, humanitárias e sociais. Numa sociedade como a nossa, onde há muitas fragilidades institucionais, sinto que há uma responsabilidade acrescida em relação às minhas unidades curriculares, uma vez que todas elas tendem a contribuir para o reforço das virtudes individuais e coletivas, o que poderá traduzir em profissionais preparados para se criar as instituições fortes.   São Tomé e Príncipe enfrenta desafios estruturais no domínio da educação, desde carências de recursos até desigualdades sociais profundas. Com a experiência acumulada em sala de aula e no trabalho cívico e comunitário, que mudanças considera essenciais para melhorar os resultados de literacia e o desempenho geral dos estudantes?   Ainda temos um número muito reduzido de pessoas com formação superior no país. Precisamos de uma política séria de formação académica dos cidadãos, para reduzirmos as desigualdades sociais existentes, porque sabemos que a educação é uma sublime ferramenta para de combater a desigualdade social. Com a minha experiência como professor e ainda no trabalho cívico e comunitário, vejo que a educação não formal é uma ferramenta muito útil para o desenvolvimento dos cidadãos e de um país, mas que têm sido subvalorizado. Vejo ainda no país uma aguda falta de instituições vocacionadas para a melhoria de literacia e o desenvolvimento geral dos estudantes. As nossas escola têm que ter biblioteca de verdade, ou seja, com ferramentas que ajudem na melhoria da literacia dos estudantes. Temos de ter um sistema de ensino que enaltece as virtudes dos cidadãos, que leve aos cidadãos à tomada de consciência da sua importância para si e para toda uma sociedade.  Não podemos estar somente a falar dos livros como que se estivéssemos a falar das estrelas; devemos falar dos livros com os livros nas mãos, devemos fazer os livros chegarem aos estudantes para que os alunos possam efetivamente experimentar e sentir as transformações que a leitura poderá fazer nas suas vidas. Os alunos precisam de ter os professores como exemplos e não aqueles que dizem “faça o que eu digo e não o que eu faço”. Sabemos a importância dos exemplos: um professor que aconselha aos alunos a lerem, mas os alunos nunca lhe veem com o livro, jamais acreditará nele. Precisamos de professores que deem a resposta dada talvez pelo Gandhi: a minha vida é a minha mensagem. Quando falo dos professores, pretendo ir mais longe, porque de uma forma quase que geral os estudantes precisam de referências, precisam de exemplos.   Como professor que acompanhou várias gerações de alunos, trabalhando em múltiplas escolas e universidades, que constatações retira sobre a motivação dos jovens, a preparação dos docentes e o papel das políticas públicas no futuro da educação em São Tomé e Príncipe?   Atualmente, a desmotivação dos jovens é muito grande. Estamos a enfrentar, como nunca antes, uma grande onda de emigração com o destino para Europa, tendo Portugal como a porta de entrada. Os jovens já não acreditam num futuro melhor e se sentem impotentes perante a realidade e, quem está mal e sente que nada pode fazer para mudar o seu estado, faz o óbvio, muda-se para outro lugar. Esta mudança é acompanhada por sentimento de que os dirigentes políticos não têm olhado para o jovens, assim, “é melhor irmos para onde temos a certeza ou a sensação de que há dirigentes políticos pensando em nós”, sendo esta uma conclusão comum de um jovem. Em relação aos docentes a realidade não é animadora.   Não há propriamente um ambiente académico que possa fortalecer o espírito académico nos docentes, há uma aguda carência bibliográfica, sobretudo no formato físico. Os salários na classe da docência são muito baixos e desmotivadores, o que faz com que muitos prefiram seguir outras carreiras ou ter de dar um número excessivo de aulas para obterem horas extras, as consequências recaem sobre os estudantes, sobretudo, que são vítimas diretas de má preparação dos docentes. O cenário pior têm sido os próprios docentes a optarem pela emigração. A realidade não é animadora. Quanto às políticas públicas para o futuro da educação em São Tomé e Príncipe, este é um assunto muito sério, porque briga com o futuro de uma nação. O país poderá e deverá desenvolver-se com a educação. Não tem como pensar em desenvolvimento sem pensar em educação e a grande verdade é que precisamos de dirigentes que tenham um pensar reformista e inclusivo considerando os papeis fundamentais das políticas públicas para um novo amanhã da educação em São Tomé e Príncipe.   Ígor Lopes

  • Shopping Recife celebra 45 anos com comemoração especial no Parque Gourmet

    Evento marca a trajetória de pioneirismo do empreendimento e terá menu elaborado pelas operações e chefs do novo polo gastronômico O Shopping Recife, pioneiro no varejo na capital pernambucana, celebra seus 45 anos no próximo dia 02/12 com um evento exclusivo para convidados no Parque Gourmet, seu recém-inaugurado polo gastronômico — um espaço que combina gastronomia, arte, arquitetura moderna, ambientes abertos e áreas verdes que convidam à convivência e à contemplação, especialmente ao pôr do sol. Primeira entrega do Masterplan, o Parque Gourmet reafirma a ressignificação do empreendimento, unindo estética, experiência e gastronomia em um mesmo ambiente. A noite reunirá representantes da sociedade, autoridades, imprensa, lojistas e os sócios empreendedores — JCPM, Allos, Magus e Milburn —, contando com programação musical e menu assinado pelos chefs das operações. Referência em inovação, arte, cultura, entretenimento e geração de negócios desde 1980, o Shopping Recife iniciou as comemorações em outubro, tendo a abertura do Parque Gourmet como marco estratégico deste aniversário. O local reúne o melhor da gastronomia local e nacional, incluindo casas comandadas por chefs premiados e reconhecidos no Brasil, como André Saburó (Sushi Yoshi) — eleito duas vezes Sushiman do Ano pela revista Prazeres da Mesa —, Pedro Godoy (Terra) — chef pernambucano com dois restaurantes na lista dos 100 melhores do país pela Revista EXAME — e Biba Fernandes (Chiwake) — referência na culinária peruana no Brasil. As operações completam o conjunto gastronômico com propostas contemporâneas que dialogam com o projeto arquitetônico aberto e integrado ao verde, reforçando o posicionamento do empreendimento como sinônimo de inovação e versatilidade. A apresentação do evento ficará a cargo da influenciadora pernambucana Camila Coutinho, profissional que mantém uma relação histórica com o Shopping Recife desde sua participação no primeiro Recife Fashion Week e posteriormente com a abertura da primeira loja física da GE Beauty, em 2020. Camila retorna ao shopping após participar do lançamento do Masterplan, em 2024, contribuindo para conduzir a programação da noite, que ocorre em um cenário marcado pela integração entre gastronomia, arte, paisagismo, arquitetura contemporânea e boa música. O menu da celebração terá criações marcadas pela técnica e pelas premiações que consagram os chefs do Parque Gourmet entre os mais relevantes do país: Sushi Yoshi, comandado por André Saburó; Terra, novo empreendimento de Pedro Godoy; e Chiwake, do chef Biba Fernandes. Complementam o cardápio da noite as preparações especiais de Boteco Cia do Chopp, Brûlée Pâtisserie, Toscana Forneria, Zio e Fazenda Churrascada, que apresentam receitas inéditas desenvolvidas exclusivamente para o evento. Para as crianças, o Novo Quintal contará com programação especial. A trilha sonora da noite será conduzida pelos DJs Lala K e Damata, além de apresentação de Caike Souza, destaque da nova cena musical recifense. História registrada em livro Para o grande momento, os convidados receberam um livro comemorativo que narra a evolução do Shopping Recife, da concepção do empreendimento à inauguração do Parque Gourmet. A publicação reúne registros históricos, números relevantes e bastidores do shopping, destacando o pioneirismo que marcou e continua a ser evidenciado a cada etapa dessa trajetória. Parque Gourmet Primeira entrega do Masterplan do Shopping Recife, o Parque Gourmet possui 6 mil m² distribuídos em três pavimentos, com 1,8 mil lugares entre áreas internas, varandas e ambientes ao ar livre. O projeto privilegia iluminação natural, integração com áreas verdes, circulação aberta, paisagismo que valoriza a natureza e espaços de contemplação, especialmente no entardecer. O conceito alia arquitetura moderna, gastronomia autoral e experiência sensorial, além de reforçar a proposta pet friendly, com área dedicada para animais de estimação e seus tutores na parte externa. Localizado próximo ao Parque das Esculturas e ao ParCão, o espaço reúne diferentes perfis gastronômicos, alguns premiados pela imprensa nacional, como Sushi Yoshi (André Saburó), Terra (Pedro Godoy), Chiwake (Biba Fernandes), Toscana Forneria, Boteco Cia do Chopp, Brûlée, Zio, Fazenda Churrascada e Novo Quintal para entretenimento infantil. O polo receberá ainda o restaurante Teresita, com abertura prevista para 2026. Em suas primeiras semanas de funcionamento, o Parque Gourmet já possui números que impressionam, dentre eles o de visitantes que já ultrapassa mais de 140 mil, consolidando-se como nova âncora gastronômica da cidade. Instituto Shopping Recife Braço social do Shopping Recife, o ISR tem como uma de suas missões promover formação empreendedora e profissional para jovens e adultos da comunidade de Entra Apulso, localizada no entorno do Shopping Recife, contribuindo para sua empregabilidade e autonomia. Para a abertura do Parque Gourmet, o Instituto Shopping Recife ofereceu cerca de 16 cursos de qualificação a mais de 100 participantes, resultando na contratação de colaboradores para os restaurantes da nova área gastronômica. Sobre o Shopping Recife e o Masterplan Fundado em 1980, o Shopping Recife é pioneiro no varejo pernambucano e foi responsável por impulsionar um novo eixo socioeconômico na Zona Sul do Recife. Com sociedade formada por JCPM, Allos, Magus e Milburn, o empreendimento reúne mais de 450 lojas, mais de 90 operações de alimentação, 14 salas de cinema, centro médico e áreas para eventos de múltiplos formatos, além do ParCão, parque pet ao ar livre com 1.400 m². O Masterplan, estruturado em fases ao longo dos próximos anos, prevê investimento inicial de R$ 250 milhões destinado às duas primeiras entregas: o Parque Gourmet e o Recife MedCenter, previsto para 2027, com a expectativa de gerar mais de 1.700 empregos diretos, fortalecendo o papel do Shopping Recife como um dos principais polos de serviços, saúde, lazer, gastronomia, arte, convivência e bem-estar da capital pernambucana. Informações à Imprensa Dupla Comunicação Nathália Pereira - 81 99416-3249 - nathalia@duplacom.com.br Isabel Bahé - 81 98699-1352 - isabel@duplacom.com.br Michele Cruz - 81 99962-1402 - michele@duplacom.com.br Cristina Granato

  • Paço Imperial inaugura a exposição “Gilberto Salvador – Geometria Visceral”

    Com curadoria de Denise Mattar, mostra apresenta um panorama da mais recente produção do artista, incluindo obras de acessibilidade Imagens divulgação   O Paço Imperial inaugura na próxima terça-feira, dia 9 de dezembro de 2025, a exposição “ Geometria Visceral ”, com um panorama da mais recente produção do artista paulistano Gilberto Salvador . Com curadoria de Denise Mattar , serão apresentadas cerca de 40 obras , entre pinturas, esculturas e vídeos , que ocuparão todos os três salões do segundo pavimento do Paço Imperial. Há 17 anos sem expor no Rio de Janeiro , o artista tem uma forte relação com a cidade, tendo criado, inclusive, obras que retratam a paisagem carioca. Preocupado com a acessibilidade, o artista, que tem dificuldade de locomoção devido à paralisia infantil que teve aos 9 meses de vida, criou duas esculturas táteis, que poderão ser tocadas pelos visitantes . “Eu acho fundamental o público ter essa experiência”, afirma o artista.   A exposição será uma oportunidade para o público carioca ter contato com a obra deste importante artista, que tem mais de 60 anos de trajetória e nunca deixou de trabalhar, mesmo diante de tantas adversidades . “Vale observar que a obra de Salvador, integrante essencial da cena artística paulista, é hoje pouco conhecida no Rio de Janeiro, em grande parte devido às dificuldades de locomoção do artista, cadeirante, pouco afeito a evocar suas limitações físicas, e, exatamente por isso, um exemplo de resiliência e coragem. Com isso, a exposição reveste-se também de um caráter de ineditismo, oferecendo ao público carioca a oportunidade rara de descobrir um artista, na madura plenitude de sua produção”, afirma a curadora Denise Mattar.   A mostra será focada na produção mais recente do artista, mas começará com obras emblemáticas criadas nas décadas de 1960 e 1970, que pontuam o percurso de Gilberto Salvador nas artes. Entre elas estará “Viu...!” (1968), que destaca o embate com a ditadura militar, período de extrema importância na obra de Salvador. “Desde os seus primeiros trabalhos nos anos 1960, Gilberto soube fundir a racionalidade construtiva com um ímpeto visual orgânico. Suas primeiras experimentações gráficas e pictóricas revelam uma consciência política imbricada ao ato plástico — a cor como discurso, o traço como denúncia”, conta a curadora.   Gilberto Salvador começou sua trajetória com obras mais figurativas, que, aos poucos, foram se tornando mais abstratas. A curadora chama a atenção para a utilização de materiais diversos na obra do artista, como folhas de acrílico, tinta, metal e objetos variados, muitos deles vindos da construção civil, em uma referência à sua formação em arquitetura e urbanismo. “Gilberto incorpora diferentes materiais de uma forma absolutamente harmônica, é um trabalho muito rico de materiais, em todas as fases de sua trajetória”, ressalta.   Os recortes nas obras, destacando as formas, também são outra característica marcante do trabalho do artista, assim como as cores fortes e vibrantes, que fazem referência à brasilidade. “Quando eu era criança uma das coisas que mais me impressionava eram os cartazes que havia na porta dos cinemas, com uma cena printada na madeira e recortada como se ela estivesse ganhando vida. Esse fator se repetiu durante todo um percurso da minha obra e, ao mesmo tempo, ganhou um elemento de pintura muito forte que é o cromatismo, que são cores vibrantes, que tem a ver com a nossa questão tropical. O Brasil tropical é colorido, a nossa flora é colorida”, diz o artista, que trabalhou muito tempo com paisagismo. “Linhas geométricas, volumes fragmentados e composições calculadas evocam a sua formação como arquiteto e sua capacidade de construir mundos visuais nos quais o rigor formal é permeado por uma inquietação subjetiva. Por vezes seu trabalho se apropria de elementos da fauna, da mitologia indígena e do imaginário popular para compor um léxico visual brasileiro que propõe uma síntese entre memória coletiva e fabulação individual, explodindo em cor, ritmo e densidade simbólica”, ressalta a curadora.   O nome da exposição tem a ver com o fazer artístico de Gilberto Salvador. “O que mais me chama a atenção no trabalho dele, e por isso eu dei este título de Geometria Visceral , é que todo o construtivismo, a geometria, são absolutamente permanentes na obra do Gilberto, mesmo nas primeiras obras, que tem mais o espírito da Pop Arte, há a presença marcante da geometria. Mas sempre há um contraponto de uma forma orgânica presente em toda a obra dele”, diz Denise Mattar.   CONJUNTOS DE LINGUAGENS Logo no início da exposição estarão as obras históricas e também as obras táteis. Os trabalhos mais recentes estarão reunidos por temas, conjuntos de linguagens. Entre eles, estarão obras que trazem imagens do Rio de Janeiro. “São paisagens recortadas, que começam com o perfil dos dois irmãos, vão para as montanhas, pegam o Pão de Açúcar e o Saco do Mamanguá em Paraty. Há também uma pintura que traz o Pão de Açúcar de forma dramática, negro, cinzento, em grafite. Essas obras fazem referência aos desenhos que Thomas Ender fez quando esteve no Brasil com a princesa Leopoldina no século XIX”, conta o artista.   Um conjunto de obras com quadriculados, que lembram azulejos de piscinas, também chamam a atenção na mostra. “É uma memória gráfica da piscina, dos quadriculados que eu via durante as horas que passava nadando, e acabei incorporando aquilo quase como uma textura evidente do meu trabalho. Se olhar bem elas têm esse caráter gráfico que lembra um quadriculado e, ao mesmo tempo, gera uma tridimensionalidade que é aparente na hora em que a madeira é recortada”, conta o artista.   Haverá também uma série com nove obras amarelas em caixa de acrílico nas quais o artista coloca elementos diversos, como um prumo (instrumento usado na construção civil para garantir a verticalidade de estruturas), bolas de tênis pintadas de preto e placas de chumbo.   “Nesta coletânea uso uma série de linguagens com vários suportes diferenciados, que vão da aquarela à escultura, tudo dentro de caixas de acrílico. As placas de chumbo, por exemplo, são marteladas e costuradas na madeira para dar um aspecto de matéria orgânica”, explica o artista.   O acrílico também é utilizado em outras obras, que trazem um tipo específico do material, que polariza a luz. “Esse tipo de acrílico parece estar emanando luz devido à característica de sua estrutura molecular, a luz parece estar brotando do trabalho. Utilizo este material quase como uma veladura.”, afirma o artista. Um destes trabalhos estará na última sala, em uma parede pintada de preto, dando para perceber claramente o efeito de luminosidade.   Também na última sala, haverá uma série de vídeos sobre o artista e seu processo de processo de trabalho, apresentando também obras que não estarão na exposição, como uma série de aquarelas feitas com café e uma edição de gravuras em metal, ampliando o entendimento sobre a trajetória de Gilberto Salvador.    SOBRE O ARTISTA Gilberto Salvador (São Paulo, 1946) é formado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de São Paulo (FAU/USP). Dentre suas principais exposições individuais, destacam-se “Água + Forte” (2017), no Museu de Arte Contemporânea de Campinas Jose Pancetti (MACC), em Campinas – SP; “Dois momentos” (2013), na Pinacoteca do Estado de São Paulo; “Gênesis” (2009), no Museu da Casa Brasileira (MCB), em São Paulo, SP; “Reflexões Visuais” (2006), na Galeria de Arte do SESI, no Espaço Cultural da FIESP, em São Paulo, SP; “O Reino Interior” (2001), na Pinacoteca do Estado de São Paulo, em São Paulo, SP, e no Museu Alfredo Andersen, em Curitiba, PR; “30 Anos de Pintura” (1995), no Museu de Arte de São Paulo (MASP); “História natural do Homem Segundo Gilberto Salvador” (1985), no Museu de Arte de São Paulo (MASP), em São Paulo, SP.     SOBRE A CURADORA Denise Mattar crítica de arte e uma das mais respeitadas curadoras do país. Atuou em instituições como o Museu da Casa Brasileira (SP), o MAM-RJ e o MAM-SP, além de assinar retrospectivas de Di Cavalcanti, Anita Malfatti, Portinari e Alfredo Volpi, várias premiadas pela APCA. Recentemente conduziu projetos de destaque como Armorial 50 (CCBB) e Nossos Brasis (Caixa Cultural) reafirmando seu papel como referência em exposições que unem rigor histórico e sensibilidade contemporânea.   Serviço: Gilberto Salvador – Geometria visceral Abertura: 9 de dezembro de 2025, das 15h às 19h Exposição: até 1º de março de 2026 Centro Cultural do Patrimônio Paço Imperial [2° pavimento] Praça XV de Novembro, 48 – Centro – Rio de Janeiro – RJ Terça a domingo e feriados, das 12h às 18h. Entrada gratuita Curadoria: Denise Mattar Patrocínio: Itaú Produção: Tisara Arte Produções Alex Varela

  • Centro Coreográfico do Rio oferece Oficina Gratuita de Produção Cultural para Dança

    Nos dias 06, 13 e 20 de dezembro de 2025 , o Centro Coreográfico do Rio de Janeiro promove a Oficina de Produção Cultural para Dança , iniciativa gratuita voltada a estudantes e artistas de Dança e Artes Cênicas interessados em aprofundar seus conhecimentos sobre criação, planejamento e realização de projetos culturais. Ministrada por Ary Freitas, Nando Andrade , Maciel Tavares, e o mestre  Roberto Lima , a oficina acontece em formato de roda de conversa e tem como objetivo estimular e desenvolver a capacidade de idealizar e executar ações culturais por meio de embasamento teórico e compartilhamento de experiências da cena local. A atividade abordará temas como pré-produção, execução, pós-produção, editais, perfis profissionais e metodologias aplicadas na área. O conteúdo parte do histórico e da incrível trajetória do Núcleo de Dança para Atores , coletivo carioca de dança-teatro com 25 anos de atuação e residência artística no próprio Centro Coreográfico desde 2018. Ao longo dos encontros, os participantes terão a oportunidade de compreender processos, desafios e estratégias que estruturam o trabalho de produtores e artistas no campo da dança contemporânea. A oficina será realizada presencialmente, sempre das 9h30 às 11h , e pretende reunir até 30 participantes por encontro. As inscrições já estão abertas e podem ser feitas por artistas, estudantes e demais interessados na área. Para Nando Andrade, contribuir com a formação de novos profissionais e fortalecer o diálogo em torno da produção cultural é motivo de entusiasmo: “É uma honra participar desta iniciativa e colaborar com o trabalho do Centro Coreográfico do Rio de Janeiro, um verdadeiro polo cultural e referência em dança no país.” SERVIÇO Oficina de Produção Cultural para Dança Datas:  06, 13 e 20 de dezembro de 2025 Horário:  9h30 às 11h Local:  Centro Coreográfico do Rio de Janeiro Atividade gratuita – presencial Público-alvo:  estudantes e artistas de dança e artes cênicas   Nando Andrade

  • Brasil: Governador da Paraíba anunciou novos editais literários durante Fliparaíba

    João Azevêdo, governador do Estado da Paraíba, no Nordeste do Brasil, autorizou, durante a edição 2025 do FliParaíba, novos editais para o lançamento de obras literárias e para o reforço das bibliotecas públicas estaduais. Decisões anunciadas na noite de 27 de novembro, no Centro Cultural São Francisco, em João Pessoa. As medidas marcaram o início de uma programação que integrou literatura, artes visuais e expressões tradicionais, num evento organizado pelo Governo da Paraíba através da Secretaria de Estado da Cultura e estruturado sob a curadoria do escritor português José Manuel Diogo. A noite de abertura apresentou lançamentos de livros, sessão de autógrafos e manifestações culturais como o toré indígena, o coco quilombola do coletivo Caiana dos Crioulos e o sarau cigano. Houve ainda a vernissage da exposição Versos Parahybridos, composta por imagens e poemas de representantes das comunidades indígenas, quilombolas e ciganas da Paraíba. O concerto da Orquestra Sanfónica Balaio Nordeste, dirigida pelo maestro Lucílio Souza, encerrou a programação inaugural com repertório dedicado ao forró de raiz. O tema escolhido para esta edição, Nossa Língua, Nossa Gente: ancestralidade, identidade e o futuro da democracia, orientou o discurso do secretário de Estado da Cultura, Pedro Santos, que sublinhou a ligação entre memória, língua e futuro democrático. O programa contou com vozes que representam diferentes matrizes culturais. O cigano António Pedro, da etnia Calon, destacou o seu papel na preservação do idioma e da história do seu povo. Já a quilombola Doraci da Silva valorizou a representatividade da comunidade Caiana dos Crioulos no festival. A professora de Língua Portuguesa Lindjane Pereira apresentou a colectânea Entre Muros e Sussurros, reunindo contos marcados pelo impacto da pandemia e por questões sociais contemporâneas. A cerimónia reuniu autoridades e instituições parceiras, entre elas a presidente da Empresa Paraibana de Comunicação, Naná Garcez; a presidente da Funesc, Bia Cagliani; o secretário de Estado da Cultura de Portugal, Alberto Santos, presente enquando autor; e o presidente da Associação Portugal-Brasil 200 anos, José Manuel Diogo, também curador do Fliparaíba. Azevêdo destacou que o festival consolidou-se como política de Estado, assinalando a participação de autores da Paraíba em iniciativas internacionais, além de reforçar que a troca entre países lusófonos fortalece o alcance do festival. O FliParaíba terminou dia 29 de novembro com debates, oficinas de cordel e xilogravura, apresentações populares, espectáculos musicais e a presença de mais de trinta autores de países de língua portuguesa, numa edição marcada pela diversidade e pela circulação de ideias. Ígor Lopes

  • Rebeca Andrade, Diego Ribas e Buchecha atraem multidão em noite de celebração dos 25 anos da Clínica Dr. Veit e do Natal Azul - Shopping Leblon

    Rebeca Andrade, Diego Ribas, Bruninha  Letícia e Buchecha participam do Painel de 25 anos da Dr. Veit, comandado por Dr. Veit e Dra. Cynthia Veit Era para ser só mais uma tarde no Rio de Janeiro, mas o Shopping Leblon parou com a atleta olímpica Rebeca Andrade e com o ex-atleta Diego Ribas, no Painel de 25 anos da Dr. Veit, liderado por Dr. Veit e Cynthia Veit... A dupla consagrada no esporte deu muitos autógrafos e emocionou o público com suas histórias... Ao som do cantor Buchecha com “Nosso sonho não vai terminar...” As pessoas foram à loucura com as canções do artista, que é embaixador do Natal Azul há mais de dez anos e embalou não só o público... O ídolo do Flamengo e agora comentarista e palestrante, Diego Ribas soltou a voz no microfone e dançou muito ao lado da mulher, a influenciadora Bruninha Letícia... Mas algo uniu essa profusão de estrelas: os 25 da Dr. Veit e do Natal Azul, que nesses anos já ajudou mais de 40 mil crianças... O projeto foi fundado pelo cirurgião-dentista, Dr. Veit e pela sua esposa, Cynthia Veit e hoje já é referência no atendimento social com mais de 26 instituições auxiliadas nesses anos, com cestas básicas, kits de higiene bucal, brinquedos, doações, presentes e muito mais que isso: valores e ensinamentos.   A noite começou com um bate papo pra lá de inspirador com Rebeca Andrade, a maior medalhista olímpica do Brasil, que falou sobre saúde mental, sonhos e sua trajetória de vida... Além de atleta, a campeã também estuda Psicologia, que era o sonho de sua mãe, inclusive... Rebeca também lembrou, em um ato de carinho, que quando retornou ao Brasil com as medalhas, fez questão de levar para sua dentista, a Dra. Cynthia Veit.   Já o anfitrião da noite, Dr. Veit, que alcançou mais de 30 mil pacientes, comandou o papo com o craque Diego Ribas. O ex-atleta do Flamengo e do Santos falou sobre como o sorriso transforma, disciplina e família, ao lado da mulher, Bruna Letícia. Juntos, falaram sobre a importância do casamento e ela, principalmente, abordou sobre projetos sociais...  Vale ressaltar que o casal estará presente na grande festa de celebração do Natal Azul, palestrando exclusivamente para crianças carentes, levando palavras de motivação e inspiração.   A noite, que virou uma festa no coração da Zona Sul carioca, também recebeu o superintendente do Shopping Leblon, Rodrigo Lovatti, que firmou parceria com o Natal Azul, e agora também poderá contribuir com a Comunidade da Cruzada, no bairro. O evento ainda recebeu os filhos de Veit, Nathan e Layla, além de personalidades como o empresário Alexandre Accioly; Joanna Lowndes Furtado e a jornalista Aline Pacheco, entre outros. O Painel 25 anos Dr. Veit também recebeu nomes da cena carioca como Iná Arruda, Ana Cequini, Simone Cavallieri, Cris Ferracciu, além de Kika Macedo, Sabrina e Ligia Schuback, Bel e Lygia Dana, Taciela Cylleno e  Maria João Cruzeiro. Vera Donato

  • OSRJ apresenta Concerto de Natal Solidário 2025 no Teatro Adolpho Bloch

    No dia  09 de dezembro , o  Teatro Adolpho Bloch  será o palco do  Concerto de Natal Solidário 2025 , apresentado pela Orquestra de Solistas do Rio de Janeiro (OSRJ), sob direção e regência do maestro Rafael Barros Castro. O espetáculo celebra o espírito natalino com um repertório que unirá clássicos universais e composições brasileiras em arranjos especiais para a formação da orquestra, prometendo uma noite emocionante e inspiradora. A OSRJ, reconhecida por sua excelência artística e versatilidade, reúne alguns dos mais destacados instrumentistas do país e tem como proposta aproximar o público da música de concerto com apresentações acessíveis e de alta qualidade. Nesta edição especial, o concerto assume um caráter solidário, reforçando o compromisso da orquestra com a cultura e a responsabilidade social. O evento, que integra o Plano Anual do Instituto Evoé, incentivado por meio do Pronac, promete encantar plateias de todas as idades com a magia das festas de fim de ano. Teatro Adolpho Bloch Localizado no histórico Edifício Manchete, na Glória, Rio de Janeiro, projetado por Oscar Niemeyer e com paisagismo de Burle Marx, o Teatro Adolpho Bloch é palco de momentos célebres da cultura brasileira. Desde maio de 2019, o Instituto Evoé é responsável por devolver ao Rio de Janeiro esse espaço icônico, transformado num complexo cultural moderno. Graças à genialidade de Niemeyer, que criou um palco reversível, tornou-se possível, mesmo em períodos desafiadores como a pandemia, promover espetáculos e eventos tanto na área externa, ao ar livre, quanto na interna, ou nas duas ao mesmo tempo, em formato arena, proporcionando múltiplas formas de criar e consumir arte e entretenimento. Único teatro na cidade do Rio de Janeiro com palco reversível, permitindo que o público se acomode na área externa, o Teatro Adolpho Bloch ganhou, em 2021, o formato arena, com capacidade para 359 lugares internos e 120 externos, e palco de 140 m², equipado com a melhor estrutura. O espaço abriga ainda o bistrô Bettina Café & Arte. Serviço OSRJ – Concerto de Natal Solidário Data:  09 de dezembro de 2025 Horário:  20h Classificação:  Livre Duração:  80 minutos Ingressos : Plateia Central : R$ 80,00 Inteira / R$ 40,00 Meia Plateia Lateral : R$ 50,00 Inteira / R$ 25,00 Meia Vendas:  https://www.ingresso.com/espetaculos/orquestra-de-solistas-do-rio-de-janeiro-concerto-de-natal-solidario   Alex Varela

  • Aniversário do Grupo Exposições

    Sexta feira dia 5 , o grupo EXPOSIÇÕES de Ana Cristina Carvalho , comemora 2 anos com festa no Hotel FAIRMONT RIO que promete parar a tarde . O programa se inicia com apresentação da Camerata de Violinos dos Jovens do Uerê (projeto social de Yvonne Bezerra de Melo) segue com histórias contadas , homenagens e após o almoço , cujo cardápio foi desenhado especialmente pelo FAIRMONT para o grupo , a animação ficará por conta do DJ . As amigas que compoe o grupo compartilham um amor em comum : A ARTE . Ana Cristina Carvalho

  • Dia Nacional do Samba - a voz que move o Brasil

    Revista do Villa - Por Luís Villarino Com suporte de Délcio Marinho & ChatGPT No calendário afetivo do Brasil, poucas datas carregam tanta identidade quanto o Dia Nacional do Samba. É mais que música: é história viva, memória afetiva, fundamento cultural. É a reafirmação desse ritmo que atravessou séculos e hoje se impõe como um dos maiores símbolos do país. Quando o Samba chega ao Rio de Janeiro, ele encontra seu berço definitivo. Foi ali que ganhou poesia, forma e personalidade. E ninguém traduz melhor essa alma carioca do que Zé Keti, que imortalizou a frase que virou manifesto: “Eu sou o Samba, sou natural daqui do Rio de Janeiro.” Em “A Voz do Morro”, ele não apenas canta: ele apresenta o Samba ao mundo como um sujeito vivo, consciente de sua origem, de sua força e de sua missão cultural. É essa voz — ancestral, coletiva e orgulhosa — que repercute nas ladeiras, nos botequins, nos ensaios e nas madrugadas do Rio. E é essa mesma voz que faz do Samba um dos maiores atrativos turísticos do Brasil, capaz de transformar a cidade em um palco global onde milhões vêm sentir, ao vivo, um patrimônio que pulsa no compasso da história. Mas hoje, nossa comemoração vai além das escolas e dos desfiles. O Dia Nacional do Samba pertence a cada pessoa que põe o coração na avenida e na rua: À porta-bandeira que carrega a honra com leveza. Ao mestre-sala que dança com elegância e devoção. À Velha Guarda, que guarda no peito um tempo que nunca morre. À Ala de Compositores, que cria universos em forma de melodias. Aos passistas, que transformam o corpo em instrumento. Ao mestre de bateria, comandante de um exército de tambores. Aos músicos, cantores e compositores, que mantêm o Samba respirando. Aos carnavalescos, figurinistas, costureiras, aderecistas, artistas invisíveis que constroem mundos inteiros. E não podemos esquecer dos blocos e bandas de rua, berço absoluto da democracia cultural brasileira. São eles que devolvem a cidade às pessoas e lembram que a alegria — a verdadeira — é coletiva. O Samba, desde sua origem, abraça todos: ricos, pobres, velhos, jovens, moradores, turistas, iniciados e curiosos. E é justamente essa mistura que explica por que ele permanece tão atual e tão necessário. No fundo, celebrar o Dia Nacional do Samba é reafirmar que a alegria é a finalidade da vida. E enquanto houver alguém capaz de bater no peito e cantar junto, o Samba seguirá vivo, resistente e natural — como Zé Keti ensinou. Viva o Samba. Viva quem faz o Samba. Viva quem vive o Samba. Délcio Marinho

  • Cooperação entre Portugal e Brasil ganha novo impulso com inauguração do Núcleo de Lisboa do Grupo Luso-Brasileiro de Sustentabilidade

    Foto: divulgação Após os lançamentos em São Paulo e no Rio de Janeiro, o Grupo Luso-Brasileiro de Sustentabilidade (GLBS) inaugurou um novo núcleo em Lisboa durante um evento realizado no último dia 25 de novembro. Organizado pelos membros do Núcleo de Lisboa do Grupo, Rui Ferreira Amaral, Cláudia Gazar e Helena Estrela da Silva, o evento contou com a participação de diversos oradores ligados ao GLBS, à Intelcia, à Câmara de Comércio e Indústria Luso-Brasileira e ao Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável de Portugal. A iniciativa teve ainda o apoio institucional da Rede Governança Brasil, do 2i2 Institute BR e do A3P – Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Estiveram presentes no painel Carla Marques, CEO do Intelcia Portugal, Bernardo Ivo Cruz, membro do Conselho Consultivo do Grupo Luso-Brasileiro de Sustentabilidade, Otacílio Soares, presidente da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Brasileira em Lisboa, e Joana Spencer, representante do Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável da BCSD Portugal. As intervenções destacaram a importância da articulação estratégica entre empresas, instituições e redes de cooperação luso-brasileiras para consolidar práticas sustentáveis. Participaram ainda Ione Macedo Gomes, fundadora do Grupo Luso-Brasileiro de Sustentabilidade, Rui Ferreira Amaral, coordenador do Núcleo GLBS Lisboa, Cláudia Gazar, também coordenadora do Núcleo GLBS Lisboa, e Helena Estrela, coordenadora do mesmo núcleo. A sessão apresentou as primeiras linhas de atuação do grupo em inovação e responsabilidade ambiental, reunindo profissionais e entidades interessados em fortalecer parcerias na área da sustentabilidade. Otacilio Soares, presidente da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Brasileira (CCILB), realçou que a instituição tem dedicado os últimos anos a integrar de forma consistente a agenda ESG (Environmental, Social and Governance; em português, Ambiental, Social e Governança) nas suas atividades, promovendo a aproximação entre empresas, reguladores e investidores. “Hoje, não há estratégia empresarial de longo prazo que não passe pelos riscos climáticos, pela governança responsável e pelo impacto social das nossas decisões”, sublinhou este responsável, acrescentando que a criação deste núcleo marca um passo decisivo na consolidação de um corredor de cooperação sustentável entre os dois países. Neste sentido, Otacilio Soares explicou que a CCILB atua em três eixos estratégicos fundamentais para impulsionar a agenda ESG entre Portugal e Brasil. Ao mesmo tempo que serve de plataforma de conhecimento , organizando seminários e debates que aproximaram empresas, governo, academia e investidores em torno de temas como descarbonização, economia circular, finanças sustentáveis ou inovação verde, a CCILB também atua como ponte entre Portugal e Brasil , duas realidades que, embora distintas, são complementares. “Portugal quer consolidar-se como plataforma europeia para energia verde, hidrogénio, tecnologia e turismo sustentável. O Brasil tem um peso gigantesco na agenda climática, na bioeconomia, na agroindústria responsável, nas florestas e na transição energética. Se conseguirmos ligar esses pontos com inteligência - capital, tecnologia, mercados e projetos, criamos um corredor de negócios sustentáveis entre os dois países, com impacto real na economia e na sociedade”, defendeu Otacilio Soares, que sublinha que a CCILB “tem procurado aproximar esses mundos: ajudar empresas portuguesas a compreender as oportunidades e riscos de operar no Brasil e apoiar empresas brasileiras a se prepararem para competir em um mercado europeu cada vez mais regulado em matéria de sustentabilidade”. O terceiro papel da CCILB é o de indutora de compromissos reais: a ESG “não pode ser apenas narrativa”, mas antes decisão estratégica, critério de investimento e prática concreta de gestão. Durante a sua apresentação, Otacilio Soares aproveitou para convidar empresas e stakeholders a utilizarem a Câmara de Comércio que lidera como “plataforma de ação”, recorrendo aos seus comités, missões e grupos de trabalho. Ainda assim, para o presidente da instituição, o papel desta vai muito além da organização de eventos comprometidos com a agenda ESG: envolve promover cadeias de valor responsáveis, eficiência energética, logística de baixo carbono e inclusão de pequenas e médias empresas na agenda sustentável. “O nosso trabalho é transformar boas intenções em agendas de trabalho concretas”, concluiu Otacilio Soares. Ígor Lopes

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