Revista do Villa
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Revista luso-brasileira de conteúdo sobre cultura, gastronomia, moda, turismo,
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- Bravo Tenores In Concert: um espetáculo único com três Tenores e orquestra no Teatro Riachuelo Rio
Link para fotos: https://drive.google.com/drive/folders/1lOelNIIo5JFmxNqYPL0pffPOP0YTSv9F?usp=sharing Um show inteiro com os maiores clássicos italianos em um palco com três tenores, acompanhados de uma orquestra. É o que promete o espetáculo Bravo Tenores In Concert com a regência do maestro Renato Misiuk, que acontece no Teatro Riachuelo Rio no próximo dia 29 de janeiro. Criado em 2015, o espetáculo fez sua grande estreia no Espaço das Américas em SP para um público de 8 mil pessoas dividido em duas sessões. O crossover de estilos é presente sempre com os “Bravos”. Juntar numa mesma canção o protagonista do musical O Rei Leão com o Turandot da Ópera de Manaus é possível? Sim, é o que veremos e ouviremos ao vivo. Juntar um cantor oficial da Disney com o grande solista da festa de San Genaro dá certo? Acontece em nosso palco. O apresentador Ronnie Von disse em seu programa quando conheceu os Tenores: “Que me desculpem os queridos Pavarotti, Carreras e Placido Domingos, mas esses meninos são a reencarnação do original e tem uma vantagem, são brasileiros. Não perco o show deles por nada”. Teatro Riachuelo Rio O prédio, tombado como patrimônio histórico-cultural, é imponente e se destaca na Rua do Passeio, número 40 , reunindo passado, presente e futuro em um só lugar. O ícone da belle époque brasileira ficou com as portas fechadas por dois anos até 2016, quando foi devolvido à população como Teatro Riachuelo Rio, sempre com uma programação plural e acessível. Desde então, foram realizadas diversas peças, musicais, concertos e shows. Com uma área de aproximadamente 3.500 m², o teatro oferece uma estrutura completa para seus frequentadores, incluindo foyer, salas de ensaio, escritórios, camarins, área externa e uma grande sala com plateia para 999 pessoas. Mais do que um espaço físico, o teatro representa um compromisso com a promoção da cultura e da arte em suas diversas formas. O espaço conta ainda como o Bettina, Café & Arte, que além de abrir como bomboniere para atender ao público do teatro, funciona também para café da manhã e almoço. Serviço: Nome: Bravo Tenores in Concert Data e horário: 29 de janeiro, 20h Vendas: https://www.ingresso.com/espetaculos/bravo-tenores-in-concert Classificação: 12 anos Duração : 90 minutos Valores : Plateia VIP - R$280,00 Plateia - R$240,00 Balcão Nobre - R$200,00 Balcão Superior - R$ 42,00 Alex Varela
- Copacabana – A princesinha do mar – Parte Final
Avenida Atlântica - Anos 70 - Acervo Pessoal Os anos 1980 mostraram um Rio bastante diferente: uma cidade com visíveis sinais de enfraquecimento político e econômico, enfrentando graves problemas. Foram tempos de crescente descaracterização do bairro e pelo crescimento das favelas . A cidade assistiu a uma nova etapa rodoviária. Objetivando melhorar o trânsito, foi definida a ampliação do anel viário litorâneo, com o alargamento das praias de Copacabana, de Ipanema e do Leblon, entre outras ações. O paisagista Roberto Burle Marx remodelou as famosas calçadas de Copacabana em mosaicos desenhados com pedras portuguesas, reforçando uma antiga tradição que constitui uma das marcas do urbanismo carioca. Calçadão de Copacabana - Anos 70 Outro passo importante, buscando uma melhor qualidade de vida para os habitantes da cidade, foi a criação, em 1977, do Plano Urbanístico Básico do Rio de Janeiro. Segundo o professor Augusto Ivan de Freitas Pinheiro, a grande contribuição desse projeto reside em apresentar, pela primeira vez, o conceito de “preservação do patrimônio construído e natural” , orientação que influenciou todos os planejamentos até hoje. Entretanto o plano não avançou na questão habitacional voltada para as populações mais carentes. Esse primeiro planejamento urbano (submetido à consulta popular) veio apresentar soluções para a cidade, adequando-a à nova realidade. Contando com o apoio de recursos federais, teve importância particular, já que foi desenvolvido por técnicos locais, “talvez os únicos que poderiam desatar os nós e encontrar caminhos para a nebulosa situação urbana”, destacou a arquiteta e urbanista Nina Maria Rabha. Já a festa do Réveillon de Copacabana nos anos 80, ficou marcado com o espetáculo do Hotel Méridien, que incrementou um show de raios laser a famosa cascata de fogos. Cascata de fogos - Réveillon Anos 80 - Le Meridien Rio A partir daí, a hotelaria e os restaurantes da orla marítima, juntamente com a Prefeitura, aderiram a esse show, tornando Copacabana palco da mais grandiosa festa de réveillon do Rio de Janeiro e da maior queima de fogos simultânea do mundo, registrada no Guinness, o livro de recordes, desde 1990, que a cada ano recebe um público sempre maior, calculado em mais de 2 milhões de pessoas, que vêm de outros bairros, de outros estados, de outros países. Réveillon da Atântica - Anos 90 “Os primeiros shows pirotécnicos feitos em Copacabana foram feitos por Antônio Chieffi Filho e Biagino Chieffi, na época proprietários da Fogos Caramuru, que também fez a queima dos fogos de artificio da inauguração de Brasília, hospedados no Copacabana Palace, fizeram um show pirotécnico para a virada do ano daí então começou a tradição.” — Armando Chieffi “Em toda a orla, emergem de pequenos buracos cavados na areia, as luzes das velas circundadas de oferendas e são entoados cânticos por toda a curva atlântica. Os bares e os restaurantes ficam lotados e o calçadão se transforma no ponto nobre da tradicional passagem do ano. Os apartamentos defronte ao mar recebem seus convidados para sofisticadas ceias. É a confraternização pública e gratuita, mais pacífica do mundo, que acontece nos 4km de asfalto e areia, num ritual: olhar para o céu e deixar-se iluminar pelo esplendoroso show de pirotecnia. De uma ponta a outra da praia, do Forte do Leme ao Forte de Copacabana explodem os diversos tipos de fogos, durante 15min, culminando com o efeito mágico da cascata de luzes de 127m, que desce do topo do Hotel Méridien.” Copacabana passa abrigar outro evento que se fixou no calendário da cidade: a Maratona do Rio, que desde 1984 foi designada pelo Comitê Olímpico Brasileiro como prova seletiva das Olimpíadas de Los Angeles. Com início e final de percurso na praia, os 42.195m tem uma participação anual de 5.000 corredores, em média. Parque Estadual da Chacrinha - Copacabana Ainda nesse ano, o prefeito Marcello Alencar, em sua primeira administração, inaugura o Parque da Chacrinha , área verde do bairro, com acesso à reserva de mata atlântica do Morro de São João. Na ocasião foi plantado um espécime raro da flora nativa local, que havia desaparecido com a urbanização do bairro, a “Eugenia Copacabanensis” ou araçá da praia. No ano seguinte, atendendo a uma reivindicação antiga dos moradores do Bairro, o prefeito manda plantar na areia da praia de Copacabana, em vários locais, verdadeiros oásis de coqueiros. Dessa forma são garantidos outros pontos de sombra na praia. Mais o que mais ficara marcado nos anos 80, foi sem dúvida a boemia da centenária princesinha do Mar. Noite de Copacabana - Anos 80 Algumas boates marcaram a história do bairro como a Palace Club e Crepúsculo de Cubatão, anos 80. Boate Crepúsculo de Cubatão - Copacabana - Anos 80 O Palace Club ficava situado no prédio do atual Cassino Atlântico, no Posto 6 em Copacabana, e sucedeu ao “night-club” Castel nos anos 80, no hotel Rio Palace. Era uma sofisticada discoteca e piano bar. Ponto de encontro da sociedade carioca. Cartão da Boate Palace Club - Copacabana - Anos 80 Com o público jovem e underground, a boate Crepúsculo de Cubatão ficava na rua Barata Ribeiro, 54 em Copacabana e funcionou de 1984 a 1989.Sucesso inesquecível dos anos 80, a boate abriu as portas, em 1984, num subsolo de Copacabana e virou a casa noturna queridinha de uma multidão de jovens, atraídos pelo clima underground da casa e pela seleção musical, que incluía The Cures e Sisters of Mercy. Parte da fama da casa era atribuída à rigorosa seleção feita na porta. Copacabana, simplesmente única, complexa, deslumbrante e misteriosa. O único bairro carioca que consegue reunir todos sem distinção de classe social. Rainha da noite carioca que encanta a todos que nela passam! Copacabana - A Princesinha do Mar (nos dias atuais...) Vinícius de Moraes Fontes: Arquivo Pessoal Arquivo Nacional Arquivo Hotéis Othon S/A Brasiliana fotográfica Leme Antigo IPHAN André Conrado
- Entrevista: Ângela Brodbéck | Escritora
Escritora Ângela Brodbéck defende “raízes” como “principal fonte de inspiração”. Ângela Brodbéck tem 48 anos de idade, é escritora e trabalha no aeroporto de Zurique, na Suíça. É natural de Olinda, no nordeste brasileiro, e conta com dupla nacionalidade (Brasil-Suíça). Vive no país helvético desde 1996, onde continua a dar asa aos seus sonhos através da literatura, tendo como influências maiores as suas raízes no outro lado do Atlântico, mas também a cultura local. É casada com um suíço, tem duas jovens filhas (19 e 17 anos) e um filho de seis anos, todos nascidos na Suíça. Recentemente, esteve no Brasil a apresentar um nova obra. Em entrevista à nossa reportagem, Ângela revelou parte do seu percurso, o respeito que tem pela Suíça, o papel da literatura lusófona na Suíça e o carinho pela sua terra natal. Falou sobre projetos, explicou os seus livros e referiu como destina parte do seu tempo a outras causas sociais e de apoio ao próximo. Que livro foi apresentado no Brasil em dezembro? Foi uma manhã de autógrafos da minha autobiografia “Filha do Nordeste Brasileiro”, que aconteceu na Livraria do Jardim, no Recife, estado de Pernambuco, Brasil. Como explica a obra? O título "Filha do Nordeste Brasileiro" já contém a síntese dos meus objetivos. A obra é uma narrativa em que, pela análise das experiências pessoais, tentei entender a mim mesma. Mas também percebi que as minhas situações e infortúnios ainda são comuns na atualidade, e pessoas do mundo inteiro, de alguma forma, poderiam se beneficiar delas. A obra possui tanto sentido autoterápico quanto inspiracional, trazendo esperança para aqueles que não acreditam no decurso da vida. A obra ajuda a ressignificar e superar o passado, tornar o presente feliz e projetar um futuro esperançoso. Que outros livros tem publicados? Tenho paixão pela escrita e comecei desde cedo. A obra “Filha do Nordeste Brasileiro” foi o meu primeiro livro lançado. O segundo, “Deserto do amor”, é um livro de poesias e fotografias do deserto de Israel, país pelo qual também tenho muita afeição e que muito me influenciou. O terceiro livro, lançado em julho de 2024, é um romance ficção inspirado no calor e na exuberância do Estado de Pernambuco, intitulado “Samantha”. Que trabalho desempenha além da literatura? Após o lançamento do livro, criei um projeto na Suíça chamado “Espaço Internacional da Mulher”, onde, juntamente com uma equipa, que continha advogadas, psicólogas, psicopedagogas, nutricionistas, sexólogas, doulas e outras especialidades, promovíamos lives para trazer e discutir informações do universo feminino, como o combate à violência sexual, doméstica, doenças sexualmente transmissíveis e muitos outros temas. Este projeto foi inspirado na ONG brasileira “Casa de Passagem”, e demos continuidade ao seu lema: “A informação salva vidas”. Este trabalho me rendeu prémios na Itália, Portugal e França, e também fui a vencedora do “Prémio Luiza Brunet de enfrentamento da violência contra a mulher na Europa” em 2022. Por causa da minha paixão pela arte, realizo também um trabalho nas redes sociais denominado “Mostra tua arte na Suíça”, onde exponho talentos artísticos brasileiros residentes ou não na Europa. Através de livres e entrevistas, procuro incentivar e expor a cultura de Pernambuco e brasileira para a Suíça. Como a literatura entrou na sua vida? Desde cedo eu sempre amei ler, embora venha de uma família iletrada. Eu amava ler para a minha mãe e para os vizinhos que também eram iletrados. Eu era membro da biblioteca da escola. No ensino secundário, gostava muito de participar das competições de leitura e também de escrever. Cada livro que lia me inspirava a escrever outro. Cecilia Meirelles era a minha musa inspiradora na adolescência, assim como Monteiro Lobato e Jorge Amado. Até pensei em escrever novelas, mas, por ser uma romancista nata, escrevi durante o ginásio cinco livros, carinhosamente datilografados pela bibliotecária da escola. Todos eles foram expostos e lidos; isto foi um grande incentivo que deixava a jovem Ângela muito feliz. Apresenta os seus livros também na Suíça? Muito pouco. Vendi bastante exemplares aqui, porém, tudo via Instagram. Nunca estive numa feira ou salão de livros para fins de venda. Já estive em lançamentos na Espanha, apresentei a minha história em alguns seminários e encaminho as pessoas ao link de compra.A única feira que participei foi em Lisboa, no stand da Rede Sem Fronteiras. Foi uma experiência maravilhosa. Este ano pretendo ir ao salão do livro em Genebra. Na sua opinião, como a literatura lusófona, em língua portuguesa, é vivenciada na Suíça? Atualmente, tenho visto muito empenho e valorização. As organizações de salões de livros em Genebra têm reunido muitos autores brasileiros residentes na Suíça e em outros países da Europa. Estamos ganhando muitos leitores brasileiros aqui, pois eles aprendem, através da cultura europeia, a valorizar ainda mais a sua cultura e o seu idioma. Como é ser uma escritora brasileira no país helvético? A Suíça é um país maravilhoso, com os seus lagos azuis, alpes, montanhas e outras belezas naturais; este encanto tomou parte na construção das minhas obras, mas o Brasil é a minha raiz e principal fonte de inspiração. Tenho uma relação profunda e especial com a minha terra natal. Quanto às minhas obras, a Suíça ainda não as absorveu devidamente pela ausência de tradução para o alemão, mas a edição portuguesa teve uma boa recepção entre os meus conterrâneos. Explique a sua experiência e participação na sessão especial da série documental, “Eu não desisto de você”, que aborda sobre a Casa de Passagem, ONG que acolhe comunidades carentes. Qual o seu envolvimento? A advogada Ana Vasconcelos (1944-2009), ex-presidente da Casa de Passagem, é homenageada com a série biográfica "Eu não desisto de você", composta por cinco episódios de 26 minutos, que será exibida pela TV Brasil (data indefinida). O documentário reconstrói a sua trajetória através dos testemunhos das ex-meninas moradoras de rua e de comunidades carentes do Recife que frequentaram, na década de 1990, a ONG Casa de Passagem. Eu fui uma das meninas carentes que participaram no Projeto AMI (Agentes Multiplicadores de Informações). Como é a sua vida na Suíça? A minha vida é simples: sou integrada ao País, me dedico à família, me sinto em casa aqui, sem esquecer as minhas origens. O frio até hoje me incomoda. Gosto do meu trabalho, sou feliz por ter uma família suíça que tem orgulho de mim e me incentiva. Como é viver na Suíça? Viver na Suíça é aprender a lidar com regras. Se você fala o idioma, tem facilidades para se adaptar ao país e às regras. Seja no ambiente familiar ou no ambiente de trabalho, gosto da maneira como as coisas funcionam por aqui. Convive com a comunidade portuguesa ou brasileira na Suíça? Tenho muitos conhecidos e amigos brasileiros aqui, mas eu tenho muitos amigos suíços também e, como trabalho num ambiente internacional, tenho colegas de toda a Europa.Também participo de alguns eventos brasileiros. Frequenta associações portuguesas ou brasileiras no país? Eu sou uma pessoa que gosta de estar em casa, gosto de estar só. Aproveito o meu tempo de solitude para escrever e saio muito pouco. É por este motivo que não sou membro de nenhuma associação. Com que frequência vai ao Brasil? Isto é relativo. Não tenho frequência certa; às vezes vou em anos consecutivos, às vezes passo três anos sem ir. Já passei sete anos sem ir por depender de vários fatores. O que a Suíça significa para si? A Suíça significa muito para mim, é minha casa; é o lugar onde amadureci, me tornei mulher, esposa, mãe e escritora. Como e por que foi viver nesse país? Como viver na Suíça é seguir regras, o país torna-se pouco acessível. A maneira mais fácil é através do casamento, que não indico fazer por interesse. A vida já é muito difícil quando amamos, e sem amor, numa cultura diferente, tornar-se um fardo. Amo este país, mas não quero dizer que viver nele é somente felicidade. Quando achamos felicidade e paz em nós mesmos, seremos felizes em qualquer lugar. O que espera do futuro? Espero um futuro preferencialmente saudável, quero ser lida em vários idiomas, ter a minha autobiografia no cinema e mostrar a realidade de muitas mulheres nordestinas/brasileiras para o mundo. Desejo ampliar o projeto informativo para mulheres, fazer o que amo, estar com minha família, continuar escrevendo, aprendendo e viajando. A língua é um problema? Nunca foi. Sou muito comunicativa, embora o meu alemão não seja igual ao de um nativo. Não estudei alemão profundamente, mas fiz um curso de 6 meses em 1997 que me ajudou muito na minha comunicação. Entendo perfeitamente tanto o alemão quanto o suíço-alemão. Que projetos tem pela frente? Divulgar as minhas obras lançadas em 2024: “Samantha” e “Deserto do Amor”. Desejo terminar de escrever dois projetos, que estão em aberto, e encontrar sócios para o projeto Espaço Internacional da Mulher. Quem é Ângela Brodbéck? Ângela Brodbéck nasceu sob o sol e céu azul de Olinda, Pernambuco, e levou consigo, até os Alpes suíços, a essência das cores e sabores de sua terra natal. Há 29 anos, transformou o cenário de montanhas e neve em lar, tecendo uma vida repleta de sonhos realizados e histórias para contar. De família humilde, Ângela herdou da avó, uma mulher de espírito vigoroso, a paixão pelas artes e a resiliência diante da vida. Ainda menina, guiada por uma curiosidade insaciável e uma imaginação fértil, começou a preencher páginas com histórias, poesias e sonhos. No ambiente de sua escola, viu suas palavras tomarem forma em cinco livros, datilografados pela bibliotecária: um marco precoce de seu talento. A sua trajetória profissional e pessoal é tão multifacetada quanto as suas inspirações literárias. De aprendiz de corte e costura à decoradora de eventos, passando pelo projeto AMI da ONG Casa de Passagem em Recife e por um curso prático para Catering Worker, Ângela sempre buscou superar os limites do possível. Hoje, divide o seu tempo entre a rotina no aeroporto de Zurique e o aconchego da sua família, composta pelo marido e três filhos, as suas maiores fontes de alegrias. Influenciada por ícones como Frida Kahlo, Cecília Meireles, Jorge Amado, Anita Diamant e Napoleon Hill, Ângela tece em suas palavras um diálogo entre mundos, sensibilidades e lições. Sua escrita carrega em prosa a autenticidade das vivências, refletindo anseios e impressões da sua alma nordestina e a vastidão dos horizontes que cruzou. Com uma vida dedicada à busca da beleza nos detalhes e à construção de um legado literário, Ângela Brodbéck transforma experiências em arte e convida os seus leitores a se perderem nas páginas de suas histórias, tão ricas e envolventes quanto o percurso que a levou até aqui. Recebi o troféu “Cultura Sem Fronteiras” pela Entidade Rede Sem Fronteiras, na categoria “Literatura”, em Lisboa – 2022, por mérito, reconhecimento e por promover o engrandecimento da cultura lusófona; Fui condecorada em 2022 com a Cruz do Reconhecimento Social e Cultural, recebendo o título de “Dama Comendadora” pela Câmara Brasileira de Cultura, em Campina Grande-PB-Brasil; Recebi o prémio “Luiza Brunet 2022 de combate à violência contra as mulheres”, organizado pela Revista High Profile (Londres-Inglaterra), que ocorreu na Torre Eiffel - Paris-França; Recebi o Prémio de Reconhecimento de Méritos no Evento Summi Estética em Málaga-Espanha em 2024; Recebi Moção de Aplauso como presidente da Associação Internacional da Mulher pela Câmara Municipal de Porto Velho em 2024. Por fim, como vive o coração do imigrante na Suíça? No meu caso, sou muito grata porque a Suíça entrou no momento certo na minha vida. Eu não a busquei, nem a desejei: ela simplesmente chegou até mim. Nunca tive a intenção de viver no estrangeiro e sofri muito com a falta da família. Os primeiros dois anos foram muito difíceis. Me adaptei, me familiarizei, mas sempre tive um grande amor pelo nordeste brasileiro, apesar de toda a dor que eu vivi no país; isso não diminuiu o meu amor pela família, nem deixei de ver a leveza natural do país, tampouco a alegria e a espontaneidade do seu povo. O meu coração é grato por todos os anos que vivi aqui na Suíça, onde as coisas realmente funcionam, porém, estudo a possibilidade de um dia voltar ao meu nordeste brasileiro. Ígor Lopes
- 7 Dicas de como harmonizar vinho com comida
Qual pergunta você faria ao Dr. Google se precisasse escolher um vinho muito rápido? Sabe aquela sensação de ficar em frente à prateleira de vinhos em um supermercado, em uma adega, em um empório? Você observa, observa de novo, pensa um pouco e compra o vinho pelo formato da garrafa ou por algum detalhe do rótulo. Ou usa um critério aleatório para a escolha: vinho com nome de gente, vinho de algum país com o qual você se simpatize, vinho chileno, vinho argentino, vinho francês, vinho italiano, etc. De fato, o universo do vinho é vasto e há muita gente que gostaria de saber que vinho combina com qual prato. Como harmonizar vinho com comida. Qual prato harmoniza com vinho tinto? Qual prato combina com vinho seco? Crédito: By Associazione Provinciale Cuochi Ancona. - Luca Santini (a cura di), Un territorio, i suoi frutti, i suoi sapori e le sue ricette, Ancona, 2005., CC BY-SA 4.0. Disponível em: https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=84379367 . Acesso em: 23-jan-2025 Se você tem esse tipo de dúvida, neste texto vamos sanar parte de suas dúvidas ou quem sabe aumentá-las. Eu se pudesse viveria à base de vinho, mas vinho não é água, ele é complexo. A água é a base da vida, talvez o produto mais fácil de vender também, por enquanto ainda existe água em abundância. Quando temos sede, no ato nosso corpo pede: água! As outras escolhas passam por sucos, refrigerantes, água aromatizada, mas só a água mata a sede. A escolha de um vinho poderia ser fácil, mas a diversidade de sabores, aromas e sensações que o vinho nos proporciona torna o processo de escolha um tanto complexo. Observando como tem funcionado a escolha de uma garrafa de vinho, temos alguns elementos para poder identificar as necessidades e pretensões das pessoas. Uma delas é a necessidade de harmonizar com alguns pratos. Confira 7 dicas para harmonizar vinho com comida: Peixe, frutos do mar, ave e pratos leves - Vinho Branco Carnes vermelhas e pratos mais pesados - Vinho Tinto Requintados (caviar, lagosta, escargot) e crus - Espumante Sobremesas - Espumante Doce ou Vinho Doce Licoroso Charutos – Fortificados (exemplo: vinho do porto) ou Vinhos de Meditação Charcutaria (salames, defumados, patês) - Vinhos Rosé Orientais e aperitivos - Vinho Rosé Existem outras regras também, que consistem em combinar o sabor. Concordância e contraposição. Concordância: quando o vinho tem as mesmas características do prato, por exemplo: se vai limão no tempero, o vinho que concorda é o branco jovem, pois a acidez do prato vai concordar com a acidez do vinho Contraposição: o vinho tem uma característica oposta, por exemplo: um prato à base de carne ensopada se adequa a um vinho *tânico e mais alcoólico, pois o tanino bloqueia a salivação, ajudando a “enxugar” a boca. * tânico corresponde a uma sensação de comer um caqui ou banana verde, a boca parece que cria uma película (diz-se que a boca fica amarada), mas logo se dissolve com a salivação. Essa é a verdadeira loucura que é escolher um vinho, a equação vai aumentando até que é melhor desistir e partir para a cerveja, mas o convidado é uma pessoa a ser honrada na mesa e então pedimos permissão aos deuses e voltamos ao limbo enológico. Vinho Branco versus Vinho Tinto Fui convidado para um jantar com meus colegas sommeliers em Ancona, na região central da Itália, e ofereceram um prato histórico da cidade: Stoccafisso all’Anconetana, feito com base no peixe seco dos mares do norte. A diferença entre o Bacalhau e o Stoccafisso está no modo de secar os peixes, o Bacalhau é seco sal e o Stoccafisso é seco ao vento. Um momento antes do jantar um professor sommelier nos contou a história do prato, em que marinheiros italianos que fizeram uma viagem à Noruega e foram pagos pelo serviço pelos noruegueses com o peixe pelos noruegueses, ao levarem os peixes secos para Ancona descobriram essa maneira “italianizada” de preparo e entrou para a história. Até aí tudo bem, o problema é que a tradição desse prato propõe que ele seja acompanhado com vinho tinto. Então com todos à mesa começa o debate, tinto com peixe é blasfêmia, e outros diziam blasfêmia é tocar num prato e sua harmonização histórica que é vinho tinto. Sei que antes de tocar naquele perfumadíssimo prato, da cozinha exalavam aqueles sonhados aromas, a discussão era bastante intensa entre os adeptos do tinto e os adeptos do branco. Uma imagem teatral, italianos que não falam baixo por nada no mundo, com as mãos sempre ao ar e nunca paradas enquanto falam, e até mesmo quando não falam eles mexem as mãos como se dissessem que estão entendendo ou discordando. Os assuntos sobre acidez, gordura do peixe, método de cozimento, se o peixe foi hidratado com água fria ou morna, os temperos usados, tudo servia para defender uma ou a outra tese, e até mesmo alguns momentos de ofensas pessoais, nada sério. Aquilo se arrastava por uns quinze minutos, os ânimos foram se acalmando. Chega o tal prato. Antes de servirem, as chefes de cozinha começaram a retirar pedras daquela panela grande e alta, foram retirando uma a uma, cerca de quinze pedras de bom tamanho, as pedras na panela têm a função de não deixar o peixe nem os temperos grudarem no fundo, à medida que a água vai fervilhando as pedras se movem de lugar movimentando suavemente aquele cozido. Com os pratos todos servidos e o vinho tinto nas taças, assim que começamos a comer, recomeça a infinita discussão: vinho tinto com peixe? Pratos vazios, noite terminada, pergunto ao proprietário o que ele achou daquela noite confusa e de tanta discussão. Momento mágico, recebo a resposta dele, que com um sorriso no rosto, olhar de felicidade, exprimia uma satisfação impressionante, ele disse: “a tradição está mantida, pois a discussão será sempre o alimento principal destas noites. Eu tinha achado que o prato principal era o Stoccafisso All’Anconetana, mas na verdade era o treinamento para sommeliers saberem defender seus pontos de vista.” Entendendo isso posso dizer que até o fato de uma harmonização incorreta pode ser um prazer e um aprendizado. Ah, o que eu achei da harmonização? Horrível, peixe com tinto não vai bem. Evandro Martini - Crédito: acervo do autor Revista do Villa | Evandro Martini
- Vai rolar sim: "Tio Paulo sabia das coisas"
No ano de 1998, a atriz Fernanda Torres participou do Programa Roda Viva e compartilhou uma história que, na época, parecia apenas uma piada.No entanto, 27 anos depois, essa história se tornou uma profecia que se cumpriu de forma surpreendente. Fernanda contou que seu tio, Paulo, disse que um dia iria vê-la no Oscar. A resposta da atriz foi cética: "O Oscar nunca vai rolar". No entanto, o destino teve outros planos. Em 2025, Fernanda Torres está disputando a categoria de Melhor Atriz no Oscar, e o filme "Ainda Estou Aqui", dirigido por Walter Salles, está concorrendo nas categorias de melhor filme, e melhor filme estrangeiro. Fernanda Torres tem a chance de trazer o inédito Oscar para o Brasil. A cerimônia do Oscar 2025 acontecerá no dia 2 de março, um domingo de carnaval, e para felicidade da minha querida irmã Maria Áurea Romanelli, que estará aniversariando, e não tenho dúvidas que para ela e para grande maioria dos brasileiros de bom senso, e que acreditam que investir em cultura é fundamental para formação de uma sociedade justa, sem dúvida essa data será como uma "final de Copa do mundo". Fernanda Torres concorrerá com outras grandes atrizes, nada mais nada menos que Demi Moore, Cynthia Erivo, Karla Sofía Gascón e Mikey Madison. Essa é a primeira vez na história que um filme brasileiro disputa a principal categoria do Oscar. Essa história, do tio Paulo, é um exemplo de como as palavras têm poder e podem se tornar realidade. A profecia do Tio Paulo se cumpriu de forma surpreendente, e Fernanda Torres está vivendo um momento histórico em sua carreira. Essa história também nos lembra da importância de nunca subestimar o poder das palavras e da crença. O Tio Paulo acreditou em Fernanda e em seu potencial, e agora sua profecia se tornou realidade. Parabéns a Fernanda Torres e ao filme "Ainda Estou Aqui" pela indicação ao Oscar. Que essa história seja um exemplo de inspiração para todos que sonham em alcançar seus objetivos. Gilson Romanelli
- Neste sábado: conversa e lançamento do catálogo da exposição Fullgás no CCBB RJ
CCBB - Fullgás Foto: Rafael Salim CCBB - Fullgás Foto: Rafael Salim CCBB - Fullgás Foto: Rafael Salim CCBB - Fullgás Foto: Rafael Salim CCBB - Fullgás Foto: Rafael Salim CCBB - Fullgás Foto: Rafael Salim Ana Paula Guimaraes Alexandre Dacosta - imprensa Rosângela Renno - Foto: Marie Rouge - imprensa Ricardo Basbaum Imagens divulgação: https://drive.google.com/drive/folders/15VUhAju2duqqnGVVdz7cvG62wjuew3OM?usp=sharing Vista por mais de 300 mil pessoas e eleita como uma das melhores exposições do ano, a mostra “ Fullgás – artes visuais e anos 1980 no Brasil ” está em cartaz até o dia 27 de janeiro de 2025 no Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro. Como parte da exposição, neste sábado , dia 25 de janeiro, às 18h , no Auditório do 3° andar do CCBB RJ , será realizada a palestra “80’s Fullgás: entre mídias e massas”, com a participação da diretora audiovisual e ex-paquita Ana Paula Guimarães , da Dupla Especializada, formada pelos artistas Alexandre Dacosta e Ricardo Basbaum , e da artista Rosângela Rennó , que conversarão sobre suas trajetórias nos anos 1980 em um contexto de experimentações de linguagem, mídias e cultura de massa. Com mediação do curador-adjunto Tálisson Melo, a palestra será gratuita, aberta ao público e haverá distribuição de senhas 1 hora antes na bilheteria física e digital do CCBB RJ. Na ocasião também será lançado e distribuído o catálogo da exposição , que terá 360 páginas, fotos de Rafael Salim e textos de Raphael Fonseca, Flavia Rios, Vera Cepeda, Leo Felipe, Tálisson Melo, Eduardo de Jesus, Braulio Tavares, Ima Célia Guimarães Vieira, Divino Sobral e Amanda Tavares. SOBRE OS PALESTRANTES Ana Paula Guimarães (diretora audiovisual): integrante da primeira geração das paquitas, assistentes de palco da apresentadora Xuxa Meneghel, Ana Paula dirigiu o documentário "Para sempre paquitas" (2024), além de atuar na direção de produções da Rede Globo, como as telenovelas "Volta por cima" (2024) e "Êta, mundo bom" (2016) e seriados como "Vicky e a musa" (2023). Dupla Especializada: formada pelos artistas Alexandre Dacosta e Ricardo Basbaum, a dupla começou em 1981 com o projeto de “Intervir em meios de comunicação de massa”. No contexto da abertura política dos anos 1980, buscou alternativas ao circuito de artes fechado da época. Entre suas atividades estavam cartazes, pinturas colaborativas, textos, manifestos, fotografias, vídeos e performances. Sempre com posições independentes e críticas, abordou temas como a “ideologia do sucesso” e a “volta à pintura” Rosângela Rennó: nos anos 80, a artista cria suas primeiras obras, que têm como base fotografias de álbuns de família. Em suas fotografias, objetos, vídeos e instalações, a artista aborda discussões acerca da natureza da imagem. SOBRE A EXPOSIÇÃO A grande exposição “Fullgás – artes visuais e anos 1980 no Brasil” está em cartaz até o dia 27 de janeiro de 2025, no Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro, como parte das comemorações pelos 35 anos do CCBB RJ. Com Raphael Fonseca como curador-chefe e Amanda Tavares e Tálisson Melo como curadores-adjuntos, a mostra, inédita, apresenta mais de 300 obras de quase 250 artistas de todas as regiões do país, mostrando um amplo panorama das artes brasileiras na década de 1980. Completam a mostra cerca de 400 elementos da cultura visual da época, como revistas, panfletos, capas de discos e objetos icônicos, ampliando a reflexão sobre o período. O projeto é patrocinado pela BB Asset, gestora de fundos do Banco do Brasil, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Mário Perrone, diretor comercial e de produtos da BB Asset, destaca que a responsabilidade da gestora vai além da administração de ativos. “Patrocinar a exposição ´Fullgás´ reforça nosso compromisso com o futuro, investindo não apenas em resultados, mas também naquilo que transforma uma sociedade: a cultura e arte. Como a maior gestora de fundos do Brasil, temos a honra de contribuir para a preservação do legado cultural do país, inspirando novas gerações e promovendo um Brasil mais vibrante e consciente da sua rica história e expressão artística. Este é o tipo de investimento que gera valor para todos.” “’Fullgás’, assim como a música de Marina Lima, deseja que o público tenha contato com uma geração que depositou muito de sua energia existencial não apenas no fazer arte, mas também em novos projetos de país e cidadania. Uma geração que, nesse percurso, foi da intensidade à consciência da efemeridade das coisas, da vida”, afirmam os curadores. A exposição ocupa todas as oito salas do primeiro andar do CCBB RJ, além da rotunda, e é dividida em cinco núcleos conceituais cujos nomes são músicas da década de 1980: "Que país é este" (1987), "Beat acelerado" (1985), "Diversões eletrônicas" (1980), "Pássaros na garganta" (1982) e "O tempo não para" (1988). Na rotunda do CCBB há uma instalação com um grande balão do artista paraense radicado no Rio de Janeiro Paulo Paes. “O balão é um objeto efêmero, que traz uma questão festiva, de cor e movimento”, dizem os curadores. Ainda no térreo, uma banca de jornal com revistas, vinis, livros e gibis publicados no período, com fatos marcantes da época, fará o público entrar no clima da exposição. A mostra aborda o período de forma ampla, entendendo que seus questionamentos e impulsos começaram e terminaram fora do marco temporal de dez anos que tradicionalmente constitui uma década. Desta forma, a exposição abrange o período entre 1978 e 1993, tendo como marcos o final do Ato Institucional 5 e o ano posterior ao impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Mello. “Consideramos para a base de reflexões este arco de quinze anos e todas as suas mudanças estruturais e culturais para pensarmos o Brasil: do fim da ditadura militar ao retorno a uma democracia que, logo na sequência, lidará com o trauma de um impeachment”, contam os curadores, que selecionaram para a exposição obras de artistas cujas trajetórias começaram neste período. Nas artes visuais, a Geração 80 ficou marcada pela icônica mostra "Como vai você, Geração 80?", realizada no Parque Lage, em 1984. A exposição no CCBB entende a importância deste evento, trazendo, inclusive, algumas obras que estiveram na mostra, mas ampliando a reflexão. “Queremos mostrar que diversos artistas de fora do eixo Rio-São Paulo também estavam produzindo na época e que outras coisas também aconteceram no mesmo período histórico, como, por exemplo, o ‘Videobrasil’, realizado um ano antes, que destacava a produção de jovens videoartistas do país”, ressaltam os curadores. Desta forma, “Fullgás – artes visuais e anos 1980 no Brasil” tem nomes de destaque, como Adriana Varejão, Beatriz Milhazes, Daniel Senise, Leonilson, Luiz Zerbini, Leda Catunda, entre outros, mas também nomes importantes de todas as regiões do país, como Jorge dos Anjos (MG), Kassia Borges (GO), Sérgio Lucena (PB), Vitória Basaia (MT), Raul Cruz (PR), entre outros. Para realizar esta ampla pesquisa, a exposição contou, além dos curadores, com um grupo de consultores de diversos estados brasileiros. Além das obras de arte, a exposição traz, ainda, diversos elementos da cultura visual da década de 1980, como revistas, panfletos, capas de discos e objetos, que fazem parte da formação desta geração. “Mais do que sobre artes visuais, é uma exposição sobre imagem e as obras de arte estão dialogando o tempo inteiro com essa cultura visual, por exemplo, se apropriado dos materiais produzidos pelas revistas, televisões, rádios, outdoors e elementos eletrônicos. Por isso, propomos incorporar esses dados, que quase são comentários na exposição, que vão dialogando com os elementos que estão nas obras de fato”, ressaltam Raphael Fonseca, Amanda Tavares e Tálisson Melo. Para Sueli Voltarelli, Gerente Geral do Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro, “é muito representativo realizarmos essa mostra no ano em que o CCBB comemora seus 35 anos. Ter esse olhar mais amplo sobre a produção artística dos anos 1980, se coaduna com o trabalho do próprio Centro Cultural, um equipamento que nasceu na nesta mesma década, com o compromisso de valorizar e amplificar as vozes de artistas de todo o Brasil, contribuindo para o acesso e para o processo de identificação e aproximação do público com a arte, promovendo a conexão de todos os brasileiros com a cultura”. Depois da temporada no CCBB RJ, onde fica até o dia 27 de janeiro de 2025, a exposição será apresentada no Centro Cultural Banco do Brasil Brasília, de 18 de fevereiro a 27 de abril de 2025, no Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo, de 21 de maio a 04 de agosto de 2025 e no Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte, de 27 de agosto a 17 de novembro de 2025. SOBRE O CCBB RJ Inaugurado em 12 de outubro de 1989, o Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro marca o início do investimento do Banco do Brasil em cultura. Instalado em um edifício histórico, projetado pelo arquiteto do Império, Francisco Joaquim Bethencourt da Silva, é um marco da revitalização do centro histórico da cidade do Rio de Janeiro. São 35 anos ampliando a conexão dos brasileiros com a cultura com uma programação relevante, diversa e regular nas áreas de artes visuais, artes cênicas, cinema, música e ideias. Quando a cultura gera conexão ela inspira, sensibiliza, gera repertório, promove o pensamento crítico e tem o poder de impactar vidas. A cultura transforma o Brasil e os brasileiros e o CCBB promove o acesso às produções culturais nacionais e internacionais de maneira simples, inclusiva, com identificação e representatividade que celebram a pluralidade das manifestações culturais e a inovação que a sociedade manifesta. Acessível, contemporâneo, acolhedor, surpreendente: pra tudo o que você imaginar. SOBRE A BB ASSET A BB Asset, empresa do Banco do Brasil, é responsável pela gestão de mais de 1200 fundos de investimento para quase 3 milhões de pessoas que buscam realizar seus sonhos. Líder nacional no setor de fundos de investimento, detém aproximadamente 20% do mercado e administra um patrimônio líquido de cerca de R$ 1,6 trilhão*. Além disso, é reconhecida pela qualidade de sua gestão com as maiores notas das agências de classificação de risco Fitch Rating e Moody's. Nossas soluções de investimento estão disponíveis para atender a ampla variedade de objetivos de nossos clientes. Como líder de mercado, entendemos nossa responsabilidade na atuação em prol dos desenvolvimentos ambiental, social, de governança corporativa e cultural. Com o objetivo de agregar valor à sociedade, a BB Asset patrocina iniciativas como a exposição Fullgás – artes visuais e anos 1980 no Brasil . Porque, além de gerir ativos financeiros, investir em arte e cultura - para a maior gestora de fundos do Brasil - também é melhorar a vida das pessoas! E esse é o nosso propósito! BB Asset: busque mais para seus investimentos! *Dados do ranking da ANBIMA de julho de 2024. Serviço: Palestra 80’s Fullgás: entre mídias e massas 25 de janeiro de 2025, às 18hAuditório do 3º andar Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro Endereço: Rua Primeiro de Março, 66 - Centro - Rio de Janeiro – RJ Informações: (21) 3808.2020 | ccbbrio@bb.com.br Gratuito, com distribuição de senhas 1 hora antes do início da palestra nas bilheterias física e virtual do CCBB RJ Exposição até 27 de janeiro de 2025 Funcionamento: De quarta a segunda, das 9h às 20h. Fechado às terças-feiras. Classificação indicativa: livre Entrada gratuita Ingressos disponíveis na bilheteria física ou pelo site do CCBB - bb.com.br/cultura . Para seguir o CCBB RJ nas redes sociais: x.com/ccbb_rj | facebook.com/ccbb.rj | instagram.com/ccbbrj / tiktok.com/@ccbbcultura Alex Varela
- Os "Amigos da Treta" chegam ao Porto em Maio
Os “Amigos da Treta” chegam finalmente ao Porto esta Primavera, depois de uma temporada de sucesso em Lisboa, com consecutivas apresentações esgotadas e cerca de 30 mil espectadores. De 9 a 25 de Maio a dupla encabeçada por Aldo Lima e José Pedro Gomes aterra no Teatro Sá da Bandeira para o muito esperado regresso da treta à invicta. SINOPSE Os influencers, os gurus do coaching e do lifestyle, a inteligência artificial e a estupidez natural - as novas tretas que se juntam à treta de sempre, e fazem crescer este mundo da treta onde cada vez mais se fala... treta. Jóni, amigo de Zézé que se ausentou para fazer Erasmus numa terra distante — aventura que o obrigou a fazer a maior viagem da sua vida e até a ter de atravessar a ponte sobre o Tejo para nunca mais ser visto — regressa agora ao bairro vindo das entranhas da terra. Literalmente. Até porque, mal chega, cai no buraco das obras de expansão do metropolitano e faz uma rotura parcial do ligamento cruzado do cigarro electrónico. Jóni, auto-proclamado guru da espiritualidade hashtag-deus-no-comando, e das medicinas à base de batidos com raspas de kombucha, é recebido por um emocionado Zezé, que nunca esqueceu o amigo... exceptuando o nome, a cara, a voz, o penteado e o local propriamente dito onde ele morava. Vão agora pôr a conversa em dia, recordar o passado que ambos concordam ser uma espécie de futuro que ficou pelo caminho, comentar o presente que os dois entendem ser um passado que está a acontecer naquele preciso momento, e prever o futuro, que mais não é que um passado que teima em ser presente mas chega sempre atrasado porque tem a mania. De Filipe Homem Fonseca, Mário Botequilha e Rui Cardoso Martins Com José Pedro Gomes e Aldo Lima Encenação José Pedro Gomes e Aldo Lima Desenho de luz Luís Duarte Música Alexandre Manaia Assistente de encenação Diana Vaz Produção Força de Produção Teatro Sá da Bandeira, Porto 9 a 25 de Maio Sexta e Sábado às 21h Domingos às 16h Bilhetes 10€ - 22€ M14 Descarregar Imagens Revista do Villa | Teresa Sequeira - Força de Produção
- Entrevista: DR. André Márcio Murad – Especialista em Oncologia e Oncogenética
A vida do Ser Humano é um paradigma para alguns estudiosos enquanto em vida... para alguns estamos vivendo aqui um período de tempo para marcar os ciclos da melhor forma existencial, fazendo da vida uma espécie de qualidade de vida individual ou em grupos, seja familiar, amigos ou indiferente. Podemos notar que na realidade o tempo vai passando e ficamos experientes para contar histórias boas e positivas para nossas gerações. Ainda que algum momento não deparamos no inesperado dia que, pessoas podem ser diagnosticada com uma doença terrivelmente e popularmente conhecida como o “Câncer”! Muito se atinge, mas não estamos preparados ainda para um assunto tão delicado e aqui estou com Dr. André Murad, médico especialista em Oncologia e Oncogenética para nos deixar mais esclarecidos com o tema e de certa forma aprender mais e poder aceitar de alguma forma, refletindo que nem tudo está perdido, porque além da Fé em Deus, nos deixou excelentes médicos para cuidar, tratar e ajudar na cura desta doença. 1- Comente referente sua admiração pela medicina no segmento de Oncologia... e se já tinha esta vontade de ser médico desde a época do ensino fundamental? Sempre almejei ser médico, desde criança. Acho que nasci com alma de médico. Certa feita escrevi: “amo sublimemente a Medicina e não saberia viver sem ela. Esta ciência está entranhada em meus poros, meus neurônios, meu coração. Nasceria médico até, se no mundo em que eu habitasse, não houvesse doenças. Seria assim um médico das almas dos imortais. Almas não tem doenças, mas podem sofrer carências”… Meus pais me contavam que muito pequeno, quando perguntado certa vez por eles, o porquê desse desejo, respondi que gostaria de ser médico para “descobrir um remédio nunca os deixassem morrer”. O interesse pela área de Oncologia surgiu já na minha Residência em Clínica Médica, no Hospital das Clínicas da UFMG, quando comecei efetivamente a interagir com o tratamento de pacientes com leucemia aguda, em meados da década de 1980. Me impressionei com a extraordinária mudança propiciada pelo tratamento quimioterápico de pacientes que se internavam muitas vezes sangrando e muito anêmicos, por vezes infectados, complicações estas provocados pela invasão da medula óssea pelas células leucêmicas, mas que se recuperavam espetacularmente após a quimioterapia, seguida por um período delicado de recuperação da produção das células normais do sangue. Aí entendi que o câncer era a única doença crônica com o potencial de total reversão e encarei isso como um desafio profissional, quando então me decidi por me especializar em Hematologia, e posteriormente em Oncologia, já nos Estados Unidos, onde fiz um “Fellowship” (especialização) em Oncologia e Hematologia no Fox Chase Câncer Center e no Temple University Hospital na Filadélfia, Pensilvânia. E o desafio nesses 38 anos de prática oncológica tem sido absolutamente fascinante, pois em todos esses anos que se seguiram, pude ser não só testemunha ocular, mas também agente ativo de toda essa revolução científica e dos extraordinários avanços que obtivemos na prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer de uma forma geral, como oncologista e também como pesquisador. Nos últimos 25 anos essa revolução se estendeu para a Genética de uma forma geral, mas principalmente no entendimento da Genômica do câncer e, como consequência, no desenvolvimento de poderosas ferramentas que propiciaram enormes avanços no diagnóstico molecular e no tratamento oncológico, o que me motivou a me subespecializar nessa área (Oncogenética, Oncogenômica e Oncologia de Precisão), através de meu Pós-Doutorado em Genética pela UFMG, com estágios no Instituto Zayed Al Nahyan de Oncologia Personalizada do MD Anderson Câncer Center dos EUA e no Hospital Vall d'Hebron de Barcelona, Espanha. 2- Tivemos alguma evolução, falando no tratamento do Câncer de 10 anos pra cá? Extraordinária. Além dos exames diagnósticos que avançaram de forma impressionante, a caracterização genética e molecular dos tumores tem evoluído rapidamente, através de exames sofisticados, como o sequenciamento genético de próxima geração (NGS), que nos permitem avaliar a assinatura genética de milhares de genes do tumor, identificando sua caracterização genômica. Cada tumor tem uma identidade genética própria e isso tem implicações fundamentais no seu prognóstico e no seu tratamento, fazendo com que ele seja individualizado para cada paciente. Com o desenvolvimento das modernas drogas alvo-moleculares, torna-se fundamental importância a caracterização genético-molecular dos tumores para a correta escolha das medicações a serem empregadas no tratamento. Hoje conseguimos identificar o perfil molecular, as mutações gênicas e a assinatura genética dos tumores, classificando-os em subtipos moleculares, e atribuindo a eles um correto índice prognóstico e as consequentemente as melhores opções terapêuticas, de forma individual. Chegamos então à fase da Oncologia Personalizada ou Customizada. As drogas cada vez mais são escolhidas baseando-se no perfil genético-molecular de cada tumor. Mais recentemente, inúmeros estudos demostraram que é podemos extrair DNA tumoral circulante do sangue periférico dos pacientes para se estudar molecularmente os tumores, o que permite o monitoramento do câncer por meio de exames de sangue e, talvez, num futuro, a detecção superprecoce de tumores pequenos demais para serem percebidos pelos métodos de diagnóstico convencionais. Apelidada de biópsia líquida, a estratégia é baseada na análise de pedaços de DNA que vazam dos tumores para a corrente sanguínea, chamados de DNA tumoral circulante (ou ctDNA, na sigla em inglês). Eles funcionam como impressões digitais da doença, que analisamos para que possamos extrair informações genéticas essenciais para a caracterização do tumor e a seleção do melhor curso de tratamento. Avanços no tratamento Os inúmeros avanços alcançaram todas as formas de tratamento. O cirúrgico, cada vez menos agressivo e mais seguro e preciso, resulta em uma maior preservação dos órgãos envolvidos, graças às cirurgias vídeo assistidas e robóticas. A radioterapia igualmente tem se tornado cada vez mais precisa, eficiente e menos sujeita a riscos, como queimaduras a órgãos vizinhos à área tratada, graças às tecnologias de 3D, 4D (três dimensões ou quatro dimensões, IMRT e IGRT) e a radioterapia estereotáxica. Já o tratamento sistêmico foi o que alcançou o maior volume de avanços. Novos quimioterápicos têm sido desenvolvidos, o que proporciona tratamentos mais seguros, eficazes e menos tóxicos. Entretanto, a Oncologia moderna experimentou uma real mudança de paradigma, com o desenvolvimento e aplicação das chamadas drogas "alvo-moleculares" ou "alvo-específicas". O câncer ocorre quando a célula tumoral sofre mutação genética nos genes responsáveis pelo controle da multiplicação celular e há, então, a produção de proteínas que estimulam seu crescimento e sua multiplicação desordenada. Os medicamentos de tecnologia alvo-molecular têm atuação mais direcionada, atacando especificamente as células doentes. Eles identificam os genes doentes e suas proteínas e agem sobre eles. A quimioterapia convencional ataca células tumorais e as saudáveis também. As drogas alvo-moleculares são mais específicas no combate às células tumorais. Inúmeras drogas foram desenvolvidas com este perfil, e várias já estão disponíveis comercialmente, inclusive no Brasil e na rede pública. Já a imunoterapia antitumoral, cada vez mais utilizada, é um tipo de tratamento para o câncer que promove a estimulação do sistema imunológico, por meio do uso de substâncias denominadas de modificadoras da resposta biológica. A finalidade do tratamento é aumentar a resposta do sistema imune às células agressoras, fazendo com que o próprio organismo combata a doença. Mais recentemente passamos a contar também com a terapia celular (como o tratamento com CAR-T) e a terapia genética e pela tecnologia do RNA mensageiro. Conseguimos agora modificar geneticamente as nossas células de defesa imunológica, treinando-as para atacar células tumorais específicas. 3- Quais as dificuldades que a medicina encontra no tratamento e o que pode ser feito para qualificar o paciente? Sem dúvida alguma, enfrentamos sérios problemas de financiamento da saúde. Os avanços em toda a medicina foram extraordinários, mas a um custo muito elevação. Até mesmo nos países de primeiro mundo, todos os avanços tecnológicos que vem sendo incorporados à prática médica estão muito inviabilizando o seu custeio, tanto privado quanto público. No Brasil, essas dificuldades ao ainda mais marcantes, até pela universalidade da cobertura médica, proporcionada pelo Sistema Único de Saúde. Nos próximos anos, teremos que discutir e encontrar novas formas de financiamento para que todos esses extraordinários avanços sejam democratizados e alcancem todo o conjunto da população. 4- No Brasil existe algum medicamento que retarda o desenvolvimento de algum câncer inicial no paciente e qual percentual de cura? Não há atualmente qualquer diferença nos tratamentos oncológicos realizados no Brasil ou em qualquer país mais avançado no mundo. Contamos exatamente com os mesmos recursos, o mesmo arsenal medicamentoso e as mesmas tecnologias propedêuticas, cirúrgicas ou radioterápicas. Mesmo as terapias mais recentes, como a terapia celular e o tratamento com CAR-T já estão disponíveis no país. Adicionalmente, vários centros de pesquisa clínica em várias instituições brasileiras estão associados e interligados aos melhores centros de pesquisa do mundo, realizando variados protocolos de experimentação de novos tratamentos. Durante a minha carreira como pesquisador pude contribuir com a montagem de centros de pesquisa em hospitais públicos acadêmicos (como o Hospital das Clínicas da UFMG) e hospitais privados. Mas desde 2016 conduzo minhas pesquisas em clínica privada (Personal - Oncologia de Precisão de BH, MG). Atualmente temos 52 diferentes estudos clínicos sendo conduzidos e para variados tipos de cânceres. A boa notícia é que a grande maioria dos pacientes alocados nessas pesquisas são oriundos de serviços e hospitais públicos. A pesquisa clínica exerce um importante papel na democratização do atendimento médico, uma vez que oferece gratuitamente os melhores e mais inovadores tratamentos aos pacientes, além de exames e acompanhamento médico, desafogando e desonerando assim a demanda da rede pública e do SUS. 5- A iniciação cientifica em todas as áreas é muito importante para chegar alguma tese de aproveitamento e descobertas... você já conseguiu ter este êxito em alguma pesquisa? Sim. Nosso grupo já faz pesquisa clínica desde o final da década de 1980. Posso afirmar com muito orgulho que fomos pioneiros no Brasil na condução de estudos clínicos oncológicos. Nosso Centro de Oncologia do Hospital das Clínicas da UFMG em 1993, pela primeira vez na literatura, demonstrou a superioridade de um regime quimioterápico em pacientes portadores de câncer gástrico avançado em comparação com melhor tratamento de suporte clínico. Estes dados foram posteriormente reproduzidos por mais 2 outros estudos randomizados, estabelecendo-se assim de forma definitiva o benefício da poliquimioterapia no tratamento do câncer de estômago avançado. Por essa contribuição, considerada como um enorme avanço na época, fui agraciado com o título de um dos 2 mil cientistas que mais contribuíram para a Ciência do Século XX, pelo Centro de Biografia de Cambridge, Inglaterra. 6- É admirável na minha opinião um ser humano estudar medicina e chegar no topo de conhecimento com base na sua experiência profissional... acreditar em cura! O que pensa referente a Espiritualidade dentro da medicina? Já teve algum milagre observado? Comente por favor. Lidando e trabalhando por cerca de 38 anos com o diagnóstico e o tratamento do câncer em pacientes oncológicos, pude passar por duas fases distintas na minha prática profissional e na maneira de cuidar e interagir com meus pacientes portadores de câncer em fase avançada. Numa primeira fase, fui excessivamente tecnicista e científico, mas pouco humanista, talvez movido pela imaturidade, pelo ímpeto da presunção do saber e pela carência da presença de Deus e da concepção Cristã em minha vida. Já numa segunda fase, passei a interagir com meus pacientes fazendo-os entender que a Ciência nos faz crer que há chances matemáticas calculadas para cada paciente para prever se eles vão ser curados ou sucumbidos pela doença, mas que a fé efetivamente pode ser utilizada para romper a inércia fria dos números e a estática das probabilidades, devolvendo então aos que padecem a saúde e a vida. Tal postura me faz colocar a mim mesmo como um instrumento de Deus para que Ele possa agir mediante a fé daquele doente e também na maneira como interajo com aquele ser, o qual passo a ter como irmão, adotando assim uma relação movida pela compaixão e pelo amor Cristão, como tanto nos ensinou Jesus Cristo. Hoje, os benefícios da fé, das orações e da meditação na atenuação dos efeitos adversos do tratamento do câncer são muito bem estabelecidos pela ciência, além de contribuir para aceitação do diagnóstico pelos pacientes, fazendo com que sua jornada de tratamento seja mais leve e confortável. Respondendo a outra parte da pergunta, sim! Durante esses longos anos de prática oncológica já presenciei vários casos de cura em situações críticas nas quais, pelo avanço da doença, não encontrei justificativa para desfecho favorável do caso apenas pelo tratamento instituído, atribuindo assim o sucesso obtido às orações e à fé, não só do paciente, mas também dos familiares e amigos. A fé é um poderoso instrumento de cura, conforto e encorajamento no enfrentamento da jornada oncológica e na obtenção da paz espiritual e do equilíbrio emocional. 7- Nos tempos de folga o que costuma fazer na vida pessoal para distrair? Me refúgio no interior, sul de Minas, onde tenho uma casa na beira de uma represa. O verde da natureza, o espelho d’água e o cheiro de mato aumentam ainda mais a minha disposição para a leitura, oração e meditação. Sou um leitor assíduo da literatura clássica: autores brasileiros (de Machado de Assis a Clarice Lispector, de Carlos Drummond a Guimarães Rosa, de Mário Quintana a Adélia Prado) e estrangeiros, como os russos Tólstoi, Dostoiévski e Púchkin, além de filosofia e mitologia grega e obviamente a Bíblia Sagrada. Também me interesso muito por música (clássica, rock, MPB e bossa nova), artes plásticas, dramaturgia e cinema. Acho que esse interesse é atávico: sou filho de uma dedicada professora de piano. Também me exercito regularmente. Adoro nadar. 8- Acredito que tenha ganho algum presente ou palavras de gratidão de pacientes... conte algum momento, por favor. Foram inúmeras vezes, advindas de incontáveis pacientes e familiares e das mais variadas formas e atitudes que tanto me emocionaram e confortaram. Afinal, são quase 4 décadas de uma jornada diuturna e tão intensa, estressante e envolvente. Mas posso citar um exemplo que foi um dos mais marcantes para mim: um jovem que tratei no início do meu ciclo profissional. Ele desenvolveu uma forma avançada de linfoma (Linfoma de Hodgkin - câncer do sistema linfático). Foi tratado e curado da doença pelo uso da quimioterapia. Na época ele era noivo e suas óbvias e pertinentes preocupações eram se ele sobreviveria, se se casaria e se teria filhos, em função dos efeitos adversos dos quimioterápicos utilizados na fertilidade. Naquela época, final da década de 1980, as técnicas de criopreservação (congelamento) de sêmen ainda eram precárias e muito caras. Pois bem, qual não foi a minha satisfação e extrema emoção quando fui convidado, não só para padrinho de casamento, mas também para padrinho do seu primeiro filho, que nasceu 2 anos após o casamento, e para todos os aniversários do paciente, curadíssimo e esbanjando saúde até hoje, que se sucederam desde então! É um sentimento tão grandioso de gratidão, pertencimento e do dever cumprido, para um profissional que lida com doenças graves e mortes com tanta frequência como eu! Glória a Deus por isso! 9- Qual mensagem de iniciativa motivacional poderia compartilhar para estudantes que estão começando medicina? A mensagem de que vale a pena todo o esforço, estudos, dedicação e sacrifícios para se tornar um profissional maiúsculo, humano, competente, íntegro e comprometido com os princípios basilares do juramento hipocrático: “eu prometo solenemente consagrar minha vida ao serviço da humanidade”… A melhor relação médico-paciente se faz pela premissa da confiança. Como escreveu Dostoievski: “um ato de confiança dá paz e serenidade”. Outro conselho que sempre dou: apesar de todos os avanços tecnológicos, a principal ferramenta do médico é seu exame clínico (fui professor de Semiologia Médica por décadas na UFMG). A longa e completa entrevista (anamnese), o contato, o tato, o olho no olho, o escutar com paciência, o toque, o exame físico detalhado, o trato interpessoal, humanista e individual fazem toda a diferença no sucesso diagnóstico e na construção de uma relação médico-paciente sólida. Os exames laboratoriais e as imagens, tão tecnológicas, são complementares e nunca substituirão o exame clínico! Parafraseio o grande escritor e educador Rubem Alves: “todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir. Pensei em oferecer um curso de escutatória. Mas acho que ninguém vai se matricular. Escutar é complicado e sutil”. 10- Com todo seu conhecimento como imagina a medicina no futuro próximo 10 anos aqui no Brasil? Vivenciaremos nos próximos anos, uma verdadeira revolução tecnológica, graças aos extraordinários avanços na genômica, imunologia, engenharia e terapia genéticas, terapia celular, telemedicina, inteligência artificial, computacional e a robótica! Entraremos definitivamente na era dos medicamentos e vacinas desenvolvidos pelo RNA mensageiro, além da terapia genética e imunoterapia personalizada, baseadas na edição gênica. Células de defesa do nosso próprio organismo serão cada vez mais treinadas geneticamente para eliminar agressões, como tumores e agentes infecciosos, Todas as áreas da medicina serão enormemente beneficiadas, desde a prevenção, diagnóstico precoce e tratamento de precisão e personalizado das doenças em geral, especialmente as degenerativas e hoje incuráveis. Curaremos mais e melhor! Vamos prevenir com enorme precisão e rastrear de forma muito mais acurada e inteligente. Só espero sinceramente que todos esses avanços democraticamente alcancem e beneficiem todo o conjunto da população e que sejam empregados conjuntamente com uma medicina mais humanizada e inclusiva. Termino com uma máxima do fundador da Psicologia Analítica Carl Jung que tem sido meu mote profissional: "conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana seja apenas outra alma humana." João Paulo Penido
- Abertura da Exposição da Artista Plástica Dorys Daher
A artista plástica Dorys Daher inaugurou hoje dia 22 de janeiro. A sua exposição A Obra é o Jogo , no Centro Cultural Correios Rio de Janeiro. O Grupo dos Embaixadores do Rio se fez presente de forma atuante, estando presente Alex Varela, Chico Vartulli, Bayard Boiteux, Viviane Fernandes, entre outros. A vernissage da exposiçao foi badalada e requintada. A exposição será exibida até o dia 08 de março. Legenda das fotos : O historiador Alex Varela, do grupo Embaixadores do Rio, prestigiando a artista plástica Dorys Daher. Alex Varela
- A exposição de Dorys Daher nos Correios
A artista plástica e arquiteta Dorys Daher abriu no Centro Cultural dos Correios sua nova exposição. A obra é o jogo. Com curadoria de Aline Reis, a nova mostra conseguiu integrar num único ambiente, o amor pela sinuca, as origens libanesas e a criatividade, que mistura tacadas e até uma verdadeira experimentação do mundo lúdico da mesa de sinuca. Veja quem passou por lá nas fotos de Messias Martins. Aline Reis e Ana Cristina Carvalho O artista plástico Alexandre Damião Lígia Teixeira ,Gilsse Campos e Marcelo Daher Dorys Daher e Martina Farmbauer Alex Varela ,Luiz Otávio Pinheiro e Rosane Chalom Matheus Oliveira ,Viviane Fernandes e Bayard Boiteux Marcelo Antunes ,Dorys Daher e Willians Haubrichs Dorys Daher ,Chico Vartulli e Rosane Chalom Thelma Innecco e Dorys Gilsse Campos ,Sumaya Neves,Chico Vartulli e Zizi Magalhães O mundo lúdico da sinuca Dorys e Renan Ferreira Dorys Daher e as amigas arquitetas O consul da República Dominicana Roberto Rubio com os Haubrichs Revista do Villa | Divulgação Rio










