top of page
FB_IMG_1750899044713.jpg

Revista do Villa

Revista do Villa

Revista do Villa

Revista luso-brasileira de conteúdo sobre cultura, gastronomia, moda, turismo,

entretenimento, eventos sociais, bem-estar, life style e muito mais...

WAR na vida real: Fim da Era Maduro e o Novo Mandato de Destino na América Latina


A madrugada de 3 de janeiro de 2026 não marca apenas a queda de um regime; marca o sepultamento definitivo do princípio de autodeterminação dos povos no Hemisfério Ocidental.


A Operação Resolução Absoluta, que culminou na captura de Nicolás Maduro em Fuerte Tiuna, é o ápice de uma diplomacia de força que substituiu o diálogo pelo "xeque-mate" militar. Sob o comando de Donald Trump, os Estados Unidos não apenas removeram um ditador; eles reescreveram as regras do jogo geopolítico com a sutileza de um martelo. Ao estilo de uma partida de War levada às últimas consequências, a Casa Branca decidiu que o tabuleiro da América do Sul precisava de um novo dono.


O argumento do "narcoterrorismo" e da "crise humanitária" — embora fundamentado em fatos trágicos da realidade venezuelana — serve agora como o verniz moral para uma intervenção que cheira a petróleo e pragmatismo imperial. A estratégia de Trump foi um "all-in" clássico. Ao ignorar as instituições multilaterais, como a ONU e a OEA, Washington demonstrou que a legitimidade de um governo vizinho agora é medida pela conveniência da Casa Branca. A extradição sumária de Maduro para Nova York é o troféu de uma administração que prefere a eficácia do tweet em letras maiúsculas e o poder da Delta Force à paciência da diplomacia. No entanto, o custo dessa "vitória" pode ser alto demais. Ao declarar que os EUA administrarão a Venezuela por tempo indeterminado, Trump flerta com o conceito de ocupação colonial em pleno século XXI.


O distanciamento estratégico de lideranças locais, como María Corina Machado, revela que o plano não é necessariamente restaurar a democracia venezuelana, mas sim instaurar uma gestão de conveniência americana. As reações continentais desenham o abismo que se abriu. De um lado, o entusiasmo de Javier Milei; do outro, a cautela de Lula ao apontar um "precedente perigoso". A verdade é que, hoje, qualquer nação latino-americana com recursos estratégicos e instabilidade interna deve se perguntar: quem define quando a soberania expira? Não se trata de defender o indefensável regime de Maduro, que asfixiou seu povo por anos.


Trata-se de questionar se a solução para uma ditadura pode ser uma intervenção que ignora fronteiras e leis internacionais. A Venezuela possui as maiores reservas de petróleo do globo e, nas palavras do próprio Trump, o envolvimento de empresas americanas será "pesado". A linha entre "libertação" e "espólio de guerra" nunca foi tão tênue.Um Novo Mundo em Letras Maiúsculas se apresenta. ​O mundo agora observa um tabuleiro redesenhado. A paralisia da Rússia e da China diante da velocidade da ação americana mostra que, na era do pragmatismo brutal, a força bruta ainda é a última palavra.


A Venezuela entra em 2026 não como uma nação livre, mas como um experimento geopolítico sob tutela. Se o florescimento democrático ocorrer, será à sombra das baionetas americanas. O tabuleiro foi virado, os dados foram lançados e, por enquanto, o vencedor leva tudo — inclusive o direito de decidir o que é soberania.


Gilson Romanelli


 
 
 

Comentários


©2024 Revista do Villa    -    Direitos Reservados

Política de Privacidade

bottom of page