Tatiana Coelho de Sampaio: A Ciência Brasileira que Cura e Resiste
- Gilson Romanelli

- há 1 dia
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O Brasil de 2026 assiste a um fenômeno raro: uma cientista sendo celebrada com o fervor reservado a ídolos do futebol ou estrelas do pop.
Tatiana Coelho de Sampaio, professora e pesquisadora da UFRJ, tornou-se o nome mais comentado do país nos últimos dias. E não é por acaso. Sua indicação ao Prêmio Nobel de Medicina de 2026 não seria apenas um reconhecimento técnico; com certeza seria o coroamento de uma resistência hercúlea contra o descaso e o obscurantismo.
A Polilaminina: A Esperança que Vem do Laboratório
O trabalho que colocou Tatiana no radar global foca na polilaminina, uma molécula revolucionária capaz de promover a regeneração de tecidos nervosos. Em termos práticos, estamos falando da possibilidade real de reverter lesões na medula espinhal e devolver movimentos a pacientes tetraplégicos.
A autorização da Anvisa para os estudos clínicos em humanos é o "checkmate" de uma jornada que durou décadas. Enquanto muitos viam apenas tubos de ensaio, Tatiana via pessoas. Enquanto o governo anterior via "gastos" a serem cortados, ela via o futuro da saúde mundial sendo moldado em uma universidade pública brasileira.
O "Tapa na Cara" do Negacionismo
A ascensão de Dra. Tatiana é o maior "tapa na cara" que os negacionistas da ciência poderiam receber. É irônico — para não dizer hipócrita — observar figuras que outrora sucatearam a ciência brasileira agora tentarem surfar na onda de seu sucesso.
Vimos, nesta semana, o pré-candidato Flávio Bolsonaro enaltecer as conquistas da Dra. Tatiana. No entanto, a memória política não é curta. Durante a gestão de seu pai, as Universidades Federais — berço da polilaminina — enfrentaram cortes drásticos de verbas, perseguição ideológica e o desdém público por pesquisas fundamentais.
A vitória de Tatiana de Sampaio é uma resposta silenciosa, porém ensurdecedora, a quem duvidou da capacidade intelectual brasileira.
Ela prova que:
A ciência brasileira sobrevive apesar da falta de recursos.
O investimento em universidades públicas é a única via para a soberania nacional.
Negar a ciência é, em última análise, negar a cura para o próprio povo.
Do Laboratório ao Palco da Sapucaí
A importância de Tatiana transbordou os muros da academia e chegou ao coração da cultura popular. No desfile das Escolas Campeãs do Rio de Janeiro, o cantor João Gomes protagonizou um momento histórico. Ao paralisar seu show e apontar para a plateia, ele não reverenciou uma celebridade de TV, mas sim a cientista:
"A pessoa mais importante desta noite não está no palco, está ali. Uma salva de palmas para Tatiana Coelho de Sampaio!"
Aquele aplauso caloroso da Sapucaí foi o Brasil reconhecendo quem realmente luta por nós. Foi o reconhecimento de que o verdadeiro herói nacional não usa capa, mas sim um jaleco, e luta com microscópios em vez de armas.
O Futuro é Ciência
Hoje, eu quero falar de futuro. O sucesso de Tatiana nos mostra que, quando a esperança se torna política pública e a pesquisa é tratada com a dignidade que merece, o Brasil não apenas participa do mundo — ele lidera.
Que a trajetória desta mulher sirva de lição para os governantes: a ciência não é um luxo, é uma necessidade vital. E quem sabe venha o tão merecido Nobel para selar o que nós já sabemos: o Brasil tem inteligência, tem garra e, graças a Tatiana, agora tem um caminho renovado para a cura.
A ciência venceu. O Brasil agradece.
Gilson Romanelli, Jornalista e Analista Político













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