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Revista do Villa

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Saúde como consumo: O uso desnecessário de suplementação e o risco para a saúde


O fitness e rotina de vida saudável são coisas que crescem cada vez mais na sociedade, e o dado divulgado pela Global Wellness Institute (GWI) de que o setor movimenta atualmente cerca de US$5,6 trilhões no mundo, é a prova disso. No Brasil não seria diferente, o setor no país representa quase US$100 bilhões e redefine padrões de consumo, principalmente para mulheres, que representam o principal público-alvo desse mercado, algo que fica cada vez mais evidente nas redes sociais, como no Instagram e Tiktok.


Mas, como tudo vira capital, Wellness não se limita apenas a um estilo de vida, mas sim, uma fonte de lucro para empresas e influenciadores. Na bolha do “gymtok”, pessoas que gravam e consomem conteúdo de academia, está se tornando cada vez mais comum a divulgação de suplementos. Criadores de conteúdo prometem benefícios sem evidências científicas, muitas vezes em doses que não serão absorvidas pelo corpo, resultando apenas em um “xixi caro” ou que podem até causar uma intoxicação, para os seguidores usarem os “cupons de desconto” divulgados pelos mesmos.


O nutricionista e educador físico Lucas Eduardo Campos acredita que o uso banalizado de suplementos ocorre porque a indústria é muito forte e cria a sensação de necessidade para resolvê-las, então com a ascensão de influenciadores, que cada vez mais influenciam um público-alvo, o mercado consegue criar demandas para que o público ache que, com os suplementos, vai conseguir alcançar o lifestyle propagado nas redes sociais e finaliza o raciocínio dizendo “Eu acho que todo esse ecossistema, ele contribui muito. Hoje, o wellness, ser fitness, pertencer a esse grupo, também é uma ostentação.”


A influência na prática e promessas de benefícios sem evidências

O crescimento do alcance da Virgínia Fonseca, influenciadora e uma dos CEO da marca de cosméticos e suplementos Wepink é o retrato perfeito disso. Virgínia vende em seus stories uma vida luxuosa, mostra viagens e “corpo perfeito”, que, apesar de ser transparente quanto as suas diversas cirurgias plásticas, passa a imagem de que conquistou esse corpo com os suplementos da própria marca, além de treino e dieta. A Globo, ao pesquisar para entender o perfil do público da concorrência, divulgou que a influencer é uma personalidade com forte influência entre mulheres da classe C e D, mulheres que gastam dinheiro com seus suplementos que prometem ajuda extraordinária, como se uma cápsula com 18 vitaminas pudesse fazer um grande milagre, mesmo não havendo evidências de que combinar essas substâncias seja benéfico em quem não tem deficiência de vitaminas e minerais.


Em entrevista para o Portal Leo Dias, Virgínia conta que no ano de 2025 faturou R$1,3 bilhões com sua marca, claro que esse valor inclui também a venda de cosméticos, mas não muda o fato de que também fatura muito com seus suplementos, os quais o faturamento específico não é divulgado pela mesma. O que é possível concluir com isso é que, para o mercado, vender a imagem de que para ser como quem divulga o produto, é preciso consumi-los, só que, como afirma o Lucas Eduardo, “o corpo dessa galera é conquistado com esteroide e anabolizante. E, o problema é que essa propaganda de suplementos é muito lucrativa, porque vende a ideia de que você vai se assemelhar àquela pessoa consumindo o que ela consome.”


Um relato de caso clínico divulgado na Revista de Medicina, cujo título é “Toxicidade Induzida Por Suplementos: Relato De Caso De Uso Abusivo E Consequências clínicas” demonstra o quão grave é uma intoxicação por suplemento ao mostrar a história de uma paciente de 20 anos que foi internada no Hospital de Clínicas no dia 30 de agosto de 2024, apresentando inapetência, icterícia e colúria com início há cinco dias. Ela relatou uso diário de suplementos devido à diarreia e fraqueza, o quadro clínico da paciente sugeriu hepatotoxicidade (lesão no fígado causada por medicamentos, chás, suplementos ou substâncias químicas) associada ao uso excessivo de suplementos. O aumento do uso inadequado e excessivo desses produtos levanta preocupações sobre os riscos potenciais à saúde.


Com isso, é possível concluir que influenciadores e marcas precisam ser mais responsáveis ao divulgar os seus produtos e o consumidor tem de saber quando realmente precisa daquele suplemento, tendo discernimento e fazendo exames de rotina, para que assim, não corra o risco de colocar a sua própria saúde em risco.


Larissa Penido


 
 
 

6 comentários


Convidado:
há 6 dias

muito bom.

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Convidado:
há 7 dias

Lacrando

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Laís
há 7 dias

Ameeei a matéria , estou amando ver sobre esses assuntos que muitos fogem de falar abertamente!

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Mariana Furlan
há 7 dias

Parabéns, Larissa! Conteúdo excelente. Amei a matéria. 👏

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José Henrique Gama Penido
14 de abr.

Excelente matéria! Parabéns a jornalista Larissa Penido e a Revista do Villa por publicar matéria tão importante, instrutiva e de utilidade pública! Parabéns!

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