Quatro atitudes para se preparar para o novo mercado de trabalho no Brasil
- André Aguiar

- há 2 dias
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Na coluna anterior, eu destrinchei como a inteligência artificial está mexendo com o mercado de trabalho. Agora eu quero trazer isso para o chão do Brasil e falar com quem está mirando vagas de entrada, ou tentando voltar ao jogo.
Eu gosto de começar pelos números porque eles tiram a culpa das costas de quem está se sentindo “para trás”. Em 2024, o país teve 7,4 milhões de pessoas desocupadas. E quando a gente soma quem está fora, quem desistiu de procurar e quem está trabalhando menos do que gostaria, o quadro fica ainda mais amplo: o IBGE estimou 19,0 milhões de pessoas subutilizadas. Isso não é detalhe. É um retrato de gente que não está plena no trabalho e está tentando se recolocar. É normal.
Dito isso, o que eu vejo pesar nas vagas de entrada é bem prático: a empresa quer perceber que você consegue andar sozinho com as ferramentas do dia a dia, sem precisar que alguém segure sua mão o tempo todo.
A primeira atitude é arrumar o básico digital. Não é “saber mexer no celular”. É ter conforto com computador, organizar pastas, nomear arquivos do jeito certo, escrever e revisar um documento simples, mandar um e-mail sem enrolação e usar planilha no nível essencial: lista, soma, filtro, organização. Parece pequeno, mas muita gente perde oportunidade por travar exatamente aí.
A segunda é tratar a inteligência artificial como ferramenta de apoio, não como mágica. Você não precisa programar. Você precisa saber pedir. Pedir bem, com objetivo claro. Tipo: “resume esse texto em cinco tópicos”, “transforma isso numa mensagem educada de WhatsApp”, “me ajuda a montar um checklist”, “organiza minha semana com base nessas tarefas”. Quem usa IA assim ganha tempo, erra menos e passa uma sensação imediata de autonomia.
A terceira é aprender a se comunicar com clareza. Tenho observado que isso resolve metade dos problemas antes de eles nascerem. Quando você vai pedir algo para alguém, ou para uma IA, diga numa frase curta e completa: o que você quer, para quem é, qual é o problema, como você quer o resultado e o que não pode acontecer. Comunicação objetiva não é frieza, é respeito com o tempo dos outros e com o seu.
A quarta atitude é provar que você resolve problema. Curso ajuda, mas exemplo real vale ouro. Guarde evidências simples do que você já fez: uma planilha que organizou, um atendimento que destravou, um texto que melhorou, um jeito mais rápido de fazer uma tarefa, um processo que você deixou mais claro. Isso vira argumento de currículo e vira história de entrevista, sem precisar inventar nada.
Se você fizer o básico bem feito, usar IA como apoio e souber explicar o que precisa com clareza, você já sobe muitos degraus nas vagas de entrada. E num país com milhões de pessoas subutilizadas, essa diferença prática pode ser a linha entre “não me chamam” e “vamos marcar uma conversa”.

André Aguiar
DMX Web Marketing | Agência Level | Professor Universitário
Licenciatura em Matemática, MBA em Marketing Digital e Analista de Sistemas
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André Aguiar

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