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Revista do Villa

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Pilates Para Além da Moda: O Corpo, a Mente e a Indústria Bilionária

Como o Pilates voltou ao centro da cultura do movimento, impulsionado por ciência, propósito e um mercado que não para de crescer.


Por que o Pilates parece estar sempre passando por uma reinvenção, ora apresentado como tendência, ora como o “próximo hit” do bem-estar? Talvez porque, na velocidade com que consumimos novidades, a indústria precise empacotar até o que é clássico como se fosse lançamento. Mas a verdade é que o Pilates não precisa de hype. Ele é uma prática secular cuja essência continua exatamente onde Joseph Pilates a colocou na década de 1920: no momento presente. Seu criador, ao desenvolver a Contrologia, tinha um objetivo claro, recuperar a condição física de feridos de guerra combinando força, flexibilidade e, principalmente, concentração. Essa tríade continua sendo, até hoje, o que mais me encanta: a chance de estar inteira enquanto movimento e mente conversam.

 

Curioso pensar que 2025 é, talvez, o ano em que o Pilates foi mais falado. É o “lifestyle da vez”, segundo uma leva de influenciadoras sempre prontas para anunciar a tendência do momento — ainda que a prática esteja por aqui, sólida, silenciosa e desacelerada, desde muito antes da internet decidir que ela era cool.

 

Pilates é uma das minhas atividades físicas favoritas. Está comigo desde 2013 e virou relacionamento sério, desses sem altos e baixos — mesmo quando os meus desafios cotidianos tentam me sabotar: a vontade de faltar, a preguiça, o famoso “vou amanhã”. Eu sempre volto. E acho que isso diz muito sobre a força da prática.

 

Por muito tempo, o Pilates carregou o rótulo de “exercício de gente mais velha”. E, convenhamos, mesmo que fosse, estaria tudo bem, sabedoria e longevidade nunca saem de moda. Depois da febre dos anos 1990 e 2000, o método ainda enfrentou o estigma de “treino fofo”. Agora, renasce repaginado e, mais importante, ressignificado. De modalidade, virou estilo de vida. Um lembrete de que força, presença, consciência corporal e autocuidado caminham juntos.

 


É nesse contexto que recorro à Raquel Barcelos, minha professora, que acompanha meu corpo e minha trajetória há anos  para entender o que está por trás dessa virada no universo do Pilates. Por que a prática voltou ao centro da conversa? O que explica esse boom? E, principalmente, o que garante que ele não se desfaça quando a febre das tendências passar?


É aqui que entra a Raquel. Quando pergunto a ela sobre essa virada do Pilates — na vida real, no trabalho, no corpo das pessoas — ela resume assim:

 

“O Pilates evoluiu muito nos últimos anos. As pessoas descobriram que ele não é só uma prática leve: é uma ciência corporal completa, que integra força, flexibilidade, consciência postural e funcionalidade. Hoje, ele responde exatamente às demandas do nosso estilo de vida — combater o sedentarismo, melhorar a performance, prevenir dores, reabilitar e ainda trazer foco e equilíbrio emocional.”

 

Raquel explica que criou sua própria metodologia, unindo o Pilates contemporâneo às raízes clássicas de Joseph Pilates, para adaptar cada movimento às necessidades reais dos alunos. “No meu estúdio, o Pilates não é só uma aula. É uma estratégia de saúde, movimento e autocuidado”, diz ela.

 

Quando pergunto sobre sua relação pessoal com a prática, a resposta vem com honestidade:

 

“O Pilates transformou minha vida. Primeiro, me fez enxergar meu próprio corpo — meus desequilíbrios, minha postura, minha coordenação. Depois, virou um espaço de silêncio e presença que mudou minha mente. Isso influencia diretamente meu trabalho. Cada aluno que chega até mim carrega uma história, um corpo e uma intenção, e eu consigo olhar para cada um deles de forma única.”

 

Ela completa:

 “Minha metodologia me permite unir técnica e empatia. O Pilates me fez ser a melhor versão de mim mesma — e é isso que tento entregar a cada pessoa que passa por aqui.”

 

O momento do Pilates revela mais do que um modismo: ele expõe a expansão de uma indústria bilionária dedicada ao movimento consciente e à busca por longevidade. Influenciadoras podem até amplificar essa onda e tudo bem, esse também é o papel delas, mas a adesão crescente vai além dos filtros e feeds. Nasce do encontro entre autocuidado, consistência e o simples fato de que o método funciona.

 

O crescimento do Pilates não é só perceptível nas redes sociais ele aparece, sobretudo, nos números. O mercado global do método movimentou cerca de US$120,9 bilhões em 2024 e deve ultrapassar US$520 bilhões até 2035, segundo projeções da Allied Market Research. Trata-se de um avanço consistente, acelerado e que acompanha um fenômeno cultural: o interesse crescente por práticas que envolvem consciência corporal, longevidade e presença.

 

Em volume absoluto, a ioga ainda lidera em número de centros e praticantes. Mas o ritmo de expansão do Pilates é mais rápido. Nos Estados Unidos, por exemplo, o número de adeptos cresceu 40% entre 2019 e 2024, enquanto a ioga avançou 23,6% no mesmo período, conforme dados da Sports & Fitness Industry Association.

 

 No Brasil, o movimento é ainda mais expressivo: entre 2020 e 2024, a procura pelo método aumentou 313%, segundo dados da plataforma Wellhub publicados pelo site Neofeed.


Ou seja, não estamos apenas diante de uma tendência estética, estamos diante de uma mudança de comportamento.

 

Essa expansão também abriu espaço para a diversificação das modalidades. Ao lado do Pilates clássico surgem variações que atendem diferentes perfis: • o mat pilates, minimalista e feito apenas com o peso do corpo; • o power pilates, mais intenso e contínuo; • o aéreo, que dialoga com práticas circenses; • e studios que apostam no reformer como carro-chefe, como o Aera Pilates, do grupo Smart Fit.

 

E, claro, há abordagens que dialogam com quem busca intensidade. Entre elas está o Lagree, técnica híbrida que combina princípios do pilates com estímulos da musculação e já caiu no gosto de nomes como Michelle Obama e Kim Kardashian. Mais intenso, mais acelerado e com aquele tremor característico de “trabalho profundo”, o método mostra como o universo criado por Joseph Pilates continua se reinventando sem perder sua essência.

 

As aulas coletivas também ganharam força. São mais acessíveis, aproximam a prática de um público que talvez nunca tivesse entrado em um estúdio tradicional e criam uma sensação gostosa de comunidade.

 


“Me encontrei no pilates: trabalho força, flexibilidade, equilíbrio e foco, exercito corpo e mente de forma dinâmica. Cada aula é um momento de autocuidado — um cuidado que vai muito além da estética e que esse novo movimento wellness trouxe mais à tona, sobretudo com o crescimento das aulas em reformer, que inclusive virou um programa entre amigas”.

 

Foi observando essas novas dinâmicas que busquei experimentar uma aula em grupo com minha amiga Sabina Valerio, embaixadora da The Simple Gym, que aposta precisamente nesse formato coletivo. Saí encantada. As turmas dão ritmo, energia, senso de comunidade  e uma vontade genuína de voltar. A Sabina, como praticante apaixonada, também enxerga valor nesse formato. Ela costuma dizer que a aula em grupo traz leveza, motivação e presença, porque “se movimentar ao lado de outras pessoas cria uma energia boa, que dá vontade de repetir”.

 

Ainda assim, e aqui falo com carinho, acredito que o Pilates guarda um valor único quando há um olhar atento do professor para cada corpo. Mesmo em turmas pequenas, a experiência se transforma quando o profissional entende nossas particularidades, nossas limitações e até aquelas micro vitórias silenciosas que ninguém vê, mas fazem a gente voltar no dia seguinte.

 

É essa mistura entre técnica, acolhimento e individualidade que, para mim, mantém o Pilates vivo para além de qualquer hype. As modalidades até se reinventam, os estúdios ganham cara de spa, as selfies se multiplicam no espelho mas o que realmente sustenta essa prática é a relação que criamos com quem nos guia e com o nosso próprio corpo. No fim, é isso que fideliza, motiva e transforma.

 

Aos estúdios que foram casa em diferentes fases da minha vida, e aos professores que me guiaram com saber, carinho e rigor: meu muito obrigada.

 

O Pilates que vive em mim hoje é feito de cada toque, cada correção, cada aprendizado compartilhado. Sou o resultado de muitas mãos e muitos olhares.

 

 Raquel Barcelos
 Raquel Barcelos

Ana Paula de Deus


 
 
 

11 comentários


Danielle
11 de dez. de 2025

Excelente matéria!! Eu que nunca fui adepta a academia me encontrei no Pilates! : ⁠) Amo a dinâmica dos exercícios e a forma que trabalhamos o corpo.

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Convidado:
10 de dez. de 2025

Amo fazer pilates .faço no studio da Raquel com profissionais maravilhosos.

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Norma Cristina
09 de dez. de 2025

Amo Pilates!!! Adorei a matéria!

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Maria Nazaré
06 de dez. de 2025

Há anos faço pilates no estúdio da profa Raquel e a cada dia sinto-me motivada pela eficiência profissional e também pela melhora considerável que tive no decorrer do tempo !

Pilates é vida, vamos nessa!


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Convidado:
06 de dez. de 2025

Linda adorei

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