O verão é uma sensação chamada “ RIO”
- Ana Paula de Deus

- 15 de jan.
- 4 min de leitura
Simbora! 2026 já começou com tudo.

Não sei vocês, mas por aqui entramos com os dois pés direito e esquerdo sem cair em qualquer polêmica (ahahah, “Haivana”), desejando apenas um ano de pura luz e energia solar. E, convenhamos, não há nada mais solar do que a cidade do Rio de Janeiro.
Nesta primeira edição do ano da minha coluna na Revista do Villa, vamos falar dessa cidade que é puro charme e também pura polêmica. O Rio não se explica, se sente. A gente respira Rio por ser filho dessa terra e até quem não nasceu aqui acaba adotando a cidade como sua, transpirando seu jeito único de viver, envolvente, intenso e absolutamente irresistível.
Difícil não se apaixonar pelo Rio. Você chega e já tá encantado: de um lado o Pão de Açúcar, do outro o Cristo Redentor, o Aterro com seu parque projetado por Burle Marx, vivo, pulsante, e a Praia de Botafogo, que depois de anos escondida finalmente ganhou sua primeira árvore de Natal.
O lifestyle do verão é o Rio! E o Rio de Janeiro tem um jeito único de se mostrar: ele te seduz logo que você desembarca. Seja no Galeão, que voltou a operar com força total e, segundo dados da ANAC, transportou 9,7 milhões de passageiros de janeiro a julho de 2025, ou no Santos Dumont, que do carioca ao gringo mexe com o nosso olhar e comportamento. O 021 entra na veia, e a cidade já começa a falar com você.
E até o nome da cidade tem história. Rio de Janeiro: os portugueses acharam que a Baía de Guanabara era a foz de um rio, lá em janeiro de 1502. Um engano geográfico que virou poesia, porque o Rio nunca foi sobre precisão, sempre foi sobre sensação.
Não dá pra falar do Rio sem falar do estilo que nasce e se espalha pelas ruas e praias. Os biquínis verde e amarelo já viraram ícone e eu já garanti o meu! — reafirmam o estilo “Brazilcore”, que aqui sempre foi soberano e, hoje, virou febre no mundo todo. A camisa da Seleção, o verde e amarelo, esse ar tropical chic invadiram o street style lá fora, mas no Rio, camisa de time faz parte do dia a dia. Essa estética virou linguagem nas ruas, nos bairros e nas periferias; moda que tem nome e sobrenome e nasce com a gente.
E não é só roupa: a cidade também se veste de música e tradição. A famosa roda de samba do trabalhador, comandada por Moacyr Luz; o samba do orelhão no Arpoador; a Feira da Glória, que reina soberana na diversidade. E é ali, entre o milho verde, o mate, a água de coco e o biscoito Globo, que a gente entende que é preciso abraçar quem move essa cidade.
Os trabalhadores e trabalhadoras são o coração, a engrenagem que faz o Rio funcionar. Sem eles, não há verão possível, não há cidade viva, não há experiência completa. É no cotidiano de quem acorda cedo, enfrenta o calor, o transporte e a luta diária que o Rio mostra sua verdadeira força.
Não dá pra respirar verão de 45 graus sem pensar nas pessoas que vivem nos morros e vielas, sem sentir a cidade junto delas. Se o Rio tem beleza, grande parte dela vem de lá. O samba, o funk, o trap, o rap, o jongo nasceram no morro, e não existe nada mais carioca do que isso.
E quando falamos de Alcione, Tia Surica e Cartola não dá pra esquecer das quadras de Mangueira, da Portela, dos ensaios de escola de samba que não têm igual. É uma riqueza histórica vivida, sentida, falada. O suor desce na mesma proporção de uma cerveja gelada e dá vontade de estar lá, ouvindo a bateria e sentindo o surdo cantar. Mangueira teu cenário é uma beleza, não tem como negar.
O Rio, claro, não é só Zona Sul. Têm Niterói do outro lado da Baía, São Gonçalo, a riqueza cultural da Zona Norte, a força da Zona Oeste, os morros que guardam histórias e vozes, e os bairros periféricos que criam ritmo, moda e música. Toda essa diversidade é que faz o RJ ser único, pulsante e vivo.
O crescimento da cidade vem com desafios, nos últimos dias a cidade bateu recorde de turistas, chegando a receber 2,19 milhões de turistas estrangeiros, dados divulgados pela Embratur. Melhorar a Segurança, mobilidade, infraestrutura, organização dos espaços públicos e preservação ambiental precisam caminhar junto com o aumento do fluxo internacional. A orla, bem cuidada e planejada, é peça estratégica desse quebra-cabeça: sustenta a imagem global da cidade e reafirma o Rio, como capital onde a diversidade é pura experiência.
Quando você olha tudo junto, o que aparece é um Rio protagonista no cenário internacional, competitivo e ao mesmo tempo emocionalmente irresistível. Entre ondas, botecos, boa gastronomia, morro Dois Irmãos, calçadão, Lagoa, Maracanã lotado, quiosques e quadras de samba, a cidade mostra que consegue ser global sem perder a alma — e a alma do Rio é inconfundível.
Ser carioca é coisa nossa, e isso não tem nada mais brasileiro. Tá no borogodó que a gente carrega na alma, no sotaque, no jeito de encarar a vida, esse mesmo que deixa qualquer um louco. É a nossa informalidade e isso já virou pesquisa: o puro suco de como ser carioca. Se tu não tem isso na alma, desculpa, só venha de férias mesmo… e tá tudo certo!
Créditos nas fotografias: Daniela Teixeira
Ana Paula de Deus



















Realmente viver na Cidade Maravilhosa é um privilégio!
Seus textos estão cada vez melhores, com uma leitura leve que sintetiza exatamente o verão no Rio!
Vc é maravilhosa tb! 😍
Como não ser privilegiada morando no Rio de Janeiro 😍
Melhor época do ano na melhor cidade!!
Nossa Cidade é Maravilhosa!!
Aquela leitura que nos deixam com coração recheado de sentimentos do bem!O Rio é lindo de Janeiro à Janeiro ☀️