Entrevista: Marcos Carneiro
- Delcio Marinho

- 30 de mar.
- 2 min de leitura
Atualizado: 31 de mar.

DM 1 — Você atua oficialmente na área de comunicação institucional, mas também escreve crônicas e poesias. Como essas duas dimensões — técnica e sensível — convivem na sua trajetória?
Ambas as atividades estão ligadas à comunicação. A assessoria de comunicação institucional atua como uma ponte entre o órgão e a sociedade, facilitando e explicando os acessos à serviços, frutos de políticas públicas. É um exercício de informação mais formal e que lida com uma cadeia de gestão para que possa ser concluído. Já o segundo é completamente autoral, e ligado à criatividade. É um trabalho de sensibilidade, vocabulário e estilo pessoal.
DM 2 — Sendo assessor de comunicação de uma instituição ligada à proteção de dados, você lida diariamente com informação em estado bruto. De que forma isso influencia sua escrita literária?
O desenvolvimento da escrita permeia todo tipo de vocabulário e processo de formação pessoal e acadêmica. Quando se atua nas duas frentes, de forma organizada e compartimentalizada, é possível que haja uma intersecção de saberes e referências que enriquecem ambos os tipos de produção da comunicação
DM 3 — Suas crônicas e poesias seguem mais uma linha observacional do cotidiano ou partem de experiências pessoais mais íntimas?
Na maior parte, meu trabalho literário foca no gênero da crônica, que está indiscutivelmente ligado ao cotidiano dos outros, mas sob um olhar pessoal e único, ou seja, imbuído de valores e percepções adquiridos na formação da pessoa.
DM 4 — Em um mundo cada vez mais orientado por dados, algoritmos e velocidade, qual você acredita ser o papel da literatura hoje?
A literatura é um respiro para esse mundo tão apressado em produzir informação de maneira quase que instantânea. O gravado virou ao vivo e a edição é feita ali mesmo de um celular. A escrita literária demanda tempo, sentimento e às vezes até sofrimento.
DM 5 — Para finalizar, como você gostaria de ser reconhecido no futuro: como o profissional da comunicação institucional ou como o escritor que traduz o tempo em palavras?
As duas trajetórias fazem parte da minha história, e da minha formação como profissional. Tenho orgulho de ambas. Uma me coloca em contato com a realidade objetiva, a outra me leva à fantasia e a uma viagem aos meus sentimentos mais profundos.

Delcio Marinho

Gosto bastante das crônicas do Marcos Carneiro. São sensíveis e nos fazem relembrar momentos que vivemos ao longo do vida, momentos que fazem a vida ter sentido. Ser escritor é isto: traduzir parte da vida em palavras.