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Revista do Villa

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Entrevista – Produtor Cultural e Ator

Nome artístico: Fabricio Cumming


O cenário cultural brasileiro é construído por profissionais que transitam entre diferentes funções, conectando ideias, pessoas e projetos. O produtor cultural e ator ocupa um papel estratégico nesse processo: ao mesmo tempo em que cria e interpreta, também viabiliza, organiza e impulsiona a arte.


Nesta entrevista para a Revista do Villa, conversamos com um artista que atua nos bastidores e nos palcos, unindo sensibilidade artística e visão de produção para fortalecer a cultura e ampliar o alcance das expressões criativas.


Entrevista


DM 1 — Para começarmos, poderia se apresentar aos leitores da Revista do Villa?

Qual é o seu nome artístico ou profissional, sua cidade, formação e como se define dentro da arte: ator, produtor ou ambos?


Sou Fabricio Cumming, da cidade de Salvador, Bahia. Sou ator formado pelo 17º Curso Livre da Universidade Federal da Bahia. Sou ator por formação e vocação, mas, para que tudo acontecesse, houve a necessidade de virar produtor, para trazer à tona os projetos e viabilizar sua criação e desenvolvimento.


Tenho também desenvolvido, nos últimos 12 a 13 anos, a função de apresentador e mestre de cerimônia. Dentre os meus projetos, tenho trabalhado com os mais diversos públicos: com a juventude, no Sucesso Aqui Vou Eu, que virou o programa de TV Periferia de Sucesso, momentaneamente fora do ar por questões de patrocínio, mas que envolvia mais de 300 jovens em cada edição, entre artistas, público e equipe de produção.


Realizo anualmente o Miss Subúrbio Gay, que é um dos projetos voltados ao público LGBTQIA+, assim como o Festival Diversas Suburbanidades. Para o público do rap, desenvolvo o Vem Pra Rua Rappers. Esses são alguns dos principais dentro de uma gama maior de projetos que executo.


Como ator, estou atualmente ensaiando uma peça do autor Filipe Harpo, com quem trabalhei em O Beijo da Rainha. Retomamos a parceria para um novo projeto, ainda em segredo, que estreia em breve na comemoração dos meus 30 anos de carreira e 50 anos de idade, que completo neste ano.


DM 2 — Como surgiu sua trajetória nas artes e em que momento você percebeu a necessidade de também atuar como produtor cultural?


Artista não nasce — como se diz aqui na Bahia, já estreia. Desde muito cedo eu já me via enquanto artista, mas profissionalmente isso começou por volta dos 19 anos de idade, quando participei do projeto Toma Lá Dá Cá, do Teatro Vila Velha, aqui em Salvador.


Logo após, ingressei no Curso Livre, fazendo duas peças consecutivas. No próprio curso, o produtor já aparece para ajudar a viabilizar todo o aparato necessário para que as peças aconteçam.


Junto com meu colega de curso Eduardo Scaldaferri, nos tornamos produtores — e nunca mais largamos essa função.

Ultimamente, o produtor tem se sobreposto muito ao ator. Trabalhei em mais de 10 produções de exposições de arte visual junto ao acervo da Laje, em museus importantes como o MAM e o MAR, no Rio de Janeiro, além dos SESCs Belenzinho e Pompeia e do Itaú Cultural, em São Paulo, na Avenida Paulista.


O ator tem espaço em diversos comerciais de TV e, em breve, retorna com força total no monólogo que mencionei anteriormente. Podemos até guardar um pouco a função de ator, mas ela sempre volta.


Também estou tentando viabilizar a organização e digitalização do meu acervo, que conta com milhares de fotos, recortes, jornais e revistas, registrando não só a minha história, mas uma parte importante da produção cultural do Subúrbio Ferroviário de Salvador, onde nasci e fui criado.


DM 3 — Na prática, quais são os maiores desafios de conciliar o trabalho artístico com a produção de projetos culturais?


Ter que dar conta de tudo e ainda estar pleno em cena quando o espetáculo começa. A vida de produtor não é fácil, principalmente em Salvador, onde os investimentos não são tão grandes quanto no eixo Rio-São Paulo.


Nesses grandes centros, cada função tem um profissional específico. Aqui, a gente “se vira nos 30”, como diria Faustão.


DM 4 — Como produtor, você enxerga mudanças no cenário cultural brasileiro nos últimos anos?

O acesso, os investimentos e o público evoluíram ou regrediram?


Hoje, os programas de isenção fiscal e as leis de incentivo à cultura têm ajudado bastante para que a máquina cultural funcione.


Infelizmente, como somos um país com muitas desigualdades, nem todos podem pagar para ter acesso à cultura. Por isso, esses mecanismos são fundamentais.


Ter um Ministério da Cultura forte, junto com instituições como a Funarte e políticas como a Lei Aldir Blanc, tem transformado o cenário artístico e cultural do nosso país.


DM 5 — E como ator, o que mais te move na construção de um personagem?

Existe diferença entre o olhar do ator e o olhar do produtor dentro de um mesmo projeto?


Um bom papel e um bom texto sempre vão mover um ator. Estar em cima de um palco é um momento único de comunhão com o público, que está ali para sair transformado após o espetáculo. Alguma coisa ele precisa levar daquele momento. Sendo também produtor, o deslumbramento fica um pouco de lado, pois sei até onde o orçamento vai e quais são as reais possibilidades do projeto.


Mas, claro, sempre queremos mais — e lutamos diariamente por isso.


DM 6 — Para finalizar, que conselho você daria para quem deseja entrar no meio cultural hoje, seja como artista ou como produtor?


Estude bastante, procure boas referências. Infelizmente, a juventude hoje tem tudo nas mãos e não utiliza isso da melhor forma. Prefere o raso das redes sociais e esquece de pesquisar e aprofundar o conhecimento.


É impossível ser um bom ator sem saber quem é Fernanda Montenegro, sem conhecer os grandes nomes do cinema ou sem saber quem foi Walter Pinto, um dos maiores produtores do teatro de revista no Brasil.


Buscar a memória é uma dádiva — e hoje tudo está ao alcance das mãos.


Entrevista por

Delcio Marinho & ChatGPT


Delcio Marinho


 
 
 

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