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Revista do Villa

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Entrevista: Jorge Coutinho - ator


Nesta edição, conversamos com Jorge Coutinho, ator e uma das figuras marcantes da história cultural brasileira, com atuação também no campo institucional.


DM: Jorge, você tem uma origem marcada por desafios. Como foi sua infância e de que forma essas experiências influenciaram sua trajetória?


Jorge: Sou filho caçula da dona de casa vassourense Mercedes Antônia Coutinho e do marmorista Manoel Coutinho. Vim ao mundo pelas mãos da minha avó, a famosa parteira Marta Rocha.

Da minha infância, vivida nos bairros de São Cristóvão e Cordovil, trago lembranças de tempos difíceis. Houve uma época em que a realidade me obrigava a estudar sob a luz de lamparina e a transportar latas d’água na cabeça.

Motivado pela dificuldade financeira que minha família enfrentava, ainda na adolescência comecei a trabalhar como lixador em uma antiga fábrica de sapatos no bairro de Triagem.

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DM: Em que momento a cultura e o samba entram na sua vida e começam a moldar seu olhar artístico?


Jorge: Foi nessa época que fui apresentado ao fantástico mundo das Escolas de Samba por meio da minha avó paterna, dona Hercília, integrante da Escola de Samba Capela.

Com a separação dos meus pais e a morte da minha avó paterna, me mudei para o bairro Proletário da Gávea, onde passei a viver com minha mãe.

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DM: Antes da atuação, você passou por outras profissões. Como foi esse caminho até encontrar sua verdadeira vocação?


Jorge: Não tendo me adaptado ao ofício, busquei novos caminhos e fui para o curso de bombeiro hidráulico.

Ao completar 18 anos, cumpri meu dever cívico no serviço militar obrigatório, onde aprendi o ofício de bombeiro eletricista.

Após o serviço militar, me empreguei no Copacabana Palace como bombeiro hidráulico. Foi lá, ao assistir aos ensaios das grandes companhias artísticas, que descobri minha verdadeira paixão e a profissão que realmente queria seguir.

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DM: Como foi sua formação artística e os primeiros passos no teatro e nos movimentos culturais do país?


Jorge: Sempre fui obstinado. Me matriculei no Conservatório e também no curso do Teatro Tablado.

Em 1958, fiz meu primeiro trabalho como ator na peça “Do mundo nada se leva”, ao lado de nomes já consagrados da dramaturgia brasileira.

Em 1960, ao participar do Centro Popular de Cultura da UNE, iniciei meu sonho de descentralizar a cultura, que sempre esteve muito presente nas classes mais abastadas e escassa para as classes menos favorecidas.

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DM: Você esteve presente em momentos históricos da cultura brasileira. Como foi essa participação e quais as consequências disso na sua vida?


Jorge: Estive presente na criação do movimento do Cinema Novo e do Grupo Opinião.

O Grupo Opinião foi responsável por divulgar a música de compositores populares que depois se tornaram conhecidos pela elite.

Nos anos de chumbo, o espetáculo “Noitada de Samba”, que produzi ao lado de Leonides Bayer, e realizado pelo Grupo Opinião, foi considerado pela opinião pública um grande foco de resistência, permanecendo em cartaz por 10 anos.

Por conta desse movimento cultural e político, fui exilado na Argentina.



DM: Após o exílio, você protagonizou um momento marcante na televisão brasileira. Como foi essa experiência?


Jorge: Ao retornar do exílio, participei da novela “Passo dos Ventos”, de Janete Clair, onde protagonizei o primeiro beijo entre um homem negro e uma mulher branca na televisão, desafiando o preconceito que existia na época.



DM: Além da carreira artística, você também teve atuação institucional. Como foi essa experiência?


Jorge: Com a carreira de ator já solidificada, iniciei minha atuação sindical à frente do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos e Diversões.

Fui presidente do SATED/RJ e também integrei o Conselho de Comunicação Social do Congresso, contribuindo com a representação da classe artística.


Convite Especial

No próximo dia 29, às 19h, no Cine Joia, em Copacabana, acontece o lançamento do longa-documentário:

“A MINHA HISTÓRIA JÁ FALA POR MIM”

“A trajetória de Jorge Coutinho, um pioneiro na TV brasileira”

Um filme de memória, arte e resistência — que transforma vida em narrativa.


Ficha Técnica (resumida)

Realização: DMTV Produções

Coprodução: Conchas Produções Artísticas | MW Produções Artísticas

Direção: Leandro Jozé

Roteiro: Jorge Coutinho e Leandro Jozé

Produção Executiva: Leandro Jozé, Isa Di Morais, Jorge Coutinho, Ronald Siqueira Barbosa

Tema Musical: “Meu Quintal é Maior do que o Mundo” — Lucas Donato

Participação especial: Xande de Pilares

Estrelado por: Jorge Coutinho


“Jorge Coutinho é a memória viva de um país que ainda aprende com seus artistas.”

“Ao mestre, com carinho.”

Jorge Coutinho


Criação de Conteúdo Digital

Delcio Marinho & ChatGPT

 

Delcio Marinho


 
 
 

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