Entrevista: Gilberto Salvador - artista plástico
- Chico Vartulli

- 13 de dez. de 2025
- 3 min de leitura
Entrevista com o artista plástico Gilberto Salvador.

1- Olá Gilberto! Você poderia comentar sobre o projeto da exposição “Geometria Visceral”?
O nome quem deu foi a curadora Denise Mattar a partir de um apanhado que tínhamos feito do meu trabalho atual para ser mostrado no Paço Imperial no Rio de Janeiro. Foram selecionadas primeiro 70 obras e destas separamos 40, que estão na exposição. Elas tangenciam o momento atual do meu trabalho em pintura.
2- Quais são as produções artísticas que integram a exposição?
A linguagem principal é a pintura uma exposição de pintura e tem uma referência escultórica que é para o público tátil.
3- Como está estruturada a exposição?
A exposição está estrutura de uma forma bastante linear para o público onde ele poderá, ao entrar na exposição, verificar obras das décadas de 1960 e 1970 e 1980, mas só de forma referenciais, não é uma retrospectiva, e ai entra uma sequência de trabalhos atuais onde a questão da temática da geometria se impõe com gesto.
4- Você está a 17 anos sem expor no Rio de Janeiro. Como está se sentindo nesse retorno? Quais sâo as suas expectativas?
Nos últimos 17 anos investi muito em escultura e nos últimos 3 anos eu volto com a pintura já com essas referências geométricas. Depois 17 anos sem expor no Rio é uma coisa meio surpreendente para mim, pois trabalhei no Rio com a galeria Bonino, depois com o Franco Terranova e com a Anna Maria Niemeyer, mas depois eu acabei me concentrando nas esculturas e eu precisava de espaço que abrigasse a tridimensionalidade no ateliê e o transporte disso tudo, que é muito complicado. Mas eu sempre tive uma admiração muito grande pelo movimento artístico no Rio de Janeiro. Por uma questão de princípios, eu não tenho expectativa na vida, eu defino o meu caminho, não espero.

5- Quais sâo as linguagens que aparecem nas suas produções artísticas?
Basicamente uso escultura, desenho, gravura, instalações, que é o que venho trabalhando nos últimos 60 anos.
6- Quais sâo as características do seu "fazer artístico"?
No fazer artístico tem um fator que é muito importante. O fato de eu ter tido uma formação em arquitetura, me deu uma desenvoltura muito grande para trabalhar a questão da matéria, e eu entendo que artes plásticas não é literatura, o que fica uma dificuldade, porque as pessoas querem saber o que quer dizer a imagem que você pintou, mais ou menos como se você olhasse uma flor achando que ela vai te dizer algo. Não é bem assim, você gosta da flor pela relação formal, pelo cheiro, uma série de outros fatores que não precisam ser literais e simplesmente visuais. Nas artes para mim acho que é um pouco por ai. No meu caso é uma questão sensitiva.
7- Quais são as suas referências (teóricas e práticas) no campo das artes plásticas?
As referências teóricas aos 60 anos de trajetória é um volume razoável, vai desde o Lúcio Costa, que é urbanista, bate no Le Corbusier, vai pro Picasso, Caravaggio e um monte de referências, Jackson Pollock, Aldemir Martins, Portinari. Qualquer artista com a minha idade não tem referência teórica ou prática, tem vida e a vida é tudo.
8- Qual é a definição de arte que você partilha?
Arte para mim é amor, é sensitiva, é a ligação que eu faço com o universo.
9- Quais são os seus projetos futuros?
Não sei ainda, vou trabalhando... Picasso tinha uma frase que eu gosto muito. Perguntaram para ele como ele tinha tanta inspiração e ele deu a seguinte resposta: “eu vou para o meu ateliê todo dia, vou para a prancheta, vou para a tela e vou trabalhar. Acontece que a inspiração passa na rua e geralmente ela bate na porta do ateliê. Se eu não tiver lá ela não entra”. Então inspiração não é pontual, nada na vida é pontual, eu vou achando as coisas, vou caminhando, vou sentindo, para mim essencialmente arte é amor, se eu puder amar, vou produzir arte.

Fotos: Arquivo pessoal/Divulgação
Chico Vartulli

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