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Revista do Villa

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Entrevista: Bruno Mezenga (autor)

O teatro e o audiovisual brasileiros são construídos por talentos que carregam não apenas técnica, mas também identidade, vivência e território. Ser ator é dar corpo a histórias, emoções e realidades que atravessam o público de forma direta e transformadora.


Nesta edição da Revista do Villa, conversamos com um ator de Salvador, cuja trajetória dialoga com a força cultural da Bahia — um lugar onde arte, expressão e resistência caminham lado a lado.


Apresentação

Nome artístico ou profissional:

Bruno Mezenga

Cidade / Estado:

Salvador – BA


Formação artística / acadêmica:


Minha formação artística é autodidata, construída a partir da prática, da vivência e da criação contínua. Desenvolvo meu trabalho através da experiência em cena, da construção de personagens e da pesquisa artística, tendo o contato com o público como uma das principais ferramentas de aprendizado e evolução.


Experiência profissional:


Minha experiência profissional se constrói no teatro independente, com foco em criações autorais. Atuo como ator, humorista, roteirista, diretor e cenógrafo, desenvolvendo projetos completos — da concepção à execução.


Já criei quatro espetáculos, sendo dois finalizados e dois em desenvolvimento, além de diversos personagens que transitam entre o humor e a crítica do cotidiano. Também participei de entrevistas na TV Globo e no programa de Uziel Bueno, na Band, ampliando a visibilidade do meu trabalho. Minha trajetória é marcada pela autonomia, versatilidade e construção de uma identidade artística própria.


Atuação atual:


Atualmente, meu foco está no espetáculo autoral “10 Graças Versões of Mim”, no qual interpreto múltiplos personagens — transitando entre cinco mulheres e quatro homens, explorando diferentes camadas de linguagem e expressão.


Estou em fase de preparação para apresentações no mês de maio e em busca de um produtor que contribua para a ampliação e circulação do projeto no cenário artístico.


Trajetória na arte:


Minha trajetória na arte começou ainda na infância, quando eu já escrevia e tinha o sonho de ser roteirista. Sempre me vi mais nos bastidores, criando histórias, do que no palco.


Mas em 2009, com a morte de Michael Jackson, surgiu uma apresentação na escola em homenagem a ele, e fui escolhido para representá-lo. Naquele momento, me envolvi completamente: cuidei da maquiagem, do cabelo, ensaiei e subi ao palco. Foi ali que tive meu primeiro contato direto com o público — e algo mudou.


A partir disso, comecei a desenvolver minhas próprias ideias, escrevendo e roteirizando histórias. Criei inicialmente um stand-up contando a história de uma mãe, que acabou ficando guardado por um tempo. Anos depois, retomei esse material e comecei a produzir vídeos, até transformar essa ideia em minha primeira peça, dando origem a uma família de personagens.


Com o tempo, fui criando personagens marcantes como a crente Amacubeira, a tia Creuza, a mãe faxineira e a mendiga, todos inspirados no cotidiano e nas vivências ao meu redor. Esses personagens deram origem a novos espetáculos e fortaleceram minha identidade artística no humor e no teatro independente.


Minhas influências passam por nomes como Paulo Gustavo e Rodrigo Sant’Anna, além de referências do cinema como Titanic, que contribuíram para minha forma de pensar a atuação, o humor e a construção de histórias.


Ao longo da minha trajetória, sigo construindo meu caminho de forma independente, conectando arte, vivência e identidade em cada trabalho que desenvolvo.


Entrevista


DM 1 — Para começarmos, apresente-se aos leitores da Revista do Villa.

Quem é você na arte e como nasceu sua relação com a atuação em Salvador?


Meu nome é Bruno Mezenga, sou ator, diretor, roteirista e cenógrafo de Salvador. Trabalho com criação de conteúdo no Instagram, onde uma das minhas contas já ultrapassa 22 mil seguidores, e também estou retomando minha trajetória no teatro, desenvolvendo novas peças e personagens. Minha relação com a atuação sempre foi sobre dar vida a histórias que conectam com o público, provocam risadas, reflexões e traduzem vivências do nosso cotidiano.


DM 2 — Salvador é um dos maiores polos culturais do Brasil. De que forma a cidade influencia sua construção como ator?


Salvador é um lugar cheio de vida, cores e histórias, e tudo isso influencia diretamente meu trabalho. A cidade respira cultura — do teatro de rua aos blocos, da música aos festejos populares — e tudo serve de inspiração para criar personagens e narrativas que dialogam com a realidade das pessoas. Crescer e trabalhar aqui me ensinou a valorizar identidade, vivência e a força do público como parte da construção artística.


DM 3 — Como foi sua formação artística? Houve algum momento ou projeto que marcou sua virada na carreira?


Minha formação artística é uma mistura de prática e pesquisa contínua. Sempre gostei de escrever e criar histórias, e ao longo do tempo fui explorando teatro, vídeo e construção de personagens. Um momento marcante foi quando transformei minhas ideias em uma peça própria, interpretando vários personagens. Ali percebi que podia construir minha própria linguagem artística, unindo humor, vivência e criatividade.


DM 4 — Entre teatro, TV e audiovisual, onde você mais se identifica hoje e por quê?


Gosto muito de transitar entre o audiovisual e o teatro. O audiovisual permite alcançar um público maior, enquanto o teatro tem uma energia única, imediata, que chega direto ao coração. No palco, sinto a reação das pessoas na hora. Nos vídeos, percebo o carinho do público de outra forma. São experiências diferentes, mas que se complementam e me fortalecem como artista.


DM 5 — O mercado artístico no Brasil apresenta desafios constantes. Quais foram os principais obstáculos que você enfrentou até aqui?


As dificuldades são constantes. O mercado ainda carece de oportunidades, especialmente para artistas pretos, periféricos e LGBTQIA+.


Por isso, deixo também uma reflexão e um pedido: que os poderes públicos e produtores olhem mais para os artistas do subúrbio. Precisamos de visibilidade, apoio e oportunidades reais para que nossos trabalhos cheguem a mais pessoas. A arte que produzimos merece ser vista.


DM 6 — A arte também é ferramenta de expressão social. Seu trabalho carrega alguma mensagem ou compromisso com questões culturais e sociais?


Sim. Meu trabalho é muito inspirado no cotidiano e, embora seja voltado para a comédia, carrega reflexões importantes.


Trago temas como valorização das mulheres, combate ao racismo e à homofobia, denúncia da violência doméstica e atenção a questões sociais envolvendo crianças e idosos. Busco fazer uma arte que faça rir, mas também pensar. No fim, é entretenimento com consciência.


DM 7 — Para finalizar, quais são seus próximos passos e que conselho você daria para quem deseja seguir carreira como ator?


Meus próximos passos estão focados na estreia da minha peça em maio e no fortalecimento do meu trabalho para alcançar mais público. Também estou em busca de produtores e oportunidades em emissoras de TV, especialmente na área da comédia.


Meu conselho pode parecer simples, mas é essencial: não desistam. Cada tentativa é aprendizado. Se algo não sair como esperado, refaça, aprenda e siga. A persistência é o que constrói o caminho.


Quero também expressar minha profunda gratidão ao Delcio Marinho por acreditar no meu trabalho e me proporcionar esse espaço para compartilhar minha trajetória.


Entrevista:

Delcio Marinho & ChatGPT


Delcio Marinho


 
 
 

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