Eliza Pragana - grupo Flor do Samba
- Chico Vartulli

- 18 de jan.
- 3 min de leitura
Entrevista com Eliza Pragana, compositora e integrante do grupo Flor do Samba:

1- Olá Eliza! Como se deu o processo de criação do grupo Flor do Samba?
O grupo Flor do Samba nasceu de um movimento feminista muito bonito que aconteceu no Rio de Janeiro: A primavera das Mulheres, que reuniu uma grande diversidade de mulheres artistas cariocas. Logo as sambistas se juntaram e nasceu o Flor do Samba
2- Quem são as integrantes do grupo?
Hoje o núcleo do Flor do Samba é composto por Luciana Jablonski, Manoela Marinho e eu, Eliza Pragana. A cada roda, musicista de excelência são convidadas, como Raquel Moreira, Anibale e Mariana Bernardes.
3- Onde o grupo se apresenta? Tem uma sede?
O grupo se apresenta em diversas casas do Rio de Janeiro. Fomos residentes do Restaurante Esperança.eco durante um ano mais ou menos, e tocamos também no Alfa Bar, e no Restaurante Cardosão, dentre outros lugares cariocas. Fazemos muitas festas fechadas também. De empresas, particulares.... Onde chamam a gente leva a nossa roda, ou o nosso trio.
4- Qual é o repertório musical principal que o grupo canta?
Nós 3 somos professoras e pesquisadoras então nosso repertório é muito abrangente. Desde o Samba de Raiz até Jorge Aragão, Almir Guineto, Arlindo Cruz.... A gente toca o que a gente gosta, e a gente gosta de muita coisa!
5- Vocês têm algum produto lançado pelo grupo?
O grupo foca sua atividade artística nas apresentações presenciais. Eu, Eliza, tenho um trabalho de compositora consistente, com 9 músicas autorais nas plataformas . Vira e mexe canto minhas músicas nas rodas do Flor.

6- A presença de mulheres no mundo do samba sempre foi uma constante. O grupo se preocupa em buscar dar continuidade a essa representatividade feminina no mundo do samba?
Sim, a gente tem consciência de que temos essa responsabilidade. O lugar da mulher no samba até bem pouco tempo atrás era na cozinha, fazendo comida, sambando na frente da roda, e fazendo coro em músicas que na maioria das vezes não estavam sendo tocadas num Tom adequado para a voz feminina, já que a grande maioria dos músicos que compunham a roda era de homens. Hoje nós, aos poucos fomos buscando também nosso espaço de musicistas, sambistas , promovendo o samba. Isso é muito importante para que as gerações futuras vejam e saibam que mulher pode sim, tocar samba.
7- Quais sâo os principais desafios que o grupo enfrenta para dar continuidade ao seu trabalho?
O principal desafio ainda é o machismo estrutural que existe também no mundo do Samba. Pra buscar novos lugares pra tocar, por exemplo. Se fossemos um grupo masculino seria mais fácil, sem dúvida.
8- Por meio do canto do grupo, vocês reverenciam as ancestralidades?
Ah, com certeza, adoramos reverenciar os mais velhos, como Pixinguinha, João da Baiana, Clementina, Tia Ciata.... A ancestralidade é a essência do Samba, e a gente bebe dela pra manter nossa chama acesa.
9- Quais sâo os planos futuros do grupo?
A gente quer tocar cada vez mais! Novos lugares, novas cidades, novos países.... Queremos levar a chama do Samba sempre acesa e conquistar cada vez mais espaços.

Créditos das fotos:Thiago Anastácio
Chico Vartulli

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