CONARH 2026: quando o RH ganha uma cidade
- Pedro Ramos

- 18 de ago.
- 3 min de leitura
De Evento Administrativo a Hub Estratégico: CONARH Reafirma o Papel da Gestão de Pessoas

Começou hoje, na Expo São Paulo, mais uma edição do CONARH, o maior encontro de Gestão de Pessoas da América Latina e o segundo maior do mundo. Mas talvez seja insuficiente chamar-lhe apenas congresso. Em 2026, o CONARH assume uma nova identidade, mais ampla e mais simbólica: nasce a Cidade do RH.
E a escolha do nome não poderia ser mais feliz.
Uma cidade é feita de encontros, ideias, diversidade, movimento, desafios e possibilidades.
Tem ruas por onde circulam histórias diferentes, espaços onde se constroem relações e praças onde as conversas ganham vida.
É precisamente isso que se sente desde o primeiro momento nesta edição: milhares de profissionais de Gestão de Pessoas, líderes empresariais, académicos, empreendedores, consultores e estudantes a ocuparem um mesmo território com uma missão comum: pensar o futuro do trabalho e, sobretudo, o futuro das pessoas nas organizações.
A Cidade do RH não é apenas um novo brand. É uma afirmação de propósito. Representa a maturidade de uma área que deixou há muito de ser apenas administrativa para se tornar decisiva na construção de culturas, na transformação dos negócios e na sustentabilidade das organizações.
Vivemos um tempo em que as empresas enfrentam mudanças profundas e simultâneas. A inteligência artificial redefine funções e competências. As novas gerações questionam modelos tradicionais de liderança. A saúde mental deixou de ser um tema periférico. A produtividade exige novas conversas. A diversidade já não pode ser apenas uma declaração bem-intencionada. E a liderança precisa, mais do que nunca, combinar visão estratégica, coragem para decidir e sensibilidade para escutar. É neste contexto que o CONARH se torna tão relevante.
Ao caminhar pelos corredores da Expo São Paulo, percebe-se que esta não é uma conversa exclusivamente brasileira, embora o Brasil esteja, naturalmente, no centro do palco. O evento acolhe profissionais e delegações vindos de diferentes partes do mundo, incluindo Índia, Bahrein, Estados Unidos, Moçambique e Portugal. Esta presença internacional confirma algo que venho defendendo há muito: os desafios da Gestão de Pessoas têm especificidades culturais, mas são, na sua essência, universais.
Em todos os países, as organizações procuram responder às mesmas questões fundamentais: como atrair e desenvolver talento? Como liderar num ambiente de incerteza? Como criar culturas de confiança? Como conciliar resultados com humanidade? Como preparar pessoas e empresas para profissões que ainda nem existem?

Não há respostas simples. Mas há uma certeza: nenhuma transformação será verdadeiramente bem-sucedida se não colocar as pessoas no centro.
Tenho a honra de integrar o Conselho Empresarial da ABRH Brasil e o Comité do CONARH. Esta participação permite-me acompanhar de perto o enorme trabalho coletivo que existe por trás de um evento desta dimensão. Mais do que organizar palestras, espaços de exposição e momentos de networking, constrói-se uma plataforma de diálogo nacional e internacional sobre aquilo que mais impacta o presente e o futuro das empresas: as pessoas.
E talvez esta seja a grande força do CONARH 2026. A sua capacidade de reunir diferentes gerações, setores, geografias e perspetivas sem perder de vista o essencial. Porque, por trás de cada indicador de desempenho, de cada estratégia de inovação e de cada meta de crescimento, existem pessoas. Pessoas com expectativas, receios, ambições, talentos e histórias.
A Cidade do RH está aberta. E, durante estes dias, São Paulo transforma-se num ponto de encontro para quem acredita que liderar é desenvolver pessoas, que gerir é criar condições para o talento florescer e que o futuro das organizações será tão forte quanto a qualidade das relações que conseguirmos construir dentro delas.
O CONARH 2026 começou hoje. Mais do que um evento, começa também uma conversa necessária: que cidade queremos construir para o trabalho, para as empresas e para as pessoas?
Pedro Ramos

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