Com o que o vinho branco combina? Descubra essa bebida fascinante
A vez do vinho branco
Amo comer peixe! Se eu precisasse listar um prato que me dá água na boca, o peixe certamente estaria entre eles.
Certa vez, estive em Matinhos, no litoral do Paraná, na casa de um amigo. Aqueles dias me trouxeram à lembrança uma situação vivida na juventude.

O mercado do peixe oferece uma gama de possibilidades. Durante aquelas férias, em Matinhos, lembrei que, quando ainda era muito jovem, uma das coisas que aprendi foi a ajudar a puxar as redes de pesca nas praias. Normalmente, essa prática acontece bem cedo. Os pescadores, que haviam lançado as redes durante a madrugada, voltam para puxá-las, trazendo consigo os peixes e diversos outros frutos do mar. É o chamado arrastão de praia.
O sistema era simples: havia cordas nas extremidades das redes, puxadas por homens pelas duas pontas. À medida que eram trazidas para a beira da praia, as redes formavam um semicírculo, em formato de U, até alcançar a parte seca da areia, onde era feita a “colheita dos peixes”.
Quem ajudava podia ficar com os peixes menores, ótimos para fritar. Eu participava dessa dinâmica e, normalmente, depois de algumas redes puxadas, já garantia o peixe do almoço.
Como era bom ser jovem.
De tempos em tempos, me pego vasculhando essas boas memórias. Sempre penso comigo mesmo: Evandro Martini, você já foi a tantos lugares que deveria ter catalogado contatos para essa trajetória!
Como aprendi a gostar de vinho branco
Nessa história toda, saímos agora da beira-mar e vamos entender como aprendi a apreciar o vinho branco.
Foi por volta dos meus 30 anos. Certa noite, saí para tomar sopa em um restaurante de Curitiba, e o melhor acompanhamento era o vinho branco. Daquela experiência nasceu também o desejo de criar o Instituto Evandro Martini – Estudos do Vinho, porque, depois de conhecer esse universo, passei a me perceber em um mundo novo.
Havia uma sopa de frutos do mar servida no restaurante Acrótona, um restaurante ítalo-brasileiro tradicional e acolhedor, conhecido por servir sopas caseiras no centro de Curitiba. A construção do local, aliás, remetia a uma autêntica cantina italiana.
Aquela sopa de frutos do mar era fantástica, e o vinho da casa combinava muito bem com ela. Que experiência foi aquela! Um daqueles momentos capazes de fazer a memória pulsar.
Depois de algum tempo, fui morar na Itália e, é claro, a degustação de vinhos acabou se tornando parte da rotina. Digo, sem medo de errar, que aquele momento vivido em Curitiba tinha muito bom gosto envolvido.
Nos anos em que morei na Itália, notei que o consumo de vinho é muito mais frequente. Podemos dizer que a alimentação italiana tem uma forte relação com o vinho. Uma taça acompanha desde conversas em um bar depois do trabalho até momentos íntimos de meditação antes do sono.
E, para quem imagina que o vinho branco deixa algo a desejar, não se engane.
O vinho branco é feito, em geral, de uvas de casca clara. É curioso falar em “uva branca”, já que muitas dessas uvas apresentam tonalidades esverdeadas quando maduras. A cor dos seus bagos é naturalmente mais clara.
Também existe a possibilidade de produzir vinho branco com uvas tintas. Isso acontece porque a maior parte da cor está concentrada na casca da uva. Se a extração for feita com delicadeza e pouco contato com as cascas, obtém-se apenas o líquido da parte interna da fruta, produzindo um mosto claro e, consequentemente, um vinho branco.
Antigamente, essa prática poderia ser vista com estranhamento, mas, com o crescimento do consumo de vinho branco, alguns produtores passaram a utilizar essa técnica. Por isso, hoje é possível encontrar, inclusive, vinhos brancos produzidos com uvas como a Malbec nas gôndolas dos supermercados.
Cinco vantagens de escolher um vinho branco
É mais fácil de beber;
acompanha uma grande variedade de alimentos;
pode ser servido como aperitivo ou utilizado em coquetéis;
não mancha os dentes como os vinhos tintos;
apresenta, muitas vezes, uma boa relação entre preço e qualidade.
As vantagens do vinho branco são inúmeras. São vinhos, em geral, fáceis de beber, acompanham diversos alimentos e podem ser consumidos tanto puros quanto utilizados em preparações por bartenders.
Outro aspecto interessante é o preço. Em comparação com vinhos tintos de qualidade e avaliação semelhantes, alguns vinhos brancos podem apresentar uma relação de custo-benefício bastante interessante.
As regiões produtoras estão espalhadas por todo o planeta. Podemos encontrar desde os tradicionais Chardonnays do Velho Mundo até os Pinot Gris produzidos na Austrália.
No Brasil, o vinho branco sempre teve uma forte presença na produção de espumantes, mas, seguindo a tendência internacional, tenho observado uma melhora significativa na oferta de vinhos brancos nacionais.
Retomando a narrativa de minha passagem por Matinhos, cidade praiana, fui ao mercado municipal de peixe. Entre robalos, corvinas e pescadas das mais diversas espécies, uma banca me chamou a atenção: estavam vendendo ostras, grandes, médias e pequenas.
Fui conversar e entender de onde vinham. Naquele momento, pensei imediatamente nas ostras francesas que, acompanhadas de um Chablis, são consideradas por muitos uma das grandes combinações clássicas da gastronomia.
Foi a descoberta daquele verão.
As ostras eram produzidas na região de Cabaraquara, uma pequena localidade de Guaratuba, no Paraná. Na conversa, obtive muitas informações sobre as águas e as correntes marítimas que tornavam aquelas ostras especiais. No início, parecia apenas conversa de um bom vendedor, mas depois percebi que havia muito mais verdade do que discurso.
Comprei um mix de ostras grandes, médias e pequenas. Em casa, preparei-as na mesma brasa em que um peixe já estava sendo assado.
Com as ostras de Cabaraquara prontas, comecei a degustá-las com um vinho branco italiano que havia levado comigo. Foi uma verdadeira explosão de sabores. A frescura e a salinidade da ostra conversaram muito bem com o vinho.
Já estava esquecendo de dizer: era um Verdicchio dei Castelli di Jesi. Muito bom, por sinal.
Pratos que harmonizam com vinho branco
Aquela dúzia de ostras foi rapidamente consumida. Era realmente um prazer alimentar.
Já comi muita ostra pelo mundo e, com toda certeza, colocaria aquelas belezuras nacionais entre as cinco melhores que tive o prazer de degustar.
Nada melhor do que a experiência para comprovar uma afirmação.
O vinho branco foi formidável com aquelas ostras. Justamente por isso, reafirmo sua versatilidade. Há muitos pratos de carne que podem harmonizar muito bem com vinho branco, além da enorme variedade de estilos que podem ser produzidos.
Seguem alguns exemplos:
Vinho branco fresco: naturalmente mais ácido, ajuda a limpar o paladar e pode acompanhar alimentos mais gordurosos, como canapés com cremes, queijos ou requeijão.
Vinho branco envelhecido em madeira: com acidez geralmente mais integrada, pode complementar pratos quentes de peixe, como sopas, caldos e moquecas.
Vinho branco doce: experimente com um bolo de baunilha. É uma combinação ótima.
Vinho branco orange: são vinhos mais performáticos, com grande amplitude de possibilidades de harmonização. Já degustei alguns que se davam ao luxo de serem apreciados somente como aperitivo, sem a necessidade de acompanhamento alimentar.
Vinho branco de longa guarda: alguns podem ser guardados por décadas. Quando tiver oportunidade, experimente um Riesling alemão com cerca de 20 anos. É algo de outro mundo em termos de complexidade.
Seguindo algumas regras de consumo, como respeitar a temperatura adequada de serviço e escolher o vinho de acordo com seu estilo e potencial de guarda, o prazer na taça pode ser ainda maior. Também é importante lembrar que nem todo vinho branco deve ser consumido jovem: alguns são elaborados justamente para evoluir durante anos.
Tudo isso para dizer que as boas experiências estão espalhadas ao redor do mundo, em meio à simplicidade ou à sofisticação.
Quem precisa ligar o radar para essas oportunidades é aquele que está atento à descoberta do melhor que o mundo do vinho tem a oferecer.
Um bom vinho branco para você!
Nota: no Instituto Evandro Martini – Estudos do Vinho, você em breve vai descobrir o que precisa para entender tudo sobre uma das bebidas mais apreciadas ao redor do mundo.
Evandro Martini


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