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Revista do Villa

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Busca por saúde impulsiona wellness e levanta questões sobre comportamento

A indústria wellness é um setor global multibilionário focado em produtos e serviços que promovem a saúde física, mental e emocional de forma desenvolta, e não é segredo para ninguém que essa indústria tem crescido cada vez mais no Brasil, que se tornou um dos países que mais consomem mercadorias de “bem-estar” pelo mundo, sendo um setor que representa aproximadamente R$96 bilhões, segundo dados do Global Wellness Institute (GWI).

 

Como tudo, o crescimento dessa indústria possui dois lados. As pessoas estão se informando mais e obtendo uma consciência maior sobre o que é saúde de fato, pois não é só a ausência de doenças, e construir uma rotina de vida saudável é prevenção e equilíbrio.


O problema começa com o outro lado da moeda, “quando vira uma obsessão, comprometendo a saúde mental do indivíduo, causando sensação constante de ansiedade e culpa quando não consegue contar as calorias da refeição, comportamentos compensatórios ou punitivos, isolamento social para evitar contato com comida, entre outros”, como afirma a nutricionista e criadora digital Monique Fonseca.

 

É inegável que a busca pelo corpo perfeito existe há séculos e está enraizada na nossa sociedade, mas foi só no século XX, na década de 20, que houve uma explosão de dietas e foi quando contar calorias ganhou força, principalmente nos Estados Unidos. Desde então, sempre tem algo que está em alta, sendo prometido por muitos, hoje, principalmente nas redes sociais, que vai ser algo milagroso e que irá mudar a sua vida. Por mais que ainda haja vestígios de “jejum intermitente”, dieta da moda que se popularizou em 2015, atualmente a obsessão por proteína e treinos intensos tem se destacado.

 

O macronutriente é necessário para diversas funcionalidades do corpo humano, como ajudar na saciedade, produzir enzimas e hormônios, construir e manter tecidos do corpo, entre outros, porém, o controle excessivo de treinos e macronutriente no geral, como é divulgado e incentivado por diversos influenciadores pelas redes sociais, podem ter uma influência negativa, principalmente sobre crianças e adolescentes que acompanham esse tipo de conteúdo. Segundo a nutricionista Ana Ribeiro, especialista em transtornos alimentares, essa “cultura da dieta”, que é um sistema de crenças e valores que estabelece a magreza como ideal a ser alcançado, atribuindo um valor moral não só a forma física, mas também aos alimentos, cria a falsa impressão de que quando se tem comportamentos que vão de encontro a esses ideais, hábitos não tão saudáveis acabam sendo vistos como saudável e dignos, mesmo que ultrapassem os limites, gerando uma normalização de comportamentos transtornados.

 

A indústria wellness não é a culpada pelas consequências do controle excessivo, mas sim, o incentivo dele. É importante diferenciar que o inimigo não é o autocontrole, mas a extrapolação desses para reforçar a ideia de que somos responsáveis por gerenciar nossa saúde, alimentação, estética e performance, independente de diferenças genéticas, de fatores socioeconômicos, culturais, ambientais e comportamentais que influenciam na tomada de decisão quanto nossa alimentação. Essa lógica transforma o ato de se alimentar em sucesso ou fracasso, sendo a magreza sinônimo de disciplina. Nesse aspecto, os transtornos alimentares são também sintomas de existir dentro dessa estrutura social. 

 

Crescimento de incentivo à dieta nas redes sociais e seus riscos

 

Além disso, a nutricionista também afirma que as redes sociais intensificaram essa ideia de que a prática de restrições alimentares sempre foi admirada e incentivada pela sociedade, sendo vendida como disciplina, e hoje é propaganda de forma mais direta, todos veem, falam e discutem sobre isso. “Essa ideia de que é só ter disciplina e esforço que se consegue chegar no corpo idealizado e na ‘alimentação perfeita’, chega a pessoas mais vulneráveis emocionalmente e como tudo isso é extremamente admirado e reforçado, esse é o caminho para serem aceitas, valorizadas e amadas.”

 

A Monique Fonseca, nutricionista, disserta sobre resgatar a nutrição, medicina e atividade física da mão daqueles que utilizam dessa para vender culpa e vergonha individual  em redes sociais, jornais e demais meios de comunicação para mudar o debate público sobre alimentação e saúde para evitar que transtornos alimentares sejam disfarçados de estilo de vida saudável e acrescenta que “seria de grande ajuda termos um meio de regularizar conteúdos de saúde nesses espaços ou a implementação de alguma ferramenta para identificar o quanto determinado assunto é comprovado cientificamente.”

 

Torna-se um sinal de alerta quando é algo que ocupa muito tempo do dia de um indivíduo, quando se evita eventos sociais, gera-se isolamento, estresse, ou seja, há impacto ou prejuízos na vida e no funcionamento dessa pessoa. Assim, a influenciadora Giovana Aguilera, que começou nas redes sociais para mostrar o processo de recuperação de um transtorno alimentar e hoje é uma influencer do meio fitness e saudável aconselha, “O mundo é gigante, você vai desperdiçar a única chance de viver e explorar o mundo por culpa e ansiedade por um corpo que viu na internet ou por algo que comeu? Respira.” Ela também relata que durante a sua recuperação, começou a valorizar mais a comida e momentos com sua família e amigos, e também afirma que “a comida faz parte de festa, comemorações, de momentos que são memoráveis e não é apenas caloria”.


Larissa Penido


 
 
 

10 comentários


Bruna Higuchi
07 de abr.

Posicionamento perfeito!

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Sergio Molina
07 de abr.

Matéria completissima, parabéns

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maycon
07 de abr.

Parabéns pela sua primeira matéria! Você falou de um tema muito importante de um jeito leve e fácil de entender. Sucesso nas próximas!

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Laís
07 de abr.

Que matéria incrível! Me ajudou muito a olhar com outros olhos 🙏

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Theo Ribeiro
07 de abr.

Ótima materia 👏👏

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