Beatriz Brasiliense - atriz
- Revista do Villa

- 27 de jan.
- 3 min de leitura
Sou Bia Brasiliense, tenho 23 anos e moro, desde pequena, na Zona Norte do Rio de Janeiro.

Aos 13 anos, comecei a fazer teatro na escola, ficando até os 16 e apresentando 3 espetáculos. Aos 15, minha professora me convidou para integrar um projeto escola de A Bruxinha Que Era Boa, de Maria Clara Machado - minha primeira experiência profissional, levando o teatro aos colégios do Rio de Janeiro por cerca de 1 ano e meio.
Após me formar na escola e durante a Pandemia, me mantive ativa através de WorkShops online e da gravação de vídeos em festivais.
Em 2023, enfim, retornei aos estudos oficialmente, dessa vez no Teatro Miguel Falabella, onde ainda estou; agora ensaiando a segunda peça nesse curso.
No ano de 2025, tive o meu primeiro contato com o audiovisual, na gravação de um curta-metragem independente, acompanhada de colegas atores, descobrindo de perto um universo que eu sempre quis explorar, e em que desejo estar cada vez mais.
1. Um dos meus maiores desafios é, sem dúvidas, conciliar a atuação, que ainda não é o meu sustento, com a rotina de CLT e a faculdade. No ano passado, por exemplo, conciliei por alguns meses o trabalho de carteira assinada, a faculdade, as aulas de teatro e os ensaios para a gravação de um curta-metragem, muitas vezes no mesmo dia, praticamente rodando o Rio. Mas, quando se sabe o que de fato faz o coração feliz, esse esforço vale a pena - o importante é não abandonar a arte.
2. Consumo arte desde muito pequena, principalmente as novelas - coisa de quem teve a sorte de crescer com a avó; e por isso tenho inúmeras inspirações. Mas, jovens pretas em ascensão, mudando de vida através da atuação, sempre me inspiram de uma maneira muito especial. A Gabz, por exemplo, talentosíssima atriz e cantora, é do bairro de Irajá, vizinho ao meu, e mudou sua vida através da persistência para chegar aonde queria.
3. O cenário atual da arte do Brasil tem ganhos e perdas, na minha opinião. Com a ascensão da internet, por exemplo, temos um novo universo para mostrar o nosso trabalho e muitas outras maneiras de estudar. Em contrapartida, as oportunidades, em alguns casos, chegam mais para as pessoas que alcançam certo sucesso nestas plataformas, o que desvaloriza o trabalho de quem há tanto tempo se dedica à arte. Em geral, acho que a valorização do ofício cresce com o tempo, o que é extremamente positivo, mas ainda há muito o que caminhar, especialmente para aqueles que vem de baixo.
4. Minha principal meta para o ano de 2026 é, sem dúvidas, tirar o meu DRT, oficializando ser uma atriz profissional e me enquadrando em mais oportunidades. Além disso, almejo - não deixando o teatro de lado - mergulhar no universo do audiovisual, estudando muito para estar mais apta a este mundo em que também tanto me imagino.
5. O maior conselho possível é: se te faz feliz, se é o que faz seus olhos brilharem e o seu coração se sentir vivo, não desista. Não é nada fácil, os desafios são inúmeros, mas cada conquista vale a pena, e é só persistindo que elas virão. Nem sempre o apoio de outras pessoas chegará, nem será fácil equilibrar os pratos que a vida adulta envolve sem abandonar um sonho; mas é muito valioso tentar. Qualquer caminho tem seus percalços, então que escolhamos o que tem, ao menos em alguma parte do trajeto, espaço pro que nos faz feliz.

Bruno Monçao

Comentários