Alexandre Reigada, Diretor de Fotografia Audiovisual
- Delcio Marinho

- 6 de jan.
- 3 min de leitura
Luz, cor e narrativa como linguagem

Apresentação
Com uma trajetória iniciada em 1995, o diretor de fotografia construiu sua carreira a partir da técnica, da curiosidade e do olhar artístico. Passou por diversas áreas dentro da TV Globo, transitou entre jornalismo e dramaturgia, aprofundou-se em roteiro e consolidou-se como um dos profissionais dedicados à construção da narrativa visual no audiovisual brasileiro.
1 — Como surgiu seu interesse pelo universo da imagem e da direção de fotografia?
Comecei minha carreira em 1995. Vim de uma escola de eletrônica e informática e prestei uma prova para estagiar na TV Globo. Foi ali que tudo começou. Fui aprovado como auxiliar de iluminação e passei por todos os processos de formação dentro da empresa.
Cursei Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, fiz pós-graduação em roteiro e estagiei no jornalismo por um ano, passando pelo RJTV e Fantástico. Depois atuei como roteirista em Linha Direta, com George Moura, e em Criança Esperança.
Em 2005, retornei ao núcleo artístico, já promovido a Diretor de Iluminação, na novela Lua Me Disse. Desde então, nunca mais saí da dramaturgia brasileira.
Para quem não sabe, nossa função envolve definir a iluminação, a paleta de cores, escolher lentes e equipamentos, além de trabalhar em conjunto com o diretor artístico, o designer de produção e o operador de câmera. O diretor de fotografia é, essencialmente, o “olho” da câmera — é quem ajuda a contar a história visualmente.
2 — Quais são os maiores desafios ao contar uma história por meio da luz e do enquadramento?
Sempre fui apaixonado por luz e cor. A partir dessa paixão, comecei a estudar e apurar meu olhar por meio da História da Arte mundial.
Hoje, na captação com câmeras, trabalhamos com 24 ou 30 quadros por segundo. O que os pintores fizeram ao longo dos séculos com pincéis e tintas, eu descobri que consigo fazer com luz, gelatinas de cor, correção de imagem e, atualmente, com a modernidade dos refletores de LED.
Minha dedicação a essa arte só aumenta com o tempo.
3 — Existe algum projeto ou cena que represente bem o seu estilo visual?
São muitos projetos importantes e diversas cenas pelas quais tenho um carinho especial. Entre os trabalhos que destaco estão:
O Natal Perfeito (Especial Globo – 2018), os projetos Por Toda Minha Vida, com histórias do RPM e de As Frenéticas.
Nas séries, destaco Os Outros, Ligações Perigosas e Desalma.
Em todos os meus projetos realizo estudos visuais ao redor do mundo. Normalmente visito algum país antes de iniciar um novo trabalho.
Sou profundamente influenciado pelo olhar de Caravaggio, uma referência que utilizo constantemente no audiovisual.
4 — Com a popularização das câmeras digitais e dos celulares, como você enxerga o futuro da fotografia audiovisual?
A fotografia vai muito além do equipamento. O olhar e a sensibilidade superam qualquer nova tecnologia. É como na pintura: a construção imagética é eterna.
Mesmo com novas linguagens — microdramas, filmes e novelas no formato vertical — tudo na fotografia continua sendo sobre olhar, tempo, sensibilidade, respiração e emoção.
Sempre haverá alguém capaz de entender, sentir e se conectar com a mensagem transmitida pela imagem.
5 — Que conselho você daria para quem está começando e sonha em trabalhar com cinema ou audiovisual profissional?
Estude, se forme e busque o diploma. Esteja preparado para enfrentar esse mundo fascinante.
Mas o audiovisual vai muito além do que se aprende em sala de aula. Sou professor na Escola de Tecnologia Globo, e percebo que o conhecimento real se constrói somando teoria e prática.
O audiovisual é feito de experiências, experimentos, frustrações, sucessos, alegrias e decepções. É uma verdadeira montanha-russa emocional.
Nada é mais didático e prazeroso do que um set de gravação. Nele, aprendemos diariamente que ainda temos muito a descobrir.
Walter Carvalho e José Guerra (in memoriam), além de grandes amigos, são referências fundamentais na minha vida profissional.


Entrevista – Revista do Villa
Crédito: Delcio Marinho & ChatGPT
Delcio Marinho

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