Abertura da Exposição ENTRE LINHAS do artista AIYON CHUNG
- Cristina Granato

- 7 de mar.
- 2 min de leitura

O Centro Cultural Correios Rio de Janeiro apresenta Entre(linhas), primeira exposição individual institucional de Aiyon Chung, com curadoria de Fabrício Guimarães. A mostra reúne cerca de oito trabalhos inéditos, resultado de sua mais
recente pesquisa artística, centrada na arte têxtil como campo expandido da pintura e do desenho.
Nascido em Taiwan e radicado no Brasil há várias décadas, Aiyon Chung construiu aqui sua vida, sua família e sua trajetória artística. Sua produção é atravessada pela experiência do deslocamento e pela escolha consciente de pertencimento. Ao longo dos anos, o artista desenvolveu um olhar atento para a cidade que elegeu como morada, estabelecendo com ela uma relação de escuta e transformação. Entre arquiteturas, ruas sinuosas, fachadas históricas e a presença vibrante da vegetação tropical, sua obra revela um exercício contínuo de aproximação — um modo de habitar poeticamente o espaço urbano.
A costura, em sua prática, não é apenas técnica, mas pensamento. Linhas estruturam as composições como desenho; retalhos de diferentes texturas e densidades constroem campos cromáticos que substituem a pincelada; o tecido, leve e maleável, desloca a rigidez do suporte tradicional e introduz uma dimensão tátil e sensível. A imagem nasce da justaposição paciente de fragmentos, numa operação que se aproxima da colagem e dialoga com tradições da arte têxtil, ao mesmo tempo em que tensiona as noções de suporte e superfície na história da pintura.
Em Entre(linhas), a figuração se constrói em camadas. Paisagens urbanas e elementos naturais coexistem em equilíbrio dinâmico: fachadas dialogam com plantas exuberantes; estruturas arquitetônicas são atravessadas por tramas orgânicas. A linha costurada torna-se visível e protagonista — aquilo que tradicionalmente seria ocultado passa a estruturar a imagem. Ao evidenciar as costuras, o artista afirma o processo como parte constitutiva da obra.
Há, nesse percurso, um movimento de enraizamento. Ao observar a cidade através de suas plantas, de seus vazios e de seus encontros, Aiyon constrói uma relação afetiva com o território que escolheu habitar. Seu trabalho revela a capacidade de transformar-se com o lugar, tornando-se parte dele sem apagar sua origem — um gesto de pertencimento que incorpora deslocamento, memória e reinvenção.
Cristina Granato



















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