A IA do carioca não é para amadores
- André Aguiar

- 16 de mar.
- 2 min de leitura

Quando eu olho para o entretenimento do Rio, tenho a impressão de que a inteligência artificial já encontrou o seu lugar na festa. E não estou falando de algo frio, distante ou técnico demais. Estou falando de emoção, imagem, surpresa e experiência. No Rio, até a tecnologia, quando entra, entra em ritmo de espetáculo.
Um dos exemplos que mais me chamaram atenção veio do samba. A Viradouro usou inteligência artificial para recriar a voz de Dominguinhos do Estácio em um samba concorrente para o Carnaval 2026. E aí está o detalhe mais bonito de todos: não foi uma experiência vazia, dessas feitas só para chamar atenção. Foi um uso que mexeu com a memória afetiva de quem vive o samba de verdade. Quando a tecnologia consegue provocar esse tipo de emoção, ela deixa de ser curiosidade e vira parte da cena.
Mas não para por aí. No Réveillon de Copacabana, os drones transformaram o céu em atração. Luz, movimento, desenho, surpresa. Aquelas imagens que fazem o público parar, olhar para cima e abrir um sorriso antes mesmo de pegar o celular para gravar. Isso também é entretenimento. Isso também é Rio de Janeiro.
Eu acho que esse é só o começo. A tendência é ver cada vez mais festas, bailes, shows e experiências culturais usando IA para criar momentos mais bonitos, mais envolventes e mais inesquecíveis. Não para substituir a alma da diversão carioca, porque isso ninguém substitui. Mas para dar novas cores, novos efeitos e novas possibilidades a uma cidade que sempre soube transformar qualquer novidade em encanto.
No fim das contas, talvez seja exatamente isso. No Rio, a IA pode até ser tecnologia. Mas, quando cai nas mãos certas, vira espetáculo.
André Aguiar

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