“A Hora do Boi”, aplaudido monólogo de Vandré Silveira, faz temporada no centro do Rio-No CCJF
- Vera Donato

- 22 de jan.
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“A Hora do Boi”, aplaudido monólogo de Vandré Silveira, faz temporada no centro do Rio Amor e empatia aos seres vivos permeiam o espetáculo, com texto de Daniela Pereira de Carvalho e direção de André Paes Leme, que vai até dia 11 de fevereiro às terças e quartas-feiras no Centro Cultural Justiça Federal

Sessões emocionantes, empatia total do público com a história de Seu Francisco e do Boi Chico e temporadas de casa cheia, assim é a A Hora do Boi, montagem idealizada pelo ator Vandré Silveira que está de volta no início de 2026 – com apresentações às terças e quartas-feiras, às 19h, no Centro Cultural Justiça Federal (CCJF-RJ). Pela quarta vez no Rio de Janeiro, o monólogo fica em cartaz de 13 de janeiro a 11 de fevereiro. Com direção de André Paes Leme sobre o texto de Daniela Pereira de Carvalho, A Hora do Boi narra a história do tratador e capataz de matadouro que se encontra numa encruzilhada ao criar grande relação de amizade e afeto com o boi nascido e criado sob seus cuidados, mas que, um dia, deverá ser abatido. O texto é baseado em uma história real, publicada no jornal “A Tarde”, de Salvador. "Na última quinta (29/11/2018) pela manhã, um boi foi visto no mar da praia de Stella Mares, em Salvador. As fortes ondas não o intimidaram, apesar das tentativas dos banhistas de direcioná-lo para a areia. O animal da raça Nelore escapou da feira de agronegócios Fenagro, que acontece no Parque de Exposições em Salvador, e ficou desaparecido durante cinco dias na cidade.
A performance visceral de Vandré no espetáculo que reflete sobre a igualdade entre os seres vivos, recebeu menções e indicações na cena teatral. Em janeiro de 2023, “A Hora do Boi” estreou no Poeirinha, cumpriu temporada no Teatro Municipal Sergio Porto e foi eleito um dos melhores espetáculos do “Segundo Caderno”, do jornal “O Globo”. O espetáculo também foi indicado ao 34º Prêmio Shell pelo Figurino (Carlos Alberto Nunes) e ao 18º Prêmio APTR (Associação de Produtores de Teatro) pela Direção de Movimento (Paula Aguas e Toni Rodrigues). Em 2025, repetiu seus feitos, seguindo elogiado por plateias na breve temporada realizada novamente na cidade. “É muito bom poder revisitar um espetáculo de tempos em tempos. Ter a possibilidade de realizar uma nova temporada traz novas descobertas e uma maior apropriação da história contada”, diz Vandré. “A Hora do Boi busca a partir dessa relação, entre homem e animal, trazer reflexões e uma possível mudança em nossas ações cotidianas em prol de maior sintonia, respeito e empatia entre todos os seres”, reflete Vandré, que foi buscar os escritos e histórias de São Francisco de Assis sobre a natureza dos seres vivos para dar sentido ao espetáculo. Para o homem Francisco, nascido em Assis, na Itália, nos idos do Século XII, ninguém é suficientemente perfeito que não possa aprender com o outro e, ninguém é totalmente destituído de valores que não possa ensinar algo ao seu irmão. Francisco enxergava todos os seres vivos como igualmente importantes e tinha profunda relação com a natureza e os animais. Seguindo com este ensinamento, a trama apresenta dois de personagens: Seu Francisco e Chico, que estabelecem uma ligação afetiva de profunda empatia e amizade, sentimentos que põem em cheque toda a objetividade das funções de Seu Francisco, como um matador de bois. Apegado ao boi, Seu Francisco, apavorado, vê se aproximar a hora do abate de Chico – única criatura com a qual estabeleceu um vínculo na vida. Seu Francisco nunca deixou de cumprir ordens. Manso e submisso, abateu centenas e centenas de cabeças de gado a mando dos patrões – sem sentir nada, nem refletir sobre seus atos. A amizade com Chico, entretanto, mudou sua vida. É alguém com significado. Ao seu lado, o boi Chico vive a agonia do condenado, injustamente, no corredor da morte, com a peculiaridade de amar o próprio algoz e depositar, nesse laço de afeto, esperanças de salvação. “É muito gratificante perceber o quanto o trabalho comunica e sensibiliza o espectador. Fico imensamente realizado! Muito importante e urgente refletirmos sobre nossa relação com os seres humanos, nossos iguais, mas também com os outros seres que habitam o planeta. Inclusive repensarmos a nossa forma de consumo tão predatória dos recursos naturais. Precisamos nos enxergar como parte do todo, como a natureza, ampliarmos o olhar para a coletividade, para a empatia e para o afeto. O amor é a força mais poderosa do universo.” (Vandré Silveira)
SOBRE VANDRÉ SILVEIRA | ARGUMENTO, ATUAÇÃO E PRODUÇÃO: Em 2026 o ator aguarda as estreias de “D. Beja” (Max), como o capitão Moacir, e do filme “Nosso Lar 3 - Vida Eterna”, de Wagner de Assis, como Martinho (em produção). Ele também integra o elenco de “Emmanuel”, longa do mesmo diretor de “Nosso Lar” sobre o guia de Chico Xavier que está sendo filmado no Rio de Janeiro. Formou-se no Curso Profissionalizante de Teatro da Fundação Clóvis Salgado (Cefar- Palácio das Artes) em Belo Horizonte, no ano de 2005. No teatro, idealizou e protagonizou o monólogo Farnese de Saudade, dirigido por Celina Sodré, em 2012. O espetáculo sobre o artista plástico Farnese de Andrade, lhe rendeu o prêmio de melhor ator no Festival Home Theatre (RJ), em 2014. O ator também assinou o texto e a cenografia do espetáculo/instalação, recebendo a indicação na categoria cenário no 25º Prêmio Shell e levando o prêmio Questão de Crítica pela cenografia. Foi ainda indicado pela pesquisa do projeto, na categoria especial, no 2º Prêmio Questão de Crítica. Com a companhia aberta (RJ), idealizou a montagem do espetáculo O Homem Elefante, com direção de Cibele Forjaz e Wagner Antonio (2015) e deu vida ao protagonista John Merrick, conhecido como o “homem elefante”. Atuou ainda nos espetáculos teatrais, A vida dela, de Priscila Gontijo com direção de Delson Antunes (2016); Vermelho Amargo, com direção de Diogo Liberano (2014); Momo e o Senhor do Tempo, com direção de Cristina Moura (2013); Céu sob chuva ou Botequim, com direção de Antonio Pedro Borges (2013); O menino que vendia palavras, com direção de Cristina Moura (2012); Dois jogos: Sete jogadores, com direção de Celina Sodré (2011); Trans Tchekhov, com direção de Celina Sodré (2010); Amor e Restos Humanos, de Brad Fraser, com direção de Carlos Gradim (2005) e Festa de Casamento, com direção de Eid Ribeiro (2005). No cinema atuou no curta Bárbara, de Carlos Gradim, e recebeu os Prêmios de Melhor Ator nos Festivais de Cinema: Primeiro Plano (Juiz de Fora, MG); Ibero-Americano de Cinema/Curta-SE (Sergipe); For Rainbow (Fortaleza, Ceará) e VI Festival de Cinema de Maringá (Paraná). Atuou no longa: Rio Mumbai, direção de Pedro Sodré e Gabriel Mellin. Na televisão, esteve no ar como Lázaro na novela Jesus (RecordTV, 2019). Em A Dona do Pedaço (TV Globo, 2019) deu vida ao advogado Dr. Tibério. Em 2023, participou da novela Vai na Fé (TV Globo) como o técnico de laboratório Antônio. Em 2024, fez parte da série Reis- A divisão, como o governador Josafá. SOBRE ANDRÉ PAES LEME | DIRETOR Doutor em Estudos Artísticos na especialidade de Estudos de Teatro pela Universidade de Lisboa e Graduado em Artes Cênicas na especialidade de Direção Teatral pela UNIRIO, onde leciona desde 1999, já encenou mais de 50 espetáculos, entre peças de teatro, óperas e concertos musicais. Em 2019, em Portugal, estreou “Dois perdidos numa noite suja”, de Plínio Marcos, e mais recentemente, “Miguel e Los Angeles”, espetáculo circense realizado com a Escola do Chapitô, no Museu Nacional de Arte Antiga de Lisboa. Em 2018, no Brasil, encenou “Agosto”, texto premiado de Tracy Lettes (destaque no RJ e SP); e também a ópera “O Matrimónio Secreto”, de Domenico Cimarosa. Em 2010 recebeu o Prêmio APTR/2010 de melhor direção pelo espetáculo “Hamelin”, de Juan Mayorga. SOBRE DANIELA PEREIRA DE CARVALHO | AUTORA Dramaturga premiada, é formada atriz pela CAL (Casa de Arte das Laranjeiras) e em Teoria do Teatro, com Mestrado em Artes Cênicas pela UniRio. Escreveu seus primeiros textos como dramaturga para a companhia teatral “Os Dezequilibrados”. A partir de 2005, escreveu peças que lhe renderam importantes prêmios e reconhecimento da crítica. Destaque para: “Assassinato em série”, “Tudo é permitido” (indicada ao Prêmio Shell de Melhor Texto em 2005), “Não existem níveis seguros para consumo destas substâncias” (vencedor do Prêmio APTR 2006 de Melhor Autor e indicada ao Prêmio Shell de Melhor Texto em 2006), “Renato Russo - o musical” (indicada ao Prêmio Shell de Melhor Texto em 2006), “Por uma vida um pouco menos ordinária” (indicada ao Prêmio Shell São Paulo de Melhor Texto e Prêmio Contigo de Teatro de Melhor Texto em 2007), “Um certo Van Gogh” (indicada ao Prêmio Contigo de Teatro de Melhor Texto em 2009), “Tom & Vinícius - o musical”, “As próximas horas serão definitivas” (indicada ao Prêmio Contigo de Teatro de Melhor Texto em 2011), “Tubarões” e “Memórias do Esquecimento”. Recentemente, esteve em cartaz com o espetáculo “A Revolução dos Bichos”, com direção de Bruce Gomlevsky. Foto de @callanga SINOPSE “A HORA DO BOI”: História sobre empatia entre seres vivos, quando um homem sem afetos cria laços de amor com um boi. Tratador e capataz de matadouro que se encontra numa encruzilhada ao criar grande relação de amizade e afeto com o boi Chico, nascido por suas mãos e criado por ele como um filho.
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