A Geração Z não é fraca - ela só mudou as regras
- Ana Paula de Deus

- 30 de mar.
- 3 min de leitura

Quem é você no universo da Geração Z?
Esse tema surgiu de conversas sinceras com amigos, daquelas em que alguém solta, meio sem filtro: “estamos cansados do mimimi da geração Z”. Mas será mesmo só isso?
A chamada Geração Z tem sido frequentemente rotulada como imediatista, sensível demais ou até “vazia”. Ao mesmo tempo, é justamente essa geração que vem questionando padrões que, por muito tempo, foram simplesmente aceitos especialmente no ambiente de trabalho. Vestir a camisa já não é mais uma opção.
Talvez o incômodo não esteja no comportamento em si, mas na mudança de postura. Há um claro empoderamento nas relações profissionais: menos tolerância a abusos, mais valorização da saúde mental e uma busca legítima por equilíbrio e leveza no dia a dia.
Essa nova forma de se posicionar destoa do modelo tradicional mais rígido, hierárquico e, muitas vezes, silencioso diante de excessos. E isso gera conflito. Para alguns, é evolução. Para outros, exagero.
Também é uma geração que coloca a saúde mental como prioridade. Talvez seja por isso que hoje vemos tanta informação, tantas pausas e discussões voltadas para esse tema. Mas, ao mesmo tempo, esbarramos em outras questões: são hiperconectados e, ainda assim, mais solitários.
Mas será que isso é só da Geração Z? Ou estamos todos vivendo essa lógica de performance constante, criando versões de nós mesmos o tempo todo e, paradoxalmente, mais solitários do que nunca?
Uma coisa que me chama atenção é essa pressa de “ser” de se tornar alguém realizado sem respeitar tempo e processo. Existe um medo evidente de não alcançar sonhos, de não corresponder às expectativas, uma ansiedade forte em relação ao sucesso, principalmente financeiro.
Por outro lado, um amigo que faz parte dessa geração me trouxe um outro olhar:“Também percebo uma geração mais engajada, com forte inclinação ao ativismo, que se posiciona e se envolve com causas sociais de forma mais direta. No estilo de vida, vejo mudanças interessantes: muitos bebem menos álcool, mas há mais abertura para a maconha e até interesse por temas como cogumelos, muitas vezes ligados a bem-estar ou expansão de consciência. Nas redes sociais, continuam ativos, mas postam menos no feed e usam mais os stories, de forma mais espontânea.”
São características que, quando analisadas juntas, ajudam a construir uma leitura interessante sobre os valores dessa geração. E o mais curioso: as contradições.
Ao mesmo tempo em que vivem na velocidade do digital, há um resgate do analógico ler, um livro físico, ouvir um vinil, fotografar com câmera antiga. Tudo isso exige tempo, presença e continuidade.
Uma matéria recente do portal UOL, na editoria Cultura, também mergulhou nesse debate ao tentar entender quem são e como pensam os jovens de hoje. Um dos pontos que chama atenção é a sensação de infelicidade entre esses jovens.
Um estudo internacional conduzido pelas universidades de Harvard e Baylor, com mais de 200 mil pessoas entre 18 e 29 anos, em 22 países, aponta uma espécie de “crise de felicidade”. Os níveis de bem-estar estagnaram e, em alguns casos, estão em queda em relação às gerações anteriores.
Ou seja, não estamos falando apenas de comportamento, mas de um cenário mais complexo, que envolve pressão, excesso de informação e expectativas elevadas.
E, sendo bem honesto, eu vejo essa geração. Vejo nos museus, nas feiras de rua, nos sebos, nos mercados de pulgas. Existe interesse real, coletivo até.
Mas talvez o desafio esteja aqui: construir uma comunicação possível entre gerações. Porque, no fim, essa é uma geração que mais do que qualquer outra só quer estar.
Ana Paula de Deus

Tão bom ler um texto que transmite exatamente o que pensamos.
Você é uma pessoa conectada com as mudanças atuais. Sua visão desse processo é muito interessante. Parabéns Ana Paula!
Excelente observação e muito atual o tema. Parabéns