Revista do Villa | Entrevista: Arilson Lucas
- Delcio Marinho

- 5 de jun.
- 3 min de leitura
Nesta edição, conversamos com Arilson Lucas, ator, jornalista, apresentador e produtor cultural, que compartilha sua trajetória artística, os desafios da profissão e sua visão sobre o papel da arte na sociedade.

Delcio Marinho: Quando a arte entrou na sua vida e em que momento você percebeu que a atuação seria o seu caminho profissional?
Arilson Lucas: A arte entrou na minha vida quando eu ainda era criança, nas aulas de educação artística, pois como eu gostava, sempre fui muito participativo e atuante na disciplina, com notas excelentes. Nas apresentações da escola, em datas comemorativas, eu sempre interpretei os personagens mais marcantes e importantes.
Ainda muito jovem, em Fortaleza, comecei atuando nas teleaulas da TV Ceará e, paralelamente, estudava Princípios Básicos de Teatro no Theatro José de Alencar. Foi nesse período que descobri o prazer de estar no palco com uma plateia mais crítica e também diante das câmeras de televisão.
Ao mesmo tempo, trabalhava conhecendo e entendendo tudo o que acontecia por trás delas. Sempre gostei do audiovisual como um todo. Trabalhei com produção, jornalismo, apresentação e direção, mas a atuação foi falando mais forte.
Quando percebi que era através dos personagens que eu conseguia me comunicar de forma mais profunda comigo mesmo e com as pessoas, entendi que esse seria o meu caminho profissional.
Delcio Marinho: Quais trabalhos ou personagens mais marcaram sua trajetória até aqui?
Arilson Lucas: Cada personagem deixa uma marca, mas alguns tiveram um significado muito especial.
O Cauré, de Novo Mundo, na TV Globo, foi um divisor de águas, porque representou minha chegada às novelas e abriu muitas portas.
O Simplício, em O Hóspede Americano, me proporcionou uma experiência internacional através da HBO e do streaming.
O Calixto Fontes, em Elas por Elas, me aproximou novamente do grande público da TV aberta e da TV Globo.
O Facundo, na quarta temporada de Arcanjo Renegado, possibilitou a aproximação com o AfroReggae Audiovisual, que tanto admiro, em uma série consolidada de grande sucesso no Globoplay.
E recentemente o Padre Aranha, em Dona Beja, fenômeno de sucesso da HBO Max, foi um personagem muito rico, cheio de camadas e inserido em uma narrativa que dialoga com questões importantes da sociedade que precisam ser discutidas.
São trabalhos que representam momentos diferentes da minha caminhada. Cada personagem e cada produção têm sua importância e ocupam um lugar especial na minha vida profissional.
Delcio Marinho: Como funciona o seu processo de preparação para interpretar um personagem?
Arilson Lucas:
Eu gosto de começar entendendo quem é aquela pessoa dentro da história.
Busco referências, pesquiso o contexto social, histórico e emocional do personagem. Leio, assisto vídeos e procuro compreender como ele fala, se movimenta e se relaciona com o mundo.
Quando a produção exige características específicas, como aconteceu em alguns trabalhos recentes, mergulho ainda mais profundamente no universo proposto e me entrego totalmente às preparações.
Acredito que o ator precisa construir uma verdade o mais próxima possível para que o público veja, acredite e sinta aquele personagem.
É um processo de observação, pesquisa e muita escuta.
Delcio Marinho: Na sua visão, quais são os maiores desafios enfrentados hoje pelos artistas e atores no cenário cultural brasileiro?
Arilson Lucas: A nossa profissão sempre foi marcada por ciclos. Existem momentos de muito trabalho e outros de espera. Um momento você está trabalhando e, no outro, está desempregado. Acho que o grande desafio continua sendo driblar essas oscilações e manter uma certa estabilidade na profissão.
Ao mesmo tempo, vivemos uma transformação importante. O streaming ampliou possibilidades e criou novos espaços para artistas de diferentes regiões do Brasil.
Ainda temos desafios relacionados ao acesso, à regulamentação das plataformas, às leis que protejam mais os profissionais, ao financiamento da cultura e à diversidade de oportunidades.
Mas vejo um mercado mais aberto do que há alguns anos. Hoje, um artista nordestino pode ocupar espaços que antes pareciam muito distantes.
Delcio Marinho: Que mensagem ou sentimento você busca transmitir ao público através da sua arte?
Arilson Lucas: Eu busco transmitir humanidade.
Gosto de personagens que provoquem reflexão, empatia e diálogo. Acredito que a arte tem a capacidade de aproximar as pessoas, de fazer alguém se reconhecer numa história ou enxergar o mundo por outro ponto de vista.
Se, ao final de um trabalho, eu conseguir emocionar, fazer pensar ou despertar alguma identificação no público, sinto que cumpri minha missão como artista.

Sobre o entrevistado
Arilson Lucas
Ator, jornalista, apresentador e produtor cultural cearense. Natural de Fortaleza, iniciou sua trajetória artística nas teleaulas da TV Ceará e na formação teatral do Theatro José de Alencar.
Com quase três décadas de atuação entre teatro, televisão, cinema e publicidade, integrou produções como Novo Mundo, Elas por Elas, O Hóspede Americano, Dona Beja, Arcanjo Renegado e Os Farofeiros 2, além de diversas participações no cinema e na televisão.
Também desenvolveu uma sólida carreira na produção audiovisual e cultural, consolidando-se como um dos artistas cearenses de destaque no cenário nacional.
Conteúdo digital
Delcio Marinho & ChatGPT
Delcio Marinho

Bom demais conhecer a trajetória de um artista que trabalha com tanta dedicação, desejo muito sucesso 🙏