top of page
FB_IMG_1750899044713.jpg

LUSO-BRASILEIRA

REVISTA DO VILLA

Luso-Brasileira

luso-brasileira

Pedro Ramos reflete sobre Lisboa: ir, vir e voltar

10 de jul.
2 min de leitura

O colunista compartilha sua conexão com Lisboa e mostra por que cada retorno à cidade é um reencontro consigo mesmo.


Foto: Pedro Ramos
Foto: Pedro Ramos

Ir, vir e voltar


Ir é um verbo que me encanta. Viajar, descobrir, sair da rotina, “despentear”, sacudir a poeira da cabeça e pôr o mundo em perspetiva. 


Mas há um verbo que me comove ainda mais: o verbo Vir. Ou, voltar. Porque voltar não é repetir, é reconhecer. É regressar a um lugar que, de alguma forma, já nos conhecia antes de nós próprios o descrevermos. 


Lisboa (a minha Lisboa!) faz isso comigo. Lisboa recebe-me como só uma cidade verdadeiramente grande sabe receber: sem cerimónia excessiva, mas com uma grandeza que nos desarma.


Voltar a Lisboa é sempre extraordinário. Não apenas pelo cenário (esse postal ilustrado e vivo de luz, água e arquitetura) mas, sobretudo, pelo sentimento. Lisboa tem cor. Tem aquela luz impossível que não ilumina só os telhados, ilumina também a memória. E tem significado. O significado de casa. O significado de pertencimento. O significado de respirar fundo e perceber, com um sorriso meio sério e meio divertido, que afinal o melhor destino do mundo continua a ser aquele para onde o coração insiste em regressar.


Foto: Pedro Ramos
Foto: Pedro Ramos

Há viagens que nos levam longe. E há regressos que nos trazem de volta a nós. Lisboa é isso para mim: um reencontro com a minha própria geografia emocional. Quando o avião se aproxima e a cidade aparece, primeiro tímida e depois inteira, eu não vejo apenas ruas, pontes e mar. Vejo história, vejo identidade, vejo vida. Vejo a cidade onde o céu parece ter sido afinado à medida da alma portuguesa.


E depois há a vista. Ah, a vista. Lisboa vista do alto é quase uma provocação. Uma cidade que se permite ser bela sem esforço, luminosa sem pedir licença, e intensa sem precisar levantar a voz. O Tejo ali está, imenso, quase insolente, como quem sabe que é parte essencial do encanto.

A ponte, a cidade, a margem, a luz... tudo compõe uma espécie de cerimónia silenciosa que me devolve sempre o mesmo pensamento: afinal, o regresso também pode ser uma forma de êxtase.


Talvez por isso eu goste tanto de conjugar estes verbos. Ir é necessário. Vir é delicioso. Mas regressar a Lisboa é, para mim, uma forma de felicidade com vista panorâmica.


Lisboa não é apenas uma cidade. É uma saudade em tempo real. E eu, confesso, adoro voltar para casa para, mais tarde, voltar a IR de novo...



Pedro Ramos


Comentários


©2024 Revista do Villa    -    Direitos Reservados

Política de Privacidade

bottom of page