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O Rio Carioca e sua importância histórica para a Cidade do Rio de Janeiro

12 de out.
3 min de leitura

Do abastecimento da cidade colonial à realidade urbana atual, o Rio Carioca preserva um legado histórico, cultural e ambiental que atravessa séculos e permanece ligado à identidade do Rio de Janeiro.


Crédito fotográfico - Rafael Costa Pesqueira 
Crédito fotográfico - Rafael Costa Pesqueira 

O Rio Carioca é um manancial histórico localizado na Cidade do Rio de Janeiro, no Brasil. Sua nascente intocada está localizada na Serra do Morro do Corcovado, dentro do Parque Nacional da Floresta da Tijuca aos pés da estátua do Cristo Redentor protegida pelas leis ambientais vigentes. Esse rio percorre vários bairros da Cidade do Rio de Janeiro, como Santa Teresa, Cosme Velho, Laranjeiras, Catete e Flamengo até desaguar na Baía de Guanabara, na altura da Praia do Flamengo. O nome Carioca tem origem na língua indígena Tupi e é o termo usado para identificar quem nasce na cidade do Rio de Janeiro, por isso o rio Carioca está intimamente ligado à história da Cidade. Foi a principal fonte de água potável para os indígenas Tamoios na época pré-colonização portuguesa e, posteriormente, para os colonizadores e moradores da cidade do século XVI até meados do século XX.


Crédito fotográfico - Rafael Costa Pesqueira 
Crédito fotográfico - Rafael Costa Pesqueira 

As águas puras do rio foram canalizadas e desviadas já nos séculos XVII e XVIII, eram captadas no topo do Maciço da Tijuca e transportadas por gravidade até o coração financeiro e administrativo da cidade por meio do Aqueduto da Carioca, uma estrutura monumental em arcos de pedra que hoje resiste como o cartão-postal dos Arcos da Lapa. Ao alcançar o Centro da Cidade, o fluxo do rio Carioca alimentava chafarizes públicos icônicos, como o da atual Praça Largo da Carioca, transformando esses pontos de coleta em fervilhantes centros de sociabilidade, comércio e abastecimento comunitário do Rio de Janeiro colonial.


Durante o Brasil Colônia, o rio funcionou como a principal artéria de sobrevivência da população. Dom Pedro I, o príncipe da Família real portuguesa, cresceu no Rio de Janeiro colonial em meio a uma cidade cujo abastecimento dependia diretamente das águas do Rio Carioca, após a vinda da Família Real portuguesa para o Brasil em 1808. Sua futura esposa, a rainha Dona Maria I, gostava de frequentar uma fonte de água no Bairro do Cosme Velho, que foi construída em 1845 para escoar as águas de uma das vertentes da Serra do Corcovado, à margem do que foi o Rio Carioca.


Essa fonte foi batizada como Bica da Rainha e hoje em dia é um monumento tombado pelo Patrimônio Histórico. Seu filho, Dom Pedro II liderou a primeira grande iniciativa ambiental de conservação do rio Carioca em 1860, quando desapropriou fazendas de café ordenando o reflorestamento do Maciço da Tijuca, que havia sido desmatado para abrigar as plantações de café, garantindo então que a cidade não ficasse sem água.


Desde 1905, após obras do prefeito Pereira Passos, o rio corre subterraneamente na maior parte de seu curso, visando a prevenir inundações. Permanece a céu aberto em poucos pontos, como na nascente, no Largo do Boticário e na foz. Com o crescimento urbano e sanitário precário, o rio perdeu o aspecto cristalino original e grande parte de seu leito passou a receber esgoto. Hoje em dia ele é um rio poluído, mas ainda abriga vida selvagem e resiste correndo através da cidade.


Fonte: Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional 


Crédito fotográfico - Rafael Costa Pesqueira 
Crédito fotográfico - Rafael Costa Pesqueira 

Rafael Costa Pesqueira 

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