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REVISTA DO VILLA

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Nova temporada de "Doce Árido", de Tairone Vale - Teatro Ipanema - 03 a 26 de setembro

27 de ago.
5 min de leitura

Depois de estrear com sucesso no Rio de Janeiro, “Doce Árido” retorna ao Teatro Ipanema Rubens Corrêa para novas apresentações, de 03 a 26 de setembro de 2026. Com texto e direção de Tairone Vale, a peça reúne em cena as atrizes mineiras Pri Helena, Rebeca Figueiredo e Layla Paganini, que dão vida a três gerações de mulheres responsáveis por sustentar a casa em uma pequena roça no interior de Minas Gerais com a produção artesanal de doce de leite. O espetáculo já foi visto por mais de 3 mil pessoas desde sua estreia.


"Doce Árido" Crédito fotográfico - Marcello Calixto
"Doce Árido" Crédito fotográfico - Marcello Calixto

O que você seria capaz de fazer diante da chance de transformar a própria vida? É a partir dessa pergunta que se desenvolve “Doce Árido”. Quando um inesperado pedido vindo do exterior surge como a chance de mudar suas vidas, a família mergulha em uma intensa rotina de trabalho para conseguir entregar a encomenda dentro do prazo. Mas o maior obstáculo para essas mulheres não é o tempo, e sim os segredos do passado.


Entre as consequências de um parto complicado e a escassez que ronda a casa, mãe, filha e avó se equilibram entre o peso da tradição e o desejo de liberdade. Pressionada pelo prazo curto, Maria Antônia (Pri Helena) exige dedicação total à produção da encomenda. A jovem Maria Lúcia (Rebeca Figueiredo) se divide entre o tacho de doce e os cuidados com sua frágil recém-nascida, Maria Clara. Observando tudo pelas frestas, a matriarca Maria Quitéria (Layla Paganini) sabe que a fragilidade dessas relações pode colocar tudo a perder.


"Doce Árido" Crédito fotográfico - Marcello Calixto
"Doce Árido" Crédito fotográfico - Marcello Calixto

Apoiado numa plataforma móvel, o cenário da peça espelha a instabilidade das relações dessa família: à medida que a trama avança, ele tomba com o deslocamento das atrizes. A trilha sonora original, da cantora e compositora Laura Jannuzzi, evoca imagens e sensações que sublinham a aridez do ambiente. A viola caipira, que poderia remeter apenas ao regionalismo mineiro, ganha contornos opressores ao reforçar essa aridez, enquanto a flauta destaca a solidão que mães e filhas, mesmo juntas, não conseguem evitar.


Escrito em 2013, o diretor e autor Tairone Vale diz que resgatou memórias da infância e os afetos construídos pelas matriarcas de sua família para criar a história de ficção ambientada no interior de Minas Gerais. Por trás dos conflitos entre mãe, filha e avó, a dramaturgia expõe diferentes formas de violência que atravessam a vida dessas mulheres, muitas delas silenciosas e naturalizadas nas relações familiares e em uma estrutura patriarcal “Um dos motivadores para esse trabalho foi pensar no que aconteceria se uma mulher tivesse depressão pós-parto em um cenário isolado, rural, sem estrutura e recursos”, diz Tairone.


Mais de uma década depois, as questões abordadas pela dramaturgia permanecem atuais. Segundo o Censo 2022 do IBGE, 49,1% dos lares brasileiros são chefiados por mulheres, que dedicam quase dez horas semanais a mais que os homens ao trabalho doméstico e de cuidado. Cerca de três em cada dez brasileiras já sofreram violência doméstica, com altos índices de estupro e feminicídio, realidade ainda mais grave entre mulheres rurais, que enfrentam menor acesso a serviços de saúde e proteção, mobilidade restrita e isolamento.


Em sua primeira temporada carioca, o espetáculo recebeu elogios da crítica. Paty Lopes classificou “Doce Árido” como um dos melhores espetáculos que viu em 2026 e comparou a dramaturgia de Tairone Vale aos grandes épicos da literatura brasileira, destacando a construção das relações familiares, dos segredos e da tensão entre as personagens. Já o crítico Gilberto Bartholo ressaltou a capacidade do texto de criar questionamentos e sustentar o clima de mistério ao longo dos 90 minutos de espetáculo, destacando a direção de Tairone, as soluções simbólicas da encenação e o trabalho de Pri Helena, Rebeca Figueiredo e Layla Paganini, que, segundo ele, defendem suas personagens com “total verdade cênica e perfeição”.


"Doce Árido" Crédito fotográfico - Marcello Calixto
"Doce Árido" Crédito fotográfico - Marcello Calixto

Ficha Técnica

Texto: Tairone Vale

Colaboração Dramatúrgica: Layla Paganini, Léo Cunha, Pri Helena, Rebeca Figueiredo

Direção: Tairone Vale

Codireção: Léo Cunha

Elenco: Pri Helena, Rebeca Figueiredo e Layla Paganini

Stand in: Livia Gomes

Direção de Arte: Cris Bourgeaiseau

Cenário: Cris Bourgeaiseau

Núcleo de Cenografia: Cris Bourgeaiseau, Rebeca Figueiredo, Tairone Vale, Marcella Calixto, Amanda Corrêa e Vitória Vargas

Iluminação: Nitay Krishna

Figurino: Cris Bourgeaiseau

Trilha Sonora Original: Laura Jannuzzi

Preparação Corporal: Letícia Nabuco

Programação Visual: Marcella Calixto e Vitória Vargas

Fotografia: Marcella Calixto

Assessoria de imprensa: Paula Catunda e Catharina Rocha

Mídias Sociais: Rebeca Figueiredo

Costureira: Aline Azevedo

Direção de Produção: Cris Bourgeaiseau

Produção Executiva: Jhully


"Doce Árido" Crédito fotográfico - Marcello Calixto
"Doce Árido" Crédito fotográfico - Marcello Calixto

Serviço:

Espetáculo: “Doce Árido”Temporada: 03 a 26/09/2026

Local: Teatro Ipanema Rubens Corrêa (Rua Prudente de Morais, 824, Ipanema)

Dias e horários: quinta a sábado, às 20h. Domingo, às 19h.

Ingressos: R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia)

Vendas online: Sympla

Duração: 90 min

Classificação indicativa: 14 anos

Gênero: Drama

Instagram: @docearido


BIOGRAFIAS

PRI HELENA – “Doce Árido” marca o retorno de Pri Helena aos palcos depois de dar vida à Zezé, de “Ainda Estou Aqui”, e de Cacá, da novela “Volta por Cima”, da Rede Globo. Atriz, roteirista, diretora e produtora, Pri Helena compõe também o elenco da série “Os Outros” (2ª temporada) na Globoplay. Atuou nos longas “Turvo” (direção de Murillo Sued) e “Cabrito” (direção de Luciano de Azevedo); no média-metragem “Cyclone”, e nos curtas “Moscas Mortas, Trancinhas e Ondas”. Pri Helena encabeça o “Grilla!”, um coletivo de mulheres que exploram, em suas criações, o diálogo entre o teatro e o audiovisual. No teatro, destacam-se os espetáculos “O Rinoceronte” (indicado ao Prêmio Shell 2019), “Os Impostores”, “Nerium Park” e “Antes da Chuva”, sob direção de Rodrigo Portella. Atualmente, está no ar na novela “Quem Ama Cuida” (personagem Lyris), na Rede Globo.


REBECA FIGUEIREDO – Atriz formada pela Escola de Teatro PUC Minas e graduada em Comunicação Social pela UFMG. Rebeca estudou Arte Dramática na Escola de Teatro Martins Penna, no Rio de Janeiro, e também atua nas áreas de produção e direção de arte. É uma das idealizadoras do “Grilla!”, coletivo artístico encabeçado por mulheres cujo foco principal é experienciar o diálogo entre teatro e o audiovisual a partir de perspectivas femininas. Seus trabalhos mais recentes são os curtas “Cadê Minha Filha, Bob?” e “Pão com Ovo” (Grilla!), e “Meio Éden” (Clara Estolano), exibido na 27ª Mostra de Cinema de Tiradentes.


LAYLA PAGANINI – Formada pela Escola Técnica de Teatro Martins Penna e bacharel em Teatro pela Faculdade CAL, onde também concluiu sua pós-graduação em Direção Teatral, a atriz reúne sólida base técnica e ampla experiência cênica. Com passagem pelo Tablado e atuação em diversos musicais infantis de destaque como “Bituca”, “Tropicalinha”, “Raulzito Beleza” e “Pimentinha”, além da peça “Open Bar” e participação na novela “Verão 90”, ela constrói uma carreira versátil que transita entre teatro musical, dramaturgia contemporânea e televisão.


TAIRONE VALE (Autor e Diretor) – Ator, produtor, diretor, roteirista e dramaturgo que, convidado pelo diretor Rodrigo Portella a protagonizar “As Bruxas de Salém” (2009), não parou mais. Com o diretor, coescreveu e atuou em “Uma História Oficial”, e atuou em “Alice Mandou um Beijo”, “Quase Nada é Verdade”, “4x Nelson”, “Insetos” (da Cia dos Atores e texto de Jô Bilac) e “Os Impostores”. Atualmente, circula com seu primeiro solo autoral, “Versão Demo”, dirigido por Suzana Nascimento. Na TV, participou de séries e novelas como “Justiça”, “O Outro Lado do Paraíso” e “Segundo Sol” (delegado Nolasco). O mais recente trabalho na Rede Globo foi no elenco principal de “Terra e Paixão” (espião Ruan Alves). Escreveu “Sinopse”, curta em que atuou ao lado de Maitê Proença e Gabriel Godoy, e “Aqueles Cinco Segundos”, vencedor de dois Kikitos em Gramado. Escreveu e dirigiu o infantil “Como Cozinhar uma Criança”. É roteirista e apresentador do canal de culinária e humor “Cozinha sem Paciência”. Escreveu o espetáculo “Big Bang”, publicado pela Universidade Federal de Ponta Grossa (2021) e escolhido para a montagem de celebração dos 50 anos do Grupo de Teatro Universitário da UEPG. Em 2025, escreveu e dirigiu “Doce Árido”.



Alex Varela


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