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Nova leitura de Frankenstein em montagem que cruza diferentes linguagens no CCBB Rio

6 de out.
8 min de leitura

Espetáculo do Coletivo Gompa, inspirado no clássico de Mary Shelley, cruza teatro, dança, artes visuais e música para discutir identidade, colonialismo e dominação


"Frankenstein" Crédito fotográfico - Vilmar Carvalho
"Frankenstein" Crédito fotográfico - Vilmar Carvalho

E se a criatura de Frankenstein fosse uma mulher que se recusasse a corresponder aos desejos de seu criador? É a partir dessa inversão que o Coletivo Gompa constrói sua versão de Frankenstein, espetáculo dirigido por Camila Bauer, vencedora do Prêmio Shell de Melhor Direção em 2025 por Instinto. A montagem chega ao CCBB Rio para uma temporada de 14 de outubro a 15 de novembro, dentro da ocupação Gompa no CCBB Rio — Frankenstein para Todas as Idades.


Inspirado no clássico de ficção científica de Mary Shelley, o espetáculo reconta a história da criatura criada pelo cientista Victor Frankenstein. Porém, a montagem vai além, parte da ideia de um ser formado por partes de outros seres para construir uma metáfora da diversidade que caracteriza a sociedade brasileira - um corpo feito de muitos corpos, marcado por processos de colonização, apagamento e disputa de identidades.


"Frankenstein" Crédito fotográfico - Vilmar Carvalho
"Frankenstein" Crédito fotográfico - Vilmar Carvalho

No palco, essa reflexão ganha forma nos corpos dos bailarinos Fabiane Severo e Alexsander Vidaleti, protagonistas de uma encenação que combina teatro, dança, artes visuais e trilha sonora original. A criatura é uma mulher que não consegue — e tampouco deseja — adaptar-se aos desejos do homem que a criou.


É nesse confronto que o espetáculo abre espaço para uma perspectiva decolonial e para questões relacionadas à dominação cultural, de gênero e de pensamento.


“Eu sempre gostei muito desta obra, de como ela revela nossa incompletude, nossa dificuldade de lidar com as perdas e nosso desejo de driblar a morte”, explica Camila Bauer.


Para a diretora, a escolha de Frankenstein também permite perguntar quem somos diante da mistura de histórias, culturas e corpos que formam a humanidade. “Quem somos nós, em meio a esta colcha de retalhos que é a própria humanidade? E como decolonizamos nosso pensamento?”, questiona.


A montagem integra a trajetória de pesquisa do Coletivo Gompa, grupo fundado em Porto Alegre em 2014 e dedicado ao cruzamento entre teatro, dança, música, artes visuais e audiovisual. Em pouco mais de uma década, o coletivo criou 12 espetáculos, entre eles As Aventuras do Pequeno Príncipe, Margem Oculta, Olga, Derrota, Amazônia, Instinto e Meretrizes.

À frente da encenação, Camila Bauer reúne uma trajetória que passa pela direção teatral e pela dramaturgia. Professora de dramaturgia do Departamento de Arte Dramática da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, a diretora também assina trabalhos como A Menina dos Olhos d’Água e Meretrizes.

 

>> Programação - Oficinas gratuitas

HISTÓRIAS DE ARREPIAR: QUEM ESCREVE SEUS MEDOS ESPANTA

Oficina com Pedro Bertoldi, 20 vagas.

31/10, sábado, das 15h às 17h

Local: Teatro II 

Público-alvo: adolescentes de 12 a 16 anos

Inscrições: bb.com.br/cultura

 O que faz uma história dar medo? É o monstro que aparece ou aquilo que a gente imagina que está escondido? E se os seus medos pudessem virar personagens, cenas e histórias? Nessa oficina de escrita criativa, adolescentes de 12 a 16 anos são convidados a explorar o universo do terror por meio da imaginação, da escrita, da dramaturgia e das artes visuais. A partir de jogos e exercícios de criação, os participantes vão inventar criaturas, construir personagens e universos, experimentar atmosferas de suspense e descobrir como transformar medos — reais ou imaginários — em histórias de arrepiar. Serão investigados os ingredientes de uma boa história de terror para descobrir como criar suspense, tensão, surpresa e personagens que sejam capazes de nos levar para dentro dessas histórias. 


"Frankenstein" Crédito fotográfico - Vilmar Carvalho 
"Frankenstein" Crédito fotográfico - Vilmar Carvalho 

ERA UMA VEZ… CRIAÇÕES ASSOMBRADAS PARA CRIANÇAS

Oficina com Pedro Bertoldi, 20 vagas.

1º/11, domingo, das 15h às 17h.

Local: Teatro II

Público-alvo: crianças de 8 a 11 anos

Inscrições: bb.com.br/cultura

 Como tirar do papel um monstrinho e transformá-lo em uma história só dele? A oficina de criação de histórias é direcionada a crianças de 8 a 11 anos, que serão convidadas a entrar em um universo de criaturas estranhas, divertidas e um pouquinho assustadoras. A partir da criação de monstrinhos nas artes visuais, os pequenos vão ser convidados a imaginar quem são esses seres, onde vivem, do que têm medo, o que desejam e quais aventuras podem viver. Entre desenhos, colagens, personagens, jogos teatrais e criação de histórias, a oficina propõe um encontro entre artes integradas, criação de histórias e literatura, estimulando a imaginação e fantasia na superação dos medos da infância.

 

DRAMATURGIA DA MÁSCARA

Oficina com Liane Venturella, 30 vagas.

21, 22 e 23/10 — quarta, quinta e sexta-feira — das 15h30 às 18h.

Local: Teatro II 

Público-alvo: atores, bailarinos e demais artistas da cena, estudantes com ou sem experiência prévia no uso de máscaras.

Inscrições: bb.com.br/cultura

Atriz e diretora de premiados trabalhos de teatro de máscaras, Liane Venturella conduz uma oficina dedicada à dramaturgia que nasce do corpo, da escuta e da percepção. Sem o recurso da palavra, a máscara convida a aguçar os sentidos e perceber aquilo que nem sempre é possível ver e dizer. O corpo passa a escutar, pensar e narrar: um olhar, uma pausa ou um pequeno gesto podem revelar uma história inteira. Paradoxalmente, ao esconder o rosto, a máscara permite que sentimentos, desejos e impulsos ocultos venham à superfície. Ao longo de três encontros, os participantes experimentarão princípios do jogo com máscaras expressivas, trabalhando presença, precisão, economia de movimentos, relação com o espaço e construção de pequenas dramaturgias sem palavras. Cada participante será convidado a descobrir uma figura e, por meio dela, criar sua própria narrativa. Serão utilizadas máscaras expressivas adquiridas junto à Trestle Theatre Company, da Inglaterra. Não é necessária experiência anterior com máscaras.

 

APARIÇÕES 

Intervenção cênica no CCBB

23/10, sexta-feira, às 18h.

Gratuito e sem necessidade de retirada de ingressos.

Às 18h, as criaturas começam a aparecer em diferentes pontos do CCBB. Figuras mascaradas atravessam corredores, ocupam passagens, observam, escondem-se e aproximam-se do público, transformando o espaço cotidiano em território do estranho e do inesperado. Criada a partir da oficina Dramaturgia da Máscara e em diálogo com o universo de Frankenstein, a intervenção sem palavras investiga o que permanece oculto e o que vem à tona.

 

OFICINA DE DRAMATURGIAS DO CORPO PARA ATORES E BAILARINOS

Oficina com Letícia Paranhos, 20 vagas.

28 e 29/10, quarta e quinta-feira, das 18h às 21h.

Local: Teatro II

Público-alvo: atores, bailarinos e demais artistas da cena, estudantes com ou sem experiência prévia em dança

Inscrições: bb.com.br/cultura

A proposta é investigar o estranho não como algo a ser corrigido, mas como potência de criação. Um convite para sair do corpo habitual, desconstruir referências e descobrir movimentos que talvez ainda não tenham nome. Não é preciso ter um corpo “ideal” ou uma experiência específica em dança. É preciso apenas disponibilidade para experimentar, imaginar e deixar o corpo e assumir novas formas

 

DANÇAS URBANAS PARA CRIANÇAS

Oficina com Thiago Ruffoni, 20 vagas.

07/11, das 15h às 17h, sábado.

Local: Teatro II

Público-alvo crianças a partir dos 7 anos

Inscrições: bb.com.br/cultura

A partir das danças urbanas, a oficina convida as crianças a brincar com um corpo que pode se desmontar e se reconstruir de muitos jeitos. Braços, pernas, cabeça e tronco ganham movimentos próprios, criando corpos estranhos, divertidos e inesperados. Em duas horas de experimentação, ritmo e imaginação, cada criança poderá inventar novos modos de mover, combinar e transformar o próprio corpo.

 

OFICINA DE DRAMATURGIAS HÍBRIDAS

Oficina com Camila Bauer, 30 vagas.

12/11, quinta-feira, das 14h às 17h

Local: Teatro II 

Público-alvo: artistas da cena, escritores estudantes e pessoas interessadas em escrita.

Um texto precisa escolher o que quer ser? Nesta oficina, a escrita teatral vira território de mistura e experimentação. A partir de exercícios práticos, os participantes criarão fragmentos que atravessam teatro, poesia, narrativa e outras formas de escrita, desmontando fronteiras e experimentando diferentes maneiras de construir dramaturgia.

 

>> Camila Bauer

   Camila Bauer é diretora teatral e professora de dramaturgia do Departamento de Arte Dramática da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Doutora pela Universidade de Sevilha e pela Universidade Livre de Bruxelas com estâncias na Espanha, França e Bélgica. Desenvolveu diferentes projetos de direção cênica, os mais recentes sendo A Menina os Olhos d´Água (2025), que retrata as enchentes que assolaram o Rio Grande do Sul e já foi exibido na Alemanha, e Meretrizes (2023), espetáculo de teatro documental que pesquisou a prostituição em Porto Alegre — ambos produzidos pelo Coletivo Gompa.


   Camila já recebeu uma série de indicações e troféus em premiações de teatro, como o Prêmio Shell de melhor direção por Instinto e os troféus Tibicuera de direção e espetáculo por Chapeuzinho Vermelho, prêmio Braskem em Cena de direção por Estremeço e de espetáculo pela ópera Dido e Enéias. Também já ministrou oficinas de dramaturgia na Espanha, México e diversas cidades do Brasil.


>> Coletivo Gompa

   Fundado em Porto Alegre em 2014, o Coletivo Gompa é formado por artistas que desenvolvem projetos de experimentação em dramaturgia e linguagem cênica, pesquisando cruzamentos entre teatro, dança, música, artes visuais e audiovisual. Tem como ênfase a fusão das diferentes artes como princípio narrativo. As criações são feitas em colaboração com atores, bailarinos e músicos de diferentes escolas e companhias. O grupo possui também uma atenção especialmente voltada a experimentações de linguagens que ampliem os limites do que compreendemos por teatro para adultos e teatro para público infantojuvenil.


   Em pouco mais de uma década, o Coletivo Gompa produziu doze espetáculos teatrais premiados e vistos em várias cidades brasileiras e até fora do país, entre eles As Aventuras do Pequeno Príncipe (2014), Margem Oculta (2016), Inimigos na Casa de Bonecas (2018), Olga (2020), Derrota (2021), Amazônia (2022), Instinto (2023) e Meretrizes (2023). Também lançou cinco obras audiovisuais: A Última Negra (2021), Derrota (2021), A Avó da Menina (2021), A Mãe da Mãe da Menina (2021) e À Borda da Vida (2024).

 

SOBRE O CCBB RJ

Inaugurado em 12 de outubro de 1989, o Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro marca o início do investimento do Banco do Brasil em cultura. Instalado em um edifício histórico, projetado pelo arquiteto do Império, Francisco Joaquim Bethencourt da Silva, é um marco da revitalização do centro histórico da cidade do Rio de Janeiro. São 35 anos ampliando a conexão dos brasileiros com a cultura com uma programação relevante, diversa e regular nas áreas de artes visuais, artes cênicas, cinema, música e ideias. Quando a cultura gera conexão ela inspira, sensibiliza, gera repertório, promove o pensamento crítico e tem o poder de impactar vidas. A cultura transforma o Brasil e os brasileiros e o CCBB promove o acesso às produções culturais nacionais e internacionais de maneira simples, inclusiva, com identificação e representatividade que celebram a pluralidade das manifestações culturais e a inovação que a sociedade manifesta. Acessível, contemporâneo, acolhedor, surpreendente: pra tudo que você imaginar. 

 

SERVIÇO:

“Frankenstein”do Coletivo Gompa

Temporada: de 14 de outubro a 15 de novembroQuartas, quintas, sextas, sábados e segundas, às 19h; domingos, às 18h.Não haverá apresentações entre 28 de outubro e 1º de novembro e entre 4 e 7 de novembro.

Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia-entrada)Classificação: 14 anosDuração: 50 minutosIngressos: bb.com.br/cultura

Ficha técnicaEncenação: Camila Bauer; Dramaturgia: Camila Bauer e Pedro Bertoldi; Colaboração dramatúrgica: Carina Corá; Direção coreográfica: Carlota Albuquerque; Elenco: Fabiane Severo e Alexsander Vidaleti; Narração: Sandra Dani e Elcio Rossini.

 

Centro Cultural Banco do Brasil  

Contato: 21 3808-2020 | ccbbrio@bb.com.br  

Mais informações em bb.com.br/cultura

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Ingressos:  


Meia entrada para estudantes, maiores de 65 anos e pagamentos com cartões BB.

Para eventos gratuitos, a retirada de ingressos pode ser feita na bilheteria do CCBB ou pelo site bb.com.br/cultura.

Funcionamento: De quarta a segunda, das 9h às 20h (fecha às terças). *

*Domingos, das 8h às 9h - horário de atendimento exclusivo para visitação de pessoas com deficiências intelectuais e/ou mentais e seus acompanhantes, conforme determinação legal (Lei Municipal nº 6.278/2017).


Alex Varela


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