Ministério da Cultura e Petrobras apresentam: “O Neguinho da Beija-Flor – Musical”
- Alex Gonçalves Varela

- há 1 dia
- 8 min de leitura
O ator Izak Dahora interpreta o protagonista na peça que estreia em 10 de setembro no Teatro João Caetano
Com direção de Luiz Antonio Pilar e texto de
Aydano André Motta, musical percorre a trajetória
do cantor e compositor Neguinho da Beija-Flor

Um dos maiores artistas da história do carnaval carioca, o cantor e compositor Neguinho da Beija-Flor tem sua trajetória extraordinária apresentada no espetáculo “O Neguinho da Beija-Flor – Musical”, com direção de Luiz Antonio Pilar e texto de Aydano André Motta, que estreia em 10 de setembro de 2026 no Teatro João Caetano. A montagem tem patrocínio da Petrobras, por meio do programa Petrobras Cultural, e foi selecionada por meio de edital público.
Depois de 50 anos ininterruptos como a voz da escola de samba Beija-Flor de Nilópolis, tendo cantado nos 15 títulos conquistados pela agremiação, ele se aposentou em 2025. São cinco Estandartes de Ouro conquistados na categoria de Melhor Intérprete e um sexto como Personalidade. A carreira musical também foi consolidada fora da Marquês de Sapucaí: foram mais de 40 discos lançados ao longo de sua trajetória. Mais de 30 canções do repertório que marcou o seu percurso integram a montagem.
Em cena, a longa história de amor, arte e resiliência será contada desde a infância, na extrema pobreza em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, até a consolidação como um artista de reconhecimento internacional. Nascido em 29 de junho de 1949, em Vila Isabel, Neguinho tornou-se intérprete oficial da Beija-Flor em 1975 e, desde sua estreia na avenida em 1976, participou de todos os desfiles pela mesma escola — a ponto de incorporar o nome artístico ao registro civil, passando a se chamar Luiz Antônio Feliciano Neguinho da Beija-Flor Marcondes. Criador do grito de guerra que se tornou marca registrada dos desfiles — o icônico “Olha a Beija-Flor aí, gente!” —, abriu caminho para que intérpretes de outras escolas passassem a adotar o mesmo recurso.

O ator Izak Dahora interpreta Neguinho da Beija-Flor, ao lado de um elenco de dez atores-cantores – Bruno Quixotte, Celso Luz, Ella Fernandes, Leandro Melo, Lu Vieira, Maria Vitória Rodrigues, Matheus Dias, Pedro Barreto, Thalita Floriano e Verônica Bonfim –, que interpretam diferentes personagens marcantes da vida do artista.
Idealizador e diretor da montagem, Luiz Antonio Pilar apresenta seu quinto musical biográfico — ele venceu o Prêmio Shell de Melhor Direção com “Leci Brandão – Na Palma da Mão” em 2024 —, tendo como ponto central um grande artista referência do samba-enredo.
Em 2024, ao saber que o jornalista Aydano André Motta estava preparando uma biografia sobre Neguinho da Beija-Flor, Pilar o convidou para criar um texto para o teatro.
“Embora seja um musical biográfico, a montagem é uma interpretação ficcional a partir dos fatos reais que Aydano nos trouxe. Fizemos uma extensa seleção de músicas e criamos uma história que quebra a linha do tempo cronológica real. É uma peça para o público assistir cantando junto”, conta Pilar. “A profissão de muitos artistas é marcada por perdas, dificuldades e desistências pelo caminho. A trajetória do Neguinho é uma grande demonstração de resiliência, intuição e de que a arte precisa ser livre para sobreviver. Ele é um exemplo dessa força da arte”, diz o diretor.
Autor do texto, Aydano André Motta acompanha de perto o universo das escolas de samba desde 1988 e publicou diversos livros sobre o tema. Jornalista e pesquisador de carnaval e cultura popular, ele há décadas defende a valorização social do samba e de seus artistas — um posicionamento que atravessa toda a sua obra e que, segundo ele, dialoga diretamente com a trajetória de Neguinho. Roteirista da série documental “Neguinho da Beija-Flor – Soberano da Avenida” (Globoplay, 2025), Aydano faz sua estreia no teatro com “O Neguinho da Beija-Flor – Musical”.
“Ele é um artista absolutamente empírico. Nunca fez aula de canto e saiu cantando, nunca aprendeu partitura e compôs inúmeras músicas. É um expoente dessa arte que o país ainda não sabe valorizar e que sempre foi uma das minhas causas. O Neguinho é um dos seus maiores símbolos”, diz Aydano.
Sob a direção musical de Matheus Camará e Rodrigo Pirikito, foram criados novos arranjos vocais que preservam a sonoridade original, aproximando as canções da musicalidade consagrada na obra de Neguinho da Beija-Flor. Em cena, além de Camará e Pirikito, a banda é composta por Thainara Castro, Pedro Ivo, Daniel Esperança, Wesley Lucas, Maycon Júlio e Érica Santos.
No roteiro musical estão sambas-enredo e músicas marcantes da carreira do artista: “O Campeão”, que virou hino oficial do Estádio do Maracanã; “Sonhar com Rei dá Leão”, samba-enredo de 1976, ano de sua estreia oficial como puxador e do primeiro título da Beija-Flor; “Ratos e Urubus, Larguem Minha Fantasia!”, um dos sambas mais marcantes da história do carnaval carioca, interpretado por ele em 1989; e “Laíla de Todos os Santos, Laíla de Todos os Sambas”, enredo campeão de 2025, ano em que ele fez seu último desfile como intérprete oficial da escola. Outro sucesso é “Negra Ângela”, que, em 2008, ele cantou ao lado de Roberto Carlos no especial de fim de ano da TV Globo.
Rute Alves, uma das mais respeitadas e talentosas porta-bandeiras do carnaval carioca, assina o figurino do espetáculo. Nos últimos anos, Rute criou os figurinos dos musicais “Leci Brandão – Na Palma da Mão”, “Ruth & Léa”, “A Pérola Negra do Samba” e “Os Irmãos Timótheo da Costa”. Em suas criações, Rute destaca a importância de o público reconhecer o artista por meio do figurino. As peças pensadas para a montagem trazem referências marcantes, como o macacão usado há anos por Neguinho e o tom de azul emblemático da Beija-Flor, que dividem espaço com criações originais.

“O figurino do espetáculo tem mais de 50 peças, muitas delas artesanais. Temos uma Nanã — Orixá homenageada em enredos de escolas de samba — toda feita com mais de 1.000 fuxicos e 50 rosas feitas a mão”, exemplifica Rute Alves. “No carnaval, sou porta-bandeira; no teatro, figurinista. São funções bem distintas, mas é impossível não beber da fonte do carnaval porque os artistas mais talentosos estão dentro dos barracões: aderecistas, costureiras, modelistas, chapeleiros”, enumera a figurinista.
Para ambientar a história, a cenógrafa Lorena Lima transformou o palco sem coxias em um barracão de escola de samba. Uma grande estrutura de ferro e madeira remete aos andaimes usados na construção dos carros alegóricos, e é nela que os objetos cênicos — criados com materiais reciclados de carnavais passados — permanecem expostos e são revelados gradualmente ao longo da narrativa.
“Recebemos da Beija-Flor de Nilópolis um grande cesto de frutas de isopor usado no desfile do ano passado, ‘Laíla de Todos os Santos, Laíla de Todos os Sambas’. A partir desse adereço, criamos novos objetos cênicos”, conta Lorena, que também investiu no garimpo de adereços na Sustenta Carnaval — uma iniciativa socioambiental que faz a coleta, triagem e redistribuição de fantasias e adereços descartados após os desfiles das escolas de samba. “A ideia era evocar o universo do carnaval sem reproduzi-lo literalmente. Mas é carnavalesco de alguma forma”, diz a cenógrafa.
Com uma trajetória marcada por coreografias premiadas à frente de comissões de frente no carnaval carioca, Patrick Carvalho assina a coreografia e a direção de movimento do espetáculo. Na preparação vocal, o cantor e ator Pedro Lima traz ao elenco sua experiência no teatro musical e na preparação de intérpretes de samba-enredo.

ROTEIRO MUSICAL
Laíla de Todos os Santos, Laíla de Todos os Sambas
Menino de Pé no Chão
Eu e a Dor
Nervos de Aço
Amor de Mãe
Música de Coreto (bloco de sujos) Problema Social
Odoyá
O Campeão
Gamação Danada
Salgueiro - Bahia de todos os deuses
Império - Heróis da liberdade
Mangueira - Exaltação à Mangueira
Portela - Foi um rio que passou em minha vida
Pra Lá de Legal
What a Wonderful World
Sonhar com Rei dá Leão
Visual
Deusa da Passarela
Negra Ângela
Mulheres
Bem Melhor que Você
Mas que Nada
Mulher, Mulher
Menino Pobre e Sonhador
Ratos e Urubus, Larguem Minha Fantasia!
Teu Rei
Cabô Meu Pai
Eu Sou de Nilópolis Chuveiro da Alegria
Samba é o Gosto da Minha Comida
Macapaba
Iracema a Virgem dos Lábios de Mel
Empretecer o Pensamento é Ouvir a Voz da Beija-Flor
FICHA TÉCNICA
Elenco: Bruno Quixotte, Celso Luz, Ella Fernandes, Izak Dahora, Leandro Melo, Lu Vieira, Maria Vitória Rodrigues, Matheus Dias, Pedro Barreto, Thalita Floriano e Verônica Bonfim
Texto: Aydano André Motta
Diretor: Luiz Antonio Pilar Assistente de Direção: Estela Silva 2º Assistente de Direção: Jadson Abraão
Diretores Musicais: Matheus Camará e Rodrigo Pirikito
Músicos: Daniel Esperança, Érica Santos, Maycon Júlio, Thainara Castro, Valladão e Wesley Lucas
Preparação Vocal: Pedro Lima Coreografia e Direção de movimento: Patrick Carvalho
Assistente de Coreografia: Layla Diamante Cenografia: Lorena Lima Assistente de Cenografia e Aderecista: Raphael Elias Iluminação: Daniela Sanches
Operador de Luz: Felipe Miranda
Operador de Canhão: Felps
Designer de Som: Vilson Almeida
Técnico de Sistema de Som: Dennis Meier Junior
Técnico de Monitor: Davi
Operação de P.A: Moisés
Microfonistas: Danuza Formentini e Bomba
Contrarregra: Feliphe Afonso e Sandro Carvalho Figurino: Rute Alves
Assistente de Figurino: Rian Oak
Camareiros: Érika dos Santos e Gean Carlos Gomes
Visagista: Josi Rodrigues
Direção de Produção: Luiz Antônio Pilar e Geraldo de Souza
Produção Executiva: Nuala Brandão
Produção: Thaís Cairo
Assistente de Produção: Sandro Carvalho
Coordenação de Acessibilidade: Jadson Abraão
Assessoria de Imprensa: Catharina Rocha e Paula Catunda
Identidade Visual: Pedro Pessanha e Rawier Queiroga (PILHA.CC)
Fotografia: Nil Caniné Acessibilidade: JDL Traduções
Coordenação de Comunicação e Redes Sociais: Pilha Comunicação e Comunidades
LUIZ ANTONIO PILAR – Idealizador e diretor
Recebeu o Prêmio Shell de Teatro 2024 pela direção do musical “Leci Brandão – Na Palma da Mão”. Em 2025, dirigiu os espetáculos “Ruth & Léa” (texto de Dione Carlos); “A Pérola Negra do Samba” (texto de Leonardo Bruno), sobre a vida da artista Jovelina Pérola Negra; e “Os Irmãos Timótheo da Costa” (texto de Claudia Valli). No audiovisual, lançou no cinema o longa-metragem de documentário “Milton Gonçalves – Para além do espetáculo”. Na TV, dirigiu as novelas “Todas as Flores” (Globoplay), “Desejo proibido”, “Sinhá Moça”, “A padroeira” (TV Globo); “Xica da Silva”, “Brida”, “Mandacaru” e “Tocaia Grande” (na extinta TV Manchete). No cinema, dirigiu “Lima Barreto, ao terceiro dia”, o documentário “Candeia” e o curta-metragem “A mãe e o filho da mãe". Venceu o 13º Festival de Curtas do Rio de Janeiro e, como prêmio, representou o Brasil no Festival de Cinema de Angers, na França. Em parceria com a produtora Lapilar, o Canal Futura e a TV Globo, desenvolve o projeto “A cor da cultura” (conjunto de programas voltados para temática negra, em cumprimento a determinação da Lei 10.639). Em 1993, fundou sua produtora, realizando projetos de sucesso de temática afro-brasileira como o espetáculo teatral “Os negros”, de Jean Genet. Em 2023, fez parte da direção da novela “Todas as Flores”, da TV Globo, que ganhou o prêmio Rose D’or Latinos, como melhor telenovela.
AYDANO ANDRÉ MOTTA – Autor
Nascido em Niterói, Aydano André Motta é jornalista desde 1986, quando se formou na UFF. Especializou-se na cobertura do Rio de Janeiro em veículos como Jornal do Brasil, O Dia, O Globo, Veja, TV Globo e IstoÉ. Acompanha de muito perto o universo das escolas de samba desde 1988, quando assistiu ao seu primeiro desfile na Passarela do Samba. De lá para cá, nunca mais deixou de ir, somando 37 anos de Sapucaí e bastidores do Carnaval. Conquistou o Prêmio Esso de Melhor Contribuição à Imprensa em 2012, pela criação e edição do suplemento Globo a Mais. Pesquisador de cultura popular, é autor de “Maravilhosa e Soberana – Histórias da Beija-Flor” e “Onze Mulheres Incríveis do Carnaval Carioca”, da coleção Cadernos de Samba (Verso Brasil), que concebeu e coordenou. Escreveu ainda os dois volumes do livro-guia “Blocos de Rua do Rio de Janeiro” (Réptil Editora) e os livros “Da Minha Porta Vejo o Mundo” e “Que Lugar Bacana”. Assinou os roteiros do documentário “Mulatas! Um Tufão nos Quadris” (Carioca Filmes, 2011) e do programa “Samba Coração” (Band, 2023). Foi consultor nos documentários “Doutor Castor” e “Vale o Escrito” (Globoplay). Trabalha atualmente na biografia de Neguinho da Beija-Flor.

SERVIÇO:
Temporada: 10/09 a 01/11 de 2026
Dias e horários: Quintas e sextas, às 19h. Sábados e domingos, às 17h
Local: Teatro João Caetano (Praça Tiradentes, s/n – Centro – Rio)
Ingressos:
Plateia — R$ 80 (inteira) | R$ 40 (meia-entrada)
Balcão Nobre — R$ 70 (inteira) | R$ 35 (meia-entrada)
Balcão Simples — R$ 30 (inteira) | R$ 15 (meia-entrada)
Vendas online: funarj.eleventickets.com
Bilheteria do teatro: Terça a sexta, das 13h às 18h. Sábados, das 15h às 18h
Classificação etária: 14 anos
Duração: 110 minutos
Instagram do espetáculo: @oneguinhodabeijaflormusical
Assessoria de imprensa:
Catharina Rocha - catharocha@gmail.com | (21) 99205-8856
Paula Catunda - paula.catunda@gmail.com | (21) 98795-6583
Alex Varela

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