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LUSO-BRASILEIRA

REVISTA DO VILLA

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Luanda, bonecos e Pessoas: uma lição muito séria… sem se levar demasiado a sério

Há viagens que nos deixam relatos e relatórios. Outras deixam-nos memórias. E depois há aquelas raras viagens que nos deixam uma espécie de pedagogia improvável: aprendemos sobre liderança, Pessoas e cultura… enquanto brincamos com dois bonecos num lobby de um hotel.


Imagem: Pedro Ramos - Foto: Arquivo pessoal
Imagem: Pedro Ramos - Foto: Arquivo pessoal

Foi assim em Luanda. Entre encontros com Líderes e Gestores de Pessoas, conversas sobre transformação, talento, responsabilidade e futuro, houve também espaço para um daqueles momentos que só fazem sentido quando se tem a ousadia de rirmos de nós próprios. No Hotel Presidente, entre sofisticação, vista incrível para a cidade e aquele ambiente onde tudo parece ter sido pensado para impressionar, encontrei dois manequins de uma elegância implacável. E pensei: “Pronto. Aqui está a minha equipa de reflexão executiva e com quem posso testar as minhas palestras.”


A verdade é que, às vezes, a melhor forma de fechar uma viagem intensa não é com pose institucional. É com humor. Porque o humor também é uma linguagem de liderança. Desarma egos, aproxima pessoas e lembra-nos de uma coisa essencial: ninguém lidera bem quando se leva excessivamente a sério.


O palco e os bonecos


Imagem: Pedro Ramos - Foto: Arquivo pessoal
Imagem: Pedro Ramos - Foto: Arquivo pessoal

Os bonecos estavam lá, impecáveis, imóveis, discretamente arrogantes, como quase todas as figuras que não têm de responder a e-mails nem gerir equipas às segundas-feiras. Um com vestido preto, elegante e silencioso. O outro de fato às riscas, com ar de quem entrou numa reunião já a saber o resultado. E eu, entre ambos, de braços cruzados, a fazer de ponte entre o glamour e a irreverência.


Se há coisa que aprendi ao longo dos anos a trabalhar com Liderança, RH e desenvolvimento organizacional é que as Pessoas precisam de autenticidade. Precisam de presença. Precisam de verdade. Mas também precisam de leveza. Sem leveza, a cultura organizacional vira teatro de má qualidade. Com leveza, até um lobby de hotel pode transformar-se numa metáfora viva sobre identidade, estilo e relações humanas.


Porque, no fundo, os bonecos eram só bonecos. Mas a brincadeira dizia outra coisa: cada pessoa numa organização tem o seu papel, a sua forma, a sua linguagem e a sua maneira de ocupar espaço. E é precisamente nessa diferença que mora a força das equipas.


Liderar Pessoas, não manequins

A provocação é esta: há líderes que passam a vida a montar equipas como se estivessem a vestir montras. Tudo impecável, alinhado, fotogénico. Mas Pessoas não são manequins. Não são decorativas. Não estão ali para parecer bem. Estão ali para pensar, sentir, discordar, propor, criar e, às vezes, complicar... o que também faz parte da vida real.


Em Luanda, esse tema apareceu em várias conversas: como liderar Pessoas em contextos de mudança, como desenvolver confiança, como unir gerações, como humanizar a gestão sem perder exigência. E a resposta, quase sempre, volta ao mesmo: liderar Pessoas é menos sobre controlar e mais sobre compreender. Menos sobre posar e mais sobre escutar. Menos sobre parecer e mais sobre ser.


Talvez por isso a fotografia com os bonecos tenha ficado tão bem. Não por causa dos bonecos. Por causa da ironia. No meio de tanta conversa séria, lembrar que o bom líder também sabe brincar é uma forma de inteligência emocional. E quem não percebe isso, acaba muitas vezes a liderar um showroom em vez de uma equipa.


Imagem: Pedro Ramos - Foto: Arquivo pessoal
Imagem: Pedro Ramos - Foto: Arquivo pessoal

Luanda ensinou mais do que parece

Luanda fechou esta viagem com energia, calor humano e a sensação boa de que o diálogo sobre Pessoas continua a ser o centro de tudo. Estive com Líderes e Gestores de Pessoas comprometidos, atentos, exigentes e com vontade real de fazer melhor. E isso merece ser dito com clareza: há talento, há ambição e há consciência de que o futuro não se constrói apenas com processos. Constrói-se com relações.


Foi essa a beleza da viagem. Entre encontros formais e um momento absolutamente informal com dois bonecos muito bem vestidos, ficou a certeza de que o que nos distingue, no trabalho e na vida, não é apenas o currículo. É a capacidade de manter humanidade, humor e elegância ao mesmo tempo.


E talvez seja essa a grande lição aprendida: as organizações podem estar cheias de estruturas, mas são sempre as Pessoas que lhes dão alma. E as Pessoas, felizmente, às vezes também precisam de uma boa fotografia ao lado de um manequim para se lembrarem de não ficarem rígidas demais.


Luanda ficou. As conversas ficaram. A energia ficou. E a brincadeira com os bonecos ficou como o fecho perfeito de uma viagem onde se falou de futuro com seriedade, mas sem perder o sorriso.

Porque, convenhamos: liderar Pessoas já é bastante sério. Não há necessidade nenhuma de o fazermos de cara fechada e demasiado séria.



Pedro Ramos

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