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Gracindo Júnior: uma trajetória de seis décadas que se despede dos palcos e das telas

2 de set.
3 min de leitura

Ator, diretor, roteirista e produtor, artista integrou o primeiro elenco da TV Globo e participou de importantes produções do teatro, da televisão e do cinema brasileiros


Gracindo Júnior - Acervo pessoal
Gracindo Júnior - Acervo pessoal

Gracindo Júnior morreu na noite de 1º de setembro de 2026, aos 83 anos, no Rio de Janeiro. Ator, diretor, roteirista e produtor, construiu uma carreira iniciada ainda na adolescência e que se estendeu por mais de seis décadas, com trabalhos no rádio, teatro, televisão e cinema. Segundo informações da família, a morte ocorreu por causas naturais.

Nascido no Rio de Janeiro, em 21 de maio de 1943, Gracindo Júnior era filho do ator Paulo Gracindo. Aos 15 anos, iniciou sua carreira na Rádio Nacional, onde trabalhou como ator, redator e disc-jóquei. Pouco depois, passou a atuar também no teatro e na televisão.


Sua trajetória está ligada aos primeiros anos da TV Globo. Contratado em dezembro de 1964, antes da inauguração oficial da emissora, integrou o elenco que participou da implantação do canal, inaugurado em abril de 1965. No mesmo ano, esteve em Rosinha do Sobrado, a segunda novela exibida pela Globo.

Ao longo das décadas seguintes, participou de produções que marcaram diferentes períodos da televisão brasileira. Entre elas estão O Bem-Amado, O Casarão, Mandala, O Salvador da Pátria, Rainha da Sucata e Dona Beija. Também trabalhou em emissoras como Manchete e Record.



Acervo Gracindo Jr.


Um dos trabalhos mais lembrados de sua trajetória foi O Casarão, de 1976. Na novela, Gracindo Júnior interpretou João Maciel durante a juventude, enquanto seu pai, Paulo Gracindo, viveu o mesmo personagem em uma fase posterior da vida. Os dois também atuaram juntos em O Bem-Amado, de 1973.

A carreira de Gracindo Júnior, no entanto, não se limitou à atuação. Também trabalhou como diretor, roteirista e produtor. Na televisão, dirigiu produções como Memórias de Amor, Marron-Glacé e Os Trapalhões. No teatro, escreveu e dirigiu Paulo Gracindo, Meu Pai, espetáculo dedicado à trajetória profissional do pai.

Sua história profissional também foi marcada pelo contexto político brasileiro. Ligado ao Partido Comunista, foi cassado em 1964, durante a ditadura militar, juntamente com outros artistas. A medida o afastou da Rádio Nacional, mas não interrompeu sua carreira artística.

No cinema, participou de produções brasileiras e estrangeiras, entre elas Os Trapalhões na Serra Pelada, O Trapalhão na Arca de Noé, Floresta das Esmeraldas, Bufo e Spallanzani, A Selva e Primo Basílio. Seu último trabalho cinematográfico foi A Queda, lançado em 2022.

Nos últimos anos, Gracindo Júnior continuou ligado à televisão e ao audiovisual. Entre seus trabalhos mais recentes estão participações em produções como Ouro Verde, da televisão portuguesa, e na série Homens?, exibida pelo Prime Video e pelo Comedy Central.


Acervo - Memória Globo
Acervo - Memória Globo

Uma trajetória ligada à história da televisão

A importância de Gracindo Júnior para a cultura brasileira está também na diversidade de funções que exerceu ao longo da carreira. Ele acompanhou diferentes fases da televisão, desde os primeiros anos da TV Globo até produções realizadas para novas plataformas, sem deixar de atuar no teatro e no cinema.

Sua trajetória também se relaciona à de uma família com forte presença nas artes. Filho de Paulo Gracindo, Gracindo Júnior teve filhos que seguiram caminhos ligados à atividade artística, entre eles os atores Gabriel e Pedro Gracindo.


Ao longo de sua carreira, construiu uma filmografia e um currículo televisivo extensos, mas também deixou registros importantes como diretor, produtor e profissional de teatro. Seu percurso acompanha, em muitos aspectos, transformações pelas quais passaram o rádio, a televisão e o cinema brasileiros a partir da segunda metade do século XX.


A morte de Gracindo Júnior encerra uma carreira que começou no rádio, passou pelos palcos e acompanhou diferentes momentos da televisão brasileira. Seu trabalho permanece registrado em novelas, séries, filmes, peças e programas que integram a memória do audiovisual e das artes cênicas do país.



Igor Alcantara


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