Flin 2026 reúne mais de 50 mil pessoas em quatro dias e consolida Niterói como território de literatura e pensamento
- Alex Gonçalves Varela

- há 2 horas
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Festa Literária Internacional de Niterói gratuita supera em mais de 65% a expectativa de público e encerra edição marcada por espaços lotados, grandes nomes da cultura brasileira e homenagem a Lélia Gonzalez, Fernanda Torres e Emicida no último dia de Flin 2026.

A literatura ocupou Niterói e levou mais de 50 mil pessoas ao Reserva Cultural ao longo dos quatro dias da Festa Literária Internacional de Niterói (Flin) 2026, de 13 a 16 de agosto. O público superou em mais de 65% a expectativa inicial de 30 mil visitantes e acompanhou uma programação gratuita que reuniu escritores, artistas, pesquisadores, comunicadores, estudantes e leitores em torno do tema “Territórios das Palavras”, inspirado no pensamento de Lélia Gonzalez. Realizada pela Prefeitura de Niterói, por meio da Fundação de Arte de Niterói (FAN), a edição foi marcada por espaços lotados, encontros aclamados pelo público e uma programação que aproximou literatura, música, teatro, audiovisual, jornalismo e cultura popular.
Fernanda Torres e Emicida no último dia de Flin 2026. Fotos: Fernando Cascardo
No domingo, 16 de agosto, dia de encerramento da festa, dois dos momentos mais aguardados da programação levaram o público a ocupar os espaços da FLIN: Emicida e Fernanda Torres. Emicida participou da conversa De onde cê vem?, mediada pela jornalista Luciana Barreto, sobre a criação de narrativas a partir dos lugares de onde viemos, a infância, a rima, a composição e a formação de novos imaginários. "Creio que a essa altura da minha construção artística, as pessoas já fazem uma associação direta entre a minha trajetória e a literatura, e isso faz com que eu me sinta realizado. Mas tem uma outra dimensão muito mais profunda que é o fato de o evento homenagear Lélia Gonzalez. Sem ela não existiria Emicida, eu já disse isso por aí algumas vezes, então me sinto realmente honrado quando de algum modo minha história volta a se encontrar com a dela. Por fim, que alegria ver um evento para promover e exaltar a literatura se consolidando com essa magnitude", afirma Emicida.
Já Fernanda Torres encerrou a programação com uma leitura do primeiro capítulo de A Glória e seu Cortejo de Horrores, seguida de um bate-papo sobre a obra e seu processo de criação. “Quando fui escrever, muito do meu treino de atriz entrou no processo. Existe um exercício muito grande de se colocar no personagem, pensar o que ele faria, o que responderia e enxergar o mundo pelo ponto de vista de outra pessoa”, conta Fernanda. Os dois encontros foram recebidos com entusiasmo pelo público e sintetizaram a proposta da edição de aproximar literatura, pensamento e diferentes linguagens artísticas.

Ao longo dos quatro dias, a Flin reuniu mais de 200 convidados e 62 horas de programação, distribuídas em quatro palcos simultâneos. O número de escritores e autores inscritos mais que dobrou em relação à edição anterior: foram 257 participantes em 2026, e 103 em 2025, reunindo nomes de Niterói, Rio de Janeiro, Maricá, Itaboraí e São Gonçalo.
Entre os convidados estiveram Ana Maria Gonçalves, Jeferson Tenório, Conceição Evaristo, Valter Hugo Mãe, Eliana Alves Cruz, Ruy Castro, Jout Jout, Fabrício Carpinejar, Ana Maria Machado, Ondjaki, Cidinha da Silva, Luiz Antonio Simas, Lilia Schwarcz, Marcelo Quintanilha, Tatiana Salem Levy, Jessé Souza, Marcelo Adnet, Ana Paula Araújo, Stefano Volp, Mariana Salomão Carrara, Otávio Junior, Teresa Cristina, Déia Freitas, Geni Núñez, Tati Bernardi, além de pesquisadores, jornalistas, escritores, roteiristas, artistas, influenciadores e criadores de diferentes áreas.
Uma festa que cresceu e trouxe Lélia Gonzalez para o centro
O crescimento da festa também se refletiu na cadeia do livro. O número de editoras participantes passou de 10, em 2025, para 13 em 2026 (Pictos Editora, Garota FM Books, Bloco Narrativo, Dowslley Editora, Se Liga Editorial, Editora Pé de Palavra, Risco Editora, Editora Itapuca, Vira-Tempo Editora, MoMa Editora, Editora Comunitá, Editora Violeta, DB Editora).
Ao todo, três livrarias (Livraria Leitura, Blooks e Livraria Ponte) venderam 4 mil livros, enquanto o cadastro de editoras e livrarias para o recebimento do Cartão Araribóia, moeda social de Niterói, aproximou a política cultural da economia do livro. A Flin 2026 também ampliou sua articulação institucional: a Academia Brasileira de Letras (ABL) que doou 1500 livros durante a festa, e a Biblioteca Nacional apoiaram a realização do festival, com a presença de acadêmicos da ABL distribuídos em diferentes mesas e um encontro especial dedicado à Academia.
O prefeito Rodrigo Neves destacou o crescimento expressivo do evento e reafirmou o compromisso do município em investir continuamente na cultura como motor socioeconômico. “A Flin envolveu editoras e autores locais, além de grandes nomes da literatura brasileira e internacional. A festa se consolida como um dos grandes eventos literários do Brasil. Vamos seguir planejando e investindo nesse projeto porque ele tem tudo a ver com a cidade que queremos construir, que compreende a cultura como um elemento indissociável do seu desenvolvimento. A festa foi abraçada pelos niteroienses e, por isso, veio para permanecer".

Na avaliação de Micaela Costa, presidenta da Fundação de Arte de Niterói (FAN), a resposta do público confirma a potência de um evento construído a partir da diversidade de vozes e do acesso gratuito à cultura. “Ver mais de 50 mil pessoas ocupando a Flin, participando das mesas, encontrando seus autores e descobrindo novos livros mostra que existe um enorme desejo de acesso à literatura, ao pensamento e à cultura. Esta edição também nos mostrou a força de Niterói como território de encontros. Homenagear Lélia Gonzalez significava justamente abrir espaço para diferentes vozes, histórias e perspectivas, e foi isso que vimos acontecer ao longo desses quatro dias.”
A homenagem a Lélia Gonzalez esteve no centro da edição, não apenas como referência conceitual, mas como eixo de uma programação que discutiu raça, gênero, ancestralidade, memória, território, educação, oralidade, diversidade e transformação social. A partir de seu legado, “Territórios das Palavras” propôs pensar a literatura como espaço de pertencimento, resistência e construção de novas narrativas sobre o Brasil. A curadoria foi assinada por Vilma Piedade, Elisa Ventura, MC Marechal, Edu Krieger, Carla Portilho, Jordão Pablo de Pão e Jackson Jacques, diretor artístico da Flin.
A edição também ampliou as ações de formação e responsabilidade social e ambiental. A Flin recebeu estudantes da rede pública de ensino, promoveu ações de formação de leitores e contou com uma iniciativa do Instituto Léo Solidário, que propôs a troca de livros por resíduos, além da arrecadação de alimentos para a campanha 1 Kg de Alimentos Solidários, destinados ao Banco de Alimentos de Niterói.
Com programação gratuita, tradução em Libras e audiodescrição em diversas atividades, a festa encerra sua edição de 2026 reforçando a literatura como instrumento de acesso, encontro e transformação, e Niterói como um território cada vez mais aberto às palavras. A Flin 2026 teve patrocínio da Águas de Niterói e apoio da Universidade Federal Fluminense (UFF), Academia Brasileira de Letras (ABL), Biblioteca Nacional e Ecovias Ponte.
Serviço:
Festa Literária Internacional de Niterói (Flin) 2026
De 13 a 16 de agosto
Reserva Cultural Niterói
Entrada: Gratuita
Alex Varela

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