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REVISTA DO VILLA

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Estreia em 17 de setembro: “Movimento Migratório do Jacarezinho” é encenado por coletivo premiado da Maré, no Sesc Tijuca

17 de set.
3 min de leitura

As histórias de quem chega, parte, permanece e reinventa seus caminhos a partir das circunstâncias da vida ganham o palco em “Querer ficar, mas ter que partir”, espetáculo teatral idealizado por Natália Brambila, que estreia no dia 17 de setembro, no Sesc Tijuca.


"Querer ficar, mas ter que partir" - Crédito fotográfico: Leo Lima
"Querer ficar, mas ter que partir" - Crédito fotográfico: Leo Lima

A montagem propõe um mergulho na memória da favela do Jacarezinho, na Zona Norte do Rio de Janeiro, para abordar temas como migração, trabalho, pertencimento, transformações urbanas e resistência cultural. A dramaturgia parte de uma pesquisa sobre o movimento migratório que marcou o Jacarezinho, especialmente a partir da década de 1960, quando o território se consolidou como um dos importantes polos industriais do Rio de Janeiro. 


O Complexo Industrial do Jacaré reunia fábricas de diferentes segmentos e atraía trabalhadores de diversas regiões do país. Em torno das indústrias, cresceram moradias, relações comunitárias e uma rede de comércio movimentada pela economia local. A industrialização não representou apenas uma oportunidade de trabalho, mas também foi fundamental para a formação de uma comunidade marcada por diferentes histórias, memórias e culturas.


"Querer ficar, mas ter que partir" - Crédito fotográfico: Leo Lima
"Querer ficar, mas ter que partir" - Crédito fotográfico: Leo Lima

A própria trajetória familiar de Natália atravessa a criação do projeto. Sua mãe, Elida, deixou Minas Gerais aos 14 anos e migrou para o Rio de Janeiro em busca de trabalho. No Jacarezinho, encontrou seu primeiro emprego em uma das fábricas do Complexo Industrial do Jacaré e estabeleceu vínculos que ultrapassavam os limites do ambiente profissional. 


A partir dessas memórias, a idealizadora desenvolve uma investigação sobre as trajetórias de pessoas que migraram para o território em busca de melhores condições de vida e que, ao longo do tempo, ajudaram a construir sua identidade. O espetáculo também olha para as transformações provocadas pelo declínio da atividade industrial. 


“O fechamento das fábricas, as crises econômicas e o desemprego alteraram profundamente a dinâmica do território, deixando marcas de abandono, pobreza e violência. Mas, para além das perdas, a montagem se interessa pelas formas encontradas pela população para recriar, resistir e produzir novos sentidos para o lugar. A cultura surge, assim, como uma das principais ferramentas de reinvenção e afirmação da comunidade”, analisa Natália. 


Entre essas manifestações, a história da Unidos do Jacarezinho, fundada em 1966 por Dona Andressa Moreira da Silva, ganha destaque, assim como a trajetória de artistas que ajudaram a projetar o território para além de seus limites, como Lacraia, MC Serginho e MC Nem do Jacarezinho. 



“Estamos preparando um terreno onde a potência da criação é também uma forma de construir território e afeto. O palco se transforma em espaço de memória, mas também de imaginação. A favela não aparece apenas como cenário ou lugar de carência, mas como cosmos: um território vivo, complexo, criador de mundos, relações, tecnologias de sobrevivência e modos próprios de existir. 

Pensar o território é pensar seus caminhos de água, seus fluxos e aquilo que foi sendo construído ao redor deles. O rio pode ser fronteira, caminho, memória, passagem e transformação. Assim como as pessoas, ele também se desloca, encontra outros caminhos e carrega histórias.


Querer Ficar, Mas Ter Que Partir é, portanto, uma peça sobre uma família, mas também sobre muitas famílias. Sobre aqueles que chegaram, partiram, permaneceram e reconstruíram seus territórios. Uma peça para o público se reconhecer, imaginar outros mundos e talvez questionar o mundo que nos ensinaram a acreditar que é o único mundo possível”, Reinaldo Junior - diretor do espetáculo.



Querer Partir estabelece um diálogo entre diferentes gerações e expressões culturais para mostrar como o Jacarezinho segue produzindo arte, memória e identidade mesmo diante das transformações sociais e urbanas. Realizado pela Cia Cria do Beco, o espetáculo reúne jovens artistas negros, universitários e moradores de favelas do Rio de Janeiro, muitos deles também atravessados por histórias de migração. 


Ficha técnica

Direção de Produção: Wellington Oliveira e Bruno Martins

Produção Executiva: Bruno Martins

Assistência de Produção: Joselene Mattos

Direção: Rei Black

Dramaturgia: Pedro Emanuel

Assistência de Direção: Gabriela Luiz

Direção Musical e Trilha Sonora: Beà Ayòóla

Direção de Movimento: Gabriela Luiz

Elenco: Jeff Melo, Natália Brambila, Anderson Oli e Taty Aleixo

Cenografia: Cachalote Mattos

Figurino: Tiago Ribeiro

Iluminação: João Gioia

Coordenação de Comunicação e Social Media: VB Digital

Assessoria de Imprensa: Alessandra Costa

Fotografia: Léo Lima

Design: Affonso Dalua

Operação de Luz: Tâmara Campos

Operação de Som: não informado

Supervisão Artística: Júlio

Participação Especial: MC Serginho


Serviço:

Espetáculo: “Querer ficar, mas ter que partir”  - Teatro IIEstreia: 17 de setembro - temporada até dia 11 de outubro

Horários das sessões: quinta a sábado às 19h - domingos às 18h.

Ingressos: GRÁTIS (PCG), R$21 (habilitado Sesc), R$15 (meia-entrada), R$27 (conveniado), R$30 (inteira)

OBS: o espetáculo fará mais 4 apresentações no mês de novembro nas comunidades de Manguinhos

e Jacarezinho

Duração: 80 minutos

Classificação: 12 anos

Vendas online através do site da Ingresso.com


Alex Varela


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