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REVISTA DO VILLA

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Entrevistado: Stefano Maximino/ Ator e Professor de Artes

12 de set.
6 min de leitura

Atualizado: há 6 dias

Da inspiração de uma professora no Morro do Cantagalo aos palcos e às telas, Stefano Maximino construiu na arte um caminho de expressão, transformação e descoberta.


Stefano Maximino - Divulgação
Stefano Maximino - Divulgação

Entre o cinema, o teatro e a educação, Stefano Maximino, Ator e professor de Artes transita entre as telas, os palcos e a sala de aula, conciliando a atuação com o trabalho de formação e criação audiovisual.

No cinema, integra o elenco de “Rede Paralela”, thriller político dirigido por Igor Moreira, que reúne Jayme Periard e Alexandra Richter no elenco e chega em breve ao streaming. Também está em “Socorro! Minha Babá Tirou Férias”, comédia dirigida por Cris D’Amato, com lançamento previsto no Globoplay.

No teatro, participou da temporada de “O Santo e a Porca”, de Ariano Suassuna, apresentada no Teatro Cândido Mendes, com direção de Paulo Marcos Carvalho.


Sua atuação também se estende à educação. Como professor, desenvolveu o projeto audiovisual “Rótulos”, realizado no Colégio Estadual Pedro Álvares Cabral e selecionado para o Festival do Rio.

Entre seus trabalhos mais recentes está ainda o curta-metragem “Coágulo”, filme de terror LGBTQIAPN+ dirigido por Hsu Chien, com Carmo Dalla Vecchia no elenco. A produção vem circulando por festivais no Brasil e no exterior, com seleções como o Erotic Film Festival, em Londres, e o Rio LGBTQIAPN+, além de ter recebido o Troféu Orgulho no Dijanho International Festival.

Nesta entrevista ao colunista João Paulo Penido, ele fala sobre sua trajetória, os desafios de atuar em diferentes linguagens e os projetos que vêm movimentando sua carreira.


1 -  Fale de sua carreira como ator e Professor de Artes?

Minha maior motivação para ser ator sempre foi uma sensação muito íntima de que a vida, por si só, não me bastava. Eu precisava transbordar. E encontrei na arte esse lugar de transbordamento, de experimentar outras vidas, outras emoções, outras possibilidades de existir.

Desde muito pequeno eu já queria ser artista. E, curiosamente, a educação também entrou nesse caminho. Acredito muito na potência de um professor na vida de um aluno porque eu mesmo fui profundamente marcado por uma professora, Marina Henriques, quando era aluno do antigo Espaço Criança Esperança, no Morro do Cantagalo, no Rio de Janeiro. Ela costumava me dizer: “Stefano, tudo que você se propuser a fazer, faça o seu melhor. ” Essa frase me acompanha até hoje e virou quase um princípio para tudo o que faço.


Ser professor de Artes me permitiu devolver um pouco daquilo que a arte fez por mim. Recentemente tive uma experiência muito especial ao desenvolver, com meus alunos do Colégio Estadual Pedro Álvares Cabral, o curta-metragem “Rótulos”, um projeto que nasceu dentro da escola com o propósito de despertar o senso crítico dos alunos por meio do audiovisual. Muitos deles nunca tinham tido contato com teatro ou com uma câmera.


O filme acabou sendo selecionado para a categoria Nova Geração do Festival do Rio, e isso foi emocionante não apenas pela seleção, mas pelo que ela representou para aqueles jovens. Lembro especialmente da sensação de vê-los diante da tela, reconhecendo-se como protagonistas daquela história. Quando recebi a ligação da diretora comunicando a seleção, foi uma felicidade imensa.

Acho que esse projeto sintetiza muito do que sou hoje: um ator que continua buscando novos personagens e experiências, mas também um artista que acredita na capacidade transformadora da

arte.



2 — Conte sobre a estreia do filme “Socorro! Minha Babá Tirou Férias”.

Socorro! Minha Babá Tirou Férias foi um presente que recebi dos Estúdios Globo em 2025 e uma experiência muito importante na minha trajetória.

Tive a oportunidade de fazer o trabalho de dublê do Rodrigo Sant’Anna, que é um ator de enorme talento e interpreta diferentes personagens no filme. Estar nesse universo e acompanhar de perto esse processo foi uma grande escola para mim.

E trabalhar com a Cris D’Amato, que é uma referência no cinema de comédia, foi uma honra. Aprendi muito observando a direção, o ritmo, o funcionamento de uma comédia e, principalmente, entendendo que o ator precisa estar disponível para o jogo.


Existe uma frase que ficou comigo durante esse trabalho: a arte do ator também é saber esperar. Você pode estar preparado, estudando, fazendo sua parte, mas cada projeto tem seu tempo.

E falar sobre as babás também é muito especial, porque são personagens que fazem parte da história de tantas famílias e ocupam um lugar afetivo muito importante na nossa sociedade.

Estou muito ansioso para que o público possa finalmente assistir ao filme. A previsão de estreia ainda não foi divulgada, mas espero que em breve ele chegue ao público pelo Globoplay.


Também estou aguardando com muita expectativa o longa “Rede Paralela”, dirigido pelo meu amigo Igor Moreira, com Jayme Periard e Alexandra Richter no elenco. É um thriller político, de suspense, e interpreto Josias, braço direito de uma organização envolvida em uma série de escândalos.

São trabalhos muito diferentes entre si, e isso me interessa profundamente como ator. Tenho vontade de transitar por gêneros, personagens e universos diferentes. É justamente essa possibilidade de me reinventar que me faz continuar apaixonado pela profissão.


3 – O teatro é uma parte muito importante da sua carreira. Como você define sua relação com o palco?

O teatro é a minha base. O palco é o ar que eu respiro.

Existe alguma coisa no encontro entre ator e público que é impossível de reproduzir completamente em outro lugar. Quando estou em cena, sinto como se entrasse em uma realidade paralela — e o mais bonito é poder levar o público comigo.

Cada apresentação é única. Mesmo fazendo o mesmo texto, a energia muda, a plateia muda, o ator muda. E essa efemeridade é justamente uma das coisas que mais me fascinam no teatro.

Recentemente encerramos uma temporada de “O Santo e a Porca”, de Ariano Suassuna, no Teatro Cândido Mendes, com direção de Paulo Marcos Carvalho. Foi um grande prazer e também um respiro fazer comédia.

Eu sempre me senti muito confortável no drama, então viver Dódó e mergulhar no humor foi um exercício delicioso. Tive a oportunidade de brincar com o corpo, com o tempo da cena e, principalmente, de estabelecer uma relação muito direta com o público. As peripécias do personagem para se disfarçar e conquistar o coração da sua amada provocavam uma resposta muito bonita da plateia.

Tivemos apresentações com ingressos esgotados, o que para qualquer artista de teatro é uma alegria enorme.

Quem sabe Dódó ainda não volte para uma nova temporada? Eu adoraria

e precisa aceitar.


"Coágulo" Rio LGBTQIA+ 2026 - Divulgação
"Coágulo" Rio LGBTQIA+ 2026 - Divulgação

4 — Como foi participar de “Coágulo”, um filme de terror LGBTQIA+?

Coágulo foi um daqueles convites que chegam e você sente que precisa aceitar.

O filme é dirigido pelo meu querido amigo Hsu Chien, um diretor com quem eu já tinha muita vontade de trabalhar. É um terror que aborda a sexualidade na terceira idade dentro de um universo vampiresco. Acho muito interessante quando o cinema consegue utilizar um gênero — nesse caso, o terror — para falar de temas que ainda são pouco explorados.


O filme está tendo uma trajetória muito bonita em festivais pelo mundo. Já passamos pelo Rio LGBTQIA+, pelo Erotic Film Festival, em Londres, e recebemos também o Troféu Orgulho no Dijanho Internacional Festival.Foi uma experiência muito divertida e, ao mesmo tempo, muito potente. E dividir o trabalho com o Carmo Dalla Vecchia foi especial. Ele é um ator extremamente generoso em cena, daqueles que fazem o colega crescer junto. Espero sinceramente que nossos caminhos se cruzem novamente.

Tenho buscado justamente isso na minha carreira: personagens que me provoquem, projetos que tenham alguma coisa a dizer e diretores com os quais eu possa construir. Quero continuar experimentando e me permitindo ser surpreendido pelo próximo personagem.


"Coágulo" Rio LGBTQIA+ 2026 - Divulgação
"Coágulo" Rio LGBTQIA+ 2026 - Divulgação

5 — Que mensagem você deixaria para quem sonha em começar uma

carreira como ator?

Eu venho de uma família humilde de São Gonçalo. Minha mãe é dona de casa e meu pai foi soldador metalúrgico. Eles não tiveram a oportunidade de concluir sequer o ensino fundamental, mas me deram uma coisa que nenhuma formação acadêmica ou dinheiro consegue comprar: valores, educação e a coragem de acreditar que eu poderia construir o meu próprio caminho.

A carreira artística ainda pode parecer muito distante para quem vem de uma realidade como a minha. E, de fato, não é uma estrada fácil. Mas difícil não significa impossível. Eu sou prova disso...já vivi muita coisa que um dia parecia distante: me formei em Teatro, construí uma trajetória no palco, participei de trabalhos no audiovisual e hoje também tenho a felicidade de atuar como professor e levar a arte para dentro da sala de aula. E ainda sinto que estou apenas começando.

Porque acho que uma das grandes armadilhas da vida é esperar estar pronto.

A gente nunca está completamente pronto. 

Não espere se sentir preparado para começar. Estude. Faça teatro. Procure oficinas, inclusive gratuitas.

Leia. Assista a filmes. Vá ao teatro. Desenvolva seu repertório. Faça um bom material e procure profissionais sérios para orientar sua carreira.

E, principalmente, não tenha vergonha de começar pequeno.

O meu conselho é simples: não espere o momento perfeito. Comece hoje. O caminho também faz parte da formação do artista.



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João Paulo Penido


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