Entrevistado: Pedro Ramos - CEO Dale Carnegie Portugal/ Diretor de RH
- João Paulo Penido

- 3 de jul.
- 9 min de leitura
João Paulo Penido entrevista Pedro Ramos : Especialista em Gestão de Pessoas e Liderança Empresarial

1 — Conte sua história da época de infância: elabore um breve resumo do seu modo de pensar na adolescência, juventude até chegar à fase adulta e o que viveu durante esse período, seus sonhos idealizados?
Minha história começa, como tantas outras, numa curiosidade precoce sobre a forma como as pessoas vivem, aprendem e se transformam. Na infância e juventude, desenvolvi uma atenção especial aos contextos humanos, à educação e ao impacto que a cultura exerce no percurso de cada pessoa. Talvez por isso,
desde cedo idealizei uma vida profissional em que pudesse unir conhecimento, serviço e desenvolvimento humano, com a convicção de que a liderança só faz sentido quando ajuda pessoas e organizações a crescerem juntas. Tive uma infância e juventude muito felizes e sempre em contato com muitas pessoas, especialmente adultos, e fui aprendendo a me relacionar, a conectar e, como diríamos hoje, desenvolvi grande habilidade para criar networking. Isso me foi muito útil anos mais tarde e continua sendo.
2 — Quando iniciou seus estudos pós‑ensino médio, sua vocação para a área de Gestão de Pessoas deu um ponto inicial para sua carreira profissional ou já havia encontrado algo nesse sentido na juventude?
A vocação para a Gestão de Pessoas foi se revelando de forma progressiva, muito antes de eu transformá‑la em um caminho profissional estruturado. Minha primeira graduação foi na área de Ciências da Educação, meio por acaso, o que me levou a entrar no mundo das empresas pela “porta” da área de treinamento. Depois aprofundei conhecimentos sobre pessoas nas organizações com um mestrado em Sociologia do Emprego e, mais tarde, fiz doutorado em Administração (Gestão, como dizemos em Portugal) e, finalmente, um doutorado em Economia Empresarial. Todo esse percurso acadêmico, junto com minha trajetória profissional na área de RH/Gestão de Pessoas, ajudou‑me a compreender que o trabalho não é apenas uma função produtiva: é também uma experiência humana, social e relacional. Essa leitura, aliada à prática e à observação da realidade organizacional, consolidou meu interesse por lideranças capazes de desenvolver pessoas com propósito e coerência. Todo esse percurso foi essencial para a pessoa que sou hoje.
3 — Quais pensadores da área de humanas tiveram influência na sua experiência como gestor de RH?
Ao longo da minha trajetória, fui naturalmente influenciado por diferentes autores e correntes de pensamento que colocam a pessoa no centro da ação organizacional. Entre essas referências destaco o brasileiro Idalberto Chiavenato, cuja obra é essencial para entender a evolução da Gestão de Pessoas, e o americano Simon Sinek, que trouxe uma leitura muito relevante sobre propósito, confiança e cultura de liderança. Também encontro inspiração em autores de língua portuguesa que defendem uma liderança mais humana, ética e consciente, vendo a empresa como uma comunidade de pessoas e não apenas uma estrutura de resultados. Porém, minha principal inspiração, ao longo dos anos, tem sido as muitas pessoas e equipes que tive oportunidade de liderar e com quem aprendi muito. Muitos deles nem imaginam o quanto foram fonte de inspiração para mim.
4 — Você teve experiências em alguns países como gestor de pessoas com foco em desenvolvimento e liderança corporativa. Conte alguma experiência que te emocionou.
Tive o privilégio de trabalhar em vários países e contextos culturais, e isso me deu uma visão muito rica sobre o que verdadeiramente move as pessoas. Uma das experiências mais marcantes foi perceber que, independentemente da geografia, os profissionais sempre buscam reconhecimento, confiança, respeito e sentido no trabalho. Em processos de desenvolvimento e transformação organizacional, emociona‑me sobretudo ver equipes reencontrarem energia, união e propósito, porque é aí que a liderança deixa de ser teoria e passa a ser transformação concreta. Essas experiências internacionais também me ensinaram que necessidades, objetivos e, muitas vezes, os próprios propósitos das pessoas são exatamente os mesmos, independentemente da geografia. Com as variações culturais (que são maravilhosas), dimensões organizacionais como proporcionar bem‑estar às pessoas, alinhamento, comunicação verdadeira e humanização nos processos de liderança são absolutamente comuns aos colaboradores do mundo todo. O que difere são os elementos culturais, individuais, formas de pensar e agir — e isso é lindo.
5 — Conquistou alguns títulos e prêmios na área de Gestão de Pessoas e cargos de nobreza em Portugal e no Brasil. Conte sobre esse reconhecimento e essa fase bonita.
Os reconhecimentos que recebi ao longo da carreira são, acima de tudo, reflexo de um percurso construído com consistência, exigência e dedicação às pessoas. Vejo cada prêmio como uma validação coletiva, porque nenhum resultado desse tipo acontece sozinho: nasce do trabalho com equipes, organizações, parceiros e comunidades. Essa fase tem sido bonita justamente porque confirma que a valorização das pessoas, quando feita com verdade e método, gera impacto real e duradouro. De qualquer forma, não trabalhei só para receber prêmios. Eles são o reflexo desse trabalho intenso e sempre muito focado nas pessoas. Dedico todos os prêmios que recebo à família e às equipes que tive o privilégio de liderar. Mas, lógico, gosto de receber prêmios.
6 — Recentemente, no ano de 2025, você recebeu o Prêmio "Ele por Elas" nos "WOMEN 3.0 Awards 2025" pelo mérito de promover a igualdade de gênero e a diversidade. Como foi para você receber essa conquista?
Receber o prêmio “Ele por Elas” foi uma distinção muito especial, porque igualdade de gênero e diversidade não são temas periféricos: são dimensões centrais de uma liderança moderna e responsável. Como afirma a literatura contemporânea sobre liderança humanizada, o verdadeiro progresso organizacional depende da capacidade de criar ambientes onde o talento possa florescer sem barreiras de gênero, origem ou perfil. Para mim, esse reconhecimento representa não apenas uma honra, mas sobretudo um compromisso renovado com uma cultura de inclusão, respeito e justiça. Ao longo da minha vida profissional, tive o privilégio de contratar as primeiras mulheres para funções em que só havia homens — isso foi incrível e sinto isso como um dos melhores prêmios da vida. Mas sabe o que mais me orgulhou quando recebi esse prêmio em 2025? Foi chegar em casa e minha filha mais nova me receber com a frase e um grande abraço: “Papi, você é o meu orgulho!”. Sim, sinto‑me um “ele por elas”.
7 — Durante essa jornada como gestor de pessoas você encontrou vários profissionais com QI extraordinário, imagino? Conte algumas dessas personalidades e o que fazem.
Ao longo do meu percurso encontrei muitos profissionais com grande capacidade intelectual e técnica, mas aprendi que o desempenho excepcional raramente depende só do QI. As pessoas que mais me marcaram foram aquelas que, além do conhecimento, demonstravam maturidade emocional, capacidade de escuta, humildade e vontade de colaborar. Na prática, os profissionais que deixam marca são os que conseguem transformar competência em impacto humano, seja na gestão, na educação, na inovação ou na liderança de equipes.
8 — No aspecto de motivar e direcionar um cidadão para determinada vaga de emprego, o que mais te preocupa nos requisitos de desenvolvimento e habilidade para estar apto à função?
O que mais me preocupa é o desalinhamento entre o perfil da pessoa, a função e a cultura da organização. A experiência mostra que a competência técnica é importante, mas não basta: é preciso atitude, responsabilidade, capacidade de aprender e adaptabilidade. Uma boa decisão de recrutamento ou orientação profissional deve considerar não só o que o candidato sabe fazer, mas também o modo como aprende, se relaciona e contribui para o coletivo. Atualmente, meu desafio é ajudar e motivar as empresas a recrutarem pessoas que pensem de forma diferente dos padrões anteriores, dada a grande importância da competência “diversidade cognitiva” no mundo corporativo atual.
9 — Do seu ponto de vista humano, cite alguns líderes que chamaram sua atenção na sua técnica de observação.
Sempre me interessaram líderes que unem visão, consistência e humanidade. Inspiram‑me particularmente aqueles que compreendem que liderar não é impor, mas mobilizar; não é controlar, mas desenvolver; não é apenas comunicar resultados, mas construir confiança. Gosto de observar líderes que têm coragem de decidir, mas também sensibilidade para ouvir, reconhecer e criar condições para que os outros tenham sucesso — algo muito presente nas abordagens de liderança humanizada e orientada por propósito.
10 — Deixe uma mensagem para seu leitor: como devemos nos comportar para ser um líder de excelência no nosso ambiente diário?
A mensagem que deixo é que a excelência em liderança começa com comportamentos simples, porém consistentes: escutar, respeitar, servir, aprender e agir com coerência. Como sublinha Simon Sinek, organizações e equipes se tornam mais fortes quando há confiança e sentido compartilhado; e, na tradição da liderança humanizada, o líder é quem desenvolve pessoas enquanto persegue resultados sustentáveis. No dia a dia, liderar bem significa manter o foco nas pessoas sem perder a exigência, e lembrar que o verdadeiro legado de um líder é a qualidade humana que deixa ao seu redor.
Pedro Ramos : Gestão de Pessoas e Liderança Empresarial

É Doutorado (PhD) em Economia de Empresa, Mestre em Sociologia do Emprego e Licenciado na área das Ciências da Educação. É atualmente CEO da Dale Carnegie Portugal tendo anteriormente desempenhado os cargos de Administrador Executivo e de Diretor de Recursos Humanos em grandes empresas, nos últimos 30 anos.
É Certificado em GISL, Global Innovation & Strategy Leadership Certification pela GAFM Global Academy of Finance & Management ® - ISO 21001 Certified International Board of Standards, bem como possui a Certificação ACM - Advanced Change Management Certification pela GAFM Global Academy of Finance and Management ®, ambos obtidos em 2024/25.
É professor universitário nas áreas de Liderança e Gestão de RH e é Orador/Palestrante internacional nas áreas de Liderança e Gestão de Pessoas com múltiplas intervenções em Portugal, no Brasil, em Angola, Moçambique, Cabo Verde, Espanha e México.
Foi Membro do Board do IFTDO (The International Federation of Training and Development Organization). Foi Presidente da Associação Portuguesa de Gestão das Pessoas (APG) até final de 2023, é Membro do Conselho Estratégico da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH Brasil) e foi Presidente em Portugal e Embaixador para a Lusofonia da Associação DCH – Diretivos de Capital Humano em Portugal. Exerceu nos últimos anos também o cargo de Vice-Presidente da Associação Lusofonia Digital. Atualmente é Presidente da Sociedade da Excelência Luso-Brasileira e é Vice-Presidente da Câmara do Comércio da Região das Beiras (Portugal).
Enquanto DRH foi um dos mais influentes em Portugal, no Brasil e em África e é referido em vários fóruns e estudos internacionais na área de Gestão de Pessoas.
É, ainda, autor de várias obras sobre Liderança e Gestão de Pessoas. É autor e coautor das obras: “Liderança – Para onde vamos a partir daqui?” (2017), “PESSOAS & NEGÓCIOS – Mobilizar para a Obtenção de Resultados” (2018), bem como é coautor das obras “Conta-me Estórias – Storytelling na Gestão de Pessoas” (2 volumes já publicados,2019 e 2020) e “Sharing My Change – Viagem pela Gestão da Mudança” (2020) publicados em Portugal e no Brasil. Coordenador da obra “Gestão de Empresas com Pessoas a Bordo” (2022) e autor da recente “Gestão das Pessoas de A a Zen” (2023 e 2024), no Brasil e em Portugal.
Recebeu ao longo da sua carreira vários prémios e distinções de excelência pelo seu exercício de funções enquanto Gestor de Pessoas. Recebeu o Prémio CARREIRA RH pelos mais de 27 anos de gestão de topo enquanto DRH, assim como o reconhecimento de “Personalidade de Gestão de Pessoas da Lusofonia 2021”, bem como vários prémios de Excelência RH individuais e coletivos pela sua intervenção enquanto Líder e Gestor de Pessoas. Já em 2024 recebeu a Medalha de Ouro da IFTDO | International Federation of Training and Development Organization (na cidade do Cairo, Egito) pelo trabalho realizado no Mundo na Área da Gestão de Pessoas.
Em 2024 recebeu a distinção de “Best Communications CEO 2024 Portugal” nos prémios de “European CEO of the Year Awards 2024” promomido pela EU Business News. Já em 2025 recebeu o Prémio “Ele por Elas” nos “WOMEN 3.0 Awards 2025” pelo mérito de promover a igualdade de género e a diversidade, bem como “Talent Management CEO of the Year 2025" nos European CEO of the Year Awards promovido pela EU Business News.
Em Novembro 2025 recebeu a distinção “People Transformation CEO of the Year” dos Burj CEO Awards (Dubai).
Já em Junho de 2026 recebeu o Prémio “The 2026 People Management Legacy Award” dos Global Excellence & Leadership Awards Singapore 2026 (Singapura).
Pedro Ramos é um líder executivo e académico amplamente reconhecido em vários países, com especial destaque no espaço lusófono, nomeadamente em Angola, Portugal, Brasil, Cabo Verde e Moçambique. Com uma carreira sólida em gestão e desenvolvimento de pessoas, destacou-se na condução de projectos de consultoria centrados em processos de mudança e transformação organizacional, tendo também publicado vários livros, sido orador internacional em vários países do mundo e recebido diversos prémios e distinções internacionais ao longo da sua trajectória.
Atualmente, enquanto CEO da Dale Carnegie Portugal e da Rharo By Group Talent, dedica o seu trabalho à promoção de uma liderança centrada nas pessoas, na cultura e no desenvolvimento humano, defendendo que as mudanças organizacionais devem ser feitas com as pessoas e não contra elas.
Contato: Pedro Ramos
Redes Sociais: Linkedin - https://www.linkedin.com/in/peramos/
Instagram - @pedroramos5075
João Paulo Penido

Uma honra em entrevistar Pedro Ramos! Um excelente Gestor de Pessoas ! Carreira profissional internacional com amplo conhecimento humano! Gratidão 🙏