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LUSO-BRASILEIRA

REVISTA DO VILLA

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Entrevista: Marcus Anoli / Ator e Bailarino

Marcus Anoli é ator e bailarino, 1,83 altura, nascido em 21 de agosto de 1971 na cidade de Anápolis-Go. 

Iniciou sua carreira como bailarino na Escola Municipal de Dança de Anápolis GO e fez parte da primeira formação do Corpo de Baile da Cidade.


Marcus Anoli - Ator e Bailarino
Marcus Anoli - Ator e Bailarino

Os primeiros passos como ator foram dados em Brasília, onde realizou diversos cursos livres. É formado pela CAL – Casa das Artes de Laranjeiras, no Rio de Janeiro, licenciado em Dança pela Escola de Comunicação e Artes do Centro Universitário da Cidade, também no Rio, e pós-graduado em Teatro Contemporâneo pela Faculdade Dulcina de Moraes, em Brasília.

Como ator, destacou-se em montagens como Hair e A Ópera do Malandro, ambas dirigidas por Jeff Moreira; A Vida Como Ela É, com direção de Marcus Alvisi; Bonitinha, mas Ordinária, dirigida por Ticiana Studart; Hamlet, também com direção de Marcus Alvisi; e Morte e Vida Severina, dirigida por Luiz Fernando Lobo. Em 2022, integrou o elenco do musical Quero Vê-la Sorrir, com direção de Chiquinho Neri e Sueli Guerra.


Integrou a Cia de Dança da Cidade do Rio de Janeiro, dirigida por Roberto Pereira e direção artística de Marise Reis, onde fez parte de um projeto inédito no Brasil que pesquisou e remapeou o percurso da dança no Rio de Janeiro. Para a primeira temporada foram selecionadas quatro peças para remontagem: “Suíte Barroca” de Nina Verchinina (1973), “Catar” (1987) de Lia Rodrigues e João Saldanha, “Dança de III” (1994) de João Saldanha e “Valises” (1996) de Ana Vitória. Como integrante da Cia da Idéia realizou “Dançando do Meu Jeito” (2022) dirigido por Sueli Guerra.

Também trabalhou com projetos audiovisuais como o curta metragem ENTRE, recebendo prêmio de melhor ator, TODAS AS MINHAS CORES, seriado DNA. Em 2021 protagonizou os filmes “TOLERADO” e “RASTRO DE GLITTER” em 2022 integrou o elenco de “CURIOSO” e em 2023 participação na novela TRAVESSIA. O ator está citado em publicações literárias como os livros de Lenise Pinheiro, Fotografias de Palco I e II.


  1. Marcus Anoli em cena de "Travessia" - Tv Globo
    Marcus Anoli em cena de "Travessia" - Tv Globo

    Qual idade iniciou a carreira como bailarino e o que sentia nesta época e movimentar o corpo do seu jeito?

Eu comecei a fazer aulas de dança com 09 pros 10 anos de idade, no final dos anos 70, mas desde que me entendo por gente eu já desejava ser artista. Tenho uma memória bem antiga de quando eu era bem novinho das pessoas perguntarem o que eu queria ser quando crescesse e eu sempre respondia que seria artista e moraria no Rio de Janeiro. Como venho de uma família de não artistas eu não fazia ideia do que era ser artista e muito menos onde ficava RJ e a dimensão disso tudo. Mas o desejo estava ali desde sempre.


  1. Conte sua trajetória de suas formações como profissional?

Quando eu comecei minhas aulas de dança, eu dancei escondido da minha família por um ano, até o dia que minha mãe achou minhas sapatilhas, foi um Deus nos acuda, sou do interior de Goiás, se hoje enfrentamos preconceito, imagina lá no interior no final dos anos 70. Eu apanhei, fiquei de castigo e fui obrigado a lutar judô. Eu era filho de um frentista e de uma costureira, na cabeça deles ser artista era sinônimo de ser gay. Eu comecei numa academia privada e juntava dinheiro que meus pais me davam para pagar a mensalidade, e como eles pararam de me dar dinheiro, eu tive que parar de dançar, mas por uma casualidade do destino a prefeitura da cidade abriu a Escola Municipal de Dança, era tudo gratuito, mais uma vez fui escondido, falava que ia pra biblioteca ou pra casa de algum amigo. Depois de um tempo fizeram uma audição pro primeiro corpo de baile da cidade, passei e dali em diante posso dizer que minha carreira começou. Óbvio que meus pais descobriram, eu já estava com uns 12 anos e confrontei meu pai dizendo que se eu fosse virar viado, era essa a expressão usada na época, eu mesmo fazendo judô ou sendo frentista de posto de gasolina como ele, viraria do mesmo jeito, meu pai por mais que não quisesse a vida que escolhi pra mim, aceitou e passou a respeitar minha escolha.



3 – Fale sobre sua carreira como ator e o que trouxe de experiência para dirigir peças teatrais?

Eu aos 18 anos de idade arrumei um trabalho em Brasília e fui morar lá, continuava dançando, mas lá eu descobri o teatro. Fui fazer um curso livre, frequentei a Casa do Teatro Amador, me apaixonei e desde então nunca mais parei, aos 24 anos vim pro Rio fazer a CAL - Casa das Artes de Laranjeiras e nunca mais parei de trabalhar.

No período que estava em Brasília tive oportunidade de fazer “Hair”, “A Ópera do Malandro”, ambas com direção de Jeff Moreira, O Alienista de Machado de Assis, me fugiram da memória o nome do diretor. Já no Rio fiz “A vida como Ela É”, direção de Marcus Alvisi, “Bonitinha, mas Ordinária” direção de Ticiana Studart, “Hamlet” direção de Marcus Alvisi, “Morte e Vida Severina” direção de Luiz Fernando Lobo (em Lisboa-PRT). Em 2022 fiz o Musical “Quero Vê-la Sorrir” com direção de Chiquinho Neri e Sueli Guerra. Depois disso eu decidi passar uns meses na minha cidade natal e recebi a proposta para dirigir a peça “Clarice Lispector na Caixa Preta”. Não sou diretor e na verdade nem almejo, ao menos por enquanto, mas lá eu aceitei porque poderia levar para os estudantes de teatro um pouco da experiência que vivemos aqui no Rio.


4 - Também trabalhou com projetos audiovisuais como o curta metragem. Fale este período e o que representou?

O audiovisual entrou bem tarde na minha vida, diziam que eu não tinha padrão rsrsrs não era branco suficiente, não era preto suficiente e tinha olho puxado e não era japonês, eu me sentia um ornitorrinco rsrs mas um dia um amigo ia fazer um curta metragem e me convidou, era só eu em cena. Aceitei o desafio e fiz o curta “Entre” o filme foi para festivais e acabei sendo premiado como melhor ator, também ganhamos melhor filme, depois dessa muita coisa. Mudou, o mercado foi se abrindo, o padrão de beleza mudou com a chegado do streaming e creio que o povo brasileiro queria se ver representado no audiovisual, estávamos cansados de ter um padrão inatingível de beleza e não nos enxergarmos nesse lugar, o povo brasileiro é lindo e era representado por uns poucos que não correspondiam a nossa diversidade.  Não estou aqui desqualificando e nem tirando o mérito de quem desbravou e abriu o universo televisivo no Brasil, sem eles não seríamos nada. Respeito e reverencio nossos grandes atores e atrizes que também tiveram suas lutas pra alcançarem o que almejavam, lutaram contra a ditadura e desbravaram nosso Brasil. Mas o mundo evoluiu e conquistamos nosso lugar no mercado. Depois de “Entre” me apaixonei pelo audiovisual e realizei diversos trabalhos desde então, entre eles, o filme “TODAS AS MINHAS CORES”, série “DNA”. Em 2021 protagonizei os filmes “TOLERADO” e “RASTRO DE GLITTER”, em 2022 o filme “CURIOSO”, em 2023 participei da novela “TRAVESSIA” Rede Globo, fui assistente de Sueli Guerra na série “B.O.” Netflix, tendo a oportunidade de atuar como coreógrafo nessa série, em 2024 atuei em Linha Direta no episódio “Chacina de Unaí” Rede Globo, em 2025 fui antagonista do filme “Feliz Aniversário Cida” e em 2026 participou da novela “Coração Acelerado” Rede Globo.


Marcus Anoli - Arquivo pessoal
Marcus Anoli - Arquivo pessoal

5 – Relate a experiência com a danças, performance do corpo em movimento? 

 Depois que já estava com a carreira de ator mais consolidada decidi que era hora de abrir espaço pra dança na minha vida, eu nunca tinha parado de fazer aulas, mas tinha me afastado dos palcos como dançarino. Decidi fazer a faculdade de dança e fui fazer licenciatura em Dança na Escola de Comunicação e Artes do Centro Universitário da Cidade aqui no Rio. Lá tive o prazer de conhecer meu grande mestre Roberto Pereira, quando eu desanimava ou ia aceitar um trabalho que atrapalharia minha formação ele me aconselhava, me direcionava e me incentivou a concluir a graduação, ele acreditou no meu artista e me abriu um universo de possibilidades, na dança, na performance. Ele fundou a Cia de Dança da Cidade-RJ dirigida por ele e direção artística de Marise Reis, onde fiz parte de um projeto inédito no Brasil que pesquisou e remapeou o percurso da dança contemporânea, ele criou uma cia de repertório de dança contemporânea, acho que foi a primeira no Brasil, porque ouvimos falar de repertório de ballet clássico, mas um cia de dança de repertório contemporâneo não se ouve falar. 

Para a primeira temporada de espetáculo foram selecionadas quatro peças para remontagem: “Suíte Barroca” de Nina Verchinina (1973), “Catar” (1987) de Lia Rodrigues e João Saldanha, “Dança de III” (1994) de João Saldanha e “Valises” (1996) de Ana Vitória. Hoje faço parte da Cia da Idéia, uma companhia de dança teatro dirigida por Sueli Guerra. Atualmente a Cia está em temporada com “A Sociedade do Cansaço” baseado na obra de Byung-Chul Han.  

 

6 – Deixe uma mensagem positiva para quem tem interesse em ingressar na carreira de ator e bailarino...o que precisa fazer para chegar no topo? 

 Então… rsrs hoje em dia tem muita gente querendo ser artística e acham que é só decorar um texto, mexer o corpo e pronto. Ser artista demanda estudo constante, leitura constante, a gente nunca para, é um trabalho full time.

As pessoas veem o trabalho pronto, mas não tem ideia de quanta dedicação e esforço estão colocados para a realização da obra, trabalhamos de segunda a segunda, 12 hs de SET quando estamos no audiovisual, fora a preparação em casa para chegar lá com tudo pronto, afinal são muitas pessoas ali pra fazer com que tudo dê certo e um dependente do outro pra que tudo corra bem, de 6 a 8 hs de ensaio no teatro, seja dançando ou como ator e fora as aulas que fazemos para manter o corpo ativo e nas hs de terapia pra nos entendermos melhor como seres humanos e sendo melhores humanos somos melhores artistas. Eu faço uma Master Class toda semana porque mesmo estando trabalhando eu necessito de um lugar de pesquisa, um lugar pra poder me jogar e errar. A arte é sublime, é incrível e indescritível a sensação de estar no palco, no set. Mas demanda estudo, demanda formação e muito amor, porque não é glamour é profissão, ofício, trabalho, ganha pão. Se quer ser artista sempre terá um espaço pra você, mas venha na sua totalidade e plenitude, pois tudo parece fácil porque ficamos hs repetindo a mesma coisa para que fique perfeito. Como eu disse é sublime, mas é um trabalho, nada caí do céu.  Essa pode não ser a mensagem positiva que vocês esperavam, mas é a verdade do nosso ofício. Mas eu vivo e respiro isso, e não me vejo em outro lugar, é o que me faz levantar da cama, é o que amo e desejo todos os dias. Pra mim estar no topo é estar trabalhando, seja na maior produção com bastante dinheiro ou junto com amigos sem grana nenhuma mas com todo amor e generosidade do mundo. O chique, o dar certo é fazer acontecer de um jeito ou de outro, com dinheiro ou sem. Fama nem sempre quer dizer sucesso, infla o ego e muitas vezes destrói carreira. Onde há humildade, amor, dedicação e colaboração, lá está o sucesso.


Marcus Anoli - Divulgação
Marcus Anoli - Divulgação

CONTATO

Ator e Bailarino em destaque nos Palcos: Carisma, dança e conexão!

Instagram: @marcusanoli.oficial

 


João Paulo Penido


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