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LUSO-BRASILEIRA

REVISTA DO VILLA

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Crítica - Visibilidade a Uma Mulher Surda Oralizada

Estreou, para uma nova temporada Surda no teatro Firjan Sesi Centro.


Crédito: Rodrigo Menezes.
Crédito: Rodrigo Menezes.

O texto de Julia Spadaccini é autobiográfico (a autora é uma mulher surda oralizada, como a atriz); fragmentado; pedagógico; informativo; realista; feminino, utiliza recursos de áudio e projeções em vídeo que complementam a narrativa; confere visibilidade a uma deficiência invisível; valoriza os indivíduos com deficiência auditiva; dá voz a uma figura feminina surda oralizada; anti preconceito; emocionante; sensível; bem humorado; poético; contemporâneo.


O texto sublinha a importância de se tratar com carinho e afeto as pessoas com deficiência. E concede visibilidade a uma deficiência invisível, mostrando como ela afeta a vida da deficiente no dia-a-dia. No caso da peça uma mulher surda oralizada, que resiste frente aos desafios e desmandos da sociedade machista e patriarcal.


O texto salienta que a deficiência não é um problema. É uma condição da diversidade humana. O desafio reside na dificuldade da sociedade lidar com a diversidade.


Vale frisar que a atriz Benedita Casé e a autora Spadaccini são surdas. E as duas levam ao palco esse tema sensível e as suas experiências.


Crédito: Rodrigo Menezes.
Crédito: Rodrigo Menezes.

A protagonista é a atriz Benedita Casé Zerbini, que interpreta uma mulher que passa a conviver com uma perda auditiva progressiva. Ou seja, a sua própria vivência. É uma encenação concentrada na figura da atriz e na valorização do texto narrado. Ela apresenta uma interpretação de qualidade, e emociona. Faz rir também, e comove. Domina o texto, transmitindo com clareza, com uma boa retórica e linguagem acessível. Domina o palco, com movimentação intensa e dinâmica, apresentando-se de pé, e também sentada. Estabelece boa comunicação com o público. Portanto, uma atuação comovente, merecedora de muitos elogios.


Ao lado de Benedita no palco, a acompanha a intérprete de libras Diana Dantas. 


A direção é de Debora Lamm, que focou no texto e concedeu liberdade à atriz para realizar sua apresentação de qualidade.


O figurino criado por Carla Costa é de bom gosto, camisa e calça em tom vinho, calça tênis, traja um único ao longo do espetáculo, e facilita a locomoção da atriz pelo palco.


A cenografia criada por Aurora dos Campos é bem solucionada, apresenta os elementos bem distribuídos pelo palco, e adequada. De um lado observamos um tapete e sobre o mesmo uma poltrona e um vaso de plano. Do outro, uma cabine de audiometria, onde a atriz realiza exames auditivos.


No fundo há uma tela de projeções que reproduz vídeos que são parte integrante da narrativa do texto, tendo os mesmos um caráter explicativo e informativo. 


A iluminação criada por Ana Luzia Molinari de Simoni apresenta um desenho de luz que contribui para realçar as interpretações da atriz. As variações luminosas acompanham o contexto das cenas, criando ritmo e dinamismo, além de complementarem as falas da protagonista.


Texto, elenco, direção, cenografia, figurinos, e iluminação formam um conjunto coerente e equilibrado, conferindo qualidade ao espetáculo.


Excelente produção cênica!


Crédito: Rodrigo Menezes.
Crédito: Rodrigo Menezes.




Alex Varela


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