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Crítica — O Palhaço O Que É: Energia Poética!

7 de out.
1 min de leitura

Estreou “ar&luz&tempo&espaço”, no Teatro III do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB Rio).


“ar&luz&tempo&espaço” - ©Renato Mangolin
“ar&luz&tempo&espaço” - ©Renato Mangolin

Com concepção, direção e performance de Ruy rUy ruY, o espetáculo de palhaçaria contemporânea é inspirado no poema homônimo de Charles Bukowski. A performance é individual e acontece em consonância com uma trilha sonora criada por Marcelo Caldi, executada a partir de uma sanfona, e com a presença de uma lâmpada que, em cena, transforma o movimento em um autêntico marcador de tempo.


Há bastante gestualidade e expressão corporal, mas raríssimas falas. A voz em off de Julio Adrião pontua alguns momentos. O palhaço se transforma em uma espécie de energia poética que se move pelo espaço sem limites. Anda, gesticula, rasteja e joga as pernas para o ar, explorando intensamente as possibilidades do corpo e exibindo suas habilidades. Também interage com o público.


O figurino, composto por camisa branca de mangas compridas e calça vermelha, reforça a caracterização do palhaço, completada pelo cabelo volumoso, que remete ao universo tradicional da palhaçaria.

A cenografia é mínima, e Ruy rUy ruY parece à vontade naquela ribalta. É a partir do quase nada que constrói sua experiência visual e sonora, com determinação e precisão.

A iluminação, criada por Ricardo Rocha, alterna momentos de claridade e penumbra, explorando os contrastes entre luz e sombra.


Ao final, o palhaço diz ter dificuldades de se despedir. Ele desaparece de maneira repentina e abrupta. E, de uma hora para outra, não mais o vemos.

Uma experiência de artes cênicas marcada pela força do corpo, pela música, pela luz e pelo silêncio.


Excelente produção cênica!


“ar&luz&tempo&espaço” - ©Renato Mangolin
“ar&luz&tempo&espaço” - ©Renato Mangolin

Alex Varela


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