Comédia inédita "Heterotopia - a amor existe, mas a que custo?" Estreia 12 de junho, Teatro Café Pequeno
- Alex Gonçalves Varela

- 5 de jun.
- 4 min de leitura
Heterotopia estreia no Rio no Dia dos Namorados para rir, questionar e reinventar o amor
heterossexual contemporâneo. Com humor, espetáculo acompanha duas mulheres em busca de uma “utopia hétero” onde relações saudáveis talvez finalmente sejam possíveis

No Dia dos Namorados, enquanto restaurantes lotam de casais e promessas românticas, duas mulheres sobem ao palco do Teatro Café Pequeno para perguntar: afinal, ainda existe amor heterossexual possível no século XXI? É dessa provocação que nasce “Heterotopia - O amor existe, mas a que custo?”, comédia teatral autoral que estreia no dia 12 de junho, no Rio de Janeiro, em curta temporada até 28 de junho.
Idealizado, escrito e protagonizado por Bruna Sigmaringa e Cristina Mascarenhas, com direção e colaboração dramatúrgica de Alessandra Carvalho, o espetáculo mistura humor ácido, cultura pop e música para investigar as contradições das relações amorosas contemporâneas.
O projeto surgiu a partir de incômodos vividos pelas atrizes no meio artístico, quando perceberam como estruturas machistas atravessavam naturalmente as relações e os espaços de fala. “Quando os homens falavam, eles eram ouvidos. As mulheres não. Aquilo foi dando uma inquietação e resolvemos escrever uma peça”, conta Cristina.
A partir dessa percepção, as artistas passaram a refletir sobre como estruturas patriarcais atravessam as relações amorosas contemporâneas, tema que se tornou o eixo central da montagem.
Assim nasceu o conceito que dá nome ao espetáculo: um lugar imaginário onde relações equilibradas, saudáveis e generosas finalmente seriam possíveis. Ao longo da narrativa, porém, as personagens percebem que talvez essa perfeição simplesmente não exista. “Assim como boa parte de nós, as personagens também buscam o impossível, ainda que a gente saiba que relações perfeitas não existem. Nesse sentido, a peça não é pessimista, ela fala sobre a persistência, sobre acreditar no amor e continuar tentando apesar de tudo”, reflete a diretora.
A dramaturgia foi construída coletivamente em sala de ensaio, misturando relatos autobiográficos, histórias de amigas, improvisações e situações absurdas inspiradas no cotidiano afetivo contemporâneo. O resultado é uma sequência de esquetes costuradas por duas “caçadoras” futuristas que atravessam aplicativos de relacionamento, dates fracassados, contos de fadas e situações delirantes enquanto analisam diferentes “espécimes masculinos” encontrados pelo caminho.
Entre eles, estão o “Cupidus evaporatus”, homem que desaparece depois de bombardear a parceira de mensagens ou ainda o “Ineptus linguais”, “homem que diz gostar da fruta, mas se recusa a lamber o caroço”. No percurso surgem princesas empoderadas, cientistas duvidosas, Evas indignadas, abelhas vivendo um “meltriarcado” e até uma “Super Peca”, heroína criada para discutir prazer feminino com humor e deboche. “A peça tem um comprometimento político, mas ela não é panfletária. A proposta era criar uma comédia popular, capaz de alcançar um público amplo e despertar identificação e empatia entre as mulheres.”, explica Alessandra.
Na encenação, corpo e palavra dividem protagonismo. As atrizes partem de uma roupa-base e constroem múltiplos personagens por meio de adereços e transformações rápidas em cena. A estética visual aposta em uma cenografia minimalista criada por Bea Simões, apoiada em projeções audiovisuais, microfilmes e imagens digitais que ajudam a expandir os universos da peça. Um tecido ao fundo do palco recebe vídeos e projeções que acompanham a narrativa das personagens.
A montagem também incorpora recursos de inteligência artificial na criação da “deusa” que conduz simbolicamente a narrativa. A personagem ganha voz da influenciadora baiana Jaque Conserta, conhecida nas redes sociais pelos vídeos sobre machismo cotidiano e autonomia feminina.
A iluminação de Yasmim Lira desenha os diferentes espaços cênicos da montagem, enquanto a sonoplastia de Thais Tomaz conduz as músicas e paródias presentes no espetáculo. Já o trabalho corporal conta com a colaboração em direção de movimento de Bárbara Abi-Rihan.
Apesar das críticas aos relacionamentos contemporâneos, “Heterotopia” termina de maneira menos cínica do que parece. Entre ghostings, frustrações e desencontros, a peça aposta no humor, na amizade entre mulheres e na possibilidade de continuar acreditando nas relações, mesmo sem garantias. “É sobre se reconhecer na experiência da outra. A gente ri juntas, enfrenta os problemas juntas e segue de mãos dadas, mesmo nas dificuldades.”, define Bruna.
Ficha Técnica
Heterotopia – O amor existe, mas a que custo?Teatro Municipal Café Pequeno — Junho de 2026
Idealização, dramaturgia, atuação e produção: Bruna Sigmaringa e Cristina Mascarenhas
Direção e colaboração dramatúrgica: Alessandra Carvalho
Assistência de direção: Fernanda Brandt
Cenografia e figurino: Bea Simões
Sonoplastia: Thais Tomaz
Narrações em off: Jaque Pinheiro (Jaque Conserta) e Thais Tomaz
Captação, mixagem e masterização de som: Marcos Xi
Iluminação: Yasmim Lira
Operação de luz: Yasmim Lira, Dani Saboia e Guilherme Gelain
Colaboração em direção de movimento: Bárbara Abi-Rihan
Colaboração em coreografias: Letícia Guerra
Interlocução artística: Malu Costa
Assessoria de imprensa: Fernanda Lacombe — LAGE Comunicação
Design gráfico: Gustavo Rocha
Motion design: Matheus Soares
Fotografia do cartaz: Edit Lucas
Fotografia, vídeo e mídias sociais: Tainá Seixas
Captação de imagens: Lyana Peck, Tainá Seixas e Gustavo Rocha
Edição de imagens: Lyana Peck e Tainá Seixas
SERVIÇO
“Heterotopia - O amor existe, mas a que custo?”
Temporada: 12 a 28 de junho de 2026Local: Teatro Café Pequeno (Avenida Ataulfo de Paiva, 269, Leblon)
Sessões: sextas e sábados, às 20h, domingos, às 19h
Valor: R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia-entrada)
Lotação: 90 pessoas
Classificação Etária: 16 anos
Duração: 80 minutos
Informações: (21) 3085-0662.
Ingressos antecipados pelo Sympla
LAGE ASSESSORIA
Fernanda Lacombe
22 2623.9152/21 98121.7409 (WhatsApp)
Alex Varela

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