Com texto e direção de Tairone Vale, peça “Doce Árido” estreia em 16 de julho no Teatro Ipanema Rubens Corrêa
- Alex Gonçalves Varela
- 13 de jul.
- 5 min de leitura
Pri Helena, Rebeca Figueiredo e Layla Paganini vivem mulheres que, ao longo de três gerações, enfrentam conflitos silenciosos enquanto sustentam a casa com a produção artesanal do doce de leite no interior de Minas Gerais

O que você seria capaz de fazer diante da chance de transformar a própria vida? É a partir dessa pergunta que nasce “Doce Árido”, espetáculo que estreia no Rio de Janeiro em 16 de julho de 2026, no Teatro Ipanema Rubens Corrêa. Com texto e direção de Tairone Vale, a peça reúne em cena as atrizes mineiras Pri Helena, Rebeca Figueiredo e Layla Paganini, que dão vida a três gerações de mulheres responsáveis por sustentar a casa em uma pequena roça no interior de Minas Gerais com a produção artesanal de doce de leite.
Quando um inesperado pedido vindo do exterior surge como a chance de mudar suas vidas, a família mergulha em uma intensa rotina de trabalho para conseguir entregar a encomenda dentro do prazo. Mas o maior obstáculo para essas mulheres não é o tempo, e sim os segredos do passado.
Entre as consequências de um parto complicado e a escassez que ronda a casa, mãe, filha e avó se equilibram entre o peso da tradição e o desejo de liberdade. Pressionada pelo prazo curto, Maria Antônia (Pri Helena) exige dedicação total à produção da encomenda. A jovem Maria Lúcia (Rebeca Figueiredo) se divide entre o tacho de doce e os cuidados com sua frágil recém-nascida, Maria Clara. Observando tudo pelas frestas, a matriarca Maria Quitéria (Layla Paganini) sabe que a fragilidade dessas relações pode colocar tudo a perder.

Apoiado numa plataforma móvel, o cenário da peça espelha a instabilidade das relações dessa família: à medida que a trama avança, ele tomba com o deslocamento das atrizes. A trilha sonora original, da cantora e compositora Laura Jannuzzi, evoca imagens e sensações que sublinham a aridez do ambiente.
A viola caipira, que poderia remeter apenas ao regionalismo mineiro, ganha contornos opressores ao reforçar essa aridez, enquanto a flauta destaca a solidão que mães e filhas, mesmo juntas, não conseguem evitar.
O diretor e autor Tairone Vale resgatou memórias da infância e os afetos construídos pelas matriarcas de sua família para criar uma história de ficção ambientada no interior de Minas Gerais. Escrito em 2013, o texto ganhou os palcos pela primeira vez no ano passado, em Juiz de Fora, e este ano foi apresentado no Festival de Curitiba. “Um dos motivadores para esse trabalho foi pensar no que aconteceria se uma mulher tivesse depressão pós-parto em um cenário isolado, rural, sem estrutura e recursos”, diz Tairone.
A peça também dialoga com dados reais: segundo o Censo 2022 do IBGE, 49,1% dos lares brasileiros são chefiados por mulheres, que dedicam quase dez horas semanais a mais que os homens ao trabalho doméstico e de cuidado. Cerca de três em cada dez brasileiras já sofreram violência doméstica, com altos índices de estupro e feminicídio — realidade ainda mais grave entre mulheres rurais, que enfrentam menor acesso a serviços de saúde e proteção, mobilidade restrita e isolamento.

Ficha Técnica:
Texto: Tairone Vale
Colaboração Dramatúrgica: Layla Paganini, Léo Cunha, Pri Helena, Rebeca Figueiredo
Direção: Tairone Vale
Codireção: Léo Cunha
Elenco: Pri Helena, Rebeca Figueiredo e Layla Paganini
Stand in: Livia Gomes
Direção de Arte: Cris Bourgeaiseau
Cenário: Cris Bourgeaiseau
Núcleo de Cenografia: Cris Bourgeaiseau, Rebeca Figueiredo, Tairone Vale, Marcella Calixto, Amanda Corrêa e Vitória Vargas
Iluminação: Nitay Krishna
Figurino: Cris Bourgeaiseau
Trilha Sonora Original: Laura Jannuzzi
Preparação Corporal: Letícia Nabuco
Programação Visual: Marcella Calixto e Vitória Vargas
Fotografia: Marcella Calixto
Assessoria de imprensa: Paula Catunda e Catharina Rocha
Mídias Sociais: Rebeca Figueiredo
Costureira: Aline Azevedo
Direção de Produção: Cris Bourgeaiseau
Produção Executiva: Jhully
BIOGRAFIAS
PRI HELENA – “Doce Árido” marca o retorno de Pri Helena aos palcos depois de dar vida à Zezé, de “Ainda Estou Aqui”, e de Cacá, da novela “Volta por Cima”, da Rede Globo. Atriz, roteirista, diretora e produtora, Pri Helena compõe também o elenco da série “Os Outros” (2ª temporada) na Globoplay. Atuou nos longas “Turvo” (direção de Murillo Sued) e “Cabrito” (direção de Luciano de Azevedo); no média-metragem “Cyclone”, e nos curtas “Moscas Mortas, Trancinhas e Ondas”. Pri Helena encabeça o “Grilla!”, um coletivo de mulheres que exploram, em suas criações, o diálogo entre o teatro e o audiovisual. No teatro, destacam-se os espetáculos “O Rinoceronte” (indicado ao Prêmio Shell 2019), “Os Impostores”, “Nerium Park” e “Antes da Chuva”, sob direção de Rodrigo Portella. Atualmente, está no ar na novela “Quem Ama Cuida” (personagem Lyris), na Rede Globo.
REBECA FIGUEIREDO – Atriz formada pela Escola de Teatro PUC Minas e graduada em Comunicação Social pela UFMG. Rebeca estudou Arte Dramática na Escola de Teatro Martins Penna, no Rio de Janeiro, e também atua nas áreas de produção e direção de arte. É uma das idealizadoras do “Grilla!”, coletivo artístico encabeçado por mulheres cujo foco principal é experienciar o diálogo entre teatro e o audiovisual a partir de perspectivas femininas. Seus trabalhos mais recentes são os curtas “Cadê Minha Filha, Bob?” e “Pão com Ovo” (Grilla!), e “Meio Éden” (Clara Estolano), exibido na 27ª Mostra de Cinema de Tiradentes.
LAYLA PAGANINI – Formada pela Escola Técnica de Teatro Martins Penna e bacharel em Teatro pela Faculdade CAL, onde também concluiu sua pós-graduação em Direção Teatral, a atriz reúne sólida base técnica e ampla experiência cênica. Com passagem pelo Tablado e atuação em diversos musicais infantis de destaque como “Bituca”, “Tropicalinha”, “Raulzito Beleza” e “Pimentinha”, além da peça “Open Bar” e participação na novela “Verão 90”, ela constrói uma carreira versátil que transita com segurança entre teatro musical, dramaturgia contemporânea e televisão.
TAIRONE VALE (Autor e Diretor) – Ator, produtor, diretor, roteirista e dramaturgo que, convidado pelo diretor Rodrigo Portella a protagonizar “As Bruxas de Salém” (2009), não parou mais. Com o diretor, coescreveu e atuou em “Uma História Oficial”, e atuou em “Alice Mandou um Beijo”, “Quase Nada é Verdade”, “4x Nelson”, “Insetos” (da Cia dos Atores e texto de Jô Bilac) e “Os Impostores”. Atualmente, circula com seu primeiro solo autoral, “Versão Demo”, dirigido por Suzana Nascimento. Na TV, participou de séries e novelas como “Justiça”, “O Outro Lado do Paraíso” e “Segundo Sol” (delegado Nolasco). O mais recente trabalho na Rede Globo foi no elenco principal de “Terra e Paixão” (espião Ruan Alves). Escreveu “Sinopse”, curta em que atuou ao lado de Maitê Proença e Gabriel Godoy, e “Aqueles Cinco Segundos”, vencedor de dois Kikitos em Gramado. Escreveu e dirigiu o infantil “Como Cozinhar uma Criança”. É roteirista e apresentador do canal de culinária e humor “Cozinha sem Paciência”. Escreveu o espetáculo “Big Bang’, publicado pela Universidade Federal de Ponta Grossa (2021) e escolhido para a montagem de celebração dos 50 anos do Grupo de Teatro Universitário da UEPG. Em 2025, escreveu e dirigiu “Doce Árido”.
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