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REVISTA DO VILLA

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Com músicas da Liniker, espetáculo de dança “Me Ame Como Se Fosse Uma Sexta-Feira no Centro” estreia no Rio, no Cinema Preto em Movimento

10 de set.
3 min de leitura

Atualizado: 12 de set.

Inspirado na obra de Liniker, espetáculo da LONAN Companhia de Dança transforma em movimento os encontros, desejos e afetos de corpos pretos e queer na noite urbana.


"Me Ame Como Se Fosse Uma Sexta-Feira no Centro" - Divulgação
"Me Ame Como Se Fosse Uma Sexta-Feira no Centro" - Divulgação

Entre becos, bares e corações noturnos, encontros acontecem, desejos são despertados e diferentes formas de amar tentam encontrar seu lugar em meio ao caos da cidade grande. É nesse cenário que “Me Ame Como Se Fosse Uma Sexta-Feira no Centro”, da LONAN Companhia de Dança, transforma em movimento os afetos, as relações e as ausências que atravessam corpos pretos e queer na vida urbana. Diretamente de São Paulo e inspirado na obra da Liniker, o espetáculo estreia no Rio de Janeiro como parte da programação da Cena Preta em Movimento, projeto realizado pela Confraria do Impossível. Em cartaz no Teatro Chica Xavier a partir desta sexta-feira (11), o espetáculo terá apresentações às sextas e sábados, até 19 de setembro, sempre às 19h. O ingresso custa R$10 e está disponível no Sympla.


A trilha sonora é elemento fundamental desse espetáculo de dança. Ao todo, a montagem reúne 23 músicas da Liniker, com faixas dos álbuns “Goela Abaixo”, “Remonta", “Indigo Borboleta Anil” e “Caju”. “A obra musical dela ajuda a conduzir essa narrativa atravessada por amor, desejo, identidade, vulnerabilidade e afeto. As canções receberam edições e recortes especialmente construídos para a cena pelo engenheiro de som Marcelo Ermida, criando transições entre música, movimento e dramaturgia", ressalta Hélio Lima, diretor do espetáculo.


A pesquisa nasceu da observação dos encontros que acontecem na noite paulistana, como afirma Hélio: "Percorremos espaços de convivência, festas e baladas, muitas delas frequentadas pelo público LGBTQIAPN+, observando formas de aproximação, desejo, cuidado, celebração e também as solidões presentes nesses ambientes.”


No palco, oito bailarinos/artistas constroem essa experiência a partir da dança contemporânea, incorporando também referências do jazz dance e da dança urbana. Em alguns momentos, os corpos deixam de funcionar como indivíduos isolados para formar uma espécie de organismo coletivo; em outros, dão espaço à intimidade, ao contato e à delicadeza. A fisicalidade acompanha, assim, as diferentes possibilidades de relações que a própria montagem investiga.


"Me Ame Como Se Fosse Uma Sexta-Feira no Centro" - Divulgação
"Me Ame Como Se Fosse Uma Sexta-Feira no Centro" - Divulgação

“Queremos que cada pessoa possa reconhecer algum tipo de amor ali: o amor romântico, o amor entre amigos, o desejo, o cuidado, o amor próprio, o amor que nasce na noite, o amor que dura pouco, o amor que permanece e até mesmo aquele amor que ainda estamos aprendendo a nomear. Não queremos entregar ao público uma resposta pronta sobre o que é o amor. Queremos provocar uma pergunta: o que acontece quando podemos amar sem precisar pedir licença?”, reflete o diretor.


De São Paulo para o Rio

A temporada carioca marca agora um novo momento para a LONAN Companhia de Dança: será a primeira circulação do espetáculo fora do estado de São Paulo.

A chegada ao Rio amplia uma característica presente na própria pesquisa da obra: sua relação com o território. São Paulo foi o ponto de partida, mas a companhia entende que cada nova cidade visitada permite que o espetáculo encontre outros corpos, noites, afetos e histórias.


“É uma possibilidade de colocar a obra em contato com novas experiências e permitir que ela continue sendo transformada pelos encontros. E talvez esse seja o coração do trabalho: uma cidade cheia de gente, uma multidão atravessada por desejos diferentes e a tentativa de encontrar, no meio de tudo isso, um lugar para amar”,

avalia Hélio.


Cena Preta em Movimento

O espetáculo integra a programação da Cena Preta em Movimento, projeto realizado pela Confraria do Impossível que promove a visibilidade e o protagonismo de artistas e grupos negros e periféricos, oferecendo incentivo financeiro e espaço para que apresentem seus trabalhos no centro do Rio de Janeiro. Neste ano, o projeto amplia sua atuação para além das fronteiras do estado e fortalece o intercâmbio entre artistas de diferentes regiões do país. 


“Estamos trazendo pessoas, culturas e trabalhos diferentes para estarem aqui, trocando e dialogando com a gente. É muito bonito ver esse movimento de pessoas negras na cena, produzindo, ocupando esses espaços e também indo assistir”, destaca Wayne Marinho, co-gestor e diretor geral da Confraria do Impossível. 



SERVIÇO:

Datas: 11, 12, 18 e 19 de setembro (sextas e sábados)

Horário: 19h

Local: Teatro Chica Xavier

Ingresso: R$10, disponível no Sympla

Duração: 55 minutosClassificação indicativa: 16 anos


FICHA TÉCNICA:

Criação e Realização: Confraria do Impossível

Direção Artística e Curadoria: ALemos

Direção de Produção e Curadoria: Wayne Marinho

Gestão do Projeto: Ândrea Cordeiro

Arte Gráfica e Comunicação: Giulia Santos

Diretor Técnico: Alex Nanin

Diretor Logístico: Tarso Gentil

Produção: Laíz de Oyá

Produção Executiva: Laíz de Oyá, Alex Nanin, Tarso Gentil, Ândrea Cordeiro e Morgana Cardoso

Assessoria de Imprensa: Monteiro Assessoria

Realização: FUNARTE


Higor de Souza

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